11 de novembro de 2014

CULTURA BEIRÃ

Das exaltações surgidas na leitura de algumas notícias dos semanários regionais deste último fim-de-semana, ao ponto de alguns protagonistas não olharem a meios para atingir os fins, foram evidentes algumas bofetadas de luva branca.
Já lá vai o tempo que quando um autarca largava o poder em democracia, lobrigava-se, quase sempre, um caminho a percorrer sem que houvesse obstáculos de maior, na prossecução das tarefas municipais que são sempre muitas.
A partir do momento em que não se aceita a democracia, se assalta o povo num adjetivar pensante de burro e estúpido porque não votou na pessoa que o ditador deseja, mas votou de sua livre vontade, então perde-se o tino.
Isso já aconteceu há uns anos, em que a cor política vencedora da edilidade covilhanense mudou e, então, vai daí, nenhum dos que se haviam apresentado ao eleitorado quiseram tomar posse e apresentaram, então, uma equipa B, que eu, na altura, designei da segunda divisão.
Desta vez, novamente com a alternância de poder autárquico verificada, democraticamente, surgem ventos ciclónicos duma corrente de ar poluída de calúnias cobardes em blogues anónimos, que, ingenuamente, circulam na Internet. Se é verdade, há que dar a cara, mas não!
A bofetada de luva branca foi dada na aprovação dos orçamentos municipais, de todas as Câmaras desta região, e, no que concerne à da Covilhã, os homens da governação concelhia viram a aprovação do orçamento sem um voto contra, incluindo da oposição, que teve apenas em um dos elementos a abstenção. Há muito tempo que isto não acontecia! Certamente porque os vereadores da oposição, na mente de certos senhores fora da corrida, são também burros e estúpidos. Será?
As restantes Câmaras mais próximas, desta região, também viram os seus orçamentos aprovados sem dificuldades: Fundão e Belmonte.
Vamos à cultura. É assaz importante verificar que a região está a dar à cultura um espaço que a mesma merece, contra ventos e marés de outros tempos. A região carece da mesma, e já que começou a ser levantado o véu da interioridade, é nos homens do leme das governações locais que se encontra a força para levar por diante o conhecimento e a cultura.
O 1.º Festival Literário Gardunha 2014, realizado nos dias 22 a 28 de setembro, no Fundão e Gardunha, promovido pela Câmara do Fundão, foi um autêntico êxito. Foi o primeiro festival literário temático focado na literatura de viagens a ser criado em Portugal. Durante alguns dias, cerca de trinta escritores e ensaístas embarcaram na viagem pela Gardunha, nos caminhos da imaginação, rompendo assim o isolamento cultural da região.
Ainda sob a égide do município fundanense, e com o apoio da Universidade da Beira Interior (UBI) e Jornal do Fundão, foram atribuídos os Prémios de Jornalismo Jornal do Fundão.
Na Covilhã, o Teatro das Beiras, anteriormente designado GICC, foi fundado em 7 de novembro de 1974 e comemora agora 40 anos, numa ação louvável da cultura teatral na Covilhã e Região, tendo já percorrido outras zonas do país. É obra! Estão de parabéns todos os obreiros desta instituição, já sobejamente conhecida, principalmente na pessoa do seu diretor e fundador, Fernando Sena.
E os festivais literários vão continuar com força pela região beirã, sob a dinâmica dos edis locais.
Mas, antes, quero recordar, já lá vai quase uma década, o que ocorreu também na Covilhã, em 16 de julho de 2005, no Pólo das Engenharias da UBI – um Congresso Literário, designado como Primeiras Jornadas de Literatura, onde estiveram presentes meia centena de notáveis escritores. Foi, talvez, o maior evento, realizado na Covilhã, depois de recuar mais de sete décadas, para encontrar um espaço com um acervo cultural importante como foi o III Congresso Nacional dos Bombeiros, também realizado na Covilhã, em julho de 1932.
No momento em que escrevo esta crónica, ainda não se realizou a Diáspora, que irá acontecer neste fim-de-semana, em Belmonte; é o Festival Literário de Belmonte, a realizar nos dias 7, 8 e 9 de novembro, com mais de uma dezena de escritores portugueses. Segundo as palavras do Presidente da Câmara de Belmonte, António Dias Rocha, “Belmonte foi desde sempre uma terra de chegadas e partidas, marcou um sem-número de pessoas espalhadas por todo o mundo. Podemos lembrar Pedro Álvares Cabral, que alargou os horizontes deste povo ao descobrir o Brasil, (…) podemos falar de tanta e tanta gente…e, se foi sempre terra de chegadas e partidas, é também um ponto de visita de todos os que gostam de celebrar a história e a cultura. É com este espírito que decidimos criar o Diáspora – Festival Literário de Belmonte, esperando despertar neste território fértil um manancial de novas ideias, sentimentos, ligações: literatura”.
A Região Beirã está, de facto, numa viragem cultural, depois de participações individuais de escritores, como por exemplo, na Covilhã, com o convite feito a diversos escritores para a sua participação nos interessantes Cafés Literários.

(In "fórum Covilhã", de 11.11.2014)

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