19 de outubro de 2017

1.º ENCONTRO DE ANTIGOS MORADORES DE DUAS RUAS DA COVILHÃ

Já há algum tempo que os covilhanenses; num aumento considerável de adesões, nostálgicos dos tempos da sua vivência entre os vizinhos e amigos de outros tempos, da infância à juventude, e não só, todos nós mortais, mas na réstia de encontros dos ainda vivos; se vêm avivando no gerar de encontros de amizade. É que, de facto, a amizade é uma verdadeira festa.
Já conhecemos os célebres convívios das “Amigas da Travessa do Viriato”, que contam já com o 6.º encontro.
Desta vez, coube a iniciativa de Manuel Valentim, da Rua Vasco da Gama, estender o convite de colaboração ao José Proença Mendes, da Rua do Serrado (diga-se, moradores de outros tempos) e, vai daí, a realização no passado dia 14 de outubro, de um interessante 1.º Encontro de Antigos Moradores das Ruas Vasco da Gama e do Serrado, na Covilhã.
Os mais de sessenta presentes neste encontro, alguns deslocando-se propositadamente de Lisboa, Vila Franca de Xira e outros locais, deram, ao mesmo, sãos momentos de franco convívio, reforço de velhas amizades, memórias contadas de momentos de saudade de tantos que há muito não se viam.
Após a receção no Largo das Forças Armadas (também conhecido por Largo de São João de Malta), foi a visita à Igreja de São João de Malta, paróquia de S. Pedro, onde muitos dos presentes frequentaram a Catequese e ainda se recordavam das “senhas” que o então pároco, Padre José Domingues Carreto, entregava às crianças, após a missa, as quais, pelo Natal, serviam para trocar por peças de vestuário e calçado, no então Salão Paroquial, sediado na cave da Igreja.
Seguiu-se um cortejo, a pé, uns; outros de automóvel; pelas ruas já referidas, para desfrutar de novas paisagens e recordar resquícios do que era anteriormente, tirar fotografias até que foi a altura do almoço-convívio num restaurante do Sul destas ruas.
E, assim, saiu a exigência de um 2.º Encontro para o próximo ano, se Deus quiser.

João de Jesus Nunes
jjnunes6200@gmail.com

(In "fórum Covilhã", de 17/10/2017; "Notícias da Covilhã", de 19/10/2017; "Jornal do Fundão", de 19/10/2017; e  "O Olhanense", a publicar em 01/11/2017)


12 de outubro de 2017

CIDADANIA

Não está no espírito deste periódico tomar partido na defesa ou repúdio por qualquer força política, insurgir-se na religião que qualquer um professe, ou no seu sentimentalismo desportivo.
Isto não coloca fora deste contexto o pluralismo de opinião, numa vertente de bom senso, não podendo, de forma alguma, ferir a suscetibilidade do cidadão comum.
Este texto, redigido antes de 1 de outubro, irá sair no Combatente da Estrela já depois do ato eleitoral para as autárquicas consumado.
Espera-se, assim, que o vencedor das eleições, para os vários órgãos autárquicos, venha defender acerrimamente o nosso concelho, colocando-se, sem peias, ao serviço dos covilhanenses, quer de raiz quer de coração, que escolheram esta terra para viver.
Compreendemos que não é fácil resolver contendas, depois de lutas intestinas, sem haver a tolerância que se deve impor, ainda que muitas vezes custa optar por ela face a arestas que ainda é preciso limar devido a escárnios e humilhações que houve, mormente pela via das redes sociais, chegando-se ao ponto de ofensas escusadas, e ao caricato de encontramos uma linguagem desprovida de discernimento, onde até os erros ortográficos, mormente no Facebook, são de bradar aos céus. Por aqui muitas vezes se avalia como vai a cultura de certas pessoas bem-falantes.
Independente de pontos de vista diferentes, como é normal em democracia, queremos que o vencedor destas eleições venha a servir a Covilhã e seu Concelho, e que as oposições que venham integrar-se na edilidade, se unam nos esforços por uma Covilhã mais próspera e se eliminem aqueles traços de desunião, verdadeiramente perniciosos à vida do Município, o que quer dizer, em flagrante delito com os interesses de todos nós, munícipes.
É do Evangelho cristão aquela frase de Jesus Cristo, segundo São João, capítulo 8, versículos 1 a 11, sobre a mulher adúltera: “Aquele que não tiver pecado atire a primeira pedra”.
Portanto, esperemos que a nova Câmara e as Juntas e Uniões de Freguesia do Concelho se unam num esforço para o bem comum e se eliminem as guerrilhas até então existentes nalguns casos, como já atrás referimos, mas não é demais repetir.
Todos são úteis – eleitos e oposição –, respeitando os pontos de vista de cada um na defesa do coletivo e não do individual.
Vem tão a propósito a introdução no ensino, pelo governo português, da disciplina Cidadania e Desenvolvimento, no âmbito da Estratégia Nacional para a Igualdade. Foi uma medida que este ano, na fase piloto, vai abranger 235 escolas, mas no próximo ano letivo pretende-se que seja alargada aos restantes estabelecimentos de ensino.
A Covilhã foi uma das cidades escolhidas para esta fase piloto, através da Escola Quinta das Palmeiras, já vista como “um exemplo”, pelo que, na manhã do dia 15 de setembro, estiveram neste estabelecimento de ensino, na cerimónia de apresentação, os governantes Eduardo Cabrita, ministro Adjunto; Tiago Brandão Rodrigues, Ministro da Educação; e Catarina Marcelino, secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade; assim como o secretário de Estado da Educação, João Costa. Quiseram assim “mostrar a importância de implementar uma estratégia que promova uma sociedade mais justa, mais inclusiva e que rejeite a segregação e as desigualdades de género”.
Bom, nesta fase inicial, a disciplina começa a ser lecionada nos anos iniciais de cada ciclo de ensino, ou sejam, o 1.º, o 5º, o 7º e o 10º ano dos estabelecimentos de ensino que integram o Projeto de Autonomia e flexibilidade curricular. No caso do concelho da Covilhã, o Agrupamento Pêro da Covilhã, a Escola Campos Melo e a Escola Quinta das Palmeiras.
Segundo o governante Eduardo Cabrita, a área da educação é decisiva, pela capacidade para chegar a todos, “garantindo que a igualdade de oportunidades se desenvolve desde os primeiros níveis de escolaridade”.
E Catarina Marcelino manifestou-se no reforço da necessidade de nas escolas se passar para lá das matérias tradicionalmente formais, para se evoluir para uma sociedade mais democrática.
E assim serão tratados assuntos como a igualdade do género, a interculturalidade, o desenvolvimento sustentável, a educação ambiental e a saúde irão ser abordados em todos os graus de ensino; bem como a participação democrática, literacia financeira e educação para o consumo, sexualidade, media e segurança rodoviária. Num outro grupo instituído remete para o empreendedorismo, mundo do trabalho, segurança, defesa e paz, assim como bem-estar animal ou voluntariado.
A disciplina Cidadania e Desenvolvimento é obrigatória.
Pretende-se assim apostar num ensino de qualidade, visando também uma igualdade de oportunidades no plano territorial. Considerar assim que o Interior, onde nos inserimos, não é um espaço de assistencialismo nem de fatalismo, mas sim, segundo o Ministro da Educação, “um espaço de excelência e de oportunidades”.

Assim esperemos que a Covilhã possa sentir os benefícios da introdução da “Cidadania e Desenvolvimento”, no nosso Ensino.

(In "O Combatente da Estrela", n.º 108,  outubro/2017)

10 de outubro de 2017

AQUELE AGOSTO DE 1968 NA COVILHÃ

Estava longe de pensar o que se preparava de agitação na cidade dos lanifícios. Encontrava-me a caminho do términus do 2º. Ciclo do Curso de Sargentos Milicianos, no Regimento de Artilharia Ligeira nº 4, em Leiria. Para aqui vim por obrigação militar, depois de ter completado o 1.º Ciclo no CISMI, em Tavira. Uma das minhas preocupações era tirar uma boa nota no curso; tentativa de evitar uma mobilização para as Colónias (então designadas Ultramar), o que veio a acontecer. Isto porque as mobilizações começavam pelas classificações mais baixas. Terminei assim a vida militar no RI 12, na Guarda.
Era o tempo da ditadura: “Tudo pela Nação, nada contra a Nação”, o que mais propriamente significava, “Tudo por Salazar (ou Marcelo Caetano), nada contra Salazar”. Quando menos se esperava, elementos anónimos da PIDE espreitavam a qualquer canto, por qualquer apercebimento de que “este é dos do contra”. Vai daí, toca a deitar a mão para interrogar, torturar para obrigar a informar, castigar, para recear e não voltar…
Sendo contra elites, logo comecei a ficar incomodado, obviamente sem manifestações. Foi-nos recomendado, duma forma sub-reptícia, ainda na formação, de que não nos deveríamos misturar, na rua, com os outros militares do contingente geral, uma vez que éramos instruendos milicianos; e o comandante da unidade militar não gostava desta nossa conduta.
Por vezes arriscava conversar com alguns meus conterrâneos, alguns mesmo antigos colegas da escola e amigos; um ou outro me avisava, ao avistarem algum oficial superior da formação, daquela infeliz recomendação, para que me afastasse.
Terminado o curso e ali colocado, iniciei funções de formador na especialidade de escriturário. Foi para mim uma excelente ocasião para me aperceber, de vários recrutas, desabafando na confidência de notícias que me transmitiam, do que se passava em determinadas redações de jornais e no único canal da RTP, em Lisboa; assim como no Rádio Clube Português, Rádio Renascença e Emissora Nacional, onde colaboravam; notícias essas contra a ditadura, no anonimato, obviamente. Tudo, para mim, era de certo modo um mistério.
Os meios de comunicação social eram totalmente diferentes dos de hoje. Nem todos ainda tinham televisão em casa. Não havia telemóveis, o fax ainda não tinha surgido, e muito menos os computadores, os emails…, as redes sociais…; as chamadas telefónicas eram interurbanas. O stencil era o que servia para passar a papel as ordens de serviço das unidades militares, como duplicador, já que as impressoras de hoje eram uma miragem. O meio de contacto com a família e a namorada era a carta, eventualmente o telefone caro ou o telegrama quando de um assunto urgente se tratasse.
Daí que não me apercebi da revolta dos estudantes em França, no célebre maio de 68, e, porque só depois do 25 de abril 74 se rasgaram os véus da ignorância forçada, do obscurantismo (felizmente que já não ouvimos, há muito tempo, esta palavra…), viemos a ter conhecimento que na Covilhã se preparava um assalto político, através de militantes ativistas da LUAR – Liga de Unidade e Ação Revolucionária, cujo mentor era Hermínio da Palma Inácio. Soubemos do seu assalto ao Banco da Figueira da Foz; do desvio do Paquete Santa Maria, por Henrique Galvão; e do assassínio do General Humberto Delgado e secretária, pela Pide. Mas da Covilhã pacífica, para além de greves dos operários da indústria local, e de vários presos políticos, nem nos passava pela cabeça que alguma tentativa viesse a acontecer.
Houve a sorte pela parte dos covilhanenses de terem surgido um conjunto de acidentes e acontecimentos inesperados para que a Covilhã não viesse a ser tomada de assalto em agosto de 1968. O plano direcionado pela LUAR, movimento este considerado pelo Estado Novo de terrorista, mas que tão só se opunha ao mesmo Estado, previa ações armadas na cidade dos lanifícios.
Foi no livro “Uma Nova Concepção de LUTA”, de Fernando Pereira Marques, elemento que integrou a LUAR; e englobado na coleção Ephemera – Biblioteca Arquivo do escritor José Pacheco Pereira, que vieram a lume as memórias desta tentativa de assalto.
Do assalto, a ser bem-sucedido, constava que os mais novos (como o autor deste livro) e menos responsáveis, distribuiriam um panfleto e colariam um cartaz nas paredes, de apoio
às greves operárias. Para o êxito desta distribuição, tinha havido uma previsão por parte dos ativistas para neutralizar a GNR e a PSP, para além de passarem uma mensagem gravada no posto da Emissora Nacional, bem como “recuperar fundos” nas agências bancárias. Depois de tudo consumado retirar-se-iam. A opção pela Covilhã, em termos de assalto, deve-se ao facto de ter sido uma cidade operária; e a retirada dos ativistas em segurança e com o risco de perseguições anulado, foi um dos motivos escolhidos pela LUAR. A cidade da Covilhã seria então isolada dinamitando umas pontes e acessos, aquando da retirada, já que os responsáveis da LUAR sairiam através de transporte aéreo, via o extinto aeródromo da Covilhã. Depois, uns regressariam aos locais onde mantinham atividade clandestina e outros rumavam à fronteira com o auxílio de passadores.
Tal só não surgiu porque Palma Inácio foi surpreendido por um acidente de viação, antes da chegada, e também a uma série de outros acasos. Estes relatos encontram-se registados no livro atrás referido (páginas 77, 109, 119, 129, 156, 188 e 241).
Também na página 277 se regista o facto de, em fins de 1971, terem vindo do estrangeiro para ingressar nas fileiras da LUAR, uma quantidade considerável de militantes, entre os quais Carlos Jesus Barata (Carlos Gordo), nascido em 1951 na Covilhã e que faleceu num acidente de trabalho após o 25 de abril de 1974.
Outra figura, sobejamente conhecida na cidade covilhanense, referido na página 248, que fora meu colega na Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã, conjuntamente com seu irmão, João Riscado, nos anos 60 do século passado, onde tirou o Curso Geral do Comércio, já falecido, mais tarde envolvido no meio empresarial, com falência de empresas, conhecido pelo Ajax, de seu nome José Manuel Riscado Pereira Monteiro, mas natural de Alcains, viria a ser um dos elementos da LUAR que constituíam a sua rede de apoio no País. Como tal, efetuou vários encontros com o Hermínio da Paula Inácio em Paris e próximo de Salamanca. Foi este elemento de apoio quem passou clandestinamente, na fronteira luso-espanhola, Palma Inácio e outros elementos da LUAR; e os transportou na sua própria viatura desde Vilar Formoso até Lisboa.  A sua ação de apoio levou ainda Palma Inácio a Mira de Aire, uma região dos lanifícios, para que fosse feito o reconhecimento da localidade e dos bancos que ali existiam, para um assalto à mão armada. Além de outros apoios à LUAR, após as primeiras prisões, transportou também na sua viatura, até à fronteira com Espanha, um ativista da LUAR, para que este pudesse fugir à ação policial, seguindo assim clandestinamente para o estrangeiro.


(In "fórum Covilhã", de 10-10-2017)

4 de outubro de 2017

OS NOVOS GOVERNANTES DA AUTARQUIA COVILHANENSE

Na grelha de partida se perfilaram os seis candidatos à corrida autárquica (BE, CDS/PP, CDU, DE NOVO COVILHÃ, PSD/PPM e PS), sendo que na pole position acabaria por ficar o candidato VITOR PEREIRA, agora elevado a novo Presidente da Câmara Municipal da Covilhã, na sua recandidatura, com assaz mérito.
Dos 46.837 eleitores do Concelho da Covilhã, verificou-se uma abstenção de 38,14 por cento quando em 2013, com 49.773 eleitores se havia verificado uma abstenção de 42,2 por cento. Esta continuada redução de eleitores, e, consequentemente da população no Concelho, deve passar a preocupar o novo líder do Município Covilhanense, ainda que a abstenção tivesse baixado.
Mas nem sempre quem se adianta primeiro, na convivência com toda a população, é o que ganha a contenda política, mas sim aquele que merece verdadeira confiança, na proximidade dessa população, pelas palavras e atos mais perto da sinceridade, porque ao povo já não se lhe consegue pôr uma venda nos olhos, mas só àqueles que não querem mesmo ver.
Depois de muita tinta ter corrido, entre os dois principais adversários (DE NOVO COVILHÃ e candidato do PS), ao longo do anterior quadriénio de poder autárquico na Covilhã, é altura de se dissiparem todas as brigas havidas, mais por culpabilidade do candidato Carlos Pinto, humilhantemente vencido. No entanto, os atos por este cometidos, de âmbito judicial, devem continuar a merecer a reparação da justiça.
Volto assim a referir o que escrevi em 1 de outubro de 2013, para as anteriores eleições: “O socialista Vitor Pereira, persistente quão afável, soube convencer os covilhanenses que afinal a democracia é de primordial importância na vida de todos os que querem viver em concórdia”. Mais tarde também me manifestaria desacordado com alguma impaciência por uma certa passividade autárquica que me pareceu existir.
A reviravolta socialista que se dera então em 2013, no seio do município serrano, não obstante as agora continuadas tentativas para dar o volte-face por parte do candidato DE NOVO COVILHÃ, mas altamente defraudadas pelo castigo infligido pelos covilhanenses, em quem tanto confiava, deu os seus resultados, reforçando essa reviravolta com uma maioria absoluta de 46,41 por cento, muito por culpa de Carlos Pinto, e seus fragilizados apoiantes, agora este com o resultado de 18,16 por cento. Vitor Pereira vencera as eleições em 2013 com 37,52 por cento dos votos expressos, depois de em 2009 ter ficado em segundo lugar, com 27,86 por cento.
Carlos Pinto sempre rebateu Vitor Pereira, pelas formas mais incorretas, inclusive versando uma educação menos própria. Deleitava-se a apregoar que sempre derrotara este candidato, esquecendo-se que indiretamente foi pelo mesmo derrotado nas anteriores eleições, ao apoiar um outro candidato submissamente (na sua pessoa) independente; e que também já o fora por Jorge Pombo. É, assim, a sua terceira derrota autárquica. Como era de esperar, já afirmou que não vai integrar a vereação. Afinal, o seu amor à Terra na defesa dos seus interesses, deixa muito a desejar.
Em terceiro lugar ficou o centrista Adolfo Mesquita Nunes, também eleito, com aquela surpresa de o CDS conseguir um lugar na Câmara, em detrimento do PSD que, pela primeira vez, penso, não integra as fileiras camarárias, um pouco como o que se passou com este partido por todo o País.
João Casteleiro, que compõe a equipa dos socialistas que se apresentaram às eleições, será o novo presidente da Assembleia Municipal, tendo arrecadado uma vitória com 44,18 por cento dos votos.
Excetuando a U.F. de Peso e Vales do Rio, e Vale Formoso e Aldeia do Souto, que votaram para a Câmara em Carlos Pinto, todas as 19 restantes votaram em Vitor Pereira.
No que diz ainda respeito às freguesias e uniões de freguesias, o sorriso bateu à porta dos socialistas em nove dessas freguesias, das quais vieram a ser vencedores, quando em 2013 ganharam sete freguesias, e, em 2009, haviam só vencido em duas. Algumas com maioria absoluta.
Carlos Martins, da União de Freguesias da Covilhã e Canhoso, continua a ser o campeão das presidências de freguesia, que em 2013 ganhou com 46,87 por cento, depois de em 2009 ter ganho com 55,76 por cento. Desta vez volta a sair vencedor, mas sem maioria absoluta, com 40,92 por cento.

Vão assim integrar a nova Câmara, para os próximos quatro anos, cindo elementos do PS (Vitor Pereira, José Serra dos Reis, Regina Gouveia, José Miguel Oliveira e Jorge Gomes), juntamente com Carlos Pinto e Adolfo Mesquita Nunes.

(In "Notícias da Covilhã", de 05/10/2017)

27 de setembro de 2017

A MINHA ALDEIA – VILA DO CARVALHO

A história vai seguindo o caminho que lhe vamos difundindo ao longo do tempo. Ele vai correndo. Umas vezes mais lento, como as águas das ribeiras da minha aldeia, no estio; ou duma forma mais veloz, como a agitação das mimosas-acácias, na primavera, por alguns ventos.
A altaneira Pousadinha, lugar um tanto ou quanto alcantilado, onde nasci, teve o seu cordão umbilical na Aldeia do Carvalho (atualmente Vila do Carvalho); depois, ventos mais fortes levaram-na para Cantar Galo; mas uma outra ventania entrelaçou-a na União de Freguesias de Cantar Galo e Vila do Carvalho. Que raio! Já a esta lhe haviam subtraído uma parcela importante – o Canhoso – face à sua independência. E, assim, se transformou geograficamente esta aldeia, hoje vila.
Em agosto, o carvalhense José Salcedas Rogeiro, que saiu da sua Terra com quatro anos de idade, apresentou, com grande galhardia, as memórias desta freguesia global, sob o título “Aldeia/Vila do Carvalho – Das Origens Medievais ao Ano de 2010 – Uma Evocação”.
Deixei a Pousadinha, onde nasci e residia, naquele sábado de 12 de fevereiro de 1955, quase a completar 9 anos, rumo à Covilhã.
Memórias deste local panorâmico, implantado como que de um presépio se tratasse; e de Aldeia do Carvalho; não ficam na penumbra do tempo.
Decorria ainda a I Grande Guerra. João de Brito, pedreiro, que residia na Pousadinha, ali casou com Rita Passarinha, covilhanense, que residia à Fonte das Galinhas. Não aprenderam a ler e escrever. O trabalho infantil atraía, mormente na monoindústria – os lanifícios – uma féria para colmatar brechas na economia do lar, onde os recursos dos pais eram escassos. Aos 52 anos o casal comprou um pedaço de terra naquela encosta da serra. Aí fizeram uma pequena casa de altos e baixos. João fartava-se de trabalhar, aparelhando a pedra, fazendo os alicerces. Depois de tudo pronto, aos domingos metia homens para subir as pedras. Como não tinha dinheiro para pagar ao pessoal, Rita ia para o mercado da Covilhã vender galinhas, transportando-se numa burra. Quando já não havia casa para construir, existiam as hortas para tratar, uma courela, aquela leira para deixar o alfobre, já que, em tempo de ainda se poderem cultivar os cereais, existia a eira, e o recordar da ceifa, com a utilização dos manguais.
Luz, água e saneamento, naqueles anos das décadas de 30 a 50 do século passado, eram uma quimera.
José Martins Nunes, então regente escolar do curso noturno da Casa do Povo do Bairro do Rodrigo, foi colocado na Borralheira (Bairro de São Vicente de Paulo), no então criado Posto Escolar Masculino, em 12 de fevereiro de 1938, ficando assim com dois cursos. Depois de passar pela Escola Central da Covilhã, em outubro de 1945 foi colocado na Escola Masculina de Aldeia do Carvalho, com a 2.ª e 4ª. classes, como diretor escolar. E, assim, nas poucas horas vagas, ainda dava aulas particulares a rapazes e raparigas na Pousadinha, onde casara e passara a residir.
Ainda hoje, um ou outro seu antigo aluno, recordam o professor do seu tempo.
A então falta de luz elétrica, e maus caminhos, na Pousadinha, tornavam-na uma zona de difícil acesso, principalmente para viaturas. Quando havia um acidente, ou um incêndio, face à fragosidade do terreno, era de temer. À noite, uma escuridão. Somente no horizonte aquele luzeiro da cidade e das freguesias vizinhas; o luar, ou as miríades de estrelas no firmamento. De dia, uma zona paradisíaca, com os muitos pomares, animais de capoeira, e, na rua, pombais, e um infindável prazer de vida.
Decorria o dia de inverno de 18 de janeiro do ano 1952 quando, na Pousadinha, pelas 19 horas, já noite escura, assisti, aterrorizado, ao alarme dos habitantes, face aos gritos alucinantes que, do Alto das Lapinhas se ouviram. Muitas pessoas com candeeiros e archotes, entre os quais os vizinhos Mário Eufrásio, D. Conceição, e as filhas, Lucinda, Zezinha e Angelina, acorreram ao local e depararam com o jovem de 14 anos, Mário da Conceição Rodrigues, que todas as tardes passava com um sorriso nos lábios à minha porta, havia sido vítima de desastre, fraturando o crânio com um pinheiro que transportava para lenha, e lhe caíra em cima. Transportado pelo pai para sua casa, a poucos metros do local do sinistro, veio ali a falecer. Ficou escavada numa rocha uma cruz assinalando o triste acontecimento. Em maio de 2013 procurei no local essa memória granítica, com a ajuda da atual proprietária do terreno, natural de Verdelhos, e, por debaixo de caruma, não é que ainda lá está, volvidos mais de seis décadas?
Quando havia um incêndio nalguma casa; onde numa ficou uma criança, e gado, carbonizados; era um espetáculo dantesco.
Aos domingos era o dia de ir à missa, vestindo os fatos domingueiros. E lá se ia, a pé, por terra batida, até à Igreja de São Vicente de Paulo, na Borralheira, ou então, mais frequentemente, à antiga Igreja de Aldeia do Carvalho (cuja padroeira é Nª. Sª. da Conceição). No final da missa, havia sempre um leilão de ofertas que faziam os paroquianos, a favor da Igreja, enquanto à porta, um habitual feirante, vendia bolos. Do leilão, entre os quais havia cabritos, via-se o velho sacristão António Vicente, a coxear, de açafate na mão e opa vermelha vestida, depois de ter vindo da taberna do Zé Patareco. De tarde, quando havia futebol era altura de “ir à bola”. No regresso, nas tabernas ouviam-se os comentários “daquela defesa incrível do António José” (depois, o Rita); “os dribles estonteantes e potentíssimo remate do francês Simonyi”; mais tarde do espanhol Suarez e do brasileiro Tonho (eu que só ouvia falar nos “Tonhos do Pelourinho”…).
Era o tempo do pároco António de Oliveira Pita, com o qual eu fiz a minha Primeira Comunhão. Tinha uma mota com que se fazia transportar. Depois foi o Padre José Nabais Pereira que gostava de futebol (mais tarde seria meu professor de Canto Coral, na Escola Industrial). Aquando do batizado do meu primo Tó Zé Brito, pediu-nos para irmos mais cedo porque queria ir ao Santos Pinto assistir ao jogo do Sporting da Covilhã com o Benfica. Contentei-me por ouvir o relato na telefonia da única taberna que existia na Pousadinha, do Francisco Oliveira. Os leões serranos ganharam o encontro por 2-1.

Muito haveria para contar, mas não cabe neste espaço. Não esqueço os muitos pirilampos que, por esses caminhos fora, em direção à Pousadinha, se viam à noite, e as flores campestres, bem como o cheiro campesino.

(In "Notícias da Covilhã", de 28/09/2017)

25 de setembro de 2017

POR QUE VOU VOTAR PS

É óbvio que as eleições para as autarquias têm como ponto da maior referência o candidato que se vai apresentar para a liderança dos destinos do seu espaço autárquico, nas várias vertentes do genuíno interesse dos seus eleitores e das populações aí residentes.
Olhar exclusivamente para a época do festival das campanhas eleitorais e pré-eleitorais, onde a realidade versa quantas vezes o ridículo dos apaniguados, muitos deles à procura do tal dito tacho, nas variadíssimas oportunidades que emergem do eleito, é francamente duma escassez de tempo.
Muito tenho escrito, em várias publicações, sem peias, ao longo dos anos, sobre condutas de alguns dos alcandorados nos órgãos do poder, sejam elas no âmbito da positividade, ou do lado deduzido negativo. Por vezes também me posso enganar no momento, no meu conceito, e depois outras luzes vêm dissipar o precedente mal-entendido, ou porque veio a ser retificado.
Mas a observância ao longo do maior tempo possível dum candidato é crucial para uma escolha o mais acertada possível, pois um quadriénio pode ser o tempo de vida de uma pessoa.
E é preciso ter presente que todos podemos cometer erros voluntária ou involuntariamente, e, por isso, há que conscientemente olhar para dentro de si quando se acusa o adversário (geralmente considerado mais inimigo) por vias que merecem o maior repúdio, ou seja, o anonimato, na pusilanimidade dos falsos perfis das redes sociais, na linguagem pouco vernácula, que é de bradar aos céus. Não sei como um vencedor desta estirpe pode depois confrontar todos (pessoas e empresas) de quem foi tão maldizente. Jamais será este o meu candidato.
Todos os restantes, respeitáveis, mas sem possibilidade, segundo penso, de tomarem assento para além de vereador, tomo como opção quem já conheço nos destinos da autarquia, que também já critiquei, mas que é isento de arrogâncias, não se refugia em anonimatos, conseguiu reduzir o grande défice autárquico, também conseguiu obra, que mais não fosse reparar o que o seu antecessor deixou mal concebido.
O candidato mais novo, com experiência governativa, mas sem conhecimento autárquico, residindo fora do concelho, onde os meandros das dificuldades do quotidiano se elevam, ficou também fora das minhas opções para as eleições autárquicas.
Por último, estou agora de algum modo convicto que o atual governante do nosso concelho e pretendente à continuidade, face à equipa que o acompanha, nos vários órgãos autárquicos da sua candidatura, merece a confiança dos covilhanenses para novo mandato. Por isso, o meu voto será no Partido Socialista.

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@@gmail.com

12 de setembro de 2017

A FRAUDE

Fraude (in “Dicio - Dicionário Online de Português): logro, falsificação de produtos, documentos, marcas, etc.; qualquer ação ilícita, desonesta, ardilosa que busca enganar ou ludibriar alguém. Contrabando; inserção de mercadorias estrangeiras sem o pagamento de impostos: fraude tributária. Não cumprimento de um dever, de uma obrigação. (Figurado) Que não é verdadeiro; pessoa falsa.
Não é novidade este estratagema de tentar enganar alguém, geralmente em proveito próprio, ou de empresas ou instituições onde se insere o beneficiário da fraude.
Ontem e hoje foram várias as fraudes, ou tentativas, que chegaram ao conhecimento do público, e prosseguirão no amanhã se não houver um feroz combate a este flagelo.
Notícias publicadas na comunicação social, na vertente de papel ou online, são exemplos: lavagem de dinheiro gera dívida de dez milhões da TAP a Angola; Cristiano Ronaldo é acusado de ter criado uma sociedade para defraudar o fisco espanhol; fraude de 667 mil euros em três farmácias; fraude milionária paga vida de luxo; seis pessoas constituídas arguidas por suspeitas de fraude ao SNS; antigo vice-reitor da Independente condenado por fraude; “rei dos tecidos” foi “mentor da fraude”.
Este tipo de exemplos são os mais visíveis, mas existem outros conduzidos duma forma sub-reptícia para alcançarem os seus objetivos: marcação de assembleias gerais em que, depois, todos os órgãos sociais combinam não comparecer, exceto dois elementos, para que não haja quórum. Depois, na seguinte, comparecem só três. É um outro exemplo.
Tipos de fraudes e crimes na Internet são variados. São realizadas em todos os cantos, desde sites de leilões até fraudes de software. Antes da era da Internet, grande parte destas formas de fraude eram realizadas diretamente ou via correios, minimizando os riscos. Hoje em dia, com gente disposta a dar a sua informação de cartão de crédito online, ficou mais fácil do que nunca acontecer uma fraude.
Já senti na pele uma fraude, por via dum habilidoso “amigo”, que depois reparou o logro. Também, ao longo da minha vida profissional, me deparei com tentativas de fraude, por vezes emergindo de pessoas consideradas de grande reputação na sua honestidade, mas que foram resolvidas sem colisão entre as partes; outras, tiveram que ser denunciadas oficialmente.
Pois é, temos que combater este tormento, pois a fraude é tentadora. E ela vai surgindo na via informática, e nas fraudes bancárias online.
Uma fraude é um esquema ilícito ou de má fé criado para obter ganhos pessoais, apesar de ter, juridicamente, outros significados legais mais específicos. Há dois ditados brasileiros interessantes que dizem: “Cada dia sai um trouxa e um esperto de casa. Se eles se encontram, sai negócio”; e “O mal do malandro é achar que todo o mundo é otário”.
O Observatório de Economia e Gestão de Fraude (OBEGEF) publicou recentemente um estudo pioneiro, a nível mundial, que se destina a aferir a perceção de fraude dos portugueses em determinadas dimensões. Esse estudo, para o ano 2016, teve por base a recolha de cerca de 1210 inquéritos, sendo que os responsáveis escolhidos representam, por si só, as principais caraterísticas da população portuguesa. O objetivo é a construção anual de um índice de perceção de fraude (IPF) em Portugal, e comparar esse valor ao longo dos anos e com as suas respetivas dimensões.

Segundo Manuel Carlos Nogueira, in Público, “não podemos afirmar que a fraude tem aumentado e que o sistema de Justiça não a combate de uma forma eficaz”. Apesar da fraude ser um fenómeno de difícil avaliação, é referida a importância de ser estudada porque, ao se procurar mensurar, nem que seja através da sua perceção e avaliar o risco da fraude, podem-se melhorar as ações de prevenção e combate. Por outro lado, serve também para alertar os possíveis interessados de que, sem se ter uma noção quantificável, tende-se a ignorar ou minorar os riscos. Assim, consequentemente, os prejuízos que podem ter que suportar. Não se trata de quantificar a fraude em Portugal, mas tão só a avaliação da perceção da fraude.
Algumas conclusões foram obtidas deste estudo, a saber: as mulheres têm uma perceção de fraude superior aos homens; as populações residentes no interior do país, no Alentejo e no Algarve, têm uma perceção de fraude superior à média nacional; os habitantes do litoral percecionam menos a fraude; de todo o interior do país, é no Alentejo que a perceção da fraude é superior; a perceção da fraude é menor na Grande Lisboa. No que diz respeito ao grau de escolaridade, os extremos tocam-se, isto é, quem possui menos escolaridade ou quem possui escolaridade de nível superior tem uma perceção de fraude menor do que quem tem o 12º como o máximo de escolaridade. No que concerne ao status social existe diferentes classes homogéneas, mas se falarmos em profissão são as donas-de-casa que têm uma perceção de fraude mais elevada. Por outro lado, os que sentem uma perceção de fraude mais baixa são os estudantes. Verificou-se que, no respeitante ao estado civil, são os viúvos que sentem a perceção de fraude mais elevada. Uma preocupação reside no facto de, globalmente, se sentir uma perceção de fraude a aumentar em Portugal.

Depois, objeto de grande reflexão, independentemente da faixa etária, da região de residência, do status social ou do nível de escolaridade, a maioria dos portugueses não acreditam no funcionamento do sistema de Justiça, no combate à fraude.

(In "fórum Covilhã", de 12/09/2017)

30 de agosto de 2017

PINÁCULO DA VERTENTE DE INCÊNDIOS

1 Verão horrível. As sirenes já não tocam nos quartéis. Os bombeiros não conseguem lá parar. Estão na faina mais que habitual dos incêndios. Exaustos por essas serras, por essas florestas de pinheiros e eucaliptos e de muito mato; muitas zonas íngremes e de difícil acesso. Ouvem-se as sirenes a uivar, sim, das viaturas dos bombeiros a caminho de mais um fogo, outro, e mais outro. Não há descanso para os soldados da paz, mas também para o diabo que não veio em setembro passado, conforme o líder das hostes contrárias anunciou, mas chegou agora. É o satanás destes momentos de sobressalto em muitas gentes deste Portugal sofredor. E o inferno não pensado, deste tamanho, foi avassalando por este País fora. Aviões e helicópteros a despejar água sobre os fogos enquanto é possível. O socorro contínuo emana das viaturas de combate a incêndios. Populações aflitas com os seus haveres. Algumas gentes numa teimosia de preferir que se avizinhe o perigo demoníaco das chamas, a abandonar a casa e os animais. Presidentes das autarquias na linha da frente para dar o brado alarmante do inferno no seu concelho, na sua freguesia; aquela enorme extensão de área ardida, que se reacende, não se sabe por que diabo tal aconteceu! É insólito em Portugal esta avalanche de fogos seguidos, como que combinados!
Chegaram a emergir, num só dia, mais de duas centenas de incêndios neste pobre País. Milhares de hectares consumidos pelas chamas. Batemos o record de fogos surgidos, em relação a toda a Europa. O que é isto?!
Ambientalistas criticam falta de medidas para combater a seca, com enorme percentagem da severa e extrema. Peritos propõem câmaras de vigilância e máquinas de limpeza das florestas. Outros, fazem recomendações sobre a reforma florestal. Fazem-se declarações preventivas de calamidade pública em muitos concelhos do País. Os jornalistas vão dando conta in loco, do que vai acontecendo, várias vezes nos canais de televisão, que preenchem a maior parte do tempo dos seus telejornais, e não só, sobre estes eventos trazidos por Lúcifer.
 E lá apanharam alguns partidários do Maligno, perto duma centena – pirómanos, não, porque segundo Cristina Soeiro, Chefe do Gabinete de Psicologia da Escola da PJ, em Portugal nós não temos pirómanos –, mas sim incendiários (aquele que pratica o ato de colocar fogo com intenção), que divide em três grupos: os detidos com problemas psiquiátricos; os que agem em busca do benefício próprio; e os que buscam vantagens pessoais ou profissionais.
2 Mas, bolas, isto vai acontecendo todos os anos, na época de incêndios por que se passou a designar o Verão. Há 27 anos, por esta altura, deu-se o grande incêndio da Serra da Estrela, em que houve uma vítima mortal no Parque de Campismo do Pião. Falou-se em prevenção. Não me lembro se se terá falado na reorganização da floresta. Mas recordo-me que, há 14 anos, nos primeiros dias de agosto de 2003, quando arderam 300 mil hectares no nosso País, a VISÃO fez uma entrevista a Gonçalo Ribeiro Teles, que não perdeu um pingo de atualidade. Continuam, ano após ano na permissividade da celebração do eucaliplal, nada se aprendendo com o que se vai passando todos os anos, e, passado este período crítico, altamente severo, voltam-se aos temas, sem solução, da floresta de eucaliptos e pinheiros, as falhas da proteção civil, a falta de condições de trabalho dos nossos bombeiros. E o resultado desta operação é que o País está completamente desordenado. Viu-se agora com os milhares de incêndios que assolaram o País.
Pedrógão: evacuações foram feitas às cegas e sem coordenação. Um quarto dos municípios não tem plano contra incêndios, alerta a Quercus.
José Massano Monteiro, professor da Escola Superior Agrária do IPCB, e membro sénior da Ordem dos Engenheiros e Colégio de Engenharia Florestal, em entrevista recente a um semanário desta região, disse que “é urgente que se recorra cada vez mais à engenharia florestal e cada vez menos à indústria do fogo (ao mero combate)”.
 E, mais uma vez, a pergunta: como foi isto possível? Talvez a resposta: Administração Interna e Proteção Civil não se entendem, serão como que umas organizações desorganizadas. Em vez de procurarem encontrar a solução para o problema, puseram-se a lamentar o problema endossando a culpabilidade de uns para os outros. E, nesta vertente de incêndios, bonda, como dizia a minha avó!
3 – Outros incêndios começaram. Noutra vertente. Política. As Autárquicas estão quase à porta. Muitas janelas já se escancararam para soltar os mais diversos gritos, os lampejos de lançar atoardas impensáveis, aos seus mais diretos adversários, que, para muitos, são mais propriamente inimigos. Que isto de política, neste caso vertente das autárquicas, há muitos amigos mas da onça.
Também Paulo Duarte, em artigo de opinião num semanário regional, inerente a um estudo que efetuou, constatou que “nos anos em que houve eleições o número de incêndios é sempre superior aos anos imediatamente anterior e seguinte, com exceção para 2013”.
Por todo o País, os partidos combinam-se em 26 tipos de alianças nas eleições locais.
Na Cova da Beira, é a Covilhã que apresenta maior número de candidaturas, num total de seis (BE, CDS/PP, CDU, DE NOVO COVILHÃ, PSD/PPM e PS). Viva a democracia!
Há uma panóplia de opções. Mas também a responsabilidade nas decisões, agora que já são sobejamente conhecidos os candidatos.
Nestas andanças, suponhamos que um candidato, durante muito tempo vagueou em perfis falsos e blogs anónimos, insurgindo-se com atitudes pusilânimes contra o líder da catedral. Como votar nele? Suponhamos que outro candidato, na sua ferocidade de não olhar a meios para atingir os fins, teve como baluarte a mentira, para onde penderá o meu voto? Temos presente a Barragem do Viriato, que alimenta a Cidade, e que um candidato alega que vai deixar de ter água dentro de um mês. Mas a edilidade afirma o contrário, que é só alarme eleitoral do adversário, tanto mais que a água nem sequer vai ser racionada. Quem for o autor da peta, como vai ser a minha confiança no voto do candidato desta patranha? Será que é o diabo que, no seu disfarce, aí vem, anunciado por Passos Coelho? E, como votar num candidato, em analogia com o que refere o ex-líder do PSD, Marques Mendes, desafiando os partidos políticos a proibirem as pessoas condenadas por “crimes especialmente graves” de serem candidatas a eleições?
É consciente refletir por que se fizeram obras a qualquer preço, se alhearam do endividamento, se marimbaram para a destruição de património histórico que jamais conseguirá ser reerguido. Como votar numa candidatura aqui inserida nesta responsabilidade?
Se a ida às urnas (ainda) está com alguma ligeira distância, o mesmo não se pode dizer das polémicas. E, por cá, também abundam: voltando à construção da nova barragem, já em 1992 se dizia na comunicação social que “nova barragem deve estar concluída em 1994”. Afinal, já lá vão 23 anos.
E, neste folclore político, em que os partidos preveem gastar quase 35 milhões nas autárquicas, melhor será fechar a caixa de Pandora. No dia 1 de outubro, vamos ver o que as populações exprimem de sua justiça.


(In "Notícias da Covilhã", de 31/08/2017)





8 de agosto de 2017

Uf!

Cheguei a este oitavo dia do oitavo mês do ano dois mil e dezassete da era de Cristo sem uma pinga de inspiração. Tal a caloraça e a seca. Que isto de noticiários vão sendo mesmo uma autêntica seca. A repetição das notícias do mesmo teor – incêndios, roubo de armas, aviões que matam pessoas na praia, para se voltar a uma retrospetiva de outros incêndios já passados, como o das Andanças – já que os drones, por enquanto, deixaram de nos assustar. Mas lamentando não se ter mão nesta gravíssima crise da proteção civil, das comunicações especiais – uma tal dona Siresp – que não funcionam, quando, na hora h, se deduzia que havia ali aquela ajuda salvífica. Mas não! A responsável pelo Ministério da Administração Interna onde estava? Aqui, falar sobre este assunto, tão badalado, é também já uma outra seca.
Até para o título desta crónica saiu uma expressão onomatopeica. Vamos continuar.
Considerando que está a decorrer a 79.ª Volta a Portugal em Bicicleta, volta-se a minha tardia inspiração para além-fronteiras (incluindo as imaginárias), e vemos que a palavra da atualidade – populismo – em Portugal continua impopular. É, pois, um olhar sobre este fenómeno que especialistas e comentadores internacionais se espantam com a falta de uma força populista relevante no nosso país. Segundo o jornalista António Rolo Duarte, do Público, “Na União Europeia, há mesmo apenas dois países onde o populismo continua a passar à margem a nível nacional. Portugal é um deles (o outro é Malta)”.
O deslumbramento com a normal discussão política entre os portugueses, ausentando-se do populismo, tem merecido especial atenção por parte de uma imprensa estrangeira. Dizem que se vive por cá como um “oásis de estabilidade”. Já António Guterres, no princípio deste ano, referiu-se assim: “Um grande orgulho, Portugal, um país onde o populismo não dá votos”.
A exceção portuguesa pode ser vista como um fenómeno positivo para o país. “O populismo tem como base uma divisão clara da sociedade em dois grupos homogéneos – as elites, que são inerentemente corruptas, e por isso devem ser excluídas, e o povo, que é puro e cuja vontade deve ser tomada como lei. Não é uma ideologia negativa em si”.
Se verificarmos, Nelson Mandela, por exemplo, usou o populismo para fins nobres.
Ideias comuns como o “país dos brandos costumes”, ou opiniões sobre o sucesso da “geringonça” terão servido para justificar um fenómeno que não é simples. Também a ausência de um aumento súbito de população estrangeira desde 1976, de números significativos de refugiados, e de crimes mediáticos associados à imigração (caso do terrorismo) leva as gentes portuguesas a não se sentirem ameaçadas. Apenas quatro por cento dos portugueses veem a imigração como um dos principais problemas do país (a média europeia é de 26 por cento). Portugal tem a segunda taxa de imigração mais baixa da UE.
Contudo, a usurpação da História, para fins populistas, colide em obstáculos de grande importância, no caso português. Vejamos: na memória coletiva, a nostalgia que envolve o império além-mar perde lugar para o grande trauma provocado pela Guerra Colonial. Deu assim ideia de um império com uma perceção negativa. O discurso nacionalista é hoje associado à opressão, à injustiça legal e social, e acima de tudo ao subdesenvolvimento que caraterizaram o Estado Novo.
Cá, no seio das nossas gentes, só nas últimas décadas António Marinho e Pinto teve algum sucesso com uma política populista. Foi uma situação episódica que se abateu em grande parte devido à sua inconsistência ao nível da presença política e desorganização em termos de dinâmica partidária. Muito mais haveria a dizer sobre populismo, mas importante é referir que a ilusão política portuguesa tem reduzido espaço para um novo partido. Da extrema-esquerda à direita temos cinco partidos sólidos, que ocupam bem o espaço ideológico. E, assim, o nosso país continua a ser exceção, numa Europa cada vez mais radical – um espaço onde o populismo é tudo menos popular.
Com tudo o que se tem passado, como atrás referido, o Governo passou um mau bocado, mas não parece atingido na sua popularidade nem na sua força política. Aliás, no plano estritamente político, pensamos que o país está parado. Não há nas três forças políticas que suportam o Governo nenhum movimento interior que conteste a atual aliança. Assim, vamos entrar na silly season.
Começam, no entanto, a soltarem-se os nomes dos integrantes das listas de cada candidato às autárquicas.

Lá para setembro será o foguetório antecipado de alguns, na presunção de que os foguetes não lhes rebentam nas mãos; para outros, a esperança de encontrar um lugarzinho na vereação. Das canas dos foguetes vão sair miríades de promessas. Esperamos, pelo menos, que algumas sejam cumpridas, no seu devido lugar.

(In "Fórum Covilhã", de 08-08-2017)

26 de julho de 2017

OS 100 ANOS DA BIBLIOTECA MUNICIPAL DA COVILHÃ

Está sendo comemorado o centenário da Biblioteca Municipal da Covilhã, que fora então uma lufada de ar fresco que as gentes covilhanenses quiseram dar à cultura citadina, no decorrer da primeira guerra mundial, em tempo de acentuada iliteracia (47 por cento era a percentagem de analfabetos entre os emigrantes, com 54 por cento de homens).
Sete anos após a implantação da República; no meio de uma crise política em que o Presidente da Câmara era José Maria de Melo Geraldes, e Veríssimo Alfredo de Sousa Brás, na renovação da Comissão Executiva; a Biblioteca Municipal da Covilhã abriu ao público em 23 de julho de 1917 conforme consta da 24ª sessão da Comissão Executiva, dirigida por Fernando Henriques da Cruz (embora tenha sido fundada em 1916).
A Covilhã dos lanifícios, penalizada pelas crises, e com alguns dos seus filhos a participarem na 1.ª Grande Guerra (saindo do Regimento de Infantaria 21, sediado na Covilhã), não soçobrava, e, naqueles tempos em que o futebol ainda só espreitava oportunidade de surgir por estas bandas, já existiam homens de grande talento e assaz dinamismo que enobreceram a Covilhã; como José Maria de Campos Melo, quer na direção da empresa de lanifícios – Fábrica Velha –quer como Comandante dos Bombeiros da Covilhã, e que, à data de 1917 era professor na Escola Industrial (depois de ter sido o 2.º diretor, interino), fundada por seu pai, José Maria Veiga da Silva Campos Melo.
Também já existia uma importante biblioteca na Covilhã; pertencente à Real Associação da Infância Desvalida, mais tarde designada Associação Protetora da Infância da Covilhã, mais conhecida por Asilo; que se chamou “Biblioteca Heitor Pinto”. Funcionou numa dependência desta Associação, tendo sido inaugurada em 4 de junho de 1882. Ainda conheci esta biblioteca, atualmente integrada na Biblioteca Municipal, uma vez que foi no Asilo onde eu frequentei o ensino primário, então destinado a escola primária, até ao ano de 1986. Foi, na altura, uma das mais importantes bibliotecas do País, a seguir a Lisboa, Porto e Coimbra.
Se quando se abriram as portas da Biblioteca da Covilhã, situada nas antigas escolas centrais, se denominou Biblioteca Popular, nessa altura com um acervo de 2350 volumes, passados pouco mais de três meses, a 4 de outubro, já se passava a chamar Biblioteca Municipal. E foi a cidade laneira que viria a ser dos primeiros municípios a ver instituída uma biblioteca pública, tendo em conta que, no pós-guerra, em 1919, existiam em Portugal apenas 68 bibliotecas municipais.
Uma das ideias subjacentes à criação da Biblioteca da Covilhã foi dar oportunidade aos operários da Cidade para desenvolverem os seus hábitos de leitura, tendo-se inicialmente introduzido horários de abertura da biblioteca condizentes com essa possibilidade.
Volvida menos de uma década, em 31/12/1926, a Biblioteca possuía 5470 volumes, tendo tido 3348 leitores e 3705 volumes consultados, sendo considerada uma das melhores bibliotecas do País.
Num meu artigo publicado no Notícias da Covilhã, há 25 anos, mais propriamente em 13/11/1992, o qual encontrei inserido na exposição documental e fotográfica que se encontra patente na Biblioteca Municipal, dava nota de algumas iniciativas da mesma, dos primeiros anos, muito por iniciativa do seu primeiro bibliotecário,  Nicolau Alberto Ferreira Almeida (julho de 1917 a 30 de novembro de 1947), entre as quais, em 28/02/1926, o anúncio da  “inscrição do primeiro grupo dos Amigos da Biblioteca”, classificados em ordinários, auxiliares e beneméritos.
Em 31/05/1928, a Biblioteca já possuía 6515 volumes, e, das 61 Bibliotecas Municipais existentes no País, em 1926, segundo a estatística oficial daquele ano, a Biblioteca Municipal da Covilhã ocupava o 6.º lugar em volumes consultados, o 7.º em leitores e o 16.º em volumes existentes.
Convém notar que a população portuguesa, que em 1890 era de cerca de 5 milhões, aumentou para cerca de 6 milhões em 1920. O pequeno crescimento entre 1911 e 1920 foi devido a três fatores: emigração, pneumónica e guerra. A população trabalhadora constituía 47 por cento em 1920. Na distribuição da força do trabalho nos diferentes setores da economia, verifica-se que na indústria trabalhavam 24 por cento em 1920. Em 1917, as taxas de natalidade e mortalidade, correspondiam, respetivamente, a 30,45 e 21,54 por cento, sendo de notar que a mortalidade infantil se situava nos 41,8. O destino dos emigrantes era principalmente o Brasil e os Estados Unidos da América. Em 1917, a emigração atingia o número de 15.689.
A percentagem de analfabetos entre emigrantes decresceu, depois da guerra, num ritmo mais elevado que a taxa geral de analfabetismo, o que pode indicar uma alteração qualitativa dos emigrantes. Significa que Portugal estava a perder os trabalhadores mais qualificados.
As escolas primárias eram de 6500 em 1916, 6900 em 1920 e cerca de 7000 em 1925. A taxa de analfabetismo apenas diminuiu de 69 por cento em 1910 para 64 por cento em 1920.
O setor industrial tinha uma definição muito mais ampla do que hoje. Artesãos e pequenas oficinas eram incluídos, assim como outros trabalhadores não empregados em fábricas. A indústria portuguesa, com uma fraca estrutura, dependia do capital estrangeiro, principalmente do inglês. Em 1910, os têxteis constituíam a principal atividade industrial no País, sempre mais acentuadamente na Covilhã, mas não tinham grande peso no valor das exportações. No entanto, os têxteis desenvolveram-se durante o período de 1910/1926, de tal modo que em 1914 havia 40.000 trabalhadores no setor e 60.000 em 1930.
Atualmente somos 10.358.100 almas, pelo Censos de 2011. A Covilhã tem 51.797. Quanto a analfabetismo, felizmente, o assunto está de longe diferente para melhor. Não se registam analfabetos (ainda os há…) mas em 2011 registava-se 5,2 por cento.
Foi na Biblioteca Municipal da Covilhã, então sediada ao Jardim Público, que passei a minha infância e juventude até completar os estudos. Lá trabalhava meu Pai, José Martins Nunes, funcionário zeloso, sobejamente conhecido, desde 13/11/1950 a 21/03/1980, muitas vezes substituindo as bibliotecárias. A primeira bibliotecária licenciada foi a Drª. Maria José Borges, que, conjuntamente com José Martins Nunes, estiveram na reabertura ao público da Biblioteca Municipal, no dia 1 de setembro de 1952, com o seguinte horário: abertura – 16 horas; encerramento: 19 horas; reabertura: 20 horas; encerramento: 23 horas.  Esta bibliotecária, que conheci, esteve ao serviço da biblioteca, mesmo antes da abertura, na sua fase de catalogação e outros trabalhos preliminares, desde 9/11/1950 a 30/09/1957. Tinha assim havido um interregno com a Biblioteca encerrada, por falta de bibliotecário.
Houve depois doações de bibliotecas particulares, com relevo para a do Dr. Júlio de Melo e Matos, da Quinta da Lageosa, em 1952, composta por 5801 obras em 9394 volumes, para além de algum mobiliário constituído por mesas e cadeiras, com o nome Qta da Lageosa, que durante muitos anos integravam uma sala quase exclusiva. Ao longo dos tempos, várias têm sido as doações feitas à Biblioteca Municipal, tendo eu também feito uma doação de 26 compilações, em 12/12/2008, que se encontram para consulta no Arquivo Municipal, para além dos livros já publicados que se encontram na Biblioteca.
Em 1961, o criador e diretor do serviço de bibliotecas itinerantes e fixas da Fundação Calouste Gulbenkian, António José Branquinho da Fonseca, deslocou-se à edilidade covilhanense para um acordo da vinda de uma Biblioteca itinerante. Desse acordo resultou a viabilização de um orçamento da edilidade covilhanense e a Fundação Calouste Gulbenkian concedeu a título de empréstimo um lote de livros e o respetivo mobiliário.
A Biblioteca Itinerante n.º 36 da Fundação Calouste Gulbenkian desocupou a Biblioteca Municipal em 12/12/1962; e a Biblioteca fixa da mesma Fundação Calouste Gulbenkian começou a funcionar no dia 16 de maio de 1967. Veio inaugurá-la, na sala de leitura, o Dr. António Quadros. Em 1970, a Biblioteca Municipal tinha anexa, a si, a biblioteca fixa desta Fundação. Funcionavam em simultâneo, com turnos diferentes. Contavam-se, nesta altura, com 26 mil obras, sendo que 20 mil era pertença da Biblioteca Municipal. Os leitores também aumentaram, nesta década, para cerca de 10 mil.
A Biblioteca Municipal foi visitada, ainda em 1952, pelo Subsecretário da Educação Nacional, e, no dia 23/12/1959, pelo Inspetor Superior de Bibliotecas e Arquivos, Dr. Luís Silveira.
A segunda bibliotecária, Drª. Maria Celeste de Moura, entrou ao serviço da Biblioteca em 12/11/1957 até 1 de julho de 1987.

Desde 2000 que a Biblioteca Municipal da Covilhã foi transferida para um novo edifício, construído de raiz para o efeito, com todas das condições, Internet e salas próprias para estudos, conferências, colóquios, etc. O fundo documental é constituído por cerca de 90 mil volumes. Portanto, para além de um local nobre da cidade, a sua instalação também num edifício moderno e sofisticado, com vistas privilegiadas na panorâmica da Serra da Estrela e do desenvolvimento da Cidade.

( In "Notícias da Covilhã" , de 20/07/2017 (I); e "Notícias da Covilhã, de 27/07/2017 (II)

23 de julho de 2017

BIBLIOTECA MUNICIPAL DA COVILHÃ CEM VELAS NO DIA 23 DE JULHO DE 2017

Como um dos leitores mais assíduos da Biblioteca Municipal da Covilhã, dos meados dos anos 50 e 60 do século passado, e, depois, pontualmente, sempre que tinha necessidade de consultar obras alusivas aos trabalhos que tinha em mãos, é, para mim, algo de nostálgico encontrar-me hoje, neste dia vinte e três de julho do ano da graça de dois mil e dezassete, a participar no sopro das 100 velas do bolo de aniversário dos 100 anos da abertura da Biblioteca Municipal.
E isto porque, como muitos leitores antigos conheciam, foi aqui o meu primeiro local da cultura, desde a tenra idade de 6/7 anos, para além dos tempos de estudante, até que surgiu o serviço militar obrigatório.
É que havia uma Figura incontornável, sobejamente conhecida, ainda hoje lembrada por muitos, que contaria nesta data 105 anos, de seu nome José Martins Nunes (mais conhecido pelo Sr. Martins), meu saudoso Pai, que esteve ao serviço ininterrupto desta Biblioteca, neste mesmo espaço, durante 30 anos, mais concretamente, de 11 de novembro de 1950 a 21 de março de 1980, aposentando-se, portanto, com mais de 68 anos.
Pessoa de muito gosto pela cultura, não fora ele regente escolar durante muitos anos, mesmo para além das horas vagas do serviço nesta Biblioteca, levando a exame do ensino primário muitos alunos que ainda hoje, alguns deles memorizam esse tempo de seus alunos, como também aconteceu com o saudoso antigo diretor do Notícias da Covilhã, Cónego Dr. José de Almeida Geraldes.
E só o facto de ter iniciado funções na edilidade covilhanense aos 38 anos, quando a idade máxima era de 35 anos, o levou a ser prejudicado na sua carreira, só recompensada após o 25 de abril de 1974.
Para além da cultura por que pautava a sua personalidade, no fervor de uma grande religiosidade, o rigor, a disciplina e a honestidade foram vertentes da sua vida, incluindo no aspeto profissional, daí que, para a altura, era uma figura por que alguns dele abusavam, vários reconhecendo, mais tarde, o seu erro, face à sua integridade de caráter. Hoje, falam do Sr. Martins, e do Sr. Professor, como também era conhecido, com grande respeitabilidade.
Com meu Pai me desloquei, algumas vezes, ainda criança, da Pousadinha, ao cimo da Borralheira, a pé, para passar o tempo aqui, neste local, nesta Biblioteca, onde fazia desenhos, me distraía com os livros humorísticos e aos quadradinhos – o saudoso ABCZINHO – cujo início era às 16 horas e regressávamos à Pousadinha, após o encerramento, às 23 horas, a pé, pois não havia transportes nem dinheiro para ele.
Até ao Penedos Altos, e um pouco acima, na Barroca do Lobo, ainda tínhamos companhia, que era aquele formigueiro humano dos operários das fábricas de lanifícios que também terminavam os turnos às 23 horas. Eles, de lancheira na mão; elas, de malotes e xailes pelas costas.
De Verão, gostava de ver por esses caminhos fora os pirilampos, onde a iluminação elétrica escasseava; de inverno, a chuva e forte ventania amedrontava.
Depois, no tempo das feiras populares do Sporting, então no Jardim Público, o Cardona dos gelados, os muitos feirantes, foram momentos de distração durante o tempo de verão.
Mas foi aqui onde a minha cultura enraizou, pois que, desde muito novo, para além dos livros, obrigatoriamente os de estudo, foram também os jornais, de grande formato, que me absorveram, e a célebre revista Flama. Havia quase uma disputa entre os leitores pelos variados jornais, destacando-se leitores oposicionistas ao regime salazarista que tinham um fervor pela leitura do diário República.
Quando necessitava de maior recolhimento nos meus estudos, pois que na altura era prática decorar algo, como história, geografia, e outras matérias, utilizava as seções de arrecadação desta Biblioteca, cujos cantos, incluindo o desaparecido quintal, repleto de variadas flores, eram o meu refúgio apaziguador.
Foi aqui, portanto, o emergir do meu gosto pela escrita, pelas pesquisas, algo de intrínseco que já brotava comigo.
Assim, aqui vi nascer os meus primeiros artigos nos jornais, no já longínquo ano se 1964. Nunca mais parei, até hoje, com algumas interrupções por razões óbvias.
Várias vezes escrevi sobre a Biblioteca Municipal da Covilhã, nos mais de meio milhar de artigos publicados, mas há dias fiquei surpreendido, quando entrei na Biblioteca Municipal, ao deparar com um artigo meu, escrito há 25 anos, sobre esta Biblioteca, inserido na exposição documental e fotográfica alusiva aos seus 100 anos, que hoje se completam.
Depois, não pude deixar de anuir ao convite da Dr.ª Cristina, Coordenadora da Biblioteca, para hoje aqui me encontrar presente em este soprar de velas, e oferecer pedaços de reminiscências do tempo aqui passado por meu Pai, fotocópias de memórias, selecionadas sobre a Biblioteca, que deixou e que eu reuni, sendo também fontes para alguns trabalhos, como este.
São pormenores vivos desse tempo, e, como não podia deixar de ser, inserem-se os primórdios da sua vida profissional, sempre ligada ao ensino, e a forma como aqui chegou, continuando com o ensino, nas horas vagas.
 De salientar que a 1ª. Bibliotecária, Dr. Maria José Borges; depois do interregno que houve, da anterior fase da Biblioteca, com reabertura oficial em 1 de setembro de 1952; através do seu marido, Delegado do Procurador da República na Comarca da Covilhã, criou o primeiro Curso de Educação de Adultos, na Cadeia da Covilhã, destinado a ser regido por José Martins Nunes, onde lecionou durante 12 anos, antes das horas de serviço nesta Biblioteca. É obra!
Deixo estes apontamentos, extraídos das memórias de meu Pai, apontamentos escritos pelo seu próprio punho, antes de falecer, e, bem assim, dois artigos que escrevi sobre esta Biblioteca Municipal, sendo que um deles saiu parcialmente no último Notícias da Covilhã, de 20/07/2017, sendo publicado o restante no próximo número, daí que deixo também o texto completo.

Covilhã, no Centenário da Biblioteca Municipal da Covilhã, aos 23 de julho de 2017

                                                                            João de Jesus Nunes



16 de julho de 2017

Apresentação do livro “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923- 1990”, de Miguel Saraiva, no Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, no dia 15/07/2017, por João de Jesus Nunes

Exm.º Senhor
Presidente da Câmara Municipal da Covilhã
Exmº Senhor Vereador da Cultura da Câmara Municipal da Covilhã
Exmº. Senhor Presidente da Associação de Futebol de Castelo Branco
Exmºs Senhores Atuais e Antigos Dirigentes da Sporting da Covilhã
Caríssimos Antigos Atletas, Treinadores e demais Obreiros do Sporting da Covilhã
Minhas Senhoras e Meus Senhores,

Não estava nos meus planos envolver-me mais na história do maior clube da Beira Interior, por razões óbvias de me ter comprometido com outras ações culturais e, por outro lado, dar oportunidade a outros interessados em prosseguir a história do clube na vertente de uma nova visão.
Mas o convite feito pelo amigo Carlos Miguel Saraiva, autor da obra que aqui vai ser por mim apresentada, deixou-me deveras honrado, não só pelo mesmo como também para a prefaciar. Por isso aceitei o convite e lhe agradeço do fundo do coração.
Não vou falar mais do autor, humilde, dedicado e sempre pronto a prestar colaboração, nem da forma como o conheci, porque tais desideratos se encontram registados no prefácio deste livro.
Comecemos então pela “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”.
Poderão muitos perguntar: “Porquê mais um livro sobre o Sporting da Covilhã”?
E eu respondo: “Veio em boa hora! Veio numa altura em que um dedicado covilhanense, animado do fervor pelo Clube da sua Terra, que, simultaneamente é ter grande orgulho pela Covilhã, seu berço, se solta do sossego dos seus momentos de ócio, da sua vida familiar, e vem dar continuidade, e nalguns casos adicionar algo, às quatro obras, diferentes, já existentes.
É que a história de uma coletividade ou qualquer outra instituição não se completa definitivamente. Há sempre estórias a acrescentar à sua história.
Não é um trabalho fácil. Mexe muitas vezes com temas mal documentados, de que existem já versões diversas, tantas vezes contraditórias, mexe com pessoas, com paixões.
Não obstante o autor desta obra já ser conhecido, escrever este livro é também um sinal de coragem porque é uma exposição pública do próprio autor. Amanhã alguns vão certamente dizer que faltou referir este ou aquele ponto, esta ou aquela pessoa, que faltou esta ou aquela fotografia; ou porque é que o livro não teve continuidade até aos dias de hoje, e se situou entre a sua génese e o ano 1990.
Como disse Fernando Pessoa: “Deus quer, o Homem sonha, a Obra nasce!”
Para além do desgaste humano e financeiro, de ter que continuar a subtrair horas que fazem falta ao sossego duma pessoa, havia que ter também em conta que muitos relatos e eventos, já

existentes nas anteriores quatro obras, não se coadunavam muito pela repetição, daí que o autor se debruçou em apresentar a “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”, algo inédita. Para além da sua apresentação e qualidade como livro, teve o cuidado de fazer surgir pormenores da vida da coletividade, época a época, evidenciando, duma forma simples como é agora apresentada, mas paradoxalmente complexa nas suas pesquisas, que enche o olho do leitor que gosta de conhecer a vida dos Leões da Serra.
Está por isso de parabéns o Miguel Saraiva, já que a sua verdadeira coragem é de que tomou este livro uma realidade para todos, sabendo já da existência de outras obras.
De facto, referi no quarto livro sobre o SCC: “Ficarão, assim, como lacunas para a história, no rigor duma pesquisa global, a participação nas 2.ºs e 3.ªs Divisões Nacionais”.
Pois bem, o Miguel Saraiva, não só deu azo a esta vontade expressa neste livro, até ao ano que lhe foi possível atingir – 1990, como inseriu, com minúcia, figuras e factos de cada época, nomeadamente no que diz respeito a resultados, plantéis, dirigentes, figuras que se evidenciaram em cada época, nascimento de novos clubes, duma forma cronológica.
É que, mesmo assim, muitas coisas ficam na penumbra do esquecimento se não forem transportadas para as páginas de um livro.
Quando eu nasci o Sporting da Covilhã já tinha atingido a sua maioridade e contava 23 anos; por isso fui sempre podendo acompanhar, ao longo desta sua longevidade, as suas alegrias e as suas vicissitudes, aquilo que ainda não compreendia, mas que nos mais velhos se manifestava, da exuberância à tristeza; conheci muitos obreiros do clube, como os jogadores, os dirigentes, e, mais tarde, alguns dos fundadores; eventos como as feiras populares do Sporting, que visitei, entre outros que não podem ter muito desenvolvimento nos agora cinco livros que o Sporting Clube da Covilhã possui, por razões óbvias, daí que as crónicas, na sua oportunidade jornalística, têm a sua ocasião.
No entanto, certamente como eu, ao ler este livro, paulatinamente, surgem entre muitos de nós, recordações, reminiscências dos nossos tempos d’outrora.
Por exemplo, eu que trabalhei neste município na década de 60 do século passado, até ao serviço militar obrigatório, só através da leitura desta obra vim a saber que um antigo colega superior – José Pacheco Lança – havia sido um dos guarda-redes do SCC dos primeiros tempos. Fui ainda aqui colega da velha glória serrana, João Lanzinha. De alguns episódios mencionados em síntese neste livro, recordo que estive também para ir num dos 50 autocarros que partiram da Covilhã para Braga, para acompanhar os Leões da Serra para o embate com os bracarenses, do último jogo do Campeonato Nacional da 2.ª Divisão – Zona Norte, realizado em 20 de abril de 1964, de cujo encontro necessitávamos somente de um empate para a subida. Não fui e quando ouvi no relato da rádio, aquele penálti contra o Sporting da Covilhã, disse logo: “Estamos feitos!”. Sem que antes, ou depois, já não recordo, o guarda-redes Arnalda tivesse sido lesionado e substituído pelo Rodrigues. Dos 38.000 espetadores, segundo o livro da História do Sp. Braga, rendeu 200 contos.
Depois, continuando a aprazível leitura/consulta/folhear deste livro, algumas memórias do passado dos Leões da Serra podem continuar, em cada um e nós, os mais antigos, a trazer rasgos de memória de momentos surgidos, como o caso em que assisti, juntamente com alguns associados e adeptos do Clube, à partida da comitiva dos serranos, junto à antiga Sede, com o

abandono do treinador José Rodrigues Dias, antes daquele primeiro jogo da época, porque exigiu ali o pagamento dos 40 contos de luvas; corria a época 1967/1968.
E, na época seguinte, já no meu serviço militar obrigatório, desloquei-me do RAL 4, em Leiria, com o António José Brancal e outros, para assistirmos ao jogo do SCC, treinado por Joaquim Meirim, em Torres Novas, para, naquele empate de 0-0, da 8.ª jornada, se conseguir o primeiro ponto. Haveria de descer, pela primeira vez à 3.ª Divisão Nacional.
Estas permanências na 3ª Divisão, com início na década de 70, por quatro sofredoras épocas, em que o Alba dava cartas, e, depois, por duas vezes nos primeiros anos da década de 90, levou-me a soltar, qual grito do Ipiranga, numa crónica no Notícias da Covilhã, de 15 de julho de 1994, a um incitamento, sob o título: “Sporting Clube da Covilhã, Terceira Divisão, nunca mais!”.
Mas, depois, tivemos os comboios verdes a caminho de Coimbra e de Aveiro; recebemos na Covilhã os valorosos das subidas. Não foram só ledas madrugadas, mas também ansiosas horas.
Pois bem, minhas Senhoras e meus Senhores, Amigos dos Leões da Serra e da Covilhã que os engrandece com o seu nome, a leitura da “História do Sporting Clube da Covilhã – 1923 – 1990”, de Miguel Saraiva, não só é recomendável a todos, para o conhecimento mais aprofundado do maior Clube da Beira Interior, que, orgulhosamente é da nossa Terra, como também memoriza o conhecimento da sua condição multifacetada, em que embora o desporto-rei seja a sua evidência, não deixa de ser, e já foi mais acentuada, uma coletividade eclética.
A apresentação e qualidade da obra fica muito bem em qualquer estante. É uma enciclopédia para interessados no desporto local, onde os lanifícios têm evidência em muitas das figuras do clube serrano. Muito mais haveria para dizer, mas o espaço e o tempo não o permitem.
 Leiam o livro! Consultem o livro! Folheiem o livro! Comentem o livro! Ele aí está ao vosso dispor: 53 capítulos, 312 páginas!
E, lembrem-se, o Sporting da Covilhã, e o Concelho que lhe dá o nome, saem engrandecidos com o seu 5.º livro sobre a sua história, isto só comparável com os três clubes da Divisão Maior: Sporting, F. C. Porto e Benfica.
Mas, para além da apresentação desta obra, temos também aqui a homenagem a velhas glórias do Sporting da Covilhã, com relevo na memorização da última participação dos Leões da Serra na Primeira Divisão, hoje Primeira Liga, ocorrida há precisamente três décadas. Afinal, elas também foram ensejo a dourar algumas das páginas da história do Sporting da Covilhã, e a trazer a alegria às gentes locais e aos forasteiros, fazendo agitar a Cidade e o Concelho.
Sinto ainda orgulho, neste contexto, de ter contribuído, neste mesmo Salão Nobre, em 28 de setembro de 1991, há quase 26 anos, como dirigente de uma associação cultural, para aqui recebermos, pela primeira vez na história do SCC, as Velhas Glórias da antiga Primeira Divisão, nos grandes momentos por que passámos com términus na época 1961/1962. Dos então presentes, muitos, e das mensagens enviadas dos ausentes, quis Deus que já só se encontrem cá seis, neste mundo dos vivos (João Lanzinha, Fernando Pires, Marcelino Alves, Amílcar, Lourenço, e o massagista José Gil Barreiros).



Foi também assim, com o lançamento da 1.ª edição do 1.º livro do SCC, e da primeira exposição histórico-documental sobre o clube leonino, e não só, que se deu ênfase à homenagem às velhas glórias, com a comunicação social nacional e entidades do país a registarem o facto.
Depois, neste salutar ambiente de boas recordações, e de convívio, vieram a surgir, por outras ocasiões, fora ou no seio da coletividade serrana, muito por iniciativa e impulso forte do Miguel Saraiva, sem esquecer a claque Leões da Serra, novas homenagens às velhas glórias dos Leões da Serra.
Hoje aqui as temos, de volta, por iniciativa de alguém que quis lembrar a última vez da participação do Sporting Clube da Covilhã na divisão maior do futebol português, que se esfumou na já distante época 1987/1988.
Para eles, dizemos: “Sejam bem-vindos!”. É um sinal dado aos atuais dirigentes serranos, pelo seu bom trabalho de várias épocas, independentemente de algumas vicissitudes que surgem no caminho, que a Covilhã quer ver o seu Sporting na Primeira Liga! Não é fácil, acreditamos!
Prestemos, também aqui, aquele preito de gratidão, em sintonia com as velhas glórias serranas, a um covilhanense que também passou pelas camadas jovens do clube serrano e que, na arbitragem, se singrou ao mais alto grau, chegando à internacionalização e, este ano, saltando para o pódio como o terceiro melhor árbitro português. Falo evidentemente do árbitro covilhanense Carlos Xistra. Quando no ano 2000 subiu à I Liga, e em cujo almoço de homenagem tive o prazer de participar, o saudoso dirigente Carlos Ranito Xistra, seu pai, veio então agradecer-me o único artigo, fora do âmbito da notícia, que eu enviei para dois jornais, mas que só a Tribuna Desportiva, sempre atenta, publicou em 11 de julho de 2000, sob o título, alusivo obviamente a Carlos Xistra: “A Covilhã e o Distrito na Primeira Divisão”.
Vou terminar, porque também já me alonguei. Abordei o AUTOR; falei do novo LIVRO; patenteei a alegria por termos entre nós as VELHAS GLÓRIAS do clube serrano.
Tenho a certeza de que de nós não se poderá dizer:
“Eles não sabem que o sonho
É uma constante da vida
Tão concreta e definida
Como outra coisa qualquer…
Eles não sabem, nem sonham
Que o sonho comanda a vida.
Que sempre que um homem sonha
O mundo pula e avança
Como bola colorida
Entre as mãos de uma criança”.

                                                                                                                                      Tenho dito.

(Salão Nobre da Câmara Municipal da Covilhã, no dia 15 de julho de 2017)