6 de outubro de 2011

SPORTING DA COVILHÃ E AS MARAVILHAS NOS NOVE DECÉNIOS

Está em voga seleccionar determinados prodígios da natureza, do património, das belezas, da gastronomia, num lançar de imaginação, como foi também o programa “Os Grandes Portugueses”, finalizado em 2007 pela RTP.

As “7 Maravilhas do Mundo” foram substituídas no dia 7 de Julho de 2007, pelas novas, tendo a cerimónia sido realizada em Portugal. Ao mesmo tempo, foram também eleitas as “7 Maravilhas de Portugal”, e, já em 10/06/2009, surgiram as “7 Maravilhas de Origem Portuguesa no Mundo”, para, em 12/09/2010, virem a surgir as “7 Maravilhas da Natureza em Portugal”. Foi já este ano que em 10/09/2011 surgiram as “7 Maravilhas da Gastronomia”.

Na Covilhã foram eleitas as “7 Maravilhas Naturais do Concelho da Covilhã”.

Com tanta maravilha, agora já numa situação nostálgica, viro-me para a vertente desportiva com a envolvente do Sporting Clube da Covilhã (SCC), ao voltar a ver, no mesmo escalão desportivo, alguns clubes de outrora, que emparceiraram com o clube serrano nos tempos áureos da então designada Primeira Divisão Nacional (hoje, Primeira Liga – detesto os nomes publicitários), como o Atlético Clube de Portugal, este resultante da fusão entre o União Futebol Clube de Lisboa e o Carcavelinhos Futebol Clube.

Mas, nas décadas de 40, 50 e 60 do século passado, o SCC defrontou no escalão máximo do futebol português clubes que, exceptuando o Olhanense, Atlético, Leixões e Estoril, se encontram em escalões secundários, alguns mesmo tendo suspendido o futebol sénior: Barreirense, Cuf, Salgueiros, Elvas, Lusitano de VRSA, Oriental, Lusitano de Évora, Torreense e Caldas.

O SCC indubitavelmente continuará a ser o clube mais representativo desta região beirã. Para falar da sua história completa seriam necessárias mais pesquisas, já que muito se dissipou na espuma dos tempos, e, das fontes de figuras vivas, quase todas já desapareceram. Do que foi recolhido, algo teve que ser rectificado na altura, por distorção de informações, quantas vezes resultante do entusiasmo exacerbado no bairrismo.

Assim, dentre os factos registados deste clube histórico, poderemos considerar algumas das que poderão ser as principais “MARAVILHAS DO SCC NOS 9 DECÉNIOS”.

De 1923 a 1932 – Conquista da 1.ª Taça, em 06.01.1924, vencendo o Montes Hermínios por 2-1; depois, a conquista da Taça Carlos Veiga, em 24.01.1926, num importante jogo com o Montes Hermínios, a quem ganhou por 2-0.

1933 a 1942: Construção do Campo ao Cimo do Hospital, designado Estádio Municipal José dos Santos Pinto, iniciado em 1934. A dinâmica da sua construção partiu de António Canaveira e do grupo “capacetes de aço”, coordenados por José dos Santos Pinto. Foi o palco dos grandes feitos do SCC. Participação do SCC na final com o Carcavelinhos, para acesso à I Divisão Nacional, que viria a perder, em Santarém, no dia 30 de Abril de 1939.

1943 a 1952: - Conquista das Taças II Divisão Nacional e “O Século” e subida à I Divisão Nacional (1947/48). As Feiras Populares do Sporting (1949, 1950, 1951 e 1952). Digressão à Alemanha, França e Luxemburgo (1952).

1953 a 1962: - O 5.º lugar alcançado em 1955/56 e a Final da Taça de Portugal, no dia 02.06.1957, com o Benfica. A grande Campanha de Donativos (1955), com Ernesto Cruz à frente. Conquista da Taça da II Divisão Nacional (1957/58).

1963 a 1972: - Grande empenhamento na subida de divisão, e, depois, pela primeira vez na III Divisão, a força da resistência para ultrapassar a crise. Grandes disputas com o Alba e o Naval.

1973 a 1982: - Bodas de Ouro do SCC (1973). Uma equipa “de luxo”, na III Divisão Nacional, sobe à II Divisão (1974/1975). Jornadas de Amizade “Covilhã-Santarém” (1976 e 1977).

1983 a 1992: Arrelvamento do Estádio José dos Santos Pinto. As últimas duas subidas à I Divisão nacional (1984/85 e 1986/87). Conquista da Taça de Campeão da II Divisão (1986/87). Visita do Casal Simony (1990). Homenagem às Velhas Glórias do SCC, pela APAE.(1991). I Torneio Quadrangular Covilhã – Serra da Estrela, com a presença da Union Deportiva de Salamanca (1993).

1993 a 2002: - Bodas de Diamante. Subidas à Liga de Honra (1995/96, 1998/99 e 2001/2002) Entrega dos Silos-Auto ao SCC. Medalha de Mérito Desportivo para o SCC (1999).

2003 a 2012: - Subida à Liga de Honra (2004/2005 e 2007/2008). Comemoração dos 50 anos da Final da Taça de Portugal. (2007). Complexo Desportivo. Nova Sede do SCC. Homenagem a antigos atletas, treinadores e dirigentes do SCC, pelo blogue “Historias do SCC”.

 (In Notícias da Covilhã de 06.10.2011)

22 de setembro de 2011

A FACTURA

Segundo a religião católica, todo o nascituro quando vem à luz do mundo surge impregnado do pecado original.

Desta feita, em Portugal, nascerá com dois pecados, sendo que o segundo é o de ser devedor ao Estado duns milhares de euros.

Que culpa tem o recém-nascido destas vicissitudes da vida, logo na sua génese?

Antes deste documento existir – a factura – surgiram as dificuldades da escrita e as formas de comércio, muito antes de Cristo.

E, a sua origem – a escrita –, data de alguns milhares de anos antes de Cristo, sendo que, por força do destino, dois países que se encontram na génese da mesma – Egipto e Grécia – ainda hoje atravessam grandes dificuldades, sobejamente conhecidas.

Os estados de insuficiência, revelados por sensações desagradáveis de faltas – as necessidades básicas – surgem às resmas, mesmo em pessoas que jamais pensariam que um dia isto lhes acontecesse.

Com estes problemas de falta de recursos, pouco interessa que estejamos num país à beira-mar plantado; que a história nos tenha trazido grandes exemplos de um povo de afirmada valentia; que tenhamos muitos homens de génio; se, contra ventos e marés, não formos capazes de conseguir reduzir o número dos que, numa passividade do “deixa-andar”, se vão enfileirando nos grupos crescentes dos indígenas detestáveis, responsáveis pela irresponsabilidade.

Pelo andar da moeda, voltamos à altura de antes da Idade dos Metais, com as trocas directas, de produtos por produtos. E, então, no salve-se quem puder!...

Nunca tanto se falou de factura, deste documento que toda a gente sabe o que é.

“Já recebi a factura” – é, por vezes, de um grande calafrio, quando se alteram os meios para se conseguir a sua regularização, ou quando, inesperadamente, surgem adicionais à mesma, para além das alcavalas legais, e, então, olhamos para o País e desabafamos: “Isto é o preço da factura!”; “Lá vamos ter que pagar a factura!”

Depois, é preciso não irmos no engodo da simpatia e conferirmos as facturazinhas, já que nem sempre se consegue uma factura pró-forma, com exigência da resposta para serviços não prestados mas debitados, mormente quando é objecto de reembolso por entidades oficiais.

De muitos exemplos, cito os casamentos e os funerais. Dos primeiros, quando chega a altura do pagamento, lá surge o pedido de não facturar na totalidade…que isto não está a dar…

Dos segundos, dá para tudo. Na factura, lá surgem ramos de flores, sem terem sido pedidos; a missa do 7.º dia (que por vezes não é paga à igreja), e, até uma vez se descobriu “o toque do sino”, sem o haver…

Mas voltemo-nos para as facturas mensais dos serviços públicos essenciais que entram nas nossas casas e nos nossos escritórios e estabelecimentos comerciais.

Nestas facturas fazem o que lhes dá na real gana, e o Zé pagante não consegue reclamar porque é na generalidade.

ADC – Águas da Covilhã, EM: para além do que o consumidor gasta exclusivamente em água ainda tem que se pagar taxas para saneamento, resíduos, Taxa R.H. (Min. Ambiente), Taxa C.Q.A. (Min. Ambiente), Taxa RSU (Min. Ambiente), sem sequer informarem o que significam aquelas siglas. Só o conjunto das taxas adicionais são superiores ao consumo da água!

Vamos para a EDP – luxuosamente se incluiu uma contribuição áudio-visual!

Presenteou-nos recentemente a Galp Energia com uma carta a informar que a factura passaria a incluir a Taxa Municipal de Ocupação de Subsolo!

A Cabovisão tem a Taxa Municipal de Direitos de Passagem (TMDP) mas surge a custo zero…

A PT é um desastre com os contratos celebrados, com a oferta de condições, que, depois, se traduzem numa confusão de incumprimentos, levando os clientes a desistirem de reclamar!

Enfim, nesta confusão toda com os serviços indispensáveis, só nos resta o receio que surjam por aí mais algumas taxas: pelos espaços onde caminhamos, pelo ar que respiramos, pela arborização dos jardins, pela iluminação pública, e sei lá que mais, pelo que somos forçados ao grito de BASTA!!!


(In “Notícias da Covilhã” e “Jornal do Fundão” de 22.09.2011)

8 de setembro de 2011

A RUA DIREITA E O ESTACIONAMENTO INDEVIDO

Na intencionalidade de se encontrar uma solução financeira para os problemas comerciais que afectam e degradam a vida dos comerciantes da zona, cujo comércio tradicional foi fortemente abalado com o emergir das grandes superfícies, que, penso, se encontram em exagero nesta cidade, e em outras mais, decidiu a Câmara Municipal da Covilhã deixar que as viaturas estacionem na parte destinada aos peões, embora por um tempo determinado, na chamada Rua Direita, desta cidade.

Acontece porém que, se poucos cumprem o tempo previsível permitido pela edilidade covilhanense para ali se estacionar, a fim de se tratarem assuntos nos vários estabelecimentos comerciais ou de serviços, bem como acompanharem os familiares doentes aos consultórios médicos (penso que quinze minutos), outros usam e abusam do espaço destinado aos peões, no tempo e na sua ocupação, em horários de abertura dos mesmos estabelecimentos.

Os silos-auto, ali tão perto, com muitos espaços disponíveis, ainda são um receio ou confusão para uns quantos, apesar de alguns comerciantes possuírem bilhetes de oferta aos seus clientes, para algumas horas, naqueles silos, pelo que não se compreende que a Rua Comendador Campos Melo, vulgo Rua Direita, se veja forçada a ter que mudar de nome e passar a ser conhecida por “Rua da Bandalheira”.

E, se isto passa à situação de vir a “pagar o justo pelo pecador”, em certos casos, é inconcebível que as viaturas estacionem nos dois lados da rua, embora de um só sentido, a torto e a direito, por tempo indeterminado, obrigando os transeuntes a substituírem-se às viaturas, no local destinado à circulação das mesmas, com os perigos que dai possam advir.

Muitas vezes, na zona mais estreita, em frente ao Banco, alguns condutores estacionam ou param ali as suas viaturas para irem tratar de assuntos, embora perto, penso, sendo confrangedor que uma pessoa que caminhe por aquele sítio, e, encontrando o mesmo impedido, por vezes tenha que aguardar que passem os carros na rua para a mesma depois se ver forçada a ter que também passar a utilizar o mesmo indevido espaço.

A PSP lá vai passando, mas, como infelizmente tem fragilizada a sua autoridade pelos poderes públicos, o que é de lamentar, não pode actuar como devia, ou seja, impondo a sua autoridade numa missão de servir os cidadãos e punir ou admoestar os infractores.

Já lá vai o tempo da “outra senhora” em que a Polícia era vista com outros olhares, e  havia os ”famigerados 23 e 35”, de triste memória, e, já depois do 25 de Abril, uns quantos que abusavam da farda que nunca deveriam ter vestido, pois actualmente a Polícia está diferente, evoluída e com trato mais humano e compreensível.

Deveria, sim, ser investida de mais autoridade, a fim de, pelos seus próprios meios, poder meter na ordem quem transgride duma forma tão notória quão de falta de civismo para com os seus semelhantes.

Para documentar o que atrás me reporto, atentem bem na foto obtida do meu telemóvel, tendo sido forçado a ligar para a PSP da Covilhã, no passado dia 1 de Setembro, eram 17,50, para poder sair do meu escritório. Muitas pessoas e vizinhos presenciaram o espectáculo.

Um condutor, sem consciência alguma, e numa total falta de respeito por quem trabalha, marimbando-se, estacionou o seu automóvel, do lado esquerdo da rua, mesmo juntinho à porta do escritório, de tal forma que nem ele conseguiu sair pelo lado do condutor, nem permitiu que quem estava no escritório pudesse sair sem que tivesse que forçar a mesma, quase tendo que passar por cima do capot.


A PSP, chamada ao local, informou, e lamentou, que não podia fazer mais que autuar o infractor, não podendo rebocar a viatura.

Isto brada aos céus! Se tivesse necessidade de sair com algum volume, ainda que fosse uma pasta ou computador, não podia, por causa duma pessoa sem escrúpulos.

A Câmara Municipal da Covilhã, que tanto faz para que esta Cidade seja de cinco estrelas, não terá uma palavra a dizer, para disciplinar o estacionamento dos veículos nesta rua, e que sejam evitáveis situações como esta, cujo caso não é único, e, ao mesmo tempo, diligenciar para que a nossa PSP tenha também autoridade de cinco estrelas?

(In Notícias da Covilhã, do dia 8/09/2011)

31 de agosto de 2011

“OS BONS MALANDROS”


Não, não é o livro de Mário Zambujal, escritor que muito admiro de longa data; mas, inspirado pela sua veia literária, surgiu-me o tema para esta crónica, após uma breve semana de férias, cujo Verão foi pouco “silly season”.

A geração actual depara-se com uma montanha de problemas, jamais sonhada pelos avós, levando uns quantos jovens, e não só, ao desespero e a enveredar por caminhos ínvios dos quais não se conseguem libertar.

Mas já não são só os da década dos anos dez em que agora estamos que vêem as nuvens negras no pouco espaço laboral que lhes resta, são também as gerações precedentes que aspiravam ao desafogo de uma vida continuada de trabalho para a satisfação normal das suas necessidades básicas, a verem uma travagem forçada na continuidade depois de muitos anos de serviço, mas ainda o não suficiente para as suas reformas.

Os ventos da história trouxeram-nos exemplos de coragem dos portugueses; no enfrentar de grandes dificuldades, desde batalhas, invasões napoleónicas, perda da nacionalidade, governação filipina espanhola; contra toda uma malandragem.

E, até no pós-descobertas, somos confrontados com a doença do medo do nosso rei, fundador da cidade da Covilhã, e levamos com o Ultimato Inglês mas mantemos a Aliança Inglesa. 

Aquilo que se tem passado na Europa, como foi em França com protestos nefastos, e agora no país da rainha mais antiga e rica do mundo, são exemplos de malandros a soldo, não sei com que interesses, quando se fala de jovens e adolescentes na luta. Também o que se passou na Finlândia, país pacífico, foi um acto horrendo de um grande malandro.

E, no ano em que se comemoram tantos eventos, mesmo em período de férias, não se pode olvidar uma certa Primavera muçulmana contra os malandros dos conhecidos déspotas, líderes dos seus povos, como Kadhafi (Líbia),  Mubarak (Egipto), ou Assad (Síria). 

Mas, com novos senhores do mundo, vivemos momentos dramáticos – “erros nossos, má fortuna, ganância alheia” –, com uma dívida pública, a mais elevada dos últimos 150 anos, igual ao PIB, e a dívida externa a maior dos últimos 120 anos.

Neste cheiro a Verão com vento de crise, muitas famílias encontram-se sobreendividadas, mas, paradoxalmente, há uns quantos “malandros”, como administradores de capitais públicos a receberem de indemnizações por despedimentos o mesmo que um trabalhador com o salário mínimo receberia se trabalhasse 265 anos!!!

E num Portugal que terá mais de 900 mil pessoas sem trabalho no final deste ano! Comentários para quê? É pior que o “Muro da Vergonha” que neste mês completou 50 anos que começou a ser construído (Muro de Berlim), felizmente já destruído.

Todos os governos são vistos com os seus “colaboradores” como tendo sempre alguns “malandros”, e, por mais que o não desejássemos, somos confrontados, por vários meios, incluindo a Internet, de informação do recebimento de elevadas somas por isto e por aquilo, de avultadas quantias ilícitas, ordenados/subsídios/compensações; de elevados montantes por cada reunião a que assistem, e um rol de situações de conseguirem “dar a volta ao ceguinho”, que brada aos céus. E vêm para as televisões explicar aos portugueses a necessidade de sacrifícios e de redução de salários… São todos sobejamente conhecidos… e não têm vergonha na cara, como dizem os brasileiros.

O actual governo também já tem cumplicidade de muitos dos seus apaniguados, com os bolsos bem servidos, e o que esperamos é que não se alonguem muito no desejo do vil metal, e que não passem para além de “bons malandros”.

Não queremos ser Velhos do Restelo, e, por isso, uma palavra de grande apreço e esperança pelo grande encontro em Madrid, dos milhares de jovens, incluindo portugueses e alguns covilhanenses, que ali estiveram com o Papa Bento XVI, neste mês de Agosto, na Jornada Mundial da Juventude, sintoma de que há que contar com eles; muitos, prontos já para ligarem o “turbo” para as suas vidas.

(In Notícias da Covilhã, de 31.08.2011)

18 de agosto de 2011

Na 73ª. Volta a Portugal em Bicicleta – 11ª Etapa Aveiro – Castelo Branco, no dia 11 de Agosto de 2011


A patrocinadora da Volta – Liberty Seguros – com o seu embaixador Cândido Barbosa


João de Jesus Nunes, Directores da Liberty Seguros, Gerente, Gestores de Negócios

e Gestoras de Clientes dos Espaços de Castelo Branco e Covilhã, e muitos Colegas de profissão desde Covilhã, Fundão, Castelo Branco e Sertã.


O entusiasmo da Liberty na Volta e o facebook.com/EuRespeitoaEstrada













QUE ENSINO EM PORTUGAL?

Posto Escolar Masculino da Borralheira - 1938-1940

Depois do rumo que o País tem levado em termos de cultura, fundado pelo iletrado mas aguerrido, vitorioso e espertíssimo D. Afonso Henriques, para uns, mas que sabia escrever e endereçou cartas ao Papa Inocêncio II, para outros, o que é certo e verdade é que, volvidos quase 868 anos sobre a independência de Portugal, e 900 anos sobre o nascimento do primeiro rei português, há que repensar o caminho menos certo no âmbito do ensino.

O facilitismo das “Novas Oportunidades” em que se conclui, num ápice, o 9.º e o 12.º ano, muitas vezes copiando tudo da Internet, em vez de se pesquisar e ir impregnando as pesquisas, com termos próprios e não plagiados, no âmbito dos conhecimentos adquiridos, é um exemplo de como o rei vai nu.

Mas a mesma permissividade encontra-se, de quando em vez, na obtenção de certas licenciaturas (com exames aos domingos…), mormente nos momentos políticos da sociedade de hoje. É um atentado sobre a real cultura em Portugal. Para altos cargos políticos, quem não for “doutor” fica incomodado, e, assim, vemos diplomas de licenciados a cair do céu.

A antiga 4.ª classe, o antigo 5.º ano liceal ou os equiparados cursos comerciais ou técnicos, dos anos 50 e 60 do século passado, eram um autêntico alfobre de conhecimentos, com as exigências nesse ensino, contrastando com o laxismo de hoje, em que se chega ao cúmulo de obrigar a passar um aluno que deveria ser reprovado!

Mas nos tempos actuais o que é preciso é reduzir o índice de iletrados de qualquer maneira, e manter um aparente valor percentual elevado em literacia, aos olhos dos europeus.

Voltei a consultar o livro da covilhanense Dr.ª Adélia Mineiro – “Valores e Ensino no Estado Novo, Análise dos Livros Únicos” – e, ainda que numa certa nostalgia da minha aprendizagem nos tempos d’outrora, não aceitando contudo as correntes da ditadura, voltei a ficar deslumbrado com a forma simples, esclarecedora e cronológica como apresentou a vivência dum tempo de ensino sem liberdade, e no séquito das intenções salazaristas nomeadamente no que á mulher dizia respeito.

Vale a pena ler este livro, para recordar o passado e verificar que, infelizmente, quando se esperava que volvidos 37 anos do 25 de Abril, a cultura tivesse levado um forte avanço, constatamos, afinal, ainda muitas lacunas.

Segue um exemplo de como eram as dificuldades do ensino nas décadas de 30 a 60 do século passado, com os professores auferindo vencimentos muito reduzidos. Empenhavam-se fortemente e com alma, no exercício duma actividade que adoravam, duma verdadeira vocação. José Martins Nunes, se fosse vivo completaria um século em Dezembro próximo. Ainda hoje, alguns seus antigos alunos recordam os tempos em que ele foi seu professor, quer pela via do ensino oficial quer particular, em cursos diurnos e nocturnos, na Casa do Povo do Bairro do Rodrigo, iniciando em 07/01/1938, depois no Posto Escolar Masculino da Borralheira, então recentemente criado, assim como em comissões de serviço, na Escola Central Masculina da Covilhã, em 1944; no ano seguinte em Aldeia do Carvalho (alguns seus alunos da Escola da Borralheira, das zonas da Pousadinha e Lameirão quiseram assistir ali às suas aulas), para de 1945 a 1948 ter sido colocado em Casegas. Aqui foi professor da 4.ª classe de três alunos que vieram a ser padres, entre os quais o antigo director do Notícias da Covilhã, Dr. José de Almeida Geraldes, assim como dos que vieram a ser jesuítas – José Gaspar Pires e António Costa e Silva.

Professor Martins Nunes com os alunos - 1938-1940

Como professor, terminaria a sua carreira em 1948/1949, na Borralheira (Covilhã), onde aqui, quando foi nomeado e iniciou as suas funções, não havia sala para a aula, nem carteiras para os alunos se sentarem, nem material didáctico nenhum, tendo ele que tratar de tudo, ficando o pagamento da renda da escola à sua responsabilidade, com o auxílio dos alunos.

Face a esta vida martirizada, de enormes sacrifícios, pediu a exoneração em 1/10/1949.

Durante muitos anos, até à sua aposentação, passou a desempenhar funções na antiga biblioteca municipal. Sempre com o gosto pelo ensino, veio a obter autorização para leccionar cursos nas suas horas livres, regendo um curso de adultos da Empresa Transformadora de Lãs, na Escola Central da Covilhã, durante três anos; e, por último, o Curso de Educação de Adultos na Cadeia Comarcã da Covilhã, durante doze anos, criado propositadamente para si.

Posto Escolar da Borralheira, em dia de festa da Escola, na mesma época da anterior
(In Notícias da Covilhã, de 18.08.2011)

21 de julho de 2011

FUTEBOL – ENTRE UM SAUDÁVEL ENTRETENIMENTO E A LOUCURA

É, de facto, o desporto-rei que galvaniza o entusiasmo de gentes absorvidas nas preocupações do dia-a-dia; produz um certo bálsamo para algumas “dores de cabeça” laborais ou de outra índole; gera uma avidez pelos encontros entre grupos vizinhos; ou entre um norte-sul.

Numa situação mais lata, pelas cores incutidas no sangue pelos seus progenitores, ou no sentimento absorvido por várias situações que se traduzem numa paixão.

O entusiasmo que movimenta o amor pelo nome de uma Terra, de uma zona, avoluma-se por vezes até ao cúmulo de guerras entre terras vizinhas, numa rivalidade exacerbada.

Movimentam-se “milhões”, e os “feet” (singular, “foot”), donde deriva o próprio futebol, integram os membros inferiores do corpo, de ouro, e mesmo de diamante para um crescente de craques

Estamos na pré-época, altura das sensações pelos nomes sonantes dos homens que à partida prometem os grandes sucessos, de que a redondinha vai entrar muitas vezes nas balizas do adversário,

E, atrás destas esperanças, movimentam-se resmas do metal a reluzir para números astronómicos, com “cláusulas de rescisão” cada vez maiores, numa loucura sem precedentes.

De facto, o mundo do futebol leva atrás de si as possibilidades de também se conhecer melhor uma região, de dinamizar o seu comércio e turismo, mas não se pode conceber que no mundo da bola haja uma discrepância tão grande, um fosso enorme entre esta loucura dos números, que já atinge treinadores e seus ajudantes, e o pão ou o arroz que falta a milhões de seres humanos que nem força têm nos seus pés.

Para quando um tecto máximo salarial para os craques da bola? Em vez do salário equivalente ao do custo de um Boeing ou de um submarino, como alguns auferem, porque não só o equivalente a uma viatura de gama alta, que já é mais que suficiente?

Passemos à nossa Região, também fortemente afectada pelas graves crises que grassam pelo nosso País, e toda a Europa e Mundo.

Apesar de tudo, também existe um entusiasmo pelos clubes das Terras, não só os mais representativos. Ganharam-se títulos e, alguns, feitas as contas e as análises, não se quiseram meter em loucuras e não se inscrevem nas provas que, entretanto, com toda a justiça venceram.

Na Covilhã, o Sporting Clube da Covilhã (SCC) e a Associação Desportiva da Estação (ADE) movimentaram entusiasmos, frenesim, apreensões e, nalguns casos, alívios in-extremis, o que é bem sintomático duma cidade que, apesar de tudo, está em movimento.

Se atentarmos à forma como a ADE proporcionou um entusiasmo pelo seu futebol jovem que, em três dias, proporcionou a presença de mais de 400 jovens e mais de 3.000 visitantes, é obra assinalável para os anais da sua história, com a promessa de responsáveis nacionais de que vai ser um dos grandes na formação.

Também o SCC teve o seu futebol jovem com um torneio de futsal onde estiveram presentes 18 equipas, cujo entusiasmo não se dissipou.

Temos assim a Covilhã com dois dos seus mais honrosos representantes, sendo o SCC um dos históricos portugueses.

As páginas da sua verdadeira história, sempre na necessidade de uma actualização, estão expressas em quatro obras diferentes, publicadas pelo mesmo autor, o que significa que é o clube português que se situa, a para do Belenenses, em 4.º lugar no País, com obras escritas, registando as várias estórias da sua história.

Lamentavelmente, tem havido, de quando em vez, uma tentadora forma de apresentar alguns textos plagiados, como recentemente o autor verificou na Internet, e que o prevaricador se viu forçado a eliminar do seu blogue, para evitar males maiores.

Depois, o mesmo autor, curva-se sobre a memória do grande “Homem-enciclopédia”, falecido em Dezembro passado, que muito contribuiu para enriquecer as páginas das referidas obras do SCC, com a sua colaboração com dado inéditos – o antigo jornalista e escritor desportivo Henrique Rodrigues Parreirão, que residia na Costa da Caparica, tendo deixado a sua importantíssima biblioteca ao jornal donde era oriundo – Record.

(In Notícias da Covilhã, de 21.07.2011)

13 de julho de 2011

QUE SE LIXE O LIXO

Acabaram ainda há pouco tempo as festas dos santos populares, com a participação de muitos covilhanenses nos vários eventos pela cidade distribuídos.

Num desses dias, como noutros mais, no jardim público, num aprazível ambiente em que até os “santos dançam”, na expressão do dinâmico professor Eduardo Cavaco – uma alma das festas populares da Covilhã –, batiam as badaladas anunciando as 23 horas, no sino da igreja de S. Francisco, quando o professor, depois de tangos e de valsas, sorteava o loto. E, entre sardinhas, bifanas, cervejas e tintol, nem se pensava na lixeira que por aí nos vinham trazer à porta.

Entre farturas de falhadas esperanças, adocicadas numa fritura já desesperante, e depois de alguns momentos de expectativa numa outra forma de conduzir o autocarro político nacional, surge o “murro no estômago” do novo primeiro-ministro português.

E, neste lixar dos portugueses, vem a agência de rating – Moody’s – anunciar a revisão em baixa da notação de risco atribuída aos títulos emitidos pela República Portuguesa, para o nada edificante nível de lixo.

Chega-se à conclusão que as agências de rating americanas dizem o que interessa aos americanos, se atentarmos que o nascimento da crise actual teve como consequência o facto da falência do senhor Madoff, imediatamente seguida da falência do enormíssimo banco americano Lehman & Brothers.

E é a fragilidade de vários países europeus que origina um frenesi nas agências de rating.   

Se não é o interesse americano, onde é que está a credibilidade da Moody,s, ao direccionar-nos para o lixanço, quando atribuiu uma nota de excelência ao citado banco, que, passado pouco tempo, entrou em falência; assim como idêntica atribuição à Islândia, que, paradoxalmente, entrou na bancarrota?

E, nesta lixadela, (que isto de lixa não usamos para polir o País) vale mais mandá-los às malvas, ou, mais propriamente, para o rating que os parta!

Ou há moralidade, ou comem todos, como soe dizer-se.

Lixo?!

Os europeus não são parvos. Mas é preciso que sejam mais atentos e atrevidos, formando as suas agências de rating, para competir e/ou enfrentar as americanas.

E foram os europeus que, fartos de calor, criaram o bikini há 65 anos, tendo a bailarina Micheline Bernardini vestido o primeiro bikini da história, numa apresentação, em Paris, que deu brado, no dia 4 de Julho de 1946, pouco mais de três mesas após me terem cortado o cordão umbilical.

Esta novidade bombástica, inspirada no Atol de Bikini, uma ilha do Pacífico onde foram feitos testes nucleares, veio deitar para o verdadeiro lixo muitos dos anteriores fatos de banho femininos.

E é também em plena época estival que, volvidos 65 anos deste evento, vem uma agência de rating do Pacífico, e também do Atlântico, deixar-nos lixados com a sua “oferta” de nível de lixo, pelo que apetece dizer: “Que se lixem!”, ou mesmo, “Ide-vos lixar!”.

E, assim sendo, termino como comecei.

Foi interessante ver, pela primeira vez, o excelente aproveitamento das Escadas do Raimundo e do Largo de Infantaria XXI, para uma noite de fados, com comes e bebes… Estão de parabéns os organizadores e compete à Câmara Municipal agarrar esta excelente ideia para os próximos anos, se não nos mandarem para o lixo.

E o meu amigo professor Eduardo Cavaco, também para terminar, vi-o neste último sábado, 9 de Julho, no programa da RTP, “Prove Portugal”, com a apresentação de Carlos Alberto Moniz e a bonita e simpática Ana Galvão (mesmo sem bikini…), verdadeiramente entusiasmado a defender a gastronomia covilhanense e da Beira Baixa, representando a Confraria da Pastinaca (Cherovia) e Pastel de Molho.


(In Notícias da Covilhã, de 13.07.2011)

23 de junho de 2011

O COPIANÇO E O DR. CASTRO MARTINS

Sensação foi a notícia de futuros magistrados terem copiado em exames para magistratura.

Apesar de apanhados na rede, o Centro de Estudos Judiciários (CEJ) decidiu anular a prova mas manter a passagem na mesma, com 10 valores, a todos os infractores. Serão estes, futuros juízes e procuradores…Que grande exemplo para o nosso país, tão empobrecido na justiça!...

Nos meus tempos de estudante havia um clima geral de emoção na época de exames.

Os jornais diários dedicavam algumas páginas aos exames, publicando os textos dos pontos escritos e as soluções. Toda a família vivia o acompanhamento dos seus filhos, até à porta da escola; ou mesmo do Liceu ou da Escola Industrial, onde eram efectuados os exames de admissão ao ensino secundário, então na altura, depois dos da 4.ª classe.

Os exames, no Ciclo Preparatório, só se realizavam no 2.º ano (actualmente, 6.º ano).

Depois, por aí fora, conforme os anos e as disciplinas.

No final dos exames, à saída, havia a preocupação de conversar com alguns colegas, trocando impressões, ou verificar/conferir as respostas ou cálculos matemáticos, se certos ou errados.

Surgia a ansiedade pelos resultados a colocar nas vitrinas.

Numa cena dos tempos de estudante, no 2.º ano do Ciclo Preparatório, na Escola Industrial e Comercial Campos Melo, nos finais da década de cinquenta do século passado, o professor de Língua e História Pátria – Dr. Manuel de Castro Martins – mandou fazer um ponto escrito (teste). O texto de desenvolvimento era a descrição da viagem de circum-navegação, de Fernão de Magalhães.

Caiu-me que nem um figo. No livro de Ciências Geográfico-Naturais, de outra disciplina, vinha a viagem bem descrita e, de certo modo, resumida, num capítulo sobre a forma e dimensões da Terra… Tinha-a lido várias vezes, e fixado, quase de cor. Tratava-se dum tema duma disciplina que não pertencia ao Dr. Castro Martins. Fiquei satisfeito. Senti que o teste me iria correr bem.

No intervalo da aula seguinte à do teste, um colega soa-me aos ouvidos que o “ponto” lhe correu bem, e confidenciou que veio mesmo a calhar ter ali o livro de “Ciências” à mão, para a aula seguinte… foi só copiar… Fiquei apreensivo, porque iria dar barracada…

Surgida a aula do Dr. Castro Martins e consequente entrega dos pontos escritos, somos chamados para o estrado junto à sua secretária e, em voz alta, para todos os alunos ouvirem, quis saber o porquê de aparecerem dois testes aparentemente iguais, o que lhe causava uma certa perplexidade na classificação, e, por isso, queria saber o que se tinha passado.

De imediato, esclareci que sabia narrar a viagem de circum-navegação, estudada no livro de “Ciências”, e, se quisesse a prova de que não copiei, que me perguntasse ali.

- “Então diz lá” – perguntou o professor.

Comecei a desbobinar, certinho, pelo que me mandou ir para o lugar.

- “Agora conta lá tu” – dirigindo-se para o outro colega.

Este começa a gaguejar, a não dar trinta por uma linha, e manda-o também para o lugar.

No final, entrega-nos os pontos escritos, com as notas de “bom” , no meu; e “medíocre” no do colega.

Tive o privilégio de continuar a ter o Dr. Castro Martins, mais tarde, como professor de “Português” – a quem muito devo – em 1964. Neste mesmo ano, na disciplina de “Francês”, a sua esposa, Dr. Edite Arriaga Castro Martins. Foram professores de excelência.

O nome que uma das ruas da cidade da Covilhã ostenta – Rua Dr. Manuel de Castro Martins – na sua zona moderna, faz jus ao mérito patenteado na qualidade da sua forma de ensinar na Covilhã, tendo ainda sido director do extinto Colégio Moderno.
(In Notícias da Covilhã, 23/06/2011)

Casal Castro Martins, uns meses antes do falecimento do marido

Num restaurante da cidade da Covilhã, em 1967, tendo o Dr. Castro Martins acabado de discursar, na presença do Dr. Duarte Simões

A Dr. Edite Castro Martins, viúva, na última visita à Covilhã, à saída da Escola Campos Melo, aquando da homenagem que a APAE Campos Melo, da minha presidência, prestou aos antigos professores daquela Escola, da década de 60, no dia 14-12-1996

16 de junho de 2011

O 10 DE JUNHO E A ALMA DE UM POVO

“ O problema está em nós. Nós como povo. Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico de noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Fico triste. Porque ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias. Somos nós que temos que mudar. Decidi procurar o responsável e estou seguro que o encontrarei quando me olhar ao espelho. Aí está. E você, o que pensa?...Medite!” – frases, salteadas, de parte de uma reflexão de Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25.08.2007).

A caneta com que hoje escrevemos é substituída pelo digitar dos dedos sobre umas teclas. As canetas antigas borravam ou deitavam tinta: MontBlanc, Pelikanm Lamy…

Surgiram outras. Com elas se enlevou a alma do povo português – terra de descobridores, de cientistas, de sábios e de santos –, (assim diziam os manuais escolares da primária d’outrora).

E foi a “10 de Junho” de 1943 que foi patenteada a caneta esferográfica, substituindo a caneta-tinteiro, invenção do jornalista húngaro László Biró.

Esta data que comemora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, curiosamente também se insere em vários eventos, para além do dia do falecimento do nosso maior poeta de todos os tempos, Luís Vaz de Camões, em 10 de Junho de 1580:

- Falecimento de Alexandre III da Macedónia, o Grande ou Magno, em 10 de Junho do ano 323 antes de Cristo, na Babilónia, com 32 anos; fundação, nos EUA (Nova Iorque) do grupo de auto ajuda para dependentes do álcool, sob a designação Alcoólicos Anónimos, no dia 10 de Junho de 1935; como também as declarações de guerra à França e à Grã-Bretanha, por Mussolini, líder italiano, no dia 10 de Junho de 1940, para, no mesmo dia, o Canadá declarar guerra à Itália.

- Mas também de algum alívio, como o fim da Guerra dos Seis Dias, ganha por Israel, em 10 de Junho de 1967; e o Conflito do Kosovo, em 10 de Junho de 1999, com a Jugoslávia a assinar o acordo para encerrar o conflito.

A nossa guerra é política e financeira. Portugal subiu ao segundo lugar no ranking dos países com maior risco de bancarrota, tendo perdido quase 19 mil empresas em apenas três anos.

Pela primeira vez em Portugal, neste 10 de Junho de 2011, na sessão solene de Estado, em Castelo Branco, reuniu dois primeiros-ministros: o do ainda Governo de gestão, José Sócrates, e o eleito nas urnas há menos de uma semana, Pedro Passos Coelho.

Cavaco Silva falou sobre o momento delicado que se vive na sociedade portuguesa. Parafraseou o médico do século XVI – Amato Lusitano : “não há cura para aquele que não quer ser curado”.

As comemorações do 10 de Junho começaram por ser exaltadas com o Estado Novo, a partir de 1933, passando o “Dia de Camões” a ser festejado a nível nacional, sob a designação de “Dia de Camões, de Portugal e da Raça”, em memória às vítimas da guerra colonial. A partir de 1963, o feriado assumiu-se como uma homenagem às Forças Armadas e numa exaltação da guerra e do poder colonial. Eram então as condecorações aos que se distinguiam em combate e, tristemente, aos familiares dos que tombaram durante a guerra nas colónias.

A segunda república não se reviu neste feriado e, por isso, em 1978, converte-o em “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.

É bom, pois, que a alma do povo português se reveja neste dia, onde o colorido das manifestações tem sido de regalar os olhos – este ano até aproveitando-se a festa da cereja, em Alcongosta, concelho do Fundão. E, a propósito, foi também num dia 10 de Junho (do ano 1907) que os irmãos franceses Auguste e Louis Lumiere passaram a comercializar, pela primeira vez, o “Auto Chrome”, ou seja, processo fotográfico com reprodução de cores.

Não nos podemos deixar cair na decadência mas sim abrir a porta de esperança.

Não podemos continuar a consumir mais de dez por cento do que aquilo que produzimos.

Não podemos continuar, logo que surja “a primeira distracção dos nossos credores a tentar repetir a manha de sempre e dar o remédio a lamber ao cão”, conforme palavras de José Manuel Fernandes, no Público de 3 de Junho, mas sim elevar a nossa alma de portugueses, com amor á sua pátria, de verdade.

(In “Notícias da Covilhã” e “Jornal do Fundão”, de 16.06.2011)

13 de junho de 2011

Almoço-convívio dos reformados da Liberty Seguros, realizado no dia 13.06.2011, no Restaurante Búfalo Grill, no Parque das Nações, em Lisboa


 Palavras de João Nunes, convidado pelo Dr. José António de Sousa, para falar em nome dos antigos Colegas, reformados, como ele 



Prezado Amigo Dr. José António de Sousa,
Prezados Responsáveis pelos vários Sectores da grande Seguradora Liberty,
Prezados Amigos e Companheiros da mesma condição de vida como eu,

Talvez não fosse a pessoa mais acertada para transmitir umas palavras neste evento, mas, paradoxalmente, estou muito entusiasmado e feliz pelo amável convite do meu especial amigo, Dr. José António.
E ele sabe bem porquê.
Sou um homem de memórias. E hoje, aqui, em dia de Santo António, volta-se mais uma página da história de cada um de nós.
E, se a velhice é um posto, conseguimos esta promoção da vida, atingindo a condição de reformados.
Pois bem, todos nós, “os promovidos por esta condição de vida”, somos oriundos da Europeia, Seguradora adquirida pela Liberty Seguros, esta que, num rasgo de imaginação dos seus progenitores, deu corpo ao lema “Pela protecção dos valores da vida”.
Se folhearmos as páginas da vida de cada um de nós, (reporto-me, evidentemente, à vida no seio da actividade seguradora em que estivemos ou ainda estamos inseridos) verificamos que houve altos e baixos, ânimos e desalentos, mas, entre os ventos e marés, uma coisa acaba por nos unir – a amizade entre os companheiros de jornada, ainda que entrelaçada pela saudade dos tempos d’outrora.  
E aqui recordo quando, naquela manhã de segunda-feira, de 4 de Junho do ano da graça de 1973, na “idade da pedra” em relação à inexistência das tecnologias que hoje abundam, foi a minha entrada para me apresentar, então com 27 anos, no mesmo edifício que hoje ainda é Sede da Companhia, com destino para os então Escritórios da Covilhã. Fui recebido pela D. Helena Ranito e pelo então Subdirector, Sr. Jorge Marques Ferreira.
Apreensivo, temeroso, mas com uma vontade indómita para prosseguir caminho, levou a que os anos dissipassem a apreensão e os temores, e a vontade de caminhar, em vez de se dissipar com a nossa actual condição de vida, foi-se mantendo cada vez mais viva, porque o caminho faz-se caminhando.
Dos muitos antigos Colegas, uma fatia aqui presentes, ficaram recordações importantes, incluindo os que já partiram para a outra margem da vida e que dos mesmos fica a saudade.
Sou, como atrás disse, um homem de memórias. É que, para além do nosso empenho profissional, do espaço temporal que medeia, ou mediou, entre a profissão e as nossas famílias – quantas vezes prejudicadas pela actividade – houve quem se pudesse empenhar mais em determinadas ocasiões, ou determinadas circunstâncias, em prol do lema de excelência da Liberty, já referido – Pela protecção dos valores da vida.
E é por esse valores que me debato, sendo que a amizade, hoje representada neste convívio de reformados, é um desses valores.
Sempre que posso, e a inspiração ou a oportunidade me permitem, faço referência, nas minhas publicações, textos ou crónicas, e por via da Internet, destes momentos inesquecíveis – e este não será excepção – fazendo também jus aos valores, tantas vezes esquecidos pela humildade dos seus protagonistas.
É inquestionável que este encontro será objecto de uma referência na Revista “Liberty em Acção”, não é verdade, Dr. José António?
Termino, com o forte desejo de que todos os antigos Colegas do mesmo ofício, aqui presentes, e também os ausentes, tenham muita saúde e as maiores venturas.
Para o meu bom Amigo, Dr. José António, os restantes membros desta equipa da Liberty, que se encontram ainda em actividade, uma palavra de paciência para comigo – reformado mas ainda não parado – pelo que têm que me aturar ainda durante algum tempo enquanto me mantiver com energia positiva.
Do coração, para todos, um grande abraço!

  O administrador e CEO da Liberty, Dr. José António de Sousa, no uso da palavra
 
João Nunes falando com o antigo Colega e director comercial da Europeia, Vasco Mendes

    Diversão durante o almoço-convívio

 Durante o almoço convívio dos Reformados da Liberty Seguros

Diversão durante o almoço-convívio

2 de junho de 2011

UM MOVIMENTO EM MOVIMENTO

Desde sempre houve lutas pelas injustiças sociais, entre trabalhadores e patrões. Reclamaram-se direitos e deveres, vertentes estas do trabalho nem sempre respeitadas.

A desumanização, a falta de dignidade pelo homem e pela mulher, desde tempos longínquos, foram de grande repulsa, ainda que interiormente suportada no âmago dos corações de cada ser humano, como a escravatura, sustentada num silêncio dilacerado.

Os tempos foram correndo, e evoluindo, para o bem mas também para o mal. Emergiram homens que, deste nome, mais lhe cabiam o de carniceiros, num desejo forte duma abrangência do mundo só para si e para os da sua corte.

Mas, também um séquito dos que espreitaram e espreitam essa corte, sempre existiu até aos dias de hoje. São os que aforram as calças para trepar o muro a fim de permanecer por uns momentos, olhando de soslaio o lado mais propício para saltar. Eram e são os homens da informação sobre os subjugados para os de decisão, os homens do mando…

“É bom trabalhador, cumpridor, mas…um gajo que não é do nosso lado…” E, assim, muitas famílias se viram privadas de um direito que era o pão ganho com o seu suor, por vezes adquirido com a última moeda retirada do bolso mais escondido da sua albarda, mas que ainda podia enganar a fome dos seus filhos, ranhosos com o choro.

Era uma vez um tempo em que houve uma Primeira Grande Guerra Mundial. Se dificuldades haviam no seio dos trabalhadores, agravar-se-iam. Decorriam somente duas décadas após aquelas lutas sangrentas, quando surge a segunda, mais terrificadora, e destruidora, de bens patrimoniais e vidas humanas.

Entre as duas grandes guerras mundiais, agravantes nos sofrimentos dos trabalhadores, surge uma alma que dá pelo nome de Joseph Cardijn, belga, filho de um cocheiro-jardineiro e duma empregada doméstica. Sobe ao mesmo muro, atrás referido, não de soslaio nem para escolher o lado mais agradável para saltar, mas para se revoltar e actuar contra toda a miséria que existia dos dois lados do globo! Ali, coloca uma bandeira imaginável que haveria de revolucionar o mundo dos jovens trabalhadores. Em 1925, funda a JOC – Juventude Operária Católica, que se haveria de estender por todos os continentes.

Trata-se então dum movimento para jovens dos 14 aos 30 anos para dar resposta às situações de sofrimento e exploração vivida pelos jovens operários, e à necessidade da Igreja Católica os entender e organizar.

Dez anos depois, a JOC, que foi o único movimento juvenil na igreja portuguesa até ao Concílio Vaticano II, dava os primeiros passos em Portugal.

O Mundo, e a Europa, após a Segunda Grande Guerra, começam a tentar organizar-se. Unem-se alguns países, em organizações económicas e de outras vertentes, ainda que venha a surgir uma Guerra-Fria. Pelo Tratado de Paris, em 1951, estabelece-se a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Vai evoluindo com outras designações, e outras acções próprias, passando a CEE, hoje União Europeia (UE). Junta-se-lhes Portugal e Espanha em 1986. Em 1 de Janeiro de 2007, passaram a somar 27 países.

Quando tudo deveria passar por um melhor bem-estar para as populações e, consequentemente, os seus trabalhadores, vem a verificar-se, cada vez mais, a necessidade do movimento operário cristão, fundado por monsenhor Joseph Cardijn, mais tarde cardeal, se manter vivo e dinâmico.

Foi assim que, no sábado, dia 28 de Maio, um grupo de antigos jocistas e vários membros da organização sequencial da JOC, a LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, evocou os 75 anos deste movimento em Portugal, no Seminário do Tortosendo.

Com a presença da Coordenadora Nacional do movimento, Fátima Almeida; da antiga Dirigente Livre da Diocese da Guarda, Camila, que trabalhou na empresa Coelima e foi presidente dum Sindicato; do antigo assistente diocesano, padre Fernando Brito (muito acarinhado face aos muitos anos que esteve como assistente, em tempos difíceis de ditadura), foram muito interessantes os testemunhos, marcados por vezes por expressões sentimentais, de antigos jocistas que sofreram com a ditadura as graves crises por que passaram. Foram tempos de trabalho negado no devido pagamento salarial, onde, por vezes, os habituais subterfúgios não encontravam atropelos, nos tempos de então, pelos Governos do Estado Novo.

Depois de alguns se expressarem, e ficar assente que se desse continuidade a este tipo de acções, para denúncia dos males que continuam a afectar os tempos difíceis de hoje, em várias vertentes, seguiu-se um ameno jantar, após a Eucaristia, presidida pelo actual assistente diocesano. No final do jantar seguiu-se um serão convívio, participando a cantata do Rancho Folclórico da Boidobra, onde surgiram as castanholas com pedras do Rio Zêzere, e pinhas dos pinhais da região, para além das violas e adufes, cuja actuação, como lhes é peculiar, a todos agradou.


 




 




In Notícias da Covilhã, de 02/06/2011