7 de maio de 2026

EFEMÉRIDES DE NÚMEROS REDONDOS EM 2026

 

Vivemos tempos melancólicos e inquietantes. O nosso país e o mundo atravessam momentos difíceis, marcados por tempestades devastadoras que se sucedem umas às outras, depois de um estio prolongado e castigado por grandes incêndios.

E, para lá das nossas fronteiras, multiplicam-se conflitos que muitos já não hesitam em designar como uma espécie de “terceira guerra mundial aos pedaços”, espalhada por diversos pontos do globo e cujos ecos acabam por atingir toda a humanidade.

Talvez por isso mesmo valha a pena, de quando em quando, fazer uma pausa neste presente inquieto e olhar para a história. Recordar datas e acontecimentos que, vistos à distância, nos ajudam a compreender melhor o caminho coletivo que fomos percorrendo. Neste ano de 2026, não faltam efemérides de números redondos que merecem evocação.

Desde logo, assinala-se o Centenário do Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes, fundado em 16 de fevereiro de 1926. Ao longo destes cem anos, a instituição tem procurado honrar a memória de quantos conheceram as agruras da guerra, em particular os que participaram na Guerra das Colónias, conflito que marcou profundamente uma geração inteira de jovens portugueses e deixou, em muitos deles, cicatrizes físicas e psicológicas que o tempo nem sempre conseguiu apagar. As comemorações previstas procuram justamente preservar essa memória e dar a conhecer às novas gerações o papel desempenhado pelo Núcleo covilhanense.

No plano nacional, 2026 marca também os 50 anos da Constituição da República Portuguesa de 1976, a Lei Fundamental do regime democrático nascido após o 25 de Abril. Meio século depois da sua aprovação, permanece como a mais duradoura das constituições portuguesas, testemunho da consolidação de um sistema político assente na liberdade e na participação democrática.

Se recuarmos ainda mais no tempo, encontramos outra data simbólica: os 200 anos da Carta Constitucional de1826, outorgada por D. Pedro IV a partir do Brasil, onde fora aclamado imperador. Este diploma tornou-se a segunda Constituição portuguesa e a mais duradoura da nossa história constitucional, abrindo caminho às primeiras eleições cartistas realizadas nesse mesmo ano.

Também os caminhos de ferro têm a sua efeméride. Passaram 170 anos desde a inauguração da via-férrea em Portugal, ocorrida no já distante – e para muitos romântico – dia 28 de outubro de 1856, episódio marcante de um processo que, entre dificuldades técnicas e hesitações políticas, viria a transformar profundamente a mobilidade e o desenvolvimento do país.

No plano internacional, celebra-se uma data maior da história contemporânea: os 250 anos da Revolução Americana de 1776. Foi então que treze colónias britânicas da América do Norte se ergueram contra o domínio colonial e proclamaram a sua independência, dando origem aos Estados Unidos da América. Mais do que o nascimento de uma nova nação, esse movimento inaugurou uma nova ordem constitucional e política que influenciaria decisivamente o mundo moderno.

Essas treze colónias agrupavam-se em três grandes nações – Nova Inglaterra, Colónias do Centro e Colónias do Sul – e a sua afirmação política viria a alterar profundamente o curso da história mundial.

Por terras da Beira Baixa, há ainda outra efeméride digna de nota: os 80 anos da fundação do Jornal do Fundão, criado por António Paulouro, seu proprietário e primeiro diretor. Ao longo das décadas, este semanário afirmou-se como uma das mais prestigiadas vozes da imprensa regional portuguesa. Curiosamente – e permito-me aqui uma nota pessoal – nasci apenas dois meses depois do nascimento deste jornal.

Assim se vai fazendo a história: entre grandes acontecimentos mundiais e pequenas coincidências da vida de cada um. Recordar estas datas é também uma forma de reconhecer o caminho percorrido e de compreender melhor o tempo que nos cabe viver.

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

 

(In “O Combatente da Estrela”, n.º 142-abril 202

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