16 de fevereiro de 2018

PAU PARA TODA A OBRA


Hoje, dez de fevereiro do ano da graça de dois mil e dezoito, da era de Cristo, cá dos lados da encosta da Serra da Estrela, na vetusta cidade dos lanifícios e, hoje, mais universitária, deu-me na gana de parar o horizonte de outros temas, e passar a outro estilo de conteúdos. Volto-me então, um pouco, para os solos que pisei, pela primeira vez, vai fazer meio século, por essas terras algarvias onde se insere a importante cidade de Olhão, da restauração.
Efetivamente, foi em 16 de janeiro de 1968 que fui pela primeira vez ao Algarve, então por obrigação militar, em Tavira.
Já escrevia no jornal da minha Terra, embora com pouca regularidade, desde 1964, porque também havia que acautelar os assuntos a abordar, face à PIDE, não me fosse rondar, como a tantos operários, e não só, da Covilhã, que sofreram nas investidas daquela famigerada polícia política.
E, memorizando um pouco os tempos de outrora, como retrata tantas vezes o diretor-adjunto deste quinzenário, nas suas páginas, aprouve-me a minha passagem efémera pela cidade de Olhão, com alguns camaradas, onde aí escrevi um postal ilustrado para a minha namorada, na Covilhã. Ainda não tinham sido inventados os telemóveis… e as chamadas telefónicas, para além de caras, eram interurbanas.
Longe estaria no meu pensamento que, umas décadas mais à frente, ser-me-ia propício vaguear o meu pensamento por Olhão, através das páginas de um periódico, substituindo assim o piso de ruas por páginas de papel.
E é n’O Olhanense que me agrada ver conteúdos tão diversificados, numa base de cultura espelhada em vários artigos de opinião, e na memorização das vivências de outrora, por um insigne cérebro que, tal como eu penso, não é a terceira nem a quarta idade que nos faz parar porque consideramos que a mesma que atingimos é, mais exatamente, a idade da plenitude.
Como em tudo, há sempre alguém que é a roldana, a mola impulsionadora, o chamado “pau para toda a obra” que é conhecedor, sabe do seu ofício, sem do mesmo colher frutos financeiros porque sabe que superiores a esses estão os advindos do amor à causa e o prazer indelével de fazer andar, não deixar parar, não deixar perecer.
Assim vai “O Olhanense”, onde tenho o prazer de quinzenalmente estar presente, com os sacrifícios que se reconhecem, mas com a alma de gentes que sabem acompanhar quem dirige este importante periódico, já de referência nacional, extravasando o âmbito regional.
Gostaria de ver mais artigos de opinião, ou crónicas, da parte feminina, para poderem enriquecer também, com a sua contribuição, o quinzenário de todos nós. Tal como os jardins, também nos jornais ficam bem as flores, porque delas emergem muitas outras interessantes formas de ver e de pensar.
Apercebo-me pelos relatos do principal responsável da continuidade deste quinzenário que, tal como está acontecendo noutros periódicos, a pera não é doce e as dificuldades são grandes, mais enegrecidas, por vezes, pela indiferença de alguns, mas isto é generalizado.
É preciso é continuar a inovar porque quem está de fora sabe perfeitamente que o rumo do Jornal “O Olhanense” está bem traçado, tem sentido, está valorizado, não é um quinzenário exclusivamente desportivo, mas um periódico verdadeiramente cultural.
Por isso, o caminho é continuar em frente, sem desanimar. E venha o próximo número.


(In "O Olhanense", de 15-2-2018)

14 de fevereiro de 2018

DA CORRUPÇÃO AO CHICO-ESPERTISMO


Saio à rua, depois de dar uma olhadela pelas notícias online, e dirijo-me para a minha habitual banca dos jornais, ao jardim, onde os mesmos se encontram desde já reservados.
Saúdo uma vizinha que há muito tempo não via, pergunto se está tudo bem e responde: “Só que, ai, ai, os meus joelhos é que não ajudam!”. Depois outra, a mesma pergunta, e vai daí: “Sabe, Sr. João, o meu problema é a coluna, esta maldita doença!”. Até que resolvi não perguntar mais nada, senão quando surge um amigo, e, nos cumprimentos da praxe, lá vem outra história das doenças da idade. “Sabes? Isto é da PDI!” Ao que eu lhe respondi, sem que ele contasse com esta contradição do vulgarizado significado da sigla: “Olha, toca a todos, a “Potência Deficitária Incomodativa!...”
Antes de entrar no tema em epígrafe, penso mesmo que os trabalhadores que se deixam instrumentalizar demasiado pelos partidos, cujos sindicatos a que estão afetos dizem os defender, poderão ver-se mais tarde envolvidos numa nuvem de arrependimento pelas opções tomadas, como é o caso da Autoeuropa, pelas teimosias que vão levando. Uns dizem que são os comunistas os culpados; certo é que parece que a Autoeuropa está antes afeta à UGT. Se a empresa se deslocasse para o estrangeiro, ou se retirasse para outro local, como outras fizeram, caso da Opel da Azambuja, seria melhor para os trabalhadores ficarem sem emprego? Pois é, o subsídio do desemprego, as reformas antecipadas, etc., sempre resolvem alguma coisa. Mas o mais estranho é que não se trata de quaisquer colaboradores, mas de trabalhadores que se encontram bem pagos, quando muitos licenciado nem ganham metade do seu salário.
Já os encerramentos da ex-Triumph e da Ricon são apontados como “uma infeliz coincidência” num dos períodos mais positivos do setor com forte volume de exportações, lamentando-se os muitos trabalhadores que rumam para o desemprego.
Mas vamos para o tema que hoje trouxe para este espaço, não obstante ele já ter sido debatido nos vários órgãos da comunicação social ad nauseam, uma vez que também o diabo não chegou a vir naquele célebre setembro de Passos Coelho, porque afinal ele já estava/está entranhado no seio e no pensamento de muitos, de várias praças deste país. Portanto, nem vale a pena Manuela Ferreira Leite sugerir ao “novo” PSD para que venda a alma ao diabo para pôr a esquerda na rua.
Deste fartote de corrupção, entre alta e baixa, fraca e forte, verificada ao longo dos tempos, mas mais acentuada nos dias de hoje, isto no que se repercute no nosso País, entendi classificá-la em três partes: corrupção de 1.ª, de 2ª e de 3.ª categorias.
Eu explico, exemplificando, a começar da mais baixa para a mais elevada. Considero corrupto ou corrompido de 3.ª categoria, aquele romeno que me enganou à entrada do Lidl vendendo-me o almanaque Borda D’Água pelo preço que apontou e vinha inserido na capa do mesmo; e que eu, pensando ser um original como tantos vendidos nas bancas e papelarias, verifiquei depois que era fotocopiado. Até onde vai o chico-espertismo. Ou, então, o recebimento por parte dos serviços da secretaria de um Lar da Terceira Idade, de boa reputação, desta Cidade laneira, de uma luxuosa “comparticipação por fora” para se ter hipótese de ali ser internado um familiar idoso, em que não é passado um recibo comprovativo, o que, para além de transgressão fiscal, também se ficou a desconhecer para que bolso seguiu a volumosa quantia extra, como entrada, para além das mensalidades e outras despesas mais.
Corrupto ou corrompido de 2ª categoria pia mais fino, e aí temos, sem vergonha, o aluguer de uma casa, a um mãe e filho adulto, pobres, sem condições condignas de habitabilidade, onde nem sequer cabe uma cama pequena para um deles dormir, nem os mínimos eletrodomésticos, imprimindo uma desumanização à face da Terra, neste século XXI. Onde estão as fiscalizações ativas e decisórias, para poder impedir o desiderato dos proprietários chico-espertos? Isto também se passa na mais importante cidade dos lanifícios e universitária da Beira Interior. Nesta vertente de categoria ainda integro aquele perito de seguradoras que, subtilmente, indicava clientes aos comerciais para, passado pouco tempo, numa sua prévia combinação com os referidos segurados, passarem a existir sinistros em catadupa, forjados. Descoberto este seu chico-espertismo, e já não sabendo como se desenrascar, acabou num suicídio na A23.
Corrupto ou corrompido de primeira categoria são então os de maior evidência, geralmente ligados a uma teia, envolvidos num polvo (sobre este mesmo tema – “O Polvo” – escrevi um texto em 2 de setembro de 2005, publicado no Notícias da Covilhã, que se encontra em grande parte atual), cujas formas tentaculares de fugir às responsabilidades e se habilitarem ao sorteio da ilibação produz tempo e mais tempo até se chegar ao ponto final dos julgamentos. E, depois, há os recursos, e mais recursos. Aqui vamos encontrar os já muito comentados casos da Operação Marquês, Operação Lex, Operação Fizz, entre outros, para além dos que vão emergindo, como a falsificação de cheques da Segurança Social, o desvio de milhões, pelo reitor de uma universidade privada, não esquecendo os casos da PT, da queda do BES, e por aí fora.
Nesta categoria não há corruptos de fraco gabarito. Podemos, sim, encontrar alguns novos-riquismos e narcisismos doentios.
“Sim, vivemos num país profundamente corrupto”, é o título duma crónica de João Miguel Tavares, do Público.
Estranha-se que outros casos de corrupção não tenham tido qualquer desfecho da Justiça, continuando hoje ainda vivos e, outros, condenados a prisão, como Oliveira e Costa, passeiam livremente.
Se o período Sócrates-Pinto Monteiro foi o “mais negro” da Justiça, conforme atesta no seu livro o juiz jubilado António Bernardo Colaço, não se compreende a pretensão de afastar a procuradora-geral da República, Joana Marques Vidal. Segundo o versado é que a remoção da procuradora não evitará o julgamento de Sócrates, mas pode facilitar o adiamento para após eleições. Chico-espertismo!
Por tudo isto se vê que todos os casos conhecidos são reveladores da transversalidade da corrupção entre as diversas classes sociais, envolvendo todos os setores da sociedade e da economia.
Pode alegar-se que a justiça está a funcionar normalmente e a fazer o que tem de ser feito, o que é um dado positivo.

(In "Notícias da Covilhã", de 15-2-2018)

13 de fevereiro de 2018

2018 – ANO DE EFEMÉRIDES, MAS TAMBÉM RUMO À 4.ª REVOLUÇÃO INDUSTRIAL


Depois de terem sido badalados intensamente outros temas, como foram os incêndios do ano findo, e, agora, o ranking das escolas, trago ao leitor memórias que hoje se perpetuam de há meio século, que neste ano se efemerizam, atingindo o cinquentenário dos respetivos acontecimentos, tendo entrado na história do planeta, todas deixando marcas do seu surgimento.
Alguns chamaram a 1968 o ano de todas as revoluções. Uma vaga de movimentos revolucionários sacudiu o mundo há 50 anos, ano em que eu fui cumprir o serviço militar obrigatório, logo em janeiro, por onde andei 42 meses, daí que pouco me tivesse apercebido de alguns destes mesmos acontecimentos. Tínhamos pouco acesso aos jornais e a televisão, de um só canal, a preto e branco, não estava tanto ao nosso alcance como em nossas casas.
Se bem que no final desse ano de 1968 todas as aspirações revolucionárias tinham fracassado, sem nada mudar, o que é certo e verdade é que também já nada continuou a ser igual, nesta parte no que concerne aos jovens estudantes. É que as suas consequências tiveram uma grande importância. Estas revoluções tiveram uma peculiaridade porquanto não pretendiam conquistar o poder, mas tão só mudá-lo.
Se Paris simbolizou esta agitação também houve outros lugares onde tal viriam a surgir, nomeadamente em Berlim, Praga, Roma, Cidade do México. A China mantinha-se na Revolução Cultural. Vivia-se também a guerra do Vietname já numa fase crítica.
Não obstante haver prosperidade, os distúrbios eram indício de um profundo descontentamento. As reivindicações falavam na esperança num mundo melhor. Eram discutidas as estruturas políticas, então vistas como autoritárias. Era, segundo os jovens estudantes, um modelo consumista de um capitalismo obcecado com a rentabilidade. Os processos revolucionários até então tinham estado associados a classes sociais específicas ou a grupos políticos definidos. Os processos revolucionários de 1968 correspondiam aos estados de consciência da geração nascida no pós-guerra. Os universitários foram então os promotores, que tinham aumentado maciçamente quando o ensino superior deixou de ser privilégio só para alguns.
Estas grandes convulsões, não só das que agora me refiro, podem ser retratadas, tanto quanto possível, pela sua ordem cronológica.
Assim, no primeiro dia do primeiro mês desse ano, o Vietcong atacou a embaixada dos Estados Unidos em Saigão, mas, passados poucos dias iniciava-se a Primavera de Praga, na então Checoslováquia, com Dubcek a assumir a sua liderança, numa tentativa de democratizar o regime. Contudo, a Guerra Fria aniquilou a experiência e mergulhou o país numa onda de frustração. No 1.º dia de fevereiro surgiam as brutais imagens de Eddie Adams da guerra do Vietname que impressionaram o mundo. Em meados de março de há cinquenta anos, dava-se o massacre de My Lai no Vietname. Entretanto era encerrada a Universidade de Nanterre, em França. No final deste mês emergiram os distúrbios e repressão racial em Memphis, nos Estados Unidos.
Os primeiros Jogos Olímpicos da América Latina começaram-se a preparar no mês seguinte (abril), no México, mas é também nos primeiros dias deste mês e ano que é assassinado Martin Luther King. Maio viria a ver os confrontos entre os Guardas Vermelhos e o exército a recrudescerem na China, em plena Revolução Cultural. E o célebre “Maio de 68” iria ver o seu início com a Noite das Barricadas em Paris, ponto de inflexão do maio francês.
Encontrava-me no serviço militar em Tavira quando, na parada, oiço na “Rádio CISMI”, daquela unidade militar com o mesmo nome, que, naquele dia 5 de junho de 1968, o senador e candidato favorito às primárias democratas nos Estados Unidos, Robert F. Kennedy, era assassinado.  Entretanto, naquele mesmo mês, das eleições em França saiu vencedor o Partido Gaulista e acabaram os protestos dos estudantes, não voltando a haver outra convulsão de caraterísticas inovadoras e criativas que lhe seja comparável. Os jovens desse tempo hoje andam por perto dos 65/70 anos. Também a religião tinha a sua marca de acontecimentos neste ano, e, assim, em 25 de julho o Papa Paulo VI condenava o uso dos contracetivos na encíclica Humanae vitae. O mês de agosto seria marcado com festivais rock como o de Venice Beach, nos Estados Unidos, mostrando o apogeu da contracultura e da emancipação sexual. A União Soviética (URSS) invadiu a Checoslováquia e, no final deste mês surgiram manifestações nos Estados Unidos contra a guerra do Vietname, na Convenção do Partido Democrata em Chicago.
Em setembro nascia a Teologia da Libertação, com Hans Küng a publicar o manifesto Declaração pela Liberdade da Teologia. O mês de outubro seria terrível para o México, com o Massacre da Praça das Três Culturas. Entretanto, de 12 a 27 deste mesmo mês, realizaram-se os XIX Jogos Olímpicos, na capital mexicana.
O novo presidente americano, Richard Nixon, viu alcançada a sua vitória nas eleições nos Estados Unidos, realizadas no dia 5 de novembro de 1968. Para o último mês do ano, Mao Tsé-tung lançou a campanha de “reeducação” dos jovens das cidades, enviados para campos de trabalhos rurais na China. E, entretanto, a Apollo 8 entrava na órbitra lunar e os astronautas Borman, Lovell e Anders viam, pela primeira vez na história, a face oculta da Lua.
E, daí para cá, o mundo foi evoluindo de tal forma que hoje estamos a rumar a uma 4.ª revolução industrial. Recordemos que foi no século XVIII, em Inglaterra, que se deu a Primeira Revolução Industrial, com a máquina a vapor e do carvão.  Na viragem do século XIX para o século XX, nos Estados Unidos, na Alemanha e em Inglaterra, surgiu a Segunda Revolução Industrial, do petróleo, do motor de combustão interna, do motor elétrico e da produção em massa.  Na segunda metade do século XX, tivemos a Terceira Revolução Industrial, da computação e da Internet.
Bom, a Quarta Revolução Industrial é agora, de acordo com Schwab, e outros, a revolução da digitalização maciça, da aprendizagem automática e da robotização, mas também da nanotecnologia e dos novos materiais, e da biotecnologia, ou seja, tecnologias que fundem os mundos físico, digital e biológico.
Antes das revoluções industriais usávamos as fontes de energia primária (o sol, a água e o vento). As sucessivas revoluções industriais tiveram como consequência um aumento enorme no nível de prosperidade da humanidade, em conjunto com alterações sociais profundas, como o reconhecimento de direitos humanos universais, a alteração nos padrões de fertilidade e o aumento da esperança média de vida.
A Quarta Revolução Industrial traz enormes promessas, por exemplo, com a massificação do carro elétrico, muito mais eficiente que o carro a gasolina ou gasóleo entre outras.

(In "fórum Covilhã", de 13-2-2018)


9 de janeiro de 2018

O PARADOXO DE PORTUGAL EM 2017

Não hajam dúvidas, o ano que findou mostrou-nos duas facetas bem distintas na sua rotação dos 365 dias. E entre o copo meio cheio ou o copo meio vazio não podemos deixar de nos firmar na realidade dos acontecimentos surgidos; uns, excessivamente otimistas; outros, justificadamente pessimistas.   
Comecemos pelos primeiros. 2017 foi o ano em que a economia cresceu mais do que o previsto, o desemprego continuou a baixar e os juros da dívida caíram a pique. Portugal conseguiu dar um pontapé nas agências de rating, e lá saiu do lixo. Ainda neste ano, António Guterres subiu ao mais alto galarim duma organização mundial, tomando posse como secretário-geral das Nações Unidas. Já Mário Centeno conseguiu a sua eleição para presidente do Eurogrupo. Não bastassem estas boas notícias, ainda assim 2017 foi o ano em que Portugal foi eleito como o melhor destino turístico do mundo.  Em relação a décadas atrás isto não passaria de um sonho.
O grande problema é que Portugal não tem apenas um défice para corrigir, mas muitos mais, e muito sérios.
Quanto aos segundos, não podemos deixar de sentir profundamente a amargura pelo que também se passou no ano 2017, longe, muito longe de alguma vez ser pensada. Foram os incêndios de Pedrógão Grande e em muitas outras terras deste Portugal em destruição continuada, como se viu. Foram mais de uma centena de pessoas que perderam a vida nos fogos, em situações horríveis, para além dos que perderam todos os seus haveres, casas, animais, campos, florestas, e a sua própria dignidade. A falta de meios humanos, técnicos, e de competência, sobre o combate aos incêndios, e da Proteção Civil, deixaram muito a desejar, ao longo de décadas, e, depois, as culpas são sempre atiradas de uns para os outros, já que a reforma da floresta tem sido sempre adiada.   
Até os nossos militares passaram a integrar o anedotário português com o assalto aos paióis de Tancos. Seria impensável nas nossas consciências, mas o que é certo e verdade é que tal sucedeu. Onde está a nossa segurança? Em quem devemos confiar? E, depois, a palavra muitas vezes dita duma forma hostil – a vergonha nacional – foi ainda ser possível em 2017 entrar num hospital público com uma doença e morrer de outra, provocada pelo próprio hospital. Outro aspeto lamentável é descobrirmos que as instituições de solidariedade social, que todos nós ajudámos a financiar se transformaram, quantas vezes, em instituições de solidariedade pessoal.
Valha-nos o Presidente-Rei, como agora alguns chamam a Marcelo, seguindo o que teve esse primeiro cognome, ou seja, Sidónio Pais, no poema-elogio fúnebre de Fernando Pessoa. É que, o queixume sobre a paciência dos portugueses para o ver neste permanente vaivém de beijos, abraços, selfies e outros afetos tornou-se numa banalidade que já ninguém o ouve. Este excesso de protagonismo no drama dos incêndios “converteu-se numa espécie de capricho de intelectuais que o povo sereno e carente de proximidade não tem paciência para levar a sério”. Marcelo tem sido, de facto, o principal garante da estabilidade política que o país viveu nestes últimos dois anos, depois da traumática experiência do ajustamento e da troika. Chegou mesmo ao ponto de ultrapassar o Governo como no caso dos sem-abrigo, em que pediu muito mais apoio para estes. E nãos deixemos de recordar quando Marcelo assumiu o papel de supremo magistrado disposto a atuar sempre que o Governo se punha a assobiar para o lado em momentos de profunda comoção coletiva, como aconteceu depois da segunda vaga de incêndios dramáticos em outubro. É por isso que o exuberante otimismo de António Costa necessita de ser travado.
2017 fica também marcado pela superficialidade com que os políticos têm governado o país, sem preocupação nem interesse em salvaguardar o bem-estar e a vida de todos os que moram em qualquer parte de Portugal.
Para terminar o ano sem o colorido político, lá tinha que acontecer mais uma falcatrua daqueles em quem os portugueses devíam confiar, e que, a partir de agora, ficam sempre, sobre eles, de pé atrás, sempre, porque não há que confiar em nenhuns. Há, sim, que exigir e provar. Estar sempre atentos para com os bem-falantes, os que nos querem fazer passar por ingénuos, talvez por ignorantes quando a democracia implantada em Portugal já leva mais de quatro décadas.
A indignação foi geral nos conceituados jornalistas dos principais órgãos da comunicação social. O indigno espetáculo clandestino que a classe política portuguesa acabou por dar nos últimos dias que restavam para o final de 2017, teve a agravante de, no segredo dos deuses, se verificar que já se arrastava a negociata do financiamento partidário aprovada às escondidas, e já vinha de há muitos meses. Excetuando o PAN e o CDS, todos os demais partidos portugueses não recearam e se expuseram ao escândalo perante os seus próprios eleitores, a opinião pública em geral e o regime democrático, que já duvido que representem, ocultando, em segredo, um negócio para benefício dos próprios. Como é que partidos que se enfrentam com agressividade e insultos no Parlamento se mostraram tão amigos e colaborantes na defesa dos seus próprios interesses? Esta classe política tem que se penitenciar. Esperemos que o Presidente da República vete esta lei.

E, como o texto já vai longo, vamos ficar por aqui, aguardando os acontecimentos. Muita coisa mais haveria a dizer.

(In "fórum Covilhã", de 09/01/2018)

3 de janeiro de 2018

NATAL NO TEMPO DO PADRE CARRETO E O ASILO COM D. GONZAGA

Ainda em época natalícia e no surgimento de um novo ano, proporcionam-se sempre algumas memórias da ancestralidade das nossas vidas, num ambiente ameno entre familiares, antigos colegas e amigos, daqueles idos tempos da década de 50 do século XX. Era a catequese, que geralmente se designava de doutrina; e a escola primária, hoje ensino básico.
A diferença abismal entre a inexistência de meios de distração, para além dos cinemas paroquiais, e do Teatro do Pina, para os mais velhos, e o futebol no Santos Pinto, quando o havia aos domingos, com os relatos na Emissora Nacional, muito ouvidos pelas tabernas; e a falta da televisão que só em 1957 surgiu no nosso País, e o que hoje envolve esta era digital; levava a reunir-se então  a criançada na Igreja de São João de Malta, freguesia de São Pedro, paroquiada pelo padre José Domingues Carreto, para a “Novena do Menino Jesus”, de 16 a 24 de dezembro.
A rapaziada entoava então o cântico ao Menino Jesus, com uma expressão forte que ficou na memória de alguns, hoje já avós e bisavós:

Ó Infante Suavíssimo
Ó meu Amado Jesus
Vinde alumiar minha alma
Vinde dar ao mundo luz.
Ó meu Amado Jesus
Ó meu Amado Jesus
Delícias do coração
Só por vós se pode estar
Só por vós se pode estar
Toda a noite em oração.

Já a escola onde andei na primária – “Asilo – Associação Protetora da Infância”, era frequentada por alunos pobres (um deles ia descalço), por remediados e por alguns de certo modo abastados,  numa polivalência de interesses.
Esta associação que depois foi transformada em escola, foi criada em 9 de junho de 1870, no reinado de D. Luís, com o nome “Real Associação Protetora da Infância Desvalida”, destinada à criação de um asilo, cuja inauguração se verificou em 25 de julho de 1871. Teve efémera duração.
Por falta de utentes, em substituição do asilo foi criada uma escola destinada à instrução primária; e uma biblioteca (estatutos aprovados em 22 de dezembro de 1904 e regulamentos em 26 de junho de 1905).
Deixou de ser escola primária em 1968, pelas alegadas razões de existirem na cidade escolas primárias em número suficiente. Passou a ATL – Atividades de Tempos Livres.
Os principais fundadores foram Francisco Joaquim da Silva Campos Melo (Visconde da Coriscada) e José Maria Veiga da Silva Campos Melo (fundador da Escola Industrial).
Entretanto, atentemos sobre a sua biblioteca, criada numa dependência do Asilo em 4 de junho de 1882, que foi a primeira biblioteca pública aberta no País depois das de Lisboa, Porto, Coimbra e Évora. No ano de 1880, aquando das comemorações do tricentenário da morte de Camões, teve esta instituição grande preponderância no relevo dado ás comemorações. Era então Presidente da Câmara José Maria Veiga da Silva Campos Melo.
Em reunião da Assembleia Geral de sócios realizada em 19 de junho de 2000 foi deliberado e aprovado transferir para a Biblioteca Municipal da Covilhã, a Biblioteca Heitor Pinto. A transferência foi efetuada em 25 de abril de 2001, tendo sido celebrado com a Câmara um protocolo de colaboração com vista à salvaguarda, preservação e difusão do fundo documental estimado em cerca de 3 383 monografias, nomeadamente livros do século XVI.
A família Campos Melo dedicou muito carinho pela causa desta instituição. Era várias vezes visitada pelo Eng.º Ernesto de Melo e Castro, e pela sua esposa, D. Gonzaga, que algumas vezes se deslocava sozinha; muito conversadora, e disciplinadora com os alunos, por quem tinham muito respeito. Já na Escola Industrial, D. Gonzaga tornava-se uma educadora compulsiva das alunas, onde não faltavam os ralhetes, em que, qualquer desmando era objeto de forte indignação da sua parte. Respeitinho… Dos meus colegas de classe, no Asilo, recordo Rui Terenas, Carlos Fernandes, Coelho Saraiva, Albuquerque, Jorge Mota, António Chiquita, António Carriço, Mangana Nogueira, Fernandes Berto, Carlos Garcia, Luís Reis, Raul Loriga, José Bichinho, Pais da Silva, Isento, Bernardino, João Aguilar, Gil Alves, José Alberto Ruas, Duarte Brito, José Manuel Jorge, João Manteigueiro Mota e Virgílio Trindade, alguns já falecidos.
A encarregada da limpeza e da cozinha era a D. Maria Helena. Na parte da secretaria estava em par time o Sr. Belmiro, funcionário da Subdelegação de Saúde. Aos sábados de manhã, em que também havia aulas, era dividida por uma parte de Religião e Morão dada por umas freiras do Colégio das Doroteias, e, de vez em quando, pelo padre José Andrade. Seguia-se uma parte de instrução da Mocidade Portuguesa, ministrada por um sargento do Batalhão de Caçadores 2, então sediado na Covilhã, e, outras vezes, pelo João Machado, do Teixoso, já falecido, que estudava na Escola Industrial e Comercial Campos Melo.
Entretanto, o imóvel desta instituição, que foi escola, tendo sido objeto de obras de beneficiação, encontra-se sem qualquer utilidade, na Rua dos Combatentes da Grande Guerra, por parte dos seus proprietários, devoluto, quando havia muito como ser utilizado.


(In "Notícias da Covilhã, de 04/01-2018)




21 de dezembro de 2017

POIS, MAIS UM FINAL DE ANO

Que raio! Hoje, domingo, dia três do décimo segundo mês do ano dois mil e dezassete, depois de Cristo, não tinha ainda inspiração para um título a dar a este texto. Pensei um, mas, alto lá, pode vir a emanar nalguma errónea interpretação face a crónicas anteriormente publicadas. Outros destinar-se-ão para publicações noutros periódicos.
Não me esqueço duma lição de Língua e História Pátria, que o meu saudoso professor da Escola Industrial e Comercial Campos Melo, Dr. Manuel de Castro Martins, que tem o nome numa das ruas desta Cidade, nos disse, naqueles idos tempos dos finais dos anos cinquenta do século XX: “Quando quiserdes procurar inspiração basta fazer uma pequena viagem e, na tranquilidade de espírito, ela ajudará”.
Estava, então, exatamente na altura de sair à banca dos jornais: o quotidiano Público, onde vou dando uma olhadela pelos meus cronistas de eleição (que, outros, nem transversalmente lhes dou cavaco), leva-me, sempre, a ir lendo, pelo passeio fora, as crónicas mais apelativas. Há uns bons tempos atrás, as primeiras eram as do “fundador” da geringonça – Vasco Pulido Valente – que, nem ele adivinharia o que de transformação iria proporcionar ao País, de tal forma que até o Ministro das Finanças, Mário Centeno, é quase certo (à hora que escrevo estas linhas) como, também, Presidente do Eurogrupo. De facto, como diz Rui Tavares, in Público, “Às vezes, o nosso trabalho mais importante é ver o óbvio. Às vezes, o trabalho mais difícil é admiti-lo. Ver o óbvio parece demasiado fácil. Admitir o óbvio parece demasiado simples. E nós preferimos, por múltiplas razões pessoais e sociais, passar por complexos e difíceis”.
O final do ano, que se aproxima a passos largos, faz-nos emergir nas memórias impensáveis de mórbidas surpresas ocorridas no Portugal de todos nós, como foi o inferno dos incêndios, jamais visto ou algo pensado; isto, paradoxalmente, num país em que uma das grandes riquezas é a floresta, repleto de tamanhos encantos paisagísticos, então transformados numa dantesca panorâmica de cinzas e destruição.
Já antes se haviam realizado as eleições autárquicas, terminando assim o ribombar na vozearia dos prós e dos contras, no óbvio de se aceitar a democracia.
Depois, como todos os anos, nesta peregrinação no planeta, alguns dos nossos e figuras sobejamente conhecidas do nosso País, para só dele falar, deixaram o mundo dos vivos.
É o que me ocorre num pedaço de memória na transversalidade deste ano da graça de 2017.
Voltemo-nos agora, no que se insere no nosso meio, para aquele movimento organizado ou prática de associação de grupos sociais, quer seja na vertente cultural, quer na cívica ou laboral, para defesa de interesses ou de obtenção de objetivos comuns, cuja designação os dicionários registam na palavra associativismo.
Tendo já sido objeto de referências e até debates autárquicos não há dúvida que o Concelho da Covilhã tem o pendor do maior número de agentes culturais de todo o distrito, há muitos anos referido. Daí a responsabilidade de cada instituição, seja ela de que cariz for, se empenhar com ações justificativas da sua existência e manutenção, nas atividades que às mesmas dirão respeito, sempre que possível na criatividade em prol da sociedade onde se inserem.
Não vou falar das muitas existentes neste Concelho, mas tão só deste Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes, do qual tenho orgulho de ser associado e colaborar no seu órgão trimestral – O Combatente da Estrela. Se, por vezes, podem existir ventos e marés fruto da sua existência, e não da passividade em ações desenvolvidas, sintoma de que há vida e não inércia, há conhecimentos e não ignorância do que por aqui se faz, a realidade resume-se naquela vertente de que a instituição prevalece nos requisitos que urge para se integrar no verdadeiro associativismo.
Basta uma leitura atenta deste periódico para se verificarem as várias atividades desenvolvidas ao longo do ano neste Núcleo, os artigos de opinião de distintos Colaboradores, sem esquecer os Associados, independentemente de serem ou não Antigos Combatentes (alguns não o foram, porque não foram chamados, mas cumpriram a sua obrigação militar), e, mormente, quando se separaram eternamente de nós, pela parte física, porque espiritualmente continuam vivos.
O Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes continua bem vivo, como atrás referi, e, não só pelas razões referidas, como também por outras ações desenvolvidas ao longo do ano, já sobejamente conhecidas, como, ainda, ter a sua sede aberta, onde, para além de poderem confraternizar, pela manhã ou pela tarde, há sempre um jornal diário, e outros periódicos para leitura.
Se falarmos nas ações do CAMPS da Beira Interior no seio deste Núcleo, podemos verificar quanto valor não tem a sua ação na terapia de acompanhamento psicológico dos associados, e suas famílias, face à perturbação do stress pós-traumático de guerra, conforme já foi referido no último número.
Depois, o associativismo não se faz sem pessoas, quer sejam as da sua massa de associados quer a dos seus dirigentes, estes que são a mola impulsionadora que faz andar a máquina, que a oleia com o seu dinamismo, que lhe incute entusiasmo, que lhe gera criatividade.
Nesta situação, o Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes tem vindo a ser bem servido, ao longo dos tempos, dos obreiros que conseguem manter a pedra angular desta instituição, entre, por vezes, altos e baixos; pudera, não fossem eles humanos, e, consequentemente, com pontos de vista que podem, por vezes, divergir de parte da construção. No fundo, ao longo dos tempos, todos deram parte do seu esforço em prol do Núcleo, não tivessem eles sido Antigos Combatentes!
Por último, não nos podemos esquecer que quem se encontra ao leme do navio tem a grande responsabilidade de o fazer chegar a bom porto, independentemente de, por vezes, os mares se encontrarem agitados, mas, nesta vertente, é preciso a inteligência de saber procurar as águas tranquilas. O Núcleo da Covilhã sempre soube encontrar esse Comandante e, já lá vão décadas, que o mesmo se encontra a saber encontrar os ventos favoráveis na rota certa.

Porque as palavras já se alongaram, resta-me desejar a todos quantos entraram nesta embarcação, sejam eles dirigentes, associados, colaboradores deste jornal e amigos, da CAMPS-BI, e aos prezados leitores, bem como a todas as suas famílias, os votos de um Santo Natal e um Feliz Ano Novo.

(In "O Combatente da Estrela", nº. 109 - Dezembro/2017)

13 de dezembro de 2017

O VENTO QUE PASSA

Aproximamo-nos do virar de mais uma página da história no planeta, na Europa, em Portugal, no nosso concelho, e no nosso próprio seio, para a contagem de mais um ano deste século.
Pelo mundo, um diabólico vento americano emergindo de um louco Trump, agitou outros ventos entre judeus e muçulmanos. E é assim que Jerusalém, onde já estive por duas vezes, passa de uma certa estabilidade para uma situação belicista, onde a vingança é uma das armas. Na Coreia do Norte, um desvairado líder, qual Nero a incendiar Roma, lança fortes ventos de uma demência de difícil cura.
Os europeus têm-se visto confrontados entre bons, regulares e maus ventos. O divórcio entre o Reino Unido e a União Europeia está a consumar-se. O juiz “Brexit” lá foi conseguindo que os filhos deste matrimónio, agora dissolvido, não fossem totalmente abandonados e, ao invés, selaram um acordo que protege os direitos dos cidadãos europeus que vivem no Reino Unido e vice-versa. O “casal” separado tenta agora alcançar o seu divórcio amistoso por forma a continuarem uma outra amizade. O “companheiro” Donald Tusk não deixa de avisar a sua “ex-companheira”, Theresa May, que “Romper é difícil, mas romper e construir uma nova relação ainda é mais difícil”. E, assim, de ventos de monção que nem são destas paragens nem desta época, mas imaginários, procura-se alguma brisa. E esta, antes que seja um vendaval, só na segunda fase das negociações sobre a futura relação entre Londres e Bruxelas.
Por este retângulo à beira-mar plantado, como aprendi dos tempos da primária, hoje, ensino básico, muitos acontecimentos foram surgindo do primeiro ao décimo segundo mês do ano da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo de dois mil e dezassete, como em registos muito antigos assim se referia. Fazer um repertório de muitos dos eventos, e dos desencantos, para além do mais evidente, não caberia neste espaço, e são já do domínio público. Assim como o desaparecimento de figuras públicas, de várias vertentes da sociedade portuguesa, que todos os anos trazem o vento da inevitabilidade.
Apesar de tudo, como refere José Pacheco Pereira in Público, “… ainda me hão-de explicar o que é que tem de fascinante o presente e como é que sabem que o futuro vai ser melhor. Nem o presente é brilhante, o que acontece é que estamos presos nele, temos de viver nele, e nem ninguém sabe o que vai ser o futuro porque a essência da história é a surpresa. Pelo contrário, no passado podemos escolher algum proveito e exemplo, mesmo que saibamos que ele nunca se repete, e se se repete, tem sempre tendência para ser como comédia…”
Mas situemo-nos no nosso Portugal, onde outrora, nas eras quatrocentista e quinhentista, os portugueses se lançaram na aventura dos Descobrimentos, por mares nunca dantes navegados. Como não há mais nada para descobrir, os portugueses continuam na senda das aventuras pelo mundo e, como crentes do seu europeísmo, por este velho continente. É agora por via dos ventos direcionados na integração e união entre os povos, para a Paz Mundial e Direitos Humanos, que aí foi pegar no leme da organização um português e beirão, António Guterres, praticamente no início deste ano, ainda que oficialmente tivesse sido umas semanas antes do final do transato ano; depois, na união económica e política de agora 27 Estados-membros independentes onde já esteve Durão Barroso a presidir à Comissão Europeia (que algumas vezes não passou de joguete de Angela Merkel), agora neste final do ano surge o Ministro das Finanças, Mário Centeno, a ser eleito para presidente do Eurogrupo, dezassete meses depois de Portugal ter sido campeão europeu e sete meses depois de Salvador Sobral ter ganho a Eurovisão.
Pelo concelho da Covilhã outros ventos vinham anunciando transformar-se num furacão para se sobreporem aos ventos que sopravam na região concelhia, mas nem a ciclone chegaram, ainda que, mesmo assim, perspetivem vir aí um tornado. O que é certo e verdade é que os ventos alísios vão predominando em relação aos vendavais anunciados.
É que “O Vento Mudou”, pois “Oiçam, Oiçam, O vento mudou e ela não voltou; as aves partiram, as folhas caíram. Ela quis viver e o mundo a correr prometeu voltar se o vento mudar”, mas isto é tão só na canção de Eduardo Nascimento.
Que outros ventos também podem passar pela “Trova do Vento que Passa”, de 1963, balada do meu antigo colega de profissão, António Jorge Moreira Portugal, já falecido, e de seu cunhado Manuel Alegre, e cantada pelo saudoso Adriano Correia de Oliveira.
Alguns ventos vieram-me trazer o software que por vezes falta no meu hardware, isto porque já ultrapassou mais de dois terços do seu tempo provável de vida. Isto faz-me recordar o velho Galileu Galilei (1564 – 1642) quando alguém perguntou a este importante homem de ciências italiano a idade que tinha, tendo respondido: “Oito ou talvez dez”, explicando imediatamente que, na verdade, tinha apenas os anos que lhe restavam da vida, porque os já vividos não os tinha mais. Assim, há que aproveitar o tempo remanescente.
Aproveito para desejar a todos os meus leitores, amigos, colaboradores deste jornal na sua íntegra, e suas famílias, um Santo Natal e um Feliz Ano Novo.

(In "Notícias da Covilhã", de 14-12-2017)


12 de dezembro de 2017

IDADE DA PLENITUDE

Nada melhor do que ir ao encontro de um grande senhor da nossa cidade, para nos falar da idade de ouro, dos meninos da idade maior, dos nossos seniores, pela grande experiência alcançada ao longo dos anos, também ele, a viver, intensamente, o início da última (supostamente) etapa da vida.
Estou a falar, como calculam, do Senhor João de Jesus Nunes.
“Se há alguém que não receie a idade, sou uma dessas pessoas e até detesto quem é rotineiro do nada fazer após uma aposentação, salvo os casos de incapacidade por doença”, palavras do nosso anfitrião. Diz mesmo que se a vida teve um princípio, um dia terá o seu fim. É por isso que continua a viver cada dia, com as ocupações que lhe dão prazer (e são muitas), desenvolvendo atividades, escrevendo para a posteridade os seus brilhantes saberes, integrando equipas de ação diversa, contribuindo para a melhoria da nossa sociedade e do bem-estar dos que entram no grupo etário sénior.
O nosso amigo João, que dispensa quaisquer apresentações, homem simples, invulgar e dotado de um enorme coração pleno de sensibilidade e de amor ao próximo.
A sua vida, cuja história está ainda por contar, tal a sua riqueza de conteúdo e de saber, serve de exemplo ao mundo. E é por isso que, chegado a esta idade não escamoteia nem nega que esta é a idade da plenitude, do amor, da compreensão e do ensinamento.
Tem uma noção muito completa do que é e deverá ser, a idade maior daqueles meninos que já tudo fizeram para contribuir no desenvolvimento e engrandecimento do país, mas e também, para gerar família e, com isso, trazer ao mundo novos mundos de técnica e sabedoria.
De acordo com o que nos refere o nosso amigo João, “… é indubitável que no avançar da idade o organismo humano sente mudanças físicas que alteram as suas funções. Daí também mudanças nos seus comportamentos, pensamentos, sentimentos, e, obviamente, nas suas ações e reações. Deste estado, por vezes nalgumas pessoas leva-as a incapacidades que originam na própria família impossibilidade de manter condições de tempo, meios de atendimento do seu familiar e disponibilidades financeiras, para do mesmo se ocupar…”
Salienta ainda que “… somos o 7.º país mais envelhecido do mundo e, lamentavelmente, o que nos dói, é que 40% dos portugueses com mais de 65 anos passam oito ou mais horas por dia sozinhos, numa solidão desmedida, mesmo nalguns lares. E a Covilhã não é exceção. Que o digam as Conferências Vicentinas…”
A sua preocupação é bem patente, no que concerne ao bem-estar e qualidade de vida dos nossos seniores. De tal forma que:
“Envelhecer é redescobrir uma vida nova em cada dia.”
“A pessoa, nesta fase da vida, nasce novamente para uma vida cercada de surpresas, pronta para lhe garantir novos dias em vários campos.”
“Ainda que seja a época do aparecimento das doenças, por vezes mais invulgares, torna-se essa uma fase onde as emoções podem emergir muito mais facilmente.
Aproveitar a Idade da Plenitude ou Terceira Idade, como lhe queiram chamar, mas não de velhos ou idosos, é saber o valor de cada momento que se vive, seja antes, durante ou depois. Entender que tudo isto tem uma hora e, consequentemente, cada hora tem seu brilho.
Temos que compreender que, para não envelhecer, só morrendo jovem. Seria melancólico não poder conhecer o mundo em toda a sua grandeza, de eternizadas experiências ao longo da nossa vida, até ela chegar à sua plenitude.”
Como voto de coragem para todos, mas, em particular, para os que ainda acreditam no amanhã e, acima de tudo, nos nossos gestores políticos locais, deixa-nos este grito de glória, como exemplo a seguir.
“… tão só para deixar registado que, graças a Deus, o sentimento que vai na minha alma é de ter deixado tudo fora das gavetas, as tarefas executadas, ao longo da minha vida.
Ter dado a conhecer aos outros, para a atualidade e, eventuais vindouros interessados, tudo o que vou fazendo, sim com esforço, mas com muita dedicação e carinho, desde o mais de meio milhar de crónicas e textos de opinião em mais de duas dezenas de jornais regionais e alguns nacionais, aos livros que vou escrevendo (atualmente 10 já escritos), à memorização de eventos, factos e figuras de que as gentes da nossa gente tanto gostam, orgulha-me.
Tive o prazer de ter influenciado positivamente decisões por virtude de criatividade do pensamento, daí resultando a participação ou integrando, por convite, em algumas conferências ou debates, bem como o sucesso em duas grandes exposições temáticas que proporcionei à cidade.
Se algo posso ter dado de conhecimento, mais como autodidata, tenho a humildade de reconhecer que todos os dias tenho aprendido com todos, nos gestos e atitudes de quantos se cruzam comigo no caminho do quotidiano. E os que mais me ensinaram, e continuam a ensinar, são exatamente os pobres e os mais modestos.”
Homem de confiança, acredita que é possível elevar as sensibilidades do nosso município, na pessoa do seu Presidente Dr. Vitor Pereira, alcançando objetivos que, num passado recente, chegaram a ser uma realidade comprovada e amplamente testada.
E a sua alegria de viver, leva-o mesmo a referir que: “Se por vezes me manifesto como um pessimista, por coisas que vão surgindo, quer no planeta, quer neste país, quer ainda na minha terra – a Covilhã, paradoxalmente sou mais um otimista, pelas várias facetas da vida e uma delas é a “idade da plenitude”, ou seja, aquela que eu considero como designação mais correta, ao invés das que, oficialmente, se designam de terceira idade (aliás já existe uma quarta idade segundo alguns geriatras, ou seja, entre os 78 e os 105 anos), e também de velhice ou idoso.”
Preocupa-o ainda que:
“A velhice tenha deixado de estar associada a uma incapacidade para trabalhar para ser entendida como uma “inatividade pensionada”, ou seja, que a generalização dos sistemas de reforma tenham contribuído para que todas as pessoas, a partir de uma determinada idade, ficassem “dispensadas” de trabalhar, independentemente da sua capacidade para realizar trabalho.
Os receios agora também existem nos dados demográficos, pois segundo o Eurostat, Portugal é o quarto país da Europa onde a população com 65 ou mais anos depende mais da população ativa, com uma relação de 29,6% acima da média europeia. E confirma-se, assim, a tendência de diminuição da natalidade e do aumento de esperança de vida no país, nos últimos vinte anos.”
Por fim, sendo dispensável para a maioria, é bom que a nossa juventude saiba quem é este Senhor com H grande. Trata-se de:
João de Jesus Nunes, 71 anos, casado, pai de dois filhos e avô de quatro netos. É natural de Vila do Carvalho e residente na Covilhã desde os 9 anos. Estudou na Escola Industrial e Comercial Campos Melo onde tirou o Curso Geral do Comércio. Aos 17 anos empregou-se na Câmara Municipal da Covilhã, depois de, efemeramente, ter passado por uma firma comercial desta cidade, agora extinta.
No cumprimento do serviço militar obrigatório, tirou o curso de Sargentos Milicianos.
Partiu, depois, para o Soito – Sabugal, onde, durante um ano foi empregado de escritório duma empresa de refrigerantes, também já dissolvida.
Surgiu-lhe uma oportunidade, na Covilhã, para gerente da Companhia Europeia de Seguros, onde permaneceu durante 20 anos, até que, sequencialmente com a Liberty Seguros, passou a trabalhar por conta própria, como empresário, até que chegou a hora da aposentação.
Que brilhante exemplo para a posteridade, que extraordinária história de vida.
BEM-HAJA, SENHOR JOÃO DE JESUS NUNES.

“OS MENINOS DE ONTEM”, por António Rebordão


(In “fórum Covilhã”, de 12-12-2017)

ABOMINAÇÃO OU ACEITAÇÃO

O ano em curso aproxima-se do seu ocaso. Há sempre o alfa e o ómega. Ao longo deste ano surgiram muitas coisas nas nossas vidas, nos nossos espaços de ação, no nosso País, com destaque para as grandes catástrofes dos incêndios, com mais de uma centena de mortos, que grassaram no território português, e, para mal dos nossos pecados, ainda uma seca severa nos veio atormentar. Mas também houve coisas importantes a abonar a favor de Portugal, e, como referiu o diário espanhol El País, “Portugal ‘transmite paz’, e os seus diplomatas elevam esse valor de sossego ao seu trabalho nas sombras dos grandes poderes”.
Como inicialmente referi, se há um princípio também há um fim. Este pode vir mais cedo ou mais tardiamente, quando menos se pode esperar. Assim aconteceu, também este ano, com figuras sobejamente conhecidas dos portugueses, de várias esferas da sociedade.
Vou falar de outros acontecimentos que vão surgindo, como o celibato dos sacerdotes. Em novembro correu por toda a comunicação social a situação do padre do Funchal Giselo Andrade, que em agosto foi pai e assumiu a paternidade. Discutiu-se a sua situação, de poder ou não continuar a ser padre. O cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente, admitiu que não tem que abandonar o sacerdócio “desde que cumpra o celibato”. O cardeal disse ainda que estas situações são tratadas pelo respetivo bispo, até porque “todas as dioceses são autónomas”. Já Frei Bento Domingues, in Público, diz que a Igreja só está “com este problema ridículo às costas porque recusa discutir o fim do celibato eclesiástico”. Ainda sobre o problema da sexualidade, a teóloga Teresa Martinho Toldy refere se “não será legítimo perguntar o que pretende a Igreja fazer relativamente a padres e bispos que sejam homossexuais?” Na realidade, para além de casos sobejamente conhecidos, outros, supostos, de há muito tempo, foram notícia, em 2013, como a homossexualidade do bispo português D. Carlos Azevedo que se encontra em Roma, confirmado num dos canais da televisão pelo falecido padre Carreira das Neves.
Na diocese da Guarda surgiu a situação do ex-vice-reitor do Seminário do Fundão, padre Luís Mendes, que foi condenado a dez anos de prisão pelo abuso sexual de menores. Neste caso de pedofilia, o bispo da Guarda, D. Manuel Felício, sempre tentou proteger este padre. Será que o mesmo continuará a exercer o sacerdócio após cumprir a pena?
Há cinco anos, um amigo pediu-me para investigar algo sobre seu avô, padre Manuel António Rodrigues Mouta, que fora capelão da Igreja da Misericórdia na Covilhã. Quando o padre Mouta visitava frequentemente as suas duas filhas (nascidas em 1913 e 1915), criadas pela família ligadas ao sacerdote, fazia-se passar por padrinho. Nos documentos das suas filhas surgia a designação de “pai incógnito”. Face a esta situação, decidiu apresentar o seu caso ao bispo da Guarda, pedindo a sua resignação de padre, a qual lhe foi negada pelo bispo. Retirou-lhe, entretanto, a possibilidade de celebrar a Eucaristia. Foi colocado como capelão do hospital da Santa Casa da Misericórdia, sem esta função litúrgica. “Era, para ele, um ato de humilhação pública, não podendo celebrar missas, era também, a nível pessoal, um castigo”. Consta ainda que, à altura, esta conduta para com o padre Mouta foi mal recebida na Covilhã porque era muito querido das pessoas. Que a população se organizou e fizeram uma manifestação na Guarda na tentativa de falar com o bispo da diocese. Perante esta pressão dos covilhanenses, o bispo reconsiderou e o padre Manuel Mouta voltou à Igreja da Misericórdia, sendo que um dos seus pontos que o destacava ainda mais era, na Sexta-Feira Santa, a impressionante voz para os cânticos do Enterro do Senhor, vindo gentes de todo o lado para o ouvir.    
Após aturadas investigações e, conforme atas das sessões da mesa administrativa da Santa Casa da Misericórdia da Covilhã, foi constatado que o padre Manuel Mouta foi nomeado interinamente capelão desta instituição em 13/12/1935, tendo sido mais tarde coadjuvado, face ao seu estado de saúde, e, depois substituído, interinamente, pelo padre José Mendes Pina, em 31/07/1944. Pela ata de 26 de março de 1945, desta Santa Casa da Misericórdia, dava-se conhecimento do falecimento do padre Manuel Mouta, ocorrida na madrugada do dia 21, “num quarto particular do hospital para onde tinha sido transferido da sua residência particular (…) e assim morreu, rodeado dos desvelos das reverendas irmãs (…)”.
Depois, o Notícias da Covilhã enaltecia as qualidades do sacerdote e enfatizava as notícias sobre o seu falecimento.
Só que o padre Manuel António Rodrigues Mouta foi pároco de Nª Sª da Conceição, de 1932 a 1933, sucedendo a provável seu irmão, padre João Rodrigues Mouta, que exerceu também ali o seu múnus, de 1899 a 1932. Sucedeu ao padre Mouta, o padre José de Andrade, ainda muito recordado, de 1933 a 1968.
Isto equivale a raciocinar que, durante duas décadas, o padre Mouta terá conseguido encobrir a sua paternidade ao bispo.
Sobre o assunto do celibato clerical muito haveria a dizer, mas o espaço não o permite. Existem muitas contradições, mas o que é certo é que ele já vem desde longa data. Vejam-se, por exemplo, o que dizem os vários Concílios: Concílio de Elvira, do ano 303 a 324 – O Concílio produziu um conjunto de cânones (regras) que regulam variados aspetos da vida cristã, como o celibato clerical. Primeiro Concílio de Niceia, no ano 325: Cânone I – Eunucos podem ser recebidos entre os clérigos, mas não serão aceites aqueles que se castram. Cânone III – Nenhum deles deverá ter uma mulher em sua casa, exceto sua mãe, irmã e pessoas totalmente acima da suspeita. Cânone IX – Quem quer que for ordenado sem exame deverá ser deposto, se depois vier a ser descoberto que foi culpado de crime. Segundo Concílio de Latrão, no ano 1139: Cânone 4 – Injunção contra os bispos e outros clérigos para que não provoquem escândalo ao vestir roupas muito ostensivas e recomendando que se vistam modestamente. Cânones 6, 7 e 11 – Repetiram a condenação do Primeiro Concílio de Latrão sobre o casamento e o concubinato entre padres, diáconos, subdiáconos, monges e freiras. Cânone 27 – Freiras foram proibidas de cantar no mesmo coro que os monges. Terceiro Concílio de Latrão, no ano 1179: Cânon 11 – Proibiu os clérigos de terem mulheres em suas casas ou visitar conventos de freiras sem um bom motivo; declarou que os clérigos casados perderiam seus benefícios; e decretou que os padres que praticarem a sodomia deverão ser depostos de seus cargos e fazer uma penitência – enquanto que leigos serão excomungados. Quarto Concílio de Latrão, em 1213: Cânones 14-18: Regras de conduta do clero, proibindo e combatendo a vida não celibatária, embriaguez, frequência a tabernas, caça ou participação em combates. Concílio de Trento, de 1545 a 1663: emitiu um decreto sobre o celibato clerical. Seguiu-se o Vaticano I.
Fica assim, uma reflexão sobre este importante tema.

Votos de um Santo Natal e um Feliz ano 2018


(In "fórum Covilhã", de 12-12-2017)

15 de novembro de 2017

FÓRUM DO ASSOCIATIVISMO

Com muito agrado li a notícia no número de 9 de novembro, do Notícias da Covilhã, sobre a pretensão do Município na recolha de contributos para a elaboração de um regulamento, a aprovar em 2018, definindo a atribuição dos seus apoios às agremiações do concelho.
Que efetivamente o fórum do associativismo se realize, e se prepare, com rigor, daí saindo prescrições para quem pretenda levar o associativismo a sério, e não mais a existência de uma associação ou coletividade de fachada, sem ações em proveito dos associados e demais populações covilhanenses interessadas.
É na realidade o concelho da Covilhã que detém o maior número de agentes culturais do distrito, considerando os mesmos inseridos em quase três centenas de associações e coletividades de todo o Concelho.
E a sua longevidade é assaz importante, pois muitas delas, várias já centenárias, tiveram origem no operariado dos lanifícios, outras das agremiações patronais, outras ainda do desejo de também se inserirem na locução latina mens sana in corpore sano, onde o desporto, principalmente na vertente do futebol, teve um manancial de alegrias que levou o nome da Covilhã bem alto para além das suas portas.
Uma palavra de apreço para a proposta do vereador da oposição, Adolfo Mesquita Nunes, que deu origem a esta decisão, e acrescenta para “uma maior eficácia e transparência”, palavra que muitos dirigentes não gostam de ouvir. Penso que já o anterior vereador da oposição, José Pinto, havia também tomado posição nesta desejada conduta.
Em nenhum momento se pode ver o Município a despejar dinheiros pelas várias associações e coletividades, sem ter a certeza, sob comprovativos, ainda que em futuro imediato, de que os mesmos vão servir para causas em prol da sociedade, por que as mesmas associações e coletividades têm o dever de contribuir, nas várias formas por que se geraram; tão-pouco para
cobrir despesas com as suas sedes, sem um real sentido do mesmo ser bem empregue.
Muitas coletividades houve que outrora foram referência na Covilhã, e tiveram iniciativas inéditas, depois continuadas por outras ainda vivas, mas hoje já não existem, não deixando, contudo, de ser memorizadas, e, nalguns casos, celebradas as suas efemérides.
As gentes que nos anos 50 e 60 eram jovens e se envolviam no dirigismo citadino e concelhio, vivendo as agruras da vida e sem os meios de distração de facilitismo como os de hoje, sentiam prazer na reunião em redor dessas associações e coletividades, e trabalhavam com afinco. No tempo presente, em idade de reforma, muitos veem mais o associativismo como um meio de aproveitar muitas das coletividades transformadas em autênticas agências de viagens que, mal acaba uma já está outra no seu seguimento, levando alguns associados a sentirem-se preteridos porque já não foram a tempo de se inscreverem no quase secretismo. Outras, tão só para manter o seu bar aberto.
Hoje, falta aquela vontade indómita para inovar, gerar ideias, retirar das gavetas e dos sótãos o
que pode ser visto, em iniciativas várias, pela sociedade. Poder-me-ão dizer que a Cidade já tem museus, teatro, cafés acolhedores onde também se passam momentos culturais, ranchos folclóricos, vários escritores. Mais uma razão para que as associações ou coletividades se embrenhem na inovação, no acarinhar os associados, no desempenho das missões que lhes cabem.
Reconhece-se que, nos dias que correm, é mais fácil, face às comodidades e facilidade existentes, fruto da modernidade, passar mais tempo com a família, sossegados, que inserir-se no dirigismo associativo; mas tudo depende como se abordam para projetos para o bem-comum, deixando o lugar a outros menos saturados, porque há sempre ideias inovadoras, há sempre a possibilidade de juntar juventude a mais experientes. Não é fácil, mas é possível. Então por que estão cada vez mais a surgir eventos nostálgicos dos tempos de outrora?
Não tem qualquer sentido manter os mesmos dirigentes anos sem fim, sem renovação, muitas vezes com a desculpa da apatia dos restantes associados quando não se contribuiu para os acarinhar, e, nalguns casos, com a formação elitista de grupos no seio dessas associações.
Cada vez se vê mais o surgimento de escritores e alguns poetas nesta Cidade. Importante. Mas, para além da apresentação das suas obras, deixou de se ver um encontro de escritores nacionais, para além dos convidados em “cafés literários”. Na minha secretária tenho uma separata do quinzenário O Olhanense dando grande destaque ao III Encontro Internacional Poesia a Sul, de Olhão 2017 (3 a 12 de novembro). São 55 poetas (portugueses, espanhóis, cubanos, irlandeses, marroquinos, chilenos, turcos, brasileiros, mexicanos, porto-riquenhos, da República Dominicana, venezuelanos, holandeses, australianos, vietnamitas; de médicos a advogados; de professores universitários a pintores e artistas plásticos). O organizador, olhanense Fernando Cabrita, advogado e poeta, tem o apoio da Câmara de Olhão. Um evento verdadeiramente notável, que já vai na sua 3ª edição.
Com o desaparecimento recente do saudoso bispo, D. Manuel Martins, recordo um evento cultural importante quando presidi a uma associação cultural e recreativa da Covilhã, no dia 17 de junho de 1995. Foi então ele, a quem me dirigi, que me indicou um grupo de timorenses que depois vieram à Covilhã atuar e proporcionar uma excelente exposição temática sobre Timor, contribuindo assim para uma tomada de posição a favor da ajuda ao então massacrado povo maubere, antes da independência.  

Uma casa que não apresenta obras, ainda que tenha poucos associados, não merece ter as portas abertas, ao sabor dum apoio que sai do bolso dos munícipes.

(In "Notícias da Covilhã", de 16-11-2017)

14 de novembro de 2017

A FERRUGEM

Umas cervejas no Celso. Acompanham umas moelas ou umas palitadas. E, vai daí, o tempo que passa vai desenferrujando a língua com o José Augusto, e outros de companhia ou de ocasião. Por vezes, o telemóvel vem desassossegar. Ou interromper a conversa da ferrugem que por aí vai grassando: no país, na região, no nosso meio.
Até se fala da oxidação que, imaginados bem-falantes desta terra, vão deixando nas redes sociais; pensando que os seus escritos no Facebook estão providos da “solarine” que limpa as suas palavras ferrugentas, como metais, mas de grossos erros ortográficos, de pontuação, de iliteracia. Como sói dizer-se: de caixão à cova. Mas surgem imponentes no meio social, sem vergonha. Qual quê? Os ensinamentos não foram o suficiente, os cuidados com o oxigénio e a água foram poucas. Resultado: a ferrugem!...
Mas, atenção, é que o trigo está mesmo a ser ameaçado pelas ferrugens de todo o mundo. Em Portugal, esta doença fúngica – ferrugem-negra-do-trigo – não ocorre com frequência, mas a Península Ibérica já sofreu uma epidemia de ferrugem-amarela-do-trigo, que também afeta este cereal. É uma ameaça à produção de alimentos e aos meios de subsistência de pequenos agricultores. Já em 2013 e 2014, Portugal havia sofrido uma epidemia causada por uma outra estirpe de ferrugem-amarela. A FAO já alertou para a necessidade de vigiar os países da Europa e do Norte de África, para se evitarem epidemias das ferrugens do trigo.
Mas, um outro tipo de ferrugem aconteceu, melhor, foi retirada, volvidos cem anos, do soldado João Ferreira de Almeida, condutor do Corpo Expedicionário Português, fuzilado aos 23 anos, em 1917, em teatro de guerra, julgado incorretamente por traição à Pátria. Foi agora reabilitado o último condenado à morte, como militar, pelo Estado português, permitindo a reintegração entre aqueles cuja memória é recordada nas cerimónias da evocação da 1.ª Guerra Mundial, revelou o Conselho de Ministros, em comunicado recente (O Combatente, setembro 2017).
A este respeito, é oportuno recordar que foi há 150 anos que Portugal dava o exemplo que a Europa iria imitar. Em 1867, o rei D. Luís oficializava a abolição da pena de morte, tornando Portugal o primeiro grande Estado europeu a fazê-lo. O último condenado, assim como o padre que o confortava, acabariam por morrer no dia 16 de março de 1842, ou seja, 25 anos antes da abolição da pena de morte, face à “ferrugem” que não largava a sentença da justiça dos europeus em situações consideradas mais graves. Mostrava-se, assim, que este tipo de acontecimento já chocava a população portuguesa e estava abolida na consciência social. Eram uma hora e um quarto daquela data, segundo o Diário de Lisboa, em 1922, quando estava o condenado Matos Lobo, de frente para o rio Tejo com a corda ao pescoço, preparado para a sentença que lhe fora aplicada, quando se dá “um incidente singular”, segundo relatam cronistas da época. “O prior de Marvão procura reconfortar o condenado, mas, subitamente, cai morto. Fulminado por uma apoplexia. Eleva-se um grande clamor na multidão e o corpo do sacerdote é imediatamente retirado na cadeira onde viera o condenado” (Público, de 24/4/2017).
Quem das palavras se desenferruja, e se abrilhanta nos afetos, é o presidente Marcelo, contra o populismo. Que, lá isso da oxidação, não se consegue livrar Sócrates, acusado de mais de 30 crimes. Vejamos nesta que foi a construção de uma rede de influências até às mais altas instâncias do Estado, sem que houvesse qualquer mecanismo de controlo capaz de detetar e eliminar em tempo útil a ferrugem que já se ia acumulando, como a nomeação de gente sem currículo para a administração da CGD. E não havia ninguém no Governo, na própria imprensa, na oposição ou na procuradoria que as conseguisse deslindar.  E, segundo Pacheco Pereira, “o mundo é hoje mais perigoso do que era porque a qualidade dos que mandam baixou significativamente”.
Para algumas gentes além-fronteiras, mesmo as já inexistentes, Portugal ainda não é conhecido, imagine-se! O português mais conhecido no mundo continua a ser um jogador de futebol. Sou testemunha disso, por duas vezes, em Israel, quando nos perguntavam, quer judeus, quer palestinianos, donde éramos, e referíamos o nome de Portugal, encolhiam os ombros. Ao falar no Cristiano Ronaldo, esse era, num ápice, sobejamente conhecido. Sem pensamentos enferrujados!...
E não é que a sonda da NASA, Cassini, depois de recolher dados na órbitra de Saturno e enviado
imagens inesquecíveis dos seus anéis e luas, durante 13 anos, se despediu em definitivo, destruindo-se, em 15 de setembro deste ano, depois de em 15 de outubro de 1997 ter partido da base espacial de Cabo Canaveral, na Florida (EUA) em direção a Saturno. Não oxidou, cumpriu a missão que lhe destinaram.

Não falarei mais de ferrugem, mas agora só de lixo. Portugal já não é “lixo”. Volta aos mercados e paga taxa mais baixa da História a 10 anos, e com o desemprego do terceiro trimestre deste ano a descer para 8,5%. O que é preciso é sair do “lixo” e não continuar sujo. “Que se lixe o lixo”, assim eu me referi numa crónica em 13-07-2011, e, como já o mandámos às malvas, e para o rating que os parta, depois de cinco anos e meio enferrujados (lá voltei eu, desculpem!...), vamos estar atentos e conscientes da missão que nos cabe de podermos passar a ser europeus de primeira, e não sulistas de segunda. Termino, com as palavras de Carlos Pereira da Silva, in Público, de 18 de setembro: “Porque será que a mesma qualidade de povo, quando emigra, se torna miraculosamente produtiva? Lá fora somos bestiais, cá dentro somos bestas!”.

(In "fórum Covilhã", de 14-11-2017)

9 de novembro de 2017

FEIRA DE SÃO MIGUEL – NA COVILHÃ E EM LISBOA

A Feira de S. Miguel realiza-se no Tortosendo-Covilhã, no dia 29 de setembro, desde os tempos ancestrais. Há já alguns anos que a Casa da Covilhã em Lisboa, com o apoio das Câmaras Municipais da Covilhã e da capital, e Junta de Freguesia dos locais do evento (desde há dois anos com a de Alvalade), organiza uma réplica da mesma. Este ano realizou-se no domingo, 29 de outubro, no Mercado de Alvalade.
Para além dos nossos produtos regionais, também o folclore e as tradições são e foram presença em Lisboa, neste evento. Mas a maior, a que trás calor ao nosso âmago, e faz transbordar de alegria os corações dos covilhanenses, é o encontro de amizades nostálgicas, de familiares ou amigos que ali se radicaram, alguns com várias décadas longe das vistas dos que optaram por se manter nas faldas da serra; de semblantes já alterados pelas vicissitudes do tempo, mas de almas reconfortadas, num lenitivo momentâneo da saudade. São as gentes da nossa gente.
Mas outros há, os bons amigos, que se tornaram verdadeiros covilhanenses pelo coração, na Manchester Portuguesa, há muito Cidade Universitária; de passagem efémera ou mais prolongada; que, depois, deixaram à mesma muito do seu labor em várias vertentes na sociedade covilhanense, como nos lanifícios, nos serviços, ou por via do maior embaixador da região – o Sporting Clube da Covilhã (SCC).
É de louvar o entusiasmo, e calor emanado dos dirigentes da Casa da Covilhã, na forma como organizaram os vários serviços, acolhendo os forasteiros e locais, proporcionando assim momentos inolvidáveis passados na capital. Dessa simpatia do acolhimento é responsável o seu Presidente da Direção, Manuel Vaz Rodrigues, e todo o seu séquito de colaboradores.
Desdobrei-me no abraço a alguns que há décadas não via, como os irmãos Mouta, e outros, proporcionado, em parte, pela exposição que o Miguel Saraiva ali levou a efeito, sobre o seu livro “História do SCC”. Foi assim o recordar figuras dos leões da serra, através dos seus familiares, como as filhas do guarda-redes António José, já falecido; ou da simpática quão amável Regina Livramento, filha do Fernando Cabrita e viúva de António Livramento. Dos vivos, os cumprimentos efusivos aos antigos atletas serranos: Germano, Jorge Tavares, Coureles e Palmeiro Antunes. Este último, desde que saiu do SCC nos meados da década de 60, ainda não se tinha encontrado comigo. Num ápice, a minha pergunta: “Recorda-se daquele golo que marcou no Santos Pinto, ao Zé Maria, da Cuf, para a Taça de Portugal, passando-lhe a bola por debaixo das pernas, tendo ele depois vindo cumprimentá-lo?” Recordou-se perfeitamente. Como Palmeiro Antunes veio da CUF para o SCC, era também amigo do Zé Maria. Tem agora 81 anos e aquele encontro para a Taça de Portugal realizou-se na tarde do domingo de 26 de novembro de 1961, ou seja, há quase 56 anos!... O Sporting da Covilhã, então a militar ainda na I Divisão Nacional, foi eliminado pela CUF porque perdeu os dois jogos (na Covilhã, por 2-1; e no Barreiro, por 3-2, jogo este realizado no último dia do ano 1961). Já na época anterior, também ainda na I Divisão, o SCC havia sido afastado da Taça de Portugal, pelo Olhanense, da II Divisão, com os resultados de 1-1, na Covilhã; e 3-1, em Olhão. Ainda não havia a utilização dos cartões amarelo e vermelho, e, muito menos, o vídeo-árbitro…E, o campo, era pelado.
Já perto do final do evento, o entusiasta da organização da Casa da Covilhã, José Rodrigues, dá-me a conhecer a presença do covilhanense Simões David, com quem convivi na Covilhã, então integrando uma instituição de solidariedade social, na década de 60. A partir daí, nunca mais o havia encontrado. Era filho do antigo jogador do Montes Hermínios, Francisco Teixeira David.

São estes momentos de saudade por que vale a pena dar continuidade a este evento da Casa da Covilhã. Animaram o mesmo, grupos de bombos e cantares do Concelho da Covilhã. Estiveram presentes ao ato, e visitaram e pronunciaram algumas palavras, para além do Presidente da Casa da Covilhã, já referido, também o Presidente da Junta de Freguesia de Alvalade, o Presidente da Câmara Municipal da Covilhã e o Vice-Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

(In "fórum Covilhã", de 07-11-2017 e "Notícias da Covilhã", de 09-11-2017)

25 de outubro de 2017

COMO EU VI A TOMADA DE POSSE DA NOVA CÂMARA DA COVILHÃ

Sou dos que integram o enorme número daqueles que gostam do berço da sua naturalidade. E, nesta vertente, sou um covilhanense amante da minha Terra. Mas também pertenço aquele leque de pessoas que viveram na humildade de uma vida quando se comia o pão que o diabo amassou, em tempos de ditadura. Daí, a exuberante alegria quando raiou a democracia. E, assim, não recear os medos que dissiparam outros medos.
Tal como o som matinal, militar, que nos fazia erguer da cama, também assim fui dando cumprimento às exigências profissionais das várias atividades que desenvolvi, numa linha de rumo de esforço pessoal. Se houve satisfação por ter sido mais vezes compreendido que rejeitado, não posso deixar de reconhecer que também tive falhas, involuntárias omissões, e vicissitudes que passaram por mim, como humano. Mas, no silêncio, maior que na berraria (esta quando dotada dum sinal anunciador de injustiça) procurei encontrar as soluções.
Vêm estes parágrafos preambulares no contexto do que temos vindo a assistir na Covilhã; Terra de grandes Homens e Mulheres: do saber, do porfiar por verdadeiras causas de interesse comum, de tantas tarefas desenvolvidas desde os tempos ancestrais até aos novos conhecimentos de hoje; com condutas de quem parece que ainda vive quando a democracia era um anseio de todos, mas sufocada por muitos.
A Tomada de Posse da nova Câmara refletiu-se numa verdadeira democracia, que a generalidade do Povo Covilhanense quis imprimir à nova sociedade, numa pacífica revolta, qual abanão, pelos insultos e mentiras que um cidadão eleito para o lugar não desejado, vinha dando sinais dum orgulho sem medida, em profecias de desgraça, enviando foguetes antecipados para o ar, cujo rebentamento foi malsucedido.
É bem certo e verdade o que se lê em Lucas 18:14: “Todo aquele que se vangloriar será desprezado, mas o que se humilhar será exaltado!”, para não referir mais citações.
Foi o que aconteceu com o cidadão, sobejamente conhecido, que, paradoxalmente, diz amar mais a sua Terra que qualquer outra gente, numa treta em que muitos vão no seu engodo.
Na exemplaridade de aceitar a democracia, sozinho entre os pares dessa mesma democracia, mas de linhas divergentes, socialistas, das quais discorda, se manteve Adolfo Mesquita Nunes, demonstrando assim amor à Terra que o viu nascer.
Agora, ainda mais na linha da frente, desta equipa socialista a Covilhã espera melhor, não obstante as trombetas anunciadoras de outros incêndios ou tempestades. É que os que se apregoam de covilhanenses e não aceitam a democracia, é a própria Covilhã que os deve recear, porque em vez de irem ao encontro dos interesses genuínos da sua Terra, por naturalidade ou radicação, preferem a via das profecias da desgraça, já referidas. Afinal, quem são os verdadeiros Covilhanenses? Por mais voltas que deem, o muro da maioria absoluta não será derrubado, e, por isso, o famigerado D. Sebastião ainda não é desta que surge numa manhã de nevoeiro.
Estas linhas são terminadas e subscritas por um cidadão sem partido, e sem quaisquer interesses de um apaniguado, mas tão só com os votos dos maiores sucessos para o novo Presidente da Câmara, Dr. Vitor Pereira, e a todos os eleitos, em prol da minha amada Terra – a Covilhã.

João de Jesus Nunes                                                                                         jjnunes6200@gmail.com

(In "Notícias da Covilhã", de 26-10-2017)

19 de outubro de 2017

1.º ENCONTRO DE ANTIGOS MORADORES DE DUAS RUAS DA COVILHÃ

Já há algum tempo que os covilhanenses; num aumento considerável de adesões, nostálgicos dos tempos da sua vivência entre os vizinhos e amigos de outros tempos, da infância à juventude, e não só, todos nós mortais, mas na réstia de encontros dos ainda vivos; se vêm avivando no gerar de encontros de amizade. É que, de facto, a amizade é uma verdadeira festa.
Já conhecemos os célebres convívios das “Amigas da Travessa do Viriato”, que contam já com o 6.º encontro.
Desta vez, coube a iniciativa de Manuel Valentim, da Rua Vasco da Gama, estender o convite de colaboração ao José Proença Mendes, da Rua do Serrado (diga-se, moradores de outros tempos) e, vai daí, a realização no passado dia 14 de outubro, de um interessante 1.º Encontro de Antigos Moradores das Ruas Vasco da Gama e do Serrado, na Covilhã.
Os mais de sessenta presentes neste encontro, alguns deslocando-se propositadamente de Lisboa, Vila Franca de Xira e outros locais, deram, ao mesmo, sãos momentos de franco convívio, reforço de velhas amizades, memórias contadas de momentos de saudade de tantos que há muito não se viam.
Após a receção no Largo das Forças Armadas (também conhecido por Largo de São João de Malta), foi a visita à Igreja de São João de Malta, paróquia de S. Pedro, onde muitos dos presentes frequentaram a Catequese e ainda se recordavam das “senhas” que o então pároco, Padre José Domingues Carreto, entregava às crianças, após a missa, as quais, pelo Natal, serviam para trocar por peças de vestuário e calçado, no então Salão Paroquial, sediado na cave da Igreja.
Seguiu-se um cortejo, a pé, uns; outros de automóvel; pelas ruas já referidas, para desfrutar de novas paisagens e recordar resquícios do que era anteriormente, tirar fotografias até que foi a altura do almoço-convívio num restaurante do Sul destas ruas.
E, assim, saiu a exigência de um 2.º Encontro para o próximo ano, se Deus quiser.

João de Jesus Nunes
jjnunes6200@gmail.com

(In "fórum Covilhã", de 17/10/2017; "Notícias da Covilhã", de 19/10/2017; "Jornal do Fundão", de 19/10/2017; e  "O Olhanense", a publicar em 01/11/2017)