16 de julho de 2017

Apresentação do livro “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923- 1990”, de Miguel Saraiva, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, no dia 15/07/2017, por João de Jesus Nunes

Exm.º Senhor
Presidente da Câmara Municipal da Covilhã
Exmº Senhor Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã
Exmº. Senhor Presidente da Associação de Futebol de Castelo Branco
Exmºs Senhores Atuais e Antigos Dirigentes da Sporting da Covilhã
Caríssimos Antigos Atletas, Treinadores e demais Obreiros do Sporting da Covilhã
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Não estava nos meus planos envolver-me mais na história do maior clube da Beira Interior, por razões óbvias de me ter comprometido com outras ações culturais e, por outro lado, dar oportunidade a outros interessados em prosseguir a história do clube na vertente de uma nova visão.
Mas o convite feito pelo amigo Carlos Miguel Saraiva, autor da obra que aqui vai ser por mim apresentada, deixou-me deveras honrado, não só pelo mesmo como também para a prefaciar. Por isso aceitei o convite e lhe agradeço do fundo do coração.
Não vou falar mais do autor, humilde, dedicado e sempre pronto a prestar colaboração, nem da forma como o conheci, porque tais desideratos se encontram registados no prefácio deste livro.
Comecemos então pela “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”.
Poderão muitos perguntar: “Porquê mais um livro sobre o Sporting da Covilhã”?
E eu respondo: “Veio em boa hora! Veio numa altura em que um dedicado covilhanense, animado do fervor pelo Clube da sua Terra, que, simultaneamente é ter grande orgulho pela Covilhã, seu berço, se solta do sossego dos seus momentos de ócio, da sua vida familiar, e vem dar continuidade, e nalguns casos adicionar algo, às quatro obras, diferentes, já existentes.
É que a história de uma coletividade ou qualquer outra instituição não se completa definitivamente. Há sempre estórias a acrescentar à sua história.
Não é um trabalho fácil. Mexe muitas vezes com temas mal documentados, de que existem já versões diversas, tantas vezes contraditórias, mexe com pessoas, com paixões.
Não obstante o autor desta obra já ser conhecido, escrever este livro é também um sinal de coragem porque é uma exposição pública do próprio autor. Amanhã alguns vão certamente dizer que faltou referir este ou aquele ponto, esta ou aquela pessoa, que faltou esta ou aquela fotografia; ou porque é que o livro não teve continuidade até aos dias de hoje, e se situou entre a sua génese e o ano 1990.
Como disse Fernando Pessoa: “Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce!”
Para além do desgaste humano e financeiro, de ter que continuar a subtrair horas que fazem falta ao sossego duma pessoa, havia que ter também em conta que muitos relatos e eventos, já

existentes nas anteriores quatro obras, não se coadunavam muito pela repetição, daí que o autor se debruçou em apresentar a “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”, algo inédita. Para além da sua apresentação e qualidade como livro, teve o cuidado de fazer surgir pormenores da vida da coletividade, época a época, evidenciando, duma forma simples como é agora apresentada, mas paradoxalmente complexa nas suas pesquisas, que enche o olho do leitor que gosta de conhecer a vida dos Leões da Serra.
Está por isso de parabéns o Miguel Saraiva, já que a sua verdadeira coragem é de que tomou este livro uma realidade para todos, sabendo já da existência de outras obras.
De facto, referi no quarto livro sobre o SCC: “Ficarão, assim, como lacunas para a história, no rigor duma pesquisa global, a participação nas 2.ºs e 3.ªs Divisões Nacionais”.
Pois bem, o Miguel Saraiva, não só deu azo a esta vontade expressa neste livro, até ao ano que lhe foi possível atingir – 1990, como inseriu, com minúcia, figuras e factos de cada época, nomeadamente no que diz respeito a resultados, plantéis, dirigentes, figuras que se evidenciaram em cada época, nascimento de novos clubes, duma forma cronológica.
É que, mesmo assim, muitas coisas ficam na penumbra do esquecimento se não forem transportadas para as páginas de um livro.
Quando eu nasci o Sporting da Covilhã já tinha atingido a sua maioridade e contava 23 anos; por isso fui sempre podendo acompanhar, ao longo desta sua longevidade, as suas alegrias e as suas vicissitudes, aquilo que ainda não compreendia, mas que nos mais velhos se manifestava, da exuberância à tristeza; conheci muitos obreiros do clube, como os jogadores, os dirigentes, e, mais tarde, alguns dos fundadores; eventos como as feiras populares do Sporting, que visitei, entre outros que não podem ter muito desenvolvimento nos agora cinco livros que o Sporting Clube da Covilhã possui, por razões óbvias, daí que as crónicas, na sua oportunidade jornalística, têm a sua ocasião.
No entanto, certamente como eu, ao ler este livro, paulatinamente, surgem entre muitos de nós, recordações, reminiscências dos nossos tempos d’outrora.
Por exemplo, eu que trabalhei neste município na década de 60 do século passado, até ao serviço militar obrigatório, só através da leitura desta obra vim a saber que um antigo colega superior – José Pacheco Lança – havia sido um dos guarda-redes do SCC dos primeiros tempos. Fui ainda aqui colega da velha glória serrana, João Lanzinha. De alguns episódios mencionados em síntese neste livro, recordo que estive também para ir num dos 50 autocarros que partiram da Covilhã para Braga, para acompanhar os Leões da Serra para o embate com os bracarenses, do último jogo do Campeonato Nacional da 2.ª Divisão – Zona Norte, realizado em 20 de abril de 1964, de cujo encontro necessitávamos somente de um empate para a subida. Não fui e quando ouvi no relato da rádio, aquele penálti contra o Sporting da Covilhã, disse logo: “Estamos feitos!”. Sem que antes, ou depois, já não recordo, o guarda-redes Arnalda tivesse sido lesionado e substituído pelo Rodrigues. Dos 38.000 espetadores, segundo o livro da História do Sp. Braga, rendeu 200 contos.
Depois, continuando a aprazível leitura/consulta/folhear deste livro, algumas memórias do passado dos Leões da Serra podem continuar, em cada um e nós, os mais antigos, a trazer rasgos de memória de momentos surgidos, como o caso em que assisti, juntamente com alguns associados e adeptos do Clube, à partida da comitiva dos serranos, junto à antiga Sede, com o

abandono do treinador José Rodrigues Dias, antes daquele primeiro jogo da época, porque exigiu ali o pagamento dos 40 contos de luvas; corria a época 1967/1968.
E, na época seguinte, já no meu serviço militar obrigatório, desloquei-me do RAL 4, em Leiria, com o António José Brancal e outros, para assistirmos ao jogo do SCC, treinado por Joaquim Meirim, em Torres Novas, para, naquele empate de 0-0, da 8.ª jornada, se conseguir o primeiro ponto. Haveria de descer, pela primeira vez à 3.ª Divisão Nacional.
Estas permanências na 3ª Divisão, com início na década de 70, por quatro sofredoras épocas, em que o Alba dava cartas, e, depois, por duas vezes nos primeiros anos da década de 90, levou-me a soltar, qual grito do Ipiranga, numa crónica no Notícias da Covilhã, de 15 de julho de 1994, a um incitamento, sob o título: “Sporting Clube da Covilhã, Terceira Divisão, nunca mais!”.
Mas, depois, tivemos os comboios verdes a caminho de Coimbra e de Aveiro; recebemos na Covilhã os valorosos das subidas. Não foram só ledas madrugadas, mas também ansiosas horas.
Pois bem, minhas Senhoras e meus Senhores, Amigos dos Leões da Serra e da Covilhã que os engrandece com o seu nome, a leitura da “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”, de Miguel Saraiva, não só é recomendável a todos, para o conhecimento mais aprofundado do maior Clube da Beira Interior, que, orgulhosamente é da nossa Terra, como também memoriza o conhecimento da sua condição multifacetada, em que embora o desporto-rei seja a sua evidência, não deixa de ser, e já foi mais acentuada, uma coletividade eclética.
A apresentação e qualidade da obra fica muito bem em qualquer estante. É uma enciclopédia para interessados no desporto local, onde os lanifícios têm evidência em muitas das figuras do clube serrano. Muito mais haveria para dizer, mas o espaço e o tempo não o permitem.
 Leiam o livro! Consultem o livro! Folheiem o livro! Comentem o livro! Ele aí está ao vosso dispor: 53 capítulos, 312 páginas!
E, lembrem-se, o Sporting da Covilhã, e o Concelho que lhe dá o nome, saem engrandecidos com o seu 5.º livro sobre a sua história, isto só comparável com os três clubes da Divisão Maior: Sporting, F. C. Porto e Benfica.
Mas, para além da apresentação desta obra, temos também aqui a homenagem a velhas glórias do Sporting da Covilhã, com relevo na memorização da última participação dos Leões da Serra na Primeira Divisão, hoje Primeira Liga, ocorrida há precisamente três décadas. Afinal, elas também foram ensejo a dourar algumas das páginas da história do Sporting da Covilhã, e a trazer a alegria às gentes locais e aos forasteiros, fazendo agitar a Cidade e o Concelho.
Sinto ainda orgulho, neste contexto, de ter contribuído, neste mesmo Salão Nobre, em 28 de setembro de 1991, há quase 26 anos, como dirigente de uma associação cultural, para aqui recebermos, pela primeira vez na história do SCC, as Velhas Glórias da antiga Primeira Divisão, nos grandes momentos por que passámos com términus na época 1961/1962. Dos então presentes, muitos, e das mensagens enviadas dos ausentes, quis Deus que já só se encontrem cá seis, neste mundo dos vivos (João Lanzinha, Fernando Pires, Marcelino Alves, Amílcar, Lourenço, e o massagista José Gil Barreiros).



Foi também assim, com o lançamento da 1.ª edição do 1.º livro do SCC, e da primeira exposição histórico-documental sobre o clube leonino, e não só, que se deu ênfase à homenagem às velhas glórias, com a comunicação social nacional e entidades do país a registarem o facto.
Depois, neste salutar ambiente de boas recordações, e de convívio, vieram a surgir, por outras ocasiões, fora ou no seio da coletividade serrana, muito por iniciativa e impulso forte do Miguel Saraiva, sem esquecer a claque Leões da Serra, novas homenagens às velhas glórias dos Leões da Serra.
Hoje aqui as temos, de volta, por iniciativa de alguém que quis lembrar a última vez da participação do Sporting Clube da Covilhã na divisão maior do futebol português, que se esfumou na já distante época 1987/1988.
Para eles, dizemos: “Sejam bem-vindos!”. É um sinal dado aos atuais dirigentes serranos, pelo seu bom trabalho de várias épocas, independentemente de algumas vicissitudes que surgem no caminho, que a Covilhã quer ver o seu Sporting na Primeira Liga! Não é fácil, acreditamos!
Prestemos, também aqui, aquele preito de gratidão, em sintonia com as velhas glórias serranas, a um covilhanense que também passou pelas camadas jovens do clube serrano e que, na arbitragem, se singrou ao mais alto grau, chegando à internacionalização e, este ano, saltando para o pódio como o terceiro melhor árbitro português. Falo evidentemente do árbitro covilhanense Carlos Xistra. Quando no ano 2000 subiu à I Liga, e em cujo almoço de homenagem tive o prazer de participar, o saudoso dirigente Carlos Ranito Xistra, seu pai, veio então agradecer-me o único artigo, fora do âmbito da notícia, que eu enviei para dois jornais, mas que só a Tribuna Desportiva, sempre atenta, publicou em 11 de julho de 2000, sob o título, alusivo obviamente a Carlos Xistra: “A Covilhã e o Distrito na Primeira Divisão”.
Vou terminar, porque também já me alonguei. Abordei o AUTOR; falei do novo LIVRO; patenteei a alegria por termos entre nós as VELHAS GLÓRIAS do clube serrano.
Tenho a certeza de que de nós não se poderá dizer:
“Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer…
Eles não sabem, nem sonham
Que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos de uma criança”.

                                                                                                                                      Tenho dito.

(Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, no dia 15 de julho de 2017)




PREFÁCIO DO LIVRO “HISTÓRIA DO SPORTING CLUBE DA COVILHÃ – 1923 – 1990”, DE MIGUEL SARAIVA

Falar e, principalmente, escrever sobre o Sporting Clube da Covilhã (SCC), é sinónimo de que algo existe de intrínseco entre o escritor e a instituição pela qual sente empatia, aquele vendaval de ideias dispostas a ser transpostas para o papel (sempre o papel, independentemente do digital), para que outros memorizem, ou os mais novos venham a ter conhecimento, sem que daí também se deixe uma achega para que os vindouros possam recolher informações que, de outra forma, se dissimulariam no esfumar dos tempos. Muito se teria perdido se não houvesse alguém que se dedicasse de alma e coração à recolha das estórias para a história dos seus clubes, como no caso em apreço.
Conheci o autor desta interessante e importante obra, há uns anos atrás, quando se dirigiu ao meu escritório, juntamente com um amigo, animado de idêntico entusiasmo pelo Clube da sua Terra, para que me encarregasse de dinamizar a página da Internet sobre o SCC, do qual eram dirigentes; e, posteriormente, numa amizade germinada aquando da apresentação do meu quarto e último livro sobre os Leões da Serra, assim como uma exposição temática apresentada na altura no Museu de Arte e Cultura.
Nestes dois últimos atos, ocorridos há uma década, logo me apercebi que o Carlos Miguel Saraiva, ainda jovem, já denotava uma forte inclinação para aprofundar a história do Sporting Clube da Covilhã, mormente na vertente das suas inúmeras figuras (jogadores, dirigentes, e outros ligados ao Clube dos seus amores), esses obreiros da construção do grande baluarte do deporto da Beira Interior, histórico por excelência.
E, não é que o seu blogue, como coordenador e fundador, se vê forçado a passar a sitewww.historiasscc.com – face ao grande número de aderentes. Depois, algumas exposições fotográficas de antigos atletas, treinadores e dirigentes do mundo dos Leões da Serra, para além de homenagens organizadas, por via de jantares, por sua iniciativa, ou coordenadas com o clube serrano, das figuras do SCC. Foi ainda o autor da Galeria dos Presidentes e Fundadores do Sporting da Covilhã, que se encontram na sede social do clube. Realizou um colóquio na Biblioteca Municipal da Covilhã sobre “Vivência entre o passado e o presente da história do Sporting Clube da Covilhã”. E, entre outras organizações, tive o privilégio de o ver ter aceite um meu convite para, em conjunto, realizarmos um colóquio no Museu da Universidade da Beira Interior – “Monumentos e Sítios” que, da minha parte me coube a tese “Sporting Clube da Covilhã e os lanifícios”, e o Carlos Miguel Saraiva “Algumas das principais figuras do Sp. Covilhã”. Tiveram ainda uma participação neste colóquio, Pedro Martins, diretor e proprietário da Tribuna Desportiva; o Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã, Dr. Jorge Torrão; e o Diretor do Museu de Lanifícios, que coordenou e me havia convidado, Prof. Dr. António dos Santos Pereira.
E, nestas andanças de muitas ocasiões de diálogo empático, incluindo algumas deslocações para visitar alguns antigos atletas serranos, vim a tomar conhecimento da intenção do Carlos Miguel Saraiva de levar por diante a história do Sporting Clube da Covilhã, inicialmente em digital, de todos os antigos atletas e dirigentes, assim como as equipas, época por época, desde o nascimento do clube serrano, há 94 anos, até onde lhe fosse possível chegar.
Sei quanto trabalho isto representa, de horas ilimitadas, subtraídas ao sossego do lar e aos momentos de ócio que deixam de existir, para que uma obra deste jaez venha a lume. Por isso, incitei o Carlos Miguel a transpor a sua publicação para papel, reconhecendo as enormes dificuldades económicas que isso representam. Mas, como é meu lema “Fazer primeiro e pedir depois”, como algumas vezes lhe transmiti, a obra, de excelência, aí está, merecedora de leitura atenta.
Mas vamos à “HISTÓRIA DO SPORTING CLUBE DA COVILHÃ – 1923 – 1990”. Depois do trabalho minucioso, de vários anos de pesquisas, permitiu que este livro trouxesse coisas novas sobre o  clube, inserido na sua Cidade que lhe dá o nome, se bem que além de serem memórias do passado para as novas gerações, trazem a descoberto informações muito interessantes que já  só as gentes de idade avançada se recordam, e que, entretanto, se encontravam bem reservadas ao baú das recordações.
Este livro, página a página, o equivalente a época a época do Sporting Clube da Covilhã, entenda-se, desde a sua génese, até ao ano que foi possível pesquisar – 1990, é um resgatar da memória de alguns, para uma memória coletiva que devemos preservar.
Por outro lado, esta obra é também um esforço significativo de reunir memórias dispersas, para que ganhem um só corpo e permitam reconstituir; a par dos quatro livros já existentes sobre a coletividade serrana; o passado de uma grande instituição, para que, no presente, projetemos o futuro com grande orgulho dos Leões da Serra, como embaixadores não só da Covilhã, mas de toda região beirã.
Ao embrenharmo-nos na leitura deste livro é conveniente que saibamos compreender o trabalho profícuo dum autodidata, como o Carlos Miguel Saraiva, que estudou na Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã, assistente de direção de um hotel, de 46 anos, viúvo e com dois filhos, somente com alguns apoios publicitários, mas sem subsídios, e sem outro motivo para além do seu amor ao clube, que se lançou num trabalho complexo e moroso de completar um pouco mais a história do Sporting Clube da Covilhã, pois ela não termina, continua enquanto a instituição existir.
Como já tive, e continuo a ter, trabalhos semelhantes, quando olho para esta obra, reconheço a quantidade de horas dedicadas a este projeto, a quantidade de noites despendidas após um normal dia de trabalho, a quantidade de horas a ler velhos livros, a consultar jornais antigos, documentação que se encontrava sepultada entre o pó de sótãos ou arrecadações. Assim como a rever e a tentar reconstituir antigas fotos, além de conversar com muita gente ligada ao clube serrano.
Por isso, a Cidade e o Clube devem reconhecer e agradecer este esforço. Esta obra orgulha o seu autor, indubitavelmente, mas também o Sporting Clube da Covilhã, e a Cidade que o viu nascer.
A atenção e consequente observação/informação para o leitor, de inserir as figuras adequadas, alusivas à época, e todos as informações de surgimento de novas coletividades nos primórdios do futebol na Covilhã, e, depois tudo o que foi sendo trabalho de cada direção, é um deleite para o folhear de cada página, enobrecida pela cor.
Não se trata de nenhum romance, nenhuma facto-ficção, mas tão só de importantes páginas da História do Sporting Clube da Covilhã, que, como já referi, vêm completar, ou acrescentar algo mais às publicações já existentes, com um rosto mais apelativo, face à qualidade da obra, publicação que na estante de qualquer biblioteca (não esquecer a do SCC) a engrandece.
Com esta obra, completam-se cinco livros sobre a História do Sporting Clube da Covilhã, invejável para qualquer Clube que se preze, pois não existe tão elevado número de publicações sobre a mesma coletividade para além dos chamados clubes grandes, e, neste caso, o Benfica, F. C. Porto, S.C. Portugal, e, penso que não estaremos abaixo de Os Belenenses. Isto quase que significa que, em termos culturais, o SCC já se encontra dentro dos da Primeira Divisão.
Outros clubes certamente gostariam de ter uma obra assim, mas não têm quem a escreva. E quando tiverem alguém disposto a este trabalho vão ter dificuldades em encontrar documentação. Muitos dos que poderiam contar as estórias, ou ceder material, já terão desaparecido, para além de espólio fotográfico perdido. Por isso, este livro, ainda que se reportando até ao ano 1990, vem em boa hora.
Quando escrevi o 4.º e último livro sobre o SCC – “Sporting Clube da Covilhã na Taça de Portugal – Cinquentenário da sua participação na final – 02/06/2007”, na página 18, no antepenúltimo parágrafo registei o seguinte: “Ficarão, assim, como lacunas para a história, no rigor duma pesquisa global, mas que envolve muito tempo, a participação do SCC nas 2ªs e 3.ªs Divisões Nacionais”, ainda que não deixassem de ser feitas referências aos factos principais, e às suas figuras. Ora, o Carlos Miguel Saraiva, no seu livro “HISTÓRIA DO SPORTING CLJUBE DA COVILHÃ – 1923 – 1990” dá-nos essa oportunidade de podermos ler, e consultar sempre que tal desiderato surja, as figuras, os plantéis, as direções, e outros pormenores quão oportunos, época a época.
Muito mais teria a dizer no desfolhar das 312 páginas que constituem os 53 capítulos desta obra, mas para Prefácio já vai longo. Uma palavra final de agradecimento ao Carlos Miguel Saraiva pelo convite que me fez, não só para prefaciar este livro, como também para fazer a sua apresentação no próximo dia 15 de julho, o que me deixa deveras honrado.



Covilhã, 08/06/2017

João de Jesus Nunes
jjnunes6200@gmail.com


13 de julho de 2017

A SENTINELA DORMIA

O país tem estado traumatizado com a violência sentida pelos incêndios que deflagraram no dia 17 de junho, principalmente o grande incêndio, no distrito de Leiria, com início em Pedrógão Grande, que se estendeu a Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, chegando ainda aos distritos de Castelo Branco, através da Sertã, e de Coimbra, pela Pampilhosa da Serra. Em Góis, também no distrito de Coimbra, ainda atingiu Arganil.
Não bastasse este funesto acontecimento; para além de já terem surgido outros anteriores, nomeadamente o do dia 5 do mesmo mês, num curto espaço de 15 dias, ocorrido num prédio da Urbanização Ponte Pedra, em Matosinhos; ainda haveria de surgir outro infeliz acontecimento, deixando em grande perplexidade a segurança do nosso país. Reporto-me obviamente ao grande furto de material de guerra verificado em Tancos.
O Exército anunciou então que no dia 28 de junho, no final do dia, detetou a violação dos perímetros de segurança dos Paióis Nacionais de Tancos e o arrombamento de dois “paiolins”, tendo desaparecido granadas de mão ofensivas e munições de calibre nove milímetros. Mais tarde viria a acrescentar que entre o material roubado estavam “granadas foguete anticarro”, granadas de gás lacrimogéneo e explosivos, não divulgando quantidades.
O chefe do Estado-Maior do Exército reconheceu que quem roubou material de guerra do quartel de Tancos tinha “conhecimento do conteúdo dos paióis” e admitiu a possibilidade de fuga de informação.
No Público do dia 2 de julho, referia-se em título de grandes parangonas: “Tancos esteve 20 horas sem ronda de vigilância na noite do assalto”.
Portugal que se encontra numa trajetória interessante de recuperação da economia, com fortes índices de confiança do povo português, o mesmo já não se pode dizer quanto à sua segurança.
Ainda recentemente escrevi um artigo a propósito do nosso país ter sido considerado um dos mais pacíficos do mundo segundo os dados da Global Peace Index 2017. Mas, afinal, quanto a segurança, em que nos ficamos? A resposta não pode ser senão esta: Preocupação! Muita preocupação!
Quem nos pode defender? Quer por atos da natureza, ou de mãos criminosas, quer por furtos em alta escala como estes! Os factos já indiciam como que um conluio com os criminosos, pois se fosse um roubo até parecia mal que as nossas tropas se deixassem levar com facilidade, o que eu não acredito. É que furto não é a mesma coisa que roubo.
Ao escrever este texto soltou-se do meu pensamento algo ocorrido comigo quando cumpria serviço militar obrigatório no Regimento de Artilharia Ligeira (RAL 4), em Leiria, isto no que concerne à segurança.
Corria o ano da graça de mil novecentos e sessenta e nove e, no serviço de Sargento de Dia, cabia-nos também a obrigação de fazer a ronda noturna a uma zona de paióis e guarda de outro material, incluindo de velhos obuses, situada fora do quartel RAL4, a uma distância próxima de um quilómetro. Por sinal, era rara a vez que me calhava a ronda noturna dentro das primeiras horas pós meia noite. Num certo dia daquele verão vim a ser “sortudo” com uma ronda das três às quatro da manhã.
Ao aproximar-me do local objeto da ronda, a sentinela não dava sinal de vida. Fui-me aproximando, pela zona escura, já receoso não estivesse para me pregar alguma partida, e, à minha voz de “Sargento de Ronda!”, não surgiu a respetiva resposta, através da “senha”. Continuei a caminhar, cada vez mais devagar, até que lobriguei, mais adiante, no chão, um militar deitado, de barrete n.º 3 verde e farda de trabalho. Na aproximação, comecei também a ouvir um ressonar… Já nem foi preciso dar resposta com a “contrassenha”.
Este gajo está a dormir, porra!
Agarrei na G3 que tinha ao lado, e deixei-lhe ficar o capacete; dei-lhe dois pontapés nas botas, e, nada! Ressonava… Talvez estivesse a passar pelo primeiro sono, não pelas brasas… que essas se encontrariam logo pela manhã nas praias ali perto, de São Pedro de Moel ou na Praia da Vieira…
Com a pistola “Parabellum” à cintura e a G3 na mão ainda me deu oportunidade de ir “incomodar” os soldados de reserva que se encontravam deitados nas camas de ferro, em beliche, na caserna do reduto. Também dormiam. Acendi-lhes a luz, até que um deles se sentou na cama, e a seguir outro: “Olha, é o nosso Sargento de Ronda!...”
- Está tudo bem, rapaziada?...
- Tudo bem!
Como o sono não lhes dava para ver que eu tinha na mão também uma G3, fiz, propositadamente, (para que fossem acordar o seu camarada que dormia no chão, naquele “rigor e sentido” de estar num serviço de sentinela, e para evitar uma “porrada” à mesma, certamente a caminho da prisão), por mostrar e informar os seus camaradas que ia para o RAL4 com a G3 para entregar ao “Oficial de Dia”.
Volto a passar pela sentinela que continuava no seu sono profundo, quando, uns metros já distante, a mesma vem a correr atrás de mim, suplicando que lhe entregasse a arma e pedindo desculpa.
Obviamente que, no dia seguinte, não registei nada no relatório do serviço; tão só contei aos meus camaradas, com a condição de sigilar o acontecido, mas, à hora do almoço, na Messe de Sargentos, um ou outro levantava um pouco mais a voz sobre o assunto que, de imediato, com a forma gestual de nada contarem, se dissipou o assunto.
Naqueles tempos, o serviço militar era por obrigação; os empregos e vidas eram altamente prejudicados pelo tempo passado na tropa, com a agravante de, a maioria, ser obrigada ainda a ir para as guerras do Ultramar.
Hoje, não há serviço militar obrigatório. Por isso, muito mais a obrigação de ter que haver um sentido de maior responsabilidade.
Só que, se naquela altura a segurança poderia ter sido posta em causa por um simples ser humano – a sentinela –, naquele pequeno mundo, contudo não deixou de haver uma ronda de vigilância que detetou o problema fortuito, e acabou por o resolver.
Muito haveria que comentar, a propósito da (in)segurança nos dias de hoje, onde a corrupção emerge apesar das tentativas de dissimulação.
Muita tinta ainda se irá gastar com o recente assalto aos Paióis de Tancos.

(In "O Combatente da Estrela", n.º 107, julho a setembro 2017)





O SPORTING DA COVILHÃ CONTINUA A SUA HISTÓRIA

O Clube mais representativo de toda a Beira Interior, desde os primórdios em que o futebol se desenvolveu também na Beira Baixa, e, depois, na Covilhã fixou raízes profundas, haveria de ser o sucessor do Estrela Futebol Clube, que, no já longínquo ano de 1923, se haveria de passar a chamar Sporting Clube da Covilhã.
Nenhum outro conseguiu chegar aos seus calcanhares, como sói dizer-se. Foram muitas alegrias que emergiram do desporto-rei, por via do Sporting da Covilhã, que na Cidade dos lanifícios de então sempre deu cartas. Não foram só ledas épocas com os Leões da Serra; paradoxalmente, também houve, por várias vezes, o tormento das vicissitudes por que a coletividade serrana, e seus fervorosos dirigentes, associados e adeptos passaram.
A sua história está repleta de muitas estórias que vieram a constituir as pedras basilares para cimentar a coletividade serrana nos píncar
os a que chegou como grande embaixador das gentes da Covilhã, e, porque não, da Beira Baixa e de todo o Interior Beirão.
Tive o grande prazer de poder ter escrito quatro livros sobre a sua história. E, também, pela primeira vez na vida do clube, no já distante 28 de setembro de 1991, ter contribuído para a vinda das Velhas Glórias dos Leões da Serra à Covilhã, espalhadas pelos quatro can
tos do Continente. Nesse célebre sábado, o Salão Nobre da Câmara Municipal da Covil
hã encheu-se. Foram muitas os antigos atletas presentes. Desses, que estiveram presentes, e de quantos enviaram mensagens, alguns do estrangeiro, apenas restam quatro (João Lanzinha, Fernando Pires, Marcelino Alves, e o massagista, José Gil Barreiros).
Depois, também algumas exposições histórico-documentais sobre o Sporting Clube da Covilhã, e não só.
No próximo dia 15 de julho, no Salão Nobre da Câmara Municipal, vai ser apresentado o 5.º livro sobre os Leões da Serra – “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”, de Miguel Saraiva – proporcionando assim que a coletividade serrana passe a emparceirar no número dos maiores detentores de obras publicadas, só acontecendo nesta altura com o Sporting C.P., F. C. Porto e SL Benfica.
Trata-se de uma obra importante, muito bem concebida, com 312 páginas.
Por deferência do seu autor, para além de ter feito o Prefácio do livro, irei também fazer a sua apresentação no local já referido.
No mesmo dia, haverá uma homenagem às Velhas Glórias do SCC, que estiveram pela última vez na Primeira Divisão, hoje I Liga, há 30 anos; e não só, outras se juntarão, não só no Salão Nobre da Câmara, aquando da apresentação do livro, como também no jantar a realizar num hotel da Cidade.

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com


(In "O Combatente da Estrela", n.º 107, julho a setembro 2017)

11 de julho de 2017

OTIMISMO CAUTELAR

Os portugueses têm vindo a respirar dum certo alívio daqueles momentos de constrangimento por que passaram, daquele sufoco com que foram afastados da esperança de melhores tempos, então lançados num futuro cada vez mais incerto.
Caminhando ao contrário do desejável pelos homens e mulheres deste Portugal rumo aos nove séculos de existência, com a responsabilidade emanada dos senhores das governações precedentes, uma onda de indignação vinha surgindo na trajetória entre Passos e o esbanjador Cavaco.
Dos restantes também há memórias sulcadas de ventos e marés, onde o nosso país se posicionou em situações angustiantes com três “ajudas” externas, os lamentos em desabafos nas expressões pejorativas de que Portugal está de “tanga”, num “pântano” ou “para nos afundarmos mais no buraco que nos cavaram”, como o “monstro”, de Cavaco, para além de casos em que a justiça envolveu líderes políticos.
Em 43 anos de democracia, esta foi tantas vezes vilipendiada por um mundo desejoso mais na condução dos seus interesses exclusivos: partidos políticos, candidatos a candidatos do exercício do poder em nome do povo, mas com vídeo-algibeiras; sindicatos, organizações sem fim, os políticos de circo, e por aí fora.
Se atentarmos no espaço que medeia duas décadas, entre o ano 1997 e 2017, os consumidores portugueses estão mais otimistas do que nunca, pois o Instituto Nacional de Estatística (INE) o explica: “O indicador de confiança dos consumidores aumentou em maio, prolongando a trajetória positiva observada desde o início de 2013 e atingindo o valor máximo da série iniciada em novembro de 1997”. Este regresso ao final de 1997 procura perceber o que se mantem – e o que inevitavelmente mudou – nas razões que sustentam a confiança dos portugueses. Uma delas evidencia-se – o emprego. O desemprego está a descer e atinge valores semelhantes aos de 2009, antes do pico da crise.
Há 20 anos havia, contudo, mais razões para otimismo. O país aproximava-se de um objetivo ambicioso: o pleno emprego. A Expo 98 recebia 26 milhões de visitantes.  Só em 1997 venderam-se, segundo a revista Visão, 230 mil casas em Portugal, proporcionando a que 45% das pessoas tivessem “casa própria” impulsionadas pelo crédito barato. No futebol, os nortenhos festejavam nos Aliados, o tetra, muito antes do agora celebrado pelo Benfica no Marquês. Já muito mais cedo também o havia atingido o Sporting (aliás, foi o primeiro).
Ainda em 1997, Marcelo Rebelo de Sousa era o sorridente líder da oposição. Ainda não se havia notabilizado pelas selfies. Os telemóveis (quatro milhões de utilizadores há 20 anos, sexto lugar no ranking europeu…) só faziam e recebiam chamadas…
Seguiram-se depois más notícias e o pessimismo, como nos termos atrás referidos, que teve um período de 14 anos.
Entretanto, com o atual governo, a confiança dos consumidores bate novo máximo de quase 20 anos. Voltou a aumentar em junho para um novo máximo desde novembro de 1997, e o clima económico continuou também a subir para o máximo desde junho de 2002, divulgou o INE.
Ainda segundo este instituto, em junho, os indicadores de confiança aumentaram na indústria transformadora, na construção e obras públicas e no comércio, tendo diminuído nos serviços.
A evolução do indicador de confiança dos consumidores no último mês resultou do “contributo positivo” das expetativas relativas à evolução do desemprego, da situação económica do país e da situação financeira do agregado familiar, tendo as expetativas sobre a evolução da poupança contribuído negativamente.
No entanto, a grande catástrofe de incêndios no interior do País, com evidência em Pedrógão Grande, não evitou que a 50 Km da cosmopolita Coimbra, como exemplo, em pleno século XXI, morressem 64 portugueses, tão desprotegidos e abandonados como se vivêssemos ainda no século XIX, para além das perdas patrimoniais e milhões de prejuízos.
Ainda o País vivia o trauma desta catástrofe, quando surge o ridículo furto de armamento do Campo Militar de Tancos.
Comentários para quê, depois de já terem desaparecido 50 armas Glock de uma arrecadação da Direção Nacional da PSP, em Lisboa? Vêm agora os serviços de segurança apontar para crime organizado.
Poderão explicar-nos por que a videovigilância se encontrava em baixo? Os sensores inutilizados? As vedações estragadas? As rondas feitas com intervalos de 20 horas? Estas coisas, combinando entre si, não combinam com o país que, como se referiu no início deste texto, tem vindo a respirar dum certo alívio na vida da maioria de cada um de nós, que parece estar no bom caminho, mas, paradoxalmente, com estes meandros que sulcam o bom trabalho que tem vindo a ser desempenhado na vertente económica e financeira.

No otimismo de colecionar boas notícias, como vinha acontecendo, no devaneio daquele golo do Eder no futebol, à campeã canção europeia sem maus cheiros; ao nosso Ronaldo, melhor do mundo; esquecendo o andarmos sempre cabisbaixos aquando da troika; consolados por não ter vindo o diabo, torna-se agora imperativo que este otimismo não venha a ser esmorecido pelas condutas inoperacionais de alguns comandantes das unidades do palácio governamental.

(In "fórum Covilhã", de 11/07/2017)

14 de junho de 2017

PORTUGAL PACÍFICO

Ao longo da existência do ser humano no planeta sempre houve guerras, atentados e quaisquer outras formas de eliminar o homem. Isto já vem dos templos bíblicos, começando pelos filhos de Adão e Eva, em que Caim matou seu irmão Abel. Segundo um estudo publicado na revista Plos One, o primeiro assassínio confirmado da história foi há 430 mil anos em Espanha, mais propiamente em Atapuerca, na província de Burgos.
Vejamos o Exílio (anos 587-538 a.C.) que foi um momento duro para o povo israelita, com Nabucodonosor, rei da Babilónia, a destruir Jerusalém e a levar deportados os habitantes da Cidade Santa para a capital do seu Império. Foi um tempo de provação, a conseguir sobreviver naquela situação desesperada.
E o fim trágico de homens e mulheres da História estende-se por um mar de nomes: Seneca, fugindo da crueldade de Nero; Sócrates (o grego…), Viriato, Sertório, Júlio César, Arquimides, Aníbal, o herói cartaginês; Catão, Joana D’Arc, Robispierre, o general Gomes Freire de Andrade, Galileu, Aristofeles, Fernão de Magalhães, Alexandre Magno, o Duque de Orleans, Cícero, Rosseau, Lavoisier, Lincoln, Henrique IV, Plínio, Inês de Castro, Martin Moniz, Maria Stuart, Marco António, que morreu atravessando o peito com uma espada, indo soltar o último alento no seio da volúvel Cleópatra; D. Francisco de Almeida, Eduardo VIII, de Inglaterra, entre muitos outros, portugueses e de outras nacionalidades.
A estas figuras podemos ainda juntar o atentado que vitimou o nosso rei D. Carlos e o Príncipe Herdeiro, Luís Filipe, em 1 de fevereiro de 1908. Numa visita à Torre do Tombo encontrei estas palavras manuscritas pelo punho do rei D. Manuel II, último rei português, cujo relato poderá ser inserido em futuras crónicas: “As minhas memórias desde 1 de fevereiro de 1908, D. Manuel Rei (Torre do Tombo). 21 de maio de 1908 (notas absolutamente íntimas). Há já uns poucos dias que tinha a ideia de escrever para mim estas notas internas, desde o dia 1 de fevereiro de 1908, dia do horroroso atentado no qual perdi barbaramente assassinados o meu querido Pai e o meu tão querido Irmão. Isto que aqui escrevo é ao correr da pena, mas vou dizer pouco e claramente e também sem estilo tudo o que se passou. Talvez isto seja curioso para mim num dia se Deus me der vida e saúde. Isto é uma declaração que eu faço a mim mesmo. Como isto é uma história íntima do meu reinado vou iniciá-lo pelo horroroso e cruel atentado (…)”.
Já no tempo do Estado Novo, Salazar escapou ao único atentado de que foi alvo, no dia 4 de julho de 1937.
No dia 5 de junho de 2017 comemoraram-se 50 anos da Guerra dos Seis Dias, que ocorreu às 7h45 do dia 5 de junho de 1967, aquela que mudou Israel e o Médio Oriente. Foi um ponto de viragem na História. Tal como a I Guerra Mundial, foi uma guerra que ninguém previa nem queria. O culpado foi o Presidente egípcio, coronel Nasser, querendo a liderança política do mundo árabe, vinha a propagandear a intenção de destruir Israel. Os israelitas levaram a sério este desafio. No entanto, Israel com três milhões de judeus, era como o “David israelita”, e os árabes, com 300 milhões de almas, eram como o “Golias árabe”. Os generais opunham-se a uma guerra em três frentes: Egipto, Jordânia e Síria. Com a população em pânico, surge o ministro da Defesa, general Moshe Dayan (o que não tinha um olho) e, em seis dias, vence esta guerra em três frentes. Recordo-me perfeitamente desta guerra, que fazia ocupar os noticiários da RTP, e várias páginas dos jornais, de grande formato, como o Diário de Notícias, o Século e o Diário Popular, para já não falar dos jornais nortenhos. A televisão portuguesa ainda tinha um único canal a preto e branco, com o jornalista Gomes Ferreira a dar ênfase aos noticiários. Ainda não possuía televisão em casa porque os aparelhos eram caros e os salários do funcionalismo público e dos operários de lanifícios, uma miséria (a televisão que só surgiu no nosso País uma década antes), mas recordo-me de ver os noticiários nos cafés da Cidade: no Central, no Leitão ou no Danúbio, do Caninhas, já desaparecidos; ou então na Pastelaria Triunfo, do Sr. Tomé; ou ainda no Café Montanha, do ourondense Laranjo. No ano seguinte ingressava no serviço militar obrigatório. Na primeira viagem que fiz a Israel, em 2007, o guia contou-nos que esteve como combatente judeu na Guerra dos Seis Dias.
A nossa História de Portugal se contempla feitos gloriosos como as batalhas ganhas, com evidência para a de Aljubarrota, assim como as grandes descobertas, como o caminho marítimo para a Índia e o Brasil, também teve enormes desgraças como a Batalha de Alcácer Quibir, a participação na I Grande Guerra e, mais recentemente, a Guerra do Ultramar, em que ainda hoje há muitos jovens de então, hoje já septuagenários, a sofrer de deficiências físicas e morais, num autêntico stress pós traumático, geralmente envolvidos nos vários núcleos da Liga dos Combatentes espalhados pelo País.
O Papa Francisco tem vindo a condenar veementemente a indiferença do mundo face ao martírio de cristãos e não só.
Entretanto, Portugal é um dos países mais pacíficos do mundo e acaba de subir ao pódio neste ranking. Efetivamente, Portugal vive tempos dourados. A somar a todas as conquistas (políticas, desportivas e culturais), Portugal goza de um nível de paz certamente invejado por esse mundo fora. Os dados da Global Peace Index (GPI) de 2017 comprovam não só que Portugal é um país pacífico como é dos mais pacíficos do mundo. Esta análise é feita a 163 países. Portugal comete a proeza de passar do quinto lugar (ocupado o ano passado) diretamente para o pódio, para o terceiro lugar. À frente de Portugal está a Islândia (o país mais pacífico do mundo desde 2008) e a Nova Zelândia, ocupando o segundo lugar. No extremo oposto, obviamente sem surpresas, está a Síria, classificada como sendo o país menos pacífico pelo quinto ano consecutivo. O Afeganistão, o Iraque, o Sudão do Sul e o Iémen completam os últimos cinco.

(In "Notícias da Covilhã", de 15-06-2017)



EXORTAÇÃO DE SANTO ANTÓNIO

Entre a depressão e a euforia, há sempre um feliz momento em que Santo António nos exorta à esperança de melhores dias, ele, o santo casamenteiro, o milagreiro, o santo das coisas perdidas.
Às vezes é preciso desligar o “complicómetro”, como referiu David Dinis, diretor do Público. É neste pensamento que eu vou conseguindo o tempo do meu tempo de várias tarefas. E, neste contexto, até Santo António, no seu dia 13 de junho, fez coincidir o “seu dia” com o “meu dia” desta crónica.
Mas vejamos o que tem acontecido neste Portugal dos últimos tempos, em que não foram só bênçãos, ou, como na gíria futebolística, “aquela pontinha de sorte”, mas, afinal, em acreditar naquele célebre substantivo feminino que dá pelo nome de geringonça, saído nas páginas do Público, das crónicas de Vasco Pulido Valente, em 31.08.2014, e amplificado no Parlamento pelo ex-líder do CDS e vice-primeiro ministro, Paulo Portas, em 10.11.2015. Portugal cresceu, como crescem os países com saudáveis democracias. Soube, com notáveis homens e mulheres, o que é cair no fundo e levantar-se de novo. Uma grande lição para o mundo.
Portugal deixou assim de ser o dos três “éfes” (Fado, Futebol e Fátima), porque o esplendor noutros feitos veio dizer-nos que nada se faz por acaso. Salvador Sobral ganhou na canção como nunca tinha sucedido. Já antes tínhamos ganho o Campeonato da Europa, e um português, da Beira Baixa, eleito secretário-geral da ONU. Muitos factos, que não cabem neste espaço, se poderiam juntar, daqueles que os políticos gostam tanto de dar valor quando estão no Governo para se assumirem como autores do sucesso, ou, então, paradoxalmente, desvalorizar, quando ausentes do poleiro governativo, na tentativa de que seja extraída uma ilação, que poderia ser melhor se fossem eles a mandar.
E como já não há mais mundo para descobrir, as descobertas portuguesas ficam-se pela história, aliás, de grandes estórias da nossa História. Mas o mesmo já não podemos dizer dos santos, e, para se juntar ao Santo António de Portugal, a São Nuno Álvares Pereira, a Santa Isabel de Portugal e a outros santos e beatos, aí temos mais dois santos portugueses: Santa Jacinta Marto e São Francisco Marto, nomeados pelo Papa Francisco, que se deslocou a Fátima, para esse efeito, na recente comemoração do Centenário da Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos. De notar que a Covilhã também tem um santo, o Beato Francisco Álvares, que foi operário da indústria de lanifícios. Faleceu no século XVI e foi beatificado no século XIX.
Numa altura em que já quase cheira a férias, não pela minha parte porque já estou nas vitalícias, mas de muita gente da nossa gente, a minha Covilhã vai-se vestindo de cores. Vêm aí os Santos Populares, com Santo António à frente da filarmónica, tonificada pelo cheiro das sardinhas assadas.
E, vai daí, este ano de eleições, com as Marchas da Covilhã a animar a malta, onde já mexem há muito os ensaios, dias não são dias, e, entre uma litrada ou uma bejeca, há sempre uma caracolada no Primor.
Passadas as marchas, as fugas para junto do mar, com mais copos nas esplanadas, que o sol brilha em Portugal.
E o IRS já foi e já veio o reembolso, para a maioria. Um regalo. Há que jogar uma cartada, debaixo duma parreira, de preferência.
Férias são férias. Este mês não é preciso pensar em coisas sérias. As eleições são só em outubro. Os cortejos ainda tardam a passar.
Olhando agora a minha Terra – a mui nobre Manchester Lusitana doutros tempos, universitária dos dias de hoje –, mirando-a de dentro para fora, e de fora para dentro, vamos deixar que os ventos que aí vêm ouçam, como na voz de Eduardo Nascimento, porque “Ela quis viver/E o mundo correr/Prometeu voltar/Se o vento mudar”. Mas é preciso continuar: “E o vento mudou/E ela não voltou/Sei que ela mentiu/P’ra sempre fugiu”.
A Covilhã também é geradora da AMIZADE, e, nas suas várias vertentes, esta palavra tão bonita transforma-se em FESTA; como costumo dizer: A AMIZADE É UMA FESTA!

Em Dia de Santo António, coincidente com o dia desta crónica, como atrás já referi, e no seguimento do que vem sendo um saudável hábito, o simbolismo desta data, na espontaneidade dum ato empresarial passado, na mente dum visionário português de rija têmpera, que trouxe de fora para dentro do País uma dinâmica empresarial que todo o Portugal não ignora, vai ser comemorado, na simplicidade dum almoço-convívio, nas Penhas da Saúde.

(In "Fórum Covilhã", de 13-06-2017)

16 de maio de 2017

PARA ALÉM DO CENTENÁRIO EXISTE UM GRANDE CLUBE

Habituei-me a gostar do desporto, e do futebol em particular, desde menino e moço, como tantos de nós, pelo que isto não é novidade alguma.
Mas particularizar coletividades ou instituições, por este ou aquele pormenor que passou pelas nossas vidas, já se reveste de outra atitude. Está no nosso âmago.
Naqueles idos anos 60 do século passado vivia intensamente a vida do clube da minha Terra – o Sporting Clube da Covilhã – e também apreciava com uma certa profundidade todos os clubes que com ele vinham jogar.
Não só os mais famosos clubes da então Primeira Divisão (hoje, I Liga), mas também dum tempo nostálgico da CUF do Barreiro, do Lusitano de Évora, do Clube Oriental de Lisboa, do Atlético Clube de Portugal, do Caldas Sport Clube, do Sport Comércio e Salgueiros.
Foi assim que também surgiu o Sporting Clube Olhanense, sabendo que era uma das coletividades que percorria maior distância, vindo de terras algarvias, para chegar às faldas da Serra da Estrela, na sua porta principal que é a Covilhã. Era então uma cidade laneira com muitas fábricas de lanifícios distribuídas ao longo das ribeiras da Carpinteira e da Degoldra; e pela sua região, como o Tortosendo, Unhais da Serra e o Teixoso. Hoje, não deixando esse vínculo, seu ex-libris, é mais uma cidade universitária, com a sua Universidade da Beira Interior recentemente considerada uma das melhores 150 novas universidades do mundo.
Quando terminavam os jogos com o Sporting da Covilhã, nós, miúdos, esperávamos que saíssem os atletas de ambas as equipas. Recordo do Olhanense, por exemplo, o guarda-redes Filhó e o Reina. Depois, a partir de segunda-feira era ver na antiga Biblioteca Municipal, sediada então ao Jardim Público, os jornais, principalmente “O Comércio do Porto” porque vinha recheado de todos os resultados e equipas que haviam jogado, duma forma minuciosa.
Mais tarde, ainda nos anos 60, vou iniciar o serviço militar obrigatório, no antigo CISMI, em Tavira. Logo aí, um dos instrutores do meu pelotão, era o 1.º Cabo Miliciano Santa Rita, que jogava no Farense.  Depois, aos sábados ou domingos, alguns passeios com os colegas, e, de comboio, lembro-me de ter ido até Olhão. Daqui enviei um postal sobre a cidade, que ainda conservo, à então minha namorada. Enfim, foi o futebol, os clubes, os jogadores, a vida gravada de uma certa nostalgia.
Depois, o “bichinho” da escrita leva-me a publicar o meu segundo livro, este sobre a vida do Sporting Clube da Covilhã, em 1992. E parecia não parar, quer por via de entusiasmo pessoal, nas suas figuras e factos, ou por incitamento de amigos. E, assim, sobre a vida do clube serrano vieram a surgir mais três obras, em 1993, 1998 e 2007.
O meu olhar voltou-se para as terras algarvias, com relevo para Olhão, nas pesquisas de antigos atletas que integraram as cores verde-brancas do clube da minha Terra. E isto porque Olhão, e o Algarve, foi um viveiro onde o Sporting da Covilhã (SCC) foi buscar valores para a sua equipa: José Rita, os irmãos Cávem, Helder Toledo, Francisco Palmeiro, Eminêncio, e o grande amigo, já desaparecido, Fernando Cabrita. Depois, outros que haviam vestido a camisola do SCC, também passaram pelo Olhanense (SCO), como o guarda-redes Arnaldo, e o Adventino.
Passando pelos jornais, como cronista, levou-me ao contacto com o quinzenário “O Olhanense”, o qual passei a assinar, fruto duma amizade espontânea, e no sentido de colaboração comigo, do saudoso e já falecido carola, Augusto Ramos Teixeira, com quem conversei várias vezes telefonicamente, mas que o destino não me deixou conhecê-lo pessoalmente. Assim como o antigo diretor, Herculano Valente.
Entre crises desportivas, e outras vertentes da vida, mas risonhas, se foram avivando lembranças de clubes, de seus jornais, com tudo o que os mesmos inserem, memórias vivas, outras já desaparecidas, ganhando-se também um rol de amizades.
Assim aconteceu com o Sporting Olhanense, e o seu Jornal de excelência, que dá prazer ler, quando se vê aquela quantidade de colaboradores que lhe dão um cunho cultural importante, muito para além do desporto em exclusivo, o que é sintomático de uma cultura citadina interessante, e, como eu também gosto, na memorização de coisas, factos e figuras do passado, nas teclas do computador do amigo, que também não conheço pessoalmente, Mário Proença, a alma do Jornal.
Tive a felicidade, sim, de conhecer pessoalmente, num jogo entre o SCC e SCO, na Covilhã, Júlio Favinha, então diretor do vosso clube, depois de me dar a conhecer.
Mais tarde, num jantar comemorativo dos Leões da Serra, na Covilhã, tive também o prazer de conhecer o amigo Presidente do Olhanense e Diretor deste Jornal, José Isidoro Sousa, e sua Esposa, que se encontravam na minha mesa.
A amizade é uma festa, como eu costumo dizer, independentemente de crises e situações menos boas por que os clubes passam.
Vem, pois, a propósito, nestas comemorações que se realizaram dos 105 anos do SCO, de formular os meus votos de longa vida para o grande Clube que é o Sporting Clube Olhanense, recheado de muitos pergaminhos na sua vida desportiva, ao serviço não só da Cidade que o viu nascer, mas também deste Portugal de quase nove séculos.
Entre tristes e ledas madrugadas se vai caminhando na vida das coletividades, como a atual crise por que está a passar o SCO, mas não há que baixar os braços, e é de remar contra a maré, e prosseguir o caminho no sentido de o mais rapidamente possível, voltar ao lugar que merece no panorama do futebol português. O Clube da minha Terra também já passou, por várias vezes, por situações análogas. Não baixar os braços, como é timbre dos homens do mar, é ganhar ânimo para que depois da tempestade venha a bonança. Ela virá, com certeza.
O Clube, o Jornal (que o meu SCC deixou de ter), os Livros. São estes que também trazem as estórias para a história das Coletividades. Na minha biblioteca tenho, de Raminhos Bispo, “O Sporting Clube Olhanense – 90 Anos de História”, em dois volumes, que já me deliciou com as descrições de alguns jogos entre os nossos dois Clubes, então na antiga Primeira Divisão. Também nos meus faço algumas referências aos nossos Clubes. São memórias que ficam.
E como a história não pára, ela continua. Vai surgir um quinto livro sobre a História do Sporting Clube da Covilhã, já no prelo, da autoria dum amigo destas causas, Miguel Saraiva, animado pela sua coordenação e principal obreiro do site Histórias do SCC. Tenho o prazer de, por seu convite, prefaciar e fazer a apresentação desta importante e muito interessante obra.
Renovo os meus votos das maiores felicidades para o Sporting Clube Olhanense, num abraço a todos os seus obreiros, e na esperança de, como sói dizer-se, darem a volta ao texto e, na próxima época, terem a alegria de poderem regressar ao convívio da II Liga, donde agora não deviam partir.




(In "O Olhanense", de 15-05-2017)


10 de maio de 2017

O NÓ GÓRDIO E A CAIXA DE PANDORA

Depois de olharmos para o outro lado do planeta, lá para as bandas de três oceanos, o assombro estonteou o mundo porque uma parte desta Terra não conseguiu cortar o nó górdio, e vimos a indesejável eleição de Donald Trump. Já mais próximos das águas geladas da pesca do bacalhau, um dos males saídos da Caixa de Pandora, para a (des)União Europeia, foi o Brexit.
Conseguimos, entretanto, safar-nos dum dos outros males libertados do grande jarro dado por Zeus a Pandora, aquela mulher que tinha um único defeito, a curiosidade. Ela foi criada por Hefeso e Atena, a pedido de Zeus, com o fim de agradar aos homens, segundo o mito grego. Mas, de todos os males libertados, entre os quais a Frente Nacional de Marine Le Pen, ficou de facto, lá dentro, a esperança. E foi neste otimismo que os franceses, elegendo Macron, também conseguiram cortar o tal nó górdio, aliviando um pouco a Europa.
Voltemo-nos agora para este nosso Portugal à beira-mar plantado, um País de heróis, de sábios e de santos, aventureiros e descobridores de novos mundos, como aprendemos na Primária dos nossos tempos já duma certa longevidade. Se bem que da sua caixa de Pandora também saíram alguns maldosos, egoístas e chico-espertos.
Chega assim, mais uma vez, um tempo de eleições, e aquelas que mais estão próximas das pessoas – as autárquicas.
Cada dia que passa mais se aproxima o 1 de outubro, e, vai daí, tudo se prepara para os embates, os despiques, as desforras, os esclarecimentos, a tentativa de convencer, na euforia mais dos apaniguados; na esperança de podermos confiar neste ou naquele que possa mudar o rumo do que não gostámos, e fazer aquilo que mais carece.
Pela nossa região também já começam a desfraldar sinais ajuizadores, muitos deles saídos do prematuro, num palpite de agitação de muitas bandeiras, latente no espírito de almas que sonham transformar a dormição de um concelho, no deleite das suas energias arrebatadoras de uma ação sem tréguas, a favor do acordar.
O concelho da Covilhã conhece já cinco candidatos, e, para a sua população, podemos dizer, como se exprimia a minha avó: “Bonda!”
Não tenhamos ilusões, face ao contexto em que as candidaturas se movimentam, com muita dispersão de votos, retirando-os uns aos outros, não vai haver qualquer maioria absoluta, nem na esperança nada contida do candidato julgado profeta. Recordemos a dívida que deixou e que embaraçou a gestão camarária atual. Depois, o seu modo comportamental no período do seu interregno, maldizente de pessoas e instituições de quem agora espera o voto. Dos seis objetivos que apontou muito haveria que dizer que não cabe neste espaço.
O candidato que se encontra na atual liderança municipal tem que se dotar de total transparência no acolhimento que teve com a mão cheia de colaboradores, mormente no que diz respeito aos seus salários. E, depois, a informação do motivo por que não se realizaram promessas havidas.
Como vão os sociais-democratas fazer frente ao candidato independente? Conseguirão reunir o exército que se destroçara com a anterior eleição do candidato do MAC, então submisso ao atual candidato independente? E como reconciliar a sua quota-parte de responsabilidade com o anterior Presidente, então desta força partidária, e atual independente, nas ações que permitiram chegar a um caos de dívida?
Pensamos que os comunistas terão que se empenhar muito fortemente para poderem conseguir um vereador.
Resta o candidato que já não é surpresa, covilhanense, do seio de uma família ilustre de antigos industriais, movido pelo impulso de transformar a Covilhã de novo no mapa de Portugal, como ele refere, duma forma cuidadosa, ele que fora anteriormente também um dos homens do Governo de Portugal.
Há assim uma gama de figuras que querem governar o Concelho da Covilhã. Para que possamos ajuizar melhor quem vai defender os genuínos interesses deste Concelho, temos que acreditar no que nos vão transmitir, depois de conhecermos as suas equipas, mas para isso há que refletir conscientemente sobre o que fizeram, o que deixaram de fazer, as omissões, as inverdades, as capacidades individuais dos que vão formar as equipas, e exigir transparência, mas que assumam mesmo tais atitudes e não só nas palavras de circunstância e arrebatadoras na altura das campanhas eleitorais, plenas de sorrisos e abraços. E, acima de tudo, não esquecer o que durante estes quatro anos fizeram os de dentro e os de fora.
Por último, que os candidatos confirmem nas suas campanhas se, perdendo, assumem o lugar na vereação, pois ainda nos recordamos quando Carlos Pinto perdeu as eleições a favor de Jorge Pombo, quando nem ele nem a sua equipa aceitaram a sua qualidade de vereadores, tendo que aparecer uma segunda equipa. Recordam-se?

Ter amor à Covilhã e trabalhar em prol da mesma, gloriar-se com as vitórias, mas também assumir as derrotas, aceitando a democracia, é o que esperamos de todos os candidatos.

(In "Notícias da Covilhã", de 11-05-2017)

9 de maio de 2017

FÁTIMA: APARIÇÕES OU VISÕES?

Na minha infância, que já dista sete décadas, viveu-se com o medo da Rússia, império do mal; do comunismo e suas ideias subversivas; e, nas igrejas, com as missas em latim, rezava-se pela sua conversão. Em tempo de Guerra Fria, e ainda antes do Concílio Vaticano II, falar-se de Fátima, ou da Cova da Iria, era implicitamente falar-se das aparições de Nossa Senhora aos pastorinhos, numa ótica de conversão dos homens do mal. Como ainda hoje. Eles, pastorinhos, são os irmãos Jacinta e Francisco Marto, e a sua prima Lúcia. Sempre, ou quase, sob o signo do temor, como a visão do inferno apresentada aos referidos pastorinhos, inserida na primeira parte do segredo; depois, na segunda parte do mesmo, o anúncio do castigo e dos meios para evitá-lo. Foram então estas duas partes do segredo reveladas por Lúcia em 31 de agosto de 1941, a pedido do Bispo de Leiria. Restava a terceira parte, escrita por Lúcia em 3 de janeiro de 1944, ficando o mesmo em envelope selado e guardado pelo Bispo de Leiria.
Em tempos de grande iliteracia, e dum regime ditatorial no nosso País, de brandos costumes, mas infiltrado da polícia política de má memória, restava ao comum dos cidadãos a pergunta mil vezes surgida: “O que estará escrito na terceira parte do segredo de Fátima?”.
Se dizer mal do regime instaurado em Portugal era outra direção ao medo, como da prisão ou outras represálias, mais não restava ao pobre povo português do que, não desejando acatar a pobreza que grassava muitas vezes dissimulada, refugiar-se na emigração para solos da França, Alemanha ou Suíça, já que no Brasil o cruzeiro pouco valia.
Os que ficavam, na tasca era uma das formas de conviver, ou nas coletividades nascentes sob a égide da então FNAT; já que outros domingueiros optava por ir à bola.
A Amália era a nossa diva do fado. Quando o 1º de Maio emergia, com o Dia do Trabalhador negado, o futebol jogado já na era televisiva a preto e branco, surgida neste Portugal de 1957, dava azo a uma transmissão a seu jeito para fazer esquecer as agruras da vida, no oportunismo daquele dia… na expressão “Três F”, aqueles três pilares da ditadura salazarista: “Futebol, Fado e Fátima”.
Mas Fátima que foi um lugar é agora uma cidade, sede de freguesia e que o Papa João Paulo II elevou à categoria de sede de diocese com a cidade de Leiria, passando a designar-se Diocese de Leiria-Fátima, desde 13 de maio de 1984. Faz assim colocar Portugal no mapa do mundo. Contudo, Fátima não diz tudo sobre Portugal, nem é o retrato da religião católica no nosso País.
Se bem que todos os anos são diferentes, este ano de 2017 é um ano especial porque se celebram 100 anos que Nossa Senhora foi vista em Fátima.  Segundo a “Voz do Trabalho”, o Assistente Nacional da LOC/MTC refere que “Ela escolheu Portugal e três crianças para falar de Paz num tempo de guerras: homens contra homens, nações contra nações, homens contra Deus”. E ainda: “Muitas vezes achamos que as questões políticas e as soluções sociais que a sociedade civil vai formulando são as únicas capazes na construção da paz. A primeira grande afirmação de Fátima, de ontem e de hoje, continua a ser que sem Deus não há verdadeira construção da paz, seja no coração de cada um, seja nas famílias, seja nas relações de trabalho, seja entre povos e nações”.
Segundo o Padre Gonçalo Portocarrero de Almada, “Na Cova da Iria os pastorinhos tiveram visões e não aparições, mas o valor não é menor porque, como notou Bento XVI, visões têm uma força de presença tal que equivalem à manifestação externa sensível”.
Efetivamente, só no dia 13 de maio se celebra o centenário da primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima e já existem muitas alegadas “desmitificações” do fenómeno ocorrido na Cova da Iria, o fenómeno de Fátima. Alguns o reduzem, ou pretendem reduzir, a uma mera narrativa que é reinterpretada ao bel-prazer de cada um. Mesmo para alguns, tudo não terá passado de um embuste político-religioso, para que foram aliciadas criancinhas iletradas. Para outros, terá tido uma “mãozinha clerical e intenção marcadamente antirrepublicana. Também os que, embora afirmando-se fiéis, olham com desdém para este tipo de fenómenos que reprovam em nome da sua impoluta racionalidade, mais livre-pensadora do que verdadeiramente católica”.
O que é certo e verdade é que a própria Igreja portuguesa, de início, não reagiu positivamente às aparições. Só a 13 de maio de 1922 se iniciou a investigação canónica relativamente aos acontecimentos de Fátima, que concluiu somente em 13 de outubro de 1930, aprovando o culto das aparições, que, contudo, não constituem matéria de fé.
Ainda sobre o tema aparições ou visões, o Padre Anselmo Borges, em entrevista ao jornal Expresso, de 16-04-2017, declarou que “É preciso também distinguir aparições de visões. É evidente que Nossa Senhora não apareceu em Fátima. A distinção entre aparições e visões não é nenhuma novidade pois, como recordou Bento XVI, “a antropologia teológica distingue, neste âmbito, três formas de perceção ou “visão”: a visão dos sentidos, ou seja, a perceção externa corpórea; a perceção interior; e a visão espiritual”.
Também D. Carlos Azevedo, em entrevista ao Público, de 21 de abril, diz que é o momento de se falar com a “linguagem exata” sobre o que se passou há 100 anos na Cova da Iria: “foram visões místicas, não aparições”. “Penso que o Papa Francisco, ao vir a Portugal, vai iluminar a atualidade da mensagem de Fátima. O fenómeno da Cova da Iria acontece na I Guerra Mundial e aponta já para a II Guerra – “se não mudarem os critérios de vida, vem uma guerra pior”. Agora o Papa tem falado numa terceira guerra “em episódios””
 O que é certo e verdade é que podemos ser crentes ou não, acreditar nas aparições ou não, ter uma fé mais esclarecida ou não, mas não podemos ignorar o fenómeno e a relevância de Fátima.
Francisco e Jacinta Marto, pastores analfabetos, vão ser santos da Igreja Católica. O Papa Francisco aprovou o milagre necessário para a canonização dos dois irmãos, que faleceram, ainda crianças, vítimas da gripe espanhola. A prima Lúcia, a mais velha dos videntes, faleceu aos 97 anos.

Na Peregrinação Nacional a Fátima, das Conferências Vicentinas Portuguesas, na Assembleia realizada no Auditório Paulo VI, no passado dia 22 de abril, a madeirense, Dr. Graça Alves, referiu-se assim, na sua excelente palestra: “Quem é esta Mulher que, há 100 anos, como agora, nos pede que baixemos as armas e que nos deixemos guiar pela dimensão do infinito que existe dentro de nós? A quem pertence, afinal, esta voz que aplacou os medos dos pastorinhos: “Sou do Céu” e que nos toma nos braços e nos pega ao colo e nos diz aquilo que disse a Lúcia naquele dia de junho de 1917. Se a Senhora voltasse hoje, talvez dissesse exatamente  a mesma coisa que disse no dia 13 de julho de há 100 anos atrás: “Se fizerem o que eu disser, salvar-se-ão, e muitas almas terão paz”.

(In "fórum Covilhã", de 09-05-2017)

21 de abril de 2017

O INDUBITÁVEL

Com todo o prazer, continuo a digitar as teclas do computador naquela vontade indómita em transpor para o papel, preferencialmente, o pensamento que redunda na escrita.
Talvez não seja estranho o facto desta minha conduta já existir com os órgãos da comunicação social há mais de meio século. Ter espaço próprio nos jornais é uma honra, um privilégio, e, por isso, a honestidade que sempre deve ser um sinal distintivo.
Este propósito de igualdade na forma de atuação para com todos não quer dizer que tenham que nos maniatar a atitudes retrógradas de nos amarrar ao pensamento exclusivo dos detentores de alguns órgãos da comunicação social, desde que não se vá ferir a linha de rumo desses mesmos órgãos, como sejam na sua vertente religiosa, política ou desportiva, por exemplo. Há sempre diferentes modos de pensar, como de agir.
E se neste número d’ “O Combatente da Estrela” continuo a ter a alegria de poder colaborar, porque gosto de escrever, porque está no meu âmago, não posso deixar de memorizar, com saudade, um outro órgão cultural e recreativo, restritamente militar – FRONTEIROS DA BEIRA – do extinto RI 12 – Regimento de Infantaria Ligeira, na Guarda, que, em 1971 teve também alguma minha colaboração, então como Furriel Miliciano. Guardo-a religiosamente.
Volvidos 22 anos, via referências à minha pessoa sobre uma minha publicação, no jornal “El Adelanto”, de Salamanca, em dois números do mês de agosto de 1993.  Sempre a escrita!...
Mas não são só as crónicas, ou outra colaboração cultural avulsa, que ocupam parte da minha absorção de tempo, porquanto surgem as publicações em livro.
E aqui chega a altura de, sobre o título desta crónica, prestar o devido esclarecimento. É que, como os prezados camaradas e leitores deste periódico podem verificar, se atentos, deixei, a meu pedido, efetuado em 2 de janeiro de 2017, de poder colaborar um pouco mais com este jornal, na qualidade de subdiretor, face a um compromisso já antes assumido com uma personalidade de alto prestígio nacional para a publicação da história de uma atividade que há séculos existe em Portugal, tornando-se incompatível conseguir obter tempo suficiente para a concretização da mesma sem me desvincular de compromissos posteriormente assumidos.
O Diretor deste Jornal, e a Direção da Liga, compreendeu perfeitamente a indubitabilidade da razão da minha decisão. E eu só tenho que lhes agradecer terem confiado nos meus méritos aquando do convite que me fizeram para a assunção da subdireção.
De ventos e marés se fazem, e, mormente, se mantêm no grande navio a flutuar, em águas menos agitadas, as instituições, como esta, a Liga dos Combatentes; e outras que podem ser seus satélites ou não, que giram como a Lua à volta da Terra; mas tem que estar patente o rumo na direção certa para que, ao chegar ao fim, se encontrem todos sãos e salvos.
Só na compreensão, e capacidade de saber encontrar o caminho certo, e não na tropelia do turbilhão de decisões precipitadas, se podem reunir consensos para harmonizar um contraditório.
E é no confronto de ideias, na respeitabilidade pelas mesmas, ainda que não concordantes, que se encontra a pedra angular da casa que ajudámos a construir.
É preciso saber interpretar, quando alguém lança a agitação e depois duma forma pusilânime foge do local onde deixou a ventania, o porquê da sua atitude, optando pelo silenciamento.

Há que continuar o caminho certo removendo as arestas que molestam, mas não deixando de encontrar a resposta convincente, sempre no genuíno interesse de todos, como sempre souberam obter os que se localizam ao leme desta grande embarcação que é a Liga dos Combatentes.

(In "O Combatente da Estrela", n.º 106, de Abril a Junho/2017)

12 de abril de 2017

REFLEXÃO ÀS AUTÁRQUICAS

Enquanto vemos reduzir o nosso tempo de vida, não obstante o aumento generalizado da nossa existência no Planeta, depois do muito que já vimos passar, continuam a verificar-se mudanças, na certeza que também prosseguirão as narrativas da vida de cada um, em particular, e de todos, em geral.
Completamos 41 anos de democracia constitucional, o que, paradoxalmente, se contrapõe a outros tantos 41 anos que tivemos de ditadura em Portugal.
De tão prolongada ditadura deveríamos ter uma democracia verdadeiramente prudente e tranquila.
De facto, vive-se hoje muito melhor do que há mais de quatro décadas, mas esse bem-estar em termos de bens de consumo não quer dizer que se mantenham os valores, estes que constituem a essência de um Estado e que transformam o povo.
É que o respeito pelas instituições, sua credibilidade, e os ensinamentos que o poder público devia dar, assim como a imparcialidade, justiça e retidão nos negócios duma sociedade moderna estão a léguas da realidade.
Muito do que aqui poderíamos dizer é como chover no molhado, quanto à nossa justiça, ao poder legislativo, e, porque não, mesmo ao quarto poder, onde se dá ênfase ao insulto emanado dos homens e mulheres dessas mesmas instituições, num exagero de repetições de casos anómalos quão doentios para todos nós. Para já não dizer das vergonhosas discussões políticas que impedem acordos de regime.
Vamos ter as eleições autárquicas, definidoras de como pode ser visto o país, mas incisivas nos meios onde vivemos.
Neste tempo quaresmal, ainda a procissão vai no adro e já começaram algumas pré-campanhas eleitorais. Começam a sair da casca: uns, fabulando entre “A Lebre e a Tartaruga”; outros entre “A Raposa e a Cegonha”; outros ainda, esquecendo-se do seu passado egocentrista.
A profunda reflexão vai, pois, para este estado de alma de cada um, dos que poderemos escolher, e dos quais tantas vezes nos enganámos.
Vamos então ao nosso meio citadino e concelhio – a nossa mui amada Covilhã –, sejam almas de raiz ou de coração, onde a trombeta já deu sinal de três assumidos candidatos à “catedral”.
É bom que os sermões que agora se vão ouvindo pelos vários “púlpitos” políticos dos que ainda vão a tempo de participar na procissão, entrem na profundidade de quem tem ouvidos para ouvir, e não só daqueles em que a voz entra por um ouvido e sai pelo outro, nas várias tribunas que se vão distribuindo.
Os argumentos que nos fazem querer esquecer os corredores das discórdias, fruto dum egocentrismo contemporizado nas iniciativas, nem todas pessoais, mas assumidas como tal, duma visão de transformar uma cidade a qualquer preço, é bom que tenhamos um pouco de reflexão sobre o passado.
Entre sorrisos, beijos e abraços, promessas (que não serão cumpridas), desejos de passar a governar a cidade e o concelho para todos de igual modo, mesmo para com os adversários políticos, como, mais uma vez, irá ser anunciado, não só para os apaniguados, mas também para os indecisos, para os distraídos, ou para os maldizentes pelo que vêm; será o inevitável dos candidatos para tentar a adesão às suas causas, vibrando por esses palanques que irão surgir por todo o lado.
O ideal é que haja um candidato que nos convença da sua sacra decisão de respeitar escrupulosamente, sob pena de se demitir, todas as suas promessas, na assunção do estudo aprofundado que soube obter dos meandros da política concelhia. E que sabe atuar sem ofender, sem utilizar a pusilanimidade, mas antes a frontalidade perante o seu opositor; a céu aberto, e não escondido em blogues e outras coisas mais, num ridículo anonimato, que agora já terminou, deduzimos, porque foi gato escondido com o rabo de fora; quando as frentes não correm de feição, isto é, aceitar a democracia.
Nestes 41 anos de eleições autárquicas, basta de vermos que o genuíno interesse das populações é muitas vezes adulterado pelo polvilhar dos interesses pessoais, favores aos apaniguados, subtilmente apregoando-se a necessidade de utilização de boys e girls desnecessários, que aumentam a despesa autárquica, em desfavor da utilização dos funcionários existentes, ainda que tenham tido opção política diferente da que acabara de surgir na liderança autárquica. Então para que servem as leis disciplinadoras?
Não conhecemos em profundidade as autarquias vizinhas, mas reconhecemos avanços em relação à covilhanense. Porquê? Qual o motivo porque o ex-autarca albicastrense, Joaquim Morão, e antes autarca idanhense, foi uma personalidade sempre querida pelas suas populações, saindo pela porta larga da “catedral”? Na Covilhã, ganharia com maioria absoluta! Fica a reflexão.
Na parte que toca à atual autarquia covilhanense, socialista, temos muita pena de ter de dizer que os objetivos não foram minimamente cumpridos, e, como já havíamos alertado em tempos, há que refletir se esta força política insere no seu seio pessoas à altura desta nobre missão, servindo as populações, em vez de se guerrearem interna e extramuros. Para além da assinalável parte cultural, onde estão as empresas anunciadas para substituir algumas que se transferiram? Mas a parte mais negativa vai para os aspetos nebulosos em que tiveram atuação desastrada, quando, afinal, se acusava o anterior executivo.
Os social democratas conseguiram reunir algumas das suas tropas que haviam desertado por força dum general sem rumo na fase final do seu anterior mandato, que passou a castigar, sem rei nem roque, quem ao mesmo não venerasse. Afinal, se verificarmos o séquito de muitos do seu anterior exército, vários foram os que foram “passados à espada”. É que o general, então, não soube escolher os seus soldados.
Surge à ribalta uma personalidade, sobejamente conhecida a nível nacional, que já disse não ir dizer mal de ninguém, e, como covilhanense que é, ainda que não residente na mesma, propõe-se manter a ordem não reinante. Será que vamos ter o homem certo no lugar certo? Se assim for, suba ele ao palanque, imponha a espada de D. Afonso Henriques, o engenho de Nuno Álvares Pereira, e as descobertas da égide do Infante D. Henrique. Se todos têm amor à Covilhã, faça-se como D. Manuel II, que, apesar do seu exílio nos arredores de Londres, ainda sem problemas de Brexit, foi um grande patriota.
Sejamos nós, também, grandes Covilhanenses, mas de verdade!

Voltaremos ao assunto quando oportuno.

(In "Notícias da Covilhã", de 13/04/2017)