13 de julho de 2011

QUE SE LIXE O LIXO

Acabaram ainda há pouco tempo as festas dos santos populares, com a participação de muitos covilhanenses nos vários eventos pela cidade distribuídos.

Num desses dias, como noutros mais, no jardim público, num aprazível ambiente em que até os “santos dançam”, na expressão do dinâmico professor Eduardo Cavaco – uma alma das festas populares da Covilhã –, batiam as badaladas anunciando as 23 horas, no sino da igreja de S. Francisco, quando o professor, depois de tangos e de valsas, sorteava o loto. E, entre sardinhas, bifanas, cervejas e tintol, nem se pensava na lixeira que por aí nos vinham trazer à porta.

Entre farturas de falhadas esperanças, adocicadas numa fritura já desesperante, e depois de alguns momentos de expectativa numa outra forma de conduzir o autocarro político nacional, surge o “murro no estômago” do novo primeiro-ministro português.

E, neste lixar dos portugueses, vem a agência de rating – Moody’s – anunciar a revisão em baixa da notação de risco atribuída aos títulos emitidos pela República Portuguesa, para o nada edificante nível de lixo.

Chega-se à conclusão que as agências de rating americanas dizem o que interessa aos americanos, se atentarmos que o nascimento da crise actual teve como consequência o facto da falência do senhor Madoff, imediatamente seguida da falência do enormíssimo banco americano Lehman & Brothers.

E é a fragilidade de vários países europeus que origina um frenesi nas agências de rating.   

Se não é o interesse americano, onde é que está a credibilidade da Moody,s, ao direccionar-nos para o lixanço, quando atribuiu uma nota de excelência ao citado banco, que, passado pouco tempo, entrou em falência; assim como idêntica atribuição à Islândia, que, paradoxalmente, entrou na bancarrota?

E, nesta lixadela, (que isto de lixa não usamos para polir o País) vale mais mandá-los às malvas, ou, mais propriamente, para o rating que os parta!

Ou há moralidade, ou comem todos, como soe dizer-se.

Lixo?!

Os europeus não são parvos. Mas é preciso que sejam mais atentos e atrevidos, formando as suas agências de rating, para competir e/ou enfrentar as americanas.

E foram os europeus que, fartos de calor, criaram o bikini há 65 anos, tendo a bailarina Micheline Bernardini vestido o primeiro bikini da história, numa apresentação, em Paris, que deu brado, no dia 4 de Julho de 1946, pouco mais de três mesas após me terem cortado o cordão umbilical.

Esta novidade bombástica, inspirada no Atol de Bikini, uma ilha do Pacífico onde foram feitos testes nucleares, veio deitar para o verdadeiro lixo muitos dos anteriores fatos de banho femininos.

E é também em plena época estival que, volvidos 65 anos deste evento, vem uma agência de rating do Pacífico, e também do Atlântico, deixar-nos lixados com a sua “oferta” de nível de lixo, pelo que apetece dizer: “Que se lixem!”, ou mesmo, “Ide-vos lixar!”.

E, assim sendo, termino como comecei.

Foi interessante ver, pela primeira vez, o excelente aproveitamento das Escadas do Raimundo e do Largo de Infantaria XXI, para uma noite de fados, com comes e bebes… Estão de parabéns os organizadores e compete à Câmara Municipal agarrar esta excelente ideia para os próximos anos, se não nos mandarem para o lixo.

E o meu amigo professor Eduardo Cavaco, também para terminar, vi-o neste último sábado, 9 de Julho, no programa da RTP, “Prove Portugal”, com a apresentação de Carlos Alberto Moniz e a bonita e simpática Ana Galvão (mesmo sem bikini…), verdadeiramente entusiasmado a defender a gastronomia covilhanense e da Beira Baixa, representando a Confraria da Pastinaca (Cherovia) e Pastel de Molho.


(In Notícias da Covilhã, de 13.07.2011)

23 de junho de 2011

O COPIANÇO E O DR. CASTRO MARTINS

Sensação foi a notícia de futuros magistrados terem copiado em exames para magistratura.

Apesar de apanhados na rede, o Centro de Estudos Judiciários (CEJ) decidiu anular a prova mas manter a passagem na mesma, com 10 valores, a todos os infractores. Serão estes, futuros juízes e procuradores…Que grande exemplo para o nosso país, tão empobrecido na justiça!...

Nos meus tempos de estudante havia um clima geral de emoção na época de exames.

Os jornais diários dedicavam algumas páginas aos exames, publicando os textos dos pontos escritos e as soluções. Toda a família vivia o acompanhamento dos seus filhos, até à porta da escola; ou mesmo do Liceu ou da Escola Industrial, onde eram efectuados os exames de admissão ao ensino secundário, então na altura, depois dos da 4.ª classe.

Os exames, no Ciclo Preparatório, só se realizavam no 2.º ano (actualmente, 6.º ano).

Depois, por aí fora, conforme os anos e as disciplinas.

No final dos exames, à saída, havia a preocupação de conversar com alguns colegas, trocando impressões, ou verificar/conferir as respostas ou cálculos matemáticos, se certos ou errados.

Surgia a ansiedade pelos resultados a colocar nas vitrinas.

Numa cena dos tempos de estudante, no 2.º ano do Ciclo Preparatório, na Escola Industrial e Comercial Campos Melo, nos finais da década de cinquenta do século passado, o professor de Língua e História Pátria – Dr. Manuel de Castro Martins – mandou fazer um ponto escrito (teste). O texto de desenvolvimento era a descrição da viagem de circum-navegação, de Fernão de Magalhães.

Caiu-me que nem um figo. No livro de Ciências Geográfico-Naturais, de outra disciplina, vinha a viagem bem descrita e, de certo modo, resumida, num capítulo sobre a forma e dimensões da Terra… Tinha-a lido várias vezes, e fixado, quase de cor. Tratava-se dum tema duma disciplina que não pertencia ao Dr. Castro Martins. Fiquei satisfeito. Senti que o teste me iria correr bem.

No intervalo da aula seguinte à do teste, um colega soa-me aos ouvidos que o “ponto” lhe correu bem, e confidenciou que veio mesmo a calhar ter ali o livro de “Ciências” à mão, para a aula seguinte… foi só copiar… Fiquei apreensivo, porque iria dar barracada…

Surgida a aula do Dr. Castro Martins e consequente entrega dos pontos escritos, somos chamados para o estrado junto à sua secretária e, em voz alta, para todos os alunos ouvirem, quis saber o porquê de aparecerem dois testes aparentemente iguais, o que lhe causava uma certa perplexidade na classificação, e, por isso, queria saber o que se tinha passado.

De imediato, esclareci que sabia narrar a viagem de circum-navegação, estudada no livro de “Ciências”, e, se quisesse a prova de que não copiei, que me perguntasse ali.

- “Então diz lá” – perguntou o professor.

Comecei a desbobinar, certinho, pelo que me mandou ir para o lugar.

- “Agora conta lá tu” – dirigindo-se para o outro colega.

Este começa a gaguejar, a não dar trinta por uma linha, e manda-o também para o lugar.

No final, entrega-nos os pontos escritos, com as notas de “bom” , no meu; e “medíocre” no do colega.

Tive o privilégio de continuar a ter o Dr. Castro Martins, mais tarde, como professor de “Português” – a quem muito devo – em 1964. Neste mesmo ano, na disciplina de “Francês”, a sua esposa, Dr. Edite Arriaga Castro Martins. Foram professores de excelência.

O nome que uma das ruas da cidade da Covilhã ostenta – Rua Dr. Manuel de Castro Martins – na sua zona moderna, faz jus ao mérito patenteado na qualidade da sua forma de ensinar na Covilhã, tendo ainda sido director do extinto Colégio Moderno.
(In Notícias da Covilhã, 23/06/2011)

Casal Castro Martins, uns meses antes do falecimento do marido

Num restaurante da cidade da Covilhã, em 1967, tendo o Dr. Castro Martins acabado de discursar, na presença do Dr. Duarte Simões

A Dr. Edite Castro Martins, viúva, na última visita à Covilhã, à saída da Escola Campos Melo, aquando da homenagem que a APAE Campos Melo, da minha presidência, prestou aos antigos professores daquela Escola, da década de 60, no dia 14-12-1996

16 de junho de 2011

O 10 DE JUNHO E A ALMA DE UM POVO

“ O problema está em nós. Nós como povo. Porque pertenço a um país onde a esperteza é a moeda sempre valorizada, tanto ou mais do que o euro. Um país onde ficar rico de noite para o dia é uma virtude mais apreciada do que formar uma família baseada em valores e respeito aos demais. Fico triste. Porque ainda que Sócrates se fosse embora hoje, o próximo que o suceder terá que continuar a trabalhar com a mesma matéria-prima defeituosa que, como povo, somos nós mesmos. Não esperemos acender uma vela a todos os santos, a ver se nos mandam um Messias. Somos nós que temos que mudar. Decidi procurar o responsável e estou seguro que o encontrarei quando me olhar ao espelho. Aí está. E você, o que pensa?...Medite!” – frases, salteadas, de parte de uma reflexão de Eduardo Prado Coelho, antes de falecer (25.08.2007).

A caneta com que hoje escrevemos é substituída pelo digitar dos dedos sobre umas teclas. As canetas antigas borravam ou deitavam tinta: MontBlanc, Pelikanm Lamy…

Surgiram outras. Com elas se enlevou a alma do povo português – terra de descobridores, de cientistas, de sábios e de santos –, (assim diziam os manuais escolares da primária d’outrora).

E foi a “10 de Junho” de 1943 que foi patenteada a caneta esferográfica, substituindo a caneta-tinteiro, invenção do jornalista húngaro László Biró.

Esta data que comemora o Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, curiosamente também se insere em vários eventos, para além do dia do falecimento do nosso maior poeta de todos os tempos, Luís Vaz de Camões, em 10 de Junho de 1580:

- Falecimento de Alexandre III da Macedónia, o Grande ou Magno, em 10 de Junho do ano 323 antes de Cristo, na Babilónia, com 32 anos; fundação, nos EUA (Nova Iorque) do grupo de auto ajuda para dependentes do álcool, sob a designação Alcoólicos Anónimos, no dia 10 de Junho de 1935; como também as declarações de guerra à França e à Grã-Bretanha, por Mussolini, líder italiano, no dia 10 de Junho de 1940, para, no mesmo dia, o Canadá declarar guerra à Itália.

- Mas também de algum alívio, como o fim da Guerra dos Seis Dias, ganha por Israel, em 10 de Junho de 1967; e o Conflito do Kosovo, em 10 de Junho de 1999, com a Jugoslávia a assinar o acordo para encerrar o conflito.

A nossa guerra é política e financeira. Portugal subiu ao segundo lugar no ranking dos países com maior risco de bancarrota, tendo perdido quase 19 mil empresas em apenas três anos.

Pela primeira vez em Portugal, neste 10 de Junho de 2011, na sessão solene de Estado, em Castelo Branco, reuniu dois primeiros-ministros: o do ainda Governo de gestão, José Sócrates, e o eleito nas urnas há menos de uma semana, Pedro Passos Coelho.

Cavaco Silva falou sobre o momento delicado que se vive na sociedade portuguesa. Parafraseou o médico do século XVI – Amato Lusitano : “não há cura para aquele que não quer ser curado”.

As comemorações do 10 de Junho começaram por ser exaltadas com o Estado Novo, a partir de 1933, passando o “Dia de Camões” a ser festejado a nível nacional, sob a designação de “Dia de Camões, de Portugal e da Raça”, em memória às vítimas da guerra colonial. A partir de 1963, o feriado assumiu-se como uma homenagem às Forças Armadas e numa exaltação da guerra e do poder colonial. Eram então as condecorações aos que se distinguiam em combate e, tristemente, aos familiares dos que tombaram durante a guerra nas colónias.

A segunda república não se reviu neste feriado e, por isso, em 1978, converte-o em “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas”.

É bom, pois, que a alma do povo português se reveja neste dia, onde o colorido das manifestações tem sido de regalar os olhos – este ano até aproveitando-se a festa da cereja, em Alcongosta, concelho do Fundão. E, a propósito, foi também num dia 10 de Junho (do ano 1907) que os irmãos franceses Auguste e Louis Lumiere passaram a comercializar, pela primeira vez, o “Auto Chrome”, ou seja, processo fotográfico com reprodução de cores.

Não nos podemos deixar cair na decadência mas sim abrir a porta de esperança.

Não podemos continuar a consumir mais de dez por cento do que aquilo que produzimos.

Não podemos continuar, logo que surja “a primeira distracção dos nossos credores a tentar repetir a manha de sempre e dar o remédio a lamber ao cão”, conforme palavras de José Manuel Fernandes, no Público de 3 de Junho, mas sim elevar a nossa alma de portugueses, com amor á sua pátria, de verdade.

(In “Notícias da Covilhã” e “Jornal do Fundão”, de 16.06.2011)

13 de junho de 2011

Almoço-convívio dos reformados da Liberty Seguros, realizado no dia 13.06.2011, no Restaurante Búfalo Grill, no Parque das Nações, em Lisboa


 Palavras de João Nunes, convidado pelo Dr. José António de Sousa, para falar em nome dos antigos Colegas, reformados, como ele 



Prezado Amigo Dr. José António de Sousa,
Prezados Responsáveis pelos vários Sectores da grande Seguradora Liberty,
Prezados Amigos e Companheiros da mesma condição de vida como eu,

Talvez não fosse a pessoa mais acertada para transmitir umas palavras neste evento, mas, paradoxalmente, estou muito entusiasmado e feliz pelo amável convite do meu especial amigo, Dr. José António.
E ele sabe bem porquê.
Sou um homem de memórias. E hoje, aqui, em dia de Santo António, volta-se mais uma página da história de cada um de nós.
E, se a velhice é um posto, conseguimos esta promoção da vida, atingindo a condição de reformados.
Pois bem, todos nós, “os promovidos por esta condição de vida”, somos oriundos da Europeia, Seguradora adquirida pela Liberty Seguros, esta que, num rasgo de imaginação dos seus progenitores, deu corpo ao lema “Pela protecção dos valores da vida”.
Se folhearmos as páginas da vida de cada um de nós, (reporto-me, evidentemente, à vida no seio da actividade seguradora em que estivemos ou ainda estamos inseridos) verificamos que houve altos e baixos, ânimos e desalentos, mas, entre os ventos e marés, uma coisa acaba por nos unir – a amizade entre os companheiros de jornada, ainda que entrelaçada pela saudade dos tempos d’outrora.  
E aqui recordo quando, naquela manhã de segunda-feira, de 4 de Junho do ano da graça de 1973, na “idade da pedra” em relação à inexistência das tecnologias que hoje abundam, foi a minha entrada para me apresentar, então com 27 anos, no mesmo edifício que hoje ainda é Sede da Companhia, com destino para os então Escritórios da Covilhã. Fui recebido pela D. Helena Ranito e pelo então Subdirector, Sr. Jorge Marques Ferreira.
Apreensivo, temeroso, mas com uma vontade indómita para prosseguir caminho, levou a que os anos dissipassem a apreensão e os temores, e a vontade de caminhar, em vez de se dissipar com a nossa actual condição de vida, foi-se mantendo cada vez mais viva, porque o caminho faz-se caminhando.
Dos muitos antigos Colegas, uma fatia aqui presentes, ficaram recordações importantes, incluindo os que já partiram para a outra margem da vida e que dos mesmos fica a saudade.
Sou, como atrás disse, um homem de memórias. É que, para além do nosso empenho profissional, do espaço temporal que medeia, ou mediou, entre a profissão e as nossas famílias – quantas vezes prejudicadas pela actividade – houve quem se pudesse empenhar mais em determinadas ocasiões, ou determinadas circunstâncias, em prol do lema de excelência da Liberty, já referido – Pela protecção dos valores da vida.
E é por esse valores que me debato, sendo que a amizade, hoje representada neste convívio de reformados, é um desses valores.
Sempre que posso, e a inspiração ou a oportunidade me permitem, faço referência, nas minhas publicações, textos ou crónicas, e por via da Internet, destes momentos inesquecíveis – e este não será excepção – fazendo também jus aos valores, tantas vezes esquecidos pela humildade dos seus protagonistas.
É inquestionável que este encontro será objecto de uma referência na Revista “Liberty em Acção”, não é verdade, Dr. José António?
Termino, com o forte desejo de que todos os antigos Colegas do mesmo ofício, aqui presentes, e também os ausentes, tenham muita saúde e as maiores venturas.
Para o meu bom Amigo, Dr. José António, os restantes membros desta equipa da Liberty, que se encontram ainda em actividade, uma palavra de paciência para comigo – reformado mas ainda não parado – pelo que têm que me aturar ainda durante algum tempo enquanto me mantiver com energia positiva.
Do coração, para todos, um grande abraço!

  O administrador e CEO da Liberty, Dr. José António de Sousa, no uso da palavra
 
João Nunes falando com o antigo Colega e director comercial da Europeia, Vasco Mendes

    Diversão durante o almoço-convívio

 Durante o almoço convívio dos Reformados da Liberty Seguros

Diversão durante o almoço-convívio

2 de junho de 2011

UM MOVIMENTO EM MOVIMENTO

Desde sempre houve lutas pelas injustiças sociais, entre trabalhadores e patrões. Reclamaram-se direitos e deveres, vertentes estas do trabalho nem sempre respeitadas.

A desumanização, a falta de dignidade pelo homem e pela mulher, desde tempos longínquos, foram de grande repulsa, ainda que interiormente suportada no âmago dos corações de cada ser humano, como a escravatura, sustentada num silêncio dilacerado.

Os tempos foram correndo, e evoluindo, para o bem mas também para o mal. Emergiram homens que, deste nome, mais lhe cabiam o de carniceiros, num desejo forte duma abrangência do mundo só para si e para os da sua corte.

Mas, também um séquito dos que espreitaram e espreitam essa corte, sempre existiu até aos dias de hoje. São os que aforram as calças para trepar o muro a fim de permanecer por uns momentos, olhando de soslaio o lado mais propício para saltar. Eram e são os homens da informação sobre os subjugados para os de decisão, os homens do mando…

“É bom trabalhador, cumpridor, mas…um gajo que não é do nosso lado…” E, assim, muitas famílias se viram privadas de um direito que era o pão ganho com o seu suor, por vezes adquirido com a última moeda retirada do bolso mais escondido da sua albarda, mas que ainda podia enganar a fome dos seus filhos, ranhosos com o choro.

Era uma vez um tempo em que houve uma Primeira Grande Guerra Mundial. Se dificuldades haviam no seio dos trabalhadores, agravar-se-iam. Decorriam somente duas décadas após aquelas lutas sangrentas, quando surge a segunda, mais terrificadora, e destruidora, de bens patrimoniais e vidas humanas.

Entre as duas grandes guerras mundiais, agravantes nos sofrimentos dos trabalhadores, surge uma alma que dá pelo nome de Joseph Cardijn, belga, filho de um cocheiro-jardineiro e duma empregada doméstica. Sobe ao mesmo muro, atrás referido, não de soslaio nem para escolher o lado mais agradável para saltar, mas para se revoltar e actuar contra toda a miséria que existia dos dois lados do globo! Ali, coloca uma bandeira imaginável que haveria de revolucionar o mundo dos jovens trabalhadores. Em 1925, funda a JOC – Juventude Operária Católica, que se haveria de estender por todos os continentes.

Trata-se então dum movimento para jovens dos 14 aos 30 anos para dar resposta às situações de sofrimento e exploração vivida pelos jovens operários, e à necessidade da Igreja Católica os entender e organizar.

Dez anos depois, a JOC, que foi o único movimento juvenil na igreja portuguesa até ao Concílio Vaticano II, dava os primeiros passos em Portugal.

O Mundo, e a Europa, após a Segunda Grande Guerra, começam a tentar organizar-se. Unem-se alguns países, em organizações económicas e de outras vertentes, ainda que venha a surgir uma Guerra-Fria. Pelo Tratado de Paris, em 1951, estabelece-se a Comunidade Europeia do Carvão e do Aço. Vai evoluindo com outras designações, e outras acções próprias, passando a CEE, hoje União Europeia (UE). Junta-se-lhes Portugal e Espanha em 1986. Em 1 de Janeiro de 2007, passaram a somar 27 países.

Quando tudo deveria passar por um melhor bem-estar para as populações e, consequentemente, os seus trabalhadores, vem a verificar-se, cada vez mais, a necessidade do movimento operário cristão, fundado por monsenhor Joseph Cardijn, mais tarde cardeal, se manter vivo e dinâmico.

Foi assim que, no sábado, dia 28 de Maio, um grupo de antigos jocistas e vários membros da organização sequencial da JOC, a LOC/MTC – Liga Operária Católica/Movimento de Trabalhadores Cristãos, evocou os 75 anos deste movimento em Portugal, no Seminário do Tortosendo.

Com a presença da Coordenadora Nacional do movimento, Fátima Almeida; da antiga Dirigente Livre da Diocese da Guarda, Camila, que trabalhou na empresa Coelima e foi presidente dum Sindicato; do antigo assistente diocesano, padre Fernando Brito (muito acarinhado face aos muitos anos que esteve como assistente, em tempos difíceis de ditadura), foram muito interessantes os testemunhos, marcados por vezes por expressões sentimentais, de antigos jocistas que sofreram com a ditadura as graves crises por que passaram. Foram tempos de trabalho negado no devido pagamento salarial, onde, por vezes, os habituais subterfúgios não encontravam atropelos, nos tempos de então, pelos Governos do Estado Novo.

Depois de alguns se expressarem, e ficar assente que se desse continuidade a este tipo de acções, para denúncia dos males que continuam a afectar os tempos difíceis de hoje, em várias vertentes, seguiu-se um ameno jantar, após a Eucaristia, presidida pelo actual assistente diocesano. No final do jantar seguiu-se um serão convívio, participando a cantata do Rancho Folclórico da Boidobra, onde surgiram as castanholas com pedras do Rio Zêzere, e pinhas dos pinhais da região, para além das violas e adufes, cuja actuação, como lhes é peculiar, a todos agradou.


 




 




In Notícias da Covilhã, de 02/06/2011

28 de maio de 2011

CRÓNICA SEM TÍTULO

Depois de já ter redigido a habitual crónica para dois semanários regionais – um da Beira Interior e outro do Algarve – (graciosamente, entenda-se), não encontro apetência para um novo título.

Não quero dizer que as ideias não venham a surgir, mas não há título.

Também não é por qualquer apatia para com a revista “Ecos da APAE”. Pudera! Foi fundada por minha iniciativa aquando da presidência nesta associação de que muito prezo.

E, mais uma vez, repito, foi esta a primeira associação a constituir-se no país, no género, segundo a informação do então ministro da Educação, que foi convidado para as comemorações centenárias da Escola Campos Melo – o malogrado professor doutor José Augusto Seabra.

Efectivamente, no seu englobamento estão os antigos professores, os antigos alunos e os antigos empregados, considerando assim a massa humana da instituição de prestígio que foi a Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã.

Hoje é a prestigiada e centenária Escola Secundária Campos Melo, com os pergaminhos oriundos da sua centenária idade, e dos obreiros que a fortificaram, com a sua sapiência.

Ainda há dias, no facebook, escrevi no mural de Eugénia Melo e Castro – a Geninha – ; neta do antigo Director da Escola, Ernesto de Melo e Castro, e filha do poeta e escritor, com o mesmo nome; recordando-a, de tenra idade, na Escola Campos Melo, tendo a mesma respondido: “Que máximo, bons tempos aqueles lá na Covilhã, uma vida que dificilmente se consegue descrever…beijinhos”.

As notícias de quantos já passaram para o outro lado da vida trazem-me ao pensamento aqueles antigos colegas, companheiros de jornada e amigos que nos deixaram um legado de coisas importantes durante a sua vivência.

E, então, ou as preservamos e damos continuidade, ou deixamo-las passar para o lado do esquecimento e do desprezo.

Desses tempos da nossa juventude, académicos e do primeiro emprego, e em período de serviço militar obrigatório de então, com guerras coloniais, sobressaíam alguns colegas que sempre tiveram uma veia de expressão cultural, preservando a mesma nas conversas de amigos, mantendo interesse pela actualização de conhecimentos, e, como eu, adorámos ter uma biblioteca particular.

No espaço temporal das nossas vidas seguimos rumos diferentes, onde cada um assentou arraiais, e, duma forma mais concreta, nas suas próprias terras de origem, surgindo também ocupações diferenciadas.

Outros, encontraram a sua radicação noutros pousos, onde acabaram por se sentir naturalizados pelo coração.

E, quem gosta de memórias, por vezes consegue irmanar-se em redor de uns mais afoitos para encetarem a liderança na organização de encontros de amizades antigas.

Desses convívios, por vezes únicos para alguns, duradoiros para outros, resultam, quantas vezes, no reencontro de pessoas que já não se abraçavam há três ou quatro décadas.

É no encontro de antigos alunos, como de antigos associados de uma colectividade, ou de antigos combatentes, como, até, de amigas de longa data, de uma determinada rua, com seus maridos, como surgiu há uns meses, da Travessa do Viriato, em S. João de Malta, da Covilhã, reunidos em Abrantes.

Mas também há amizades especiais, oriundas dos tempos da nossa Escola Campos Melo, cujos temas e interesses se reforçam no dia a dia, através de telefonemas ou por via da Internet, referindo temas da cultura em geral, das memórias, ou na permuta de informações, obrigando a estarmos positivos.

Há dias chega às minhas mãos o livro “Porto – naçom de falares”, de Alfredo Mendes, simpática oferta do meu amigo e associado da APAE, Fernando Dias Pedrosa Gonçalves, a residir em Gondomar.

É um amigo atento e sempre presente, com aquele humor e boa disposição, a par da Ana Maria, sua mulher, sendo visita indispensável em sua casa quando passo pelo norte. E, os dois casais, lá vamos confraternizar, e, “como manda a lei”, fazer umas visitas e aproveitar os pratos tripeiros de nosso agrado.

Há poucos dias, quando regressava a casa, à noite, fui confrontado com um telefonema inesperado do meu amigo Fernando Pedrosa, já passava das vinte e três horas. Parei o carro no Largo de S. João de Malta para lhe transmitir umas dicas sobre a forma como actuar contra o condutor da moto que acabava de atropelar sua filha, que seria hospitalizada com alguma gravidade. Felizmente que já está em recuperação e a sua neta conseguir safar-se do acidente.

Volto-me agora para o “Porto – naçom de falares” que me faz recordar aquilo de que eu sempre gostei de falar – dos usos e costumes das nossas terras portuguesas.

Se, por estas bandas temos a nossa característica de linguajar, mormente em determinadas freguesias rurais – “Bonda! Não deites mais farelo aos bácoros!” ; “Fui à Fazenda p’ra mor de pagar a décema”; “A comida não está semenos”; “Atão, bota mais água” –; já nas zonas fronteiriças, como o Souto, Aldeia da Ponte e Sabugal também existem outras características na forma popular de se exprimirem – “Dá-me esse cavaco para pinchar o lume” ; “Vê aqueles homens empinados na camioneta?”, entre outras formas de expressão.

O Porto é aquela região sobejamente conhecida em todo o Portugal. Quando se juntam as gentes do País logo ressaltam os tripeiros com a sua força e o seu dialecto inconfundíveis, na tradicional troca do V pelo B, tão ridicularizada por gente de fora, mas a que Garrett soube retorquir:

“Se na nossa cidade há muito quem troque o b por v, há muito pouco quem troque a liberdade pela servidão”.

É interessante recordar o passado nortenho, e em “Porto – naçom de falares” memoriza os “catraios da rua a jogar a bola de trapos e a pedir um tostão à mãe para ir comprar um pirolito à Lindinha”.

Pois, “(…) sejam alcunhas, sejam frases compostas por palavras e emprego pouco frequente ou cujo sentido é utilizado de modo diferente do registado nos dicionários, ou é estranho à própria etimologia, estes falares são bairristas”.

Estas “pitadas de humor, ora sujeito às mais álacres invectivas (…) apoquenta-se o ouvidor quando lhe ressoam nos tímpanos os ecos de carroceiro, normalmente amortecidos pela usança; de contrário, pimenta na língua, ora pena capital nas altas e esconsas masmorras da escandaleira”.

“O chamado palavrão, o designado indecoroso, a peculiar rusticidade encarnam, na maior parte dos casos, outro sentido, outra intenção, diametralmente oposto ao que, a priori, qualquer forasteiro pode supor. O aplauso, o afago, o desejo, a admiração pontificam onde, em outros poisos nacionais, é tido como insulto, crítica, repúdio, ódio”.

Com o engenho e arte e doutas sapiências, “resultou então dessas errâncias, desses múltiplos contactos directos em ruas e vielas, avenidas, bairros sociais, salões nobres, tascos, colectividades culturais e desportivas, clubes privados, mercados, jardins, galerias, pescarias à linha e transportes públicos, um contributo modesto para os especialistas aprofundarem, queiram eles”, segundo a opinião de Alfredo Mendes, autor de “Porto – naçom de falares”.

“(…) Ao conviver com os pulsares da cidade, foliões, dramáticos, trágicos, remansosos, belicosos, enfadonhos, mobilizadores, meigos e sangrentos, permitindo-me um permanente assimilar de contos e ditos de empanzinar o mais desbarrigado”.

“Depois, valores mais altos se levantam: o reinventar de expressões, o apropriar da gíria, do calão e… da brejeirice, da natural ordinarice que, no Porto e concelhos vizinhos, tantas, tantas vezes leva o timbre da afectividade, que não o estigma da ofensa ou do insulto, tornando-se mesmo um código de amistosos relacionamentos (…)”.

(…) Auto-proclamando-se “cabouqueiro da língua, o mestre sustentou que o calão começou por ser uma língua de defesa do fraco contra o poderoso, do preso contra o carniceiro e algoz, do conspirador contra o juiz do tirano”.

E, nem mesmo quando os nortenhos se exprimem da forma como segue, “exultava eu perante um povo com os tomates no sítio, cachaporrada nos poderosos e suas pitanças e, ó desilusão!”, se conseguem os nossos intentos.

Vejam como os portuenses se acostumam, como normal das suas condutas, no seu linguarejar: “(…) Certa espalha-brasas sai a terreiro encarniçada contra maridos apanascados, badamecos sem emenda. (…) A matronaça bate a mão direita nas partes nadegueiras e, altissonante, para o que lhe havia de dar! (…) Ele é muito meu. Até já tenho calos dos tomates dele”.

Pegando nos termos nortenhos que me inspiraram – embora continue a não encontrar um título para esta crónica – recordo a conversa entre um colega alentejano e outro portuense: “Ah, porra, que já não m’alembrava de te dezer…oficialmente, casei três bezes. Isso mesmo, três bezes”.

Entremeando a brejeirice ou modos de falar nortenhos, com um pouco do que se passa por este nosso Portugal à beira-mar plantado, e, globalmente maltratado, podem-se memorizar facetas das nossas gentes, mesmo urbanas, ainda que nos meios rurais se verifique mais essa tal brejeirice, e que, duma forma ou doutra, adicionaram páginas ao anedotário da região, ou aos costumes de uma época, formando uma parte das estórias para a história regional.

Recordo, na minha meninice dos anos cinquenta do século passado, irritações de mulheres que brotavam vozes sequiosas do insulto, nas frequentes zangas familiares ou de vizinhança.

Da Pousadinha, a norte da Borralheira (designado Bairro de S. Vicente de Paulo) e, ali para o Beco das Lages, a Santa Maria, nos anos cinquenta do século passado, de feliz memória (mais abaixo, na Rua das Rosas, salvo erro, vivia a família numerosa Seabra), dei conta desse linguarejar fora do meio nortenho – quem é que não assistiu a tantas destas facetas?

E, já fora do comum dos cumprimentos dos dias de hoje, recordam-se quando o professor do Liceu da Covilhã, Dr. Leite de Castro, nos anos sessenta do século passado, cumprimentava as senhoras, com elevada educação? Pois tinha por costume beijar as mãos às damas, curvado com notória elegância.

E, como muito mais haveria para contar, e “Ecos da APAE” encheria as suas páginas, vou mesmo terminar, sem que antes agradeça, mais uma vez, ao meu amigo Fernando Pedrosa, a oferta do livro “Porto – naçom de falares”, excelente meio de inspiração para esta crónica sem título.

Termino com esta: “Em um palco ao ar livre, mesmo de costas para o rio Tua, um cantor das redondezas pulou, berrou, esperneou, ajoelhou, o que ele entoou amores pegadiços, furtivos, traiçoeiros, caprichosos, invejosos, enquanto umas jovens ruivas de corpinho quase, quase ao léu se bamboleavam de maneira a espicaçar a libido à assistência boquiaberta da Princesa do Tua”. Um atrevido lança umas bojardas e, acto imediato, um dos responsáveis pelo espectáculo responde:

- “Bocê desculpe, por acaso fizeram algum mal, carago?”

Por isso, termino como comecei, e pergunto ao meu amigo João Mugeiro: Por acaso tens que levar a mal porque não dei título à minha crónica, carago?

In Ecos da APAE”, no dia 28 de Maio de 2011


Em cima: o antigo professor da Escola Industrial e Comercial Campos Melo, Engº. Ernesto Melo e Castro, escritor, com a filha Eugénia Melo e Castro - ''Geninha Melo e Castro'' - conhecida no mundo da canção.
Em baixo: Geninha Melo e Castro partindo o bolo do aniversário dos 100 anos da Escola Campos Melo, ao lado do então Ministro da Educação, Professor José Augusto Seabra, já falecido.



Os primeiros convívios da APAE Campos Melo, com alguns sócios já falecidos.

27 de maio de 2011

Exposição de Fotografias sobre Equipas do Sporting Clube da Covilhã”, por iniciativa do blogue “Histórias do SCC”, cuja inauguração se realizou no dia 27 de Maio de 2011, na Casa dos Magistrados, Departamento de Cultura da Câmara Municipal.



João Nunes com o antigo guarda-redes do S.C.C,, Paulino
João Nunes e Margaça
João Jesus Nunes a falar com o antigo treinador do S.C.C., Raul Machado

Da esquerda para a direita: Nogueira, Maçarico, Coureles, Manteigueiro (encoberto) e João Nunes.

Da esquerda para a direita: Pires, Nogueira, Maçarico, Coureles, Manteigueiro, Graça e João Nunes.


Na foto do lado direito, da esquerda para a direita: Coureles, João Nunes, João Azevedo, João Petrucci, João Lanzinha e Francisco Manteigueiro.
Em frente destes vê-se o antigo treinador , Vieira Nunes.


Da esquerda para a direita: Real, José Manuel (não é jogador), Nelinho, Velho, João Nunes, João Pereira, João Salcedas e Margaça.

Foto geral do jantar, vendo-se em primeiro plano da esquerda para a direita: João Pereira, Eduardo Prata e Nelinho.
“Velhas Glórias do S.C.C.”, oriundas dos juniores do clube serrano, com João Nunes:
Fazenda, João Nunes, Girão, Serra e Velho.

11 de maio de 2011

QUASE NOS CEM ANOS

Testemunhar sobre um semanário com esta longevidade – o mais antigo da região – é, para mim, especialmente algo de grande afectividade. Nele comecei a fazer a primeira leitura dum jornal, na minha meninice, na antiga biblioteca municipal, onde meu pai trabalhava, e, depois, em casa.

“Notícias da Covilhã” foi quem publicou o meu primeiro texto, há quase meio século! Este semanário acompanhou-me durante o longo tempo de serviço militar obrigatório (levava um selo de cinco centavos, verde-negro, emissão de D. Dinis...) e na deslocação para férias, quando elas eram mais prolongadas…

Comecei depois a conhecer os homens do Jornal, a sentir o cheiro do seu papel, da sua tinta, na consulta atenta das suas páginas, e, nalgumas pesquisas efectuadas, a serem minhas companheiras na luz de muitas das memórias citadinas.

E, quando menos esperava, surgiam ecos de leituras atentas, para além das fronteiras do concelho, numa visibilidade de, afinal, verificar vários assinantes, por esse país fora, e na estranja também.

Numa linha de defesa dos bens citadinos e bem-estar dos covilhanenses, ou dos que aqui se radicam, não deixa de se mover pelas raízes da sua origem que são a defesa dos valores da vida.

Os antigos Directores do “Notícias da Covilhã”, do meu tempo, Padre José de Andrade, Dr. Mendes Fernandes, Dr. José Almeida Geraldes e, actualmente, o Padre Fernando Brito dos Santos, a par dos seus jornalistas e colaboradores, souberam dar um cunho importante nas várias fases de transformação para o desenvolvimento deste importante órgão da comunicação social regional.

O “Notícias da Covilhã” não pode, nestes tempos difíceis que sabe atravessar, transformando-os em oportunidades, deixar de continuar a ser mensageiro da voz dos covilhanenses.

Está, pois, de parabéns, na sua caminhada para o centenário, o prestigiado “Notícias da Covilhã” e todos os seus obreiros.

(In Notícias da Covilhã, de 12.05.2011)

5 de maio de 2011

LEÕES SERRANOS NO APOGEU D’OUTRORA

Vamos falar nos obreiros do futebol serrano de outros tempos.

Todavia quero fazer uma rectificação de datas relativamente ao artigo que assinei no início de Fevereiro do ano em curso, sob o título “O Sobretudo de Eusébio”, a propósito da sua vinda à Covilhã, onde rapou frio, tendo sido socorrido pelo seu companheiro e amigo, Mário Coluna. Referi então que foi no seu primeiro e único jogo que efectuou na Covilhã, realizado no dia 18/02/1962, encontro que os serranos viriam a ganhar.

Face à leitura de muitos leitores e, por observação atenta do covilhanense amigo João José Gomes Campos, a quem agradeço, radicado na Figueira da Foz, a situação surgida na Covilhã com o Eusébio foi no ano anterior, ou seja, mais exactamente na época 1960/61, em que ele, para fugir ao assédio do SCP, acompanhou o jogo que o seu novel clube – SLB – veio disputar à Covilhã, mas das bancadas do velho Estádio Santos Pinto, então pelado.

Mas Mário Coluna, que viria a ser um grande internacional e capitão das selecções portuguesas, e ao serviço do Benfica, por incrível que pareça nos dias de hoje, esteve nas possibilidades de negociação para integrar o emblema do SCC.

Esta pesquisa, e outras que a seguir vou registar, são dum trabalho do entusiasta investigador dos atletas dos Leões da Serra e coordenador do blogue “Equipas da História do SCC”, Miguel Saraiva, com o qual fico muito satisfeito por dar continuidade à história do clube serrano. Com ele me desloquei a contactar velhas glórias, nomeadamente o Couceiro, em Gouveia, conversamos frequentemente sobre várias delas, e trazemos a lume outras que, muita vez, se encontram no esquecimento.

O ex-atleta do SCC, da antiga primeira divisão – Jorge Nicolau – certo dia já me havia falado de que contactara a direcção do SCC, a fim de que Mário Coluna, moçambicano como ele, pudesse ser uma das hipóteses de também poder vestir a camisola dos Leões da Serra, só que sempre pensei que estivesse equivocado. No entanto, na acta da Direcção do SCC, de 09/12/1962, em que estiveram presentes os directores José Silvestre Ribeiro, José Lopes dos Santos Pinto, Manuel Rogério Mesquita Nunes, Alexandrino Fernandes Nogueira e Ernesto Cruz, tendo faltado alguns elementos da mesma, nomeadamente o presidente, Dr. António Gomes de Oliveira, encontra-se o seguinte registo: “(…) Seguidamente, foi posta em questão a vinda de um novo jogador de Lourenço Marques, de nome Coluna, que havia sido indicado pelo atleta Jorge Nicolau, tendo-se resolvido que se lhe pedissem as condições a fim de serem devidamente estudadas(…)”.

No entanto, três anos antes, outro atleta e velha glória do Sporting da Covilhã, o covilhanense Francisco Pinto Manteigueiro, actualmente radicado em Elvas, era objecto duma proposta do Sporting Clube de Portugal, conforme consta da acta da Direcção de 18 de Agosto de 1959, sob a presidência de Ernesto Cruz e presença dos directores José Silvestre Ribeiro, Óscar Monteiro, José Vicente, Eng.º Manuel Teles Monteiro, Silvestre Aires Bouhon Neves e José Lopes dos Santos Pinto, a saber: “(…) Presente uma proposta do Sporting Clube de Portugal sobre a transferência do Manteigueiro, oferecendo em troca deste jogador, dois dos cinco jogadores que se indicam – Costa – Tomé II – Figueiredo – Graça – Raimundo, e mais 30.000$00 (trinta mil escudos). Não foi considerada esta proposta”.

Caído agora o Clube na II Divisão (correspondente à Divisão de Honra actual), encontrávamo-nos na época 1963/64, e a Direcção, reunida em 3 de Abril de 1964, ratificou o contrato verbal com o treinador Oscar Telecheia o qual passou a orientar a equipa serrana.

“ (…) Foi também deliberado desobrigar o atleta júnior, Vítor Manuel Gomes Campos, a partir do termo da época 1963/64, ficando no entanto este clube com o direito de opção quanto a proposta de contrato que, no futuro, aquele atleta vier a ter de qualquer outro clube”.

E, por último, a Direcção do SCC, reunida em 15/04/1964, diligenciava no sentido “da massa associativa do clube se deslocar no maior número possível a Braga (último jogo do campeonato) onde se decidirá o título de campeão da Zona Norte”. Infelizmente, o SCC sairia vencido de Braga e os objectivos não eram cumpridos. Recordo que era guarda-redes o Arnaldo, que substituíra o Rita, que fora contratado pelo Benfica. Naquele jogo, em Braga, Arnaldo sairia lesionado, tendo sido substituído pelo suplente Rodrigues.

Quanto ao Rita, acabaria por terminar a sua carreira, partindo para o Brasil, onde viria a falecer no dia 22 de Outubro de 2001, então com 69 anos. Também o seu companheiro das lides futebolísticas na turma serrana, Aníbal Tacanho Saraiva, que esteve como suplente na final da Taça de Portugal, no Jamor, entre o SCC e o Benfica, em 2 de Junho de 1957, faleceu há poucos dias, ficando cada vez mais reduzido o número dos vivos dos grandes feitos d’outrora.

(In Tribuna Desportiva, de 3 de Maio e Notícias da Covilhã, de 5 de Maio)

28 de abril de 2011

O FMI E O ZÉ POVINHO

Torna-se já um enfado ouvir falar persistentemente do Fundo Monetário Internacional (FMI), que nos entra quotidianamente pelos ouvidos, e nos cansa os olhos com as imagens televisivas ou em parangonas jornalísticas.

A expressão “O pior está para vir!”, assim como outras da mesma índole, são como que uma espécie de lançamento dum bálsamo para o futuro sofrimento.

Se a figura da “dona crise” é proporcionadora de novas oportunidades, com que também concordo, e como recentemente foi objecto das Conferências Quaresmais na Universidade da Beira Interior, com oradores de luxo a dar a sua achega aos temas versados, também é certo que tem que haver verdadeiros empreendedores que possam remar contra alguns ventos e marés.

A caricatura histórica criada em 1875 por Rafael Bordalo Pinheiro, como personagem satírica de crítica social, e adoptada como personificação nacional portuguesa, ainda continua válida para o Portugal de hoje.

Apesar de tanto desemprego, às resmas no surgimento diário, é importante ver o esforço com que os nossos governantes se empenham em dar emprego a toda a gente, mormente da graúda – vejam-se as páginas do Diário da República que, só por isso, deveria voltar ao título antigo e passar a chamar-se Diário do Governo –; são as Novas Oportunidades, num país de chicos espertos e muita burrice à mistura.

Mas o FMI também pode ser “Foram Ministros Incapazes”, muitos, de todos os governos; como “Fugiram, Mas Ignoram”, exemplo de Dias Loureiro, regalado em Cabo Verde…

FMI pode ainda ser “Fome, Miséria, Indiferença”. Seria maior se não fossem a acção do Banco Alimentar; das Conferências Vicentinas, que em Abril tiveram a sua Peregrinação Nacional a Fátima, sendo Presidente Nacional um covilhanense; e outras instituições de solidariedade.

FMI pode ser “Finlândia Muito Irritada”. Não quer ajudar Portugal mas esquece-se que em Abril de 1940 este mesmo país deu-lhe ajuda moral e material, para a sua crise finlandesa!

Outra pode ser: “Fazer à Maneira Islandesa”. Foi o primeiro país a entrar em crise e, ao contrário da Irlanda, renegou ao salvamento integral dos seus bancos e rejeitou pagar certas contas, mas, apesar de afastada dos mercados internacionais, já saiu da recessão. Estamos neste estado lamentável, devido à corrupção interna, pública e privada, com incidência no sector bancário, e pelos juros usurários que nos são cobrados pela Banca Europeia. O movimento cívico M12M promete interpelar os nossos políticos sobre a “legitimidade democrática” do resgate financeiro.

Então, noutra designação dum qualquer FMI, não envolvido na Troika, mas mais paradoxal, vamos vendo os efeitos de quem emana ânimo ao país.

Por exemplo, “Foi Moura Internacional”. O português Eduardo Souto Moura venceu o Pritzker – o mais importante galardão da arquitectura do mundo e que distingue a carreira de um arquitecto. O seu currículo está envolvido em muitos projectos que concebeu, em Portugal e no estrangeiro. Na nossa região, é da sua responsabilidade a reconversão do Sanatório dos Ferroviários na Pousada da Serra da Estrela.

Atentando neste facto, gostaria que muitos dos covilhanenses, ocultos no anonimato, mas grandes nomes do mundo do trabalho, no país e no estrangeiro, viessem a lume.

Dentre vários, destaco dois irmãos – Daniel Monteiro, autor do projecto paisagista do Cemitério Municipal de Monchique (Guimarães), escolhido pelo júri para o Prémio Nacional de Arquitectura Paisagista, e responsável pelo projecto paisagista do Estádio Municipal de Braga, entre outros projectos de vulto; seu irmão, Ricardo Monteiro, quadro mundial e coordenador de várias empresas, na área da gestão, onde a sua acção de liderança e relações internacionais têm feito singrar para o mais alto galarim o grupo de empresas que lidera, espalhadas por vários países, numa grande capacidade de trabalho e liderança. CEO ibero-americano.

Podíamos também designar FMI, “Faleceu Maria Ilda”. Covilhanense ilustre, Maria Ilda Catalão Espiga faleceu aos 101 anos. Conheci esta bondosa senhora que se dedicou, de alma e coração, à cultura. Durante muitos anos foi colaboradora duma página feminina no “Notícias da Covilhã”. Cronista, foi dedicada à educação de adultos, operariado têxtil, e fundadora de instituições de ajuda às famílias, e no âmbito da solidariedade, em tempos que também não eram fáceis, dentre de várias acções humanitárias, como é timbre da mulher covilhanense.

É por isso que, com exemplos de políticos de hoje, mas na retrospectiva de acções de figuras e factos de outros tempos, o Zé Povinho tem razão para continuar a manter-se vivo.

(In Notícias da Covilhã de 28.04.2011)

29 de março de 2011

QUANDO OS SERRANOS JOGAVAM NA PRIMEIRA

Das memórias do clube serrano, nos bons velhos tempos do futebol de primeira – primeira divisão, entenda-se, hoje I Liga – deixo algumas referências à última participação do Sporting da Covilhã (SCC), na então I Divisão, numa senda de 13 participações quase consecutivas, interrompidas somente na época 1957/58.

Reporto-me, evidentemente, aos princípios dos anos sessenta do século passado, em que o SCC, mesmo enfrentando várias crises, misturadas com vários êxitos e a participação de valorosos atletas, conseguia levar os covilhanenses ao fervor clubista, num direccionar domingueiro para o Estádio Santos Pinto, calcorreando, muitos, a pé, a subida da rua do antigo hospital, de acesso ao campo.

Os pinheiros que abundavam atrás do campo de futebol, muitas vezes serviam para os magalas do extinto Batalhão de Caçadores 2 se empoleirarem e, assim, verem parte do jogo, com o beneplácito da GNR, força militarizada para o local nessa altura, que, entretanto, não consentia o mesmo à rapaziada que não tinha posses para adquirir bilhete.

Certo é que o clube serrano ainda passou, duma forma efémera, pelo futebol de primeira, nas épocas 1985/86 e 1987/88, já em campos relvados, mas longe do frenesi do futebol de outrora, mesmo em campos pelados, em que as vedetas do futebol serrano eram quase que idolatradas – caso de Simony e do guarda-redes Rita, por exemplo.

Nessa altura, vários atletas permaneciam no clube por vários anos. Vinham poucos reforços, e, outros, por cá se radicaram e casaram, caso do Martin, do Reynolds e do Leandro, estes dos primeiros tempos.

Depois, outros se seguiriam, perenes na memória dos covilhanenses, quando a aspiração da subida – já lá vão quase cinquenta anos – era quase uma insofismável obrigação, a que os dirigentes se empenhavam junto dos associados e covilhanenses.

O famoso treinador Manuel José e o antigo atleta serrano, Maçarico, entre outros, encontraram na mulher covilhanense a ideal companheira das suas vidas.

Reportando-me à última participação do SCC na I Divisão, na década de sessenta, essa época de 1961/62 envolveu a esperança de não deixar cair o clube naquele que foi um longo interregno de vinte e três anos – eu próprio fiquei esperançado que o regresso à primeira seria inevitável, quando, no final do último jogo, no Santos Pinto, com o Olhanense (SCO), desse Verão de 1962, descia a calçada do estádio para a cidade.

A esperança, depois de se conseguir manter o clube entre os maiores, na época anterior, ao derrotar o Vitória de Guimarães, traduziu-se num esforço, então para a época 1961/1962, na contratação de novos atletas, já que, ainda na época anterior, o clube fora eliminado, logo na primeira eliminatória, pelo SCO, no conjunto das duas mãos, apesar de militar na divisão inferior. Pontificavam neste clube os jogadores Alfredo, Luciano, Madeira, Reina, Parra, entre outros. O SCC desistia também dos juniores nos distritais, volvidos dezassete anos de participação contínua, tendo sido catorze vezes campeões.

E depois de um contratempo em não se poder realizar a Feira Popular do Sporting, para obtenção de fundos na ajuda ao clube, surgem em Agosto as notícias da contratação dos atletas Adventino, Adriano e Carlos Alberto, respectivamente, do Lusitano de Évora, Boavista e Leixões.

E, já em Setembro, vinham juntar-se Palmeiro Antunes, da Cuf; e, para interior e médio de ataque, chegavam os espanhóis Chacho, do Oviedo, e Patiño, do Corunha, elementos que logo se evidenciaram no encontro com o Beira-Mar, na festa de homenagem e despedida do Martin, ganhando por 5-1. Mais tarde veio o brasileiro Joab.

Começava o Campeonato Nacional da Primeira Divisão, em 24 de Setembro de 1961 e, para o primeiro encontro, em Olhão, defrontava o regressado SCO, perdendo o encontro, no derradeiro minuto da partida, por 0-1, arbitrado por Francisco Guiomar, de Beja, partida que rendeu a soma de 30.522$50, cabendo ao SCC 7.167$00. No entanto, os serranos viriam a ganhar o jogo da 2.ª volta, na Covilhã, por 2-0, o que não evitaria a descida de divisão do SCC.

Neste ano o clube covilhanense acabaria por empatar com o Benfica, na Luz, por 1-1, e ganhar na Covilhã, por 2-1.

O valoroso guarda-redes Rita, do SCC, ingressaria no Benfica e ao treinador Szabo iria juntar-se, como secretário-técnico, Mariano Amaro.

(In Tribuna Desportiva do dia 29-03-2011)

24 de março de 2011

MEMÓRIAS DE UM TEMPO

Ainda não tinha quinze anos e já na velha biblioteca municipal, ao jardim, começara a amedrontar-me com o terror da guerra que se iniciara no então Congo Belga. Alguns familiares de emigrantes, face à dificuldade de notícias, que não eram como nos dias de hoje, com todos os meios tecnológicos disponíveis, ali acorriam a fim de tentarem localizar, nos mapas que vinham nos jornais, onde se situava o surgimento das guerrilhas, esperançados que estivessem afastadas das moradas dos seus familiares, dos seus locais de trabalho ou caminhos que percorriam.

Durante muitas semanas só se falava das lutas sangrentas, com interessados pelo poder, entre Joseph Kasa-Vubu, Lumumba, Moise Tshombe e, por último, Joseph Mobutu.

Receava-se que a guerrilha viesse perturbar as então nossas Províncias Ultramarinas. E o tempo não demorou.

Corria o ano de 1961 e muitas centenas de portugueses eram assassinados em Angola. As notícias eram abafadas na Metrópole; e não se contava tudo. Era o terrorismo como se passou a designar a chamada guerra subversiva.

Depois de se ter assistido a covilhanenses que se despediam para irem defender a Índia Portuguesa, e, mais tarde o seu regresso, vitoriosos da missão cumprida, não se deixou de sofrer uma grande frustração com a invasão dos territórios de Goa, Damão e Diu pelo presidente indiano Nerhu.

E ainda não se vislumbrava que tivesse que vir a envergar uma farda e recear uma eventual partida para o Ultramar – pensava que tudo iria acabar em breve – quando começaram a surgir caras conhecidas de covilhanenses, e também de outras regiões, amigos e, mais tarde, companheiros mais velhos da escola, a integrar o serviço militar a sério, e, depois, partida!

Surgiam de quando em vez, no Pelourinho, manifestações de apoio ao Presidente do Conselho, António de Oliveira Salazar, não só pelo encorajamento de “Para Angola rapidamente e em força!”, como o de “Angola é Nossa, Angola é Portuguesa!”, enquanto que, nas estações de caminhos de ferro, era o choro nas despedidas dos filhos, irmãos, maridos e namorados, que partiam para Angola, Guiné e Moçambique, principalmente.

Volvidos 50 anos do início da Guerra no Ultramar, foi mais que tempo suficiente para se fazer o balanço dos males que afetaram, e ainda hoje afetam, muitos daqueles que sofreram, in loco, os efeitos nefastos da mesma, principalmente do foro psíquico.

Ainda há pouco tempo assisti a um desenlace matrimonial de muito anos, fruto da doença do marido, originária dessa maldita guerra de quase uma década e meia.

Na minha geração militar vi-me forçado a cumprir obrigatoriamente 42 meses e, nesta senda, ainda nos juntamos, durante muito tempo, por obrigação, dois irmãos – eu por cá fiquei, meu irmão rumou à Guiné.

Os jovens da geração de 60 e início da de 70 têm muito que contar e, assim, se vão reunindo, periodicamente, em almoços de confraternização, memorizando esses tempos duros mas também de conhecimento de outros mundos e do mundo indígena desses territórios longínquos, no contacto com os seus usos, costumes e outras formas de vida.

Por outro lado, também os longos tempos de serviço militar para aqueles que não tiveram coragem de fugir para França ou outros países, com o título de exilados, mas antes suportaram, ainda que ingloriamente, grandes sacrifícios pelos valores da defesa da sua Pátria, que os das cadeiras do poder não souberam nem quiseram resolver, serviu para demonstrar a garra e valentia do sangue português.

Por várias regiões do País se formaram Ligas dos Combatentes e, na Covilhã, temos também a nossa Liga, que vai comemora o seu 85.º Aniversário, sob a égide do incansável presidente João Azevedo.

Como conto no início desta crónica, receei a guerra, pensei que não chegaria a minha vez, passei ao lado dela, integrando o serviço militar no Continente, e, volvidos 50 anos, muitos memorizamos esses famigerados tempos, chorando os que por lá ficaram, compreendendo os que sofrem com os males de lá terem participado e louvando a Deus por vivermos hoje no cinquentenário do início das lutas que, felizmente, há muito terminaram.

Nota: Este texto está escrito segundo as novas regras ortográficas.
 
(In Notícias da Covilhã de 24-03-2011)