28 de abril de 2011

O FMI E O ZÉ POVINHO

Torna-se já um enfado ouvir falar persistentemente do Fundo Monetário Internacional (FMI), que nos entra quotidianamente pelos ouvidos, e nos cansa os olhos com as imagens televisivas ou em parangonas jornalísticas.

A expressão “O pior está para vir!”, assim como outras da mesma índole, são como que uma espécie de lançamento dum bálsamo para o futuro sofrimento.

Se a figura da “dona crise” é proporcionadora de novas oportunidades, com que também concordo, e como recentemente foi objecto das Conferências Quaresmais na Universidade da Beira Interior, com oradores de luxo a dar a sua achega aos temas versados, também é certo que tem que haver verdadeiros empreendedores que possam remar contra alguns ventos e marés.

A caricatura histórica criada em 1875 por Rafael Bordalo Pinheiro, como personagem satírica de crítica social, e adoptada como personificação nacional portuguesa, ainda continua válida para o Portugal de hoje.

Apesar de tanto desemprego, às resmas no surgimento diário, é importante ver o esforço com que os nossos governantes se empenham em dar emprego a toda a gente, mormente da graúda – vejam-se as páginas do Diário da República que, só por isso, deveria voltar ao título antigo e passar a chamar-se Diário do Governo –; são as Novas Oportunidades, num país de chicos espertos e muita burrice à mistura.

Mas o FMI também pode ser “Foram Ministros Incapazes”, muitos, de todos os governos; como “Fugiram, Mas Ignoram”, exemplo de Dias Loureiro, regalado em Cabo Verde…

FMI pode ainda ser “Fome, Miséria, Indiferença”. Seria maior se não fossem a acção do Banco Alimentar; das Conferências Vicentinas, que em Abril tiveram a sua Peregrinação Nacional a Fátima, sendo Presidente Nacional um covilhanense; e outras instituições de solidariedade.

FMI pode ser “Finlândia Muito Irritada”. Não quer ajudar Portugal mas esquece-se que em Abril de 1940 este mesmo país deu-lhe ajuda moral e material, para a sua crise finlandesa!

Outra pode ser: “Fazer à Maneira Islandesa”. Foi o primeiro país a entrar em crise e, ao contrário da Irlanda, renegou ao salvamento integral dos seus bancos e rejeitou pagar certas contas, mas, apesar de afastada dos mercados internacionais, já saiu da recessão. Estamos neste estado lamentável, devido à corrupção interna, pública e privada, com incidência no sector bancário, e pelos juros usurários que nos são cobrados pela Banca Europeia. O movimento cívico M12M promete interpelar os nossos políticos sobre a “legitimidade democrática” do resgate financeiro.

Então, noutra designação dum qualquer FMI, não envolvido na Troika, mas mais paradoxal, vamos vendo os efeitos de quem emana ânimo ao país.

Por exemplo, “Foi Moura Internacional”. O português Eduardo Souto Moura venceu o Pritzker – o mais importante galardão da arquitectura do mundo e que distingue a carreira de um arquitecto. O seu currículo está envolvido em muitos projectos que concebeu, em Portugal e no estrangeiro. Na nossa região, é da sua responsabilidade a reconversão do Sanatório dos Ferroviários na Pousada da Serra da Estrela.

Atentando neste facto, gostaria que muitos dos covilhanenses, ocultos no anonimato, mas grandes nomes do mundo do trabalho, no país e no estrangeiro, viessem a lume.

Dentre vários, destaco dois irmãos – Daniel Monteiro, autor do projecto paisagista do Cemitério Municipal de Monchique (Guimarães), escolhido pelo júri para o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista, e responsável pelo projecto paisagista do Estádio Municipal de Braga, entre outros projectos de vulto; seu irmão, Ricardo Monteiro, quadro mundial e coordenador de várias empresas, na área da gestão, onde a sua acção de liderança e relações internacionais têm feito singrar para o mais alto galarim o grupo de empresas que lidera, espalhadas por vários países, numa grande capacidade de trabalho e liderança. CEO ibero-americano.

Podíamos também designar FMI, “Faleceu Maria Ilda”. Covilhanense ilustre, Maria Ilda Catalão Espiga faleceu aos 101 anos. Conheci esta bondosa senhora que se dedicou, de alma e coração, à cultura. Durante muitos anos foi colaboradora duma página feminina no “Notícias da Covilhã”. Cronista, foi dedicada à educação de adultos, operariado têxtil, e fundadora de instituições de ajuda às famílias, e no âmbito da solidariedade, em tempos que também não eram fáceis, dentre de várias acções humanitárias, como é timbre da mulher covilhanense.

É por isso que, com exemplos de políticos de hoje, mas na retrospectiva de acções de figuras e factos de outros tempos, o Zé Povinho tem razão para continuar a manter-se vivo.

(In Notícias da Covilhã de 28.04.2011)

29 de março de 2011

QUANDO OS SERRANOS JOGAVAM NA PRIMEIRA

Das memórias do clube serrano, nos bons velhos tempos do futebol de primeira – primeira divisão, entenda-se, hoje I Liga – deixo algumas referências à última participação do Sporting da Covilhã (SCC), na então I Divisão, numa senda de 13 participações quase consecutivas, interrompidas somente na época 1957/58.

Reporto-me, evidentemente, aos princípios dos anos sessenta do século passado, em que o SCC, mesmo enfrentando várias crises, misturadas com vários êxitos e a participação de valorosos atletas, conseguia levar os covilhanenses ao fervor clubista, num direccionar domingueiro para o Estádio Santos Pinto, calcorreando, muitos, a pé, a subida da rua do antigo hospital, de acesso ao campo.

Os pinheiros que abundavam atrás do campo de futebol, muitas vezes serviam para os magalas do extinto Batalhão de Caçadores 2 se empoleirarem e, assim, verem parte do jogo, com o beneplácito da GNR, força militarizada para o local nessa altura, que, entretanto, não consentia o mesmo à rapaziada que não tinha posses para adquirir bilhete.

Certo é que o clube serrano ainda passou, duma forma efémera, pelo futebol de primeira, nas épocas 1985/86 e 1987/88, já em campos relvados, mas longe do frenesi do futebol de outrora, mesmo em campos pelados, em que as vedetas do futebol serrano eram quase que idolatradas – caso de Simony e do guarda-redes Rita, por exemplo.

Nessa altura, vários atletas permaneciam no clube por vários anos. Vinham poucos reforços, e, outros, por cá se radicaram e casaram, caso do Martin, do Reynolds e do Leandro, estes dos primeiros tempos.

Depois, outros se seguiriam, perenes na memória dos covilhanenses, quando a aspiração da subida – já lá vão quase cinquenta anos – era quase uma insofismável obrigação, a que os dirigentes se empenhavam junto dos associados e covilhanenses.

O famoso treinador Manuel José e o antigo atleta serrano, Maçarico, entre outros, encontraram na mulher covilhanense a ideal companheira das suas vidas.

Reportando-me à última participação do SCC na I Divisão, na década de sessenta, essa época de 1961/62 envolveu a esperança de não deixar cair o clube naquele que foi um longo interregno de vinte e três anos – eu próprio fiquei esperançado que o regresso à primeira seria inevitável, quando, no final do último jogo, no Santos Pinto, com o Olhanense (SCO), desse Verão de 1962, descia a calçada do estádio para a cidade.

A esperança, depois de se conseguir manter o clube entre os maiores, na época anterior, ao derrotar o Vitória de Guimarães, traduziu-se num esforço, então para a época 1961/1962, na contratação de novos atletas, já que, ainda na época anterior, o clube fora eliminado, logo na primeira eliminatória, pelo SCO, no conjunto das duas mãos, apesar de militar na divisão inferior. Pontificavam neste clube os jogadores Alfredo, Luciano, Madeira, Reina, Parra, entre outros. O SCC desistia também dos juniores nos distritais, volvidos dezassete anos de participação contínua, tendo sido catorze vezes campeões.

E depois de um contratempo em não se poder realizar a Feira Popular do Sporting, para obtenção de fundos na ajuda ao clube, surgem em Agosto as notícias da contratação dos atletas Adventino, Adriano e Carlos Alberto, respectivamente, do Lusitano de Évora, Boavista e Leixões.

E, já em Setembro, vinham juntar-se Palmeiro Antunes, da Cuf; e, para interior e médio de ataque, chegavam os espanhóis Chacho, do Oviedo, e Patiño, do Corunha, elementos que logo se evidenciaram no encontro com o Beira-Mar, na festa de homenagem e despedida do Martin, ganhando por 5-1. Mais tarde veio o brasileiro Joab.

Começava o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, em 24 de Setembro de 1961 e, para o primeiro encontro, em Olhão, defrontava o regressado SCO, perdendo o encontro, no derradeiro minuto da partida, por 0-1, arbitrado por Francisco Guiomar, de Beja, partida que rendeu a soma de 30.522$50, cabendo ao SCC 7.167$00. No entanto, os serranos viriam a ganhar o jogo da 2.ª volta, na Covilhã, por 2-0, o que não evitaria a descida de divisão do SCC.

Neste ano o clube covilhanense acabaria por empatar com o Benfica, na Luz, por 1-1, e ganhar na Covilhã, por 2-1.

O valoroso guarda-redes Rita, do SCC, ingressaria no Benfica e ao treinador Szabo iria juntar-se, como secretário-técnico, Mariano Amaro.

(In Tribuna Desportiva do dia 29-03-2011)

24 de março de 2011

MEMÓRIAS DE UM TEMPO

Ainda não tinha quinze anos e já na velha biblioteca municipal, ao jardim, começara a amedrontar-me com o terror da guerra que se iniciara no então Congo Belga. Alguns familiares de emigrantes, face à dificuldade de notícias, que não eram como nos dias de hoje, com todos os meios tecnológicos disponíveis, ali acorriam a fim de tentarem localizar, nos mapas que vinham nos jornais, onde se situava o surgimento das guerrilhas, esperançados que estivessem afastadas das moradas dos seus familiares, dos seus locais de trabalho ou caminhos que percorriam.

Durante muitas semanas só se falava das lutas sangrentas, com interessados pelo poder, entre Joseph Kasa-Vubu, Lumumba, Moise Tshombe e, por último, Joseph Mobutu.

Receava-se que a guerrilha viesse perturbar as então nossas Províncias Ultramarinas. E o tempo não demorou.

Corria o ano de 1961 e muitas centenas de portugueses eram assassinados em Angola. As notícias eram abafadas na Metrópole; e não se contava tudo. Era o terrorismo como se passou a designar a chamada guerra subversiva.

Depois de se ter assistido a covilhanenses que se despediam para irem defender a Índia Portuguesa, e, mais tarde o seu regresso, vitoriosos da missão cumprida, não se deixou de sofrer uma grande frustração com a invasão dos territórios de Goa, Damão e Diu pelo presidente indiano Nerhu.

E ainda não se vislumbrava que tivesse que vir a envergar uma farda e recear uma eventual partida para o Ultramar – pensava que tudo iria acabar em breve – quando começaram a surgir caras conhecidas de covilhanenses, e também de outras regiões, amigos e, mais tarde, companheiros mais velhos da escola, a integrar o serviço militar a sério, e, depois, partida!

Surgiam de quando em vez, no Pelourinho, manifestações de apoio ao Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, não só pelo encorajamento de “Para Angola rapidamente e em força!”, como o de “Angola é Nossa, Angola é Portuguesa!”, enquanto que, nas estações de caminhos de ferro, era o choro nas despedidas dos filhos, irmãos, maridos e namorados, que partiam para Angola, Guiné e Moçambique, principalmente.

Volvidos 50 anos do início da Guerra no Ultramar, foi mais que tempo suficiente para se fazer o balanço dos males que afetaram, e ainda hoje afetam, muitos daqueles que sofreram, in loco, os efeitos nefastos da mesma, principalmente do foro psíquico.

Ainda há pouco tempo assisti a um desenlace matrimonial de muito anos, fruto da doença do marido, originária dessa maldita guerra de quase uma década e meia.

Na minha geração militar vi-me forçado a cumprir obrigatoriamente 42 meses e, nesta senda, ainda nos juntamos, durante muito tempo, por obrigação, dois irmãos – eu por cá fiquei, meu irmão rumou à Guiné.

Os jovens da geração de 60 e início da de 70 têm muito que contar e, assim, se vão reunindo, periodicamente, em almoços de confraternização, memorizando esses tempos duros mas também de conhecimento de outros mundos e do mundo indígena desses territórios longínquos, no contacto com os seus usos, costumes e outras formas de vida.

Por outro lado, também os longos tempos de serviço militar para aqueles que não tiveram coragem de fugir para França ou outros países, com o título de exilados, mas antes suportaram, ainda que ingloriamente, grandes sacrifícios pelos valores da defesa da sua Pátria, que os das cadeiras do poder não souberam nem quiseram resolver, serviu para demonstrar a garra e valentia do sangue português.

Por várias regiões do País se formaram Ligas dos Combatentes e, na Covilhã, temos também a nossa Liga, que vai comemora o seu 85.º Aniversário, sob a égide do incansável presidente João Azevedo.

Como conto no início desta crónica, receei a guerra, pensei que não chegaria a minha vez, passei ao lado dela, integrando o serviço militar no Continente, e, volvidos 50 anos, muitos memorizamos esses famigerados tempos, chorando os que por lá ficaram, compreendendo os que sofrem com os males de lá terem participado e louvando a Deus por vivermos hoje no cinquentenário do início das lutas que, felizmente, há muito terminaram.

Nota: Este texto está escrito segundo as novas regras ortográficas.
 
(In Notícias da Covilhã de 24-03-2011)

17 de março de 2011

ANTIGOS ALUNOS DA COVILHÃ

É já comum a constituição de associações de “antigos”, com base no desejo do ressurgimento de amizades de outrora, na memorização dos bons velhos tempos ou outras facetas da vida. E os desejados surgem, muitas vezes, só ao fim de três ou quatro décadas. Com alegria vêm também as fotos amarelecidas com o tempo, a preto e branco, dando lugar ao reavivar desses tempos.

Mesmo sem a constituição oficial de uma associação, surgem, quantas vezes, os encontros periódicos de amigos, e, neste âmbito, vou situar-me tão só nos de antigos alunos, obviamente que do antigo ensino secundário, pois que o universitário não existia, como nos dias de hoje, diversificado por quase todas as cidades, mas tão só restrito a Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.

E, “antigos”, na actualidade, reporta-se mais propriamente às gerações mais velhas de estudantes, situando-se nas de sessenta e setenta.

Assim, nasceu agora, com grande entusiasmo e crescente participação, por via da Internet, “os antigos alunos da Covilhã”: do Liceu, da Escola Industrial e Comercial ou do Colégio Moderno, reunindo-se em volta da Casa da Covilhã, em Lisboa.

Sou um dos que se insere já naquele número, que já vai em 176, com muito prazer. Qualquer antigo aluno da Covilhã, daqueles três estabelecimentos de ensino antigos, pode inscrever-se gratuitamente através do e-mail: antigos.alunos.covilha@gmail.com

Outra associação de antigos alunos, mas aglutinando também os antigos professores e empregados da Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã, de que me orgulho de ter sido um dos sócios fundadores, daquela que foi e é a primeira associação do País, constituída com as características referidas – a APAE CAMPOS MELO – apae.apae@sapo.pt - levou a cabo, no passado sábado, dia 12 de Março, o seu habitual convívio de fados. Reuniu mais de centena e meia de covilhanenses, muitos dos quais se deslocaram de vários pontos do País, dando calor a um ambiente de amizade e de recordação daqueles tempos de outrora.

Foram fadistas covilhanenses, ou da região, os próprios antigos alunos, que deram uma boa animação, tendo sido acompanhados à guitarra portuguesa pelo José Manuel Brito, e à viola por João Carvalho, numa apresentação de Paulo Runa, que se seguiram por esta ordem: Sara Caixinha, Orlando Chareca, Graziela Cosme, Manuel Correia, Manuela Cosme, José Manuel Matias, e sendo a habitual ovação da noite para a jovem médica covilhanense Daniela Runa.

Está assim de parabéns a excelente organização da APAE Campos Melo, que, na falta da presidente da Direcção, por impossibilidade enviou uma mensagem, não deixou a mesma por mãos alheias, vindo assim a desempenhar, como já vem sendo hábito, muito bem o seu papel de organizadores, a Manuela Cosme e o João Ernesto.

No entanto, sabe-se que, como em qualquer associação ou colectividade, as coisas não correm de feição e há dificuldades, pelo que se apela a todos os associados para que no próximo dia 13 de Abril participem na Assembleia-Geral para, entre outros assuntos, procederem à eleição dos novos corpos gerentes. A APAE bem merece.

E, deixo esta resposta da “covilhanense de coração” Eugénia Melo e Castro, em resposta à minha no facebook.

Foi assim que lhe enderecei a minha mensagem, no seu mural: “Sou da Covilhã e ainda me lembro de si, criança, na Escola Campos Melo, na festa do 1.º de Dezembro, com seus pais e seu avô, engenheiro Ernesto Melo e Castro, e também de estar com seu pai no centenário da mesma Escola Técnica, em 1984”, e Géninha escreveu: “que máximo, bons tempos aqueles lá na Covilhã, uma vida que dificilmente se consegue descrever…beijinhos”.

Pois, também beijinhos para a Geninha Melo e Castro e que continue a lembrar-se da Covilhã.

(In Notícias da Covilhã de 17-03-2011)

3 de março de 2011

ODE À COVILHÃ

Fim-de-semana, um pouco de descanso. De segunda a sexta-feira é o rodopiar quotidiano, fazendo com que o dia tenha mais de vinte e quatro horas.

No sábado e domingo, o Sr. Neves ou a D. Luísa deixam-me os jornais no Repolho. A simpatia habitual: “Bom dia, Sr. João, aqui estão os jornais”. É a forma acolhedora das gentes covilhanenses.

Muito se tem falado nas gerações. Conhecedores das dificuldades económicas e de emprego dos nossos ascendentes, foi a geração de 60, da qual sou herdeiro, que lhe coube a esperança de melhores dias, ainda em tempo de ditadura, com os “empregos para toda a vida”; e, depois, com o 25 de Abril, “os direitos adquiridos”, num desenfrear de salários, sempre a subir; no querer tudo, desde casa própria e casa de férias, mais que um automóvel, duas ou três televisões em casa, um telemóvel para cada bolso, a segurança no emprego.

Sempre se pensou que um dia chegaria a altura das nossas reformas, e que seria o descanso, daria para todos, e, como no aproveitar é que está o ganho, vai daí, reformas antecipadas, muitas principescamente, até que a corda ficou demasiado à chuva e começou a minguar.

Surge então a “geração rasca”, que irritou muitos dos seus herdeiros, ofendidos ou envergonhados. Mas as reformas, para os seus horizontes, começaram a ver-se num túnel profundo, quase sem luz no fundo.

Licenciados, muitos, colocações poucas; e empregos sem direcção dos seus cursos, pelo que são os call centers, hipermercados, e outras ocupações que acolhem, precariamente, esta juventude.

Mas, tal como na máquina de fazer pipocas, passaram a saltar, em quantidade acelerada, para os corredores do desemprego, muitos das gerações referidas. Surge agora, muito a propósito, na canção da banda os Deolinda, a “geração parva, a geração sem remuneração”, que vai viver pior que a dos seus pais.

E, lá está, a “geração de 60” foi em Portugal uma das primeiras a ser sucedida, em décadas, por outras que viverão pior, até que surja a “geração do deixa andar”.

Também a Covilhã, a caminho do século e meio de cidade, sentiu na pele os efeitos nefastos, desta encruzilhada de indecisões governamentais, para o futuro dos seus filhos, de raiz ou de coração, e a perplexidade, em muitas fases destas gerações, de como solucionar o combate às golfadas de desemprego.

A par dos melhoramentos e obras de vulto que se aconselhavam na cidade e concelho, ou a modernidade assim o exigia, ou ainda fruto da sapiência dos seus autarcas, com rasgos de inteligência, irmanados nos seus colaboradores, sobressaiu o esforço para diminuir o flagelo dos sofredores do desemprego, através da consecução de empresas para a Covilhã.

Se, no primeiro caso, a Covilhã já se pode orgulhar de possuir uma rede viária importante; com a A23, tornando-se no entanto imperiosa a ligação a Coimbra, em situação idêntica, da montanha ao vale da cidade levou uma transformação aprazível a todos os títulos, com a criação de muitas infra-estruturas que proporcionaram meios diversos de acolhimento, recreio e bem-estar da sua população, e também de quem nos quer visitar; no segundo caso, o ter proporcionado a opção covilhanense como a melhor para o estabelecimento de empresas tecnológicas, foi a cereja em cima do bolo, para uma cidade e região, que, tal como o País, necessita de ver aumentados os números dos empregos.

Depois do Call Center, que aceitou vários jovens, surge agora o Novo Data Center da PT, na Covilhã, cujo projecto deverá criar cinco centenas de postos de trabalho.

É pois fruto da influência do trabalho emanado da criação, há uns anos, do Parkurbis, onde a Covilhã se coloca assim na linha da frente das bases tecnológicas, nesta que também podemos chamar “geração tecnológica”.

E, se ainda há tempos, a bandeira das cores municipais se envaidecia com a ponte pedonal da Carpinteira, do arquitecto Carrilho da Graça, referida na revista americana de especialidade turística, Travel & Leisure, como um dos sete destinos mais interessantes do mundo em termos de design, bem se pode orgulhar o líder da municipalidade covilhanense, Carlos Pinto, de ver no âmbito da sua acção municipal, que a Cidade e Concelho tomou outro rosto mais condizente com o valor das suas gentes e de quem aqui trabalha.

Mas também sabemos que a alma do Parkurbis – Parque de Ciência e da Tecnologia da Covilhã, assim como coordenador do trabalho do Novo Data Center da PT na Covilhã é o Vereador Pedro Farromba, pelo que será fácil encontrar o sucessor de Carlos Pinto para a Câmara da Covilhã.

(In Jornal Olhanense, de 01.03.2011, e Notícias da Covilhã, de 03.03.2011)

1 de março de 2011

DIVERGÊNCIA DE OPINIÕES – O ESCLARECIMENTO QUE SE IMPÕE

Amigo do SCC

Sou um incondicional amigo do Sporting Clube da Covilhã (SCC) desde a minha meninice.

Sempre me alegrei com as suas vitórias, não só no campo desportivo, mas também em tudo quanto a galhardia desta colectividade continue a contribuir para ser a mais representativa de toda esta vasta região beirã. E, consequentemente, a poder exercer a sua influência cultural, desportiva, do conhecimento e comercial para a região.

Paradoxalmente, sou um sofredor com os maus resultados, nas várias vertentes da vida do clube.

Mas também sou um irreversível incomodado com os que lançam o grito de Ipiranga sem fundamento.


Trabalho feito gerador de amizades

Não vou fazer aqui relato de tudo o que, despretensiosamente, fiz pela colectividade, sem que ninguém mo tivesse solicitado, e sem que tivesse alguma vez pertencido aos corpos directivos da colectividade serrana. Não quero que me atirem à cara a piada da “presunção e água benta toda a gente toma a que quer”.

Mas sinto orgulho por ter conseguido grandes amizades, e o reconhecimento e interesse pelas publicações vindas a lume, sobre o SCC, donde muitos conhecimentos e pesquisas se extraíram. E essas gentes são de várias latitudes deste País, com mensagens gratificantes, procura de informações ou incentivos para prosseguir.

Dos amigos, conto velhas glórias do SCC, e seus familiares, que fui descobrindo pelos cantos do mundo, muito antes das novas tecnologias.

Fui e sou amigo de quem é amigo do SCC, e, embora respeitando a opinião divergente, não agressiva, jamais deixei de actuar de harmonia com o meu pensamento, e por ele respondo.



Um amigo dá continuidade à divulgação do SCC por via de um blogue

Fiquei feliz por ver que um amigo, a quem incondicionalmente apoio, deu continuidade ao meu trabalho em papel, mas pela via dum blogue de excelência, sobre o SCC, e, além de mais, de um grande fervor clubista, sempre em divulgação. Com ele confraternizámos com alguns atletas de outrora.



A Direcção do SCC homenageia-me

Depois de ter ficado sensibilizado com a conduta da Direcção do SCC, que me homenageara no último jantar aniversário do clube, em Unhais da Serra, sem que contasse com ela – longe disso! – e, já antes, em 1994, com a atribuição da categoria de sócio de mérito, fui confrontado com a zanga, num voltar de costas, entre os então presidentes da direcção e da assembleia-geral do SCC.



Zanga entre Presidentes da Direcção e da Assembleia-Geral do SCC

Era amigo de ambos, e de ambos, pela minha parte, continuo a sê-lo, independentemente de pensamentos diferentes.

No confronto, então deliberado, para eleições antecipadas no clube, originárias desta contenda, surgem duas listas.

Convidaram-me para integrar uma delas, e, embora relutante em me incluir em quaisquer corpos gerentes, por indisponibilidades profissionais, acabei por aderir, face à qualidade das pessoas inseridas naquela lista, e ao projecto lançado.

Sabia da minha força de vontade quando me empenho nas coisas e desafio as dificuldades.

Todo o meu interesse era contribuir para dar um rumo diferente ao SCC e colocá-lo, com os pés assentes no chão, no patamar em que o clube serrano deve estar.

Sabia também do meu bom relacionamento com a comunicação social, falada e escrita, não só desta região, como de outras zonas do País.

Veio um emissário da outra lista, pessoa que sempre fora amiga e por quem tinha muita consideração, para um convite direccionado para o Conselho Consultivo e Jurisdicional (CCJ), por indicação do presidente da direcção.

Embora eu tenha informado não me querer envolver em nenhuma lista, face à amizade entre quase todos os seus elementos, acabei por decidir de harmonia com a minha cabeça.

Não queria pensar pela dos outros.



Não me perfilhava na lista que acabou por vencer

Também não me via na equipa da Direcção cessante, por factores que sempre foram de minha rejeição. Sempre pensei ser inconveniente que qualquer elemento dos corpos directivos tivesse interesses instalados, ainda que latentes.

E não compreendia o “ódio” que tinham por uma outra colectividade de prestígio da cidade – a Associação Desportiva da Estação (ADE) – incutindo, inclusive, nalguns associados, a ideia perniciosa do que seria se ganhasse a lista opositora, “em favor da ADE e prejuízo do SCC” – uma autêntica leviandade, que nem o próprio Presidente da Câmara consentiria tal afronta, amigo que é do SCC e da Cidade.

Jamais, eu, integrado numa direcção, consentiria que o SCC fosse prejudicado, a qualquer pretexto. Mas também reconheço que a ADE é uma colectividade covilhanense. Haveria que ser feito um trabalho para que se evitassem “guerras civis” entre as duas colectividades, mas assim o não entende a Direcção.

Envolvi-me assim no entusiasmo reinante, para a campanha de uma das listas, não obstante ter antes alertado, na então assembleia-geral polémica, para que os “beligerantes” reconsiderassem as suas posições, a fim de que o SCC não tivesse que depois andar à procura de um Messias.



Surgiram as eleições

Dirigia-me para a mesa de voto, sem que antes cumprimentasse um grupo de amigos que se encontrava na sala, onde também estava o emissário do presidente da direcção cessante, que me fizera o convite para integrar, na sua lista, o CCJ, e de quem era amigo. Como rezam as normas da boa educação, fui cumprimentá-lo quando, inesperadamente e sem que fizesse qualquer sentido, me negou o cumprimento, dirigindo-me também palavras sem qualquer razão, numa atitude inqualificável. Muitos repudiaram esta sua conduta. Hoje é o vice-presidente para a comunicação social!

Afinal, eu havia cometido o “crime” de não ter querido integrar a sua lista, para o CCJ, órgão que, até aos dias de hoje, ainda não foi constituído.

Espero que este “delito” de eu ter aderido a uma lista opositora, não seja levado à letra como, mais adiante, o caricato director do jornal do SCC levou a minha ironia ao eu me intitular “escrevinhador”, repetindo a palavra várias vezes até se fartar!



O conflito com o jornal “O Sporting da Covilhã”

Já antes, o director do jornal do SCC, cujo periódico ainda não tinha nascido pela quarta vez, me atiçara com as eleições – ele, candidato à direcção da lista que acabaria por vencer, e que só me saudava, quase por favor – dizendo-me, nas vésperas, para não ir votar “na lista da ADE…”, numa errada interpretação da acção da lista que eu integrava. Não gostei desta sua lamentável atitude porque eu não penso pela cabeça dos outros, e, tão só lhe respondi que “não necessitava que me estivesse a ensinar o padre-nosso”, resposta com a qual ficou incomodado.


Os integrantes da lista contrária passaram a ser considerados inimigos por vários elementos da lista vencedora

Surge o SCC com maus resultados e o presidente da direcção diz que é motivado pelas eleições que perturbaram as mentes dos atletas.

A lista perdedora aceitou democraticamente o resultado das eleições mas não deixou de manter um clima de amizade e união em redor de todos os seus aderentes.

O SCC, já depois das águas passadas, continua a não encontrar o rumo certo direccionado para as vitórias, e os jogos seguem-se com derrotas. Todos nos começamos a preocupar e algumas mentes, no seio dos associados, começam a ficar perplexas com esta situação do clube.

O blogue da Rádio Cova da Beira (RCB)

Através deste blogue, várias pessoas afectas ou simpatizantes de ambas as listas, passaram a descarregar as suas mágoas, e a digladiarem-se anonimamente, sob pseudónimos, duma forma mais ou menos atrevida, face aos maus resultados da equipa.

Não é esta a minha atitude e lamento o anonimato.

Sou pelos valores da vida, e, pela minha parte, jamais fui capaz de utilizar esta forma de descarregar as baterias stressantes.

 
Actuação firme e sempre atento

Independentemente de amizades, sempre tive uma postura, nas várias vertentes da minha vida, de dizer o que penso e criticar sempre que o julgue oportuno, caso se justifique, dando a cara com a minha assinatura e não enlevado pelo anonimato. Cobardia não é comigo.

Assim aconteceu aquando da entrega do primeiro número do jornal “O Sporting da Covilhã”, no jogo entre o SCC e o Trofense.

Não gostei das palavras do presidente da Direcção, em parangonas, na primeira página do jornal, viradas contra alguns sócios, que reputei dirigidas aos elementos opositores à linha da actual direcção, pois disse: “esses detractores que temos que acabar com eles no clube e até nos faziam um favor se deixassem de ser sócios”.

Aquela expressão reportava-se a uma entrevista do presidente à Rádio Clube da Covilhã (RCC), onde aquelas palavras foram ditas, reportagem feita por uma jornalista daquela rádio, inserida nas páginas interiores do referido jornal.

No que concerne à jornalista nada tenho a opor-me, antes pelo contrário, desempenhou como lhe competia o seu trabalho jornalístico, mas o director do jornal do SCC veio defender-se, duma forma ridícula, acusando-me, sem qualquer engenho, de que eu pretendia que a mesma não fizesse o seu trabalho como fez, e então, inclusive, agradecia-lhe o trabalho efectuado. Eu era um censor, na sua mente, como nos tempos da velha senhora – eu que sempre rejeitei tal comportamento social – e então deleitou-se, várias vezes, a referir-se à minha censura, até se fartar no “naco de prosa” como ele se me dirigiu com tal expressão.

Contradição

No interior do jornal apelava-se para que se viessem a atingir os 5000 associados.

Surgiu aqui uma autêntica contradição entre as palavras agressivas do presidente da direcção em relação a alguns associados, e o pedido para que se viesse a verificar o aumento do número dos mesmos.

Ora, ainda eu não tinha o jornal nas minhas mãos e já ouvia comentários negativos ao meu lado, de alguns que liam a primeira página, algo agressiva contra alguns associados, pela forma como este primeiro número surgiu “a lançar farpas”, conforme eu me referi numa crónica sob o título “O Anti-jornalismo”, publicada nos jornais “Tribuna Desportiva” e “Notícias da Covilhã”.

Certo que eu já conhecia de ginjeira o director do Jornal do SCC, não pude deixar de manifestar o meu descontentamento pela forma como não soube evitar, sem aplicar a censura, note-se, que a nódoa caísse no primeiro número daquela publicação, com “pedradas contra alguns associados”, como eu respondi depois ao director do referido jornal, no seu direito de resposta à minha crónica.

As palavras proferidas contra os associados, em destaque, na primeira página, propositadas para entusiasmar os leitores ou para uma apetência pelos próximos números eram evitáveis no destaque porque as mesmas já vinham na entrevista inserida nas páginas interiores do mesmo jornal. Se assim acontecesse, nada haveria a opor, já que não denunciava os propósitos do jornal, e também nada omitia, e não havia motivo a tentar ferir o cronista com a censura, com que tanto se deleitou a registar nas suas respostas.

Não deveria o director dum jornal envaidecer-se, referindo o nome de dois jornais antecessores, com outra designação, só porque num foi director e noutro colaborador, omitindo o primeiro jornal do clube, que bem conhecia, e que foi a primeiro publicado em tempos sem as novas tecnologias, e em cujos números se exprimia o amor ao clube e não o afastamento de associados.



Serei sempre atento e crítico

Tentou o director do jornal do SCC, na segunda resposta à minha, provocar prurido na minha pessoa, alegando ataques pessoais e aplicando termos desapropriados nas sua expressões, que em nada dignificam uma publicação dum clube de prestígio, como é o Sporting Clube da Covilhã, e que não prestigiam um director dum jornal, por menor expressão que a publicação venha a ter.

E não é a atitude que tomou ao tentar denegrir a minha imagem, nas suas lamentáveis respostas, que me fazem esmorecer – antes pelo contrário – pois sou crítico, com a minha pena e agora pelos meios tecnológicos, dentro do espírito construtivo, há quase meio século, em várias publicações regionais e nacionais.

17 de fevereiro de 2011

A TRILOGIA DO JORNALISMO

O Sr. António José Silva, director do jornal “O Sporting da Covilhã”, ficou inconformado com o meu artigo – “O ANTI-JORNALISMO – publicado neste semanário.

Não gostou da metáfora do “tiro nos pés”, pelo que, assim, a substituo por “saiu-lhe o tiro pela culatra”.

Esquece-se o director daquele jornal que, embora não sendo jornalista, as suas funções devem basear-se na VERDADE, e não na subserviência, pelo que o realçar propositadamente, em parangonas, na primeira página, as pedradas (substituo pelas “farpas”, já que o incomodam) lançadas pelo presidente da direcção do clube a alguns sócios, numa entrevista a uma rádio local, é exactamente o contraditório do que afirmam pretender, nalgum conteúdo do mesmo jornal – a união de todos os sócios.

Não me venha dar lições de moral, ou absurdas piadas, de amor ao clube, porque a “presunção e água benta”que lhe jorra das suas manigâncias, serve à sua carapuça. No artigo, do mesmo jornal, e na sua resposta ao meu texto, refere com muito interesse, que já havia surgido o jornal “O Leão da Serra” (de que foi director…), esquecendo-se de que antes dessa publicação o clube teve um outro atraente e entusiasta jornal, que deu pelo nome de “Jornal do Sporting da Covilhã”, saído no dia 25-04-1954, vivendo até ao ano 1958, com colaboradores excelentes, e cuja alma foi o saudoso José de Sousa Gaspar.

Ainda dentro da “presunção e água benta”, este escrevinhador já fez mais pelo clube que o director do jornal do SCC, e de muitos outros directores do clube, sem ser necessário estar lá dentro, e sem qualquer interesse para se promover, até porque não necessita do clube para nada.

O que este escrevinhador tem é uma grande alma pelo clube da sua Terra, divulgando-o desde há muitos anos; e, desde muito jovem, quando ainda era estudante, porque nunca soube o que era ter um mesada dos pais, já que não tinham recursos financeiros, viu-se obrigado a enfiar uma peta ao pai, pedindo-lhe dinheiro “para comprar material escolar”, mas que antes se destinava ao pagamento da quota do SCC – cinco escudos mensais, para estudantes – só que, chegado o período de férias, surgia o problema, deixava de ser sócio, porque não tinha dinheiro, e, por isso, o fui por três vezes, daí a razão porque só tenho o número 522 de associado.

O outro pilar do jornalismo é a LIBERDADE que é aquilo que o director do jornal do SCC não tem – está sob a alçada do clube que lhe impõe regras – porquanto a liberdade dos jornalistas (embora o director do jornal do SCC não seja jornalista) constitui a essência da informação independente, e, como tal, não permitiria que saísse para a rua um jornal de cariz agressivo. Será que no mesmo vai deixar opinar sócios contrários à versão da direcção actual?

Sobre a forma como inicia a sua resposta, com a citação aos “métodos para exercer a crítica”, não se recorda o Sr. António José Silva, que, nas vésperas das eleições do SCC se abeirou do meu escritório para me “alertar”de que “não podemos ir votar na lista da A.D.E.!!!”, afugentando-se com a minha resposta: “não preciso que me venha ensinar o padre-nosso!”.

Por último, o terceiro pilar do jornalismo é a RESPONSABILIDADE, pelo que um facto só é notícia se for verdade e aquele que age em liberdade, na procura da verdade, tem de responder pelas suas acções e omissões. Ser responsável é responder pelos seus actos. Daí que um director de jornal quando não sabe interpretar uma crítica que a endossa logo para destrutiva, não está lá a fazer nada e tão só transforma a publicação, que ufanamente dirige, num pasquim, a qual, na sua opinião, deveria ser de “importância para o Clube possuir esta forma didáctica/informadora ou de proximidade com a sua massa associativa”.

Onde é que vê colocar em causa a entrevista da jornalista da RCC? Fez o seu papel e nada tem a ver com o meu reparo, a não ser que a jornalista é que oriente o jornal.

Gostaria que o periódico que dirige informasse, já no próximo número, quais são “esses detractores que temos que acabar com eles no clube e até nos faziam um favor se deixassem de ser sócios”?

Depois, refere-se aos meus livros, mas é deles que ainda se serve para copiar páginas e fotos, para o jornal do SCC, quase num plágio, ainda que por via indirecta de um blogue, tendo a este autorizado a publicação das mesmas. Portanto, a responsabilidade é obra que não existe.

Termino porque o espaço deste semanário é importante, e dou como findos os esclarecimentos que se impõem, pois os estimados leitores saberão extrair as suas ilações.


(In Tribuna Desportiva de 8-2-2011 e Notícias da Covilhã de 17-02-2011)

3 de fevereiro de 2011

O SOBRETUDO DO EUSÉBIO

Ouvi o Eusébio falar da Covilhã – para mim o melhor jogador de futebol português de todos os tempo – na RTP, durante a homenagem que lhe foi prestada – Gala Eusébio – transmitida do Coliseu, no passado dia 25 de Janeiro, com os apresentadores Tânia Ribas e José Carlos Malato.

Pois disse que foi o seu colega, padrinho e amigo Coluna, que lhe emprestou o sobretudo quando veio jogar à Covilhã, onde rapou frio.

Puxando da memória, e procurando alguma coisa mais, verifiquei que o único jogo em que Eusébio participou na Covilhã, no então Campeonato Nacional da I Divisão, vai fazer exactamente 49 anos, no dia 18 de Fevereiro.

Nessa altura, os árbitros equipavam-se sempre de preto, excepto nos casos em que não era possível, face à mesma cor das camisolas dos atletas; as pontuações nas vitórias só somavam dois pontos; ainda não havia cartões amarelos ou vermelhos, embora houvesse registo das faltas e expulsões, que se faziam com gestos; um jogador da mesma equipa podia passar a bola ao seu guarda-redes e este apanhá-la com a mão; e não se podiam fazer substituições de jogadores durante os 90 minutos, para além do guarda-redes e só se se lesionasse…)

Foi exactamente naquele domingo do ano de 1962 que também eu apanhei uma contrariedade, pois quase a completar 16 anos, não pude ir ver essa partida de futebol, entre o Sporting Clube da Covilhã (SCC) e o Benfica (SLB), que acabaria por perder o encontro com os covilhanenses por 2-1. Era então o baptizado de um primo meu e a família tinha que estar na antiga igreja de Aldeia do Carvalho, onde o pároco, padre José Nabais Pereira (foi meu professor de Canto Coral, na Escola Industrial), que gostava muito de futebol, havia pedido à família do baptizado para que fosse mais cedo a fim de ele poder ir ao jogo.

O remédio que tivemos foi ficar na festa e, como na Pousadinha tinham colocado a energia eléctrica há pouco tempo, só alguns moradores ainda a tinham em casa. Daí que tive que ouvir o relato do jogo pelo Artur Agostinho, através duma telefonia existente na única taberna do lugar.

À noite, das poucas televisões que existiam nas casas dos mais abastados (só os cafés, clubes de bairro e salões paroquiais as possuíam) – pois só tinha surgido em Portugal, a preto e branco, e de um só canal, há cinco anos – lá se ouviam os comentários aos jogos pelo jornalista Alves dos Santos.

Mas vamos ao jogo. O SLB havia sido campeão europeu, e era treinado por Bela Gutman. À Covilhã não se deslocou o guarda-redes Costa Pereira, tendo sido substituído pelo suplente Barroca. Mas veio o Eusébio, José Augusto, Águas, Simões, Germano, Ângelo, Domiciano Cavem, Coluna e Santana.

O SCC estava a atravessar uma época difícil mas era na I Divisão, em tempo de crise, e o único clube do interior beirão, já que competia também o alentejano Lusitano de Évora.

No SCC jogaram o Rita, Carlos Alberto, Manteigueiro, Chacho, Adventino, Amílcar Cavem, Patiño, Lourenço, Lanzinha, Amilcar e Palmeiro Antunes. O treinador foi Mariano Amaro e o Presidente da Direcção era o Dr. José Calheiros, que sucedera a Ernesto Cruz.

Brilhante e indiscutível o triunfo dos covilhanenses sobre os campeões europeus. Amílcar marcou o primeiro golo do SCC e Chacho o do triunfo sobre os lisboetas.

Nesse dia foi “Dia do Clube”, e a receita foi de 99.682$00, cabendo ao SCC 38.102$10, mais 33.000$00 respeitante ao produto do “Dia do Clube”.

É também para que outras vedetas do desporto, e não só, possam referir o nome da Covilhã, como o memorizou Eusébio, que o SCC tem que rasgar o véu das dificuldades que o emergem, e regressar ao encontro dos grandes, de cujo seio se afastou, duma forma efémera, há quase 23 anos, afastamento em número de anos igual ao que acontecera com a baixa de divisão em 1962 e regresso efémero em 1985.


(In Tribuna Desportiva, de 1-2-2011 e Notícias da Covilhã, de 3-2-2011)

27 de janeiro de 2011

O ANTI-JORNALISMO

Nos últimos dois meses assistimos a acontecimentos paradoxais que surgiram na sociedade portuguesa com a perda da vida de três portugueses.

Reporto-me, em primeiro lugar, ao Homem do jornalismo cultural – o do saudoso programa televisivo “Acontece” – mas também da rádio e jornais, aquela figura que gostava de conversar, que, embora tivesse honras de algumas páginas sobre a sua acção em prol da cultura neste País, passado que foi o seu funeral deixou de se falar, naturalmente, mais neste Homem de bem.

A segunda figura, desaparecida já em Janeiro, foi também de outro grande Homem – o major Vítor Alves, o homem da pêra – uma das figuras proeminentes do 25 de Abril, ainda que menos mediático que outros capitães da Revolução, foi apontado pelos seus pares como um homem discreto e tinha o dom da conciliação, enorme lucidez e bom senso. Foi algumas vezes Ministro nos governos provisórios. Tomou posição na facção moderada do Grupo dos Nove.

As televisões e a própria imprensa falaram da morte de Vítor Alves apressadamente.

A terceira figura de somenos importância, ainda que se trate dum cronista nacional, paras as bandas cor-de-rosa, homossexual, desaparecido duma forma trágica e lamentável, cujos acontecimentos foram sobeja e enfadonhamente conhecidos de todos nós, banhou-nos de noticiários diários, e a toda a hora, quer pelas televisões quer pelos jornais, como se de um príncipe se tratasse, dando relevo à família do malogrado Carlos Castro e um amigo, com ênfase aos desejos do cronista, para que as suas cinzas ficassem espalhadas em Times Square – Nova Iorque, onde foi assassinado pelo seu companheiro, e, como tal, lá se viu o deitar das mesmas numa grelha do metropolitano, rentabilizando assim, até ao vómito, a sua morte, sem despudor.

Só faltava que o resto das cinzas que vieram para Portugal fosse espalhado no Mosteiro dos Jerónimos…Enfim, este contra-senso veio ridicularizar o jornalismo. Era preciso tanto?

Para as bandas da nossa cidade da Covilhã, o seu principal Clube – Sporting Clube da Covilhã (SCC) – e mais representativo de toda a região beirã, depois de nos últimos anos ter perspectivado uma viragem positiva, mas que não conseguiu livrar-se da cepa torta, numa situação latente de dificuldades passíveis de solução, e num aparente entusiasmo reinante, retomou a publicação do seu jornal, que já teve anteriores publicações efémeras, com a designação “O Sporting da Covilhã”.

Para dissipar aquelas dificuldades, mormente evidenciadas no aspecto desportivo, de um “sobe e desce” de divisão, e não se coadunando a conduta do trabalho directivo, comparativamente com a de outras regiões de potencial económico similar ao nosso, surgiu a vontade indómita de um grupo de boas vontades que aderiu a constituir uma lista alternativa a eleições – a célebre lista B – num projecto envolvendo pessoas de garra. Sempre com as melhores intenções em fazer voltar o SCC ao lugar de relevo no mapa desportivo nacional, fazendo puxar o comboio do progresso desportivo da região, e, aí, acolhendo, também de bom grado, um projecto da iniciativa do Vereador do Desporto da Câmara Covilhanense.

Assim não entendeu a maioria dos sócios do SCC, dando primazia à direcção vigente.

Com esta eleição – a primeira vez que surgiu desde a existência do SCC –, com duas listas, aceitou a lista B, democraticamente, o veredicto dos sócios, e ficou a convicção de que quem saíra vencedor foi, de facto, única e exclusivamente o SCC.

Serenamente, os componentes da lista B mantêm-se irmanados na mesma amizade, e acompanham, como qualquer associado, o andamento da equipa, sofredores também com os maus resultados que se vêm verificando, mas sem vinganças nem ódios.

Vem isto a propósito do jornal do Clube, a que já nos referimos, oferecido no último jogo na Covilhã, com o Trofense, de o mesmo, para além de entronizar a figura do presidente da direcção do SCC, vir lançar farpas a alguns sócios, com grande destaque na primeira página, numa verdadeira alusão aos componentes de lista B. Em contraste, numa das páginas interiores, informam que vão lançar a campanha de aumento do número associados, para 5000!

Isto é mais uma forma de mau jornalismo, e o Jornal do SCC começa mal, a dar tiros nos pés!

Por isso, deixamos aqui o provérbio hindu: “Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.

 
(in Desportiva, de 25.01.2011, e Notícias da Covilhã, de 27.01.2011)

7 de janeiro de 2011

MELHOR É COMEÇAR O ANO A RIR

Chega de lamúrias! 2010 já fica para a história. Tristezas, muitas; alegrias, foram menos.

Vêm aí as presidenciais. Talvez só para nos cantarem as janeiras atrasadas.

O nosso País também tem coisas boas, e o “Teen Económico” do Diário Económico de 11 de Dezembro (Portugal Faz Bem)” é elucidativo. Temos uma juventude aguerrida e criativa.

Através do Facebook, o covilhanense Paulo Pimentel, radicado no Brasil, veio à Covilhã apresentar o seu primeiro livro – “Histórias (In)Confessáveis da Nossa Terra e da Nossa Gente”.

Muito entusiasmo na apresentação do livro, num dos hotéis da cidade, com muitos amigos. Foi a oportunidade, logo a 2 de Janeiro, para que se leve, a rir, o ano 2011.

Quando cheguei a casa, fui saboreando a leitura do livro, de fio a pavio. Ficou devorado.

Não só as muitas facetas das estórias de vida do Mestre Abílio me fizeram rir (recordadas, algumas, quantas vezes…) como também o grupo da rapaziada, que acompanhou o autor na sua juventude, são de enorme alegria, com as traquinices da altura.

Foram acontecimentos que também existiram na minha infância; e a linguagem característica da nossa região ainda existe, alguma, por essas aldeias do concelho.

As malandrices que faziam ao Porfírio no apanhar das bolas que saltavam do Campo Santos Pinto, às sopeiras no bailarico ao som da música dos intervalos dum relato do jogo de futebol; as diabruras no Café Primor, quando o proprietário, Sr. Cunha, se apresentava de mau humor, e lhe trocavam os pacotes de açúcar por sais de fruto, são memórias interessantes.

Mas também o Montalto e o Sp. Covilhã, onde recordou o antigo atleta emprestado pelo SCP –Celestino Cabrita – que lhe fez a surpresa de estar presente no acto e o recebi no meu escritório.

O Francisquinho da Padaria e o Padre Morgadinho…E essa de quando se iam confessar, enquanto adolescentes, à Igreja de S. Francisco, só quando lá estivesse o Padre Fernando porque as penitências do Padre Andrade eram piores…

Não foi esquecido o Dr. José Ranito Baltazar, médico e também Presidente da Câmara, geralmente mal-humorado, mas que se dizia que era muito simpático e educado quando estava “à Baltazar”; e insuportável e rude no dia em que se encontrava “à Ranito”. De qualquer forma tinha um coração do tamanho do mundo.

Aproveito para contar duas histórias que se passaram comigo e com o Dr. Baltazar, na sua qualidade de Presidente da Câmara – uma “à Ranito” e outra “à Baltazar” – enquanto eu fui funcionário daquela autarquia, antes do serviço militar. Novato, com os meus 17 anos, Teresa Carvalho mandou-me levar a correspondência para despacho e assinatura, ao consultório do Dr. Ranito Baltazar. Era só descer as escadas da Câmara, saindo pelo lado dos antigos correios, ou pela Repartição Técnica (onde trabalhavam o Eng.º Cruz Gomes, Arqº Alves Nogueira, dois agentes técnicos, o João Lanzinha, Manuel José Torrão, Cidália, Álvaro dos Carapaus, António Arroz, Manuel Antunes e Carlos Aleixo, e, como contínuo, o homem que não conhecia as letras, Sr. Joaquim, entre outros), depois atravessava a rua e o consultório era num 1.º andar onde se situava a Gazcidla. Nessa altura trabalhava-se aos sábados de manhã: Câmara, CGD e Bancos. Estava quase nas 13 horas e eu, vai daí, entro no consultório, onde não vi ninguém, bati à porta mais interior e, como mais ninguém atendeu, abro com cautela a mesma e deparo com o Dr. Baltazar a consultar uma senhora. Foi um daqueles raspanetes em gritos histéricos, como lhe era peculiar, e eu recuei, pedindo desculpa, aguardando e a ver o tempo a passar, até que lá veio a empregada a dar-me a correspondência assinada, e, depois, ele, já “à Baltazar”, mais manso, a dizer que deveria bater à porta ou esperar.

Noutra ocasião, eu fazia horas extraordinárias quando tocou a campainha do seu gabinete. Como estava ali sozinho, paciência, dirigi-me ao presidente. Numa atitude meiga, “à Baltazar”, pediu-me para levar o seu neto a fazer xixi. Chegado com ele à casa de banho, o miúdo começa a chorar. Digo cá para comigo: Ora, porra! O que é que este gajo quer? Resultado: tive que lhe ajudar a tirar o mini-instrumento e desapertar os botões dos calções porque ele não sabia…

E, por agora chega, porque nos esperam mais figuras populares na cidade que nos recordam tempos de outrora, algumas bastante interessantes.

(In Notícias de Gouveia, de 07.01.2011 e a sair no Notícias da Covilhã, de 13.01.2011)

23 de dezembro de 2010

QUANDO OS SINOS TOCAM

Estamos no final de mais um ano, numa evolução paradoxalmente negativa, na parte que nos toca como portugueses, envoltos num mar de areia negra que nos lança nuvens nos olhos.

Sim, porque a areia branca, espelhada ao sol ridente daqueles dias d’outrora, vai passar a pertencer a centenas ou milhares de “patriotas” da obsessão, para si, dos bens de todos, mormente o metal nobre que faz o tesouro pesar nas suas albardas de aconchego, ainda que, a exemplo de D. João VI, possam fugir para o Brasil, de casaca engordurada e de frango assado no bolso.

Mas estes felizardos de um Portugal, ainda de brandos costumes – a precisarem de um Viriato dos Hermínios que lhes cocem as costas com cajado grosso – são os que, à fartazana, não sentem dó de quem pena para ter um mínimo com que se saciar e aos seus, como homens e mulheres dum pedaço do mundo, onde desejam viver com dignidade.

É a ânsia do aproveitar, do oportunismo governamental, autonómico, municipal ou autárquico, para juntar à ceia dos seus cardeais todos quantos podem arrebanhar um bom punhado desse ouro fino; ao invés existem aqueles que têm que passar a roer uma côdea e a comer o pão que o diabo vai amassar, como nos famigerados tempos de sol a sol.

E quando nas tertúlias político-sociais e nas “conversas em família” televisivas vemos certos senhores da política, envergando pelezinha de cordeiro em suas conversas, na defesa dos altos valores da cidadania, vimos depois a verificar que, lamentavelmente, são muitos desses mesmos que estão cheios de mordomias, duplicação de pensões, de salários e de empregos, de que não prescindem – nem se atrevem – de abdicar de algumas dessas regalias.

O desgraçado daquele que sempre levou uma vida com dignidade e soube inserir-se nos valores da vida, mas que um dia acordou dum sonho pesado, caindo no desemprego, e os seus também, e tenta encontrar oportunidades nos escombros das dificuldades mas não consegue e surge-lhe o desânimo, mais não tem, quantas vezes, que comer uma refeição, voltado de costas com vergonha de ser reconhecido, nas casas da solidariedade, enquanto que muitos dos que apregoam essa mesma solidariedade mais não fazem que assobiar para o lado.

Também muitos dos portugueses que agora tentam manter-se à tona de água foram traídos pelos nossos governantes, de há uns anos a esta parte, e não só do Governo presidido por um vendilhão de ilusões.

Os pobres dos nossos ricos, esses ricos sem riqueza, que aquilo que exibem como seu é propriedade dos outros, é produto de roubo e de negociatas, porque, na realidade, o dinheiro é que o tem a eles, e a verdade é que são demasiados pobres os nossos “ricos”, como o afirmou o poeta moçambicano, Mia Couto.

Aproxima-se assim, neste presépio da humanidade, e deste pedaço mais ocidental da Europa caminhando para a falência, mais um Natal, para lembrar o ambiente cristão do Deus Menino.

Mas o que seria deste pobre País envergonhado, tão mal tratado, governado por quem não percebe patavina da missão governativa, onde temos o quarto pior Ministro das Finanças Europeu, onde outros pregam como Frei Tomás, e, de algibeiras arregaçadas, vencendo, neste País de pelintras, salários superiores aos seus congéneres americanos, e de outros países ricos, e, depois “fogem” para altos voos duma Europa de ricos – e de ricos falidos – se não houvesse Natal durante todo o ano?

Esse Natal perene é do esforço de voluntários que no País ainda emergem, para um esforço comum, em favor daqueles que a Nação de muitos ricos transformou em muitíssimos mais pobres, seus concidadãos, mas que têm o direito a comer uma malga da mesma sopa dos senhores da abastança, ainda que disfarçada.

Um Feliz Natal, possível, e um Ano Novo com melhores ventos de mudança.



(In Jornal Olhanense, de 15 de Dezembro; Notícias de Gouveia, de 21 de Dezembro e Notícias da Covilhã, de 23 de Dezembro)

2 de dezembro de 2010

NOSTALGIA

 Na onda nostálgica que nos vai envolvendo, vão surgindo, de quando em vez, encontros memorizando esses tempos de outrora, com a esperança de reunir uns quantos apaniguados em redor de uma causa que os une, muitas vezes distantes, em décadas, no tempo.

Foi assim que, depois dum primeiro encontro se ter realizado há uns anos, surgiu o segundo jantar de saudade do extinto “Estrela de S. Pedro”, no dia 20 de Novembro.

As duas dezenas de participantes que confraternizaram, recordaram também fotografias de meninos e moços, em redor do então Centro de Recreio Popular Estrela Desportiva de São Pedro, cujo evento ocorreu num restaurante desta Cidade. Entre outras memorizações, um programa de festas do 17º aniversário da fundação do Estrela de São Pedro e 8.º da sua filiação na FNAT, datado de 16/11/1961.

O carinho que perdura nas gentes que conheceram o “Estrela”, e o viveram, quer como dirigentes, integrantes de peças teatrais, rancho folclórico ou em jogos de mesa, quer como atletas nas várias modalidades desportivas, para além do futebol, como o atletismo, levou a transpor para o papel alguns registos plenos de interesse sobre a génese do Estrela.

E foi de elementos recolhidos de Manuel Ricardo Sousa Torrão, de 80 anos, único fundador da Colectividade presente, dos pouco mais de quatro ou cinco vivos, que veio a informação.


A rapaziada da freguesia de S. Pedro, e não só, daquela época de meados dos anos quarenta do século XX, juntava-se, para cavaquear, numa varanda que, nesses tempos, então existia entre as Ruas Marquês d´Ávila e Bolama e Visconde da Coriscada, e, ali perto, a Rua da Estrela.

Quando chovia, era a loja de bicicletas do Julinho, filho do Francisquinho da Padaria, ali mesmo à esquina, onde hoje é o Restaurante Estrela (mais conhecido por Repolho) que dava guarida aos rapazes da sua idade, ele que também viria a ser fundador do Estrela.

A proximidade dos meios tecnológicos ainda se encontrava a léguas de distância no tempo, e ninguém sequer adivinhava que o homem haveria de um dia chegar à lua, e até a televisão, a preto e branco, só viria a surgir nos finais da década seguinte (1957).

Os bailaricos eram ao som de grafonolas.

O jogo da bola, com que germinaram a maioria das colectividades de bairro, era então o entusiasmo da rapaziada.

E, segundo conta Manuel Torrão, as primeiras bolas que utilizavam eram feitas por eles, procurando fio no lixo das abundantes fábricas de lanifícios da altura. Mas como não saltavam, iam ao Matadouro Municipal, então existente na Covilhã, buscar bexigas de animais que depois enchiam e às quais enrolavam o fio das lixeiras fabris, ficando assim as bolas a saltar.

Formou-se então a Colectividade à qual se deu o nome de Estrela de S. Pedro, dado o local onde se encontravam, que formava ali como que uma estrela, e também com o fim de evitar conflitos entre o grupo, já que uns eram do Sporting, outros do Benfica ou do Belenenses.

Resolvido o problema, o Julinho das bicicletas dava uma ajudinha para que se arranjassem umas bolas melhores e, então, passou a vender rebuçados do concurso de cromos do futebol. A quem saísse o “número da bola” levava a bola de cauchu (borracha), ele que sabia onde estava colado esse rebuçado…

Mais tarde, adquiriam as bolas velhas ao Sporting da Covilhã.

A primeira Sede da novel colectividade foi exactamente a loja do Julinho; daqui passaram para o salão paroquial, sendo o Padre Carreto que suportava o custo das bolas, mas tinham que resolver o problema da Sede pelo que passaram para a Rua do Ginásio, num prédio do Alberto alfaiate. Transferiram-se depois para um prédio perto da Rua Dr. Almeida Eusébio, por cima da Lavandaria Moderna, mas, por falta de dinheiro, tiveram que sair, tendo que se socorrer das instalações da FNAT (hoje INATEL), na R. Marquês d’Ávila e Bolama (prédio do Meneses), seguindo daqui para a R. Vasco da Gama (frente à Casa do Menino Jesus), e, por último, vieram a encerrar, por cima do local onde foi a primeira Sede provisória.

(In “Notícias da Covilhã” e “Jornal do Fundão”, de 02/12/2010, e a sair no Jornal “Olhanense”)











11 de novembro de 2010

ERNESTO CRUZ


(In Notícias da Covilhã, de 11/11/2010)

SPORTING DA COVILHÃ FAZ HISTÓRIA



Pela primeira vez na vida da prestigiosa e principal colectividade, não só da Covilhã como de toda a Beira Interior, foi assinalada uma página inolvidável, e diferente, de todo o seu historial, ao longo de 87 anos.

O evento que regista esta estória do clube covilhanense, deveu-se ao facto de, num caso único da sua já longa existência, terem surgido duas listas candidatas à sucessão directiva.

Depois do anterior Presidente da Direcção, e agora vencedor das eleições, ter sido constrangido a demitir-se, e com o surgimento de duas candidaturas, originou que os associados tivessem despertado para o interesse do seu Clube do coração, e, neste contexto, fruto das mesmas se terem envolvido em dinâmicas campanhas eleitorais, jamais vistas, reunindo cada qual figuras pujantes para uma vontade de fazer o melhor pela Colectividade serrana, ficou assim, pela parte dos associados, uma forte expectativa de ver o novo rumo que o SCC vai levar.

Efectivamente, foi a demonstração de que o Sporting Clube da Covilhã é acarinhado, não só na Covilhã e na Beira Interior, como de âmbito nacional, onde se fez eco destas eleições.

Num universo de 2216 sócios com capacidade eleitoral, vieram a votar 1087, ganhando a lista A, por maioria, liderada pelo actual presidente da Direcção que foi reeleito.

Algumas feridas profundas deixadas no âmbito da contenda que levou ao voltar de costas entre o Presidente da Direcção, agora reeleito, e o Presidente da Assembleia-Geral cessante, figura reconhecida internacionalmente pelos seus méritos, serão difíceis de dissipar, muito embora se fale em enterrar o machado de guerra.

Esperemos que o novo líder da Assembleia-Geral não passe a ser uma figura para ser emoldurada, quer dizer, “decorativa”, como pejorativamente o Presidente da Direcção reeleito intitulou o anterior líder deste órgão importante da Colectividade.

É de realçar o facto de, após conhecidos os resultados, toda a equipa liderada pelo candidato vencido, aceitando normal e democraticamente o veredicto dos associados, sem interesses pessoais mas com uma vontade indómita de ver o Clube no lugar que merece, e possuidores dum projecto invejável, se terem comprometido a manterem as suas vontades indómitas, numa perfeita coesão, e atentos, sobre a vida dos Leões da Serra, entronizados na figura do maior Presidente do SCC de todos os tempos – Ernesto Cruz – recentemente homenageado, a título póstumo.

Com a força destas eleições, o grande ganhador antecipado foi o Sporting Clube da Covilhã, pelo que se irá exigir total transparência e disponibilidade para que o número de associados cresça, e o fenómeno desportivo, num espírito ecléctico, floresça no seio do principal Clube da Beira Interior.

Depois desta atitude atenta dos associados do Sporting Clube da Covilhã, jamais os responsáveis pela condução dos destinos da nau serrana poderão defraudar o que prometeram, uma vez que o lugar dos Leões da Serra é na I Liga, duma forma sustentada, o que não quer dizer, que, para que tal aconteça, se tenham que aguardar décadas.



(In “Tribuna Desportiva”, de 2/11/2010; “Notícias da Covilhã” e “Notícias de Gouveia”, de 11/11/2010 e a sair no Jornal “Olhanense”)

10 de novembro de 2010

PROGRAMA DE REFLORESTAÇÃO LIBERTY - 10 DE NOVEMBRO DE 2010



Regressado da Herdade da Murteira, em Mouriscas, do concelho de Abrantes, com os meus companheiros de viagem, Pedro Carrola (Covilhã), Alexandre Nogueira (Fundão) e João Luís (Belmonte), onde, após as nossas plantações de freixos e cupressus, e a constatação da existência de variadíssima vegetação autóctone, como a giesta, rosmaninho, alecrim, esteva e medronheiro, entre outras, e já confortados, neste dia dez de Novembro do ano da graça de dois mil e dez, com o almoço na Escola Profissional de Desenvolvimento Rural de Abrantes, naquela herdade, tenho o prazer de redigir estas linhas, pelo significado especial que, para mim, se reveste.

Diz a sabedoria popular que “um homem só tem uma vida completa quando planta uma árvore, escreve um livro e tem um filho”. Ora, os meus referidos Colegas de viagem, e de profissão, já referidos, predispuseram-se a fotografar-me nas várias fases da plantação, e até o Grande Chefe (Administrador da Liberty, Dr. José António de Sousa) não se esqueceu de referir também o facto…pelo que vão os meus agradecimentos e a certeza que só hoje passei a ser “um homem com uma vida completa”, ou lá o termo que se assemelhe, depois de ter dois filhos, quatro netos, onze livros publicados, vai daí, ajudei a plantar 37 árvores das 2.500.