As novas gerações recebem as memórias dos mais velhos duma forma tão de hilariante quão de estranheza, quase que deduzindo alguns que o mundo não tivera qualquer mutação de realce.
As facilidades e ofertas dos dias de hoje, não se coadunam com as dificuldades e falta de meios tecnológicos de outrora, onde a mão-de-obra era a mola impulsionadora do trabalho e a inteligência o grande computador omisso de há mais de sessenta anos.
Nascemos antes da televisão, das fotocopiadoras, ar condicionado, máquinas de lavar roupa ou secadoras. Não existiam cafeteiras automáticas, microondas, videocassetes, ou câmaras de vídeo.
Também ainda não tinham surgido o computador, os telefones sem fio e telemóveis, máquinas de escrever eléctricas e calculadoras. Nunca havíamos ouvido falar de música estereofónica, rádios FM, cassetes, CDs e DVDs. “Hardware” era uma ferramenta e “software” não existia.
Dava-se corda aos relógios todos os dias. Não existia nada digital. As fotos não eram instantâneas nem coloridas. Não existiam os radares, cartões de crédito e raios laser.
O homem ainda não tinha chegado à Lua. Ainda não havia as vacinas contra a poliomielite, as lentes de contacto e a pílula anticoncepcional.
“Gay” era uma palavra inglesa que significava uma pessoa contente, alegre e divertida, não homossexual. Das lésbicas nunca tínhamos ouvido falar e os rapazes não usavam piercings.
Ter um bom relacionamento, era dar-se bem com os primos e amigos. Tempo compartilhado, significava que a família compartilhava férias juntos.
Chamávamos cada homem de “senhor” e cada mulher de “senhora” ou “menina”. Ensinávamos a diferenciar o bem do mal e a sermos responsáveis pelos nossos actos.
Fomos da geração que acreditou que uma senhora precisava de um marido para ter um filho.
Acreditávamos que “comida rápida” era o que a gente comia quando estava com pressa. Ainda não havia comidas congeladas. Não se tinha ouvido falar de “Pizza”, “McDonald’s”, nem de café instantâneo.
Naqueles tempos, “erva” era algo que se cortava e não se fumava. Ainda não havia terapias de grupo.
Muita da juventude de hoje está perdida porque não conhece os grandes valores que orientaram os que hoje rondam os cinquenta e os sessenta.
No ensino, da antiga instrução primária, até à 4.ª classe, havia rigor e aprendia-se a conhecer todos os rios de Portugal, as serras, os relevos, as principais cidades e suas indústrias, até as estações de caminhos-de-ferro e todas as províncias de Portugal. Na história, sobre a fundação de Portugal até à República.
Os alunos não eram mimados como nos dias de hoje. Os professores davam-lhes reguadas quando não sabiam a matéria. Só no Asilo, o professor Raul dava as reguadas não nas mãos mas no rabo. Punha todos os “sacrificados” de rabo para cima e mãos no chão. E ninguém morria de medo.
Quando se chegava à 4.ª classe e quem quisesse seguir para o ensino secundário, tinha explicações adicionais, “exigidas” pelos professores, para terem êxito no exame de admissão, contra o pagamento de cem escudos por mês.
No secundário, mormente na Escola Industrial e Comercial, tiravam-se os cursos, comerciais ou industriais, com rigor, e ficava-se preparado para uma actividade profissional. Eram transmitidas matérias como, por exemplo, saber redigir cartas comerciais em português, francês e inglês, daí que os alunos estavam quase sempre preparados para exames de acesso aos Bancos, emprego invejável na altura.
Depois, veio a geração “rasca”. Nós éramos mais a geração “à rasca”; sempre à rasca de dinheiro, contrastando com os de agora que não lhes falta nada, inclusive, com todos os meios que facilitam o estudo, como a Internet.
No nosso tempo, universidades só existiam em Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. Para obter um curso superior era preciso uma mão cheia de massa.
Hoje existem muitos meios tecnológicos, mas por mais que se queira fugir do maldito vírus, há sempre os chico-espertos que os infiltram nos computadores, nos e-mails e não sei que mais, e não conseguimos deixar de passar por otários, por mais que evitemos ficar encavacados.
(In "Noticias da Covilhã" de 8/10/2009 e a sair no jornal "O Olhanense" de 15/10/2009)
8 de outubro de 2009
1 de outubro de 2009
UM AMIGO QUE PARTIU
Foi mais um amigo que partiu, sem o conhecer pessoalmente.
Já antes acontecera com Herculano Valente.
Agora foi Augusto Ramos Teixeira. Figura bairrista do desporto olhanense que me viria a proporcionar a ligação duma amizade com o Jornal Olhanense e gentes do Clube.
Logo na altura constatei, que, afinal, os carolas continuavam a persistir.
Já simpatizava com o Olhanense, desde a minha meninice, do tempo áureo da antiga Primeira Divisão e dos cromos de futebol de então.
Mas iria ser Augusto Ramos Teixeira a estabelecer, desde logo, um elo de ligação; na espontaneidade, entre a minha pessoa, como serrano e carola pelo meu Clube – o Sporting da Covilhã –, ele próprio, carola do Sporting Olhanense; e a vertente cultural de estórias que fazem a história dos dois clubes.
Tive a felicidade de obter a colaboração, em várias informações telefónicas de Augusto Teixeira, interessado em dar resposta a alguns pedidos de informação que eu colocara na Comunicação Social, então no ano de 1992, para a publicação da segunda obra sobre a história dos leões serranos.
Foi assim que surgiu o complemento dessa desejada informação sobre “homens do futebol”, e outros que emergiram por sua já referida colaboração, que haviam sido pedras basilares nos dois clubes.
Por terem representado dignamente as camisolas dos clubes serrano e algarvio, surgiu destes homens uma dualidade de amor aos dois clubes: Fernando Cabrita, José Rita, Eminêncio, Palmeiro, Adventino, Robério, entre outros.
Seria assim, de alguns deles, uma acha para o reforço entusiástico de manter viva a chama da amizade, que deveria ser, afinal, a verdadeira face do desporto-rei.
Nesse meu trabalho tive o prazer de registar um agradecimento a Augusto Ramos Teixeira, de Olhão, e de lhe ofereceu um exemplar.
Ao longo destes anos, e mesmo já depois da sua doença, trocávamos cumprimentos, por via de pessoas amigas que iam a Olhão ou vinham à Covilhã.
E, algo que o ano passado me sensibilizou, foi o facto de após o jogo que se disputou em Olhão, entre o SCC e o SCO, ter recebido no meu escritório, na segunda-feira imediata, um telefonema duma pessoa que me enviava um abraço do amigo Augusto Ramos Teixeira. Nesse célebre domingo de futebol, se abeirara junto de um grupo de serranos que foi ver o jogo e perguntou se eu lá estava. Logo disseram que não mas que me conheciam. Envio de um forte abraço, que agradeci!
Foram facetas da amizade que trouxeram a génese verdadeira do desporto, na aspiração nobre de “mens sana in corpore sano”, mas que já se encontra um pouco desvirtuada, nos dias de hoje. No entanto, não deixa de ser aquele espaço onde todas as classes sociais se encontram, numa linguagem entendida por multidões.
Nesta senda, eu depois viria a conhecer, pessoalmente, alguns elementos do dirigismo olhanense, como Júlio Favinha, e o entusiasta Homem da reviravolta olhanense, José Isidoro Sousa.
Espero vir a conhecer pessoalmente a actual alma deste jornal, Mário Proença, a quem aproveito para apresentar sentidas condolências pelo falecimento de sua sobrinha.
Que o Senhor tenha em paz, junto de Si, o nosso amigo Augusto Ramos Teixeira, e, à sua família, apresento também sentidas condolências.
(In "O Olhanense" de 1/10/2009)
Já antes acontecera com Herculano Valente.
Agora foi Augusto Ramos Teixeira. Figura bairrista do desporto olhanense que me viria a proporcionar a ligação duma amizade com o Jornal Olhanense e gentes do Clube.
Logo na altura constatei, que, afinal, os carolas continuavam a persistir.
Já simpatizava com o Olhanense, desde a minha meninice, do tempo áureo da antiga Primeira Divisão e dos cromos de futebol de então.
Mas iria ser Augusto Ramos Teixeira a estabelecer, desde logo, um elo de ligação; na espontaneidade, entre a minha pessoa, como serrano e carola pelo meu Clube – o Sporting da Covilhã –, ele próprio, carola do Sporting Olhanense; e a vertente cultural de estórias que fazem a história dos dois clubes.
Tive a felicidade de obter a colaboração, em várias informações telefónicas de Augusto Teixeira, interessado em dar resposta a alguns pedidos de informação que eu colocara na Comunicação Social, então no ano de 1992, para a publicação da segunda obra sobre a história dos leões serranos.
Foi assim que surgiu o complemento dessa desejada informação sobre “homens do futebol”, e outros que emergiram por sua já referida colaboração, que haviam sido pedras basilares nos dois clubes.
Por terem representado dignamente as camisolas dos clubes serrano e algarvio, surgiu destes homens uma dualidade de amor aos dois clubes: Fernando Cabrita, José Rita, Eminêncio, Palmeiro, Adventino, Robério, entre outros.
Seria assim, de alguns deles, uma acha para o reforço entusiástico de manter viva a chama da amizade, que deveria ser, afinal, a verdadeira face do desporto-rei.
Nesse meu trabalho tive o prazer de registar um agradecimento a Augusto Ramos Teixeira, de Olhão, e de lhe ofereceu um exemplar.
Ao longo destes anos, e mesmo já depois da sua doença, trocávamos cumprimentos, por via de pessoas amigas que iam a Olhão ou vinham à Covilhã.
E, algo que o ano passado me sensibilizou, foi o facto de após o jogo que se disputou em Olhão, entre o SCC e o SCO, ter recebido no meu escritório, na segunda-feira imediata, um telefonema duma pessoa que me enviava um abraço do amigo Augusto Ramos Teixeira. Nesse célebre domingo de futebol, se abeirara junto de um grupo de serranos que foi ver o jogo e perguntou se eu lá estava. Logo disseram que não mas que me conheciam. Envio de um forte abraço, que agradeci!
Foram facetas da amizade que trouxeram a génese verdadeira do desporto, na aspiração nobre de “mens sana in corpore sano”, mas que já se encontra um pouco desvirtuada, nos dias de hoje. No entanto, não deixa de ser aquele espaço onde todas as classes sociais se encontram, numa linguagem entendida por multidões.
Nesta senda, eu depois viria a conhecer, pessoalmente, alguns elementos do dirigismo olhanense, como Júlio Favinha, e o entusiasta Homem da reviravolta olhanense, José Isidoro Sousa.
Espero vir a conhecer pessoalmente a actual alma deste jornal, Mário Proença, a quem aproveito para apresentar sentidas condolências pelo falecimento de sua sobrinha.
Que o Senhor tenha em paz, junto de Si, o nosso amigo Augusto Ramos Teixeira, e, à sua família, apresento também sentidas condolências.
(In "O Olhanense" de 1/10/2009)
17 de setembro de 2009
AMIZADE E CULTURA ULTRAPASSAM FRONTEIRAS
Pode-se ficar mais brando.
O que não significa passar a ser passivo, ou no consentimento de lhe terem “dado a volta”.
É tão difícil mudar de clube como de convicções.
A exemplaridade dos actos soma mais pontos que a eloquência nas palavras.
Mas é difícil agradar a gregos e a troianos; como seja servir a Deus e ao diabo.
Todos os humanos têm virtudes e defeitos, neste paradoxo envolvente da vida.
E, como exemplo; numa visão na exclusividade dum interesse empresarial, ou vista na forma de um todo, incluindo o humano; assim a medalha pode ser vista no seu verso e reverso.
Talvez os incomodados com um malfadado orador, em sala repleta, tenham perguntado ao ouvido do mais próximo, sobre o que está muito à sua frente e outros lhe tolhem a visão: “Quem é que está a falar, é fulano não é? Eu logo vi que tinha que ser sempre o mesmo gajo a “mandar bocas”...” Do outro lado da “cortina”, numa visão mais inteligente, porque desconhecia o aventureiro, que o vê tão de afoito como de determinado, pergunta: “Disse-me que era o senhor fulano tal, do Interior abandonado, mas predisposto a fazer com que um rato venha parir uma montanha; é desses que eu preciso e conto já consigo, posso?”
Todos quantos rosnavam das suas palavras, na “catedral” improvisada, e apinhada, ao ouvirem o grande Líder, sentiram correr um suor frio sobre as suas costas, de alto a baixo, e, no final, o “afoito” a dissertar, que era objecto de aversão, pela sua conduta rígida, é agora alvo da maior atenção, e querem-lhe dar a conhecer os seus colegas e chefes, numa forçada simpatia.
Da desilusão passou a um encanto. De besta passou a bestial; do “mau da fita” a bom de conveniência.
Isto passa-se com muitos de nós.
Até nos textos que reputamos de interesse geral, alguns “regionais” olham por cima dos “óculos de grande visão”, e silenciam as notícias que lhes forem endereçadas, que deveriam preencher um devido espaço, ao serviço do leitor, sem o qual não tem razão de existir o periódico. Em contraste, surge uma página inteira, a dar oportunidade a figuras que, na mesma data, festejaram Bodas de Ouro de ofício divino, omitindo a outra notícia dum companheiro. Será isto democracia?
Nesta luta truculenta, e quantas vezes obtusa de argumentos, e ao arrepio do mais elementar bom senso, o mais importante não é a nudez forte da verdade, mas sim como dizia o Eça, o manto diáfano da fantasia.
No passado sábado estivemos num almoço-convívio em Manteigas, a convite do amigo covilhanense, José Ascensão Rodrigues, que é como o vinho do Porto – quanto mais velho melhor! Dinâmica na organização, preservador de amizades, cultor de tradições, proporcionador de novas amizades. Manteigas é uma das suas segundas Terras. E ali o amigo só conhece amigos. É a Banda, são os Bombeiros, são outras instituições, em todas preserva a amizade.
Ali se juntaram naturais de Manteigas como da Covilhã, e não só. Foi um convívio em que as “feijocas” fizeram ombrear covilhanenses com naturais de Manteigas, onde não faltou o Presidente da Câmara, a convite particular. Reforçaram-se amizades e geraram-se outras. Foi esta a bênção da Serra da Estrela com o véu do ar puro da montanha. Obrigado José Ascensão Rodrigues e Manuel Lúcio.
A Covilhã esperava-nos para um acto cultural, de grande envergadura, no Museu de Arte e Cultura da Cidade e, por isso, amigo não empata amigo, e lá estivemos. Agora era outro Presidente de Câmara, oficialmente a inaugurar a exposição sobre figuras de arte sacra que a maioria da população desconhecia, e se encontravam na igreja de S. Francisco, numa excelente argumentação do seu autor, Dr. Carlos Madaleno; estudo minucioso para a sua tese de mestrado, culminando com o lançamento do seu livro “Convento de São Francisco da Covilhã – Um olhar através do tempo...”, no Salão Nobre da Câmara Municipal.
Esperemos que as figuras expostas mereçam regressar a uma nova casa – lembrando o Pároco da Conceição, Padre Fernando Brito, a necessidade de serem restauradas e de serem guardadas com alguma vigilância – a que o Presidente da Câmara informou que já havia conversado com o Bispo da Guarda no sentido de ser criado um Museu de Arte Sacra, abrangendo outras figuras distribuídas por diversas paróquias da Cidade, mas que não é fácil.
(In ''Noticias da Covilhã'', de 17/09/2009)
O que não significa passar a ser passivo, ou no consentimento de lhe terem “dado a volta”.
É tão difícil mudar de clube como de convicções.
A exemplaridade dos actos soma mais pontos que a eloquência nas palavras.
Mas é difícil agradar a gregos e a troianos; como seja servir a Deus e ao diabo.
Todos os humanos têm virtudes e defeitos, neste paradoxo envolvente da vida.
E, como exemplo; numa visão na exclusividade dum interesse empresarial, ou vista na forma de um todo, incluindo o humano; assim a medalha pode ser vista no seu verso e reverso.
Talvez os incomodados com um malfadado orador, em sala repleta, tenham perguntado ao ouvido do mais próximo, sobre o que está muito à sua frente e outros lhe tolhem a visão: “Quem é que está a falar, é fulano não é? Eu logo vi que tinha que ser sempre o mesmo gajo a “mandar bocas”...” Do outro lado da “cortina”, numa visão mais inteligente, porque desconhecia o aventureiro, que o vê tão de afoito como de determinado, pergunta: “Disse-me que era o senhor fulano tal, do Interior abandonado, mas predisposto a fazer com que um rato venha parir uma montanha; é desses que eu preciso e conto já consigo, posso?”
Todos quantos rosnavam das suas palavras, na “catedral” improvisada, e apinhada, ao ouvirem o grande Líder, sentiram correr um suor frio sobre as suas costas, de alto a baixo, e, no final, o “afoito” a dissertar, que era objecto de aversão, pela sua conduta rígida, é agora alvo da maior atenção, e querem-lhe dar a conhecer os seus colegas e chefes, numa forçada simpatia.
Da desilusão passou a um encanto. De besta passou a bestial; do “mau da fita” a bom de conveniência.
Isto passa-se com muitos de nós.
Até nos textos que reputamos de interesse geral, alguns “regionais” olham por cima dos “óculos de grande visão”, e silenciam as notícias que lhes forem endereçadas, que deveriam preencher um devido espaço, ao serviço do leitor, sem o qual não tem razão de existir o periódico. Em contraste, surge uma página inteira, a dar oportunidade a figuras que, na mesma data, festejaram Bodas de Ouro de ofício divino, omitindo a outra notícia dum companheiro. Será isto democracia?
Nesta luta truculenta, e quantas vezes obtusa de argumentos, e ao arrepio do mais elementar bom senso, o mais importante não é a nudez forte da verdade, mas sim como dizia o Eça, o manto diáfano da fantasia.
No passado sábado estivemos num almoço-convívio em Manteigas, a convite do amigo covilhanense, José Ascensão Rodrigues, que é como o vinho do Porto – quanto mais velho melhor! Dinâmica na organização, preservador de amizades, cultor de tradições, proporcionador de novas amizades. Manteigas é uma das suas segundas Terras. E ali o amigo só conhece amigos. É a Banda, são os Bombeiros, são outras instituições, em todas preserva a amizade.
Ali se juntaram naturais de Manteigas como da Covilhã, e não só. Foi um convívio em que as “feijocas” fizeram ombrear covilhanenses com naturais de Manteigas, onde não faltou o Presidente da Câmara, a convite particular. Reforçaram-se amizades e geraram-se outras. Foi esta a bênção da Serra da Estrela com o véu do ar puro da montanha. Obrigado José Ascensão Rodrigues e Manuel Lúcio.
A Covilhã esperava-nos para um acto cultural, de grande envergadura, no Museu de Arte e Cultura da Cidade e, por isso, amigo não empata amigo, e lá estivemos. Agora era outro Presidente de Câmara, oficialmente a inaugurar a exposição sobre figuras de arte sacra que a maioria da população desconhecia, e se encontravam na igreja de S. Francisco, numa excelente argumentação do seu autor, Dr. Carlos Madaleno; estudo minucioso para a sua tese de mestrado, culminando com o lançamento do seu livro “Convento de São Francisco da Covilhã – Um olhar através do tempo...”, no Salão Nobre da Câmara Municipal.
Esperemos que as figuras expostas mereçam regressar a uma nova casa – lembrando o Pároco da Conceição, Padre Fernando Brito, a necessidade de serem restauradas e de serem guardadas com alguma vigilância – a que o Presidente da Câmara informou que já havia conversado com o Bispo da Guarda no sentido de ser criado um Museu de Arte Sacra, abrangendo outras figuras distribuídas por diversas paróquias da Cidade, mas que não é fácil.
(In ''Noticias da Covilhã'', de 17/09/2009)
10 de setembro de 2009
EM GOUVEIA, COM O COUCEIRO

(Da esquerda para a direita: - João Nunes, Bento Couceiro, Eduardo Prata e Miguel Saraiva.)
O desporto nasceu com uma aspiração nobre: “mens sana in corpore sano”. No entanto, como o conhecemos, é actualmente um espectáculo encenado por profissionais, mais para ser visto ou reproduzido nas transmissões mediáticas.
A expansão dos espectadores matou o propósito inicial e deu-lhe a condição de maior espectáculo do Planeta.
É também um espaço onde todas as classes sociais se encontram e cada modalidade desportiva é uma linguagem entendida por multidões. Nele estão o aristocrata e o “intocável” em igualdade de condições, ressalvadas as qualidades individuais que a natureza dotou cada um.
Vem isto a propósito de, há já uns bons anos, nos termos envolvido na vertente cultural da área do futebol – o Desporto-Rei.
Mas o “veículo planetário” que é a Internet, veio revolucionar ainda mais toda esta envolvente.
Surgem contactos telefónicos, por e-mail ou pessoais, solicitando informações desta ou daquela figura do Sporting da Covilhã, face a não encontrarem fonte de informação no espaço que deveria existir em qualquer colectividade, com uma biblioteca devidamente organizada, bem como o seu arquivo.
Para a posteridade ficaram figuras do desporto citadino, e temos vindo a recordá-las, mas é a carolice que nos tem trazido muitas alegrias, muitas amizades, algumas desconhecidas; muitos apreços por esse País fora, do Minho ao Algarve, e não só.
Por iniciativa gerada fora dos clubes; já que a preocupação destes é mais a parte financeira, e os resultados, obviamente indissociáveis do barco a flutuar; trouxemos à Cidade figuras do nosso SCC, que deixaram marcas e, se o não fizéssemos, algumas já não vinham a tempo.
Em 28/09/1991 com homenagem às Velhas Glórias do Sporting Clube da Covilhã; depois em 6 de Junho de 1998, aquando das comemorações das Bodas de Diamante, com algumas figuras muito importantes.
Já em 2 de Junho de 2007, aquando dos 50 anos da participação do clube serrano na final da Taça de Portugal, se reuniram algumas delas.
Em 1 de Maio deste ano, um grupo apaniguado criou um blogue sobre a História do SCC que tem dado brado.
E é neste contexto que conseguimos trazer à memória figuras que deram muita alegria à cidade, em domingos de futebol.
Não conseguimos que Bento Couceiro, antigo atleta serrano, que veio do Sporting, dos tempos áureos da antiga Primeira Divisão, por razões várias, estivesse connosco nas datas assinaláveis, já referidas, pelo que a força de vontade levou-nos até Gouveia, e almoçámos com Couceiro.
Recordámos jogos, participações, golos marcados pelo Couceiro.
Proporcionaram-se abraços, pelo telemóvel, dos antigos colegas, Manteigueiro, Coureles, Palmeiro Antunes e Suarez.
Ele que foi uma excelente pedra na defesa do SCC, chegando a ajudar o clube, como treinador, mormente nos juniores.
Em Gouveia, onde se radicou, foi treinador nas épocas de1963 a 1970.
Treinou ali jogadores que haviam acabado os contratos com o SCC, nomeadamente, Maçarico, Nogueira, Batista, Lanzinha, Nicolau, Amílcar, Leite, e o célebre Matateu, do Belenenses.
Aos 77 anos, lá está Bento Couceiro, vivendo os seus dias, numa Terra que o acolheu de bom grado.
Juntou-se a nós o chefe de redacção do Notícias de Gouveia, Paulo Prata, que nos tirou a foto, a qual agradecemos.
(In “Tribuna Desportiva”, de 08/09/2009 e “Notícias da Covilhã”, de 10/09/2009)
3 de setembro de 2009
INTOLERÂNCIA À TOLERÂNCIA
Agosto quente não deu oportunidade a uma fluidez mental para uma crónica menos esforçada.
Numa breve semana de férias, estivemos no norte com o amigo Fernando Pedrosa que serviu para colocar em dia o desenferrujar da língua sobre os tempos passados na Covilhã, que não deixa de recordar. Os dois casais mostraram o rol de emoções duma amizade antiga.
A gripe A continua a ganhar terreno e não vemos grandes preocupações da população, numa passividade a que já nos vamos habituando. Se há cinquenta e dois anos a gripe asiática também nos veio bater à porta (fui um dos atingidos), deveria, previamente, não se consentir, à velocidade com que esta epidemia se desenrola, a tolerância incutida por muitos indiferentes à situação.
O mundo avança vertiginosamente nos meios tecnológicos. Já não toleramos o que chegou a ser inovação nos nossos tempos – os mais de sessenta anos. Vejamos, por exemplo, as páginas das listas telefónicas, onde cabia um país inteiro, substituídas pela Internet e telemóveis; cassetes VHS que revolucionaram o cinema em casa, substituída pela Internet e os downloads; a televisão, quando nem havia comando, surgida em Portugal no ano da gripe asiática, substituída por plasmas e LCD, com imagens de alta definição; a luta entre o papel e o digital, com a crescente digitalização do mundo, alguns suportes mais antigos a serem ameaçados de morte. Não raras vezes o livro e o jornal são dados como mortos; a máquina de escrever, dactilografando ao som das teclas, que chegou a ser a imagem emblemática de alguns escritores, a ser substituída pelo computador; o telefone, sem fio era impossível falar e as cabines telefónicas já quase desapareceram, por oposição à crescente massificação dos telemóveis; bilhete de avião, sem papel não se voava, foi substituído pelo electrónico; tanque da roupa, até se convivia na hora de lavar a roupa à mão. Acabaram os lavadouros públicos. Surgiu a máquina de lavar roupa; disquete, trouxe o primeiro vírus, substituída pelas pens, CD e DVD. Um registo inserido no Diário de Notícias.
E a modernidade, pula e avança. Já não é estranho falar de twitter, facebook, you tube, google, GPS, wikipédia, e-mail; ipphone, playstation.
Nesta silly season, à beira de eleições, continua a ser um país au ralanti. Promessas, muitas promessas. Como nas palavras de Batista Bastos, é preciso haver memória contra o esquecimento.
Conforme refere Francisco Sarsfield Cabral, depois da crise global está a nossa crise. “Começou a recuperação económica mas a recessão deixará profundas cicatrizes”. “Tudo indica que a recuperação económica mundial será difícil, lenta e irregular, e o crédito fácil não voltará tão cedo”. “A nossa crise, que nos tolhe o crescimento económico, nos endivida perante o estrangeiro e nos empobrece, tem pelo menos uma década”. “O fim da crise global, a concretizar-se, não resolver os nossos problemas estruturais”.
Quem não tolerou o record mundial, no atletismo, foi o jamaicano Usain Bolt, cujo feito ficará para a eternidade, ao atingir o patamar do inimitável nos campeonatos mundiais de atletismo.
Não aspiramos a ser assim tão bons. Depois de três décadas após o 25 de Abril, as esperanças de todos vivermos bem estão longe de serem atingidas.
Enquanto houver diferenças abissais nos desideratos de cada um de nós, independentemente do esforço individual ou colectivo, não vamos a lado nenhum.
E a vontade implícita de cada português, no seu trabalho, vai sendo esbatida pelos exemplos que vêm dos próprios governantes, independentemente das cores partidárias.
São sobejamente conhecidos os casos de corrupção, e cada vez mais nos surpreendem, pelo menos aos honestos.
Efectivamente, o País sofre, o País tem os bolsos rotos, mas há muita gentinha com bolsinhas de prata e carteiras de excelente couro para guardar os muitos cartões bancários.
Por cá também vamos ter eleições. Não vamos discuti-las, tanto mais que, pelo trabalho feito, Carlos Pinto já ganhou as eleições. Nem precisa de cartazes.
A cidade pinga de obras a inaugurar.
Mas também há tolerâncias intoleráveis. Vejamos os almoços a um euro que o Município despende, há vários meses, com os portadores do cartão social do idoso. Acreditamos que não estaria no espírito da edilidade a sua extensão global, independentemente do rendimento de cada um, mas tão só aos mais necessitados, e, se foi essa a intenção, vai o nosso apreço. Mas sabemos que não é assim, e, pior que isso, é ver todos os dias, antes das dez horas, um grupo de utilizadores, sentados no muro em frente à ADC, não retirando pé, para serem os primeiros a ser servidos.
Isto extravasa a tolerância e, de intolerância, chega antes à ganância.
(In Notícias da Covilhã de 03/09/2009)
Numa breve semana de férias, estivemos no norte com o amigo Fernando Pedrosa que serviu para colocar em dia o desenferrujar da língua sobre os tempos passados na Covilhã, que não deixa de recordar. Os dois casais mostraram o rol de emoções duma amizade antiga.
A gripe A continua a ganhar terreno e não vemos grandes preocupações da população, numa passividade a que já nos vamos habituando. Se há cinquenta e dois anos a gripe asiática também nos veio bater à porta (fui um dos atingidos), deveria, previamente, não se consentir, à velocidade com que esta epidemia se desenrola, a tolerância incutida por muitos indiferentes à situação.
O mundo avança vertiginosamente nos meios tecnológicos. Já não toleramos o que chegou a ser inovação nos nossos tempos – os mais de sessenta anos. Vejamos, por exemplo, as páginas das listas telefónicas, onde cabia um país inteiro, substituídas pela Internet e telemóveis; cassetes VHS que revolucionaram o cinema em casa, substituída pela Internet e os downloads; a televisão, quando nem havia comando, surgida em Portugal no ano da gripe asiática, substituída por plasmas e LCD, com imagens de alta definição; a luta entre o papel e o digital, com a crescente digitalização do mundo, alguns suportes mais antigos a serem ameaçados de morte. Não raras vezes o livro e o jornal são dados como mortos; a máquina de escrever, dactilografando ao som das teclas, que chegou a ser a imagem emblemática de alguns escritores, a ser substituída pelo computador; o telefone, sem fio era impossível falar e as cabines telefónicas já quase desapareceram, por oposição à crescente massificação dos telemóveis; bilhete de avião, sem papel não se voava, foi substituído pelo electrónico; tanque da roupa, até se convivia na hora de lavar a roupa à mão. Acabaram os lavadouros públicos. Surgiu a máquina de lavar roupa; disquete, trouxe o primeiro vírus, substituída pelas pens, CD e DVD. Um registo inserido no Diário de Notícias.
E a modernidade, pula e avança. Já não é estranho falar de twitter, facebook, you tube, google, GPS, wikipédia, e-mail; ipphone, playstation.
Nesta silly season, à beira de eleições, continua a ser um país au ralanti. Promessas, muitas promessas. Como nas palavras de Batista Bastos, é preciso haver memória contra o esquecimento.
Conforme refere Francisco Sarsfield Cabral, depois da crise global está a nossa crise. “Começou a recuperação económica mas a recessão deixará profundas cicatrizes”. “Tudo indica que a recuperação económica mundial será difícil, lenta e irregular, e o crédito fácil não voltará tão cedo”. “A nossa crise, que nos tolhe o crescimento económico, nos endivida perante o estrangeiro e nos empobrece, tem pelo menos uma década”. “O fim da crise global, a concretizar-se, não resolver os nossos problemas estruturais”.
Quem não tolerou o record mundial, no atletismo, foi o jamaicano Usain Bolt, cujo feito ficará para a eternidade, ao atingir o patamar do inimitável nos campeonatos mundiais de atletismo.
Não aspiramos a ser assim tão bons. Depois de três décadas após o 25 de Abril, as esperanças de todos vivermos bem estão longe de serem atingidas.
Enquanto houver diferenças abissais nos desideratos de cada um de nós, independentemente do esforço individual ou colectivo, não vamos a lado nenhum.
E a vontade implícita de cada português, no seu trabalho, vai sendo esbatida pelos exemplos que vêm dos próprios governantes, independentemente das cores partidárias.
São sobejamente conhecidos os casos de corrupção, e cada vez mais nos surpreendem, pelo menos aos honestos.
Efectivamente, o País sofre, o País tem os bolsos rotos, mas há muita gentinha com bolsinhas de prata e carteiras de excelente couro para guardar os muitos cartões bancários.
Por cá também vamos ter eleições. Não vamos discuti-las, tanto mais que, pelo trabalho feito, Carlos Pinto já ganhou as eleições. Nem precisa de cartazes.
A cidade pinga de obras a inaugurar.
Mas também há tolerâncias intoleráveis. Vejamos os almoços a um euro que o Município despende, há vários meses, com os portadores do cartão social do idoso. Acreditamos que não estaria no espírito da edilidade a sua extensão global, independentemente do rendimento de cada um, mas tão só aos mais necessitados, e, se foi essa a intenção, vai o nosso apreço. Mas sabemos que não é assim, e, pior que isso, é ver todos os dias, antes das dez horas, um grupo de utilizadores, sentados no muro em frente à ADC, não retirando pé, para serem os primeiros a ser servidos.
Isto extravasa a tolerância e, de intolerância, chega antes à ganância.
(In Notícias da Covilhã de 03/09/2009)
30 de julho de 2009
A VOCAÇÃO E A CAUSA – 50 ANOS

Corria o ano da graça de mil novecentos e cinquenta e nove e eu, na minha adolescência, passava o tempo pós escolar e das férias, na antiga Biblioteca Municipal, ao Jardim, onde meu pai se encarregava dos livros e dos jornais.
Na vinda e no regresso para casa, passávamos forçosamente pelas traseiras da Igreja de S. Francisco onde, no largo passeio, se viam, por vezes, vários seminaristas e pessoas novas que frequentavam aquela Igreja.
Um dia vimos um jovem, esguio, de batina preta, cheia de botões, de alto a baixo, como era usual na altura, e pensávamos que se trataria de mais um seminarista de teologia.
Mas como o víamos rezar o breviário, viemos a saber pelo merceeiro José Soares Cruto; do outro lado da rua – a Combatentes da Grande Guerra – que era visitado por alguns sacerdotes, como o Padre Nabais, para falarem também sobre o futebol, de que muito gostavam; e outros nomes que não menciono, por traição da memória; que se tratava do novo coadjutor do pároco da Conceição, o então Padre José Andrade.
Soube-se então que o novel padre dava pelo nome de FERNANDO BRITO DOS SANTOS, natural de Loriga; estávamos no mês de Setembro, daquele ano. Havia sido ordenado padre no mês anterior, mais precisamente em 2 de Agosto, na Sé da Guarda, ele o último de onze novos sacerdotes, ordenados naquele mesmo ano, o derradeiro da década de cinquenta do século passado, e que começaria em 14 de Março, com a ordenação de um novo padre do concelho da Covilhã – Sobral de S. Miguel, e também da Torre, do Sabugal; seguir-se-iam outros, da Rapoula do Côa, Santo Estêvão, Malhada Sorda, Bendada, Aranhas, Janeiro de Cima, Aldeia do Bispo, do concelho de Penamacor (dois), e, finalmente, o Homem de Loriga.
De imediato vimo-lo um sacerdote irrequieto, persistente, quão de humilde até aos dias de hoje, duma tenacidade que nem pensava sequer no seu desgaste, ao longo dos tempos, que o viria a afectar na sua saúde.
O Centro Cultural e Social da Covilhã abria as suas portas e instalou-se também aí o jornal Notícias da Covilhã (NC), propriedade da Diocese da Guarda, e é também aí que o Padre Fernando Brito irá encontrar o seu poiso e percorrer incansavelmente aquelas ruas de calçada em pedra, subidas e estreitas, até à Rua de Santa Maria (hoje Rua do Jornal Notícias da Covilhã).
Dedica-se de alma e coração aos jovens, e não só, numa acção profícua, junto da Acção Católica, onde mais de três décadas foi Assistente Diocesano, impregnando uma forte dinâmica na JOC – Juventude Operária Católica, em tempos difíceis que incomodavam a ditadura salazarista e mesmo marcelista.
E o lema desta juventude católica –“Nós não queremos a revolução, nós somos a própria revolução” – iria ser a luz forte que iluminaria muitos rapazes e raparigas, alegres, numa vontade inquebrantável, de ajudar a mudar o mundo do trabalho, na cristandade, quais Carrolas, Chiquitas; e outros quejandos, que o digam o José Manuel Duarte e a Alexandrina, e que outros nomes, omissos por exigências do espaço deste jornal, também foram merecedores da “bênção” do Padre Fernando.
Depois, dividido entre a Redacção do NC e outras multifacetadas funções, nomeadamente a sua intensa acção paroquial, levou-o a uma sobrecarga de trabalho, que ainda mantém, mas sem um qualquer enfado, antes na envolvente da palavra “sim” que trás sempre na mente.
Sim, porque ele é o “S. Vicente de Paulo covilhanense”, como fôra, durante trinta e cinco anos, o “Cardijn covilhanense, de coração”; sim, porque está sempre nos trilhos mais difíceis onde outros não querem ir; sim, porque é o apaziguador de conflitos, sempre no anonimato; sim, porque ele é uma estrela nas peregrinações que se transformam numa festa.
Fica muito por dizer deste Covilhanense de coração, de excessiva humildade, e que, por isso, muito do que faz não chega ao domínio público.
Se alguém da Cidade merece uma sentida homenagem pública, de há muito, este Homem é credor do respeito citadino, e diocesano.
(In “DIÁRIO XXI”, “GAZETA DO INTERIOR” e “JORNAL DE SANTA MARINHA”, digital, (Quinzenário do Concelho de Seia), de 29 de Julho; “NOTÍCIAS DA COVILHÔ e “NOTÍCIAS DE GOUVEIA”, de 30 de Julho e Jornal de Seia “Porta da Estrela”, de 30 de Julho, em edição papel e electrónica)
23 de julho de 2009
O FALECIMENTO DO CÓNEGO JOSÉ GERALDES

Não posso deixar de manifestar o meu sentimento de pesar, e o sentir de algum vazio, esperando que momentâneo, face ao desaparecimento do Padre Geraldes do mundo dos vivos.
Lia, e algumas vezes relia, os seus editoriais, no Notícias da Covilhã, do qual ele era o seu Director, sempre na defesa dos valores da vida e da cidadania, e em prol da Covilhã e Região.
Também não posso deixar de me recordar das suas raízes de Casegas, onde meu pai foi ali seu professor na 4.ª classe da Escola Primária, tinha eu uns dois anos.
Depois, o convite que lhe fez, como seu antigo professor, para participar na sua primeira missa, tendo-se deslocado, para Casegas, no carro de outro amigo, também desaparecido este ano, o livreiro José Mendes dos Santos.
Muito antes de ser Director do Notícias da Covilhã, e antes do 25 de Abril, uma ou outra vez o abordei, em encontros de ocasião, sobre alguns resquícios da ditadura, que os mentores do lápis azul faziam sublinhar, num deitar de olho pela imprensa regional, numa página própria do jornal do governo de então – o “Diário da Manhã”, visando parte de alguns textos deste Semanário.
Da amizade que nos envolveu, ampliada com contactos mais frequentes aquando da minha passagem pelo dirigismo da APAE Campos Melo, passara então a enviar-nos o jornal que dirigia, em Paris – “Presença Portuguesa”.
Mais tarde, e já sob a sua liderança como Director do Notícias da Covilhã, tive algumas trocas de impressões na colaboração deste semanário.
Por isso, não posso deixar de recordar este Homem que ainda conseguiu ver o seu contributo citadino reconhecido pela edilidade, através da homenagem que lhe foi feita durante as comemorações do Dia da Cidade, em 20 de Outubro de 2008.
(In Diário XXI, de 22 de Julho, e Notícias da Covilhã, de 23 de Julho)
OS “RITAS” AINDA TRAZEM À BAILA O “SPORTING DA COVILHÔ
Li em três jornais desportivos, de 29 de Junho último, com destaque, a contratação pelo Paços de Ferreira, de Leandro Barrios, neto do antigo guarda-redes do Sporting da Covilhã (SCC), José Rita.
O “Jogo” referia: “Meio século depois, os relvados nacionais vão voltar a ser pisados por um Rita dos Mártires. O legado da família começou na década de 1950, com José Bartolomeu, e vai continuar agora com o neto Leandro Barrios, avançado.”
Sendo certo que na antiga I Divisão chegaram a jogar dois guarda-redes, de nome Rita – o João Rita, do Caldas; e o José Rita, do SCC, ambos já falecidos, foi, no entanto, este último que, de facto, se evidenciou a nível nacional.
José Bartolomeu Barrocal Rita dos Mártires, de seu nome completo, mais conhecido pelo Rita, radicou-se no Brasil, quando deixou o Benfica, onde faleceu.
Num breve telefonema, uns dois anos antes da sua morte, já doente, falou comigo, com dificuldade, encorajado pela filha; que nasceu na Covilhã – a Fátima Regina, que lhe deu três netos: a Luana, o Tiago e o Diego; que insistiu com ele para falar: “É o teu amigo de Portugal, da Covilhã, onde jogaste!” Pouco falou e quase que só pôde perguntar onde estavam os seus antigos companheiros do SCC – o Martin, o Hélder e o Cavem.
Mas, uns anos antes, ainda em forma, em 1991, ficou deslumbrado quando recebeu notícias da Covilhã. As suas palavras, escritas pelo seu próprio punho, são evidentes de uma grande alegria: “Que emoção! Nem sei como explicar-lhe tanta alegria! Como é gratificante a gente saber que não é esquecido! (…) Paizão, vá tomar banho, vista um shorts e sente-se no sofá e relax, pois vai ter uma grande alegria. Não acreditei. As lágrimas rolaram de tanta emoção. Como foi possível rever antigos companheiros. Puxa vida! Não tenho palavras para lhe agradecer. Deus lhe pague. (…) No SCC agradeço aos meus companheiros da defesa: Hélder, Couceiro, Cavem, Martin, Cabrita. Estes gajos eram fogo! Que saudades! Era amor pela camisola verde e branca (…)”.
Depois, mais tarde, o filho, José Manuel Rita dos Mártires, ao receber a história do SCC, em 1993, no Brasil, envia-me uma carta e, dizia, num extenso rol de emoções: “(…) Estou muito emocionado, e orgulhoso do meu querido pai, pois desde pequeno sempre ouvi dizer que o “Rita” foi um bom goleiro; porém, nas últimas horas, ao ler a sua obra, é que descobri que ele foi um dos melhores. É emocionante para um filho descobrir aos 28 anos que seu pai era um atleta respeitado e entender hoje os porquês da vida. Estou-me sentindo como uma criança quando vê no pai um super-herói.
Quando garoto joguei na Portuguesa dos Desportos, aqui em S. Paulo. (…) Esta obra que o Sr. nos enviou me fez saber porquê das atitudes de meu pai, pois um atleta que teve de tudo, respeito, fama, carinho, amigos, etc., etc. foi abandonado por um clube como o Benfica. (…) Ganhei um troféu e já tinha conseguido, assim, algo que eu pudesse mostrar para os meus filhos, pois tenho o mais novo (4 anos) que tenho a certeza vai ser goleiro e dos bons, mas depois deste livro não posso parar e ainda tenho muito como goleiro para dar, pois segundo meu pai, goleiro é como vinho, quanto mais velho melhor.
Torço pelo SCC, desde pequeno, influenciado por meu pai, e como estou e continuarei jogando, gostaria de lhe pedir um uniforme de guarda-redes do SCC para que eu possa jogar aqui no “Leão do Morro” com o uniforme do “Leão da Serra”.
Pois bem, o equipamento de guarda-redes foi solicitado ao SCC mas não lhe foi enviado.
Mais tarde, no meu escritório, recebo um telefonema, oriundo dum empresário de futebol, do Brasil, solicitando apresentasse ao SCC o interesse em que jogasse à experiência um neto do Rita, “um garoto de grande valor, endiabrado, grande avançado”.
Informei o empresário de que eu não era dirigente do SCC, que me enviasse um e-mail, pois o canalizaria para o Clube.
No entanto, previamente, através dum telefonema, comuniquei o interesse manifestado ao então Presidente da Direcção, João Petrucci, que nada podia fazer na altura, face às finanças do clube.
O destino de Leandro Barrios, neto do Rita, acabaria por não vingar ainda em Portugal, naquela altura, mas bateu às portas do clube onde jogou seu avô, lá isso é verdade.
(In Diário XXI, de 7 de Julho; Notícias da Covilhã e Jornal do Fundão, de 23 de Julho)
O “Jogo” referia: “Meio século depois, os relvados nacionais vão voltar a ser pisados por um Rita dos Mártires. O legado da família começou na década de 1950, com José Bartolomeu, e vai continuar agora com o neto Leandro Barrios, avançado.”
Sendo certo que na antiga I Divisão chegaram a jogar dois guarda-redes, de nome Rita – o João Rita, do Caldas; e o José Rita, do SCC, ambos já falecidos, foi, no entanto, este último que, de facto, se evidenciou a nível nacional.
José Bartolomeu Barrocal Rita dos Mártires, de seu nome completo, mais conhecido pelo Rita, radicou-se no Brasil, quando deixou o Benfica, onde faleceu.
Num breve telefonema, uns dois anos antes da sua morte, já doente, falou comigo, com dificuldade, encorajado pela filha; que nasceu na Covilhã – a Fátima Regina, que lhe deu três netos: a Luana, o Tiago e o Diego; que insistiu com ele para falar: “É o teu amigo de Portugal, da Covilhã, onde jogaste!” Pouco falou e quase que só pôde perguntar onde estavam os seus antigos companheiros do SCC – o Martin, o Hélder e o Cavem.
Mas, uns anos antes, ainda em forma, em 1991, ficou deslumbrado quando recebeu notícias da Covilhã. As suas palavras, escritas pelo seu próprio punho, são evidentes de uma grande alegria: “Que emoção! Nem sei como explicar-lhe tanta alegria! Como é gratificante a gente saber que não é esquecido! (…) Paizão, vá tomar banho, vista um shorts e sente-se no sofá e relax, pois vai ter uma grande alegria. Não acreditei. As lágrimas rolaram de tanta emoção. Como foi possível rever antigos companheiros. Puxa vida! Não tenho palavras para lhe agradecer. Deus lhe pague. (…) No SCC agradeço aos meus companheiros da defesa: Hélder, Couceiro, Cavem, Martin, Cabrita. Estes gajos eram fogo! Que saudades! Era amor pela camisola verde e branca (…)”.
Depois, mais tarde, o filho, José Manuel Rita dos Mártires, ao receber a história do SCC, em 1993, no Brasil, envia-me uma carta e, dizia, num extenso rol de emoções: “(…) Estou muito emocionado, e orgulhoso do meu querido pai, pois desde pequeno sempre ouvi dizer que o “Rita” foi um bom goleiro; porém, nas últimas horas, ao ler a sua obra, é que descobri que ele foi um dos melhores. É emocionante para um filho descobrir aos 28 anos que seu pai era um atleta respeitado e entender hoje os porquês da vida. Estou-me sentindo como uma criança quando vê no pai um super-herói.
Quando garoto joguei na Portuguesa dos Desportos, aqui em S. Paulo. (…) Esta obra que o Sr. nos enviou me fez saber porquê das atitudes de meu pai, pois um atleta que teve de tudo, respeito, fama, carinho, amigos, etc., etc. foi abandonado por um clube como o Benfica. (…) Ganhei um troféu e já tinha conseguido, assim, algo que eu pudesse mostrar para os meus filhos, pois tenho o mais novo (4 anos) que tenho a certeza vai ser goleiro e dos bons, mas depois deste livro não posso parar e ainda tenho muito como goleiro para dar, pois segundo meu pai, goleiro é como vinho, quanto mais velho melhor.
Torço pelo SCC, desde pequeno, influenciado por meu pai, e como estou e continuarei jogando, gostaria de lhe pedir um uniforme de guarda-redes do SCC para que eu possa jogar aqui no “Leão do Morro” com o uniforme do “Leão da Serra”.
Pois bem, o equipamento de guarda-redes foi solicitado ao SCC mas não lhe foi enviado.
Mais tarde, no meu escritório, recebo um telefonema, oriundo dum empresário de futebol, do Brasil, solicitando apresentasse ao SCC o interesse em que jogasse à experiência um neto do Rita, “um garoto de grande valor, endiabrado, grande avançado”.
Informei o empresário de que eu não era dirigente do SCC, que me enviasse um e-mail, pois o canalizaria para o Clube.
No entanto, previamente, através dum telefonema, comuniquei o interesse manifestado ao então Presidente da Direcção, João Petrucci, que nada podia fazer na altura, face às finanças do clube.
O destino de Leandro Barrios, neto do Rita, acabaria por não vingar ainda em Portugal, naquela altura, mas bateu às portas do clube onde jogou seu avô, lá isso é verdade.
(In Diário XXI, de 7 de Julho; Notícias da Covilhã e Jornal do Fundão, de 23 de Julho)
14 de julho de 2009
AQUELE GRITO DE REVOLTA
Num semanário da Região escrevi há quase quatro décadas, com repercussão a um artigo surgido na semana anterior, que se intitulava “Funcionários públicos – esperança para 1972”, e, dando título ao meu texto – “Uma sóbria profissão: o Funcionalismo Público” – defendi a situação difícil que nesse tempo vivia esta classe, sem receio do tempo do “exame prévio” que substituíra a “comissão de censura”, mas que produzia o mesmo efeito.
Embora não me chegassem a pisar os calos, senti alguns risos irónicos e um rosnar de vozes por alguns cantos do município onde então trabalhava; e, paradoxalmente, algumas vozes de apoio para que eu prosseguisse na mesma senda, por colegas da Repartição de Finanças, o que eles não desejavam fazer…
Os tempos de hoje são diferentes mas ainda há vozes que preferem silenciar-se, não divulgando, na comunicação social, os erros ou incúrias que lesam gravemente o ser humano, chegando ao ponto de partirem para a outra margem da vida.
“UM GRITO DE REVOLTA”, de Maria dos Prazeres Matos Antunes Oliveira Roque, de Caria, que li no número de 28 de Maio, do Jornal do Fundão, e cujo conteúdo já conhecia porque a autora, num desabafo de revolta, de semblante triste, mas sem desejo de vingança, lamentava profundamente a negligência de que seu marido fora vítima, pelos clínicos que não souberam diagnosticar devidamente a sua doença; e o reconhecimento àqueles que constataram, tardiamente, a ineficácia do serviço dos seus colegas, mas que a ética profissional os obrigava a não fazerem comentários, é uma atitude de coragem e, embora não reclamando justiça, apela para o alerta futuro na dignidade que o doente merece.
Conheci e fui amigo do Américo Roque, da minha idade, pessoa quão simples como do brotar de simpatia, que gostava de viver, de lidar com os animais, dos pássaros e aves de capoeira, aos cães e gatos; mas que não pôde continuar a viver porque andou por caminhos clínicos errados.
Penso que as gentes da nossa gente beirã e portuguesa devem estar atentas e denunciar vivamente, sem receios, o que entenderem sobre eventuais erros ou negligência que possam afectar até ao túmulo a vida das pessoas.
Sabemos que dentro daquele véu em que muitas vezes se escondem os médicos – o foro clínico – não é suficiente para que o doente; ou os seus familiares, que até tem o seu estatuto, com vários direitos, espalhados pelas paredes dos hospitais; não deixe de responder à conduta que lhe é lesiva.
Sabemos que é difícil, e que o livro de reclamações pouco adianta, pois ainda hoje aguardo resposta a uma reclamação feita sobre um clínico duma urgência, verificada no dia 21 de Agosto de 2008, do Hospital da Covilhã.
Também sabemos distinguir os médicos de excelência que, quantas vezes, nos trazem o ambiente balsâmico para as nossas vidas.
(In Diário Digital ''Kaminhos'' de 14/07/2009)
Embora não me chegassem a pisar os calos, senti alguns risos irónicos e um rosnar de vozes por alguns cantos do município onde então trabalhava; e, paradoxalmente, algumas vozes de apoio para que eu prosseguisse na mesma senda, por colegas da Repartição de Finanças, o que eles não desejavam fazer…
Os tempos de hoje são diferentes mas ainda há vozes que preferem silenciar-se, não divulgando, na comunicação social, os erros ou incúrias que lesam gravemente o ser humano, chegando ao ponto de partirem para a outra margem da vida.
“UM GRITO DE REVOLTA”, de Maria dos Prazeres Matos Antunes Oliveira Roque, de Caria, que li no número de 28 de Maio, do Jornal do Fundão, e cujo conteúdo já conhecia porque a autora, num desabafo de revolta, de semblante triste, mas sem desejo de vingança, lamentava profundamente a negligência de que seu marido fora vítima, pelos clínicos que não souberam diagnosticar devidamente a sua doença; e o reconhecimento àqueles que constataram, tardiamente, a ineficácia do serviço dos seus colegas, mas que a ética profissional os obrigava a não fazerem comentários, é uma atitude de coragem e, embora não reclamando justiça, apela para o alerta futuro na dignidade que o doente merece.
Conheci e fui amigo do Américo Roque, da minha idade, pessoa quão simples como do brotar de simpatia, que gostava de viver, de lidar com os animais, dos pássaros e aves de capoeira, aos cães e gatos; mas que não pôde continuar a viver porque andou por caminhos clínicos errados.
Penso que as gentes da nossa gente beirã e portuguesa devem estar atentas e denunciar vivamente, sem receios, o que entenderem sobre eventuais erros ou negligência que possam afectar até ao túmulo a vida das pessoas.
Sabemos que dentro daquele véu em que muitas vezes se escondem os médicos – o foro clínico – não é suficiente para que o doente; ou os seus familiares, que até tem o seu estatuto, com vários direitos, espalhados pelas paredes dos hospitais; não deixe de responder à conduta que lhe é lesiva.
Sabemos que é difícil, e que o livro de reclamações pouco adianta, pois ainda hoje aguardo resposta a uma reclamação feita sobre um clínico duma urgência, verificada no dia 21 de Agosto de 2008, do Hospital da Covilhã.
Também sabemos distinguir os médicos de excelência que, quantas vezes, nos trazem o ambiente balsâmico para as nossas vidas.
(In Diário Digital ''Kaminhos'' de 14/07/2009)
25 de junho de 2009
O CARRO DO “SORTEIO DOS CEGOS”
Há uns anos encontrava-me em Vilamoura, com a família, no restaurante do Paulo China e do Figo, quando entrou o então futebolista internacional Paulo Sousa.
Ao lado da minha mesa estava o cantor Fernando Tordo que comentou baixinho para o seu amigo: “Ganha este gajo mais num mês que eu num ano!...”
Se atentarmos ao que se passa com os 94 milhões, número tão extravagante que já nem se leva o pensamento para Bancos – BPNs, BPPs, e quanto baste – mas tem de imediato um destinatário – Cristiano Ronaldo –, que comparação é que faria então o nosso cantor português, do “Cavalo à Solta” e da “Tourada” perante este “menino de diamante”?
Eu que gosto de futebol, escrevi muito sobre futebol, se calhar começo a ficar com o enfado do futebol.
Passei pelo restaurante do Vítor Saraiva – o “Neca”, na Covilhã, onde possui também, nas paredes do seu estabelecimento, fotografias e mensagens de gentes ilustres do mundo do desporto, e não só, como o Paulo China exibe em Vilamoura.
Mostra-me os jornais desportivos “O Jogo”, de 24/06/2008, com uma fotografia sua, equipado à Sporting, ao lado de Liedson, num grande cartaz, que, por sua vez, está junto ao sportinguista Yannick Djaló, que saiu do C.D. Estação.
Noutro jornal – “A Bola” – de 12/6/2009, lá aparece o amigo Neca com um breve texto e foto, não faltando a chamada de atenção – ”Ganhei o 1.º prémio no concurso gastronómico da CM Covilhã com um cabrito assado na brasa”.
Mas ao lado da sua fotografia, no jornal surge uma outra com história, de Tomás Paquete, uma das maiores figuras do atletismo português das décadas de 40 e 50, velocista do Benfica, 18 vezes campeão de Portugal, e não só, falecido há dias, e que há mais de vinte anos ainda chegou a ser meu colega de profissão.
Mas o Neca sempre foi daqueles covilhanenses de bom humor.
Recordei-lhe os tempos em que andámos na catequese, em S. Pedro, ao tempo do Padre Carreto, em que chegou a integrar uma peça teatral representando “Cristo”, em “Marcelino, Pão e Vinho”.
Mas na senda das memórias ficou o ano da “1.ª Prova da Rampa Serra da Estrela”, no início da década de setenta.
Tinha o Neca a carta de condução há cerca de 15 dias. Foi para a “Rosa Negra”, pelas 2 horas da manhã, juntamente com os amigos, entre os quais o Xico Antunes, ver treinar os profissionais da Rampa, o que se fazia naquele tempo.
Entretanto, o falecido Fernando Sobral, com o seu volkswagen artilhado, veio também fazer o trajecto da prova, que era do “Conde da Covilhã ao Sanatório”, com o cronometrista Xico Antunes. Surge à “Rosa Negra” a desafiar com o pouco tempo que gastara no percurso.
O Neca, há pouco tempo encartado, propõe-se fazer a prova em menos tempo. Fernando Sobral aceitou o desafio e confiou o seu carro ao amigo Neca, acompanhado pelo Xico Antunes. Fraca experiência do Neca e começa a acelerar; ao aproximar-se da “Rosa Negra”, depara-se com um carro em sentido contrário. Ao ver os faróis, desvia-se demasiado para a direita, subindo a rampa, e capotando duas vezes para o lado esquerdo, onde se encontrava a plateia de mirones.
Apesar de ter capotado, os dois ocupantes saíram ilesos; e o Neca recebeu forte ovação dos mirones, eram uma 3 horas da manhã.
Após o susto surgiu o Tó Coelho que resolveu o problema do reboque, levando o carro na camioneta de caixa aberta de seu pai.
No percurso, ao entrar no Pelourinho, com o espectáculo do carro do Sobral, amolgado, em cima da camioneta, o Neca ainda teve fôlego para deitar o desabafo: “Eh! Pá! Até parece o carro do Sorteio dos Cegos!...”
Finalmente, para “alívio” do Neca, no dia seguinte – o da prova – o terceiro concorrente fez exactamente a mesma coisa e não teve direito a palmas…
(In Notícias da Covilhã e Diário XXI de 25/06/2009 e no jornal ''O Olhanense''
Ao lado da minha mesa estava o cantor Fernando Tordo que comentou baixinho para o seu amigo: “Ganha este gajo mais num mês que eu num ano!...”
Se atentarmos ao que se passa com os 94 milhões, número tão extravagante que já nem se leva o pensamento para Bancos – BPNs, BPPs, e quanto baste – mas tem de imediato um destinatário – Cristiano Ronaldo –, que comparação é que faria então o nosso cantor português, do “Cavalo à Solta” e da “Tourada” perante este “menino de diamante”?
Eu que gosto de futebol, escrevi muito sobre futebol, se calhar começo a ficar com o enfado do futebol.
Passei pelo restaurante do Vítor Saraiva – o “Neca”, na Covilhã, onde possui também, nas paredes do seu estabelecimento, fotografias e mensagens de gentes ilustres do mundo do desporto, e não só, como o Paulo China exibe em Vilamoura.
Mostra-me os jornais desportivos “O Jogo”, de 24/06/2008, com uma fotografia sua, equipado à Sporting, ao lado de Liedson, num grande cartaz, que, por sua vez, está junto ao sportinguista Yannick Djaló, que saiu do C.D. Estação.
Noutro jornal – “A Bola” – de 12/6/2009, lá aparece o amigo Neca com um breve texto e foto, não faltando a chamada de atenção – ”Ganhei o 1.º prémio no concurso gastronómico da CM Covilhã com um cabrito assado na brasa”.
Mas ao lado da sua fotografia, no jornal surge uma outra com história, de Tomás Paquete, uma das maiores figuras do atletismo português das décadas de 40 e 50, velocista do Benfica, 18 vezes campeão de Portugal, e não só, falecido há dias, e que há mais de vinte anos ainda chegou a ser meu colega de profissão.
Mas o Neca sempre foi daqueles covilhanenses de bom humor.
Recordei-lhe os tempos em que andámos na catequese, em S. Pedro, ao tempo do Padre Carreto, em que chegou a integrar uma peça teatral representando “Cristo”, em “Marcelino, Pão e Vinho”.
Mas na senda das memórias ficou o ano da “1.ª Prova da Rampa Serra da Estrela”, no início da década de setenta.
Tinha o Neca a carta de condução há cerca de 15 dias. Foi para a “Rosa Negra”, pelas 2 horas da manhã, juntamente com os amigos, entre os quais o Xico Antunes, ver treinar os profissionais da Rampa, o que se fazia naquele tempo.
Entretanto, o falecido Fernando Sobral, com o seu volkswagen artilhado, veio também fazer o trajecto da prova, que era do “Conde da Covilhã ao Sanatório”, com o cronometrista Xico Antunes. Surge à “Rosa Negra” a desafiar com o pouco tempo que gastara no percurso.
O Neca, há pouco tempo encartado, propõe-se fazer a prova em menos tempo. Fernando Sobral aceitou o desafio e confiou o seu carro ao amigo Neca, acompanhado pelo Xico Antunes. Fraca experiência do Neca e começa a acelerar; ao aproximar-se da “Rosa Negra”, depara-se com um carro em sentido contrário. Ao ver os faróis, desvia-se demasiado para a direita, subindo a rampa, e capotando duas vezes para o lado esquerdo, onde se encontrava a plateia de mirones.
Apesar de ter capotado, os dois ocupantes saíram ilesos; e o Neca recebeu forte ovação dos mirones, eram uma 3 horas da manhã.
Após o susto surgiu o Tó Coelho que resolveu o problema do reboque, levando o carro na camioneta de caixa aberta de seu pai.
No percurso, ao entrar no Pelourinho, com o espectáculo do carro do Sobral, amolgado, em cima da camioneta, o Neca ainda teve fôlego para deitar o desabafo: “Eh! Pá! Até parece o carro do Sorteio dos Cegos!...”
Finalmente, para “alívio” do Neca, no dia seguinte – o da prova – o terceiro concorrente fez exactamente a mesma coisa e não teve direito a palmas…
(In Notícias da Covilhã e Diário XXI de 25/06/2009 e no jornal ''O Olhanense''
18 de junho de 2009
O adeus a José Pereira

Inesperadamente desaparece do mundo dos vivos mais um antigo atleta do Sporting da Covilhã.
Depois de dois antigos dirigentes que ajudaram a cimentar o clube serrano para o galarim da história nacional do futebol português, e da imagem da cidade e região que acolhe de bom grado o “Leão da Serra”, terem partido – refiro-me claramente aos saudosos José de Sousa Gaspar e Carlos Xistra – coube também a vez dos homens das “chuteiras” terem visto cedo o destino certo dos humanos: foram eles os cunhados Rui Leite e Guilherme Moreira, depois de outros anteriores também já terem desaparecido.
Outras grandes glórias do SCC, já octogenárias, nomeadamente Suarez, Cabrita e Tomé, vão atravessando dificuldades nas suas doenças, mas de quando em vez, vão enviando saudações para o clube serrano cujas camisolas briosamente envergaram.
O antigo guarda-redes do Sporting Clube da Covilhã, José Pereira Moreno, covilhanense de gema, brioso desportista, amável nas palavras quão de simplicidade nas suas atitudes, vem aumentar o número dos que já passaram para a outra margem da vida, cedo para os tempos de hoje.
Foi incontestável titular nos juniores do SCC, na década de 60, ao lado de nomes de destaque como os irmãos Prata, Victor Campos, Berrincha, Ferrinho, Cipriano, Humberto e outros.
Depois, titular várias vezes, nas 2.ª e 3.ª Divisões Nacionais – nesta última chegou a ser Campeão Nacional na época de 1974/75 – sendo geralmente o 2.º guarda-redes nos seniores.
Depois de ter deixado de representar o SCC, envergou as camisolas da Associação Desportiva da Guarda, Benfica de Castelo Branco, Pinhelenses e Sport Clube do Barco, tendo, neste último, como treinador-jogador, levado a colectividade a ganhar o distrital da época 1981/82, no surgimento de César Brito.
No dia do seu falecimento, em conversa com Miguel Saraiva, Filipe Pinto e seus antigos companheiros, Fazenda e Eduardo Prata, comentámos as qualidades deste homem simples que continuava a vibrar com as cores serranas e a acompanhar alguns jogos fora.
No passado dia 1 de Maio esteve presente no jantar das velhas glórias do Sporting da Covilhã, onde confraternizou com antigos colegas, que agora lamentam a sua perda.
Paz à sua alma.
(In Diário XXI, de 17 de Junho e Jornal Notícias da Covilhã, de 18 de Junho)
1 de junho de 2009
A LONGEVIDADE DA ESCOLA INDUSTRIAL
Soe dizer-se Rua Direita, em vez de Rua Comendador Campos Melo; Praça, em vez de Mercado; Liceu, em vez de Escola Frei Heitor Pinto; Igreja de S. Martinho, em vez de Igreja de Nª. Sª de Fátima; e também a actual designação de Escola Secundária Campos Melo é mais conhecida, como sempre, por Escola Industrial.
Nesta instituição de excelência passou um formigueiro de gente, não só covilhanenses, como fundanenses, belmontenses, e de outras paragens da região, e não só.
Por todo o País, e vários cantos do Mundo, há homens e mulheres que passaram pela Escola Industrial e Comercial Campos Melo.
Fui também um dos seus alunos, inicialmente diurno, e, nos últimos anos, nocturno, sendo nesta fase que concluí o Curso Geral do Comércio.
Foram momentos bons, outros menos agradáveis, mas no somatório resultou num saldo francamente positivo.
No contacto com muitos Professores e Colegas, surgiram, na sua generalidade, amizades, algumas mais fortes que outras, hoje numa evidente nostalgia.
Ainda tenho memórias vivas de momentos bons e orgulho-me de ter participado nas Comemorações do Centenário, já lá vão 25 anos, e na fundação da APAE. Pena é que alguns Colegas, que também estiveram presentes e foram participativos em muitas reuniões de trabalho, cedo tenham desaparecido do mundo dos vivos.
Mas no privilégio de ainda poder memorizar, recordo também, ainda que vagamente, as Bodas de Diamante da Escola, sem a pompa do Centenário. Andava no 1.º ano do Ciclo Preparatório (os dois anos preliminares do Ensino Secundário exerciam-se na mesma instituição, não sendo em escola independente, como agora) e lembro o Director da Escola Industrial, Eng.º Ernesto de Melo e Castro, alegremente dizer que ouvira a notícia na Emissora Nacional (a televisão, de um único canal, a preto e branco, estava nos primórdios) do aniversário da Escola, e, logo referiu energicamente, como era de seu timbre: “A Rádio informou que a Escola Industrial comemora as Bodas de Ouro, mas não são Bodas de Ouro, são Bodas de Diamante. Vamos ver nos jornais de hoje se lá vem a notícia com o aniversário correcto”.
Quando a Escola Industrial foi criada, presidia à Câmara Municipal o Dr. António Pedroso dos Santos, que tem o seu nome numa das ruas da cidade. Na acta da sessão extraordinária do dia 5 de Janeiro de 1884, dois dias antes da criação da Escola, registou-se naquele livro documental: “Presidência do Senhor Doutor Pedroso dos Santos, estando presentes os Senhores Vereadores efectivos, Doutor Neves, Tavares Barreto e Fernandes d’Amaral, faltando com causa justificada os demais Senhores Vereadores.
Prestou juramento e entrou no exercício das suas funções o Senhor Vereador, substituto, Bernardino Morais d’Oliveira.
Também esteve presente o Senhor Administrador do Concelho.
Aberta a sessão à uma hora da tarde.
O Senhor Presidente declarou: que convocara a Câmara para esta sessão extraordinária pelo motivo que passa a expor, e cuja importância e urgência a mesma Câmara avaliará.
Que o Exm.º Sr. José Maria Veiga da Silva Campos Melo, Procurador à Junta Geral deste Distrito, e um dos mais importantes industriais deste Concelho, o informara de que estando recentemente com Sua Ex.ª o Ministro das Obras Públicas, este lhe manifestou o desejo do Governo abrir, quanto antes, escolas profissionais nos centros industriais, e o encarregou de solicitar desta Câmara que aplanasse as dificuldades que podem resultar da falta dum edifício com a capacidade e cómodos para a instalação das escolas de desenho, de mecânica e de tinturaria aplicadas, auxiliando, assim, o empenho do Governo, no sentido de instruir a população operária.
Que ele Presidente, compreendendo a vantagem intuitiva de criações de tais escolas não tinha dúvida, por sua parte, de votar uma despesa compatível com os recursos do município, a fim de se obter a realização de tão assinalado serviço, como o que o Governo projecta em favor dos industriais deste centro fabril.
Falaram sobre o assunto os Senhores Vereadores Doutor Neves e Fernandes d’Amaral, e não havendo outros vereadores inscritos, procedeu-se à votação, e, por unanimidade, se deliberou que a Câmara, congratulando-se, por ver atendida uma das mais imperiosas necessidades deste município, qual a da instrução profissional, secundará o empenho do Governo, pondo à sua disposição um edifício com a capacidade precisa para as escolas cuja fundação se projecta.
Deliberou-se mais: que uma cópia desta acta fosse enviada ao Exm.º Ministro das Obras Públicas, pedindo-se a Sua Ex.ª que mande um empregado, seu subordinado, inspeccionar o edifício que a Câmara destina para as escolas em projecto, para estando na casa, se fazerem nela as obras complementares necessárias.
E, finalmente, deliberou que se o edifício escolhido for particular se contrate a sua compra, ficando o Senhor Presidente para tanto já com poderes, fazendo-se logo o orçamento para a aquisição do mesmo edifício, e pedindo-se a necessária autorização e aprovação superior.
O Senhor Administrador do Concelho declarou: que se associava do melhor grado à deliberação da Câmara, e a felicitava por ter secundado o grandioso pensamento do Exm.º Ministro, vista a importância da instituição.
Não havendo mais a tratar, encerrou-se a sessão sendo duas e meia horas da tarde.
E eu António Carlos de Sousa Pimentel, Primeiro-Oficial da Secretaria Municipal, servindo d’Escrivão no impedimento legal do próprio, a escrevi, tendo prestado o competente juramento, nas mãos do Senhor Presidente.
Seguiram-se as assinaturas de: António Pedroso dos Santos
João das Neves
José Tavares Barreto
Bernardino Moraes d’Oliveira
Joaquim José Fernandes d’Amaral”
E, na acta da sessão de Câmara seguinte, datada de 16 de Janeiro de 1884, consta:
“Presidência do Senhor Doutor Pedroso dos Santos, Vereadores presentes os Senhores Artur Alves, Doutor João Dias Mateus e Morais de Oliveira, este substituto, faltando com causa justificada os demais Senhores Vereadores.
À uma hora da tarde declarou o Senhor Presidente aberta a sessão.
Lida a acta da sessão precedente foi aprovada.
O Senhor Doutor João Dias Mateus, Vereador efectivo, prestou o juramento da lei e entrou no exercício das suas funções.
O Senhor Presidente apresentou à Câmara os seguintes documentos e correspondência: Portaria do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, de 14 do corrente mês, em que Sua Majestade, El-Rei, manda por aquele Ministério, acusar ao Senhor Presidente da Câmara Municipal deste Concelho da Covilhã a recepção da cópia da acta da sessão extraordinária da Câmara de cinco deste mês corrente, em que a mesma Câmara resolveu por unanimidade de votos, dos Senhores presentes à dita sessão, pôr à disposição do governo um edifício com a capacidade precisa para o estabelecimento da escola industrial criada por decreto de três de Janeiro do corrente ano; e Determinando O Mesmo Augusto Senhor, que em Sua Real Norma, se faça constar ao Senhor Presidente desta Câmara Municipal, para os devidos efeitos, que foi muito agradável de Sua Majestade, tornando-se digno de especial louvor, o modo, por que a Câmara Municipal do Concelho da Covilhã secundou a criação e organização da mesma escola industrial.
A Câmara ficou inteirada, congratulando-se pelo louvor contido na Portaria de Sua Majestade. (...)”
As Bodas de Prata da fundação da Escola Industrial, verificadas em Janeiro de 1909, tiveram na Câmara Municipal a Presidência de João das Neves, sendo Vice-Presidente o Padre José da Costa e Oliveira e dez Vereadores.
Foi Director da Escola, e seu Professor, desde a sua fundação, José da Fonseca Teixeira.
As Bodas de Ouro, verificadas em Janeiro de 1934, tiveram na Câmara Municipal, então em Comissão Administrativa, a presidência do Dr. Alexandre de Quental Calheiros Veloso, se bem que várias vezes também presidiu o Dr. Francisco Almeida Garrett. Como Vice-Presidente constava o Dr. José Victor Tavares Batista, um secretário, quatro vogais, e seis substitutos, o primeiro dos quais foi o Engº. Ernesto de Campos Melo e Castro, que, entretanto, era já, nessa altura, o Director da Escola Industrial e Comercial Campos Melo.
Aquando das Bodas de Diamante, em Janeiro de 1959, liderava a Câmara Municipal o Dr. José Ranito Baltazar, sendo Vice-Presidente o Dr. Gabriel Boavida Castelo Branco, e mais seis Vereadores.
Como Director da Escola mantinha-se o Eng.º Ernesto Melo e Castro.
No Centenário, em 1884, cujas comemorações se prolongaram por todo o ano, e se deu início aos trabalhos da constituição da pró-associação de antigos professores, alunos e empregados, que iria dar lugar à APAE Campos Melo, tinha na presidência da Câmara, Augusto Lopes Teixeira, com mais seis vereadores.
A Presidente do Conselho Directivo da Escola, designação de então, em substituição de Director, foi a Dr.ª Maria Ascensão Albuquerque Amaral Figueiredo Simões.
Conforme referi inicialmente, vários alunos que passaram por esta Escola, não eram da Covilhã. Um deles, por razões de ordem profissional de seu pai, que foi durante anos o responsável pelo extinto Posto da Polícia de Viação e Trânsito da Covilhã, sediado que foi à Palmatória, hoje Avenida da Universidade, veio do norte do País, donde é natural, para a Covilhã. Aqui passou parte da sua vida de estudante, tendo sido meu Colega na década de sessenta, na Escola Industrial, e, depois, algum tempo, também Colega de profissão na edilidade covilhanense, até que, após o serviço militar se mudaram os rumos das nossas vidas.
O Fernando Dias Pedrosa Gonçalves vivia para as bandas do Refúgio, e, aí, emparceirou com outro amigo, também do nosso tempo da Escola Industrial, o António José Lopes Gil Chorão, a residir em Lisboa.
Somos “três mosqueteiros”, e ambos sócios fundadores da APAE.
De vez em quando, do encontro de amigos, surgem as recordações do passado, agora que todos contamos já com netos.
Vai daí, um e-mail do Fernando Pedrosa de há dias, na memorização de estórias que fizeram e continuam a fazer a história da nossa Escola Industrial, assim:
“No sábado de manhã e no regresso a casa, findas as aulas, eu e o Chorão combinámos de tarde ir dar um passeio à Covilhã.
Se bem combinámos melhor o fizemos, pois passamos a tarde entre o Pelourinho e o Jardim e, saturados de calcorrear a cidade, decidimos regressar ao Refúgio.
Tinha estado uma tarde magnífica e, por isso mesmo, vínhamos calmamente. Já perto do Refúgio vemos ao longe aproximar-se um carro que nos era familiar – era o velho Austin do Eng.º Ernesto Melo e Castro. Ao passar por nós reconheceu-nos e fez um gesto de simpatia para connosco.
Ainda não tínhamos caminhado meia dúzia de metros e ouvimos a buzina de um automóvel a tocar freneticamente. Era o engenheiro que parara o carro, e, buzinando e gesticulando dentro do mesmo, requeria a nossa presença. Voltámos para trás e aproximámo-nos do carro.
- Há algum problema, Sr. Engenheiro? – Perguntámos.
- Nada de grave. Estou a regressar de Lisboa e como tenho o carro muito carregado e ainda tenho de ir para Orjais, lembrei-me de vos pedir para irmos à Escola descarregar, só que não tenho a chave. Vocês não me podem ajudar a resolver o problema?
Eu e o Chorão ficámos a pensar e propusemos deixar o material em caso do Zé Rodrigues, que morava mesmo ao lado da Escola, caso estivesse alguém em casa.
O engenheiro não encarou bem com a ideia e salientou que o ideal era ficar tudo na Escola.
- Então só se assaltarmos a Escola!
O homem olhou-me e exclamou:
- Assaltar a Escola!?
Eu, com a anuência do Chorão, expliquei:
- Por vezes há janelas que ficam mal fechadas ou por esquecimento entreabertas e se isso acontecer nós entramos sem problemas, desde que o Sr. Eng.º esteja de acordo e nos der licença para o fazermos.
O Sr. Director ficou pensativo, o Chorão ajudou à decisão, dizendo:
- Não há nada como tentar!
- Então vamos lá, entrem e acomodem-se da melhor maneira.
A viagem até à Escola foi rápida. Em determinado momento apercebi-me que o homem estava em pulgas e arrependi-me de ter feito a proposta. Tinha, sem querer, caído numa armadilha. Chegados à Escola, eu e o Chorão saímos do carro e caminhámos para as traseiras onde havia um muro fácil de saltar.
Já dentro do recinto da Escola dei conta ao Chorão da minha ideia: o homem, quando segunda-feira chegasse à Escola, iria fazer um pé-de-vento que ninguém o iria aturar:
- Não, pá, ele não vai fazer nada; nós estamos a ajudar.
Estivemos para bater em retirada e dizer que afinal estava tudo fechado a sete chaves, mas decidimos ir em frente. Começámos a empurrar todas as janelas daquele correr até que chegámos a uma que facilmente cedeu e abriu-se. Era uma das janelas das casas de banho. O contínuo era o Ti Zé Tesão, como a malta o apelidava e tinha o hábito deixar as janelas com uma abertura pequeníssima para haver circulação de ar e assim atenuar o mau perfume...
Entrámos, fechámos a janela e subimos ao piso onde se situava a entrada principal da Escola; procurámos a chave no chaveiro situado na sala dos contínuos e abrimos a porta.
Descarregámos o carro e ficou tudo depositado junto ao gabinete do engenheiro.
Na despedida, o Chorão ainda pediu:
- Sr. Eng.º, não vai ralhar com ninguém por causa disto!?
- Não. Só tenho a agradecer-vos pela ajuda.
Aí entrei eu e disse:
- É que se isso acontecer nós vamos ficar com o pessoal todo a olhar de lado para nós!
Abriu a porta do carro e, antes de entrar, ainda disse:
- Bom Domingo! Não se preocupem, está tudo bem.
Na segunda-feira os berros do engenheiro ecoaram por toda a Escola e ouviram-se na aula de francês onde o saudoso Dr. Oliveira Dias se virou para mim:
- Não é nada contigo, Pedrosa!?
- Acho que não, Sr. Doutor!
Tocou para a saída, desci a escada e logo encontrei o Pereira Nina que era o chefe dos contínuos:
- Tinhas que ser tu, Pedrosa!
O Eng.º Melo e Castro não era homem para deixar passar em branco falhas graves nem pactuava com meias palavras. O que tinha a dizer, disse.
Um abraço.
Pedrosa”.
(In Revista ''Ecos da APAE'', nº.17, de Junho 2009)
Nesta instituição de excelência passou um formigueiro de gente, não só covilhanenses, como fundanenses, belmontenses, e de outras paragens da região, e não só.
Por todo o País, e vários cantos do Mundo, há homens e mulheres que passaram pela Escola Industrial e Comercial Campos Melo.
Fui também um dos seus alunos, inicialmente diurno, e, nos últimos anos, nocturno, sendo nesta fase que concluí o Curso Geral do Comércio.
Foram momentos bons, outros menos agradáveis, mas no somatório resultou num saldo francamente positivo.
No contacto com muitos Professores e Colegas, surgiram, na sua generalidade, amizades, algumas mais fortes que outras, hoje numa evidente nostalgia.
Ainda tenho memórias vivas de momentos bons e orgulho-me de ter participado nas Comemorações do Centenário, já lá vão 25 anos, e na fundação da APAE. Pena é que alguns Colegas, que também estiveram presentes e foram participativos em muitas reuniões de trabalho, cedo tenham desaparecido do mundo dos vivos.
Mas no privilégio de ainda poder memorizar, recordo também, ainda que vagamente, as Bodas de Diamante da Escola, sem a pompa do Centenário. Andava no 1.º ano do Ciclo Preparatório (os dois anos preliminares do Ensino Secundário exerciam-se na mesma instituição, não sendo em escola independente, como agora) e lembro o Director da Escola Industrial, Eng.º Ernesto de Melo e Castro, alegremente dizer que ouvira a notícia na Emissora Nacional (a televisão, de um único canal, a preto e branco, estava nos primórdios) do aniversário da Escola, e, logo referiu energicamente, como era de seu timbre: “A Rádio informou que a Escola Industrial comemora as Bodas de Ouro, mas não são Bodas de Ouro, são Bodas de Diamante. Vamos ver nos jornais de hoje se lá vem a notícia com o aniversário correcto”.
Quando a Escola Industrial foi criada, presidia à Câmara Municipal o Dr. António Pedroso dos Santos, que tem o seu nome numa das ruas da cidade. Na acta da sessão extraordinária do dia 5 de Janeiro de 1884, dois dias antes da criação da Escola, registou-se naquele livro documental: “Presidência do Senhor Doutor Pedroso dos Santos, estando presentes os Senhores Vereadores efectivos, Doutor Neves, Tavares Barreto e Fernandes d’Amaral, faltando com causa justificada os demais Senhores Vereadores.
Prestou juramento e entrou no exercício das suas funções o Senhor Vereador, substituto, Bernardino Morais d’Oliveira.
Também esteve presente o Senhor Administrador do Concelho.
Aberta a sessão à uma hora da tarde.
O Senhor Presidente declarou: que convocara a Câmara para esta sessão extraordinária pelo motivo que passa a expor, e cuja importância e urgência a mesma Câmara avaliará.
Que o Exm.º Sr. José Maria Veiga da Silva Campos Melo, Procurador à Junta Geral deste Distrito, e um dos mais importantes industriais deste Concelho, o informara de que estando recentemente com Sua Ex.ª o Ministro das Obras Públicas, este lhe manifestou o desejo do Governo abrir, quanto antes, escolas profissionais nos centros industriais, e o encarregou de solicitar desta Câmara que aplanasse as dificuldades que podem resultar da falta dum edifício com a capacidade e cómodos para a instalação das escolas de desenho, de mecânica e de tinturaria aplicadas, auxiliando, assim, o empenho do Governo, no sentido de instruir a população operária.
Que ele Presidente, compreendendo a vantagem intuitiva de criações de tais escolas não tinha dúvida, por sua parte, de votar uma despesa compatível com os recursos do município, a fim de se obter a realização de tão assinalado serviço, como o que o Governo projecta em favor dos industriais deste centro fabril.
Falaram sobre o assunto os Senhores Vereadores Doutor Neves e Fernandes d’Amaral, e não havendo outros vereadores inscritos, procedeu-se à votação, e, por unanimidade, se deliberou que a Câmara, congratulando-se, por ver atendida uma das mais imperiosas necessidades deste município, qual a da instrução profissional, secundará o empenho do Governo, pondo à sua disposição um edifício com a capacidade precisa para as escolas cuja fundação se projecta.
Deliberou-se mais: que uma cópia desta acta fosse enviada ao Exm.º Ministro das Obras Públicas, pedindo-se a Sua Ex.ª que mande um empregado, seu subordinado, inspeccionar o edifício que a Câmara destina para as escolas em projecto, para estando na casa, se fazerem nela as obras complementares necessárias.
E, finalmente, deliberou que se o edifício escolhido for particular se contrate a sua compra, ficando o Senhor Presidente para tanto já com poderes, fazendo-se logo o orçamento para a aquisição do mesmo edifício, e pedindo-se a necessária autorização e aprovação superior.
O Senhor Administrador do Concelho declarou: que se associava do melhor grado à deliberação da Câmara, e a felicitava por ter secundado o grandioso pensamento do Exm.º Ministro, vista a importância da instituição.
Não havendo mais a tratar, encerrou-se a sessão sendo duas e meia horas da tarde.
E eu António Carlos de Sousa Pimentel, Primeiro-Oficial da Secretaria Municipal, servindo d’Escrivão no impedimento legal do próprio, a escrevi, tendo prestado o competente juramento, nas mãos do Senhor Presidente.
Seguiram-se as assinaturas de: António Pedroso dos Santos
João das Neves
José Tavares Barreto
Bernardino Moraes d’Oliveira
Joaquim José Fernandes d’Amaral”
E, na acta da sessão de Câmara seguinte, datada de 16 de Janeiro de 1884, consta:
“Presidência do Senhor Doutor Pedroso dos Santos, Vereadores presentes os Senhores Artur Alves, Doutor João Dias Mateus e Morais de Oliveira, este substituto, faltando com causa justificada os demais Senhores Vereadores.
À uma hora da tarde declarou o Senhor Presidente aberta a sessão.
Lida a acta da sessão precedente foi aprovada.
O Senhor Doutor João Dias Mateus, Vereador efectivo, prestou o juramento da lei e entrou no exercício das suas funções.
O Senhor Presidente apresentou à Câmara os seguintes documentos e correspondência: Portaria do Ministro das Obras Públicas, Comércio e Indústria, de 14 do corrente mês, em que Sua Majestade, El-Rei, manda por aquele Ministério, acusar ao Senhor Presidente da Câmara Municipal deste Concelho da Covilhã a recepção da cópia da acta da sessão extraordinária da Câmara de cinco deste mês corrente, em que a mesma Câmara resolveu por unanimidade de votos, dos Senhores presentes à dita sessão, pôr à disposição do governo um edifício com a capacidade precisa para o estabelecimento da escola industrial criada por decreto de três de Janeiro do corrente ano; e Determinando O Mesmo Augusto Senhor, que em Sua Real Norma, se faça constar ao Senhor Presidente desta Câmara Municipal, para os devidos efeitos, que foi muito agradável de Sua Majestade, tornando-se digno de especial louvor, o modo, por que a Câmara Municipal do Concelho da Covilhã secundou a criação e organização da mesma escola industrial.
A Câmara ficou inteirada, congratulando-se pelo louvor contido na Portaria de Sua Majestade. (...)”
As Bodas de Prata da fundação da Escola Industrial, verificadas em Janeiro de 1909, tiveram na Câmara Municipal a Presidência de João das Neves, sendo Vice-Presidente o Padre José da Costa e Oliveira e dez Vereadores.
Foi Director da Escola, e seu Professor, desde a sua fundação, José da Fonseca Teixeira.
As Bodas de Ouro, verificadas em Janeiro de 1934, tiveram na Câmara Municipal, então em Comissão Administrativa, a presidência do Dr. Alexandre de Quental Calheiros Veloso, se bem que várias vezes também presidiu o Dr. Francisco Almeida Garrett. Como Vice-Presidente constava o Dr. José Victor Tavares Batista, um secretário, quatro vogais, e seis substitutos, o primeiro dos quais foi o Engº. Ernesto de Campos Melo e Castro, que, entretanto, era já, nessa altura, o Director da Escola Industrial e Comercial Campos Melo.
Aquando das Bodas de Diamante, em Janeiro de 1959, liderava a Câmara Municipal o Dr. José Ranito Baltazar, sendo Vice-Presidente o Dr. Gabriel Boavida Castelo Branco, e mais seis Vereadores.
Como Director da Escola mantinha-se o Eng.º Ernesto Melo e Castro.
No Centenário, em 1884, cujas comemorações se prolongaram por todo o ano, e se deu início aos trabalhos da constituição da pró-associação de antigos professores, alunos e empregados, que iria dar lugar à APAE Campos Melo, tinha na presidência da Câmara, Augusto Lopes Teixeira, com mais seis vereadores.
A Presidente do Conselho Directivo da Escola, designação de então, em substituição de Director, foi a Dr.ª Maria Ascensão Albuquerque Amaral Figueiredo Simões.
Conforme referi inicialmente, vários alunos que passaram por esta Escola, não eram da Covilhã. Um deles, por razões de ordem profissional de seu pai, que foi durante anos o responsável pelo extinto Posto da Polícia de Viação e Trânsito da Covilhã, sediado que foi à Palmatória, hoje Avenida da Universidade, veio do norte do País, donde é natural, para a Covilhã. Aqui passou parte da sua vida de estudante, tendo sido meu Colega na década de sessenta, na Escola Industrial, e, depois, algum tempo, também Colega de profissão na edilidade covilhanense, até que, após o serviço militar se mudaram os rumos das nossas vidas.
O Fernando Dias Pedrosa Gonçalves vivia para as bandas do Refúgio, e, aí, emparceirou com outro amigo, também do nosso tempo da Escola Industrial, o António José Lopes Gil Chorão, a residir em Lisboa.
Somos “três mosqueteiros”, e ambos sócios fundadores da APAE.
De vez em quando, do encontro de amigos, surgem as recordações do passado, agora que todos contamos já com netos.
Vai daí, um e-mail do Fernando Pedrosa de há dias, na memorização de estórias que fizeram e continuam a fazer a história da nossa Escola Industrial, assim:
“No sábado de manhã e no regresso a casa, findas as aulas, eu e o Chorão combinámos de tarde ir dar um passeio à Covilhã.
Se bem combinámos melhor o fizemos, pois passamos a tarde entre o Pelourinho e o Jardim e, saturados de calcorrear a cidade, decidimos regressar ao Refúgio.
Tinha estado uma tarde magnífica e, por isso mesmo, vínhamos calmamente. Já perto do Refúgio vemos ao longe aproximar-se um carro que nos era familiar – era o velho Austin do Eng.º Ernesto Melo e Castro. Ao passar por nós reconheceu-nos e fez um gesto de simpatia para connosco.
Ainda não tínhamos caminhado meia dúzia de metros e ouvimos a buzina de um automóvel a tocar freneticamente. Era o engenheiro que parara o carro, e, buzinando e gesticulando dentro do mesmo, requeria a nossa presença. Voltámos para trás e aproximámo-nos do carro.
- Há algum problema, Sr. Engenheiro? – Perguntámos.
- Nada de grave. Estou a regressar de Lisboa e como tenho o carro muito carregado e ainda tenho de ir para Orjais, lembrei-me de vos pedir para irmos à Escola descarregar, só que não tenho a chave. Vocês não me podem ajudar a resolver o problema?
Eu e o Chorão ficámos a pensar e propusemos deixar o material em caso do Zé Rodrigues, que morava mesmo ao lado da Escola, caso estivesse alguém em casa.
O engenheiro não encarou bem com a ideia e salientou que o ideal era ficar tudo na Escola.
- Então só se assaltarmos a Escola!
O homem olhou-me e exclamou:
- Assaltar a Escola!?
Eu, com a anuência do Chorão, expliquei:
- Por vezes há janelas que ficam mal fechadas ou por esquecimento entreabertas e se isso acontecer nós entramos sem problemas, desde que o Sr. Eng.º esteja de acordo e nos der licença para o fazermos.
O Sr. Director ficou pensativo, o Chorão ajudou à decisão, dizendo:
- Não há nada como tentar!
- Então vamos lá, entrem e acomodem-se da melhor maneira.
A viagem até à Escola foi rápida. Em determinado momento apercebi-me que o homem estava em pulgas e arrependi-me de ter feito a proposta. Tinha, sem querer, caído numa armadilha. Chegados à Escola, eu e o Chorão saímos do carro e caminhámos para as traseiras onde havia um muro fácil de saltar.
Já dentro do recinto da Escola dei conta ao Chorão da minha ideia: o homem, quando segunda-feira chegasse à Escola, iria fazer um pé-de-vento que ninguém o iria aturar:
- Não, pá, ele não vai fazer nada; nós estamos a ajudar.
Estivemos para bater em retirada e dizer que afinal estava tudo fechado a sete chaves, mas decidimos ir em frente. Começámos a empurrar todas as janelas daquele correr até que chegámos a uma que facilmente cedeu e abriu-se. Era uma das janelas das casas de banho. O contínuo era o Ti Zé Tesão, como a malta o apelidava e tinha o hábito deixar as janelas com uma abertura pequeníssima para haver circulação de ar e assim atenuar o mau perfume...
Entrámos, fechámos a janela e subimos ao piso onde se situava a entrada principal da Escola; procurámos a chave no chaveiro situado na sala dos contínuos e abrimos a porta.
Descarregámos o carro e ficou tudo depositado junto ao gabinete do engenheiro.
Na despedida, o Chorão ainda pediu:
- Sr. Eng.º, não vai ralhar com ninguém por causa disto!?
- Não. Só tenho a agradecer-vos pela ajuda.
Aí entrei eu e disse:
- É que se isso acontecer nós vamos ficar com o pessoal todo a olhar de lado para nós!
Abriu a porta do carro e, antes de entrar, ainda disse:
- Bom Domingo! Não se preocupem, está tudo bem.
Na segunda-feira os berros do engenheiro ecoaram por toda a Escola e ouviram-se na aula de francês onde o saudoso Dr. Oliveira Dias se virou para mim:
- Não é nada contigo, Pedrosa!?
- Acho que não, Sr. Doutor!
Tocou para a saída, desci a escada e logo encontrei o Pereira Nina que era o chefe dos contínuos:
- Tinhas que ser tu, Pedrosa!
O Eng.º Melo e Castro não era homem para deixar passar em branco falhas graves nem pactuava com meias palavras. O que tinha a dizer, disse.
Um abraço.
Pedrosa”.
(In Revista ''Ecos da APAE'', nº.17, de Junho 2009)
14 de maio de 2009
CINQUENTA ANOS DO MONUMENTO A CRISTO-REI
Recordo-me como se fosse hoje o dia da inauguração do Monumento a Cristo-Rei, em Almada.
Também assisti às cerimónias, pela televisão, a preto e branco.
Por azar, com muitas interrupções do receptor no Salão Paroquial de S. Pedro; aquele espaço arrancado a ferros duma cave da pequena Igreja, naquela vontade indómita do Padre Carreto, de lutar, com as suas próprias forças, pelo alargamento da Igreja, que, em tempos, e com desgosto seu, sentia os ditos e os mexericos de uma possível demolição.
Era o tempo em que, no final da missa e da catequese, os meninos e as meninas presentes, sob olhar atento das catequistas, recebiam uma senha para no mês do Natal poderem trocar por roupas novas, numa exposição de bom gosto no salão paroquial.
A televisão tinha emergido em Portugal há cerca de um ano; as pessoas ainda a não tinham nas suas casas, por falta de poder económico. O aparelho ainda era caro para as bolsas dos operários e funcionários públicos de então.
Onde os televisores, com o único canal da RTP, a preto e branco, se encontravam, era então nos cafés, clubes desportivos e salões paroquiais.
Era um aparelho de luxo. Quando alguém, com algumas posses, o tinha em casa, surgia a voz crítica: “Fulano já comprou uma televisão!...”
Eu andava no Ciclo Preparatório, na Escola Industrial e Comercial Campos Melo, e na catequese da paróquia de S. Pedro, em S. João de Malta.
O salão já servira para festas paroquiais, reuniões, e o que fosse possível, inclusive a Festa de S. José Operário, no 1.º de Maio, de que a Pide não gostava.
Também ali o clube da FNAT de então – Estrela de S. Pedro – apresentava no seu aniversário alguns números teatrais, salientando-se na representação alguns dos seus sócios, como o Pavillon, que era funcionário da Caixa Geral de Depósitos; o Henriques, o Carrilho, entre outros.
O dia 17 de Maio de 1959 também fôra a um domingo, como agora no dia do seu cinquentenário.
O Padre José Domingues Carreto anunciara previamente, nas homilias das 9 e das 11 horas, de que no Salão Paroquial podiam ver a festa da inauguração do Monumento a Cristo-Rei.
Muito antes da hora ficara repleto. Imenso calor por falta de conveniente ventilação, naquela cave que, apesar de tudo, era acolhedora, para aqueles tempos.
Muito embora existisse a trilogia do “Fado, Futebol e Fátima” uma coisa fica dum tempo nostálgico: não tinha surgido aquilo que futuramente viria a ser o flagelo da humanidade – a “droga”.
Mas, voltando àquele domingo, 17 de Maio de 1959, quero recordar que foi verdadeiramente notável, com um mar de gente em Almada, incluindo as figuras do Estado Novo.
Ouvia-se o locutor da RTP a explicar os passos e a história da construção daquele monumento, com as interrupções, com intervalos de espera, sob o nervosismo do Padre Carreto que não conseguia resolver o problema do aparelho ainda novo; e, depois, interferências e mais interferências, até que, vai daí, o velho Mariano, marido da D. Barburinha, impaciente, sai, de chapéu na mão, exclamando: “Não sei o que é que aconteceu; basta ir ali, a um qualquer café, e não é nada disto com a televisão!...”
Com 113 metros acima do nível do Tejo, constituído por um pórtico com 75 metros de altura, encimado pela estátua do Redentor, de braços abertos voltado para a cidade de Lisboa, com 28 metros de altura, assim se descreveu o Monumento a Cristo-Rei.
A sua construção foi inspirada na visita do Patriarca de Lisboa, Cardeal Cerejeira, ao Rio de Janeiro, no Brasil; e também edificado em cumprimento de um voto formulado pelo Episcopado Português reunido em Fátima em 20 de Abril de 1940, pedindo a Deus que livrasse Portugal da Segunda Guerra Mundial.
A inauguração do monumento teve a presença dos Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques e cerca de 300 mil pessoas.
O Papa João XXIII, antigo Cardeal Angelo Giuseppe Roncalli, que havia sido eleito, por morte de Pio XII, ainda não havia um ano, enviou uma mensagem de rádio que foi transmitida na altura; e o Cardeal Cerejeira afirmou que o monumento seria sempre um sinal de gratidão pelo dom da paz.
(In Notícias da Covilhã e Diário XXI de 14/05/2009)
Também assisti às cerimónias, pela televisão, a preto e branco.
Por azar, com muitas interrupções do receptor no Salão Paroquial de S. Pedro; aquele espaço arrancado a ferros duma cave da pequena Igreja, naquela vontade indómita do Padre Carreto, de lutar, com as suas próprias forças, pelo alargamento da Igreja, que, em tempos, e com desgosto seu, sentia os ditos e os mexericos de uma possível demolição.
Era o tempo em que, no final da missa e da catequese, os meninos e as meninas presentes, sob olhar atento das catequistas, recebiam uma senha para no mês do Natal poderem trocar por roupas novas, numa exposição de bom gosto no salão paroquial.
A televisão tinha emergido em Portugal há cerca de um ano; as pessoas ainda a não tinham nas suas casas, por falta de poder económico. O aparelho ainda era caro para as bolsas dos operários e funcionários públicos de então.
Onde os televisores, com o único canal da RTP, a preto e branco, se encontravam, era então nos cafés, clubes desportivos e salões paroquiais.
Era um aparelho de luxo. Quando alguém, com algumas posses, o tinha em casa, surgia a voz crítica: “Fulano já comprou uma televisão!...”
Eu andava no Ciclo Preparatório, na Escola Industrial e Comercial Campos Melo, e na catequese da paróquia de S. Pedro, em S. João de Malta.
O salão já servira para festas paroquiais, reuniões, e o que fosse possível, inclusive a Festa de S. José Operário, no 1.º de Maio, de que a Pide não gostava.
Também ali o clube da FNAT de então – Estrela de S. Pedro – apresentava no seu aniversário alguns números teatrais, salientando-se na representação alguns dos seus sócios, como o Pavillon, que era funcionário da Caixa Geral de Depósitos; o Henriques, o Carrilho, entre outros.
O dia 17 de Maio de 1959 também fôra a um domingo, como agora no dia do seu cinquentenário.
O Padre José Domingues Carreto anunciara previamente, nas homilias das 9 e das 11 horas, de que no Salão Paroquial podiam ver a festa da inauguração do Monumento a Cristo-Rei.
Muito antes da hora ficara repleto. Imenso calor por falta de conveniente ventilação, naquela cave que, apesar de tudo, era acolhedora, para aqueles tempos.
Muito embora existisse a trilogia do “Fado, Futebol e Fátima” uma coisa fica dum tempo nostálgico: não tinha surgido aquilo que futuramente viria a ser o flagelo da humanidade – a “droga”.
Mas, voltando àquele domingo, 17 de Maio de 1959, quero recordar que foi verdadeiramente notável, com um mar de gente em Almada, incluindo as figuras do Estado Novo.
Ouvia-se o locutor da RTP a explicar os passos e a história da construção daquele monumento, com as interrupções, com intervalos de espera, sob o nervosismo do Padre Carreto que não conseguia resolver o problema do aparelho ainda novo; e, depois, interferências e mais interferências, até que, vai daí, o velho Mariano, marido da D. Barburinha, impaciente, sai, de chapéu na mão, exclamando: “Não sei o que é que aconteceu; basta ir ali, a um qualquer café, e não é nada disto com a televisão!...”
Com 113 metros acima do nível do Tejo, constituído por um pórtico com 75 metros de altura, encimado pela estátua do Redentor, de braços abertos voltado para a cidade de Lisboa, com 28 metros de altura, assim se descreveu o Monumento a Cristo-Rei.
A sua construção foi inspirada na visita do Patriarca de Lisboa, Cardeal Cerejeira, ao Rio de Janeiro, no Brasil; e também edificado em cumprimento de um voto formulado pelo Episcopado Português reunido em Fátima em 20 de Abril de 1940, pedindo a Deus que livrasse Portugal da Segunda Guerra Mundial.
A inauguração do monumento teve a presença dos Cardeais do Rio de Janeiro e de Lourenço Marques e cerca de 300 mil pessoas.
O Papa João XXIII, antigo Cardeal Angelo Giuseppe Roncalli, que havia sido eleito, por morte de Pio XII, ainda não havia um ano, enviou uma mensagem de rádio que foi transmitida na altura; e o Cardeal Cerejeira afirmou que o monumento seria sempre um sinal de gratidão pelo dom da paz.
(In Notícias da Covilhã e Diário XXI de 14/05/2009)
7 de maio de 2009
ESTRELAS DO SP. COVILHÃ NUMA CONSTELAÇÃO DE VELHAS GLÓRIAS

Foi no passado sábado, conforme fora anunciado.
Depois dum excelente trabalho dos organizadores, ficou a marca de um grande dia para a história da colectividade serrana.
Centena e meia de pessoas reuniram-se num hotel da cidade, num jantar convívio, onde começaram a surgir as “Velhas Glórias” dos Leões da Serra.
“Quem é aquele?” – foi a expressão mais utilizada de início.
Alguns vinham já “desfocados” na sua fisionomia mas ao surgirem os seus nomes, foi a alegria, e os muitos abraços.
Outros não puderam comparecer, uns tantos enviaram mensagens, e um deles, que não pode vir, até chorou.
A presença de quase sete dezenas de antigos jogadores (alguns que mais tarde estiveram como treinadores) e dois antigos treinadores (Vieira Nunes e António Jesus), sem contar com os muitos antigos dirigentes e massagistas, foi o encontro da amizade, deixando entre os participantes a vontade de que se venha a realizar novo convívio.
Dos mais antigos ex-atletas (Lanzinha e Manteigueiro), aos da década de 60 (Nartanga, Maçarico, José Pereira, Fazenda, Pinto Dias, Eduardo Prata, Rui Morais), passando para a década seguinte (Serra Pires, Girão, Cremildo, Coimbra, Alemão, Velho, Luciano Reis, Luís Paiva, Babalito, Jordão, Ulisses Morais), surgiram antigos jogadores da década de 80, alguns actualmente treinadores (Martins, Madaleno, Victor Urbano, Luís Mesquita, António Real, César Brito, Germano, João Cavaleiro, Jorge Tavares, João José Pereira, Balseiro, Margaça, Bábá, Joanito, João Salcedas, Jorge Coutinho, Jacques, Nelinho, Biri, José Luís Craveiro, Manaca, José Carlos, Toninho), para, nas décadas seguintes saltarem nomes como João Miguel, Rui Morais, Nazaré, Nuno Neto, Artur, Trindade, Piguita, Luciano, Luciano Victor, Capelas, Seixas, Ferreira, João Peixe, Victor Cunha, entre outros.
De salientar o mais velho massagista que esteve ao serviço do clube serrano (quase meio século) – José Gil Barreiros, bem como o mais antigo dirigente dos Leões da Serra, Domingues Pires, e os antigos presidentes do SCC, Marques Malaca, Álvaro Ramos, Dias Rocha, João Petrucci, entre muitos antigos dirigentes.
Carlos Miguel Saraiva, coordenador da organização, deu início às breves palestras; João Serra Duarte, vice-presidente do Sp. Covilhã, representou a Direcção leonina, e João Esgalhado, a Câmara Municipal.
Presença agradável do covilhanense, árbitro internacional – Carlos Xistra, e das esposas de muitos antigos atletas, assim como de vários carolas serranos.
À mesa contaram-se várias peripécias dos serranos, como esta, com que termino estas linhas, de Álvaro Ramos: na falta de autocarro do clube, de então, disponibilizavam-se as viaturas dos directores, e não só. A ele, então presidente da colectividade serrana, calharam-lhe na sua viatura os atletas negros, Escurinho, Nelinho, Penteado e Alberto Delgado. Só ele era branco. A determinada altura da viagem, um deles, a rir-se diz ao condutor: “Sr. Presidente, não se importa de abrir a luz porque vai aqui uma escuridão?...”
Também o bom humor faz parte da vida.

(In Tribuna Desportiva, de 05/5/2009, Notícias da Covilhã, de 07/5/2009, Diário XXI, de 07/05/2009, vai sair no Jornal “Sporting”, de 12/05/2009)
30 de abril de 2009
AMIGOS DO SP. COVILHÃ REÚNEM VELHAS GLÓRIAS

“Velhas Glórias” do SCC, no intervalo do jogo Covilhã – Mealhada, no final do almoço e da homenagem que lhes foi prestada pela APAE Campos Melo, em 28/09/1991 (sábado).
A história repete-se. Independentemente do gráfico de altos e baixos, ou de uma certa estabilidade, por que passou e passa a colectividade serrana, as memórias perduram e ultrapassam as várias gerações, com uma ou outra pedra a salientar-se como que do rochedo da nostalgia.
E até o País se envolve, de quando em vez, trazendo à baila figuras e factos da colectividade.
Isto é normal no associativismo. E noutras colectividades. Ainda há pouco tempo o Sporting Olhanense lançou uma caderneta de cromos dos seus atletas, de várias gerações, com grande sucesso.
Na Internet há um blog – www.cromodoscromos.blogspot.com - onde se podem ver cromos saídos, em tempos, de antigos atletas, geralmente da I Divisão e I Liga, entre os quais vários do SCC, diariamente actualizado.
Nem sempre as colectividades – como o Sporting da Covilhã – podem abarcar com a responsabilidade e trabalho na celebração de todos os seus eventos.
Salientam-se assim indómitas vontades na envolvente de acontecimentos que se revestem de algum ineditismo, do agrado dos participantes, e que, se não fosse esse entusiasmo, não se criavam mais páginas da história.
Assim aconteceu há quase duas décadas, com a satisfação de ter tido empenho na sua concretização.
Foi o início de passar das ideias germinadas no horizonte mental, para o papel, a história escrita dos obreiros dos Leões da Serra, nas suas várias vertentes, com tudo aquilo que foi ledo como também de alguma tristeza; enfim, um mundo que desconhecia na sua globalidade.
Hoje é objecto das maiores alegrias e num ponto de encontro de boas vontades para o maior e continuado conhecimento do maior clube, e mais representativo da Região; portanto, não exclusivo da Covilhã.
No célebre sábado, chuvoso, de 28/09/1991, na CMC e num restaurante da cidade, apinhado, responderam ao convite da APAE Campos Melo, onde então era dirigente, e pela via dos jornais desportivos regionais e nacionais (estes últimos ainda não eram diários), mais de trinta “Velhas Glórias do SCC”, entre antigos atletas e dirigentes, em exclusivo da antiga I Divisão.
Nessa altura, não puderam comparecer e enviaram mensagens de saudade: Simony, Cabrita, Suarez, Ramalhoso, Diamantino, Coureles e Sarrazola.
Volvido este tempo, já só o Cabrita, Suarez e Coureles pertencem ao mundo dos vivos, e os dois primeiros doentes.
Dos presentes na homenagem de então, já faleceram o António José, Domiciano Cavém, Carlos Ferreira, Franklim, Hélder, Rita (que esteve representado pela irmã), Leite (o único que não havia jogado da I Divisão), Martin, Picareta, Roqui, Simões; e também os dirigentes José Santos Pinto, Luís Filipe Mesquita Nunes, Carlos Xistra e José de Sousa Gaspar, num grupo de cerca de 130 pessoas. E outro, o Tomé, acaba de ser acometida de doença súbita.
Pois bem, dando continuidade aos sentimentos de aderência à causa serrana, as suas figuras e os seus factos, na envolvente entusiástica pelo nosso Clube, de muito carinho, há que enaltecer os grandes obreiros por esse entusiasmo, coordenados por Carlos Miguel Saraiva, conseguindo, com o grupo de entusiastas, ligados à comunicação social e fotografia, dar continuidade à história do SCC, renovada, dia a dia, agora pela imagem, recordando muitas das suas equipas, e biografia dos seus atletas, não pela via do papel, mas pela grande revolução da Internet, onde podem consultar no blog www.historiascc.blogspot.com.
Por último, no próximo dia 1 de Maio (6.ª Feira), num restaurante da cidade, vão-se reunir, num jantar, cerca de centena e meia de entusiastas, em redor de cerca de setenta antigos atletas do Sporting Clube da Covilhã, já confirmados.
É um evento muito interessante para as memórias, na tranquilidade duns momentos de convívio, do maior Clube da Beira Interior.
(In Tribuna Desportiva, de 28/04/2009, Diário XXI, de 29/04/2009, Notícias da Covilhã, de 30/04/2009, Breve referência, no Semanário “O Interior”, de 30/04/2009)
24 de abril de 2009
ENTRE A CRISE E A CANONIZAÇÃO – O 25 DE ABRIL

Muito antes da Revolução dos Cravos já se começava a vislumbrar uma comichão de inconformismo. Nem a Primavera marcelista conseguia disfarçar os choros e os abraços de despedida, nas estações de caminhos-de-ferro, daqueles que já eram detentores de bilhete para a “guerra subversiva nas Províncias Ultramarinas”.
O modesto salário dos obreiros na indústria, comércio e serviços públicos de então, não passava de chapa ganha, chapa gasta, para quem tinha que satisfazer as necessidades normais duma casa; dissolvia-se na assunção dos regulares compromissos do lar.
Actualmente o País vive numa situação de grandes dificuldades – e alguns desânimos – de muitas famílias, com outros contornos – falta o emprego. Há muito que isto não é novidade para ninguém.
Mesmo sem a censura salazarista ou o exame prévio marcelista, de quando em vez surgem subtilezas de as querer implantar na comunicação social.
E não obstante uma abertura cultural antes do 25 de Abril, pela mão do Prof. Veiga Simão, com a extensão do ensino superior no País, os principais homens do pensamento mantinham-se lá fora, longe da Terra-Mãe.
Existiam os jornais do poder; os do contra não se poderiam atrever a muito; o lápis azul ainda estava afiado.
E surgia o ardina revoltado quão astuto, a compor o seu pregão, verdadeiramente revolucionário, com os quatro títulos dos vespertinos, já desaparecidos – Diário de Lisboa, A Capital, República e Diário Popular – desta forma: “Lisboa, Capital, República, Popular!”
Algumas vozes já faziam dissipar alguns receios e transbordavam para a aventura que lhes ia na alma.
Já depois de Marcelo Caetano ter recebido os Oficiais-Generais na reunião da “Brigada do Reumático”, no dia seguinte – 15 de Março – li, no Diário de Notícias (encontrava-me em Lisboa), a notícia da demissão dos Generais Costa Gomes e António Spínola pelas suas recusas em participar naquela reunião. Era uma 6.ª Feira.
No dia seguinte, de manhã, vinha de Lisboa com o Andrade quando nos cruzámos, algures, com vários tanques do Exército, com militares armados e de pose séria. Só depois soube das notícias divulgadas na comunicação social, de que, afinal, era uma tentativa de golpe militar contra o regime – a Revolta das Caldas.
Regressava de Lisboa, noutra altura, viajando comigo o Cravino. Numa breve paragem em Ponte de Sor, o proprietário do café exibia galhardamente o livro “Portugal e o Futuro”, do General Spínola, que abalou o regime, então recentemente publicado, e manifestava a sua insatisfação pela situação política no País.
A madrugada da 5.ª feira de 25 de Abril de 1974 colheu a todos de surpresa com a Revolução dos Cravos.
Muitos floresceram, mas também outros murcharam, bem depressa.
Passou a deixar de se ouvir, secretamente, a “Rádio Portugal Livre” ou “Rádio Liberdade”, de Argel.
Entusiasmos pelas conquistas alcançadas; alguns se aproveitaram para fazer o retrocesso, outros fugiram ou se assustaram. Algumas tentativas de golpes de Estado falharam, como o 11 de Março e o 25 de Novembro de 1975.
Durante o “Processo Revolucionário em Curso” (PREC), houve muitos abusos e faltas de dignidade, e um abandalhamento de várias franjas das Forças Armadas e Militarizadas.
Um exemplo: Vindo duma viagem profissional e após o dia intenso de trabalho (ainda não havia telemóveis), no antigo entroncamento da Sr.ª do Carmo é-me feito stop, pelas 2 horas da madrugada, pela GNR, acompanhada de civis de fralda de fora e espingarda na mão, e de militares de cabelo comprido. Depois de me identificar e vistoriarem o carro segui viagem. No dia seguinte, os meus colegas deram-me a notícia: ontem o Lelo, do Banco, levou um tiro na Sr.ª do Carmo, de madrugada, e foi evacuado de helicóptero. Tive sorte: passei antes dele no abandalhado stop.
Houve também crises. Portugal aderiu e foi integrado na UE. Foram concedidos fundos. Houve chico-espertos; muito do dinheiro não foi para os destinos devidos do País, mas para algibeiras de muitos engravatados.
Mais crises, algumas debeladas, outras mais intensas. Muitos governantes, de gabarito, de “excelência”, não conseguem fazer sair o País de lanterna vermelha em relação à Europa. Os países vindouros na integração, começam, como tartarugas, a ganhar a corrida à lebre. E continuamos a marcar passo.
A casa portuguesa começa a ficar cheia de ratos, que vão saindo de todos os lados. Arma-se a ratoeira, mas os ratos conseguem fugir; ainda não foram apanhados.
E, espanto dos espantos! Muitas dezenas de grandes ratos comeram o grande queijo de todos nós.
Um novo queijo é colocado sobre a mesa; ele vai sendo comido por outros ratos – e o dono a ver – e a não se incomodar, porque os que o deveriam consumir vão contentar-se com os restos do pão que o diabo amassou. Pior ainda, alguns já nem os restos do pão vão comer mas tão só as migalhas.
E, como a canção “E depois do Adeus”, de Paulo de Carvalho, surgiu para a arrancada do 25 de Abril, agora a “Sem eira nem beira”, dos Xutos & Pontapés, a ser apresentada no dia 24 de Abril, será a esperança?
De permeio, entre crises financeiras e de valores, vai surgir o dia seguinte – 26 de Abril; a canonização dum novo santo português – D. Nuno Álvares Pereira, o Condestável, que há muito é já Beato Nuno de Santa Maria.
Muito há a extrair deste Grande Homem: exemplo para os actuais governantes, e os que os antecederam, e mais não souberam; para ensinar, mesmo após a sua morte, como se ganharam crises no século XIV: as vitórias, com inteligência e oração, nas batalhas de Aljubarrota e Valverde; e, depois, não encheu as algibeiras, como poderia ter feito, antes pelo contrário, distribuiu pelos pobres. Compreenderam, Senhores Governantes, Homens de Estado, Banqueiros, Governadores do Banco de Portugal, Presidentes de Câmara, e quejandos?
(In Notícias da Covilhã de 23/04/2009, Diário XXI de 24/04/2009 e Kaminhos)
(A publicar no Jornal “O Olhanense”, de 15/05/2009)
26 de março de 2009
A CIDADE QUER VESTIR UM FATO NOVO MAS DE CALÇAS ROTAS
Vemos a nossa cidade em grande revolução. Pretende-se substituir o ex-libris que foram as chaminés das grandes fábricas que geraram formigueiros humanos de operários. Mas isso foi outrora, agora não passam de um sonho perturbador.
Actualmente, ex-libris é outra fábrica, mas de cultura – a UBI.
No entanto, já ouvi falar que vai ser o ascensor e escadinhas de Santo André; e a ponte pedonal do centro da cidade para os Penedos Altos.
Mais obras, em projecto, com a marca indelével do presidente da edilidade que – quer queiram quer não – deixa marcas com património construído e a construir na cidade. Em projecto, o Elevador da Goldra (teimosia em terem mudado o nome, por sinal mais bonito, mas a história citadina diz que é Degoldra, senão, vamos chamar Covão da Metade, em vez da Ametade, Rua do Sarrado, como já vi…, em vez do Serrado); também o Elevador do Jardim e Funicular da Estação.
Mas a Cidade tem muitas nódoas no fato de gala que quer vestir qualquer dia, como levava D. João VI quando fugiu para o Brasil.
Algumas ruas do perímetro urbano da cidade, e mesmo nas zonas onde se estão a implantar as grandes obras, vestem calças rotas; não por ser dia de trabalho (já para poucos) mas porque irão assim permanecer porque a edilidade covilhanense ainda não encontrou um costureiro municipal para proceder aos remendos, ou fazer o trabalho de cerzideiras (onde é que elas já estão?).
Vejamos, por exemplo, na Rua Mateus Fernandes, como as fotos demonstram, a miséria que grassa naqueles muros perto das ainda instalações do CCD do Rodrigo. Mais à frente surge a imponência das obras para o ex-libris da Cidade.
Vamos dar uma ajuda e promover a colaboração – que não é fácil – para que a Cidade se vista de fato completamente novo.

(In Notícias da Covilhã de 25/03/2009 e Diário XXI de 26/03/2009)
Actualmente, ex-libris é outra fábrica, mas de cultura – a UBI.
No entanto, já ouvi falar que vai ser o ascensor e escadinhas de Santo André; e a ponte pedonal do centro da cidade para os Penedos Altos.
Mais obras, em projecto, com a marca indelével do presidente da edilidade que – quer queiram quer não – deixa marcas com património construído e a construir na cidade. Em projecto, o Elevador da Goldra (teimosia em terem mudado o nome, por sinal mais bonito, mas a história citadina diz que é Degoldra, senão, vamos chamar Covão da Metade, em vez da Ametade, Rua do Sarrado, como já vi…, em vez do Serrado); também o Elevador do Jardim e Funicular da Estação.
Mas a Cidade tem muitas nódoas no fato de gala que quer vestir qualquer dia, como levava D. João VI quando fugiu para o Brasil.
Algumas ruas do perímetro urbano da cidade, e mesmo nas zonas onde se estão a implantar as grandes obras, vestem calças rotas; não por ser dia de trabalho (já para poucos) mas porque irão assim permanecer porque a edilidade covilhanense ainda não encontrou um costureiro municipal para proceder aos remendos, ou fazer o trabalho de cerzideiras (onde é que elas já estão?).
Vejamos, por exemplo, na Rua Mateus Fernandes, como as fotos demonstram, a miséria que grassa naqueles muros perto das ainda instalações do CCD do Rodrigo. Mais à frente surge a imponência das obras para o ex-libris da Cidade.
Vamos dar uma ajuda e promover a colaboração – que não é fácil – para que a Cidade se vista de fato completamente novo.

(In Notícias da Covilhã de 25/03/2009 e Diário XXI de 26/03/2009)
12 de março de 2009
DEPOIS DE SEIS DÉCADAS, VIAGEM AO BRASIL, PARA RECORDAR

Ir ao Brasil já não é difícil como outrora, em que muitos portugueses se direccionaram para tentar uma vida melhor, numa futurologia que não se vislumbrava no Portugal de Salazar. Depois, o rumo emigratório voltou-se para a Europa (França, Alemanha, Suíça).
Mas o Brasil também foi o refúgio de revoltosos, políticos, empresários: Henrique Galvão, Marcelo Caetano, António Champalimaud, como exemplos.
Mas outros portugueses, nomeadamente covilhanenses, tomaram como opção o Brasil para viverem, com uma língua comum.
Foi assim com o Dr. Carlos Barradas, covilhanense que, de tenra idade, acompanhou os seus pais para viver no Brasil; onde estudou do ensino primário ao secundário; para depois acabar por regressar definitivamente a Portugal, e à Covilhã, no já longo ano de 1947.
Mas, volvidos 61 anos, este Covilhanense viaja novamente ao Brasil, desta vez com o propósito de visitar os lugares de ensino por onde passou.
Vai daí, não é que ainda foi encontrar a sua antiga professora – Anita de Quadros – do Colégio de Santo Inácio, no Rio de Janeiro, com a provecta idade de 92 anos!
Impulsionado com uma vontade indómita para memorizar os lugares onde andou a estudar, foi com grande surpresa que veio a ser objecto das melhores atenções, quer pelos responsáveis do Liceu Municipal de Orlândia, em S. Paulo; Ginásio Nossa Senhora da Aparecida, e Colégio Estadual de Ribeirão Preto; quer no Colégio de Santo Inácio, no Rio de Janeiro; e viu o seu nome inserido no livro comemorativo do centenário daquela instituição, entre trinta mil antigos alunos. Lá constava o nome de Carlos Hélio Barata Tavares Barradas.
Na Prefeitura Municipal de Orlândia haveria de ser fotografado e objecto das maiores atenções, acabando por surgir nas notícias da imprensa local e no boletim dos antigos alunos do Colégio de Santo Inácio.
Este covilhanense haveria de mais tarde se licenciar em gestão de empresas, em Lisboa, já depois do seu primeiro regresso do Brasil.
Aqui fica o registo de que efectivamente vale a pena memorizar a nossa passagem pelas instituições de ensino, onde, jovens, aprendemos os passos culturais, e não só, para a vida.
(In Diário XXI em 12/03/2009)
5 de março de 2009
A IMPORTÂNCIA DE UMA EFEMÉRIDE
Tive a feliz oportunidade de passar pela maior “fábrica” do ensino da Região, mormente do técnico e profissional, até ao terceiro quarto do século XX – a Escola Industrial e Comercial Campos Melo – que hoje se denomina Escola Secundária Campos Melo.
Até aí, não havia hipótese de prosseguimento de estudos, e obtenção de qualquer licenciatura, face à vivência da época, com o ensino máximo praticado na Região, direccionado para uma ocupação profissional.
Com alguns trocos nas algibeiras, e o esforço financeiro dos pais, e alguma sorte, a opção universitária pouco mais seria que aceitar as instituições distantes, para a altura, de Lisboa, Porto ou Coimbra.
Mas é a Escola Campos Melo – a segunda a ser criada no País de todos nós – uma instituição de excelência no ensino, que foi frequentada por um mar de covilhanenses e de outras paragens da região, e não só, que vai dar oportunidade de aprenderem, a valer, para ficarem a saber para os vários ofícios, grande número de homens e mulheres; e ser ainda a precursora da criação da Universidade da Beira Interior.
No peito de cada um ficou aquele enigmático emblema de orgulho pela Escola onde se formaram para a vida, e os professores que os ensinaram – hoje ainda recordados como pedras vivas mesmo para além da morte.
Na celebração dos 125 anos desta Escola, vai a alegria de também ter podido contribuir, com uma minúscula parcela, para o brilho das comemorações do seu Centenário, e na génese da constituição da associação de antigos professores, alunos e empregados, que ali germinou, como primeira associação do género no País – a APAE –, evento atestado nas palavras do então Ministro da Educação, já falecido – José Augusto Seabra.
Ironizando (já lá vão uns 26 anos), numa das nossas últimas reuniões, realizadas na Sala do Conselho Directivo da Escola, então presidido pela sempre jovem professora, Maria Ascensão Simões, me expressei alegremente: “Vamos fazer os possíveis para que tudo corra bem nestas comemorações do Centenário, porque depois só podemos corrigir no segundo Centenário...” . Alguns dos que estiveram presentes já não se contam no número dos vivos, e já lá vai um quarto de século!
Muitas coisas mudaram até então.
Há dias entra no meu escritório um amigo – Carlos Barradas – covilhanense que, aos 81 anos, foi recordar no Brasil; para onde fora de tenra idade (regressou depois em 1947, para fazer a sua vida profissional na Covilhã, e constituir família); os Colégios onde estudou durante a infância e juventude: Liceu Municipal de Orlândia, em 1939, em São Paulo; Ginásio Nossa Senhora da Aparecida, em 1942; Colégio Estadual de Ribeirão Preto, de 1943 a 1945.
Foi ainda encontrar a sua primeira professora, com a provecta idade de 92 anos – Anita de Quadros – e visitar também o Colégio de Santo Inácio, no Rio de Janeiro, que frequentou em 1941.
Depois de 61 anos de ter regressado definitivamente do Brasil, Carlos Barradas ainda sentiu o impulso de ligação às suas origens do ensino naquele país.
Outra surpresa: o Colégio de Santo Inácio, ao completar 100 anos, fez sair um livro onde constam também os cerca de trinta mil alunos e professores que por ali passaram. E lá está o nome Carlos Hélio Barata Tavares Barradas, que acabaria por se licenciar em gestão de empresas, em Lisboa.
Pois bem, seria interessante, importante mesmo, que a nossa Escola Campos Melo ombreasse também com esta iniciativa, a todos os títulos meritória para a cultura da Covilhã, onde todos os que passaram por esta Instituição, tanto quanto possível, fossem recordados, constituindo também um valioso documento para a história do ensino na Covilhã.
(In Notícias da Covilhã de 5 de Março 2009)
Até aí, não havia hipótese de prosseguimento de estudos, e obtenção de qualquer licenciatura, face à vivência da época, com o ensino máximo praticado na Região, direccionado para uma ocupação profissional.
Com alguns trocos nas algibeiras, e o esforço financeiro dos pais, e alguma sorte, a opção universitária pouco mais seria que aceitar as instituições distantes, para a altura, de Lisboa, Porto ou Coimbra.
Mas é a Escola Campos Melo – a segunda a ser criada no País de todos nós – uma instituição de excelência no ensino, que foi frequentada por um mar de covilhanenses e de outras paragens da região, e não só, que vai dar oportunidade de aprenderem, a valer, para ficarem a saber para os vários ofícios, grande número de homens e mulheres; e ser ainda a precursora da criação da Universidade da Beira Interior.
No peito de cada um ficou aquele enigmático emblema de orgulho pela Escola onde se formaram para a vida, e os professores que os ensinaram – hoje ainda recordados como pedras vivas mesmo para além da morte.
Na celebração dos 125 anos desta Escola, vai a alegria de também ter podido contribuir, com uma minúscula parcela, para o brilho das comemorações do seu Centenário, e na génese da constituição da associação de antigos professores, alunos e empregados, que ali germinou, como primeira associação do género no País – a APAE –, evento atestado nas palavras do então Ministro da Educação, já falecido – José Augusto Seabra.
Ironizando (já lá vão uns 26 anos), numa das nossas últimas reuniões, realizadas na Sala do Conselho Directivo da Escola, então presidido pela sempre jovem professora, Maria Ascensão Simões, me expressei alegremente: “Vamos fazer os possíveis para que tudo corra bem nestas comemorações do Centenário, porque depois só podemos corrigir no segundo Centenário...” . Alguns dos que estiveram presentes já não se contam no número dos vivos, e já lá vai um quarto de século!
Muitas coisas mudaram até então.
Há dias entra no meu escritório um amigo – Carlos Barradas – covilhanense que, aos 81 anos, foi recordar no Brasil; para onde fora de tenra idade (regressou depois em 1947, para fazer a sua vida profissional na Covilhã, e constituir família); os Colégios onde estudou durante a infância e juventude: Liceu Municipal de Orlândia, em 1939, em São Paulo; Ginásio Nossa Senhora da Aparecida, em 1942; Colégio Estadual de Ribeirão Preto, de 1943 a 1945.
Foi ainda encontrar a sua primeira professora, com a provecta idade de 92 anos – Anita de Quadros – e visitar também o Colégio de Santo Inácio, no Rio de Janeiro, que frequentou em 1941.
Depois de 61 anos de ter regressado definitivamente do Brasil, Carlos Barradas ainda sentiu o impulso de ligação às suas origens do ensino naquele país.
Outra surpresa: o Colégio de Santo Inácio, ao completar 100 anos, fez sair um livro onde constam também os cerca de trinta mil alunos e professores que por ali passaram. E lá está o nome Carlos Hélio Barata Tavares Barradas, que acabaria por se licenciar em gestão de empresas, em Lisboa.
Pois bem, seria interessante, importante mesmo, que a nossa Escola Campos Melo ombreasse também com esta iniciativa, a todos os títulos meritória para a cultura da Covilhã, onde todos os que passaram por esta Instituição, tanto quanto possível, fossem recordados, constituindo também um valioso documento para a história do ensino na Covilhã.
(In Notícias da Covilhã de 5 de Março 2009)
28 de fevereiro de 2009
HISTÓRIAS DIFÍCEIS DA VIDA DE TRÊS SÓCRATES
O FILÓSOFO ATENIENSE que viveu no século V antes de Cristo imprimiu a necessidade de levar o conhecimento aos cidadãos gregos através do diálogo.
Defendeu ideias contrárias ao funcionamento da sociedade grega, criticando e afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes prejudicavam o desenvolvimento intelectual dos cidadãos; e tinha ideias para a sociedade, na luta pela defesa da verdade. Atraiu muitos jovens atenienses. As suas qualidades de orador, e a sua inteligência, aumentaram a sua popularidade. A todos pretendia ensinar e com todos aprender, para chegar ao espírito.
A arte da retórica era muito prestigiada pelos jovens que vinham de todas as partes em busca de aprendê-la, procurando os seus maiores especialistas – os sofistas, cujos maus argumentos, ou sofismas, foram rebatidos por Sócrates.
Temendo mudanças na sociedade grega, a elite mais conservadora de Atenas encarou Sócrates como um inimigo público e agitador. Acusado de heresia, foi preso e condenado à morte, sendo obrigado a beber um veneno chamado cicuta.
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância, pelo que ficaram algumas expressões suas: “Só sei que nada sei”; “É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal”; “Alcançar o sucesso pelos próprios méritos”; “A verdade não está com os homens, mas entre os homens”; “Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir”.
Outro SÓCRATES, este BRASILEIRO, médico de profissão, conhecido pelos amantes do futebol, integrou a selecção brasileira de 1978 a 1986.
O doutor Sócrates revelou-se no Botafogo, quase não treinava devido a frequentar o curso de medicina. Com uma grande visão de jogo, formou com Cerezo, Falcão e Zico um meio campo da selecção brasileira no Campeonato do Mundo de 1982, em Espanha. E, depois, no México, em 1986. A sua jogada característica era o toque de calcanhar, no qual ficou famoso.
Ideologicamente, fez a cabeça de uma geração reprimida pelos anos de ditadura no Brasil. Em 1984 subiu a diversos palanques para defender o voto directo para presidente. Prometeu sair do país se o voto directo não fosse aprovado na Câmara. Frustrado, partiu para a Fiorentina, na Itália. Manteve a sua tradição de contestação e arrumou uma briga com a Fifa por ter entrado em campo com uma mensagem política. Se o grego foi sábio na filosofia, o brasileiro foi sábio no futebol.
O PORTUGUÊS SÓCRATES é Primeiro-Ministro desde 2005, viveu na Covilhã, onde estudou até ao secundário. Engenheiro Civil, exercia a sua actividade na Câmara Municipal da Covilhã quando surge o seu envolvimento na vida política, pós 25 de Abril.
De presidente da concelhia da Covilhã, do Partido Socialista, chegou a presidente da federação distrital de Castelo Branco. A sua personalidade chamou a atenção dos dirigentes do partido e foi eleito deputado pelo distrito de Castelo Branco.
Em 1995 tornou-se membro do primeiro governo de António Guterres, na área do Ambiente; depois, passou para as tutelas da Toxicodependência, Juventude e Desporto. No segundo governo de António Guterres transitou para a pasta do Ambiente e do Ordenamento do Território.
Depois de vencer, por larga maioria, as eleições para a Direcção do seu partido, chegou a Primeiro-Ministro de Portugal, com maioria absoluta.
No Governo, depois de uma empolgante actuação que deixou os portugueses expectantes de verem dar a volta ao texto político, depressa começaram a surgir acusações: posto em causa o seu título de engenheiro; na execução de diversos projectos de habitação de âmbito privado; protagonista de diversas polémicas: co-incineração de resíduos tóxicos, os estádios, o aeroporto, o TGV, os Bancos, o licenciamento do Freeport, em Alcochete.
A sua paixão pelo desporto é conhecida. Como o Sócrates brasileiro foi pelo futebol, o português Sócrates é pelo jogging, tendo participado em provas – a mini-maratona de Lisboa.
E, tal como o Sócrates grego, também o político português Sócrates teve expressões peculiares que ficam para a história: “(...) não é concordar por discordar, nem discordar por concordar”; “O insulto é a arma dos fracos e só fica diminuído quem desejar recorrer ao mesmo.”.
(In Notícias da Covilhã de 26/02/2009 e Jornal Olhanense de 28/02/2009)
Defendeu ideias contrárias ao funcionamento da sociedade grega, criticando e afirmando que muitas tradições, crenças religiosas e costumes prejudicavam o desenvolvimento intelectual dos cidadãos; e tinha ideias para a sociedade, na luta pela defesa da verdade. Atraiu muitos jovens atenienses. As suas qualidades de orador, e a sua inteligência, aumentaram a sua popularidade. A todos pretendia ensinar e com todos aprender, para chegar ao espírito.
A arte da retórica era muito prestigiada pelos jovens que vinham de todas as partes em busca de aprendê-la, procurando os seus maiores especialistas – os sofistas, cujos maus argumentos, ou sofismas, foram rebatidos por Sócrates.
Temendo mudanças na sociedade grega, a elite mais conservadora de Atenas encarou Sócrates como um inimigo público e agitador. Acusado de heresia, foi preso e condenado à morte, sendo obrigado a beber um veneno chamado cicuta.
Sócrates sempre dizia que sua sabedoria era limitada à sua própria ignorância, pelo que ficaram algumas expressões suas: “Só sei que nada sei”; “É melhor fazer pouco e bem, do que muito e mal”; “Alcançar o sucesso pelos próprios méritos”; “A verdade não está com os homens, mas entre os homens”; “Quem melhor conhece a verdade é mais capaz de mentir”.
Outro SÓCRATES, este BRASILEIRO, médico de profissão, conhecido pelos amantes do futebol, integrou a selecção brasileira de 1978 a 1986.
O doutor Sócrates revelou-se no Botafogo, quase não treinava devido a frequentar o curso de medicina. Com uma grande visão de jogo, formou com Cerezo, Falcão e Zico um meio campo da selecção brasileira no Campeonato do Mundo de 1982, em Espanha. E, depois, no México, em 1986. A sua jogada característica era o toque de calcanhar, no qual ficou famoso.
Ideologicamente, fez a cabeça de uma geração reprimida pelos anos de ditadura no Brasil. Em 1984 subiu a diversos palanques para defender o voto directo para presidente. Prometeu sair do país se o voto directo não fosse aprovado na Câmara. Frustrado, partiu para a Fiorentina, na Itália. Manteve a sua tradição de contestação e arrumou uma briga com a Fifa por ter entrado em campo com uma mensagem política. Se o grego foi sábio na filosofia, o brasileiro foi sábio no futebol.
O PORTUGUÊS SÓCRATES é Primeiro-Ministro desde 2005, viveu na Covilhã, onde estudou até ao secundário. Engenheiro Civil, exercia a sua actividade na Câmara Municipal da Covilhã quando surge o seu envolvimento na vida política, pós 25 de Abril.
De presidente da concelhia da Covilhã, do Partido Socialista, chegou a presidente da federação distrital de Castelo Branco. A sua personalidade chamou a atenção dos dirigentes do partido e foi eleito deputado pelo distrito de Castelo Branco.
Em 1995 tornou-se membro do primeiro governo de António Guterres, na área do Ambiente; depois, passou para as tutelas da Toxicodependência, Juventude e Desporto. No segundo governo de António Guterres transitou para a pasta do Ambiente e do Ordenamento do Território.
Depois de vencer, por larga maioria, as eleições para a Direcção do seu partido, chegou a Primeiro-Ministro de Portugal, com maioria absoluta.
No Governo, depois de uma empolgante actuação que deixou os portugueses expectantes de verem dar a volta ao texto político, depressa começaram a surgir acusações: posto em causa o seu título de engenheiro; na execução de diversos projectos de habitação de âmbito privado; protagonista de diversas polémicas: co-incineração de resíduos tóxicos, os estádios, o aeroporto, o TGV, os Bancos, o licenciamento do Freeport, em Alcochete.
A sua paixão pelo desporto é conhecida. Como o Sócrates brasileiro foi pelo futebol, o português Sócrates é pelo jogging, tendo participado em provas – a mini-maratona de Lisboa.
E, tal como o Sócrates grego, também o político português Sócrates teve expressões peculiares que ficam para a história: “(...) não é concordar por discordar, nem discordar por concordar”; “O insulto é a arma dos fracos e só fica diminuído quem desejar recorrer ao mesmo.”.
(In Notícias da Covilhã de 26/02/2009 e Jornal Olhanense de 28/02/2009)
26 de fevereiro de 2009
O FUTEBOL DOS PRIMÓRDIOS NO CONCELHO DA COVILHÃ

Ainda hoje tem incertezas na forma como nasceu, e no seu local de origem – o futebol.
Os jogos com bola, geralmente celebrados em festividades, desde as mais remotas origens, trazem vários historiadores a reclamar para os seus países a origem do “Desporto-Rei”.
Também em Portugal as origens do futebol moderno encontram dificuldades quanto à sua exactidão. Os madeirenses reclamam para si que foi em Camacha, no ano de 1875, que se jogou pela primeira vez futebol. No Continente, terão sido os irmãos Pinto Basto, que, após regressarem dos seus estudos em Inglaterra, entre 1884 e 1886, trouxeram as bolas que dariam o pontapé de saída na grande implementação do futebol entre nós, constando que o primeiro jogo se terá realizado em Cascais, em 1888.
Na província é o distrito de Portalegre (estranho para os dias de hoje...) que se encontra na vanguarda da implementação do futebol no nosso País, cuja Associação de Futebol, em conjunto com as de Lisboa e do Porto, deu origem à União Portuguesa de Futebol, em 1914, para, em 1926, se passar a designar Federação Portuguesa de Futebol.
A Beira Baixa viu mais tarde o surgimento do futebol, que, na Covilhã, Tortosendo, Fundão e
Castelo Branco, teve o seu alvorecer a partir de 1920/22, quando se começaram a organizar os primeiros grupos.
Houve vários clubes que nasciam e desapareciam com alguma facilidade, devido à fragilidade com que surgiam, sem estruturas que permitissem uma forma organizada.
Mas houve outros que se mantiveram com alguma pujança, durante vários anos.
Já desapareceram, do concelho da Covilhã, o Estrela Football Club, que foi a génese do Sporting Clube da Covilhã; e, entre outros: Montes Hermínios, Victória Luso Sporting, União Desportiva da Covilhã, Grupo Desportivo Escola Industrial, Luzitanos Sport Club, Clube de Futebol “Os Covilhanenses”, Internacional Foot Ball Club, Grupo Ferroviário, Boavista, Sport Lisboa e Covilhã, Grupo Desportivo Operário Covilhanense, e Sporting Club União, que foi filial do SCC; mantém-se ainda, como antiga colectividade do concelho, o Sport Lisboa e Tortosendo, hoje Sport Tortosendo e Benfica.
Trazemos à ribalta o desaparecido Sport Comércio e Indústria, clube fundado na Covilhã em 1925, na altura em que principiavam as obras de terraplanagem do Campo de Futebol do SCC, não o Estádio Santo Pinto, mas o Campo da Palmatória..., isto em 5 de Abril de 1925, “(...) se o tempo o permitir (...),” referia a imprensa regional..
Só podiam integrar o novel clube, os sócios da Associação dos Empregados no Comércio e Indústria. A colectividade tinha a sua sede à Rua Nogueira dos Frades e o seu equipamento era verde e amarelo (camisola) e calções pretos; por tal facto chamavam-lhe “os lagartos”.
Na fotografia do Grupo de Football Comércio e Indústria, como também era conhecido, vêem-se, da esquerda para a direita: Domingos Isaías, Espinho, Amândio Figueiredo, Luís Ribeiro, José Mendes, Francisco Gingão, José Isaías, Álvaro Jota, Barata (irmão do Pedro Barata), Garcia (empregado do Francisco Cruz), João Pachau, Mário Barroso, José Maria Nicolau (comissário) e Albino Mioludo.
Pois bem, sobre o Sporting da Covilhã, podemos informar, com agradável surpresa, que o Miguel Saraiva, antigo dirigente, já tem quase pronto o blogue onde os covilhanenses e amigos desta colectividade serrana, e outros interessados, poderão recordar mais de 250 fotografias de equipas, de quase todas as épocas dos Leões da Serra, desde 1938/39 até à actualidade, com colaboração do Filipe Pinto.
(In Notícias da Covilhã de 26/02/2009 e no sitio Sporting da Covilhã)
23 de fevereiro de 2009
O MESTRE DAS PLANTAS E FLORES

Há muito tempo que não via o homem sobejamente conhecido da Covilhã pela sua dedicação aos jardins municipais, onde, das suas mãos de mestre, saía uma carícia às flores e plantas, dando formas coloridas e verdejantes a tudo o que era disponível para embelezar a cidade, e seu termo.
Com 85 anos, ainda continua a sua arte, agora retirado na sua casa perto da Senhora do Carmo.
Durante quase três décadas, como encarregado municipal dos jardins, moldou a Covilhã, em tempos que muito faltava ao bom gosto citadino.
Em 14 anos consecutivos proporcionou exposições de flores, por altura de “Todos os Santos”, tendo iniciado em 1961, a primeira a ser inaugurada pelo então Presidente da Câmara, Dr. José Ranito Baltazar. Foram realizadas inicialmente no Mercado Municipal, depois nas arcadas do Largo do Pelourinho, acabando nas extintas instalações da FAEC, junto à Estação de Caminhos-de-Ferro.
Napoleão Correia foi quase sempre louvado pelos seus serviços de excelência, prestados à Covilhã, na sua arte, tendo, inclusive, na década de oitenta do século passado, coordenado também os serviços de jardinagem da Câmara do Sabugal.
Quando o antigo Presidente do Brasil, Dr. Juscelino Kubitschk de Oliveira, visitou a Covilhã, o mestre Napoleão desenhou as bandeiras do Brasil e de Portugal, com camélias, no átrio da Câmara Municipal.
Certamente que os mais antigos se recordam do célebre calendário, no Jardim Municipal, feito num canteiro de flores, onde todos os dias tinha que colocar, enterrada, uma nova caixa, com o respectivo número, que nas vésperas cuidava no quintal das antigas instalações da biblioteca municipal. Era muito trabalhoso pelo que inventou um ponteiro, em ferro, pintado de castanho e, então, vai daí, toca a substituir o calendário com os números todos do mês. Corria o ano de 1962.
Depois, a sua originalidade e bom gosto estendia-se por várias facetas da sua arte – por exemplo, os dísticos feitos em arbusto, como “Jardim Municipal de S. Francisco”, o emblema do Sporting da Covilhã, num mosaico de verdura, e o Escudo antigo da Covilhã; e, já em 1975, ano da última exposição de plantas e flores, que sempre trazia algum rendimento para os cofres camarários; num tapete matizado de flores coloridas, à entrada sul da Covilhã, a frase: “A Covilhã Saúda-Vos. Sejam Bem-Vindos.
São estórias da história de Napoleão, natural de Lamego, e covilhanense pelo coração.
(In Diário XXI, de 23/02/2009)
12 de fevereiro de 2009
O HOMEM QUE NASCEU PARA AS FLORES

Lamecense de naturalidade, veio de Coimbra, onde casou, para a Covilhã, em 1959.
Quase aos 85 anos, “mestre” Napoleão continua tranquilamente na sua arte dedicada às plantas e às flores, na sua casa implantada em grande terreno para as bandas da Senhora do Carmo, depois de se ter aposentado do Município Covilhanense.
Durante perto de três decénios, enquanto responsável pelos serviços de jardinagem municipal, embelezou a Covilhã, com os seus dotes de inteligência e bom gosto, numa altura em que muito faltava à cidade. Ainda existiam as difíceis vias de acesso, as feias entradas norte e sul, o sofrimento da interioridade. Felizmente que hoje, com a entrada num mundo diferente, que não surgiu por acaso, o interior hoje já pode emparceirar com as outras zonas mais privilegiadas.
Sob a responsabilidade, e iniciativa, de Napoleão Correia, realizou-se a 1.ª Exposição de Flores e Plantas no Mercado Municipal, de 29 a 31 de Outubro de 1961, inaugurada pelo então Presidente da Câmara, Dr. José Ranito Balthazar. Foi um grande êxito. Eram então vinte camionetas para o transporte das flores.
Estas exposições realizaram-se durante 14 anos, tendo passado por outros locais: arcadas do Largo do Pelourinho, no Gameiro, no Horto Municipal/Boidobra, e nos antigos pavilhões da FAEC, até que terminaram em 1975.
Das flores destacavam-se principalmente os crisântemos, próprios da época outonal, e arbustos bem desenvolvidos; mas também havia cravos, ciclamens e outras espécies.
Este homem, que tratava por tu as flores, foi louvado várias vezes, pelo Município, em virtude do seu excelente trabalho e dinâmica ao serviço da jardinagem no concelho, transformando cantos e recantos, sentenciados a lixeiras, em aprazíveis canteiros figurados de símbolos e artifícios imaginados e desenhados pelo Napoleão.
Na década de oitenta, do século passado, a pedido da Câmara do Sabugal, à edilidade covilhanense, lá foi Napoleão Correia coordenar os serviços de jardinagem e arborização daquele concelho, terminando com mais um louvor daquele Município.
Quando o antigo Presidente do Brasil, Dr. Juscelino Kubitschek de Oliveira, visitou a Covilhã, “mestre” Napoleão fez a bandeira do Brasil em camélias, e a de Portugal, no átrio da CMC.
Alguns se devem recordar das obras de arte de Napoleão, no Jardim Público, com o célebre calendário, feito num canteiro de flores, onde todos os dias tinham que colocar uma nova caixa, enterrada, com o número do dia (numa fotografia antiga lemos o seguinte calendário, feito de flores e arbustos: ao centro o ano – “1962” -; em círculo, “Covilhã – 12 de Agosto”); até que, mais tarde, alterou o calendário, passando a colocar os dias completos do mês e um ponteiro, em ferro, pintado de castanho, que apontava o dia correcto.
Outros canteiros concebidos por Napoleão saltavam à vista de quem passava, como o emblema do Sporting da Covilhã, num mosaico de verdura. Pela sua originalidade e bom gosto, atraía as atenções das pessoas; o Escudo antigo da Covilhã, além de dísticos, feitos em arbusto, como este: “Jardim Municipal de S. Francisco”.
Com as pequenas estufas de que dispunha conseguia fazer destas interessantes coisas de floricultura, não só pela beleza das plantas como também pela variedade e abundância das espécies.
“Aos poucos a Cidade vai-se embelezando. Aqui e ali nascem autênticos canteiros floridos saídos da imaginação fértil e engenhosa do Mestre Napoleão que nisto de flores é o maior nestas paragens. Nisto e no jeito com que dissimula muros e zonas abandonadas e de aspecto confrangedor”, assim se referia a imprensa regional.
Em 1975, surgiu pela mãos do “mestre” mais um canteiro artístico, com arbustos verdes a sair de um tapete matizado de flores coloridas, vibrante na frase: A COVILHÃ SAÚDA-VOS SEJAM BEM-VINDOS.
Aqui ficam estórias para a história deste Covilhanense pelo coração.
(In Notícias da Covilhã de 12/02/2009)
29 de janeiro de 2009
JOSÉ DE SOUSA GASPAR – UM AMIGO QUE PARTIU
À Covilhã, que o viu nascer, consagrou grande parte da sua vida, duma forma simples, sem querer dar nas vistas, com uma alma de verdadeiro homem de bem e uma grande dedicação às causas da sua Terra.
Há já bastante tempo que, retirado de qualquer envolvimento no associativismo, víamos este homem, de caminhar lento, do “Repolho” para o seu escritório na Visconde da Coriscada, onde passava o seu tempo, e, depois, a caminho de casa em Santa Maria.
Eram assim os seus dias, depois de ter deixado para trás uma participação em vários organismos, de acção profícua, que a história covilhanense não poderá esquecer.
Foi distinguido por várias instituições, com diplomas de mérito, e pela edilidade covilhanense, onde integrou a Comissão Administrativa após o 25 de Abril.
Quando muitos se apregoam os arautos de acções influentes na vida da cidade ou suas instituições, Sousa Gaspar, na sua simplicidade, de fino trato e saber ser, deixou marcas indeléveis da sua passagem que jamais se poderão apagar.
No Sporting Clube da Covilhã foi incansável na dedicação ao desporto em várias modalidades, numa das quais se integrou como atleta, incentivando para que o mesmo se implantasse verdadeiramente na cidade, patente no lema “alma sã em corpo são”, naquele tempo longínquo em que se projectava o Pavilhão de Desportos para a Cidade.
A sua escrita registou muito da sua sensibilidade pela causa e defesa do Sporting Clube da Covilhã, em páginas da imprensa regional, e não só, dos seus valores e dos vultos do clube das épocas de então, procurando transmitir o que de bom se fazia nesta Cidade em tempos também difíceis, incluindo os das vias de acesso à cidade. Na Direcção, liderou o clube leonino, durante cinco anos, além de participar noutros órgãos directivos.
Quem se abeirava de Sousa Gaspar encontrava sempre um sorriso e, além de mais, palavras de incentivo, sendo um profundo conhecedor do meio citadino.
Nos Bombeiros Voluntários da Covilhã, onde foi Presidente da Direcção durante cinco mandatos consecutivos, deixou a marca de ter sido um dos melhores líderes, emparceirando com o melhor Comandante dos Bombeiros das últimas décadas – Júlio Morão – o que levou à época de ouro daquela instituição, culminando com a construção do então novo quartel.
A Covilhã, que em vários domínios, lhe reconheceu qualidades de excelência, com a atribuição de muitas distinções, perdeu um dos seus dilectos filhos.
(In Notícias da Covilhã e Jornal do Fundão de 29/01/2009)
Também pode ser lido em www.sportingdacovilha.com
Há já bastante tempo que, retirado de qualquer envolvimento no associativismo, víamos este homem, de caminhar lento, do “Repolho” para o seu escritório na Visconde da Coriscada, onde passava o seu tempo, e, depois, a caminho de casa em Santa Maria.
Eram assim os seus dias, depois de ter deixado para trás uma participação em vários organismos, de acção profícua, que a história covilhanense não poderá esquecer.
Foi distinguido por várias instituições, com diplomas de mérito, e pela edilidade covilhanense, onde integrou a Comissão Administrativa após o 25 de Abril.
Quando muitos se apregoam os arautos de acções influentes na vida da cidade ou suas instituições, Sousa Gaspar, na sua simplicidade, de fino trato e saber ser, deixou marcas indeléveis da sua passagem que jamais se poderão apagar.
No Sporting Clube da Covilhã foi incansável na dedicação ao desporto em várias modalidades, numa das quais se integrou como atleta, incentivando para que o mesmo se implantasse verdadeiramente na cidade, patente no lema “alma sã em corpo são”, naquele tempo longínquo em que se projectava o Pavilhão de Desportos para a Cidade.
A sua escrita registou muito da sua sensibilidade pela causa e defesa do Sporting Clube da Covilhã, em páginas da imprensa regional, e não só, dos seus valores e dos vultos do clube das épocas de então, procurando transmitir o que de bom se fazia nesta Cidade em tempos também difíceis, incluindo os das vias de acesso à cidade. Na Direcção, liderou o clube leonino, durante cinco anos, além de participar noutros órgãos directivos.
Quem se abeirava de Sousa Gaspar encontrava sempre um sorriso e, além de mais, palavras de incentivo, sendo um profundo conhecedor do meio citadino.
Nos Bombeiros Voluntários da Covilhã, onde foi Presidente da Direcção durante cinco mandatos consecutivos, deixou a marca de ter sido um dos melhores líderes, emparceirando com o melhor Comandante dos Bombeiros das últimas décadas – Júlio Morão – o que levou à época de ouro daquela instituição, culminando com a construção do então novo quartel.
A Covilhã, que em vários domínios, lhe reconheceu qualidades de excelência, com a atribuição de muitas distinções, perdeu um dos seus dilectos filhos.
(In Notícias da Covilhã e Jornal do Fundão de 29/01/2009)
Também pode ser lido em www.sportingdacovilha.com