14 de junho de 2017

EXORTAÇÃO DE SANTO ANTÓNIO

Entre a depressão e a euforia, há sempre um feliz momento em que Santo António nos exorta à esperança de melhores dias, ele, o santo casamenteiro, o milagreiro, o santo das coisas perdidas.
Às vezes é preciso desligar o “complicómetro”, como referiu David Dinis, diretor do Público. É neste pensamento que eu vou conseguindo o tempo do meu tempo de várias tarefas. E, neste contexto, até Santo António, no seu dia 13 de junho, fez coincidir o “seu dia” com o “meu dia” desta crónica.
Mas vejamos o que tem acontecido neste Portugal dos últimos tempos, em que não foram só bênçãos, ou, como na gíria futebolística, “aquela pontinha de sorte”, mas, afinal, em acreditar naquele célebre substantivo feminino que dá pelo nome de geringonça, saído nas páginas do Público, das crónicas de Vasco Pulido Valente, em 31.08.2014, e amplificado no Parlamento pelo ex-líder do CDS e vice-primeiro ministro, Paulo Portas, em 10.11.2015. Portugal cresceu, como crescem os países com saudáveis democracias. Soube, com notáveis homens e mulheres, o que é cair no fundo e levantar-se de novo. Uma grande lição para o mundo.
Portugal deixou assim de ser o dos três “éfes” (Fado, Futebol e Fátima), porque o esplendor noutros feitos veio dizer-nos que nada se faz por acaso. Salvador Sobral ganhou na canção como nunca tinha sucedido. Já antes tínhamos ganho o Campeonato da Europa, e um português, da Beira Baixa, eleito secretário-geral da ONU. Muitos factos, que não cabem neste espaço, se poderiam juntar, daqueles que os políticos gostam tanto de dar valor quando estão no Governo para se assumirem como autores do sucesso, ou, então, paradoxalmente, desvalorizar, quando ausentes do poleiro governativo, na tentativa de que seja extraída uma ilação, que poderia ser melhor se fossem eles a mandar.
E como já não há mais mundo para descobrir, as descobertas portuguesas ficam-se pela história, aliás, de grandes estórias da nossa História. Mas o mesmo já não podemos dizer dos santos, e, para se juntar ao Santo António de Portugal, a São Nuno Álvares Pereira, a Santa Isabel de Portugal e a outros santos e beatos, aí temos mais dois santos portugueses: Santa Jacinta Marto e São Francisco Marto, nomeados pelo Papa Francisco, que se deslocou a Fátima, para esse efeito, na recente comemoração do Centenário da Aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos. De notar que a Covilhã também tem um santo, o Beato Francisco Álvares, que foi operário da indústria de lanifícios. Faleceu no século XVI e foi beatificado no século XIX.
Numa altura em que já quase cheira a férias, não pela minha parte porque já estou nas vitalícias, mas de muita gente da nossa gente, a minha Covilhã vai-se vestindo de cores. Vêm aí os Santos Populares, com Santo António à frente da filarmónica, tonificada pelo cheiro das sardinhas assadas.
E, vai daí, este ano de eleições, com as Marchas da Covilhã a animar a malta, onde já mexem há muito os ensaios, dias não são dias, e, entre uma litrada ou uma bejeca, há sempre uma caracolada no Primor.
Passadas as marchas, as fugas para junto do mar, com mais copos nas esplanadas, que o sol brilha em Portugal.
E o IRS já foi e já veio o reembolso, para a maioria. Um regalo. Há que jogar uma cartada, debaixo duma parreira, de preferência.
Férias são férias. Este mês não é preciso pensar em coisas sérias. As eleições são só em outubro. Os cortejos ainda tardam a passar.
Olhando agora a minha Terra – a mui nobre Manchester Lusitana doutros tempos, universitária dos dias de hoje –, mirando-a de dentro para fora, e de fora para dentro, vamos deixar que os ventos que aí vêm ouçam, como na voz de Eduardo Nascimento, porque “Ela quis viver/E o mundo correr/Prometeu voltar/Se o vento mudar”. Mas é preciso continuar: “E o vento mudou/E ela não voltou/Sei que ela mentiu/P’ra sempre fugiu”.
A Covilhã também é geradora da AMIZADE, e, nas suas várias vertentes, esta palavra tão bonita transforma-se em FESTA; como costumo dizer: A AMIZADE É UMA FESTA!

Em Dia de Santo António, coincidente com o dia desta crónica, como atrás já referi, e no seguimento do que vem sendo um saudável hábito, o simbolismo desta data, na espontaneidade dum ato empresarial passado, na mente dum visionário português de rija têmpera, que trouxe de fora para dentro do País uma dinâmica empresarial que todo o Portugal não ignora, vai ser comemorado, na simplicidade dum almoço-convívio, nas Penhas da Saúde.

(In "Fórum Covilhã", de 13-06-2017)

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