18 de setembro de 2026

ALGUMAS MULHERES REFERIDAS NA BÍBLIA

Dando continuidade ao propósito de avivar a memória sobre algumas mulheres referidas na Bíblia, depois de ter publicado, noutro periódico de informação, o texto “As Mulheres mais importantes na vida de Jesus”, trago para este título jornalístico algumas figuras femininas da história bíblica. Se algumas se distinguem pelas suas virtudes e pela sua conduta exemplar, outras são, pelo contrário, o reverso da medalha.

Comecemos pelas filhas de Job. Depois de todas as provações por que passou, “o Senhor abençoou os últimos anos de Job, mais ainda que os primeiros”. Teve ainda sete filhos e três filhas, às quais deu os nomes de Pomba, Cássia e Azeviche. Eram consideradas as mulheres mais belas de toda a região e, num gesto pouco habitual para a época, Job deu-lhes também uma parte da herança, entre os seus irmãos.

No livro de Daniel encontramos a história de Susana, mulher de Joaquim, muito bela e temente a Deus. Dois anciãos, que exerciam funções de juízes, observavam-na e apaixonaram-se por ela. Certo dia, tentaram forçá-la a ceder aos seus desejos. Perante a sua recusa, acusaram-na falsamente de adultério, procurando que fosse condenada à morte. Foi então que surgiu Daniel, que descobriu a falsidade do testemunho dos dois anciãos. Susana foi salva e os seus acusadores acabaram condenados pela calúnia que haviam lançado sobre ela.

Na genealogia de Jesus Cristo aparecem também várias mulheres de particular importância: Tamar, mãe de Farés e Zara; Raab, mãe de Booz; Rute, mãe de Obed; e a mulher de Urias, Betsabé, mãe de Salomão. A genealogia termina em José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus.

No Livro dos Juízes surge a mulher de Manoel, inicialmente estéril, a quem um mensageiro de Deus anunciou que teria um filho. A criança seria consagrada ao Senhor desde o seio materno.  Nasceu assim Sansão, uma das figuras mais conhecidas daquele período bíblico.

Também o Evangelho segundo São Lucas nos fala de Isabel, esposa de Zacarias. Ambos eram já de idade avançada e Isabel era estéril. Contudo, a sua súplica foi atendida e nasceu João, aquele que viria a ser conhecido como João Batista.

Bem diferente é a figura de Herodíades, ligada à morte de João Batista. Herodes mandara prender João por causa dela, pois tomara por mulher a esposa de seu irmão Filipe. Durante um banquete, a filha de Heroíades dançou perante o rei, que, agradado, lhe prometeu conceder o que pedisse. A jovem consultou a mãe e esta aconselhou-a a pedir a cabeça de João Batista. Assim aconteceu, num dos episódios mais dramáticos dos Evangelhos.

 Nos Atos dos Apóstolos encontramos Lídia, natural de Tiatira e negociante de púrpura. Era uma mulher que adorava o verdadeiro Deus e escutava atentamente a pregação de Paulo. Depois de receber o batismo, juntamente com a sua família, ofereceu hospitalidade aos apóstolos, convidando-os para sua casa. É uma das primeiras mulheres cristãs cuja presença se destaca na expansão do cristianismo.

O Livro de Tobias apresenta-nos Sara, filha de Raguel. Tinha casado sete vezes, mas os seus maridos morreram, vítimas de Asmodeu, o demónio malfazejo.

Profundamente angustiada pelos insultos que recebia, chegou a pensar em pôr termo à vida. Porém, refletiu no desgosto que causaria ao pai e preferiu dirigir uma prece a Deus. A sua oração foi ouvida e o anjo Rafael foi enviado para dar remédio às dificuldades de Sara e de Tobit.

Ainda do Livro de Tobias encontramos Ana, mulher de Tobit. É retratada num momento de grande emoção, quando aguarda ansiosamente o regresso do filho Tobias. Ao vê-lo chegar, corre ao seu encontro e abraça-o. Tobias trazia consigo o remédio que permitiria ao pai recuperar a visão. Ana, emocionada, exclama: “Já te vejo, meu filho. Agora posso morrer”, numa manifestação de profundo amor maternal.

Sara, mulher de Abraão, é outra das grandes figuras femininas da Bíblia. Já de idade muito avançada, recebeu a promessa de que iria ser mãe. Deus mudou-lhe o nome de Sarai para Sara a anunciou a Abraão que ela daria à luz um filho, Isaac. Apesar da idade de ambos, a promessa concretizou-se, tornando-se Sara símbolo da fé da confiança em Deus.

Finalmente, no livro do Êxodo, encontramos a mulher que, para salvar o filho recém-nascido, o escondeu durante três meses. Não podendo ocultá-lo por mais tempo, colocou-o numa cesta de papiro, entre os juncos, junto ao rio. A filha do faraó encontrou a criança, teve compaixão dela e decidiu adotá-la. O menino recebeu o nome de Moisés, tornando-se posteriormente uma das figuras centrais da história bíblica.

São muitas as figuras femininas que se evidenciaram pelas suas virtudes ou pelos seus defeitos nas páginas da Bíblia, não sendo possível referi-las todas num espaço necessariamente limitado. Muitas das narrativas aqui recordadas são sobejamente conhecidas, mas vale a pena avivar a memória sobre personagens que, de diferentes formas, marcaram a história bíblica.

Entre muitas outras, poderíamos recordar Agar, escrava de Abraão; a profetisa Ana; a samaritana; Candace, rainha da Etiópia; Priscila, mulher de Áquila; Rebeca; a mulher cananeia: e Noémi e Rute.

São mulheres muito diferentes entre si, mas todas elas deixaram, por uma razão ou por outra, a sua marca na narrativa bíblica.

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

(In “Jornal Fórum Covilhã”, de 16-09-2026)


 

17 de setembro de 2026

AS MULHERES MAIS IMPORTANTES NA VIDA DE JESUS



 

Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, as irmãs Marta e Maria e as poderosas Joana e Susana foram algumas das mulheres mais marcantes do movimento que surgiu há mais de dois mil anos. Muitas vezes esquecidas ou relegadas para segundo plano, começam hoje a ser recuperadas pela investigação histórica.

Joana terá pertencido a um meio social privilegiado. Mulher de elite, casada com Cusa, administrador de Herodes Antipas, governador da Galileia, contrastava com as camponesas pobres que rodeavam Jesus. Mesmo assim, terá abandonado uma vida de privilégios para escutar o profeta de Nazaré.

Sobre o seu primeiro encontro com Jesus pouco se sabe. A historiadora Helen Bond, autora de Women Remembered: Jesus’Female Disciples, admite que Joana poderá ter atravessado o mar da Galileia com outras mulheres da corte para ouvir Jesus. Quando alguém precisava de ajuda ou de cura, a mensagem era simples: “não temos nada a perder”, recorda a teóloga.

É nos Evangelhos que encontramos a confirmação de que Joana foi curada de uma doença e passou a integrar o grupo que acompanhava Jesus. E não estava sozinha. Jesus fazia-se acompanhar não apenas pelos doze apóstolos, mas também com um grupo de mulheres que escolheu como discípulas.

Para o investigador italiano Enzo Bianchi, autor de Jesus e as Mulheres, esta presença feminina representava uma verdadeira revolução para a época. Num mundo profundamente patriarcal, as mulheres ocupavam um lugar secundário na sociedade e na religião. Contudo, junto de Jesus, encontraram um espaço de igualdade e participação.

MARIA, A MÃE DISCÍPULA

Maria foi a primeira discípula de Jesus. Nos Evangelhos surge poucas vezes, mas está presente em momentos decisivos da sua vida.

Um dos episódios mais significativos acontece nas bodas de Caná. Quando o vinho acaba, Maria chama a atenção do filho para a situação. Jesus responde-lhe, mas acaba por transformar a água em vinho – o primeiro milagre relatado no Evangelho de João.

Para a teóloga brasileira Wanda Deifelt, este episódio revela a influência de Maria sobre Jesus. Também o jornalista Andrea Tornielli considera que a intervenção de uma mãe terá sido decisiva para que aquele primeiro milagre acontecesse

Maria não foi, porém, apenas a mãe de Jesus. O seu Magnificat, cântico em que exalta Deus e anuncia a queda dos poderosos e a elevação dos humildes, traduz uma mensagem de justiça e esperança que atravessa o cristianismo.

Apesar da importância que lhe atribuem, os Evangelhos canónicos fornecem poucos dados sobre a sua vida. Os textos apócrifos, escritos posteriormente, acrescentam alguns pormenores, como a sua educação religiosa e a apresentação no Templo ainda criança. Relatam também o casamento com José, homem mais velho, e a aceitação da missão que lhe foi anunciada pelo anjo Gabriel: ser mãe do Filho de Deus.

Num tempo marcado pela violência e pelo domínio romano, Maria terá vivido com a permanente preocupação pela segurança do filho. Os Evangelhos mostram, aliás, que nem sempre compreendeu as opções de Jesus. Numa passagem, quando alguém lhe diz que a sua mãe e os seus irmãos o procuram, Jesus responde: “Eis a minha mãe e os meus irmãos”.

MARIA, “A PRIMEIRA CRISTÔ

Apesar de alguma resistência inicial, Maria acompanhou Jesus e permaneceu ligada à sua missão. Para o padre e professor da Universidade de Coimbra Anselmo Borges, ela foi “a primeira cristã”, aquela que acreditou antes de compreender plenamente.

A teóloga Teresa Messias considera igualmente Maria uma das mulheres mais relevantes da vida de Jesus. Os Evangelhos, observa, mostram sobretudo como Jesus influenciou as mulheres, porém, a influência destas sobre Jesus e sobre a sua comunidade merece também ser reconhecida.

Maria estará presente no momento da crucificação e, segundo alguns teólogos, terá recebido a missão de continuar a divulgar a mensagem do filho.

Mais de dois mil anos depois, a presença destas mulheres continua a suscitar perguntas. Quem foram realmente? Que papel desempenharam na vida de Jesus? E quanto da sua história ficou por contar?

MARIA MADALENA

A APÓSTOLA DOS APÓSTOLOS

Apear de ser a mulher que mais vezes aparece nos Evangelhos, surge apenas nos quatro oficiais: Marcos, Lucas, Mateus e João – pouco se sabe sobre ela. Os poucos factos que conhecemos revelam que Jesus terá curado Maria de “sete demónios”, e que o seu nome indicava a sua origem: Magdala.

A vila piscatória junto ao mar da Galileia existe ainda hoje e é nela que continuam a procurar-se pistas sobre esta mulher.

A especialista conta à Sábado que descobriram provas que se encaixam nas descrições bíblicas como o facto de Maria Madalena ser rica.

O nome de Maria Madalena continua envolto em mistério, mas uma coisa é certa, garantem os teólogos: ela era importante para Jesus. “Maria Madalena é fundamental no cristianismo, pois foi a primeira que fez a experiência avassaladora de fé da ressurreição de Jesus.

A biblista Elizabeth Schader diz que Maria Madalena era uma mulher com recursos, que ajudava o movimento de Jesus financeiramente. “Ela torna-se ainda mais proeminente na crucifixão. Foi a ela que Jesus apareceu pela primeira vez na manhã de Páscoa. Isto sugere que ela era uma seguidora extremamente importante”.

JOANA E SUSANA

AS SEGUIDORAS PODEROSAS

O que leva uma mulher rica a deixar uma vida confortável para se juntar a um grupo de crentes que percorriam a Galileia a pé? Joana e Susana aderiram ao movimento de Jesus, mas pouco se sabe sobre estas mulheres, apenas que eram de elite, o que prova que todas as classes sociais pertenciam ao cristianismo.

E mais: as mulheres ajudavam ao nível financeiro este grupo como sugere o Evangelho de Lucas: “Ele ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a a Boa Nova no reino de Deus e os 12 iam com ele, assim como algumas mulheres que tinha sido curadas de espíritos malignos e de doenças”.

“Era um movimento bem organizado e cada um tinha funções definidas, porque era preciso uma logística para se ser nómada e para alimentar aquelas pessoas”.

Seria interessante falar de outras mulheres que seguiram a vida de Jesus, como Maria de Betânia, que ungiu os pés do Senhor, e as duas irmãs de Lázaro, Marta e Maria, que Jesus visitava em sua casa para descansar.

Ficamos por aqui, neste âmbito, da vida de Jesus,

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

 

 

(In “O Olhanense”, de 15-09-2026)

7 de setembro de 2026

Entre a magnanimidade e as aventuras galantes



 

Também podia ter escolhido o título “D. João V, O Magnânimo ou o Rei Freirático?”.

D. João V (1689 – 1750) ficou conhecido como “O Magnânimo” sobretudo pela extraordinária generosidade e pelos enormes gastos que fez em obras religiosas, culturais e artísticas, possibilitados pelas riquezas que chegavam do Brasil, especialmente o ouro.

Entre os motivos principais:

. Construiu e patrocinou grandes obras, sendo a mais célebre o Convento de Mafra, cuja construção começou em 1717.

. Apoiou a Igreja e fez grandes doações a instituições religiosas, conventos e igrejas.

. Protegeu as artes e a cultura, trazendo artistas, músicos e especialistas estrangeiros para Portugal.

. Financiou obras públicas e científicas, incluindo a criação da Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra, uma das grandes obras do seu reinado.

. A sua munificência e ostentação procuravam também afirmar Portugal como uma grande potência europeia.

O título “Magnânimo” significa literalmente, grande espírito, generoso, liberal e nobre nas suas ações.

Curiosamente, a mesma riqueza que lhe permitiu essa magnificência também lhe valeu críticas. D. João V gastava enormes quantias, e muitos dos seus contemporâneos consideravam excessivo o luxo da Corte e a quantidade de dinheiro entregue à Igreja.

O rei ficou célebre pela sua vida amorosa muito intensa, e o Mosteiro de Odivelas teve um papel especial. A própria Câmara Municipal de Odivelas confirmou que Madre Paula, freira do mosteiro, foi a sua relação amorosa mais séria e duradoura, tendo o rei mandado construir para ela uma habitação luxuosa junto ao mosteiro.

A famosa Madre Paula

Paula Teresa da Silva entrou no Mosteiro de Odivelas em 1717 e tornou-se amante de D. João V. Da relação nasceu, em 1720, D. José de Bragança, que viria a ser Inquisidor-Geral do Reino.

E o rei não se limitou a visitá-la. Concedeu-lhe rendimentos e benefícios à família e proporcionou-lhe uma vida de grande luxo. Há documentação municipal sobre as tenças concedidas a Paula e sobre a autorização papal que lhe permitiu conservar bens, apesar do voto de pobreza da regra religiosa.

Quanto aos famosos aposentos de Madre Paula, existiu uma torre construída ou adaptada para os seus encontros com o rei, posteriormente demolida em 1948. Algumas descrições contemporâneas e posteriores falam de uma decoração extraordinariamente luxuosa – embora os historiadores alertem que parte dessas descrições poderá ter sido exagerada pela lenda que se criou em torno da amante do rei.

E não foi apenas Madre Paula…

D. João V teve outras relações com mulheres, incluindo outras religiosas, e teve vários filhos ilegítimos. É daí que vem também a célebre designação de “Rei Freirático”, atribuída ao seu comportamento em relação às freiras.

Aliás, a ironia é enorme: um rei extremamente devoto e generoso para com a Igreja era, ao mesmo tempo, frequentador dos conventos por razões que pouco tinham de religiosas. Uma fonte histórica do século XIX chega a referir expressamente essa contradição.

E há uma distinção importante: não é correto dizer que todo o dinheiro gasto em Odivelas foi simplesmente “dinheiro dado às amantes”. D. João V também fez enormes doações aos conventos e instituições religiosas por razões de devoção e política religiosa.

As despesas com a Madre Paula e outras mulheres são uma parcela particular das suas prodigalidades.

Por isso a pergunta “D. João V, O Magnânimo ou o Rei Freirático?” tem bastante fundamento histórico. O cognome oficial ficou “O Magnânimo”, pela sua magnificência e grandes obras, mas a sua vida privada deu-lhe uma reputação completamente diferente.

E há uma história particularmente deliciosa sobre D. João V e as freiras de Odivelas: a dos três filhos que teve com freiras e que ficaram conhecidos como os “Meninos de Palhavã”.

A história dos “Meninos de Palhavã” é, de facto, uma das mais curiosas do reinado de D. João V – e ajuda a perceber por que razão o rei ficou associado, simultaneamente, à magnificência e à vida amorosa tão pouco discreta.

Os três Meninos de Palhavã

D. João V teve vários filhos fora do casamento, mas reconheceu oficialmente três filhos varões, num documento de 6 de agosto de 1742. O documento só seria tornado público depois da morte do rei, em 1752.

Eram:

1. D. António de Bragança (1704-1800)

Era filho de Luísa Inês Antónia Machado Monteiro. Doutorou-se em Teologia e tornou-se cavaleiro da Ordem de Cristo.

2. D. Gaspar de Bragança (1716 – 1789)

Era filho de D. Madalena Máxima da Silva de Miranda Henriques, religiosa. Seguiu a carreira eclesiástica e chegou a ser Arcebispo Primaz de Braga.

3. D. José de Bragança (1720 -1801)

Era filho de Madre Paula, a famosa religiosa do Mosteiro de Odivelas. Tornou-se Inquisidor-Geral do Reino. A Câmara Municipal de Odivelas confirma que Paula Teresa da Silva entrou no mosteiro em 1717 e que da relação com D. João V nasceu D. José, em 1720.

Mas por que “de Palhavã”?

Os três rapazes foram educados e viveram no Palácio de Palhavã, então situado nos arredores de Lisboa. Daí nasceu a designação “Meninos de Palhavã”. O palácio existe ainda hoje e é conhecido como Palácio de Palhavã, sendo atualmente a residência do embaixador de Espanha em Lisboa.

E Madre Paula?

Aqui está provavelmente a parte mais conhecida da história.

Paula Teresa da Silva nasceu em Lisboa em 1701, entrou no Mosteiro de Odivelas em 1717 e professou nesse mesmo ano. A relação com D. João V tornou-se longa e muito conhecida. O rei concedeu-lhe rendimentos e benefícios, inclusive à sua família, e Paula conseguiu até uma autorização papal que lhe permitia conservar bens pessoais, apesar do voto de pobreza.

Os aposentos de Madre Paula eram famosos pelo luxo. Existia uma torre junto ao mosteiro, onde ela vivia e onde se encontrava com o rei. A torre foi demolida em 1948.

Há, porém, uma cautela importante: muitas das histórias extraordinárias sobre o luxo dos aposentos de Madre Paula foram ampliadas pela tradição e pela literatura posterior. É preferível separar aquilo que está documentado daquilo que pertence à lenda.

E o destino dos três?

É particularmente interessante: os três tiveram carreiras importantes, apesar da sua origem ilegítima.

. D. António – teólogo e cavaleiro da Ordem de Cristo;

. D. Gaspar – Arcebispo de Braga;

. D. José – Inquisidor-Geral.

Ou seja, D. João V conseguiu colocar os seus filhos naturais em posições de enorme prestígio na Igreja portuguesa.

E há ainda um pormenor muito curioso: os três não eram todos filhos de freiras. D. José era filho de Madre Paula; D. Gaspar, de D. Madalena, religiosa; mas D. António teve como mãe Luísa Inês Antónia Machado Monteiro.

Portanto, a expressão popular de que D. João V teve “os três filhos com freiras de Odivelas” é uma simplificação. Dois estavam ligados a religiosas; o terceiro tinha outra mãe.

E há ainda outras filhas e relações amorosas atribuídas ao rei, que não entraram na declaração dos três Meninos de Palhavã. É precisamente aí que a história fica ainda mais interessante – e bastante mais escandalosa.

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

(In “O Olhanense”, de 01-09-2026)

 

20 de agosto de 2026

AS LUTAS ESTUDANTIS – AMORES DE ESTUDANTE


 

As atuais lutas estudantis não constituem novidade. Muito antes da década de 1960, os estudantes de Coimbra já haviam agitado o País e feito tremer a monarquia.

Na tarde de 4 de março de 1907, cerca de quatro centenas de estudantes da Universidade de Coimbra desfilaram pelas ruas do centro de Lisboa, formando uma mancha negra que alastrava do Rossio para a rua das Portas de Santo Antão. Ali, na sede do Ateneu Comercial, junto ao Coliseu, escutaram um discurso acutilante do republicano Teófilo Braga, um proscrito da Academia, e seguiram depois para São Bento, já enquadrados por um mar de colegas das escolas superiores e dos liceus da capital.

Ao longo do percurso, pelo Chiado e pelo Loreto, iam sendo aplaudidos pelos transeuntes nos passeios e vitoriados das janelas dos prédios. Com toda a compostura, os estudantes limitavam-se a agradecer com acenos de mão. Estavam ali para apresentar ao governo de João Franco (que legislava com o Parlamento encerrado) um caderno reivindicativo respeitante à Universidade. Mas os lisboetas, maioritariamente republicanos, viam neles uma força em que se apoiariam. Os estudantes, elite governante do futuro, estiveram sempre por detrás das grandes mudanças. Se o leitor duvida, lembre-se das crises académicas que precederam o 25 de Abril de 1974.

Tudo começara cerca de uma semana antes, em Coimbra, quando um candidato ao doutoramento pela Faculdade de Direito, José Dias Ferreira, fora chumbado por unanimidade do júri – não por ter sido “estendido” na prova, mas por ser conhecida a sua filiação no Partido Republicano. O exame pusera em polvorosa a cidade, e a Sala dos Capelos, a abarrotar, ia vindo abaixo quando se soube da reprovação do aluno. Curiosamente, um dos líderes da contestação estudantil – que decretou o boicote às aulas, extravasou para as ruas e levou ao encerramento da Universidade – chamava-se Frederico Franco. Sim, era filho de João Franco. O choque entre gerações é uma constante da História.

Mas tudo isto não passou de um episódio da “guerra”, que vinha muito de trás, entre o poder político de Lisboa e a Academia coimbrã. Os ventos da novidade sopravam então do Choupal, nesses tempos em que a cidade do Mondego era ainda designada como a “Lusa Atenas”.

No último quartel do século XIX, a Questão Coimbrã opusera os intelectuais imobilistas, cujo chefe de fila era António Feliciano de Castilho, aos estudantes da Universidade, adeptos das ideias novas sopradas pelos ventos de além-Pirenéus, lideradas por Antero de Quental e Teófilo Braga.

No meu tempo de estudante cantávamos muitas vezes “Amores de Estudante”, cuja letra aqui recordo:

“São como as rosas de um dia, /Os amores de um estudante, / Que o vento logo levou. / Pétalas emurchecidas/Deixam num ar um perfume, /De um sonho que se sonhou.

Capas negras de estudante, / São como asas de andorinha, /Enquanto dura o Verão. / Palpitam sonhos distantes, / Alinhados nos beirais, / No palácio da ilusão.

Os amores de um estudante/ São frágeis ondas do mar, /Que os ventos logo varreram. /Pairam na vida um instante/Logo descem, depois morrem/Mal se sabe se nasceram.

Mocidade, Oh! Mocidade, /Louca, ingénua e generosa/ E faminta de ilusão/Que nunca sabe os motivos/De quanto queira o capricho/Ou lhe diga o coração.

Quero, ficar sempre estudante, P’ra eternizar/ A ilusão de um instante. /E, sendo assim, / O meu sonho de Amor/Será sempre rezado, / Baixinho dentro de mim”.

A História ensina-nos que as gerações estudantis mudam, as causas transformam-se, mas a juventude continua a ser uma das mais poderosas forças de renovação da sociedade.

Mais de um século depois, as circunstâncias são diferentes. Permanece, contudo, a capacidade dos estudantes para interpelar a sociedade e recordar que a História também se escreve nas salas de aula e nas ruas.

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

 

(In “O Olhanense”, de 15-08-2026)

 

6 de agosto de 2026

DOS INGLESES DO CABO SUBMARINO AOS “FIFIS” DA REVOLTA



 O fenómeno que hoje desfruta de uma importância excessiva começou por ser um passatempo esquisito.

Em Carcavelos, numas casas, desde há muitas décadas, moravam uns ingleses que vieram para instalar o cabo submarino. Trouxeram consigo, além da tecnologia de ponta de finais do século XIX, um objeto curioso chamado bola de futebol. Nas horas de lazer, perante a curiosidade popular, davam uns pontapés naquela esfera de couro até então desconhecida entre nós e fundaram mesmo o Carcavelos Sport Club. Este ainda antes do virar do século media forças com o Lisbonense, o Clube Internacional de Futebol, o Real Ginásio Clube Português, o Oporto Cricket e outros grupos mais. Benfica e Sporting só seriam fundados mais tarde, já no dealbar do século XX. Quanto ao Futebol Clube do Porto, a sua estruturação e o seu arranque definitivo data de 1906, embora reivindique por decisão tomada em assembleia, as bases lançadas muito antes, em 1893, quando a capital do Norte se organizou futebolisticamente para defrontar uma efémera seleção de Lisboa.

Mas ao evocar estes tempos pioneiros estamos a cometer uma injustiça para com a ilha da Madeira. Foi ali, na verdade, que se deram os primeiros pontapés no esférico em terras portuguesas. Corria o ano de 1875 quando um jovem inglês chamado Henry Hilton, que estudava em Londres mas passava férias numa quinta paterna da freguesia da Camacha, trouxe da capital britânica para a já então “Pérola do Atlântico” (o turismo remonta ali ao século XIX) uma bola de futebol.

As regras do futebol tal como hoje o entendemos foram definidas em Inglaterra em 1864, mas já muito antes disso se praticavam jogos com bola. A referência mais antiga remonta ao século III a.C., na China. Na Itália do Renascimento jogava-se o cálcio, cujas regras seriam fixadas em 1580.

Voltemo-nos agora para os tempos mais recentes.

As tentativas de golpe militar foram frequentes no período que antecedeu o 28 de maio de 1926.

Filomeno e Fidelino foram os “Fifis” da revolta. Esta é sobretudo recordada pelo nome bizarro com que permaneceu na memória popular.

Há cem anos, noventa, ou mesmo oitenta, ainda era o ponto de partida para as revoluções.

Uma destas tentativas revolucionárias, condenada ao insucesso, foi, em 1925, a “Revolta dos Fifis”.

Cansados de instabilidade política, inimigos da turbulência social, desejosos de ordem numa sociedade bem policiada, vastos setores militares e civis (estes, claro, do patronato) não paravam de fazer planos para derrubar a República liberal e instalar um poder “forte”, eufemismo para ditadura. O efémero regime de Sidónio Pais, que durara de dezembro de 1917 a dezembro de 1918, deixara marcas e adeptos.

Os “Fifis” desta revolta eram o comandante Filomeno da Câmara, e Fidelino de Figueiredo. Filomeno, natural de uma daquelas famílias da ilha Terceira onde as meninas tocam piano e falam francês, era um militar republicano da ala conservadora e antigo governador de Timor, onde em 1912 afogara no sangue o maior levantamento jamais registado contra a presença portuguesa. Fidelino era um professor, historiador e crítico literário que dirigira a Biblioteca Nacional e fora ministro de Sidónio. Mas muitos militares de alta patente estavam implicados, e onde o nome de Revolta dos Generais por que é também conhecida esta intentona.

Ao cair da tarde de 18 de abril, os sublevados instalaram, pois, na Rotunda (ainda sem a estátua do Marquês, embora o projeto já fizesse caminho), forças do Batalhão de Metralhadoras, do Batalhão de Sapadores de Caminhos-de-Ferro e do Regimento de Artilharia de Queluz. Sinel encetou contactos com as forças fiéis ao Governo e tentou impor condições, mas na contagem das espingardas os revoltosos ficavam a perder. E, sendo assim, a tudo ficou por ali.

Hoje, a Praça do Marquês de Pombal, em Lisboa – a antiga Rotunda – é o local da cidade para onde convergem os maiores entusiastas do futebol a fim de comemorarem as vitórias das suas cores. Restaurada a normalidade democrática, no dia 21 acabou por rolar a cabeça do ministro da Guerra, Vieira da Rocha, que defendera que se devia parlamentar com os “Fifis”. Destacado maçom, o pobre fazia parte da comissão da estátua do Marquês, que seria inaugurada em 1934, tendo assim ficado ligado à Rotunda por dois motivos muitos diferentes.

Por esta altura já Mussolini mandava na Itália e a ditadura do general Primo de Rivera estava instalada em Espanha. O português Sidónio Pais, fascista avant la lettre, ou seja, antes de existir a designação oficial, dera o exemplo da “fórmula milagrosa” a militares e empresários por essa Europa fora.

 

Bibliografia: “365 dias com histórias da História de Portugal”, de Luís Almeida Martins.

P.S.

Tinha acabado de escrever esta crónica quando esta manhã de 22 de julho tomo conhecimento da morte de Luís Represas. Foi mesmo algo completamente inesperado já que o cantautor tinha concertos marcados para 2027, de celebração de 50 anos de carreira, contados desde o primeiro álbum do grupo Trovante.

Nesta passagem pela vida terrena, que tanto nos marcou com as suas músicas e canções, desejo-lhe, como crente, um eterno descanso.

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

 

(In “O Olhanense”, de 01-08-2026)

31 de julho de 2026

CENTENÁRIO DO NÚCLEO DA COVILHÃ DA LIGA DOS COMBATENTES Cem anos ao Serviço dos Combatentes e de Portugal

 O Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes assinalou, ao longo dos últimos meses, o seu Centenário, culminando as comemorações com a sessão de encerramento realizada no passado dia 31 de maio. Trata-se de uma data de particular significado para todos quantos, ao longo de um século, contribuíram para a afirmação e continuidade de uma instituição que tem sabido honrar a memória dos Combatentes, apoiar os seus associados e servir a comunidade.

Fundado há cem anos, o Núcleo da Covilhã acompanhou diversas gerações de portugueses que, em diferentes épocas e circunstâncias, responderam ao chamamento da Pátria. Desde os antigos Combatentes da Grande Guerra aos que serviram em diversos teatros de operações ao longo do século XX, passando pelos militares que participaram em missões internacionais de paz, todos encontraram na Liga dos Combatentes um espaço de solidariedade, camaradagem e reconhecimento.

Merece especial destaque a geração dos Combatentes do Ultramar, cuja participação no conflito que marcou profundamente a sociedade portuguesa durante mais de uma década deixou memórias, experiências e sacrifícios que importa preservar. Muitos desses homens encontraram no Núcleo da Covilhã um espaço de convívio, apoio mútuo e valorização do seu percurso de vida, contribuindo, por sua vez, para o fortalecimento da instituição e para a transmissão dos valores da camaradagem e da solidariedade às gerações mais jovens.

As comemorações do Centenário constituíram uma oportunidade privilegiada para recordar a história do Núcleo, homenagear os seus dirigentes, colaboradores e associados, bem como aqueles que ao longo dos anos, dedicaram o seu esforço e disponibilidade à causa dos Combatentes. Foi igualmente ocasião para evocar os que já partiram, mas cuja memória permanece viva no património humano e institucional que ajudaram a construir.

Ao celebrar 100 anos de existência, o Núcleo da Covilhã reafirmou os valores que orientam a Liga dos Combatentes desde a sua fundação, a solidariedade, a fraternidade, a defesa da dignidade dos antigos Combatentes e o culto da memória daqueles que tombaram ao serviço de Portugal. Estes princípios continuam atuais e constituem um importante legado para as novas gerações.

O programa comemorativo desenvolveu-se através de diversas iniciativas de carácter institucional, cultural e evocativo, envolvendo associados, e diversas entidades civis e religiosas, autarquias, organizações parceiras e a população em geral. A elevada participação verificada ao longo das comemorações demonstrou o prestígio que o Núcleo da Covilhã continua a merecer na sociedade beirã e o reconhecimento pelo trabalho que desenvolve.

A sessão de encerramento, realizada em 31 de maio, representou o culminar de um percurso comemorativo marcado pela dignidade, pelo respeito e pela gratidão. Mais do que recordar o passado, este momento permitiu projetar o futuro, reforçando o compromisso de continuar a servir os Combatentes e as suas famílias, preservando simultaneamente a memória histórica daqueles que contribuíram para a defesa dos mais elevados interesses nacionais.

O Centenário não constitui apenas um marco cronológico. É, sobretudo, o testemunho da capacidade de resistência, adaptação e renovação de uma instituição que soube atravessar diferentes épocas sem perder a sua identidade nem a sua missão. Cem anos depois, o Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes permanece fiel aos seus objetivos fundacionais, prosseguindo uma ação que alia a memória ao serviço, a tradição à modernidade e o respeito pelo passado à construção do futuro.

Neste momento de celebração, é justo expressar uma palavra de reconhecimento a todos os dirigentes, funcionários, colaboradores, associados e amigos do Núcleo que, ao longo destes cem anos, contribuíram para a sua afirmação. Graças ao seu empenho, dedicação e espírito de missão, foi possível chegar a esta data histórica com a certeza de que a obra realizada honra o passado e inspira confiança no futuro.

De realçar as três intervenções do Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes, Tenente-General Joaquim Chito Rodrigues, durante esta sessão de encerramento, fortemente enraizadas nas preocupações que afetam os antigos Combatentes. Referiu, nomeadamente, o caso da sede do Núcleo da Covilhã, cujos terrenos foram doados pela edilidade e posteriormente assumidos pela Câmara Municipal para outras finalidades, bem como todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em defesa dos antigos Combatentes, cujas causas mereceram a melhor atenção e apoio dos presentes.

Encerradas as comemorações do Centenário, permanece viva a responsabilidade de continuar a servir os Combatentes, preservando os valores que estiveram na origem da Liga e transmitindo às gerações vindouras o exemplo daqueles que, em tempos difíceis, colocaram o dever, a honra e o serviço de Portugal acima dos seus interesses pessoais.

Cem anos depois, o Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes continua de pé, fiel à sua história e preparado para enfrentar os desafios do futuro.

No que concerne à sua história, a obra “Os 100 anos do Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes – 1926 – 2026”, edição deste Núcleo, por várias razões, não foi ainda possível proceder à sua apresentação, encontrando-se agora prevista para setembro ou outubro.

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

(In “O Combatente da Estrela”, n.º 143-JUL/2026)

 


 

22 de julho de 2026

O FIM DA IDADE MÉDIA E O INÍCIO DA IDADE MODERNA


 

Entre as datas apontadas para assinalar o fim da Idade Média e o início da Idade Moderna, a que tradicionalmente tem sido mais referida é a de 29 de maio de 1453, devido ao simbolismo associado ao fim do Império Romano do Oriente, marcado pela conquista de Constantinopla (atual Istambul) pelos turcos.

Todavia, a adoção desta data para demarcar as duas épocas não nos parece a mais adequada para assinalar o início da transição da Medievalidade para a Modernidade, uma vez que o que restava do velho Império Romano já tinha perdido grande parte da sua relevância histórica. Por isso, em vez de escolher qualquer outra data ou acontecimento igualmente apontados para esse efeito, entendemos que essa demarcação deve situar-se no início dos Descobrimentos Portugueses, em 1420.

Com efeito, foi este processo histórico que constituiu o fator decisivo para assinalar, simbolicamente, o início da Idade Moderna. Segundo este critério, os Descobrimentos assumem um significado ímpar, por terem desencadeado uma profunda transformação estrutural que marcou o arranque da nova era.

Na sequência do início da expansão portuguesa em Marrocos, em 1415, começaram, a partir de 1420, as missões marítimas que deram origem aos Descobrimentos. Embora inicialmente parecessem modestas, vieram a revelar-se de enorme alcance histórico. É, por isso, no tempo dos Descobrimentos que consideramos ter começado uma nova época. Neste sentido, recorde-se o pensamento do genial cronista português Fernão Lopes, que, já em 1443, afirmava que durante o reinado de D. João I, se iniciara “uma sétima idade, na qual se levantou outro mundo novo e nova geração de gentes”.

A Idade Moderna começou, assim, a ser protagonizada por portugueses entre os quais sobressai o Infante D. Henrique, cuja determinação, visão e espírito de iniciativa contribuíram decisivamente para o arranque da nova era da História da Humanidade.

Pode, por isso, afirmar-se que os Descobrimentos constituíram uma verdadeira revolução histórica que marcou, entre 1420 e 1521, a transição da Idade Média para a Idade Moderna.

A opção por esta revolução, iniciada pelos portugueses e posteriormente continuada pelos espanhóis, como referência para assinalar a mudança de épocas, fundamenta-se no facto de ter proporcionado um conhecimento do mundo até então sem precedentes e desencadeado profundas transformações em todos os níveis da civilização. Foi esse processo que deu origem a uma primeira mundialização, precursora da atual globalização.

 

João e Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

(In “O Olhanense”, de 15-07-2026)