Assim se referiu Nuno Melo, ministro
da Defesa Nacional, no dia 15 de setembro, durante a visita à sede da
Associação dos Deficientes das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique, em
Maputo.
Estas transcrições da entrevista concedida
por Nuno Melo são importantes para o trabalho que foi feito, ou vai sendo
feito, em prol dos antigos combatentes.
Se muito podia e devia ser feito
em benefício dos antigos combatentes do Ultramar, muito também já foi feito,
depois de um período de alguma paralisia ou, até, de hibernação.
Reportamo-nos a Moçambique a
propósito desta entrevista, mas o assunto abrange todas as antigas colónias
onde houve presença portuguesa.
“Na dignificação de quem, de
facto, não tem nenhum problema em honrar esta memória. Não temos vergonha nem
trauma, muito pelo contrário. Na valorização e no apoio aos antigos
combatentes, pelo papel que desempenharam. Os antigos combatentes
deram tudo para que as pátrias existissem”.
“Nós tivemos os antigos
combatentes como uma prioridade primeira desta visita”, disse, acrescentando
que a deslocação a Moçambique
representou “boas notícias” e resultados práticos.
“Nós quisemos que esta delegação
portuguesa em Moçambique, juntamente com o Governo moçambicano, quisesse dar
passos importantes para resolver problemas, alguns deles antigos e em vantagem
dos dois povos”, afirmou.
Na sede e espaço de convívio da
Associação dos Deficientes das Forças Armadas Portuguesas em Moçambique, que
reúne centenas de antigos militares portugueses e moçambicanos, Nuno Melo
anunciou o entendimento alcançado com o Governo de Maputo para as prometidas
obras de requalificação do local.
“Este edifício é um espaço de
convívio, mas também de memória e de confraternização entre camaradas que não
têm condições, mas em relação ao qual, para que o Estado português possa
intervir, ajudando na sua recuperação, temos que ter autorização do Estado
moçambicano”, explicou.
Contudo, durante a visita, Nuno
Melo recebeu o documento subscrito pela ministra dos Combatentes, autorizando
as obras no local.
A notícia, anunciada no local
pelo ministro português, deixou “emocionado” o vice-presidente da associação,
Zacarias Boane, antigo combatente pelas Forças Armadas Portuguesas.
“É uma coisa importante. É
importante”, afirmou, na presença de algumas dezenas de outros antigos
combatentes e viúvas, recordando que estes, na altura, “lutaram pela defesa da
pátria”.
“Há muito tempo, tínhamos ficado
esquecidos, não havia quem tivesse ficado perto de nós, do Governo, do Estado”,
lamentou, mas agora satisfeito pela visita de Nuno Melo, a quem pediu ainda o
apoio na documentação de centenas de outros antigos combatentes espalhados pelo
país e que não conseguem comprovar que pertenceram às Forças Armadas Portuguesas,
até porque, depois da independência de Moçambique, os arquivos ficaram no país.
Para isso, os dois governos
assinaram, também durante a visita de Nuno Melo, um memorando de entendimento
que possibilitará o acesso a esses arquivos.
“Permitirá agora que o Governo
português possa aceder e digitalizar os documentos que estão em Moçambique
desde o momento da independência, mas relativos a militares, militares que
combateram também pela bandeira e pela pátria portuguesa, que têm direitos. Mas
direitos estes têm de ser certificados”, explicou Nuno Melo.
“O que tem acontecido nos últimos
50 anos é que nós não conseguimos comprovar essa situação e esse foi um passo
de gigante que foi dado dia 14 com a colaboração da senhora ministra dos
Combatentes e agora nós, Estado português, poderemos aceder e digitalizar esses
documentos e naturalmente também o Governo moçambicano poderá consultar os
documentos que tenham a ver com a sua história e que estejam presentes em
Portugal. Essa foi uma boa notícia”, assumiu Nuno Melo.
“Lutaram por uma bandeira, por
uma ideia de pátria, foram feridos, muitos morreram. E este sacrifício é um
sacrifício que qualquer Estado, não é apenas Portugal, qualquer Estado está obrigado
a honrar e a homenagear. Sabemos sempre com dificuldades que são às vezes
financeiras, às vezes de natureza administrativa, mas no limite do possível,
estando o Estado obrigado a dar passos que honrem essa circunstância”,
concluiu.
João de Jesus Nunes
(In “O Combatente da Estrela”, n.º
144, out 2026)
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