20 de abril de 2016

O ANTES E O DEPOIS

Pertenço ao grupo dos que viveu em dois séculos e em dois regimes políticos. São memórias os tempos insatisfeitos dum cidadão que fora de segunda por ser funcionário público, sem regalias algumas que não fossem as exclusivas dos míseros vencimentos do Estado, “privilegiado” ao não direito à assistência médica.
Gostando-se ou não da profissão, nela se permanecia até ao serviço militar obrigatório, já que, para o setor privado, existia a eterna pergunta: “E a tropa?” Durante o percurso poderia haver alguma hipótese de se concorrer na instituição, para na frágil carreira se subir um pouco mais. A página do Diário do Governo até me colocou em primeiro lugar no concurso, por direito próprio, não “boy” como nos dias de hoje acontece.
Das poucas vezes que uma maleita nos abalava, já que era quase proibitivo apanhá-la face aos poucos recursos salariais, escolhia-se um dos médicos conhecidos que perdoava a consulta, já que o nosso “patrão” tinha muitos trabalhadores e pagava mal. O Dr. Baltazar era o Presidente da Câmara e o Dr. Santos Marques meu professor na Escola Industrial.
Mas corriam os anos sessenta do outro século e aquela gentinha das aldeias, algumas ainda sem energia elétrica ou água canalizada e saneamento, como na zona mineira, lá vinham num corrupio, para se legalizarem na edilidade do concelho e mandarem o país às malvas, que isto de ir de assalto não era para todos, similarmente aos refugiados.
Já antes Cebola se passara a chamar São Jorge da Beira; Sobral de Casegas seria o Sobral de São Miguel e, do outro lado oposto, Aldeia de Mato seria o Vale Formoso de hoje.
Na tropa chegou a vez de nos juntarmos dois manos, furriéis milicianos, um cá e outro na Guiné.
Chegada a altura da peluda, o tempo era de mudar de ares profissionais, e vai de participar em concursos que estivessem mais à mão. Os bancos, centros de emprego ou caixas de previdência eram a propensão mais imediata. Os escritórios ou armazéns fabris da Manchester Portuguesa também já não eram acolhedores para a juventude mormente a que regressava das Colónias.
Do público para o privado, a vida mais exigente mas de contornos mais radiantes.
A Internet ainda não existia em Portugal, e as calculadoras (que davam jeito para a atividade) também não. E muito menos os telemóveis.
As viagens noturnas não eram tão perigosas como nos dias de hoje. Autoestradas no interior nem vê-las… Passar no Alto Alentejo, nas noites de verão, era de parar o carro para um chichi no campo. E, lá mais para dentro do mesmo, os grilos a cantar. Depois do Couço e de Mora era ver se ainda se chegava a tempo de encontrar o café aberto, com posto público, antes das curvas de Niza, para se telefonar para casa, alta noite, a informar o regresso da nossa viagem. Era ainda o tempo das chamadas interurbanas, que não eram imediatas… Como os telemóveis, ainda inexistentes, dariam jeito nessas alturas…
Naquela sexta-feira de 16 de março de 1974 vinha de Lisboa no carro do Manuel Humberto Lopes Andrade quando, perto de Tancos, passámos pelos militares que vinham do RI 5 e se dirigiam para Lisboa. Só depois soubemos pela comunicação social que se tratara da “Revolta das Caldas”. E, já novamente em Lisboa, na segunda-feira, tive conhecimento da demissão dos generais Spínola e Costa Gomes por não terem participado na cerimónia de apoio a Marcelo Caetano – a tal Brigada do Reumático.
Já depois, mas ainda antes do 25 de abril ter surgido, numa outra viagem de sexta-feira em que comigo vinha o Cravino, num café de Ponte de Sor, o proprietário manifestava-se exuberante com a leitura do livro “Portugal e o Futuro”, de Spínola, numa altura em que a Pide ainda atuava.
Adivinhava-se algo de extraordinário que viria por aí, até que surge a Revolução dos Cravos, mas que logo se veio transformar numa situação perniciosa que toldaria o país quase para o abismo.
O mesmo século que nos trazia a Revolução dos Cravos fazia-nos chegar também o famigerado PREC (Processo Revolucionário em Curso).
Quando nas minhas viagens profissionais chegava a uma localidade havia quase sempre uma agitação popular, ou o Presidente da Comissão Administrativa da Câmara punha na rua o Chefe de Finanças, como em Figueira de Castelo Rodrigo; ou os trabalhadores abriam a porta ao patrão; comícios e mais reuniões de trabalhadores, com as enfadonhas “amplas liberdades democráticas”, de Cunhal, lá para os lados de Vilar Torpim e da Reigada, com tratores e o sindicalista empinado no atrelado, a fazer um plenário de trabalhadores.
E lá surgiam as tentativas de golpe de Estado, às quais acorriam a impedir, por essas estradas fora, os guedelhudos militares do SUV – Soldados Unidos Vencerão, de fralda de fora, juntamente com os GNR e civis, toda aquela falperra de gente a procurar armas nas viaturas dos que passavam.
E assim aconteceu comigo, vindo da Vermiosa, quase às duas da madrugada de um certo dia, na Senhora do Carmo (Teixoso), felizmente pouco antes de ali ter passado o Lelo, funcionário do Banco Borges & Irmão que levou um tiro e foi evacuado de helicóptero para Lisboa, ficando paraplégico.
Tanto ele como o Manuel Andrade já faleceram, este recentemente.
Depois de tanta alegria, de grandes esperanças no horizonte, o que é feito hoje do 25 de Abril?
Onde está a esperança de melhores dias, após tanta corrupção que grassa pelo País inteiro?

Face às notícias vindas a público, em catadupa, em quem havemos de acreditar? Onde estão os homens e mulheres honestos de Portugal? Onde está o País que desejamos, esse Paraíso Real sem paraísos fiscais?

(In "Notícias da Covilhã", de 21-04-2016)

12 de abril de 2016

42 ANOS DE ABRIL, 40 DA CONSTITUIÇÃO

Uma efeméride já passou, pois em 2 de Abril de 1976 foi aprovada a Constituição da República Portuguesa que deu dar lugar ao regime democrático, substituindo a Constituição Política da República Portuguesa de 1933, a da ditadura.
No próximo dia 25 de Abril completar-se-ão mais dois anos que o tempo da primeira efeméride.
Não se vê já o entusiasmo que assaltou o país na exuberância dos cravos que transformaram o sentimento profundo da mudança nas pessoas, aquando dos primeiros acontecimentos da viragem.
O que se terá passado então?
As memórias de um passado canhestro e ditador em que reprimia e não permitiria o que se está a passar nos dias de hoje; com os três poderes em Portugal: Legislativo, Executivo e Judicial, ao qual já se atribui um quarto poder – a Imprensa – e, para mim passou a existir um quinto poder – advogados e consultores –; seria impensável que esse passado, do regime que antecedeu a democracia implantada em 25 de Abril de 1974, fosse transportado para os dias de hoje, apesar de tudo.
No entanto, os homens e as mulheres deste Portugal que vai ficando sem tino, atingidos pelo desânimo, aqueles mais 4desfavorecidos e que ainda viveram os tempos da Revolução e passaram ou ainda passam as passas do Algarve, numa situação que inesperadamente lhes foi adversa, como estarão a julgar o que vai ocorrendo nestes meandros da corrupção, do chico-espertismo, da desonestidade sem fim?
As gerações que surgiram já em plena liberdade mas vêm coartadas todas as suas oportunidades de empregabilidade num país que afugenta a sua juventude, o que dirão aos seus progenitores quando estes lhes falam das dificuldades que tiveram e não desejavam tal situação para os seus filhos?
Enfim, falar hoje do 25 de Abril já não tem aquela força impulsora, intrínseca, indomável que inebriava as nossas almas.
A exemplaridade dos homens e mulheres em quem ainda alguns céticos confiavam, e depois de os verem envolvidos em atos já descritos, leva a uma autêntica debandada dos homens e mulheres da parte do Portugal honesto, face ao crédito por quem eles então tinham.
O poder do dinheiro é mais forte que a forte honestidade. Os exemplos aí estão, quase sempre frescos, com base nas informações veiculadas, e ribombadas, pelo tal quarto poder.
Governantes de todos os setores da sociedade portuguesa, dos governos central e autarquias que se aproveitam das suas condições de eleitos pelo povo que neles julgou alguma honestidade, e que mesmo durante e após os tempos das suas passagens pelos serviços da governação, não têm vergonha na cara, como dizem os brasileiros, o que fazer perante tais factos?
Fica a pergunta para todos nós refletirmos principalmente nos momentos de perplexidade nas decisões a tomar.
De qualquer forma, sempre, mas sempre vale mais a democracia que uma ditadura ainda que encapotada.
Portugal já teve seis Constituições, desde a Monarquia: Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1822, Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826, Constituição Política da Monarquia Portuguesa de 1838, Constituição Política da República Portuguesa de 1911, Constituição Política da República Portuguesa de 1933 e Constituição da República Portuguesa de 1976. Esta última já foi revista, oficialmente, sete vezes. Estes números dão-nos, em síntese, uma dimensão da História e das suas mudanças, mas não chegam para explicar a instável euforia que rodeou o nascimento da última, há 40 anos.
Para ultimar este texto, tão só recordar as revisões que foram efetuadas nesta nossa última Constituição da República Portuguesa:
- 1982, desapareceu o Conselho da Revolução e os poderes do Presidente foram diminuídos. Tornou-se uma Constituição mais civil.
- 1989, foi o fim da irreversibilidade das nacionalizações. Desestatizou-se a economia.
- 1992, foi a adesão a Maastricht. A adaptação à União Europeia.
- 1997, tornou-se o sistema político mais independente dos partidos. Foi dado mais poder aos cidadãos.
- 2001, foi uma revisão considerada técnica. Adaptação à justiça internacional europeia.
- 2004, foi a adoção das novas regras europeias. O aprofundamento europeu.

- 2005, adaptação do regime constitucional português à União Europeia. Foi o referendo europeu.

(In "fórum Covilhã", de 2016-04-12)

8 de abril de 2016

O DESPORTO NA CIDADE DOS LANIFÍCIOS E O SEU GRANDE BALUARTE: SPORTING CLUBE DA COVILHÃ

A então mono indústria – os lanifícios – de décadas passadas, quase sempre andou de braço dado com a grande coletividade que se formou no seio desta Região do Interior, assentando arraiais na Cidade da Covilhã.
A longa e rica história do Sporting Cube da Covilhã jamais foi ultrapassada, no seu palmarés, por qualquer outra coletividade da Região, dos dois distritos – Castelo Branco e Guarda – sendo certo que, até um dos mais próximos distritos, envolvidos nos primórdios do futebol em Portugal e fundação da hoje Federação Portuguesa de Futebol (ex-União Portuguesa de Futebol) – o distrito de Portalegre – não desenvolveu tão bem o futebol nas suas terras de boa gente, pois lá vai o tempo saudoso do Lusitano de Évora ou, em anos mais aproximados, do Elvas, emparceirando com os Leões da Serra na I Divisão, já que o Campomaiorense, de curta passagem, não conseguiu fazer grande história no futebol português. São assim os também chamados Leões da Serra, embora com o futebol um pouco mais tardio, que permanecem como a grande fortaleza do futebol de alta competição, nesta Região Beirã.
Assim, no próximo dia 18 de abril, com início às 16 horas, nas instalações do Museu de Lanifícios da Universidade da Beira Interior/Real Fábrica Veiga, vai realizar-se uma conferência sob o tema em título, a proferir por João de Jesus Nunes.
É que o Núcleo da Real Fábrica Veiga/Centro de Interpretação dos Lanifícios, sito na Calçada do Biribau (junto ao Parque da Goldra), na Covilhã, nesse dia 18 de abril vai associar-se às comemorações do Dia Internacional dos Monumentos e Sítios, que, neste ano, celebrará o Património Desportivo, tema este definido pelo ICOMOS (Conselho Internacional de Monumentos e Sítios).
“Sempre na égide dos lanifícios, pretende-se evocar as memórias da cidade e do concelho através da articulação entre o desporto/SC Covilhã e a indústria de lanifícios, os empresários e os operários”
Neste sentido, irá ser tratado este tema através da realização de uma “Tarde de Memória no Museu”.
Haverá, se possível, uma exposição documental sobre a Coletividade em questão.
No seguimento da palestra do João Nunes, que versará o tema acima, irão também falar, o autor do site historiascc, Miguel Saraiva, abordando as principais figuras citadinas, industriais de lanifícios, que, numa dualidade de interesses, mas com o denominador comum, servir a Covilhã, colocaram na ribalta o clube serrano.
Por último, o diretor da Tribuna Desportiva, Pedro Martins, versará sobre as coletividades e atletas desta região e concelho, fora da modalidade futebol, que foram campeões nacionais.
Será uma oportunidade de conhecer algo mais sobre o desporto no seio da nossa Cidade, e do nosso Sporting Clube da Covilhã.

(In "O Combatente da Estrela", n.º 102, de abril a junho de 2016)



NOVE DÉCADAS DE PERSISTÊNCIA

Efetivamente assim acontece. Aproveito o título que se insere nesta coluna, a primeira do ano de 2016, fruto da resposta à pergunta que o jornalista da Rádio Cova da Beira me fez na entrevista para o novo programa – A Hora do Combatente – a sair para o ar todas as 4.ªs feiras, das 10 às 11 horas, relativamente ao facto de o Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes ter completado 90 anos em 16 de fevereiro deste ano, e estar a comemorar este nonagésimo aniversário.
- Qual era o título que gostaria de colocar no primeiro número correspondente aos 90 anos?
Para a longevidade desta Instituição contribuíram gentes que se disponibilizaram para colocarem o seu tempo ao serviço na ajuda a quem passou pelas trincheiras, na I Grande Guerra, com situações mórbidas da guerra, quer por doenças adquiridas quer por deficiências físicas, assim como as suas famílias afetadas também por esta grande desgraça, evitável pelos governantes da I República, mas que outros interesses assim o não entenderam (desse tempo já ninguém deve existir); mas que, depois, outra forma de “trincheiras” se abriram com a 2.ª Grande Guerra, a que Portugal escapou com o Tratado de Amizade e Não Agressão. No entanto, outras guerras para desgaste, desmoralização e penetração nas angústias, em várias vertentes, da juventude portuguesas, de parte do 3º quartel do século XX, na então chamada guerra subversiva, por tacanhez de espírito dos nossos governantes em ditadura, de um Portugal orgulhosamente só, foi, mais uma vez, a maldição não só para uma juventude sem culpa, mas também para as suas famílias.
São estas últimas guerras – as chamadas Guerras do Ultramar - que agora prevalecem no corpo e no espírito de muitos, e são mesmo muitos, os que duma juventude oriunda dos anos 60 e até 25 de Abril de 1974, ainda hoje sulcam de patologias, algumas invisíveis, mas que persistem, trauma desses tempos duma guerra de subversão. Por arrasto, neste faval semeado pelo regime opressor e incompreensível, ficaram também muitas famílias, como já foi referido.
E é assim, já que para mal dos nossos pecados ficaram as nefastas memórias dos que já não voltaram, ou de lá vieram fortemente molestados, ficou a feliz iniciativa de se ter gerado uma instituição de âmbito nacional para o apoio já referido, instituição essa ramificada por muitos pontos deste País sofredor, e que, também à Covilhã chegou, há 90 anos.
Quem consegue manter a navegar em águas tranquilas, deitar água na fervura de algumas pequenas tempestades, porque ventos e marés sempre existiram no coletivo, ao longo do somar de anos, é sintoma de que também sempre houve Homens que se irmanaram no espírito da fraternidade, naquela camaradagem que um dia se uniu forte, entre conhecidos e desconhecidos, naquela espontaneidade de abraçar todos como irmãos.
Nove décadas de muitos projetos, muitos anseios, muito trabalho feito, muitos sorrisos abertos, muitas amizades geradas, muita solidariedade havida, aqueles desabafos aceites, aquele bálsamo para algumas famílias.
Nove décadas de muita gente que já passou para o outro lado da vida, alguns precocemente, mas que deixaram cair algumas sementes que, entretanto, geraram o fruto de permanecerem para as nossas memórias.
Quão salutar é ver uma Instituição como o Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes, com a juventude da terceira idade, a engrossar tertúlias e caminhos de encontro ao pedaço de tempo que ainda resta das vidas de cada um, ocupando os tempos em vertentes de atividades aos seus gostos: camaradagem em pequenos e breves convívios na sede, leitura de jornais, biblioteca para quem o deseje, colecionismo, exposições temáticas, jogos de cartas em torneios, tertúlias, conferências, solidariedade, viagens de recreio ou de degustação, religiosidade na sua oportunidade (sufragar os que já partiram, homenagem nos cemitérios, trasladações, peregrinação a Fátima), apoio aos mais necessitados; consultas e rastreio na área da psicologia, naquele stress traumático; o sempre ansioso órgão cultural da instituição, quer em papel, quer online; as redes sociais, e outras a que a memória não permite transpor para as teclas.

É, pois, a nossa admiração para quantos, ao longo destas nove décadas de bem-fazer, souberam, e sabem, conduzir os destinos da Instituição na excelência dum trabalho associativo e fraterno.

(In "O Combatente da Estrela", n.º 102, de abril a junho de 2016)

2 de abril de 2016

O DESPORTO NA CIDADE DOS LANIFÍCIOS E O SEU GRANDE BALUARTE: SPORTING CLUBE DA COVILHÃ

Dia Internacional Monumentos e Sítios - Desporto, um património comum
Dia 18 de abril de 2016
Auditório do Núcleo da Real Fábrica Veiga - Covilhã
Tarde de Memória no Museu - Palestras
16h00 - 18h30

16h15 - 17h00 
O desporto na cidade dos lanifícios e o seu grande baluarte: Sporting Clube da Covilhã, por João de Jesus Nunes (Autor da história do Sporting Clube da Covilhã, com 4 obras publicadas)

17h00 - 17h30
Algumas das principais figuras do Sporting da Covilhã, por Carlos Miguel Saraiva (Coordenador do site historiascc)

17h30 - 18h00
Figuras e instituições da Covilhã e Região, para além do futebol, que se sagraram campeões nacionais, por Pedro Martins (Diretor e proprietário da Tribuna Desportiva)

Com a moderação de: António dos Santos Pereira (Diretor do Museu de Lanifícios da UBI)

Exposição Temporária, na Real Fábrica Veiga (9h30 - 12h e 14h30 -18h)

O Sporting da Covilhã e os lanifícios
Mostra documental sobre o Sporting Clube da Covilhã e a sua relação com os empresários e operários da indústria dos lanifícios (até 8 de maio)