25 de junho de 2014

GESTÃO DE TALENTO

Domingo, segundo dia do início do verão deste ano do mundial de futebol no Brasil, e também do segundo jogo de Portugal, neste mundial, com os Estados Unidos, cujo resultado verificado, já em dia de segunda-feira, é o prenúncio do regresso a casa; ano também da saída dos invasores “troikanos”, na voluntariedade portuguesa; dos cortes e recortes salariais, dos milhões de impropérios com que as gentes das nossas gentes já brindaram os nossos governantes; mas, também o lado bom do que se passa na minha rua – uma rua covilhanense.
Desço a Mateus Fernandes, e, quando regresso, já com o “Público” na mão, vou lendo as mais gordas e a crónica do Vasco Pulido Valente. A capa já nem aterroriza de tão atordoados que andamos – “Mais 311 escolas do 1.º ciclo vão fechar no próximo ano letivo”. Ainda que os meus netos tenham sido uns ases, não posso deixar de meditar nos outros meninos e meninas, deste País, que os querem descalçar.
No princípio da crise ouvia dizer que a mesma é uma forma de gerar oportunidades. E, alguns, muitos, dezenas, centenas, talvez milhares, podiam fazer das tripas coração, como sói dizer-se, e não entrar num desespero à espera que o estado-providência viesse ao seu encontro, talvez num vício do passado preferindo ver a banda passar.
Se na Covilhã há empresas, que aqui se geraram e são um sucesso geracional, também na minha rua dá gosto ver a dinâmica de dois comércios tradicionais, numa força indómita contra a crise, na alegria do trabalho que é sustento dos que ali trabalham.
No inverso, vamos encontrar outras ruas da minha cidade repletas de estabelecimentos encerrados, alguns ainda com artigos amarelecidos no seu interior, pelo abandono, na tristeza do que outrora era a alegria de um rodopiar de entradas e saídas, quando o metro, em madeira, e o peso em balanças Avery eram o suficiente para dar aviamento à clientela, em vez das novas tecnologias de hoje.
Mas a modernidade é sinónimo de progresso, o que não equivale a mais mão-de-obra, e os novos tempos, numa globalização imparável, jamais podem ser refutados no seu acompanhamento se quisermos andar no pelotão, já não digo na sua frente, mas sem o perder. Até já há três portugueses que figuram entre os 705 candidatos que passaram a segunda fase do processo de seleção do Projeto Mars One para uma viagem sem regresso a Marte em 2025.
Quando entrámos na então CEE-Comunidade Económica Europeia, no 1º de janeiro de 1986, já então se insistia nas vantagens e nas exigências em irmos pertencer a um grupo de elite. Uns marimbaram-se para o assunto; outros começaram a compreender que as exigências da formação já não eram questões de patronato. Recordo-me de um dia, na Rotunda do Marquês de Pombal, em Lisboa, dirigindo-me para a sede da empresa de que eu era um dos funcionários externos, um vendedor ambulante, de fruta, tinha um papel colado no seu carrinho, a letras garrafais, que dizia: “Cerejas da CEE” – talvez sem saber porquê, mas já num sentido de viragem para a qualidade.
De acordo com o Relatório do Capital Humano do Fórum Económico de 2013, “constata-se que, no indicador “Capacidade de reter talentos”, Portugal ocupa a posição 111, entre 148 países, o que demonstra a relevância deste tema e a necessidade de proceder a uma análise do porquê desta situação, dado tratar-se de um indicador fundamental para o desenvolvimento do país”.
Existe já um grupo de empresas fundadoras da iniciativa “Like Portugal”, “um movimento privado que pretende comunicar e promover Portugal como um País para Crescer e Investir. Trata-se de um projeto independente da sociedade civil, cujo motor são as empresas, e que tem como objetivos trabalhar e promover a imagem de Portugal nos mercados externos e, dessa forma, contribuir para o esforço nacional de captação de investimento estrangeiro e de dinamização da economia nacional.
Felizmente que ainda há empresas em Portugal, com ramificações também nesta região beirã e na minha cidade – a Covilhã – com homens e mulheres que são duma extraordinária capacidade de liderança e de sentido de alterar o rumo daquele que foi pessimismo, para um ambiente altamente alegre no trabalho, apesar da crise, crise também de valores.

Dou, como exemplo, uma multinacional que alterou o nome do seu departamento de Recursos Humanos, como geralmente existe na generalidade das empresas, para Gestão de Talento. E refere o seu CEO: “Na nossa Casa, decidimos alterar esse nome que consideramos nefasto, porque achamos que um Humano não é um recurso, é, sim, um Ser Humano. Um Ser Humano gere recursos, não gere Humanos como sendo um recurso!”
(In "Notícias da Covilhã", de 26.06.2014)

10 de junho de 2014

REINSTITUIÇÃO

O Brasil é agora a forma de darmos brado ao nosso patriotismo, no amor aos símbolos pátrios, que, desenganem-se, não são a Bandeira e o Hino Nacional, mas tão só, agora, a Seleção Nacional e Cristiano Ronaldo.
Portugal que, para nossa infelicidade, dos nossos filhos e dos nossos netos, continua a não ser livre de tomar as decisões que quer e a conduzir os seus destinos como deseja, não obstante ter passado já o famigerado 17 de maio de 2014, fim (?) da incómoda troika e que, na versão metafórica de um governante do momento chegou a considerar aquela data um novo 1640, penso que é chegada a hora de todos nós nos assumirmos no sentido de nos livrarmos do jugo dos infiéis.
E esses “infiéis” estão infiltrados e disseminados por todos os lados, e por várias formas, num sofrimento, latente para alguns homens e mulheres do trabalho, ou, sem ele, aos milhares dos que o procuram; mas de raiva na grande maioria, e são aos milhares, neste Portugal de uma dezena de milhões de habitantes, por enquanto.
A classe média, quase transformada na “arraia-miúda”, grita, com a sua honra, contra tantos néscios, numa de fartar, vilanagem! É preciso que os “ventres ao sol”, em que nos quiseram transformar, venham exigir a reinstituição de Portugal.
Já se profetiza que Portugal poderá ficar reduzido a 6,3 milhões de habitantes em 2060. Nos dias que correm, ainda com mais uns milhões de pensantes, não se encontram alternativas que não sejam quase duma república das bananas, onde não há respeitabilidade por órgãos de soberania como é o Tribunal Constitucional. Com o contributo pensante de cada um, por que não exigir, até à exaustão, decisões governativas, ainda que dolorosas para alguns senhores detentores ou candidatos ao poder?
Em primeiríssimo lugar urge que todos, mas todos os homens e mulheres da política portuguesa, destacados nos mais diversos lugares, quer do governo, quer da presidência da república, quer das autarquias, assumam um compromisso de honra, não no papel mas nas suas consciências, de que vão desempenhar os lugares tão só para servir o povo e não para se servirem, como na generalidade tem surgido.
Neste contexto, é imperioso que aceitem ser fiscalizados permanentemente sobre os seus ganhos no início do desempenho das suas funções políticas, e, depois, no final, sujeitando-se aos valores salariais e de representação estipulados por lei. Um levantamento minucioso a todos os que ocuparem cargos políticos, quer central quer local, conhecendo o seu património antes e depois dos mandatos.
Que os mesmos sejam terminantemente proibidos, sob pena de serem alvo da justiça, e de anulação dos contratos, de integrar nos seus gabinetes, dos vários ministérios, câmaras municipais ou autarquias, familiares ou protegidos, sendo obrigatório, para o efeito de casos verdadeiramente necessários e imparciais, de que sejam previamente do conhecimento público, que se pronunciará sobre o assunto, pelas vias consideradas normais.
Que se eliminem muitos excessos nos quais nenhum governo de Portugal quer mexer, num mau exemplo comparativamente a outros países europeus, e não só, com mais poder económico e muito menos despesas, destacando, por exemplo:
- Reduzir o número de deputados de 230 para 180;
- O deputado deveria receber salário somente durante o mandato (limitado a duas ou três legislaturas). Não haveria direito a “reforma pelo tempo de deputado” mas tão só contar o prazo de mandato exercido para juntar ao seu tempo de serviço, como qualquer normal cidadão;
- Manter um teto salarial, em termos de pensões, para um máximo de 5.000 euros mensais, para todos os pensionistas, independentemente da sua atividade, e dos seus ganhos no ativo, quer de uma só atividade ou do somatório de várias atividades ou reformas;
- Proibição de salários exagerados para contratações de assessores dos gabinetes, sem experiência e sem que haja prova convincente da sua real capacidade para o desempenho da tarefa e o correspondente salário, que deverá ter um teto máximo;
- Forte rigor nas despesas de representação e de viagens em serviço, devidamente controladas, quer em Portugal quer no estrangeiro;
- Grande rigor na quantidade de assessores quer da presidência da República, quer do Primeiro- Ministro, Ministros e Secretários de Estado;
- Acabar de vez com a diferenciação, na assistência na saúde e na doença, assim como nos cálculos para a aposentação, incluindo no setor bancário, de uns terem tratamento como filhos  de Deus, e outros filhos do diabo; isto pressupõe que terão que se harmonizar os meios para que os menos beneficiados se aproximem dos que beneficiam de melhores condições;
- Eliminação pura e simples dos gabinetes com despesas evitáveis e mordomias, como motorista e outras, aos ex-presidentes da República, que deveriam, tal como atrás referi, usufruir do teto máximo de pensão mensal, como qualquer cidadão, e caso já estivesse na data legal para o efeito; assim como proibir a entrega de veículos para presidentes e assessores das edilidades, e, pura e simples proibição de pessoal, como motoristas privados.
Muito, mas muito mais haveria a constar do rol de exigências para se reinstituir Portugal, como a revisão urgente do Código Penal, impondo agravamento das penas, sem contemplações, em muitos dos crimes, obrigatoriedade na celeridade dos processos judiciais; proibição da prescrição das penas e punição exemplar para todos os homens e mulheres da justiça que propositadamente usarem de subterfúgios para a morosidade e ocultação dos crimes.

No que concerne à saúde, a defesa intransigente do Serviço Nacional de Saúde, e reposição de tudo o que foi retirado em prejuízo dos doentes.

(In "fórum Covilhã", de 10.06.2014)

28 de maio de 2014

COMO ALGUNS RESSUSCITARAM

Por todo o planeta vamos encontrando relatos de acontecimentos algo estranhos. Para os dias que correm, quase não é surpresa. Noutros tempos, pelas bandas de cá, se não era conveniente a notícia, abafava-se.
Há algum tempo o Daily Mail informava que um homem do Mississippi, nos Estados Unidos, foi dado como morto e já estava na morgue, quando se descobriu que ainda respirava. Já se encontrava dentro de um saco, na morgue, quando os funcionários o viram a mover-se e descobriram que afinal estava vivo. Os médicos acreditaram que o pacemaker lhe parou, tendo voltado a funcionar algumas horas depois. William, o “ressuscitado”, viria a afirmar sentir-se feliz por ainda estar vivo.
Também na China, um bebé declarado morto, escapou da cremação ao chorar. Salvou-se assim de ter sido cremado vivo. O certificado de óbito foi passado e o bebé, do sexo masculino, foi enviado para uma funerária, tendo os funcionários da empresa ouvido a criança a chorar.
São notícias de um horror tremendo mas não pensem que isto só se passou nos outros países e continentes.
Por cá, neste Portugal de outros tempos, como também de hoje, situações se contaram que merecem uma profunda reflexão. A forma como algumas pessoas são consideradas já falecidas, na negligência da sua autenticidade, é arrepiante. Como o caso que conto abaixo. Para além de outros, do conhecimento público, inseridos na comunicação social, objeto de vias judiciais. Também sabemos que, em hospitais e lares de terceira idade, por vezes coisas se passam, de menos atenção com aqueles que, já de tão fragilizados nem se sabem queixar, originando o dormir para um sono eterno. Todavia, existe uma aparente contradição de sorrisos e formas de trato, na frente dos familiares.
O Jorge, anualmente participa comigo na confraternização dum grupo de casais amigos, recordando velhos tempos da meninice e juventude. É um bom amigo. Nos anos sessenta teve um grave acidente automóvel, quando viajava num mini cooper, juntamente com mais quatro colegas militares, a caminho da unidade militar. Ele ia à civil e os seus colegas fardados. A notícia repentina surgia nos jornais (ainda não havia Internet nem as novas tecnologias): “Um grave acidente automóvel, do qual resultou quatro militares gravemente feridos e um civil morto”.
O Jorge (o “civil morto” mas ainda vivo) foi levado para a morgue e a família já se preparava para o luto quando alguém, que ia levantar o “cadáver”, vê cair-lhe o braço do corpo e, na observação imediata, constata que o morto, afinal, estava vivo.
Vamos a outras formas de “ressurreição” dum desaparecido, ainda que seja um palito importante e, por isso, a necessidade dum exército, de polícias, para ver se se encontra o dito cujo, que, pela sua óbvia dificuldade, é como encontrar uma agulha no palheiro…
Manuel Baltazar , o Manuel “Palito” fica nos anais da justiça à portuguesa  por ser como que um Tarzan ou um Robin dos Bosques, conseguindo fugir à Polícia Judiciária e à GNR, depois de ter matado a sogra e uma tia e ferido a ex-mulher e a filha. Resistiu à perseguição destas forças a pé e a cavalo, durante 34 dias.
O que é estranho é que este foragido consegue colocar no ridículo as forças de segurança que, não obstante tantos meios empregues para o “caçar”, e a quantidade de elementos na sua busca, é ele próprio que se dirige a sua casa, onde dormiu e tomou banho, quando se apregoa que a PJ é uma polícia do melhor que há no Mundo e a GNR que ombreou em operações internacionais desde o Iraque a Timor, passando pelo Afeganistão, profissionais treinados para enfrentar sem medo terroristas experimentados. Isto é a força policial do nosso País, agora colocada a ridículo, neste Portugal profundo.

E se a GNR, enquanto andou à procura do palito pelas matas do imenso território de São João da Pesqueira, tivesse também sido incumbida, como os agentes da PSP, em Lisboa, de participarem na preparação para a criação duma mega bandeira nacional para o 10 de junho, de tampinhas recicláveis, então, ainda hoje o ressuscitado Manuel “Palito” podia ir passeando pelos arredores até à sua casa.

(In "Notícias da Covilhã", de 29.05.2014)

19 de maio de 2014

“TRIBUNA DESPORTIVA” - SEMANÁRIO DESPORTIVO REGIONAL DE ELEIÇÃO

Duas décadas a manter-se de pé, sem interrupção, ao serviço do desporto regional, é obra! Sim, Senhor, incontestavelmente, entre ventos e marés, a “Tribuna Desportiva” tem sabido granjear a simpatia e aderência dum público de afeição pelo desporto desta região da Beira Interior.
Tive o prazer de, nos seus primórdios, ainda que duma forma efémera (anos 1995 e 1996), ter podido colaborar nas suas páginas, com os títulos “Ao Virar da Página” e “Vultos do Desporto d’Outrora”.
Mas o que me trás a este apontamento não são as memórias, e muito menos qualquer saudosismo retrógrado, mas tão só a justiça que é de enaltecer, em tempos de forte crise, o trabalho de excelência dos obreiros deste semanário, reflectida nos seus 1000 números atingidos na última edição, sendo, desta forma, indubitavelmente um semanário de eleição.
E afirmo-o categoricamente, porque são os homens da pena, ou melhor, da gravação in loco, nos eventos, e da máquina fotográfica, na objectiva da oportunidade, da ”Tribuna Desportiva”, como também na pessoa do seu director, Pedro Martins, que, não abandonando precocemente o local desses mesmos eventos, quer sejam encontros desportivos quer assembleias gerais, por exemplo, quer ainda várias celebrações comemorativas, conseguem dar notícia global do que ali se passou. É que, quando, por vezes, decisões importantes ou curiosas ficam para último, na sua generalidade outros órgãos da comunicação social já deram o fora porque lhes bateu à porta o enfado do prolongamento para além do desejável. E, assim, notícias marcantes ficaram omissas ou no segredo dos deuses.
E é nestas situações comportamentais, em termos de estar com a notícia global, que se proporcionam as futuras pesquisas para as estórias que vão inserir-se na história.
Depois, é todo o mundo de resultados e os comentários possíveis de todas as categorias de encontros, das várias modalidades, de âmbito nacional repercutido nesta região, ou distrital, “dando voz a todo o desporto do distrito de Castelo Branco” e a “todo o desporto da Beira Interior”.
E é pela leitura do futebol juvenil que muitos, como eu, vão buscar as informações que desejam dos seus “meninos” e também o gosto de ver noutras modalidades, como o atletismo, os nomes dos filhos e netos, algumas vezes nos respectivos pódios.
Por outro lado, também alguma frustração (mas disso não tem culpa a “Tribuna Desportiva”) ao ler resultados de golos sofridos, num total de 152, contra 13 marcados..., mas isto é que é o fidedigno da informação.


Aqui fica o meu apreço com os votos de longa vida ao serviço do desporto regional.

(In "Tribuna Desportiva", de 19/05/2014)

17 de maio de 2014

MONUMENTO AO SOLDADO DESCONHECIDO


Pensava eu que este monumento, que perpetua sentimento de homenagem aos Mortos na Grande Guerra e no Ultramar, como também é conhecido, de naturais do Concelho da Covilhã, era propriedade municipal.

Por informação do Presidente da Direção da Liga dos Combatentes do Núcleo da Covilhã, vim a saber que o mesmo é património da Liga dos Combatentes.

E isto a propósito de mais uma vez ter sido objeto de vandalismo, no mês de março, com danificação de uma das placas retangulares, em mármore, onde se encontram inseridos os nomes de falecidos em combate, de militares do Concelho da Covilhã; e também do furto de uma das duas esferas armilares, em mármore, que encimavam as extremidades do monumento.

Estes atos são geralmente praticados, sob efeito do álcool, por uma juventude que deveria ser exemplo por força de se encontrarem na cidade empenhados na formação académica para um futuro melhor mas que, lamentavelmente, a ocultas das autoridades, que quantas das vezes não estão no local certo à hora exata, danificam património. São uns quantos que, mais tarde, já sob a responsabilidade de lideranças em instituições, vêm a ser, eles próprios, a condenar tais atos.

Os excessos de práticas que nada condizem com os bons costumes, e certamente com a educação que trouxeram de suas famílias, deveriam ser, sem apelo nem agravo, condenados com sanções que fossem exemplares, logo que detetados.

Este monumento esteve inicialmente colocado no Largo 5 de outubro, aquando da sua inauguração em 15 de junho de 1930, pelo então Presidente da República, General Óscar Carmona.

Nos finais da década de 50 do século passado foi mudado para junto do Jardim Municipal, na Avenida Frei Heitor Pinto.

Estas habituais danificações nas partes mais sensíveis do monumento situam-se na parte em mármore que foi acrescentada e inaugurada em 23 de outubro de 1999 pelo Presidente da Liga dos Combatentes, General Baltazar Barroco e pelo Presidente do Município Covilhanense de então, Carlos Pinto.

Este monumento teve origem nos atos de bravura desempenhados pelos militares do então Regimento de Infantaria 21, sediado na Covilhã, na linha da frente, na Batalha de La Lys, na Flandres, durante a Primeira Grande Guerra, e também em Moçambique.

Logo que terminou a Grande Guerra, decidiram memorizar os combatentes do Concelho da Covilhã, que na mesma lutaram com coragem e valentia, e construir um monumento em memória dos soldados que nela faleceram, e dos que nunca se conheceu a nacionalidade ou família, a que se designou “Soldado Desconhecido”.

Este vandalismo sobre o monumento ao Soldado Desconhecido não é só de agora. Recordo que já em 15 de janeiro de 1965, já lá vai quase meio século, publiquei no “Notícias da Covilhã” uma gazetilha alusiva a um pequeno ato de vandalismo que consistiu na quebra da baioneta da espingarda do Soldado Desconhecido, a qual, depois de novamente colocada, continuou a ser alvo, por várias ocasiões, da sua danificação.

E assim me expressei:

 

O SOLDADO DESCONHECIDO

Passeava p’lo jardim,

Ao cheiro do alecrim,

Entoando canções não alheias,

Um garoto das nossas aldeias.

Vê em pedra uma figura!

Com uma tal estatura,

Olha em frente,

Depois ri e diz p’ra gente,

Com uma tal gargalhada:

“Partiram o cano à espingarda…”

Já outros o terão contemplado,

Pois isto há tempos foi passado,

Mas ainda agora,

O Soldado espera a hora

P’ra que seja tratado…

Terá ou não razão,

O rapazito em questão?

                                         J.J. Nunes
 
(In "O Combatente da Estrela", n.º 95, Janeiro a Maio de 2014)

VAMOS FALAR DO DESPORTO CITADINO, E NÃO SÓ


É indubitável que o desporto é uma das formas de passar, duma forma salutar, algum tempo das nossas vidas. Na ênfase dos anseios pelos êxitos dos nossos clubes de afeição, nestes tempos difíceis, somos abalados com crises e políticas nefastas dos nossos governantes. São essas formas de conduzir a governação que têm levado a uma degradação do sustentáculo de bem-estar na sociedade em que nos encontramos inseridos – o trabalho.

Enquanto caminhamos por essas estradas, caminhos, complexos desportivos, e campos fora, numa de manter a boa forma física e o sistema cardíaco e muscular, e, como atrás referi, no entusiasmo pelos clubes da nossa predileção, quer seja no acompanhamento dos filhos ou netos nas competições desportivas onde se integram, quer seja no “ir aos futebol” ver os seniores, descarregamos, no horizonte do relvado sob céu azul, alguns problemas do dia-a-dia, das jornadas de cada um, e, no paradoxo o carregamento de baterias para o resto dos dias/semanas, como sói dizer-se.

Neste espírito de “mens sana in corpore sano”, vamos memorizando factos, mas também figuras, muitas das quais acompanhámos durante a nossa juventude; outras com elas vibrámos nos lances, dribles, golos, gritos de Ipiranga em situações nevrálgicas mas que, num ápice, surgiu o golo salvador de safar a época.

Muitos são agora objeto de uma nostalgia de bons velhos tempos de outrora, quase idolatrados, mas, pelo menos, memorizados, se não quando amiudadas vezes objeto de amizades proporcionadoras das suas memórias com encontros apelativos às recordações desses tempos.

E, depois, são também as famílias que acabam por se juntar ao coro de amizades, naquela de que “recordar é viver”.

É neste contexto que trago o primeiro remate de recordações dos que ainda se encontram no mundo dos vivos, velhas glórias do grande embaixador da cidade laneira, hoje universitária – o Sporting Clube da Covilhã (SCC) –, para quem vai já um gesto de parabéns, e as maiores felicidades por conseguirem a manutenção na II Liga do futebol português.

Saliento tão só os homens que integraram as equipas da divisão maior do futebol em Portugal, no clube serrano, então designada por I divisão, em duas fases distintas. O grande período que foi das épocas de 1948/49 a 1961/62, com um interregno em 1957/58, e o período mais recente e último, que integrou as épocas de 1985/86 e 1987/88.

Muitos dos antigos atletas e treinadores, com quem privei pessoal ou indiretamente, já desapareceram do mundo dos vivos.

Vestiram a camisola do SCC, no período compreendido entre as épocas 1948/49 e 1961/62, entre os maiores do futebol português, 27 atletas, que participaram em jogos oficiais do Campeonato Nacional. Não estão aqui considerados os suplentes que nunca integraram jogos oficiais, assim como não está considerada a sua participação nas várias fases da Taça de Portugal. Por aqui se pode ver o tempo que permaneciam ao serviço das cores serranas, em relação aos tempos atuais.

Já durante o período que integrou as duas épocas correspondentes a 1985/86 e 1987/88, vestiram a camisola do SCC, durante a I Divisão, 45 atletas.

Dos tempos áureos da I Divisão, compreendidos no primeiro escalão a que acima me reporto, encontram-se ainda vivos, felizmente, se bem que alguns deles bastante doentes e incapacitados: Adventino Gorgulho Pedro (Algarve), Albertino (guarda-redes, Costa da Caparica), Amílcar Cavem (Coimbra), Amílcar Gonçalves (Gouveia), António Jorge Porcel (estrangeiro), António Lourenço (Lisboa), Fernando Cabrita (internado num lar em Caneças), Fernando Pires (Covilhã), João Lanzinha (Covilhã), João Tomé (Setúbal), Jorge Nicolau (Covilhã), José Romeiro “Coureles” (Lisboa), Palmeiro Antunes (Lisboa), e Vitoriano Suarez (S. Paulo/Brasil).

Desconheço as situações e paradeiro de Pérides, Patiño e Chacho.

Ainda durante o primeiro período em análise, foi Pedro Martin Sanz que realizou mais jogos ao serviço dos Leões da Serra, num total de 194. Seguiram-se-lhe: Helder Toledo, 170; Amilcar Cavém, 148; Bento Couceiro, 142; e José Rita, 130, quase todos falecidos, exceto Amilcar Cavém.

Já no segundo período em análise, foi Germano que mais vezes vestiu a camisola serrana, num total de 55; seguiram-se-lhe: João Sousa “Joanito”, 46; António José Real, 41; Gouveia, 37; e Celso Maciel, 35.

Quanto a melhores marcadores, para o primeiro período de análise (1948/49 a 1961/62), o 1º foi André Simonyi, com 74 golos ao serviço do SCC; 2.º Vitoriano Suarez, 66; 3.º Manuel Livramento, 53; 4.º João Tomé, 41; 5.º Carlos Ferreira, 32 golos marcados.

Já no segundo período de análise (1985/86 e 1987/88), o 1.º foi Celso Maciel, com 10 golos; 2.º Jacques, com 7; 3.º Artur Semedo, 5; 4.º Paulo Roberto, 4; 5.º Biri, 4.

João Tomé completou 90 anos do passado dia 3 de maio e, por intermédio de seu filho Fernando Tomé, que jogou no Vitória de Setúbal e no Sporting Clube de Portugal, demonstrou muito carinho pelo SCC e pelas pessoas que ainda o contactam colocando uma foto com a camisola do SCC no facebook.

Fernando Pires, meu vizinho, que foi o autor do golo do SCC na final para a Taça de Portugal com o Benfica, na época 1956/1957 é outra das velhas glórias do SCC que ainda passeia pelas ruas da cidade, assim como João Lanzinha.

J.J.Nunes


(In "O Combatente da Estrela", n.º 95, de Janeiro a Maio de 2014)

CONTINUAR


É numa vertente de colaboração que mantenho, com muito gosto, e empenho, o registo de alguns textos ou crónicas n’O Combatente da Estrela, desde há já algum tempo.

 Neste número 95, algumas alterações surgiram na ficha técnica, passando, assim, a ter a responsabilidade, que até aqui me era alheia, de uma cooperação com o diretor deste órgão periódico do Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes.

Sendo certo que esta publicação tem vindo a crescer desde que veio à luz do tempo, em janeiro de 1988, com o seu primeiro número, também é certo que a responsabilidade da sua feitura tem recaído, sempre, desde a sua génese, na pessoa do seu diretor, ombreando assim, praticamente sozinho, com o peso de todas as responsabilidades inerentes à sua conceção.

“O Combatente da Estrela” chega às mãos de cerca de dois milhares de leitores, mormente para os seus associados, mas também é lido em várias instituições, associações e coletividades. Bate à porta de cada um, quer pela via papel, quer também online.

Para além de textos de opinião, com óbvia incidência sobre a vida e as memórias dos combatentes, histórias e vivências das lutas nas guerras do Ultramar, também as pessoas, covilhanenses de raiz ou de coração, e os factos, têm nas páginas deste jornal, oportunidade de fazer jus ao registo dessas mesmas figuras e desses mesmos factos.

Tudo isto assenta na pedra basilar de que este jornal, pequeno no seu formato mas, paradoxalmente, grande na sua alma, será sempre intransigente na defesa dos caminhos da estrela que guia a Covilhã, onde se encontra inserido, e sua região, e, consequentemente, também nos valores da vida que devem desfraldar na nossa Pátria.

Não obstante as dificuldades económicas que grassam por todo o lado, poderemos pensar, com um aumento substancial de associados, ainda que com sacrifício, de passar a periodicidade deste jornal para mensal. Fica aqui o desafio.

Uma dúvida que pode emergir no que concerne à qualidade de associados, na sua obrigatoriedade, é oportuno que se esclareça que podem ser associados do Núcleo da Liga dos Combatentes da Covilhã, também outras pessoas, de ambos os sexos, independentemente de terem sido antigos combatentes, integrando a categoria estatutária.

No meu caso concreto, eu que cumpri o serviço militar obrigatório, de 16/1/1968 a 20/7/1971, também não fui mobilizado para o Ultramar, e, por conseguinte, não fui antigo combatente, o que não que dizer que não comungue das memórias contadas de familiares, amigos e antigos colegas que combateram nas Colónias, pela Pátria; e, também, não deixe de me interessar, e preocupar, com os efeitos nefastos que levaram muitos antigos combatentes a sofrerem, ainda hoje, física e psicologicamente, a sua passagem pelo mundo da guerra, sob a obrigatoriedade de um regime ditatorial de então.

No entanto, não posso deixar de também sentir que a juventude das décadas de 60 e 70, até ao 25 de abril de 1974, em cujo período me incluo, sofreu ainda em território continental, os efeitos negativos de não poder resolver a sua vida profissional, adequada às suas aptidões, numa altura em que o emprego não tinha as dificuldades como as de hoje, pelo facto das entidades patronais não desejaram assumir compromissos antes da conclusão do serviço militar obrigatório.

E, por vezes, como foi o meu caso, juntávamo-nos no serviço militar, obrigatório, mais que um elemento do agregado familiar.

Ao mesmo tempo, estivemos no serviço militar, eu e um irmão (eu, no Continente, e meu irmão, na Guiné), com as dificuldades inerentes para as famílias. Muitos outros casos análogos existiram.

É, pois, com este espírito de boa vontade, que nos propomos dar continuidade, mais forte, ao jornal “O Combatente da Estrela”.
 

Agradecemos que nos façam chegar as vossas opiniões.
 
(In "O Combatente da Estrela", n.º 95, de Janº. a Maio de 2014)

14 de maio de 2014

CAIXA DE PANDORA

Esta história da mitologia grega é talvez a mais perturbadora. Este mito diz-nos que numa caixa foram fechados todos os males da humanidade, tais como os desentendimentos, as guerras, a violência, as doenças, a discórdia e a injustiça. E é assim que se relata que Pandora foi enviada por Zeus ao reino dos titãs, proibida que foi de abrir uma caixa, que até era mais um jarro, prenda de casamento para seu marido Epimeteu. Não resistiu e, vai daí, abre-a e liberta todos os males. No entanto apressou-se a fechá-la antes que todos fugissem mas só a esperança conseguiu permanecer. É estranho que, neste rol, se encontra a esperança como um dos males do mundo.
Desde então a história da Pandora está associada com fazer o mal que não pode ser desfeito.
Dentre várias interpretações, a esperança está guardada sendo, por isso, bom; duma forma mais pessimista, a esperança está guardada dentro da caixa e a humanidade está sem esperança.
 Outra versão, Friedrich Nietzche diz que “Zeus quis que os homens, por mais torturados que fossem pelos outros males, não rejeitassem a vida, mas continuassem a deixar-se torturar. Para isso lhes deu a esperança: ela é na verdade o pior dos males, pois prolonga o suplício dos homens”.
Ora bem, vindo a propósito a esperança, o Governo criou um “Grupo de Trabalho” para recomendar os investimentos em transportes – ferroviário e rodoviário – até ao ano 2020, gerando no País uma lista de prioridades com custos que ascendem a cinco mil milhões de euros.
E é aqui que se abre uma “caixa de Pandora”, sabido de antemão que não terá aquele valor para investir nas redes de ferrovia, rodovia, portos e aeroportos.
Como é óbvio nestas circunstâncias, terá que haver um forte rigor, é também boa norma de conduta que esse rigor seja visto duma forma humana e não de favorecer mais esta ou aquela região, pois todos são filhos de Deus e respiram o mesmo ar.
É preciso que sobre o Interior, o mais desfavorecido em relação ao litoral, exista uma coesão nacional e, numa vertente de combate às desigualdades do País, haja uma visão dum propósito da democracia, neste grande evento que ainda comemoramos das quatro décadas da esperança de abril.
Mas, o que é certo é que Pandora não conseguiu recuperar para a sua caixa alguns males que afetam esta região da Cova da Beira, e, não obstante “Caixa de Pandora” ter as mesmas iniciais de PPC (Pedro Passos Coelho), ainda que alteradas, continuam em liberdade os males saídos da “caixa”, como tal desentendimentos, injustiça e discórdia, não obstante violências verbais, guerras de bastidores e clima mórbido nas conversações porque não passam de promessas não cumpridas.
Razão tinha um antigo presidente do Vitória de Guimarães que disse: “O que hoje é verdade, amanhã é mentira”.
A ligação rodoviária da Covilhã a Coimbra é uma via de coesão nacional, que poderá ajudar a desenvolver a região, segundo as palavras do presidente da edilidade covilhanense, e reclama, como todos os covilhanenses, de raiz ou de coração, todos quantos na região covilhanense se encontram radicados, IC6 para Coimbra, uma via de coesão “prioritária” e “fundamental” ao desenvolvimento da região.
A construção do IC6 é uma necessidade tão premente, fazendo a ligação da Covilhã a Coimbra, “como de pão para a boca”, ainda nas palavras do presidente da Câmara da Covilhã.
Só é estranho, ou talvez não por ser do partido do governo, que um deputado municipal ainda mantenha reservas sobre esta necessidade, necessidade que é do tamanho da Serra da Estrela. É preferível continuarmos a falar na estrada das Pedras Lavradas, há tantos anos?

Outro assunto de não somenos importância é a arreliadora ligação ferroviária da Covilhã à Guarda, há anos parada, e que não há maneira de o único “mal” recolhido da “Caixa de Pandora” – a esperança – se transformar numa realidade, para grande benefício de que carece também a Covilhã, a Guarda e suas regiões; e não venha a ser uma falsa esperança, como já estamos habituados, e cansados.

(In "Notícias da Covilhã", de 15.05.2014)

13 de maio de 2014

Ó PAPÃO VAI-TE EMBORA!

Era assim que as crianças mais pequenas do meu tempo ouviam de seus pais e avós esta expressão temerosa, para que os meninos fechassem os olhos e o sono chegasse mais rápido.
Depois, a juventude, e os mais velhos, ao longo dum período prepotente de negridão salazarista e marcelista, viu o papão inserido nas forças pidescas. E as mentes mórbidas de pensamento, em cuja patologia só viam que único era só um partido, e único um só pensamento, viam a forma de suprir algum atrevimento através da criação, e difusão, de muitos papões.
Já na minha juventude, e num período em que passei pelo funcionalismo público, fui obrigado a assinar documentos para o ingresso e promoção de carreira, subscrevendo um juramento por obrigação, mais ou menos nestes termos: “Declaro cumprir a Constituição de 1933 e repudiar o comunismo e as suas ideias subversivas”.
Surgiram entretanto os assaltos para a emigração clandestina; e a fugida de alguns cérebros para França, Alemanha e outros países, com o pomposo título de exilados, mais não terão sido que fugidos à Guerra do Ultramar, mandando às favas o serviço militar, com muitos a ocultar o medo do papão e a ter que enfrentar as guerras fratricidas.
E aquilo que muitas vezes era realidade, transformava-se no boato –  e “o boato fere como uma lâmina” – lia-se nuns cartazes expostos nos refeitórios do RI 12, na Guarda.
E “O povo português não está preparado para a democracia, será o caos, tem muito que aprender” era assim a visão tacanha dos senhores do outro tempo, na tentação da perenidade dos papões.
- “Ó papão vai-te embora de cima deste telhado, deixa o menino dormir um soninho descansado”, terá sido a inspiração destemida do capitão Salgueiro Maia, no histórico 25 de abril de 1974, que terá afastado o grande papão e muitos outros papões encapotados do berço de muitos meninos que, entretanto, embora crescendo, crescendo, se foram sentindo muito bem com as canções de embalar.
Talvez por isso, dois meninos, de 10 e 11 anos, nesse desfolhar da aurora de 25 de abril de há 40 anos, de sua graça, “Pedrinho dos coelhos” e “Paulito dos postigos”, respetivamente, embalados por estas canções, um dia se uniriam na memória de virem a ser recriadores do medo, dos tais “papões”.
E chegámos ao fim do capítulo deste livro, cuja leitura já dura três anos, com a ressurreição das “canções de embalar”, insufladas num comovente papão – a troika vai-se embora, mas continua a ficar o papão.
Estamos fartos daqueles dois meninos de outros tempos, homens da (des)governação de hoje, com mais uns quantos outros apaniguados papões, por nos terem cantado tantas vezes as suas canções de embalar; mas, como abéculas que são, nem repararam que não nos conseguem fazer dormir.
E a troika é como a história do papão. Para poupar mais uns cêntimos arruínam-se populações e encerra-se tudo: Finanças, escolas, hospitais, juntas de freguesia, e tantos et cetera.
Pois é, antigamente, havia o império do medo pela coação da força; hoje há também medo, ainda que mascarado na democracia, que muitos querem que perca a dignidade.
A Ministra das Finanças veio dizer que estamos melhor do que há dois anos, entrando na dança do marketing do Governo que integra, mas esqueceu-se que já não há canções de embalar que nos façam dormir, quando a maioria da população está empobrecida e as instituições de solidariedade social, onde se sobressaem as da caridade, estão cada vez mais sobrelotadas de atendimento à fome que grassa em muita gente, gente que já perdeu o medo ao papão.
E os ricos estão cada vez mais ricos numa afronta que explica os dez por cento do PIB que auferiram em 2013. Essas fortunas correspondem a 16,7 mil milhões de euros distribuídos por vinte e cinco famílias.
Palavras para quê? Ó papão vai-te embora, e, de “saída limpa”, leva também toda esta escumalha que está provocando uma sujidade intoxicante neste Portugal à beira-mar quase afogado.

Venha depressa o 25 de maio para que o povo possa cantar, ele sim, a este maldito governo, a sua última canção de embalar e dizer-lhe: “Ó papão vai-te embora!”.

(In "fórum Covilhã", de 13.05.2014)

23 de abril de 2014

RECORDANDO OS TEMPOS DO “ASILO”, NO FERVOR DAS MEMÓRIAS

Como fôra anunciado, realizou-se no sábado, 19 de abril, o almoço-convívio, seguido de visita às instalações da antiga escola primária – “O Asilo – Associação Protectora da Infância” – de antigos alunos, de várias gerações, daquele antigo estabelecimento de ensino, que foi uma referência na cidade dos lanifícios de então.
A alma e mentor da iniciativa foi o antigo aluno, José Alberto Almeida que, em conversa com o seu antigo colega de carteira, o hoje fadista Nuno da Câmara Pereira, decidiram memorizar os caminhos percorridos outrora no Asilo – a sua escola primária e a de muitos covilhanenses ou que aqui se radicaram temporariamente como foi o caso de Nuno da Câmara Pereira.
Complementarmente, o fadista lisboeta, sobejamente conhecido, cuja sua ação no âmbito da solidariedade
para com os mais desprotegidos é muito sensível, e atuante, ofereceu-se para apresentar um espetáculo no Teatro-Cine da Cidade da Covilhã, a título meramente gratuito, em favor da Associação de Deficientes da Covilhã, evento que veio a ser um grande êxito, com a casa repleta de gente.
Estes dois eventos foram distintos, competindo-me
tão só dar a conhecer o retumbante entusiasmo vivido neste grande convívio dos antigos alunos do “Asilo”, com Nuno da Câmara Pereira, espelhado nas memórias vividas de outrora, e na chegada dos “antigos” que éramos cada um de nós. Foi grande, de facto, pela alma de cada um dos presentes, apesar de como que alguma contradição pelo facto de terem participado pouco mais que duas dezenas de antigos alunos, face a sucessivas desistências de última hora. Mas como dos fracos não reza a história e valem mais poucos e bons, eis o que se veio a desfrutar deste encontro-convívio.
À chegada, no ponto de encontro, eram visíveis os rostos risonhos de cada um, ao encontrar antigos colegas da mesma escola, ainda que de gerações diferentes. Contavam-se peripécias dos tempos da escola primária, aventuras de outros tempos, para além das reguadas levadas do professor Poeta, principalmente, do professor Raul, ou de outros.
Chega Nuno da Câmara Pereira e logo faz referência às reguadas que levou do professor Manuel Poeta.
E já o João Nuno Saraiva, durante o almoço, apontava para uma cicatriz na testa, resultante duma pedrada que o atingira, fruto das rivalidade“Os da Escola pediram a batalha; os do Asilo ganharam a medalha”.
s entre escolas daquele tempo, em brincadeiras da rapaziada escolar, envolvendo o “Asilo” e a “Escola Central”, quando solta um brado daquele tempo, de imediato acompanhado pelo Luís Filipe Bonina:
Por vezes atravessavam-se as conversas entre uns e outros, no óbvio de cada um querer memorizar os tempos de meninos e moços.
Chega a hora de se ir ao encontro das memórias do “Asilo”, in loco, já com a chave na mão para abrir aquela porta da rua, estreitinha, dos Combatentes da Grande Guerra.
Uma caminhada, desde o restaurante até à antiga escola, com fotos pelo caminho. Interregno com uma passagem de Nuno da Câmara Pereira pela igreja de S. Francisco para visitar os túmulos de seus antepassados, já que ele é herdeiro da família de Pedro Álvares Cabral, neto na 16.ª geração.
No Asilo, incumbido que eu fôra de fazer uma súmula daquela instituição de prestígio, e das suas memórias, fundada em 9/6/1870; e da sua biblioteca – “a Frei Heitor Pinto” –; foi a vez de o famoso fadista cantar ali um fado, na sala onde levou reguadas do professor Poeta, e de fazer algumas considerações muitos oportunas sobre o campo da solidariedade neste tempo de crise. Seguiu-se uma visita ao pequeno recinto destinado ao recreio e à instrução da Mocidade Portuguesa, com a foto da praxe.
Foi, de facto, um dia inolvidável.

(In "Notícias da Covilhã", de 24.04.2014)

16 de abril de 2014

DE FRASES DOUTAS A HISTÓRIAS LOUCAS

Portugal indubitavelmente a acrescentar aos anais da sua História mais umas páginas de quarenta anos, na génese de um sonho lindo. Paradoxalmente traído, tantas vezes, na adequação de “mudam-se os tempos, mudam-se as vontades”.
Atentemos a mais de oito séculos da sua existência. Várias vezes emergiram perigos, ameaças e atos consumados na sua história bonita, convertida de vez em quando nas lágrimas e no sofrimento “duma austera, apagada e vil tristeza”, conforme o nosso Camões.
“A montanha pariu um rato”, quantas vezes, e, mesmo assim, não tem servido de exemplo a muitas cabecinhas pensadoras. Não se destruindo a si mesmos, como nobres de outrora, conseguiram colocar grande fatia da classe média em paralelo com os nossos irmãos da “arraia-miúda” ou “ventres ao sol”, da invenção de Fernão Lopes.
Neste sul da Europa, onde nos integramos, uma fisionomia invernosa; em contraste, o semblante primaveril dos países da vertente norte. Já poderíamos ter respirado dum certo desafogo. As enormes contrariedades por que estamos a passar não existiriam se, ao longo da nossa história, muitos dos principais governantes não se situassem no verso camoniano de “Um fraco rei faz fraca a forte gente”.
Dentre as necessidades prementes de hoje, a justiça portuguesa. Não funciona de forma a resolver os problemas que viraram o país ao avesso. Usos e abusos chegam ao caricato das prescrições. Atos que pedem severa punição. Recorde-se, há mais de 900 anos, o conselho do Conde D. Henrique, no seu leito de morte, a seu filho, ainda de tenra idade. Para o primeiro monarca de Portugal, D. Afonso Henriques: “Se um dia deixares de fazer justiça um palmo, logo ao outro dia se afastará de ti uma braça”.
E “a nós pertence fazer mercê aos indefesos e protege-los contra os poderosos”, é a decisão das Cortes de Coimbra, convocadas por D. Afonso II. Que fique na mente dos governantes deste País, e não daqueles que se arregimentam com a “governação” deste pedaço europeu, que, na expressão de Eça de Queiroz, em O Conde de Abranhos, “O governo não há-de cair – porque não é um edifício. Tem que sair com benzina – porque é uma nódoa”.
Saímos do “orgulhosamente sós” e da “evolução na continuidade”. Caso contrário, onde estaríamos? António de Spínola e Costa Gomes enganaram-se nas afirmações de que “Haveremos de continuar em África. Sim!” e “Venceremos”, no ano de 1974. Mais acertada foi a expressão do jornalista Eugénio Alves, durante a censura, relatando um jogo de futebol a pensar no Golpe das Caldas, que precedeu o 25 de abril: “Perdeu-se uma batalha mas não se perdeu a guerra”.
Após a reunião de vassalagem a Marcelo Caetano dos últimos generais leais ao regime ditatorial – “A brigada do Reumático” – já Manuel Alegre no “Pergunto ao vento que passa, notícias do meu país, o vento cala a desgraça, o vento nada me diz”, pôde haurir na sua poesia ao grande dia da libertação – 25 de abril daquele inesquecível ano de 1974.
D’”O estado a que isto chegou”, do saudoso Salgueiro Maia, veio a esperança. O seu indómito entusiasmo levou de vencida todos os escaravelhos que minavam este Portugal. E uma história louca não se concretizou, no Terreiro do Paço. Os disparos das forças do regime, ali, frente a frente, se quedaram.
Nestas últimas quatro décadas muita coisa se passou. A disputa do poder – “Olhe que não, doutor, olhe que não”; “O povo é sereno. É só fumaça!”; em 1975. Uma década depois, “Só fui fazer a rodagem”(1985) e “Nunca me engano e raramente tenho dúvidas” (1990).
Tempos desarticulados da governação. Muitas estórias pelo caminho de toda esta História de Portugal. Um FMI a ajudar a salvar da bancarrota nos anos 80. Em 2011, a Troika, de grande tormento. Termo do programa de ajustamento previsto para 17 de maio.
E foram Primeiros-ministros de Portugal a conduzir-nos para fobias: o “monstro”, o “pântano” e a “tanga”. Cavaco, com os dinheiros da União Europeia, fez-nos lembrar que “O ouro e os diamantes do Brasil foram a transfusão de sangue num corpo anémico”, conforme Oliveira Martins retratou as contas do reinado de D. João V, onde tanto entrou e tão pouco ficou. Dois outros a fugirem. Um a ser demitido forçosamente pelo Presidente da República, Jorge Sampaio, fazendo recordar, no século XIII, a deposição de D. Sancho II por seu irmão D. Afonso III, por incapacidade governativa.
Aquilo que jamais se previra algum dia, neste Portugal, aconteceu: Bancos a serem ávidos da cobiça dos senhores da ladroagem. Brada aos céus! Justiça transformada em prescrição!
Basta! Estamos ávidos dum Portugal renovado.

(In "Notícias da Covilhã", de 17.04.2014)

8 de abril de 2014

DO 25 DE ABRIL DESFIGURADO À PRESCRIÇÃO

1 - Quando há quarenta anos vivi a Revolução dos Cravos, como tantos covilhanenses e portugueses, acordados por um sonho lindo, nem sequer passava pelas nossas cabeças que a vida ainda nos haveria de mostrar uma face de grandes dificuldades, por décadas em frente.
Naquela madrugada de quinta-feira tinha-me deitado já um pouco cansado de uma viagem profissional, e preparava-me para, no dia seguinte, uma visita de negócios, quando sou confrontado, de manhã, com as notícias de algo que se passava no País, fora do habitual.
No trajeto para o escritório, a polícia mostrava um semblante muito sério. Chegado ali, e juntamente com o colega, entramos em contacto com os nossos superiores hierárquicos para saber o ponto da situação e a conduta que se impunha. Já havia agitações por vários sítios, durante o dia, e os Bancos encerraram.
Para mim não era assim muita surpresa já que tinha acompanhado algumas reuniões da Comissão Democrática Eleitoral, e, aquando da Revolta das Caldas, naquele sábado da manhã de 18 de março de 1974, vinha eu de fim-de-semana, duma formação em Lisboa, no carro do Humberto Andrade, quando passámos por algumas viaturas militares, em atitude bélica, na zona de Abrantes, o que nos causou alguma estranheza.
Havia vivido 28 anos em ditadura, e terminado há três anos o serviço militar. Tinha uma vida mais desafogada com a mudança de vida profissional, da estatal para a privada.
Na flor da idade, e no entusiasmo da profissão, percorrendo os dois distritos – Guarda e Castelo Branco – com regressos a casa muitas vezes pela madrugada fora, começo por verificar os exageros de quem não estava habituado à democracia, e as vinganças que se traduziam, na força de que “o povo é quem mais ordena”, em mandar para a rua as hierarquias que não se compraziam com a vontade desse “povo” ainda desorganizado.
E surge o Processo Revolucionário em Curso (PREC), Comando Operacional do Continente (COPCON), em Lisboa; uma série de Governos Provisórios donde emergiu um período de grande desestabilização social, com os trabalhadores a ganharem enorme força sindical, na era comunista, com nacionalizações da Banca e dos Seguros, e a fugida de muitos empresários para o estrangeiro. Vem o Conselho da Revolução e uma nova Constituição Portuguesa até que os novos Governos Constitucionais tomam conta do País.
E, neste período de tempo, alguns petizes que mal palmilhavam os caminhos desta Terra de Santa Maria, iam crescendo, crescendo, e viriam a saltar para a ribalta da política, entre jotas, boys e girls, para hoje nos desgovernarem, pós feiras e mercados, beijos e abraços, na “catedral” de S. Bento e suas traseiras.
A integração na União Europeia foi de satisfação mas de imediato os protagonistas da governação não souberam aproveitar as ofertas dos fundos destinados à modernização e logo esfregaram as mãos de tanto rio de dinheiro.
Depois, vai um mundo de corrupção, ladroagem às ocultas e às claras, com uma justiça a não funcionar e a deixar prescrever processos e mais processos, com atitudes caricatas como na comunicação social recente.
Ainda hoje continua a emergir essa revolta – a prescrição –, algumas, propositadamente.
Volvidos 40 anos da Revolução do 25 de Abril, a Revolução dos Cravos, da Esperança, é hoje traduzida por contornos que a desfiguram, no descrédito em quem nos governa, nas atitudes de quem faz troça dos mais fragilizados em todas as vertentes, comprazendo-se com salários milionários, eliminando a classe média, e, numa atroz situação de incompreensível atitude para um humano, em que os mais ricos são uma fatia muito forte do conjunto dos mais pobres.
Quem haveria de pensar que após 48 anos de ditadura e implantada a democracia, num percurso de já quatro décadas, haveríamos de comemorar estes 40 anos de liberdade, numa situação draconiana, depois dum FMI nos anos oitenta, agora uma severa troika, com o choro de muitos, na míngua e redução do seu pão-nosso de cada dia, ao paradoxo dos salários incompreensíveis de muitos que ganham mais num mês que dezenas de trabalhadores num ano.
“Os Rapazes dos Tanques”, de Alfredo Cunha e Adelino Gomes, vem, numa esplêndida imaginação, dar corpo ao momento exato da definição do 25 de abril, como ato consumado em determinado momento, na “hora h”, em que “prescreveu” o tempo do brigadeiro Junqueira dos Reis que obrigara o cabo José Alves da Costa, há 40 anos, a disparar contra as forças de Salgueiro Maia. Se este patriota Alves da Costa tivesse dado ao gatilho, pergunto, onde estaria a data que hoje comemoramos, entre tristes e ledas madrugadas?
2. “Artistas da Nossa Terra”. No número de 25 de março deste quinzenário foi feita menção à “obra inacabada de Manuel Vaz Correia”, onde, segundo o autor, “muitos universitários bebem dos meus livros, para notícias e reportagens, mas não com o intuito de desenvolver a obra”.
Pois bem, como eu também sou um dos nomes que são inseridos na sua obra (2.º volume), a seu pedido de determinada altura, não posso deixar de sentir o meu descontentamento pela omissão da atividade profissional que desempenhei ao longo de 40 anos, lacuna infeliz porquanto foi o maior e melhor tempo da minha vida profissional. Segundo as suas palavras, “O escritor passa e a obra fica, e estou convencido que esta é uma obra que vai perdurar no tempo”; sim, fica a obra imperfeita na parte que me diz respeito, e, a propósito, também o autor foi beber a fontes dos meus livros, alguns elementos, nos seus inseridos.


(In "fórum Covilhã", de 08.04.2014)

11 de março de 2014

“HÃ?”

Palavrinha curta, simples, que sai da boca sem esforço. Com ela se interroga de imediato o interlocutor. Pede-se-lhe para repetir o que disse. Também existem outras palavras que servem o mesmo propósito: “como?”, “diga?”. Depressa que surgiu um hiato na comunicação oral. Existe assim uma falha de compreensão.
- Hã? “Milagre económico” conseguido no nosso país? … Agora que se aproxima o termo do fim do programa de ajustamento da troika, com as severas exigências do seu Memorado, dizem acontecer para 17 de maio, pelo que convém que Cavaco Silva reze a Nossa Senhora de Fátima, como já, noutras alturas, invocou a sua intercessão.
- Diga? Chegou-se ao final de 2013 com um défice previsto de 5% quando se previa uma percentagem inferior. A dívida máxima prevista no Memorando era de 114,9% do PIB e, no final de 2013, foi de perto de 130%. Aumento doido de impostos, ultrapassando mesmo o exigido pela troika, recessão da economia e brutal quebra do consumo. Pessoas e famílias em autêntica penúria aumentando os braços carinhosos das várias instituições de solidariedade social, como são as Conferências de São Vicente de Paulo. E se elas não existissem?
- Hã? Com um segundo resgate fora de qualquer previsão (para já…), com a necessidade de um programa cautelar ou uma saída limpa (mas com mãos sujas de muitos corruptos, chico-espertos e oportunistas), o Governo nem ninguém nos diz quando é que a agressiva austeridade, nas previsões mais otimistas dos estimados governantes, serão atenuadas e chegam ao fim. Talvez para gerações daqui a uma, duas ou três décadas. E com a destruição da classe média.
- Como? O ano 2013 confirmou o fim da recessão em Portugal. Sem euforias, nem pompa e circunstância. Os mais cautelosos saltaram a lembrar que a crise ainda vai caminhando e que o seu fim ainda pode estar distante. O ministro da Economia, Pires de Lima, terá sido o anunciador do que considerou o tal “milagre económico”, talvez imbuído na ideia da intercessão de Santa Rita de Cássia, advogada das causas impossíveis. Não fossem os cérebros portugueses a saírem para a estranja, onde os portugueses são reconhecidos pelo seu Know-how, numa referência como trabalhadores de confiança, Portugal estaria hoje numa situação mais degradante.
- Diga? A recuperação da economia vai demorar uma a duas décadas. Sim, Senhor, são as palavras doutas de José António de Sousa, “para recuperar os níveis de riqueza que se tinham em 2008”. “Estamos agora muito mais pobres do que há três anos e vai demorar muito tempo para recuperar".
- Hã? Portugal, considerado o “bom aluno” da União Europeia. É a convicção de Cavaco Silva. E, com esta de nos vergarmos demasiadamente sobre o fardo da austeridade, nesta barca do inferno a empobrecer-nos cada vez mais, só é de estranhar como é que o povo ainda não escolheu a violência, numa nova Maria da Fonte. Até Xanana Gusmão, líder da resistência timorense, na sua visita a Portugal, disse sentir-se chocado com a situação portuguesa por que a população está a sofrer.
Vamos aguardar por uma saída destas correntes que cercam a nossa casa, ou duma forma limpa, ainda que com a ajuda da mulher a dias; ou com programa cautelar, na lembrança das reguadas dos professores da primária de antigamente, que não faziam mal a ninguém.
Voltamo-nos agora para a Manchester Lusitana de outrora, Cidade Universitária de hoje. Ainda a procissão vai no adro e já vozes escondidas nas redes sociais, onde a cobardia do anonimato é rainha, soltam gritos de Ipiranga sobre ventos ciclónicos a abalar a cidade laneira que foi durante séculos.
- Hã? Como? Diga? Parece que às vezes é o desejo de se ver a terra queimada para depois surgir o D. Sebastião, agora que tem havido algumas manhãs de nevoeiro. E, uns e outros, anonimamente, se digladiam. Isto é do caraças! E, depois, inventa-se o “ Bucha & Estica”, ou o “Sr Feliz e o Sr. Contente”. Ainda que se vejam muitos acidentes com colisões, que é preciso denunciar também, mas dando a cara, há que ter presente o provérbio “Bem o prega Frei Tomás; façamos o que ele diz e não o que ele faz”.

Vamos então responder não só ao que nos desagrada mas também aquilo de que somos acusados. Mas, de fronte erguida. É que há telhados de vidro, lá isso há…

(In  jornal "fórum Covilhã", de 11.03.2014))

5 de março de 2014

ESTÓRIAS COM PROFESSORES

Eram uma vez certos estudantes que tinham coisas de tramar. À Escola Industrial chegam os rapazes da cidade e os do combóio. Estes vêm do Tortosendo, de Alcaria, da Fatela, de Vale de Prazeres e do Fundão, pela zona sul; e do Colmeal da Torre, de Belmonte e de Caria, pela zona norte. Os do combóio geralmente almoçam na cantina da Escola. Aqui manda Augusto “Chocolate” e sua mulher, D. Rosa. Entram pelo portão sul.
Os da cidade, Refúgio e outros subúrbios, aglomeram-se ao portão da escola, a norte, junto ao Sr. Joaquim “das carroças” – o ferrador. Aguarda-se pelo toque da campainha. Ensejo para ver as meninas, colegas que descem o Serrado para a Rua Vasco da Gama. E também as professoras. Ou no átrio da escola, junto ao muro que dá para o terraço inferior destinado, em exclusivo, às alunas. Nada de misturas! São tempos da era de sessenta… Fuma-se um cigarro, por vezes adquirido em avulso, na barbearia do Mário, na rua mais acima, enquanto se conversa.
Alguns empregados da escola – os “contínuos” – são castiços. Só chateiam quando a bola salta para os chorões, e lá vão, “por ordem do senhor diretor “, tentar identificar os alunos que jogam. Serão chamados à pedra. Alguma risada com o contínuo “Zé das Latas”, do Tortosendo, com a sua moto velha. Mas também com o Silva, bem devoto do tinto. E, aquele, magrinho, que a mando do diretor da Escola se dirige ao campo onde se joga com uma bola de borracha, em tempo de aulas. Regressa com a notícia para o chefe: “Fugirem todos, senhor engenheiro!”.
A maioridade é aos vinte e um anos. Na secretaria da escola fazem barulho as máquinas de escrever Hermes, Underwood e Remington. Os computadores ainda não nasceram.
Corre o ano letivo 1961/62. Uma turma masculina, com vários repetentes. É altura do Carnaval e surge um feriado a uma aula (é sempre uma festa). Alguns vão comprar bombinhas. Um colega mais atrevido, o Coelho, lança uma para junto dos pés duma leiteira das Cortes, junto ao estabelecimento do Sr. Proença, ainda existente, ao fundo do Ramal da Estação. Dá um valente salto que quase deixa cair o cântaro do leite que transporta à cabeça. Daqui, vamos ao Café Primor, do Sr. Cunha. Combina-se uma greve à aula seguinte. No que nos fomos meter! Grande arrelia do diretor, Engº. Ernesto de Melo e Castro, a gritar para os contínuos: “ Os alunos a faltarem todos às aulas é uma greve! É muito grave! A greve é proibida!” Dá imediatas recomendações à professora de Física, D. Clara, para que assine o “livro de ponto” e registe os sumários como se tivesse havido aulas.
O professor Guedes da Costa, do Porto, gingão, dá “Noções de Comércio de Direito Comercial e Economia Politica”. Quando vê um maço de tabaco andar de mãos em mãos, o resultado é o seu dono ficar sem ele. Alguns se lembram de lhe pregar uma partida na próxima aula. Combinam dar nas vistas ao professor com a passagem, de uma mão para a de outro, de um maço de tabaco. Ele está bem fechadinho. Parece inviolado. “Esse maço de tabaco para aqui, imediatamente!” – exige o professor. E o Nuno Alegria Ribeiro obedece. De soslaio, sorrisos de uns para os outros. Aquele maço está cheio de palha…
Ano letivo de 1959/60 – 2.º ano do Ciclo Preparatório. O Arquiteto Manuel João Calais dá aula de desenho. Duas horas seguidas, naquele salão enorme. Aqui se juntam simultaneamente quatro ou cinco turmas, masculinas e femininas. Início às 14 horas, a seguir ao almoço, dá o sono ao arquiteto. Sob a secretária deixa o seu peculiar relógio de bolso. Em certa aula, o pobre professor é apanhado a dormir. Três dos seus alunos (um da Covilhã, e dois do combóio) sorrateiramente adiantam-lhe uma hora no relógio. O arquiteto acorda e vê a hora. Pensa que a aula está no final. Coincide com um intervalo. Dá ordem de saída aos alunos Quem não se apercebe da malandrice dos colegas, embora estranhando a saída mais cedo, não a refuta. A professora de desenho, ao lado, D. Etelvina, estranha e pergunta ao arquiteto porque é que tinha mandado embora, os alunos, mais cedo. É descoberta a esperteza dos três alunos, por alguém que deu com a língua nos dentes. Resultado: os três “malfeitores”… foram chumbados, ainda precocemente, com a “jura” do arquiteto. E a nota de um “três” a uma só disciplina que seja obriga à perda global do ano letivo. Nem o pedido de desculpa dos pais, ao arquiteto, lhes vale.
As meninas da Escola Industrial, a um sábado, têm um jogo de voleibol com as suas colegas do Colégio das Freiras, no campo da escola. A rapaziada da Escola vai lá abaixo ver o jogo. O diretor, Engº. Ernesto de Melo e Castro, constata esta assistência ao jogo e não quer misturas! Alto lá! Desce e vai ao campo, histérico. Dirige-se à rapaziada: “Rua! Rua! Só cá fica quem cá está!”

Não sei se nos tempos de hoje se passaria tudo assim…

(In "Notícias da Covilhã", de 06.03.2014)

12 de fevereiro de 2014

VIVÊNCIAS DE OUTROS TEMPOS

Greves proibidas em Portugal. Vive-se um regime de ditadura. Falar contra Salazar é um perigo que espreita à esquina, não esteja por ali um informador da PIDE. Tempos de miséria. Quando se recebem os salários, pouco dá para as despesas. Nas casas particulares não há televisões. Quanto muito, uma telefonia. A rapaziada joga na rua com uma bola de farrapos. E brinca ou troca cromos de jogadores de futebol. Outros, ao berlinde; ou com um arco e um guiador improvisado de arame, correndo com ele pela rua fora. Lá surge um qualquer anunciando que lhe saiu a bola de cauchu, nos rebuçados do concurso. As raparigas brincam, nos pátios ou à porta das casas, jogando às pedras ou saltando à corda.
Os mancebos idos às sortes e incorporados no “Batalhão de Caçadores 2” veem que o seu pré nem sequer dá para o tabaco. Os homens passeiam com os amigos, aos domingos, e visitam as capelinhas (tabernas), já que as mulheres têm o destino em casa, cuidando das tarefas domiciliárias, depois de terem vindo da missa. O Sporting da Covilhã singra pelos caminhos da Primeira Divisão, e, então, o futebol é um pouco do tempo onde se desanuvia do contacto com os teares. Há os operários (homens do fato macaco) e os empregados (homens do fato e gravata), sendo que os salários de ambos fazem a diferença.
Fumam-se “Definitivos e “Provisórios”, enquanto alguns, mais antigos, nas lides do campo, desfiam o tabaco de onça; outros o “Português Suave” ou “Três Vintes”. Só mais tarde chegam os cigarros com filtro: Sagres, Porto, SG Gigante, SG Ventil. A monoindústria – lanifícios - sustenta a cidade. Formigueiros humanos à saída das fábricas. Dos arredores, os agricultores vão à Covilhã pagar a décima.
Muitos bebés nascem em casa. A Sr.ª Lucinda faz de parteira. Dá uma ajudinha nas aldeias e lugarejos. Onde não chegam os automóveis chega o Manuel do cavalo. Vende roupas aos domingos. E Celeste Ranito faz chinelos. Vende também pão cozido a lenha. O homem da carqueja vem com o burro carregado porque o inverno está chegado. No estio, o homem com a palha para encher os colchões que carecem de substituição. Oportunidade também para o homem que chega e cola pratos e alguidares de barro partidos. Mais adiante, o amolador com a sua bicicleta e o aviso caraterístico. Quem quiser afiar facas, tesouras, e também dar o guarda-chuva para substituir as varetas, é de aproveitar.
Durante a semana, é de dar à sola aquele que anda ali a construir uma casa ou reparar um pardieiro sem licença municipal, ao avistar, ao longe, os dois homens da GNR, com as “mausers” ao ombro. O gaseado solta gritos contra Salazar. Não há problema com ele. Os transeuntes não se riem. O vizinho que está no hospital já faleceu, e, vai daí, há que arranjar o avisador, de bastão na mão, percorrendo casa a casa a dar a infausta notícia. Ladram os cães. O funeral, a pé, segue para a igreja. Depois, para o cemitério. A carreta é puxada por quatro ou mais homens. No regresso, chegam contentes a casa. Visitaram várias “capelinhas” que lhes sanou a sede nas suas goelas.
Pela Covilhã, a carroça do Painço faz os transportes das anilinas para as fábricas. Pelas seis da manhã já chiam as rodas dos carros de bois com os produtos agrícolas para a praça. No Pelourinho, os ardinas vendem os jornais do dia, e gritam anunciando “O Século”, “A Bola”…
Aos domingos, dias santos, ou mesmo durante a semana, surge o “Zé do pífaro” (José Januário), de Unhais da Serra, irmão do padre António, de Vale Formoso. Várias gaitas debaixo do braço e uma sacola de serapilheira às costas. Conversador. Não pede nada mas sempre vai recebendo alguma coisa. Outros surgem à porta das casas e, de imediato, começavam a rezar o Padre-Nosso, em voz alta, à espera duma esmola, para a sacola que trazem às costas.
Aos domingos, à saída da missa da Igreja de Aldeia do Carvalho, o velho António Vicente, coxo, de açafate na mão, depois de ter vindo da taberna do Zé Patareco, leiloa os cabritos a favor da igreja paroquial.
O Padre António de Oliveira Pita, terminada a Eucaristia, monta-se na moto. Rapidamente avança para a Igreja de S. José, nos Penedos Altos.

Corriam os anos da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de mil novecentos e cinquenta.

(In "Notícias da Covilhã", de 13.02.2014)

11 de fevereiro de 2014

PRAXISMO, SIM OU NÃO?

Tema de conversa de há umas semanas a esta parte, com páginas inteiras de jornais no enfoque do assunto; os noticiários dos canais televisivos dando ênfase ao mesmo, os online repletos de comentários nos facebooks. Debates interessantes na TV, sim, senhor, destacando-se o programa Prós e Contras, no Teatro Gil Vicente, em Coimbra; reportagens, documentários, entre notícias e artigos de opinião em vários jornais.
O tema das praxes até terá dado algum jeitinho aos homens da governação pois que, pelo menos durante alguns minutos não se falou dos males da mesma, mas, antes, se substituiu a crise financeira pela crise de valores.
Apesar da evidência do calor do momento, não tenho memória de tantas críticas ao fenómeno da praxe. A quase intocável tradição académica começou a ser posta em causa.
Só agora, depois das mortes no Meco, e mesmo depois de outras mortes e incapacidades permanentes para os praxados terem acontecido, ao longo dos anos, em memórias dissipadas no tempo para a maioria, mas não para as famílias das vítimas, é que se levanta o véu manchado pelas humilhações.
Por que raio alguém tem de ser humilhado, rebaixado e até mal tratado quando ingressa no Ensino Superior?
Não é através de rituais humilhantes que o aluno é integrado no seio escolar. Nem todos gostam ou apreciam ser expostos perante o público.
E não venham cá com a treta de que só é praxado quem quer, e que os caloiros se podem recusar. Será que a recusa permite aos caloiros usarem o traje e a participação nos eventos académicos?
É uma prática antidemocrática pois assenta na submissão, ainda que voluntária, de uns tantos, a dois ou três palermas que impõem situações infantis e ridículas. Muitos dos que impõem as praxes se se vissem ao espelho veriam o papel ridículo que fazem quando se põem a gritar histericamente para os caloiros.
Critica-se a praxe por os praxados terem necessidade de entrar neste jogo de bullying e bebedeiras para se sentirem incluídos e aceites.
Já muito se falou sobre este tema e muito do que se venha a dizer é como chover no molhado, pois que praxe, polémica e violência é uma história de séculos. Em 1727, devido à morte de um aluno no ano anterior, D. João V proibiu as investidas feitas pelos veteranos. E determinou que “a qualquer estudante que ofender outro com o pretexto de novato, ainda que levemente, lhe sejam riscados os cursos”.
As contestações às praxes jamais deixaram de existir e já o antigo Presidente da República, Teófilo Braga, dizia que os estudantes do seu tempo faltavam às aulas para fugir à praxe. Em 1903, Eça de Queirós e Ramalho Ortigão assinaram, em conjunto com outros estudantes, um “manifesto anti praxe”.
Já num artigo que publiquei num semanário desta região, em 3.11.2011, sob o título “Praxes Académicas” eu dizia “Se muitos dos pais que, com sacrifício, lá longe, suportam as despesas com os seus filhos, vissem o espetáculo em que os mesmos se envolvem, muitos deles contrariados, num uníssono de asneiras e atitudes obscenas, com bebedeiras pelo meio, a que são forçados, certamente se sentiriam constrangidos”.
De facto, segundo o jornalista José Manuel Fernandes, no Público de 31 de janeiro, “Vivemos numa sociedade onde a boa educação é vista como um coisa antiquada, onde a ideia de cavalheirismo é vilipendiada como sendo reacionária, onde o insulto grotesco é mais depressa visto como um exercício de liberdade do que como um abuso”.
Se os governos cumprissem com o legislado e punissem os infratores, muitas situações catastróficas e de vias judiciais se evitariam. Bastaria que o Regime Jurídico das Instituições do Ensino Superior, através da Lei n.º 62/2007, de 10 de setembro, na sua alínea b) do n.º 4 do artigo 75º, em que se refere que “constitui infração disciplinar dos estudantes a prática de atos de violência ou coação física ou psicológica sobre outros estudantes, designadamente no qudro das praxes académicas”, fosse cumprido e se agisse.
Sem dúvida que quem praxa com violência não deverá ter lugar na universidade, seja ela pública ou privada.
E, sobre este assunto, apraz-me tão só memorizar o que António Aleixo escreveu um dia: “Há tanto burro a mandar em gente de inteligência que às vezes fico a pensar se a burrice não será uma ciência”.

(In "fórum Covilhã", de 11.02.2014)


30 de janeiro de 2014

CONSELHO CENTRAL DA GUARDA Conselho de Zona da Covilhã A GRANDE VISIBILIDADE DAS CONFERÊNCIAS

É indubitável que o trabalho das Conferências de São Vicente de Paulo passou a ter um grande protagonismo, alheio a qualquer intenção própria dos vicentinos que, duma forma geral, procuram desempenhar as suas funções de assistência aos necessitados dentro do espírito de Caridade, e, por isso, rejeitando, tanto quanto possível, eventuais aparatos.
Só que, a força das necessidades, cada vez mais prementes; com a redução de bens alimentares, e, principalmente, dos valores do saldo para satisfazer despesas de água, luz, rendas de casa, medicamentos, e outros; face à avalancha de pedidos, muitos deles que já não nos causam estranheza, devido à proveniência de pessoas que outrora tiveram uma vida desafogada; obrigam a um esforço de todos os membros, desdobrando-se na criatividade para arranjar meios de fazer face às despesas, cada vez mais em
crescimento.
São as exposições-venda, os sorteios de rifas de Natal, os peditórios e a participação em espetáculos de solidariedade, para além dos avisos do assistente eclesiástico, nas Eucaristias, assim como a procura de benfeitores, e donativos, que levam ao surgimento de uma onda de solidariedade em várias áreas da Cidade e de algumas zonas da região.
Por via da Comunicação Social, onde a imprensa escrita, com reportagens e notícias, também tem grande impacto, leva ao aparecimento de boas
vontades, então pelo grande impacto que existe na Internet.
Assim, no ano findo de 2013, teve este Conselho de Zona boas ajudas em encontrar soluções para carências específicas de cada necessitado, nomeadamente no que concerne a algum mobiliário e eletrodomésticos, assim como determinados enxovais ou leite infantil.
Evidentemente que o trabalho dos vários vicentinos, das várias Conferências deste Conselho de Zona, desdobrado pelos muitos contactos com a Segurança Social, empresas de água e eletricidade, assim como autarquias e a Câmara Municipal, implicitamente dão lugar à atenção no campo solidário.
Algumas instituições, clubes e associações se têm disponibilizado autonomamente ou em colaboração com as Conferências da Cidade no sentido de ajudarem, mormente com géneros alimentares.
E assim organizaram campanhas a favor de obtenção desses bens, e, mormente por ocasião da época natalícia, também a oferta, nas instalações de alguns, com jantares de Natal para os necessitados e famílias.
Durante o ano pudemos contar com a solidariedade, sempre com peculiar sorriso nas suas mentes, do “Grupo SER – Ser Especialmente Responsável” que tem como lema “ajudar sem esperar nada em troca”, através da Internet, com mais de 300 membros, que, bem depressa se organizaram no pedido de bens específicos.
E daqui nasceu uma grande campanha do leite, com a distribuição de 2000 litros, onde o Grupo de Motards da Covilhã e Fundão tiveram grande ação; assim como várias instituições e empresas que fizeram a sua entrega simbólica do leite, no VI Encontro de Voluntários do Centro Hospitalar Cova da Beira que decorre
u no auditório do Hospital Pêro da Covilhã.
Já depois desta onda solidária surgiram outras partilhas, como da Sala das Tartarugas do Infantário da Santa Casa da Misericórdia – Infantário 2, com alguns cabazes de Natal, desta vez para a Conferência de Nª Sª da Conceição da Covilhã e Banco Alimentar, numa iniciativa da Associação de Pais; também os Lions Cova da Beira, e a A.D.C – Águas da Covilhã, EM, para além dum espetáculo solidário da Claque Leões da Serra, e, como já referimos, a Câmara Municipal da Covilhã e a União de Freguesias da Covilhã e Canhoso, e a empresa Modatex.
Pensamos, contudo, que a nível da maioria dos dadores, quer sejam instituições ou empresas, se deveriam abster da quase obrigatoriedade da sua notoriedade, por via das fotos e notícias inseridas na Comunicação
Social.
Pela parte dos Vicentinos, como não há mãos a medir, todos se desdobram pelas várias tarefas, seja na visita, cada vez maior, aos pobres, na procura de conseguir soluções para resolver casos urgentes, e não só, nas reuniões semanais das Conferências respetivas e, algumas vezes, em colaboração com outras, assim como na recolha e distribuição dos géneros do Banco Alimentar.
O aspeto espiritual de todos os vicentinos também tem estado presente, como foi a recoleção espiritual, que, apesar do muito frio, reuniu alguns elementos num dos salões da Igreja de S. Tiago, onde estiveram também alguns Presidentes das Conferências deste Conselho de Zona.
Também muitos vicentinos do Conselho de Zona da Covilhã se reuniram num Jantar de Natal, onde esteve presente, para além da Direção, também o Presidente do Conselho Nacional, Correia Saraiva, que, ainda nessa noite, teve que se deslocar para Lisboa.
Vamos continuar a trabalhar durante este ano de 2014, na obra da Sociedade de São Vicente de Paulo, em prol dos cada vez mais carenciados.
Assim Deus nos ajude.


João de Jesus Nunes

(In "Boletim Português da Sociedade de São Vicente de Paulo - Ano 108 - N.º 1  -  janeiro 2014)