13 de fevereiro de 2019

CORRUPTOMANIA

Ainda não existe uma definição para a palavra em título mas o sentido é intuitivo. Pensara em não me referir mais a este assunto depois de sobre ele me ter debruçado por outras ocasiões (2014 e 2018). Mas o facto de surgirem no tempo das nossas vidas tantos casos, um sopro de vontade atira-me para o foco de que somos confrontados no dia a dia.
A diversidade de casos é uma peculiaridade dos portugueses. O dos elementos que constituíram aquela tropa-fandanga de Tancos ainda continua vivo na mente de todos nós. Como tantos outros. A saga das meias verdades e das ocultações não mais teve fim. O logro da descoberta das armas entrará para a antologia das operações mais perigosas do nosso Exército em defesa da soberania nacional deste século. O prestígio desta secular instituição ficou abalado.
Deambulando por aí fora, foi o encontro de oportunidades na esperteza dos iluminados pela ambição do enriquecimento fácil. Na falácia encontrada em favoráveis ocasiões de dar a volta ao texto. Que isto de solidariedade, obras de misericórdia, sentir o sofrimento alheio também é ocasião de, ao invés de meter a mão na massa, se pode fazer com que a massa chegue à mão. E aí tivemos os incêndios, com a utilização fraudulenta dos fundos para a reconstrução de Pedrógão Grande. Imaginar que tantas pessoas que estavam a enfrentar a maior tragédia portuguesa de décadas, tendo motivado um movimento de solidariedade sem precedentes por todo o país, viram rapidamente transformar o terrível sofrimento na mais repugnante ganância. É duma revolta imensa.
É indubitável que a partidocracia destrói a democracia, conforme refere o Presidente da Frente Cívica, Paulo de Morais. “O principal objetivo dos maiores partidos portugueses é manterem-se na esfera do poder, partilhar negócios do Estado com os grupos económicos de que são instrumento e garantir emprego aos muitos milhares de apaniguados, os militantes partidários e seus familiares”. Os dirigentes partidários distribuem benesses pelas empresas que financiam e para as quais vão mais tarde trabalhar. Além de negócios, os partidos garantem a sobrevivência económica dos seus apoiantes através da distribuição de milhares de empregos. É na administração central. É nas autarquias. É nas empresas municipais e institutos públicos. Transformaram-se assim na maior agência de emprego do país. E, depois, é ver nos canais de televisão comentadores facciosos, a censurar todo o discurso contraditório.
E temos a Caixa Geral de Depósitos (CGD), um dos temas da atualidade. Os seus gestores aprovaram, entre 2000 e 2015, financiamentos de centenas de milhões de euros apesar dos riscos identificados pelos diretores das operações. O diagnóstico foi feito pela consultora EY na auditoria independente à gestão da CGD. Identificou perdas de mais de mil milhões de euros para as contas desta instituição, só até 2015. Em causa estão de facto decisões tomadas contra o parecer técnico da Direção Global de Risco (DGR) da CGD, reveladas pela auditoria da EY, cuja versão preliminar foi divulgada pela ex-deputada do Bloco de Esquerda, Joana Amaral Dias, na CMTV, citada por vários órgãos da comunicação social. Os financiamentos de elevados montantes destacam-se nas perdas relacionadas com a Artlant, Quinta do Lago e Birchview, para além de problemas com a concessão de empréstimos à Investifino, Finpro, sociedade de investimento de Américo Amorim e Banif, bem como às sociedades de Joe Berardo, entre a Fundação Berardo e a Metalgest. Neste grupo de grandes devedores, os financiamentos ascenderam a mil milhões de euros, com perdas de 580 milhões de euros.
Vários crimes já estarão prescritos. Cada ano de silenciamento contribuiu para que mais atos de gestão danosa também prescrevessem, ficando de fora da alçada da justiça. De tal forma que este país mais parece uma república das bananas.
A CGD, banco que tem a confiança de um número elevado de portugueses, mormente os funcionários públicos, foi gerida sem qualquer noção de honra. E quem teve nas mãos o seu destino revelou uma total e indigna ausência de responsabilidade.
Neste estado mórbido, quem e quantos irão responder civil e criminalmente pela ruína da Caixa Geral de Depósitos, onde os portugueses tiveram de enterrar cinco mil milhões de euros dos seus sangrentos impostos?
Ficamos por aqui.
E, para que tudo não seja um mar turbulento, temos a entronizada Cristina Ferreira, mais parecendo uma Marilyn Monroe, que, iniciada na TVI se rendeu finalmente ao namoro da SIC, por via dum contrato milionário, cujo nome já se transformou numa marca, mas ainda longe dum Cristiano Ronaldo. Até o Presidente da República lhe telefonou, entrando em direto na estreia do seu programam na SIC, para lhe desejar felicidades, provocando uma onda de indignação, que a apresentadora não compreendeu por ter visto o gesto como um “miminho”.


(In "Notícias da Covilhã", de 14-02-2019)

Sem comentários: