12 de dezembro de 2017

IDADE DA PLENITUDE

Nada melhor do que ir ao encontro de um grande senhor da nossa cidade, para nos falar da idade de ouro, dos meninos da idade maior, dos nossos seniores, pela grande experiência alcançada ao longo dos anos, também ele, a viver, intensamente, o início da última (supostamente) etapa da vida.
Estou a falar, como calculam, do Senhor João de Jesus Nunes.
“Se há alguém que não receie a idade, sou uma dessas pessoas e até detesto quem é rotineiro do nada fazer após uma aposentação, salvo os casos de incapacidade por doença”, palavras do nosso anfitrião. Diz mesmo que se a vida teve um princípio, um dia terá o seu fim. É por isso que continua a viver cada dia, com as ocupações que lhe dão prazer (e são muitas), desenvolvendo atividades, escrevendo para a posteridade os seus brilhantes saberes, integrando equipas de ação diversa, contribuindo para a melhoria da nossa sociedade e do bem-estar dos que entram no grupo etário sénior.
O nosso amigo João, que dispensa quaisquer apresentações, homem simples, invulgar e dotado de um enorme coração pleno de sensibilidade e de amor ao próximo.
A sua vida, cuja história está ainda por contar, tal a sua riqueza de conteúdo e de saber, serve de exemplo ao mundo. E é por isso que, chegado a esta idade não escamoteia nem nega que esta é a idade da plenitude, do amor, da compreensão e do ensinamento.
Tem uma noção muito completa do que é e deverá ser, a idade maior daqueles meninos que já tudo fizeram para contribuir no desenvolvimento e engrandecimento do país, mas e também, para gerar família e, com isso, trazer ao mundo novos mundos de técnica e sabedoria.
De acordo com o que nos refere o nosso amigo João, “… é indubitável que no avançar da idade o organismo humano sente mudanças físicas que alteram as suas funções. Daí também mudanças nos seus comportamentos, pensamentos, sentimentos, e, obviamente, nas suas ações e reações. Deste estado, por vezes nalgumas pessoas leva-as a incapacidades que originam na própria família impossibilidade de manter condições de tempo, meios de atendimento do seu familiar e disponibilidades financeiras, para do mesmo se ocupar…”
Salienta ainda que “… somos o 7.º país mais envelhecido do mundo e, lamentavelmente, o que nos dói, é que 40% dos portugueses com mais de 65 anos passam oito ou mais horas por dia sozinhos, numa solidão desmedida, mesmo nalguns lares. E a Covilhã não é exceção. Que o digam as Conferências Vicentinas…”
A sua preocupação é bem patente, no que concerne ao bem-estar e qualidade de vida dos nossos seniores. De tal forma que:
“Envelhecer é redescobrir uma vida nova em cada dia.”
“A pessoa, nesta fase da vida, nasce novamente para uma vida cercada de surpresas, pronta para lhe garantir novos dias em vários campos.”
“Ainda que seja a época do aparecimento das doenças, por vezes mais invulgares, torna-se essa uma fase onde as emoções podem emergir muito mais facilmente.
Aproveitar a Idade da Plenitude ou Terceira Idade, como lhe queiram chamar, mas não de velhos ou idosos, é saber o valor de cada momento que se vive, seja antes, durante ou depois. Entender que tudo isto tem uma hora e, consequentemente, cada hora tem seu brilho.
Temos que compreender que, para não envelhecer, só morrendo jovem. Seria melancólico não poder conhecer o mundo em toda a sua grandeza, de eternizadas experiências ao longo da nossa vida, até ela chegar à sua plenitude.”
Como voto de coragem para todos, mas, em particular, para os que ainda acreditam no amanhã e, acima de tudo, nos nossos gestores políticos locais, deixa-nos este grito de glória, como exemplo a seguir.
“… tão só para deixar registado que, graças a Deus, o sentimento que vai na minha alma é de ter deixado tudo fora das gavetas, as tarefas executadas, ao longo da minha vida.
Ter dado a conhecer aos outros, para a atualidade e, eventuais vindouros interessados, tudo o que vou fazendo, sim com esforço, mas com muita dedicação e carinho, desde o mais de meio milhar de crónicas e textos de opinião em mais de duas dezenas de jornais regionais e alguns nacionais, aos livros que vou escrevendo (atualmente 10 já escritos), à memorização de eventos, factos e figuras de que as gentes da nossa gente tanto gostam, orgulha-me.
Tive o prazer de ter influenciado positivamente decisões por virtude de criatividade do pensamento, daí resultando a participação ou integrando, por convite, em algumas conferências ou debates, bem como o sucesso em duas grandes exposições temáticas que proporcionei à cidade.
Se algo posso ter dado de conhecimento, mais como autodidata, tenho a humildade de reconhecer que todos os dias tenho aprendido com todos, nos gestos e atitudes de quantos se cruzam comigo no caminho do quotidiano. E os que mais me ensinaram, e continuam a ensinar, são exatamente os pobres e os mais modestos.”
Homem de confiança, acredita que é possível elevar as sensibilidades do nosso município, na pessoa do seu Presidente Dr. Vitor Pereira, alcançando objetivos que, num passado recente, chegaram a ser uma realidade comprovada e amplamente testada.
E a sua alegria de viver, leva-o mesmo a referir que: “Se por vezes me manifesto como um pessimista, por coisas que vão surgindo, quer no planeta, quer neste país, quer ainda na minha terra – a Covilhã, paradoxalmente sou mais um otimista, pelas várias facetas da vida e uma delas é a “idade da plenitude”, ou seja, aquela que eu considero como designação mais correta, ao invés das que, oficialmente, se designam de terceira idade (aliás já existe uma quarta idade segundo alguns geriatras, ou seja, entre os 78 e os 105 anos), e também de velhice ou idoso.”
Preocupa-o ainda que:
“A velhice tenha deixado de estar associada a uma incapacidade para trabalhar para ser entendida como uma “inatividade pensionada”, ou seja, que a generalização dos sistemas de reforma tenham contribuído para que todas as pessoas, a partir de uma determinada idade, ficassem “dispensadas” de trabalhar, independentemente da sua capacidade para realizar trabalho.
Os receios agora também existem nos dados demográficos, pois segundo o Eurostat, Portugal é o quarto país da Europa onde a população com 65 ou mais anos depende mais da população ativa, com uma relação de 29,6% acima da média europeia. E confirma-se, assim, a tendência de diminuição da natalidade e do aumento de esperança de vida no país, nos últimos vinte anos.”
Por fim, sendo dispensável para a maioria, é bom que a nossa juventude saiba quem é este Senhor com H grande. Trata-se de:
João de Jesus Nunes, 71 anos, casado, pai de dois filhos e avô de quatro netos. É natural de Vila do Carvalho e residente na Covilhã desde os 9 anos. Estudou na Escola Industrial e Comercial Campos Melo onde tirou o Curso Geral do Comércio. Aos 17 anos empregou-se na Câmara Municipal da Covilhã, depois de, efemeramente, ter passado por uma firma comercial desta cidade, agora extinta.
No cumprimento do serviço militar obrigatório, tirou o curso de Sargentos Milicianos.
Partiu, depois, para o Soito – Sabugal, onde, durante um ano foi empregado de escritório duma empresa de refrigerantes, também já dissolvida.
Surgiu-lhe uma oportunidade, na Covilhã, para gerente da Companhia Europeia de Seguros, onde permaneceu durante 20 anos, até que, sequencialmente com a Liberty Seguros, passou a trabalhar por conta própria, como empresário, até que chegou a hora da aposentação.
Que brilhante exemplo para a posteridade, que extraordinária história de vida.
BEM-HAJA, SENHOR JOÃO DE JESUS NUNES.

“OS MENINOS DE ONTEM”, por António Rebordão


(In “fórum Covilhã”, de 12-12-2017)

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