28 de maio de 2011

CRÓNICA SEM TÍTULO

Depois de já ter redigido a habitual crónica para dois semanários regionais – um da Beira Interior e outro do Algarve – (graciosamente, entenda-se), não encontro apetência para um novo título.

Não quero dizer que as ideias não venham a surgir, mas não há título.

Também não é por qualquer apatia para com a revista “Ecos da APAE”. Pudera! Foi fundada por minha iniciativa aquando da presidência nesta associação de que muito prezo.

E, mais uma vez, repito, foi esta a primeira associação a constituir-se no país, no género, segundo a informação do então ministro da Educação, que foi convidado para as comemorações centenárias da Escola Campos Melo – o malogrado professor doutor José Augusto Seabra.

Efectivamente, no seu englobamento estão os antigos professores, os antigos alunos e os antigos empregados, considerando assim a massa humana da instituição de prestígio que foi a Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã.

Hoje é a prestigiada e centenária Escola Secundária Campos Melo, com os pergaminhos oriundos da sua centenária idade, e dos obreiros que a fortificaram, com a sua sapiência.

Ainda há dias, no facebook, escrevi no mural de Eugénia Melo e Castro – a Geninha – ; neta do antigo Director da Escola, Ernesto de Melo e Castro, e filha do poeta e escritor, com o mesmo nome; recordando-a, de tenra idade, na Escola Campos Melo, tendo a mesma respondido: “Que máximo, bons tempos aqueles lá na Covilhã, uma vida que dificilmente se consegue descrever…beijinhos”.

As notícias de quantos já passaram para o outro lado da vida trazem-me ao pensamento aqueles antigos colegas, companheiros de jornada e amigos que nos deixaram um legado de coisas importantes durante a sua vivência.

E, então, ou as preservamos e damos continuidade, ou deixamo-las passar para o lado do esquecimento e do desprezo.

Desses tempos da nossa juventude, académicos e do primeiro emprego, e em período de serviço militar obrigatório de então, com guerras coloniais, sobressaíam alguns colegas que sempre tiveram uma veia de expressão cultural, preservando a mesma nas conversas de amigos, mantendo interesse pela actualização de conhecimentos, e, como eu, adorámos ter uma biblioteca particular.

No espaço temporal das nossas vidas seguimos rumos diferentes, onde cada um assentou arraiais, e, duma forma mais concreta, nas suas próprias terras de origem, surgindo também ocupações diferenciadas.

Outros, encontraram a sua radicação noutros pousos, onde acabaram por se sentir naturalizados pelo coração.

E, quem gosta de memórias, por vezes consegue irmanar-se em redor de uns mais afoitos para encetarem a liderança na organização de encontros de amizades antigas.

Desses convívios, por vezes únicos para alguns, duradoiros para outros, resultam, quantas vezes, no reencontro de pessoas que já não se abraçavam há três ou quatro décadas.

É no encontro de antigos alunos, como de antigos associados de uma colectividade, ou de antigos combatentes, como, até, de amigas de longa data, de uma determinada rua, com seus maridos, como surgiu há uns meses, da Travessa do Viriato, em S. João de Malta, da Covilhã, reunidos em Abrantes.

Mas também há amizades especiais, oriundas dos tempos da nossa Escola Campos Melo, cujos temas e interesses se reforçam no dia a dia, através de telefonemas ou por via da Internet, referindo temas da cultura em geral, das memórias, ou na permuta de informações, obrigando a estarmos positivos.

Há dias chega às minhas mãos o livro “Porto – naçom de falares”, de Alfredo Mendes, simpática oferta do meu amigo e associado da APAE, Fernando Dias Pedrosa Gonçalves, a residir em Gondomar.

É um amigo atento e sempre presente, com aquele humor e boa disposição, a par da Ana Maria, sua mulher, sendo visita indispensável em sua casa quando passo pelo norte. E, os dois casais, lá vamos confraternizar, e, “como manda a lei”, fazer umas visitas e aproveitar os pratos tripeiros de nosso agrado.

Há poucos dias, quando regressava a casa, à noite, fui confrontado com um telefonema inesperado do meu amigo Fernando Pedrosa, já passava das vinte e três horas. Parei o carro no Largo de S. João de Malta para lhe transmitir umas dicas sobre a forma como actuar contra o condutor da moto que acabava de atropelar sua filha, que seria hospitalizada com alguma gravidade. Felizmente que já está em recuperação e a sua neta conseguir safar-se do acidente.

Volto-me agora para o “Porto – naçom de falares” que me faz recordar aquilo de que eu sempre gostei de falar – dos usos e costumes das nossas terras portuguesas.

Se, por estas bandas temos a nossa característica de linguajar, mormente em determinadas freguesias rurais – “Bonda! Não deites mais farelo aos bácoros!” ; “Fui à Fazenda p’ra mor de pagar a décema”; “A comida não está semenos”; “Atão, bota mais água” –; já nas zonas fronteiriças, como o Souto, Aldeia da Ponte e Sabugal também existem outras características na forma popular de se exprimirem – “Dá-me esse cavaco para pinchar o lume” ; “Vê aqueles homens empinados na camioneta?”, entre outras formas de expressão.

O Porto é aquela região sobejamente conhecida em todo o Portugal. Quando se juntam as gentes do País logo ressaltam os tripeiros com a sua força e o seu dialecto inconfundíveis, na tradicional troca do V pelo B, tão ridicularizada por gente de fora, mas a que Garrett soube retorquir:

“Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão”.

É interessante recordar o passado nortenho, e em “Porto – naçom de falares” memoriza os “catraios da rua a jogar a bola de trapos e a pedir um tostão à mãe para ir comprar um pirolito à Lindinha”.

Pois, “(…) sejam alcunhas, sejam frases compostas por palavras e emprego pouco frequente ou cujo sentido é utilizado de modo diferente do registado nos dicionários, ou é estranho à própria etimologia, estes falares são bairristas”.

Estas “pitadas de humor, ora sujeito às mais álacres invectivas (…) apoquenta-se o ouvidor quando lhe ressoam nos tímpanos os ecos de carroceiro, normalmente amortecidos pela usança; de contrário, pimenta na língua, ora pena capital nas altas e esconsas masmorras da escandaleira”.

“O chamado palavrão, o designado indecoroso, a peculiar rusticidade encarnam, na maior parte dos casos, outro sentido, outra intenção, diametralmente oposto ao que, a priori, qualquer forasteiro pode supor. O aplauso, o afago, o desejo, a admiração pontificam onde, em outros poisos nacionais, é tido como insulto, crítica, repúdio, ódio”.

Com o engenho e arte e doutas sapiências, “resultou então dessas errâncias, desses múltiplos contactos directos em ruas e vielas, avenidas, bairros sociais, salões nobres, tascos, colectividades culturais e desportivas, clubes privados, mercados, jardins, galerias, pescarias à linha e transportes públicos, um contributo modesto para os especialistas aprofundarem, queiram eles”, segundo a opinião de Alfredo Mendes, autor de “Porto – naçom de falares”.

“(…) Ao conviver com os pulsares da cidade, foliões, dramáticos, trágicos, remansosos, belicosos, enfadonhos, mobilizadores, meigos e sangrentos, permitindo-me um permanente assimilar de contos e ditos de empanzinar o mais desbarrigado”.

“Depois, valores mais altos se levantam: o reinventar de expressões, o apropriar da gíria, do calão e… da brejeirice, da natural ordinarice que, no Porto e concelhos vizinhos, tantas, tantas vezes leva o timbre da afectividade, que não o estigma da ofensa ou do insulto, tornando-se mesmo um código de amistosos relacionamentos (…)”.

(…) Auto-proclamando-se “cabouqueiro da língua, o mestre sustentou que o calão começou por ser uma língua de defesa do fraco contra o poderoso, do preso contra o carniceiro e algoz, do conspirador contra o juiz do tirano”.

E, nem mesmo quando os nortenhos se exprimem da forma como segue, “exultava eu perante um povo com os tomates no sítio, cachaporrada nos poderosos e suas pitanças e, ó desilusão!”, se conseguem os nossos intentos.

Vejam como os portuenses se acostumam, como normal das suas condutas, no seu linguarejar: “(…) Certa espalha-brasas sai a terreiro encarniçada contra maridos apanascados, badamecos sem emenda. (…) A matronaça bate a mão direita nas partes nadegueiras e, altissonante, para o que lhe havia de dar! (…) Ele é muito meu. Até já tenho calos dos tomates dele”.

Pegando nos termos nortenhos que me inspiraram – embora continue a não encontrar um título para esta crónica – recordo a conversa entre um colega alentejano e outro portuense: “Ah, porra, que já não m’alembrava de te dezer…oficialmente, casei três bezes. Isso mesmo, três bezes”.

Entremeando a brejeirice ou modos de falar nortenhos, com um pouco do que se passa por este nosso Portugal à beira-mar plantado, e, globalmente maltratado, podem-se memorizar facetas das nossas gentes, mesmo urbanas, ainda que nos meios rurais se verifique mais essa tal brejeirice, e que, duma forma ou doutra, adicionaram páginas ao anedotário da região, ou aos costumes de uma época, formando uma parte das estórias para a história regional.

Recordo, na minha meninice dos anos cinquenta do século passado, irritações de mulheres que brotavam vozes sequiosas do insulto, nas frequentes zangas familiares ou de vizinhança.

Da Pousadinha, a norte da Borralheira (designado Bairro de S. Vicente de Paulo) e, ali para o Beco das Lages, a Santa Maria, nos anos cinquenta do século passado, de feliz memória (mais abaixo, na Rua das Rosas, salvo erro, vivia a família numerosa Seabra), dei conta desse linguarejar fora do meio nortenho – quem é que não assistiu a tantas destas facetas?

E, já fora do comum dos cumprimentos dos dias de hoje, recordam-se quando o professor do Liceu da Covilhã, Dr. Leite de Castro, nos anos sessenta do século passado, cumprimentava as senhoras, com elevada educação? Pois tinha por costume beijar as mãos às damas, curvado com notória elegância.

E, como muito mais haveria para contar, e “Ecos da APAE” encheria as suas páginas, vou mesmo terminar, sem que antes agradeça, mais uma vez, ao meu amigo Fernando Pedrosa, a oferta do livro “Porto – naçom de falares”, excelente meio de inspiração para esta crónica sem título.

Termino com esta: “Em um palco ao ar livre, mesmo de costas para o rio Tua, um cantor das redondezas pulou, berrou, esperneou, ajoelhou, o que ele entoou amores pegadiços, furtivos, traiçoeiros, caprichosos, invejosos, enquanto umas jovens ruivas de corpinho quase, quase ao léu se bamboleavam de maneira a espicaçar a libido à assistência boquiaberta da Princesa do Tua”. Um atrevido lança umas bojardas e, acto imediato, um dos responsáveis pelo espectáculo responde:

- “Bocê desculpe, por acaso fizeram algum mal, carago?”

Por isso, termino como comecei, e pergunto ao meu amigo João Mugeiro: Por acaso tens que levar a mal porque não dei título à minha crónica, carago?

In Ecos da APAE”, no dia 28 de Maio de 2011


Em cima: o antigo professor da Escola Industrial e Comercial Campos Melo, Engº. Ernesto Melo e Castro, escritor, com a filha Eugénia Melo e Castro - ''Geninha Melo e Castro'' - conhecida no mundo da canção.
Em baixo: Geninha Melo e Castro partindo o bolo do aniversário dos 100 anos da Escola Campos Melo, ao lado do então Ministro da Educação, Professor José Augusto Seabra, já falecido.



Os primeiros convívios da APAE Campos Melo, com alguns sócios já falecidos.

27 de maio de 2011

Exposição de Fotografias sobre Equipas do Sporting Clube da Covilhã”, por iniciativa do blogue “Histórias do SCC”, cuja inauguração se realizou no dia 27 de Maio de 2011, na Casa dos Magistrados, Departamento de Cultura da Câmara Municipal.



João Nunes com o antigo guarda-redes do S.C.C,, Paulino
João Nunes e Margaça
João Jesus Nunes a falar com o antigo treinador do S.C.C., Raul Machado

Da esquerda para a direita: Nogueira, Maçarico, Coureles, Manteigueiro (encoberto) e João Nunes.

Da esquerda para a direita: Pires, Nogueira, Maçarico, Coureles, Manteigueiro, Graça e João Nunes.


Na foto do lado direito, da esquerda para a direita: Coureles, João Nunes, João Azevedo, João Petrucci, João Lanzinha e Francisco Manteigueiro.
Em frente destes vê-se o antigo treinador , Vieira Nunes.


Da esquerda para a direita: Real, José Manuel (não é jogador), Nelinho, Velho, João Nunes, João Pereira, João Salcedas e Margaça.

Foto geral do jantar, vendo-se em primeiro plano da esquerda para a direita: João Pereira, Eduardo Prata e Nelinho.
“Velhas Glórias do S.C.C.”, oriundas dos juniores do clube serrano, com João Nunes:
Fazenda, João Nunes, Girão, Serra e Velho.

11 de maio de 2011

QUASE NOS CEM ANOS

Testemunhar sobre um semanário com esta longevidade – o mais antigo da região – é, para mim, especialmente algo de grande afectividade. Nele comecei a fazer a primeira leitura dum jornal, na minha meninice, na antiga biblioteca municipal, onde meu pai trabalhava, e, depois, em casa.

“Notícias da Covilhã” foi quem publicou o meu primeiro texto, há quase meio século! Este semanário acompanhou-me durante o longo tempo de serviço militar obrigatório (levava um selo de cinco centavos, verde-negro, emissão de D. Dinis...) e na deslocação para férias, quando elas eram mais prolongadas…

Comecei depois a conhecer os homens do Jornal, a sentir o cheiro do seu papel, da sua tinta, na consulta atenta das suas páginas, e, nalgumas pesquisas efectuadas, a serem minhas companheiras na luz de muitas das memórias citadinas.

E, quando menos esperava, surgiam ecos de leituras atentas, para além das fronteiras do concelho, numa visibilidade de, afinal, verificar vários assinantes, por esse país fora, e na estranja também.

Numa linha de defesa dos bens citadinos e bem-estar dos covilhanenses, ou dos que aqui se radicam, não deixa de se mover pelas raízes da sua origem que são a defesa dos valores da vida.

Os antigos Directores do “Notícias da Covilhã”, do meu tempo, Padre José de Andrade, Dr. Mendes Fernandes, Dr. José Almeida Geraldes e, actualmente, o Padre Fernando Brito dos Santos, a par dos seus jornalistas e colaboradores, souberam dar um cunho importante nas várias fases de transformação para o desenvolvimento deste importante órgão da comunicação social regional.

O “Notícias da Covilhã” não pode, nestes tempos difíceis que sabe atravessar, transformando-os em oportunidades, deixar de continuar a ser mensageiro da voz dos covilhanenses.

Está, pois, de parabéns, na sua caminhada para o centenário, o prestigiado “Notícias da Covilhã” e todos os seus obreiros.

(In Notícias da Covilhã, de 12.05.2011)

5 de maio de 2011

LEÕES SERRANOS NO APOGEU D’OUTRORA

Vamos falar nos obreiros do futebol serrano de outros tempos.

Todavia quero fazer uma rectificação de datas relativamente ao artigo que assinei no início de Fevereiro do ano em curso, sob o título “O Sobretudo de Eusébio”, a propósito da sua vinda à Covilhã, onde rapou frio, tendo sido socorrido pelo seu companheiro e amigo, Mário Coluna. Referi então que foi no seu primeiro e único jogo que efectuou na Covilhã, realizado no dia 18/02/1962, encontro que os serranos viriam a ganhar.

Face à leitura de muitos leitores e, por observação atenta do covilhanense amigo João José Gomes Campos, a quem agradeço, radicado na Figueira da Foz, a situação surgida na Covilhã com o Eusébio foi no ano anterior, ou seja, mais exactamente na época 1960/61, em que ele, para fugir ao assédio do SCP, acompanhou o jogo que o seu novel clube – SLB – veio disputar à Covilhã, mas das bancadas do velho Estádio Santos Pinto, então pelado.

Mas Mário Coluna, que viria a ser um grande internacional e capitão das selecções portuguesas, e ao serviço do Benfica, por incrível que pareça nos dias de hoje, esteve nas possibilidades de negociação para integrar o emblema do SCC.

Esta pesquisa, e outras que a seguir vou registar, são dum trabalho do entusiasta investigador dos atletas dos Leões da Serra e coordenador do blogue “Equipas da História do SCC”, Miguel Saraiva, com o qual fico muito satisfeito por dar continuidade à história do clube serrano. Com ele me desloquei a contactar velhas glórias, nomeadamente o Couceiro, em Gouveia, conversamos frequentemente sobre várias delas, e trazemos a lume outras que, muita vez, se encontram no esquecimento.

O ex-atleta do SCC, da antiga primeira divisão – Jorge Nicolau – certo dia já me havia falado de que contactara a direcção do SCC, a fim de que Mário Coluna, moçambicano como ele, pudesse ser uma das hipóteses de também poder vestir a camisola dos Leões da Serra, só que sempre pensei que estivesse equivocado. No entanto, na acta da Direcção do SCC, de 09/12/1962, em que estiveram presentes os directores José Silvestre Ribeiro, José Lopes dos Santos Pinto, Manuel Rogério Mesquita Nunes, Alexandrino Fernandes Nogueira e Ernesto Cruz, tendo faltado alguns elementos da mesma, nomeadamente o presidente, Dr. António Gomes de Oliveira, encontra-se o seguinte registo: “(…) Seguidamente, foi posta em questão a vinda de um novo jogador de Lourenço Marques, de nome Coluna, que havia sido indicado pelo atleta Jorge Nicolau, tendo-se resolvido que se lhe pedissem as condições a fim de serem devidamente estudadas(…)”.

No entanto, três anos antes, outro atleta e velha glória do Sporting da Covilhã, o covilhanense Francisco Pinto Manteigueiro, actualmente radicado em Elvas, era objecto duma proposta do Sporting Clube de Portugal, conforme consta da acta da Direcção de 18 de Agosto de 1959, sob a presidência de Ernesto Cruz e presença dos directores José Silvestre Ribeiro, Óscar Monteiro, José Vicente, Eng.º Manuel Teles Monteiro, Silvestre Aires Bouhon Neves e José Lopes dos Santos Pinto, a saber: “(…) Presente uma proposta do Sporting Clube de Portugal sobre a transferência do Manteigueiro, oferecendo em troca deste jogador, dois dos cinco jogadores que se indicam – Costa – Tomé II – Figueiredo – Graça – Raimundo, e mais 30.000$00 (trinta mil escudos). Não foi considerada esta proposta”.

Caído agora o Clube na II Divisão (correspondente à Divisão de Honra actual), encontrávamo-nos na época 1963/64, e a Direcção, reunida em 3 de Abril de 1964, ratificou o contrato verbal com o treinador Oscar Telecheia o qual passou a orientar a equipa serrana.

“ (…) Foi também deliberado desobrigar o atleta júnior, Vítor Manuel Gomes Campos, a partir do termo da época 1963/64, ficando no entanto este clube com o direito de opção quanto a proposta de contrato que, no futuro, aquele atleta vier a ter de qualquer outro clube”.

E, por último, a Direcção do SCC, reunida em 15/04/1964, diligenciava no sentido “da massa associativa do clube se deslocar no maior número possível a Braga (último jogo do campeonato) onde se decidirá o título de campeão da Zona Norte”. Infelizmente, o SCC sairia vencido de Braga e os objectivos não eram cumpridos. Recordo que era guarda-redes o Arnaldo, que substituíra o Rita, que fora contratado pelo Benfica. Naquele jogo, em Braga, Arnaldo sairia lesionado, tendo sido substituído pelo suplente Rodrigues.

Quanto ao Rita, acabaria por terminar a sua carreira, partindo para o Brasil, onde viria a falecer no dia 22 de Outubro de 2001, então com 69 anos. Também o seu companheiro das lides futebolísticas na turma serrana, Aníbal Tacanho Saraiva, que esteve como suplente na final da Taça de Portugal, no Jamor, entre o SCC e o Benfica, em 2 de Junho de 1957, faleceu há poucos dias, ficando cada vez mais reduzido o número dos vivos dos grandes feitos d’outrora.

(In Tribuna Desportiva, de 3 de Maio e Notícias da Covilhã, de 5 de Maio)

28 de abril de 2011

O FMI E O ZÉ POVINHO

Torna-se já um enfado ouvir falar persistentemente do Fundo Monetário Internacional (FMI), que nos entra quotidianamente pelos ouvidos, e nos cansa os olhos com as imagens televisivas ou em parangonas jornalísticas.

A expressão “O pior está para vir!”, assim como outras da mesma índole, são como que uma espécie de lançamento dum bálsamo para o futuro sofrimento.

Se a figura da “dona crise” é proporcionadora de novas oportunidades, com que também concordo, e como recentemente foi objecto das Conferências Quaresmais na Universidade da Beira Interior, com oradores de luxo a dar a sua achega aos temas versados, também é certo que tem que haver verdadeiros empreendedores que possam remar contra alguns ventos e marés.

A caricatura histórica criada em 1875 por Rafael Bordalo Pinheiro, como personagem satírica de crítica social, e adoptada como personificação nacional portuguesa, ainda continua válida para o Portugal de hoje.

Apesar de tanto desemprego, às resmas no surgimento diário, é importante ver o esforço com que os nossos governantes se empenham em dar emprego a toda a gente, mormente da graúda – vejam-se as páginas do Diário da República que, só por isso, deveria voltar ao título antigo e passar a chamar-se Diário do Governo –; são as Novas Oportunidades, num país de chicos espertos e muita burrice à mistura.

Mas o FMI também pode ser “Foram Ministros Incapazes”, muitos, de todos os governos; como “Fugiram, Mas Ignoram”, exemplo de Dias Loureiro, regalado em Cabo Verde…

FMI pode ainda ser “Fome, Miséria, Indiferença”. Seria maior se não fossem a acção do Banco Alimentar; das Conferências Vicentinas, que em Abril tiveram a sua Peregrinação Nacional a Fátima, sendo Presidente Nacional um covilhanense; e outras instituições de solidariedade.

FMI pode ser “Finlândia Muito Irritada”. Não quer ajudar Portugal mas esquece-se que em Abril de 1940 este mesmo país deu-lhe ajuda moral e material, para a sua crise finlandesa!

Outra pode ser: “Fazer à Maneira Islandesa”. Foi o primeiro país a entrar em crise e, ao contrário da Irlanda, renegou ao salvamento integral dos seus bancos e rejeitou pagar certas contas, mas, apesar de afastada dos mercados internacionais, já saiu da recessão. Estamos neste estado lamentável, devido à corrupção interna, pública e privada, com incidência no sector bancário, e pelos juros usurários que nos são cobrados pela Banca Europeia. O movimento cívico M12M promete interpelar os nossos políticos sobre a “legitimidade democrática” do resgate financeiro.

Então, noutra designação dum qualquer FMI, não envolvido na Troika, mas mais paradoxal, vamos vendo os efeitos de quem emana ânimo ao país.

Por exemplo, “Foi Moura Internacional”. O português Eduardo Souto Moura venceu o Pritzker – o mais importante galardão da arquitectura do mundo e que distingue a carreira de um arquitecto. O seu currículo está envolvido em muitos projectos que concebeu, em Portugal e no estrangeiro. Na nossa região, é da sua responsabilidade a reconversão do Sanatório dos Ferroviários na Pousada da Serra da Estrela.

Atentando neste facto, gostaria que muitos dos covilhanenses, ocultos no anonimato, mas grandes nomes do mundo do trabalho, no país e no estrangeiro, viessem a lume.

Dentre vários, destaco dois irmãos – Daniel Monteiro, autor do projecto paisagista do Cemitério Municipal de Monchique (Guimarães), escolhido pelo júri para o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista, e responsável pelo projecto paisagista do Estádio Municipal de Braga, entre outros projectos de vulto; seu irmão, Ricardo Monteiro, quadro mundial e coordenador de várias empresas, na área da gestão, onde a sua acção de liderança e relações internacionais têm feito singrar para o mais alto galarim o grupo de empresas que lidera, espalhadas por vários países, numa grande capacidade de trabalho e liderança. CEO ibero-americano.

Podíamos também designar FMI, “Faleceu Maria Ilda”. Covilhanense ilustre, Maria Ilda Catalão Espiga faleceu aos 101 anos. Conheci esta bondosa senhora que se dedicou, de alma e coração, à cultura. Durante muitos anos foi colaboradora duma página feminina no “Notícias da Covilhã”. Cronista, foi dedicada à educação de adultos, operariado têxtil, e fundadora de instituições de ajuda às famílias, e no âmbito da solidariedade, em tempos que também não eram fáceis, dentre de várias acções humanitárias, como é timbre da mulher covilhanense.

É por isso que, com exemplos de políticos de hoje, mas na retrospectiva de acções de figuras e factos de outros tempos, o Zé Povinho tem razão para continuar a manter-se vivo.

(In Notícias da Covilhã de 28.04.2011)

29 de março de 2011

QUANDO OS SERRANOS JOGAVAM NA PRIMEIRA

Das memórias do clube serrano, nos bons velhos tempos do futebol de primeira – primeira divisão, entenda-se, hoje I Liga – deixo algumas referências à última participação do Sporting da Covilhã (SCC), na então I Divisão, numa senda de 13 participações quase consecutivas, interrompidas somente na época 1957/58.

Reporto-me, evidentemente, aos princípios dos anos sessenta do século passado, em que o SCC, mesmo enfrentando várias crises, misturadas com vários êxitos e a participação de valorosos atletas, conseguia levar os covilhanenses ao fervor clubista, num direccionar domingueiro para o Estádio Santos Pinto, calcorreando, muitos, a pé, a subida da rua do antigo hospital, de acesso ao campo.

Os pinheiros que abundavam atrás do campo de futebol, muitas vezes serviam para os magalas do extinto Batalhão de Caçadores 2 se empoleirarem e, assim, verem parte do jogo, com o beneplácito da GNR, força militarizada para o local nessa altura, que, entretanto, não consentia o mesmo à rapaziada que não tinha posses para adquirir bilhete.

Certo é que o clube serrano ainda passou, duma forma efémera, pelo futebol de primeira, nas épocas 1985/86 e 1987/88, já em campos relvados, mas longe do frenesi do futebol de outrora, mesmo em campos pelados, em que as vedetas do futebol serrano eram quase que idolatradas – caso de Simony e do guarda-redes Rita, por exemplo.

Nessa altura, vários atletas permaneciam no clube por vários anos. Vinham poucos reforços, e, outros, por cá se radicaram e casaram, caso do Martin, do Reynolds e do Leandro, estes dos primeiros tempos.

Depois, outros se seguiriam, perenes na memória dos covilhanenses, quando a aspiração da subida – já lá vão quase cinquenta anos – era quase uma insofismável obrigação, a que os dirigentes se empenhavam junto dos associados e covilhanenses.

O famoso treinador Manuel José e o antigo atleta serrano, Maçarico, entre outros, encontraram na mulher covilhanense a ideal companheira das suas vidas.

Reportando-me à última participação do SCC na I Divisão, na década de sessenta, essa época de 1961/62 envolveu a esperança de não deixar cair o clube naquele que foi um longo interregno de vinte e três anos – eu próprio fiquei esperançado que o regresso à primeira seria inevitável, quando, no final do último jogo, no Santos Pinto, com o Olhanense (SCO), desse Verão de 1962, descia a calçada do estádio para a cidade.

A esperança, depois de se conseguir manter o clube entre os maiores, na época anterior, ao derrotar o Vitória de Guimarães, traduziu-se num esforço, então para a época 1961/1962, na contratação de novos atletas, já que, ainda na época anterior, o clube fora eliminado, logo na primeira eliminatória, pelo SCO, no conjunto das duas mãos, apesar de militar na divisão inferior. Pontificavam neste clube os jogadores Alfredo, Luciano, Madeira, Reina, Parra, entre outros. O SCC desistia também dos juniores nos distritais, volvidos dezassete anos de participação contínua, tendo sido catorze vezes campeões.

E depois de um contratempo em não se poder realizar a Feira Popular do Sporting, para obtenção de fundos na ajuda ao clube, surgem em Agosto as notícias da contratação dos atletas Adventino, Adriano e Carlos Alberto, respectivamente, do Lusitano de Évora, Boavista e Leixões.

E, já em Setembro, vinham juntar-se Palmeiro Antunes, da Cuf; e, para interior e médio de ataque, chegavam os espanhóis Chacho, do Oviedo, e Patiño, do Corunha, elementos que logo se evidenciaram no encontro com o Beira-Mar, na festa de homenagem e despedida do Martin, ganhando por 5-1. Mais tarde veio o brasileiro Joab.

Começava o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, em 24 de Setembro de 1961 e, para o primeiro encontro, em Olhão, defrontava o regressado SCO, perdendo o encontro, no derradeiro minuto da partida, por 0-1, arbitrado por Francisco Guiomar, de Beja, partida que rendeu a soma de 30.522$50, cabendo ao SCC 7.167$00. No entanto, os serranos viriam a ganhar o jogo da 2.ª volta, na Covilhã, por 2-0, o que não evitaria a descida de divisão do SCC.

Neste ano o clube covilhanense acabaria por empatar com o Benfica, na Luz, por 1-1, e ganhar na Covilhã, por 2-1.

O valoroso guarda-redes Rita, do SCC, ingressaria no Benfica e ao treinador Szabo iria juntar-se, como secretário-técnico, Mariano Amaro.

(In Tribuna Desportiva do dia 29-03-2011)

24 de março de 2011

MEMÓRIAS DE UM TEMPO

Ainda não tinha quinze anos e já na velha biblioteca municipal, ao jardim, começara a amedrontar-me com o terror da guerra que se iniciara no então Congo Belga. Alguns familiares de emigrantes, face à dificuldade de notícias, que não eram como nos dias de hoje, com todos os meios tecnológicos disponíveis, ali acorriam a fim de tentarem localizar, nos mapas que vinham nos jornais, onde se situava o surgimento das guerrilhas, esperançados que estivessem afastadas das moradas dos seus familiares, dos seus locais de trabalho ou caminhos que percorriam.

Durante muitas semanas só se falava das lutas sangrentas, com interessados pelo poder, entre Joseph Kasa-Vubu, Lumumba, Moise Tshombe e, por último, Joseph Mobutu.

Receava-se que a guerrilha viesse perturbar as então nossas Províncias Ultramarinas. E o tempo não demorou.

Corria o ano de 1961 e muitas centenas de portugueses eram assassinados em Angola. As notícias eram abafadas na Metrópole; e não se contava tudo. Era o terrorismo como se passou a designar a chamada guerra subversiva.

Depois de se ter assistido a covilhanenses que se despediam para irem defender a Índia Portuguesa, e, mais tarde o seu regresso, vitoriosos da missão cumprida, não se deixou de sofrer uma grande frustração com a invasão dos territórios de Goa, Damão e Diu pelo presidente indiano Nerhu.

E ainda não se vislumbrava que tivesse que vir a envergar uma farda e recear uma eventual partida para o Ultramar – pensava que tudo iria acabar em breve – quando começaram a surgir caras conhecidas de covilhanenses, e também de outras regiões, amigos e, mais tarde, companheiros mais velhos da escola, a integrar o serviço militar a sério, e, depois, partida!

Surgiam de quando em vez, no Pelourinho, manifestações de apoio ao Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, não só pelo encorajamento de “Para Angola rapidamente e em força!”, como o de “Angola é Nossa, Angola é Portuguesa!”, enquanto que, nas estações de caminhos de ferro, era o choro nas despedidas dos filhos, irmãos, maridos e namorados, que partiam para Angola, Guiné e Moçambique, principalmente.

Volvidos 50 anos do início da Guerra no Ultramar, foi mais que tempo suficiente para se fazer o balanço dos males que afetaram, e ainda hoje afetam, muitos daqueles que sofreram, in loco, os efeitos nefastos da mesma, principalmente do foro psíquico.

Ainda há pouco tempo assisti a um desenlace matrimonial de muito anos, fruto da doença do marido, originária dessa maldita guerra de quase uma década e meia.

Na minha geração militar vi-me forçado a cumprir obrigatoriamente 42 meses e, nesta senda, ainda nos juntamos, durante muito tempo, por obrigação, dois irmãos – eu por cá fiquei, meu irmão rumou à Guiné.

Os jovens da geração de 60 e início da de 70 têm muito que contar e, assim, se vão reunindo, periodicamente, em almoços de confraternização, memorizando esses tempos duros mas também de conhecimento de outros mundos e do mundo indígena desses territórios longínquos, no contacto com os seus usos, costumes e outras formas de vida.

Por outro lado, também os longos tempos de serviço militar para aqueles que não tiveram coragem de fugir para França ou outros países, com o título de exilados, mas antes suportaram, ainda que ingloriamente, grandes sacrifícios pelos valores da defesa da sua Pátria, que os das cadeiras do poder não souberam nem quiseram resolver, serviu para demonstrar a garra e valentia do sangue português.

Por várias regiões do País se formaram Ligas dos Combatentes e, na Covilhã, temos também a nossa Liga, que vai comemora o seu 85.º Aniversário, sob a égide do incansável presidente João Azevedo.

Como conto no início desta crónica, receei a guerra, pensei que não chegaria a minha vez, passei ao lado dela, integrando o serviço militar no Continente, e, volvidos 50 anos, muitos memorizamos esses famigerados tempos, chorando os que por lá ficaram, compreendendo os que sofrem com os males de lá terem participado e louvando a Deus por vivermos hoje no cinquentenário do início das lutas que, felizmente, há muito terminaram.

Nota: Este texto está escrito segundo as novas regras ortográficas.
 
(In Notícias da Covilhã de 24-03-2011)

17 de março de 2011

ANTIGOS ALUNOS DA COVILHÃ

É já comum a constituição de associações de “antigos”, com base no desejo do ressurgimento de amizades de outrora, na memorização dos bons velhos tempos ou outras facetas da vida. E os desejados surgem, muitas vezes, só ao fim de três ou quatro décadas. Com alegria vêm também as fotos amarelecidas com o tempo, a preto e branco, dando lugar ao reavivar desses tempos.

Mesmo sem a constituição oficial de uma associação, surgem, quantas vezes, os encontros periódicos de amigos, e, neste âmbito, vou situar-me tão só nos de antigos alunos, obviamente que do antigo ensino secundário, pois que o universitário não existia, como nos dias de hoje, diversificado por quase todas as cidades, mas tão só restrito a Lisboa, Porto, Coimbra e Évora.

E, “antigos”, na actualidade, reporta-se mais propriamente às gerações mais velhas de estudantes, situando-se nas de sessenta e setenta.

Assim, nasceu agora, com grande entusiasmo e crescente participação, por via da Internet, “os antigos alunos da Covilhã”: do Liceu, da Escola Industrial e Comercial ou do Colégio Moderno, reunindo-se em volta da Casa da Covilhã, em Lisboa.

Sou um dos que se insere já naquele número, que já vai em 176, com muito prazer. Qualquer antigo aluno da Covilhã, daqueles três estabelecimentos de ensino antigos, pode inscrever-se gratuitamente através do e-mail: antigos.alunos.covilha@gmail.com

Outra associação de antigos alunos, mas aglutinando também os antigos professores e empregados da Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã, de que me orgulho de ter sido um dos sócios fundadores, daquela que foi e é a primeira associação do País, constituída com as características referidas – a APAE CAMPOS MELO – apae.apae@sapo.pt - levou a cabo, no passado sábado, dia 12 de Março, o seu habitual convívio de fados. Reuniu mais de centena e meia de covilhanenses, muitos dos quais se deslocaram de vários pontos do País, dando calor a um ambiente de amizade e de recordação daqueles tempos de outrora.

Foram fadistas covilhanenses, ou da região, os próprios antigos alunos, que deram uma boa animação, tendo sido acompanhados à guitarra portuguesa pelo José Manuel Brito, e à viola por João Carvalho, numa apresentação de Paulo Runa, que se seguiram por esta ordem: Sara Caixinha, Orlando Chareca, Graziela Cosme, Manuel Correia, Manuela Cosme, José Manuel Matias, e sendo a habitual ovação da noite para a jovem médica covilhanense Daniela Runa.

Está assim de parabéns a excelente organização da APAE Campos Melo, que, na falta da presidente da Direcção, por impossibilidade enviou uma mensagem, não deixou a mesma por mãos alheias, vindo assim a desempenhar, como já vem sendo hábito, muito bem o seu papel de organizadores, a Manuela Cosme e o João Ernesto.

No entanto, sabe-se que, como em qualquer associação ou colectividade, as coisas não correm de feição e há dificuldades, pelo que se apela a todos os associados para que no próximo dia 13 de Abril participem na Assembleia-Geral para, entre outros assuntos, procederem à eleição dos novos corpos gerentes. A APAE bem merece.

E, deixo esta resposta da “covilhanense de coração” Eugénia Melo e Castro, em resposta à minha no facebook.

Foi assim que lhe enderecei a minha mensagem, no seu mural: “Sou da Covilhã e ainda me lembro de si, criança, na Escola Campos Melo, na festa do 1.º de Dezembro, com seus pais e seu avô, engenheiro Ernesto Melo e Castro, e também de estar com seu pai no centenário da mesma Escola Técnica, em 1984”, e Géninha escreveu: “que máximo, bons tempos aqueles lá na Covilhã, uma vida que dificilmente se consegue descrever…beijinhos”.

Pois, também beijinhos para a Geninha Melo e Castro e que continue a lembrar-se da Covilhã.

(In Notícias da Covilhã de 17-03-2011)

3 de março de 2011

ODE À COVILHÃ

Fim-de-semana, um pouco de descanso. De segunda a sexta-feira é o rodopiar quotidiano, fazendo com que o dia tenha mais de vinte e quatro horas.

No sábado e domingo, o Sr. Neves ou a D. Luísa deixam-me os jornais no Repolho. A simpatia habitual: “Bom dia, Sr. João, aqui estão os jornais”. É a forma acolhedora das gentes covilhanenses.

Muito se tem falado nas gerações. Conhecedores das dificuldades económicas e de emprego dos nossos ascendentes, foi a geração de 60, da qual sou herdeiro, que lhe coube a esperança de melhores dias, ainda em tempo de ditadura, com os “empregos para toda a vida”; e, depois, com o 25 de Abril, “os direitos adquiridos”, num desenfrear de salários, sempre a subir; no querer tudo, desde casa própria e casa de férias, mais que um automóvel, duas ou três televisões em casa, um telemóvel para cada bolso, a segurança no emprego.

Sempre se pensou que um dia chegaria a altura das nossas reformas, e que seria o descanso, daria para todos, e, como no aproveitar é que está o ganho, vai daí, reformas antecipadas, muitas principescamente, até que a corda ficou demasiado à chuva e começou a minguar.

Surge então a “geração rasca”, que irritou muitos dos seus herdeiros, ofendidos ou envergonhados. Mas as reformas, para os seus horizontes, começaram a ver-se num túnel profundo, quase sem luz no fundo.

Licenciados, muitos, colocações poucas; e empregos sem direcção dos seus cursos, pelo que são os call centers, hipermercados, e outras ocupações que acolhem, precariamente, esta juventude.

Mas, tal como na máquina de fazer pipocas, passaram a saltar, em quantidade acelerada, para os corredores do desemprego, muitos das gerações referidas. Surge agora, muito a propósito, na canção da banda os Deolinda, a “geração parva, a geração sem remuneração”, que vai viver pior que a dos seus pais.

E, lá está, a “geração de 60” foi em Portugal uma das primeiras a ser sucedida, em décadas, por outras que viverão pior, até que surja a “geração do deixa andar”.

Também a Covilhã, a caminho do século e meio de cidade, sentiu na pele os efeitos nefastos, desta encruzilhada de indecisões governamentais, para o futuro dos seus filhos, de raiz ou de coração, e a perplexidade, em muitas fases destas gerações, de como solucionar o combate às golfadas de desemprego.

A par dos melhoramentos e obras de vulto que se aconselhavam na cidade e concelho, ou a modernidade assim o exigia, ou ainda fruto da sapiência dos seus autarcas, com rasgos de inteligência, irmanados nos seus colaboradores, sobressaiu o esforço para diminuir o flagelo dos sofredores do desemprego, através da consecução de empresas para a Covilhã.

Se, no primeiro caso, a Covilhã já se pode orgulhar de possuir uma rede viária importante; com a A23, tornando-se no entanto imperiosa a ligação a Coimbra, em situação idêntica, da montanha ao vale da cidade levou uma transformação aprazível a todos os títulos, com a criação de muitas infra-estruturas que proporcionaram meios diversos de acolhimento, recreio e bem-estar da sua população, e também de quem nos quer visitar; no segundo caso, o ter proporcionado a opção covilhanense como a melhor para o estabelecimento de empresas tecnológicas, foi a cereja em cima do bolo, para uma cidade e região, que, tal como o País, necessita de ver aumentados os números dos empregos.

Depois do Call Center, que aceitou vários jovens, surge agora o Novo Data Center da PT, na Covilhã, cujo projecto deverá criar cinco centenas de postos de trabalho.

É pois fruto da influência do trabalho emanado da criação, há uns anos, do Parkurbis, onde a Covilhã se coloca assim na linha da frente das bases tecnológicas, nesta que também podemos chamar “geração tecnológica”.

E, se ainda há tempos, a bandeira das cores municipais se envaidecia com a ponte pedonal da Carpinteira, do arquitecto Carrilho da Graça, referida na revista americana de especialidade turística, Travel & Leisure, como um dos sete destinos mais interessantes do mundo em termos de design, bem se pode orgulhar o líder da municipalidade covilhanense, Carlos Pinto, de ver no âmbito da sua acção municipal, que a Cidade e Concelho tomou outro rosto mais condizente com o valor das suas gentes e de quem aqui trabalha.

Mas também sabemos que a alma do Parkurbis – Parque de Ciência e da Tecnologia da Covilhã, assim como coordenador do trabalho do Novo Data Center da PT na Covilhã é o Vereador Pedro Farromba, pelo que será fácil encontrar o sucessor de Carlos Pinto para a Câmara da Covilhã.

(In Jornal Olhanense, de 01.03.2011, e Notícias da Covilhã, de 03.03.2011)

1 de março de 2011

DIVERGÊNCIA DE OPINIÕES – O ESCLARECIMENTO QUE SE IMPÕE

Amigo do SCC

Sou um incondicional amigo do Sporting Clube da Covilhã (SCC) desde a minha meninice.

Sempre me alegrei com as suas vitórias, não só no campo desportivo, mas também em tudo quanto a galhardia desta colectividade continue a contribuir para ser a mais representativa de toda esta vasta região beirã. E, consequentemente, a poder exercer a sua influência cultural, desportiva, do conhecimento e comercial para a região.

Paradoxalmente, sou um sofredor com os maus resultados, nas várias vertentes da vida do clube.

Mas também sou um irreversível incomodado com os que lançam o grito de Ipiranga sem fundamento.


Trabalho feito gerador de amizades

Não vou fazer aqui relato de tudo o que, despretensiosamente, fiz pela colectividade, sem que ninguém mo tivesse solicitado, e sem que tivesse alguma vez pertencido aos corpos directivos da colectividade serrana. Não quero que me atirem à cara a piada da “presunção e água benta toda a gente toma a que quer”.

Mas sinto orgulho por ter conseguido grandes amizades, e o reconhecimento e interesse pelas publicações vindas a lume, sobre o SCC, donde muitos conhecimentos e pesquisas se extraíram. E essas gentes são de várias latitudes deste País, com mensagens gratificantes, procura de informações ou incentivos para prosseguir.

Dos amigos, conto velhas glórias do SCC, e seus familiares, que fui descobrindo pelos cantos do mundo, muito antes das novas tecnologias.

Fui e sou amigo de quem é amigo do SCC, e, embora respeitando a opinião divergente, não agressiva, jamais deixei de actuar de harmonia com o meu pensamento, e por ele respondo.



Um amigo dá continuidade à divulgação do SCC por via de um blogue

Fiquei feliz por ver que um amigo, a quem incondicionalmente apoio, deu continuidade ao meu trabalho em papel, mas pela via dum blogue de excelência, sobre o SCC, e, além de mais, de um grande fervor clubista, sempre em divulgação. Com ele confraternizámos com alguns atletas de outrora.



A Direcção do SCC homenageia-me

Depois de ter ficado sensibilizado com a conduta da Direcção do SCC, que me homenageara no último jantar aniversário do clube, em Unhais da Serra, sem que contasse com ela – longe disso! – e, já antes, em 1994, com a atribuição da categoria de sócio de mérito, fui confrontado com a zanga, num voltar de costas, entre os então presidentes da direcção e da assembleia-geral do SCC.



Zanga entre Presidentes da Direcção e da Assembleia-Geral do SCC

Era amigo de ambos, e de ambos, pela minha parte, continuo a sê-lo, independentemente de pensamentos diferentes.

No confronto, então deliberado, para eleições antecipadas no clube, originárias desta contenda, surgem duas listas.

Convidaram-me para integrar uma delas, e, embora relutante em me incluir em quaisquer corpos gerentes, por indisponibilidades profissionais, acabei por aderir, face à qualidade das pessoas inseridas naquela lista, e ao projecto lançado.

Sabia da minha força de vontade quando me empenho nas coisas e desafio as dificuldades.

Todo o meu interesse era contribuir para dar um rumo diferente ao SCC e colocá-lo, com os pés assentes no chão, no patamar em que o clube serrano deve estar.

Sabia também do meu bom relacionamento com a comunicação social, falada e escrita, não só desta região, como de outras zonas do País.

Veio um emissário da outra lista, pessoa que sempre fora amiga e por quem tinha muita consideração, para um convite direccionado para o Conselho Consultivo e Jurisdicional (CCJ), por indicação do presidente da direcção.

Embora eu tenha informado não me querer envolver em nenhuma lista, face à amizade entre quase todos os seus elementos, acabei por decidir de harmonia com a minha cabeça.

Não queria pensar pela dos outros.



Não me perfilhava na lista que acabou por vencer

Também não me via na equipa da Direcção cessante, por factores que sempre foram de minha rejeição. Sempre pensei ser inconveniente que qualquer elemento dos corpos directivos tivesse interesses instalados, ainda que latentes.

E não compreendia o “ódio” que tinham por uma outra colectividade de prestígio da cidade – a Associação Desportiva da Estação (ADE) – incutindo, inclusive, nalguns associados, a ideia perniciosa do que seria se ganhasse a lista opositora, “em favor da ADE e prejuízo do SCC” – uma autêntica leviandade, que nem o próprio Presidente da Câmara consentiria tal afronta, amigo que é do SCC e da Cidade.

Jamais, eu, integrado numa direcção, consentiria que o SCC fosse prejudicado, a qualquer pretexto. Mas também reconheço que a ADE é uma colectividade covilhanense. Haveria que ser feito um trabalho para que se evitassem “guerras civis” entre as duas colectividades, mas assim o não entende a Direcção.

Envolvi-me assim no entusiasmo reinante, para a campanha de uma das listas, não obstante ter antes alertado, na então assembleia-geral polémica, para que os “beligerantes” reconsiderassem as suas posições, a fim de que o SCC não tivesse que depois andar à procura de um Messias.



Surgiram as eleições

Dirigia-me para a mesa de voto, sem que antes cumprimentasse um grupo de amigos que se encontrava na sala, onde também estava o emissário do presidente da direcção cessante, que me fizera o convite para integrar, na sua lista, o CCJ, e de quem era amigo. Como rezam as normas da boa educação, fui cumprimentá-lo quando, inesperadamente e sem que fizesse qualquer sentido, me negou o cumprimento, dirigindo-me também palavras sem qualquer razão, numa atitude inqualificável. Muitos repudiaram esta sua conduta. Hoje é o vice-presidente para a comunicação social!

Afinal, eu havia cometido o “crime” de não ter querido integrar a sua lista, para o CCJ, órgão que, até aos dias de hoje, ainda não foi constituído.

Espero que este “delito” de eu ter aderido a uma lista opositora, não seja levado à letra como, mais adiante, o caricato director do jornal do SCC levou a minha ironia ao eu me intitular “escrevinhador”, repetindo a palavra várias vezes até se fartar!



O conflito com o jornal “O Sporting da Covilhã”

Já antes, o director do jornal do SCC, cujo periódico ainda não tinha nascido pela quarta vez, me atiçara com as eleições – ele, candidato à direcção da lista que acabaria por vencer, e que só me saudava, quase por favor – dizendo-me, nas vésperas, para não ir votar “na lista da ADE…”, numa errada interpretação da acção da lista que eu integrava. Não gostei desta sua lamentável atitude porque eu não penso pela cabeça dos outros, e, tão só lhe respondi que “não necessitava que me estivesse a ensinar o padre-nosso”, resposta com a qual ficou incomodado.


Os integrantes da lista contrária passaram a ser considerados inimigos por vários elementos da lista vencedora

Surge o SCC com maus resultados e o presidente da direcção diz que é motivado pelas eleições que perturbaram as mentes dos atletas.

A lista perdedora aceitou democraticamente o resultado das eleições mas não deixou de manter um clima de amizade e união em redor de todos os seus aderentes.

O SCC, já depois das águas passadas, continua a não encontrar o rumo certo direccionado para as vitórias, e os jogos seguem-se com derrotas. Todos nos começamos a preocupar e algumas mentes, no seio dos associados, começam a ficar perplexas com esta situação do clube.

O blogue da Rádio Cova da Beira (RCB)

Através deste blogue, várias pessoas afectas ou simpatizantes de ambas as listas, passaram a descarregar as suas mágoas, e a digladiarem-se anonimamente, sob pseudónimos, duma forma mais ou menos atrevida, face aos maus resultados da equipa.

Não é esta a minha atitude e lamento o anonimato.

Sou pelos valores da vida, e, pela minha parte, jamais fui capaz de utilizar esta forma de descarregar as baterias stressantes.

 
Actuação firme e sempre atento

Independentemente de amizades, sempre tive uma postura, nas várias vertentes da minha vida, de dizer o que penso e criticar sempre que o julgue oportuno, caso se justifique, dando a cara com a minha assinatura e não enlevado pelo anonimato. Cobardia não é comigo.

Assim aconteceu aquando da entrega do primeiro número do jornal “O Sporting da Covilhã”, no jogo entre o SCC e o Trofense.

Não gostei das palavras do presidente da Direcção, em parangonas, na primeira página do jornal, viradas contra alguns sócios, que reputei dirigidas aos elementos opositores à linha da actual direcção, pois disse: “esses detractores que temos que acabar com eles no clube e até nos faziam um favor se deixassem de ser sócios”.

Aquela expressão reportava-se a uma entrevista do presidente à Rádio Clube da Covilhã (RCC), onde aquelas palavras foram ditas, reportagem feita por uma jornalista daquela rádio, inserida nas páginas interiores do referido jornal.

No que concerne à jornalista nada tenho a opor-me, antes pelo contrário, desempenhou como lhe competia o seu trabalho jornalístico, mas o director do jornal do SCC veio defender-se, duma forma ridícula, acusando-me, sem qualquer engenho, de que eu pretendia que a mesma não fizesse o seu trabalho como fez, e então, inclusive, agradecia-lhe o trabalho efectuado. Eu era um censor, na sua mente, como nos tempos da velha senhora – eu que sempre rejeitei tal comportamento social – e então deleitou-se, várias vezes, a referir-se à minha censura, até se fartar no “naco de prosa” como ele se me dirigiu com tal expressão.

Contradição

No interior do jornal apelava-se para que se viessem a atingir os 5000 associados.

Surgiu aqui uma autêntica contradição entre as palavras agressivas do presidente da direcção em relação a alguns associados, e o pedido para que se viesse a verificar o aumento do número dos mesmos.

Ora, ainda eu não tinha o jornal nas minhas mãos e já ouvia comentários negativos ao meu lado, de alguns que liam a primeira página, algo agressiva contra alguns associados, pela forma como este primeiro número surgiu “a lançar farpas”, conforme eu me referi numa crónica sob o título “O Anti-jornalismo”, publicada nos jornais “Tribuna Desportiva” e “Notícias da Covilhã”.

Certo que eu já conhecia de ginjeira o director do Jornal do SCC, não pude deixar de manifestar o meu descontentamento pela forma como não soube evitar, sem aplicar a censura, note-se, que a nódoa caísse no primeiro número daquela publicação, com “pedradas contra alguns associados”, como eu respondi depois ao director do referido jornal, no seu direito de resposta à minha crónica.

As palavras proferidas contra os associados, em destaque, na primeira página, propositadas para entusiasmar os leitores ou para uma apetência pelos próximos números eram evitáveis no destaque porque as mesmas já vinham na entrevista inserida nas páginas interiores do mesmo jornal. Se assim acontecesse, nada haveria a opor, já que não denunciava os propósitos do jornal, e também nada omitia, e não havia motivo a tentar ferir o cronista com a censura, com que tanto se deleitou a registar nas suas respostas.

Não deveria o director dum jornal envaidecer-se, referindo o nome de dois jornais antecessores, com outra designação, só porque num foi director e noutro colaborador, omitindo o primeiro jornal do clube, que bem conhecia, e que foi a primeiro publicado em tempos sem as novas tecnologias, e em cujos números se exprimia o amor ao clube e não o afastamento de associados.



Serei sempre atento e crítico

Tentou o director do jornal do SCC, na segunda resposta à minha, provocar prurido na minha pessoa, alegando ataques pessoais e aplicando termos desapropriados nas sua expressões, que em nada dignificam uma publicação dum clube de prestígio, como é o Sporting Clube da Covilhã, e que não prestigiam um director dum jornal, por menor expressão que a publicação venha a ter.

E não é a atitude que tomou ao tentar denegrir a minha imagem, nas suas lamentáveis respostas, que me fazem esmorecer – antes pelo contrário – pois sou crítico, com a minha pena e agora pelos meios tecnológicos, dentro do espírito construtivo, há quase meio século, em várias publicações regionais e nacionais.

17 de fevereiro de 2011

A TRILOGIA DO JORNALISMO

O Sr. António José Silva, director do jornal “O Sporting da Covilhã”, ficou inconformado com o meu artigo – “O ANTI-JORNALISMO – publicado neste semanário.

Não gostou da metáfora do “tiro nos pés”, pelo que, assim, a substituo por “saiu-lhe o tiro pela culatra”.

Esquece-se o director daquele jornal que, embora não sendo jornalista, as suas funções devem basear-se na VERDADE, e não na subserviência, pelo que o realçar propositadamente, em parangonas, na primeira página, as pedradas (substituo pelas “farpas”, já que o incomodam) lançadas pelo presidente da direcção do clube a alguns sócios, numa entrevista a uma rádio local, é exactamente o contraditório do que afirmam pretender, nalgum conteúdo do mesmo jornal – a união de todos os sócios.

Não me venha dar lições de moral, ou absurdas piadas, de amor ao clube, porque a “presunção e água benta”que lhe jorra das suas manigâncias, serve à sua carapuça. No artigo, do mesmo jornal, e na sua resposta ao meu texto, refere com muito interesse, que já havia surgido o jornal “O Leão da Serra” (de que foi director…), esquecendo-se de que antes dessa publicação o clube teve um outro atraente e entusiasta jornal, que deu pelo nome de “Jornal do Sporting da Covilhã”, saído no dia 25-04-1954, vivendo até ao ano 1958, com colaboradores excelentes, e cuja alma foi o saudoso José de Sousa Gaspar.

Ainda dentro da “presunção e água benta”, este escrevinhador já fez mais pelo clube que o director do jornal do SCC, e de muitos outros directores do clube, sem ser necessário estar lá dentro, e sem qualquer interesse para se promover, até porque não necessita do clube para nada.

O que este escrevinhador tem é uma grande alma pelo clube da sua Terra, divulgando-o desde há muitos anos; e, desde muito jovem, quando ainda era estudante, porque nunca soube o que era ter um mesada dos pais, já que não tinham recursos financeiros, viu-se obrigado a enfiar uma peta ao pai, pedindo-lhe dinheiro “para comprar material escolar”, mas que antes se destinava ao pagamento da quota do SCC – cinco escudos mensais, para estudantes – só que, chegado o período de férias, surgia o problema, deixava de ser sócio, porque não tinha dinheiro, e, por isso, o fui por três vezes, daí a razão porque só tenho o número 522 de associado.

O outro pilar do jornalismo é a LIBERDADE que é aquilo que o director do jornal do SCC não tem – está sob a alçada do clube que lhe impõe regras – porquanto a liberdade dos jornalistas (embora o director do jornal do SCC não seja jornalista) constitui a essência da informação independente, e, como tal, não permitiria que saísse para a rua um jornal de cariz agressivo. Será que no mesmo vai deixar opinar sócios contrários à versão da direcção actual?

Sobre a forma como inicia a sua resposta, com a citação aos “métodos para exercer a crítica”, não se recorda o Sr. António José Silva, que, nas vésperas das eleições do SCC se abeirou do meu escritório para me “alertar”de que “não podemos ir votar na lista da A.D.E.!!!”, afugentando-se com a minha resposta: “não preciso que me venha ensinar o padre-nosso!”.

Por último, o terceiro pilar do jornalismo é a RESPONSABILIDADE, pelo que um facto só é notícia se for verdade e aquele que age em liberdade, na procura da verdade, tem de responder pelas suas acções e omissões. Ser responsável é responder pelos seus actos. Daí que um director de jornal quando não sabe interpretar uma crítica que a endossa logo para destrutiva, não está lá a fazer nada e tão só transforma a publicação, que ufanamente dirige, num pasquim, a qual, na sua opinião, deveria ser de “importância para o Clube possuir esta forma didáctica/informadora ou de proximidade com a sua massa associativa”.

Onde é que vê colocar em causa a entrevista da jornalista da RCC? Fez o seu papel e nada tem a ver com o meu reparo, a não ser que a jornalista é que oriente o jornal.

Gostaria que o periódico que dirige informasse, já no próximo número, quais são “esses detractores que temos que acabar com eles no clube e até nos faziam um favor se deixassem de ser sócios”?

Depois, refere-se aos meus livros, mas é deles que ainda se serve para copiar páginas e fotos, para o jornal do SCC, quase num plágio, ainda que por via indirecta de um blogue, tendo a este autorizado a publicação das mesmas. Portanto, a responsabilidade é obra que não existe.

Termino porque o espaço deste semanário é importante, e dou como findos os esclarecimentos que se impõem, pois os estimados leitores saberão extrair as suas ilações.


(In Tribuna Desportiva de 8-2-2011 e Notícias da Covilhã de 17-02-2011)

3 de fevereiro de 2011

O SOBRETUDO DO EUSÉBIO

Ouvi o Eusébio falar da Covilhã – para mim o melhor jogador de futebol português de todos os tempo – na RTP, durante a homenagem que lhe foi prestada – Gala Eusébio – transmitida do Coliseu, no passado dia 25 de Janeiro, com os apresentadores Tânia Ribas e José Carlos Malato.

Pois disse que foi o seu colega, padrinho e amigo Coluna, que lhe emprestou o sobretudo quando veio jogar à Covilhã, onde rapou frio.

Puxando da memória, e procurando alguma coisa mais, verifiquei que o único jogo em que Eusébio participou na Covilhã, no então Campeonato Nacional da I Divisão, vai fazer exactamente 49 anos, no dia 18 de Fevereiro.

Nessa altura, os árbitros equipavam-se sempre de preto, excepto nos casos em que não era possível, face à mesma cor das camisolas dos atletas; as pontuações nas vitórias só somavam dois pontos; ainda não havia cartões amarelos ou vermelhos, embora houvesse registo das faltas e expulsões, que se faziam com gestos; um jogador da mesma equipa podia passar a bola ao seu guarda-redes e este apanhá-la com a mão; e não se podiam fazer substituições de jogadores durante os 90 minutos, para além do guarda-redes e só se se lesionasse…)

Foi exactamente naquele domingo do ano de 1962 que também eu apanhei uma contrariedade, pois quase a completar 16 anos, não pude ir ver essa partida de futebol, entre o Sporting Clube da Covilhã (SCC) e o Benfica (SLB), que acabaria por perder o encontro com os covilhanenses por 2-1. Era então o baptizado de um primo meu e a família tinha que estar na antiga igreja de Aldeia do Carvalho, onde o pároco, padre José Nabais Pereira (foi meu professor de Canto Coral, na Escola Industrial), que gostava muito de futebol, havia pedido à família do baptizado para que fosse mais cedo a fim de ele poder ir ao jogo.

O remédio que tivemos foi ficar na festa e, como na Pousadinha tinham colocado a energia eléctrica há pouco tempo, só alguns moradores ainda a tinham em casa. Daí que tive que ouvir o relato do jogo pelo Artur Agostinho, através duma telefonia existente na única taberna do lugar.

À noite, das poucas televisões que existiam nas casas dos mais abastados (só os cafés, clubes de bairro e salões paroquiais as possuíam) – pois só tinha surgido em Portugal, a preto e branco, e de um só canal, há cinco anos – lá se ouviam os comentários aos jogos pelo jornalista Alves dos Santos.

Mas vamos ao jogo. O SLB havia sido campeão europeu, e era treinado por Bela Gutman. À Covilhã não se deslocou o guarda-redes Costa Pereira, tendo sido substituído pelo suplente Barroca. Mas veio o Eusébio, José Augusto, Águas, Simões, Germano, Ângelo, Domiciano Cavem, Coluna e Santana.

O SCC estava a atravessar uma época difícil mas era na I Divisão, em tempo de crise, e o único clube do interior beirão, já que competia também o alentejano Lusitano de Évora.

No SCC jogaram o Rita, Carlos Alberto, Manteigueiro, Chacho, Adventino, Amílcar Cavem, Patiño, Lourenço, Lanzinha, Amilcar e Palmeiro Antunes. O treinador foi Mariano Amaro e o Presidente da Direcção era o Dr. José Calheiros, que sucedera a Ernesto Cruz.

Brilhante e indiscutível o triunfo dos covilhanenses sobre os campeões europeus. Amílcar marcou o primeiro golo do SCC e Chacho o do triunfo sobre os lisboetas.

Nesse dia foi “Dia do Clube”, e a receita foi de 99.682$00, cabendo ao SCC 38.102$10, mais 33.000$00 respeitante ao produto do “Dia do Clube”.

É também para que outras vedetas do desporto, e não só, possam referir o nome da Covilhã, como o memorizou Eusébio, que o SCC tem que rasgar o véu das dificuldades que o emergem, e regressar ao encontro dos grandes, de cujo seio se afastou, duma forma efémera, há quase 23 anos, afastamento em número de anos igual ao que acontecera com a baixa de divisão em 1962 e regresso efémero em 1985.


(In Tribuna Desportiva, de 1-2-2011 e Notícias da Covilhã, de 3-2-2011)

27 de janeiro de 2011

O ANTI-JORNALISMO

Nos últimos dois meses assistimos a acontecimentos paradoxais que surgiram na sociedade portuguesa com a perda da vida de três portugueses.

Reporto-me, em primeiro lugar, ao Homem do jornalismo cultural – o do saudoso programa televisivo “Acontece” – mas também da rádio e jornais, aquela figura que gostava de conversar, que, embora tivesse honras de algumas páginas sobre a sua acção em prol da cultura neste País, passado que foi o seu funeral deixou de se falar, naturalmente, mais neste Homem de bem.

A segunda figura, desaparecida já em Janeiro, foi também de outro grande Homem – o major Vítor Alves, o homem da pêra – uma das figuras proeminentes do 25 de Abril, ainda que menos mediático que outros capitães da Revolução, foi apontado pelos seus pares como um homem discreto e tinha o dom da conciliação, enorme lucidez e bom senso. Foi algumas vezes Ministro nos governos provisórios. Tomou posição na facção moderada do Grupo dos Nove.

As televisões e a própria imprensa falaram da morte de Vítor Alves apressadamente.

A terceira figura de somenos importância, ainda que se trate dum cronista nacional, paras as bandas cor-de-rosa, homossexual, desaparecido duma forma trágica e lamentável, cujos acontecimentos foram sobeja e enfadonhamente conhecidos de todos nós, banhou-nos de noticiários diários, e a toda a hora, quer pelas televisões quer pelos jornais, como se de um príncipe se tratasse, dando relevo à família do malogrado Carlos Castro e um amigo, com ênfase aos desejos do cronista, para que as suas cinzas ficassem espalhadas em Times Square – Nova Iorque, onde foi assassinado pelo seu companheiro, e, como tal, lá se viu o deitar das mesmas numa grelha do metropolitano, rentabilizando assim, até ao vómito, a sua morte, sem despudor.

Só faltava que o resto das cinzas que vieram para Portugal fosse espalhado no Mosteiro dos Jerónimos…Enfim, este contra-senso veio ridicularizar o jornalismo. Era preciso tanto?

Para as bandas da nossa cidade da Covilhã, o seu principal Clube – Sporting Clube da Covilhã (SCC) – e mais representativo de toda a região beirã, depois de nos últimos anos ter perspectivado uma viragem positiva, mas que não conseguiu livrar-se da cepa torta, numa situação latente de dificuldades passíveis de solução, e num aparente entusiasmo reinante, retomou a publicação do seu jornal, que já teve anteriores publicações efémeras, com a designação “O Sporting da Covilhã”.

Para dissipar aquelas dificuldades, mormente evidenciadas no aspecto desportivo, de um “sobe e desce” de divisão, e não se coadunando a conduta do trabalho directivo, comparativamente com a de outras regiões de potencial económico similar ao nosso, surgiu a vontade indómita de um grupo de boas vontades que aderiu a constituir uma lista alternativa a eleições – a célebre lista B – num projecto envolvendo pessoas de garra. Sempre com as melhores intenções em fazer voltar o SCC ao lugar de relevo no mapa desportivo nacional, fazendo puxar o comboio do progresso desportivo da região, e, aí, acolhendo, também de bom grado, um projecto da iniciativa do Vereador do Desporto da Câmara Covilhanense.

Assim não entendeu a maioria dos sócios do SCC, dando primazia à direcção vigente.

Com esta eleição – a primeira vez que surgiu desde a existência do SCC –, com duas listas, aceitou a lista B, democraticamente, o veredicto dos sócios, e ficou a convicção de que quem saíra vencedor foi, de facto, única e exclusivamente o SCC.

Serenamente, os componentes da lista B mantêm-se irmanados na mesma amizade, e acompanham, como qualquer associado, o andamento da equipa, sofredores também com os maus resultados que se vêm verificando, mas sem vinganças nem ódios.

Vem isto a propósito do jornal do Clube, a que já nos referimos, oferecido no último jogo na Covilhã, com o Trofense, de o mesmo, para além de entronizar a figura do presidente da direcção do SCC, vir lançar farpas a alguns sócios, com grande destaque na primeira página, numa verdadeira alusão aos componentes de lista B. Em contraste, numa das páginas interiores, informam que vão lançar a campanha de aumento do número associados, para 5000!

Isto é mais uma forma de mau jornalismo, e o Jornal do SCC começa mal, a dar tiros nos pés!

Por isso, deixamos aqui o provérbio hindu: “Quando falares, procura que as tuas palavras sejam melhores que o silêncio”.

 
(in Desportiva, de 25.01.2011, e Notícias da Covilhã, de 27.01.2011)