Quero em primeiro lugar
agradecer o convite que o Senhor Presidente da Direção me fez para aqui falar
um pouco sobre a Casa da Covilhã.
O que é que eu vou dizer,
tendo em conta o pouco espaço de tempo de que já disponho?
Foi assim que, de alguma
perplexidade surgida no meu pensamento, logo a mesma se desfez e,
num relance, achei por bem dar
o título a esta minha palesta, assim:
UM PEDACINHO DA COVILHÃ A CAMINHO DO CENTENÁRIO
Vou ser breve.
Entrei pela primeira vez nesta Casa em 1973 numa altura
em que por aqui andei uns dias, em formação na Seguradora cuja delegação eu
geria na Covilhã.
Apenas me recordo de ter
estado junto ao balcão-bar, e de ter encontrado algumas pessoas que não
conhecia para além do velho António Isaac. O homem do bar disse-me que era do
Fundão. Estranhei o edifício sujo e arruinado, nessa altura, com alguns ébrios
à mistura.
Passei assim longos tempos sem
visitar esta Casa, mais pela indisponibilidade de permanecer tempo suficiente em
Lisboa, cujas horas necessárias não me abundavam, ou então era a permanência exclusiva
em questões profissionais.
No entanto a minha curiosidade
era sempre conhecer quem presidia à Casa da Covilhã, e, pelas notícias que na
oportunidade eram veiculados nos semanários da região beirã, sobre o que se
passava nesta Casa, confesso, com raridade, insuflavam-me algo de vontade em
ver o seu novo rosto.
Mais tarde, as notas da
imprensa regional que ligeiramente davam registo de a Casa da Covilhã acolher
várias personalidades, ou eventos, enchiam-me de curiosidade.
Recordo-me de na presidência do
falecido Abel Ribeiro Cunha, aqui foi recebida a equipa e dirigentes do SCC,
que havia subido à I Divisão Nacional, em 1985, aquando da meia final da Taça
de Portugal que veio disputar a Lisboa com o Benfica; e também Jorge Vieira, antigo internacional e
ídolo do SCP, então seu sócio n.º 1, e que esteve na fundação do SCC.
Na Covilhã algumas vezes
interpelava o Clementino Xavier como corriam as coisas aqui pela Casa da
Covilhã.
O século XXI traria algum
período de turbulência a esta Casa, ficando fechada, sem qualquer tipo de
atividade, entre 2006 e 2010. No entanto, um grupo de covilhanenses radicados
em Lisboa, com vontade indómita em fazer renascer esta instituição, ao redor de
um almoço mensal que ainda hoje mantêm, reativou a Casa da Covilhã.
Para se poder manter este
barco a flutuar em águas tranquilas foi necessário o surgimento de dirigentes
tenazes, suando a camisola com o nome da sua Terra, e é desta feita que esta
instituição tem atingido os seus objetivos através de iniciativas de caráter
cultural e recreativo e dando a conhecer a gastronomia da nossa região,
atividades que me escuso de salientar por já serem sobejamente conhecidas,
devidamente divulgadas não só pela Casa da Covilhã, mormente através das redes
sociais, como também pela imprensa regional, mas, contrariando um pouco o que
acabo de dizer, seria grave esquecer as noites de fado, nesta Casa, e a
recriação da Feira de S. Miguel que proporciona uma das maiores concentrações
de Covilhanenses em Lisboa. Nunca se viu tanta gente da nossa gente a vir agora
aqui apresentar as suas obras literárias, as suas poesias, e a sua arte. É
obra!
Se eu, como inicialmente
referi, entrei pela primeira vez nesta Casa, há quase meio século, pois bem,
esta Instituição vai agora a caminho do Centenário. Entre ventos e marés, ela
vai desenhando o seu percurso com a bandeira desfraldada da Covilhã, com
notoriedade, e é assim que o caminho se faz caminhando.
Efetivamente, chegámos à
conclusão de que são 96 primaveras! Pudera, se o Boletim da Casa da Covilhã de
1949 assinalava as Bodas de Prata, obviamente que a sua génese já vem de 5 de
janeiro de 1924 e não 1929, ainda que tenha sido “autorizada a sociedade de
recreio Grémio Covilhanense” neste último ano. Igualmente José Mendes dos
Santos, no seu livro “Breve História Cronológica da Covilhã”, refere a sua
fundação a junho de 1924.
Depois da Rua da Mouraria,
24,1º, passaria para o Largo do Caldas, nº 8, e em 1 de junho de 1940, neste nº
150-1º B, na Rua do Benformoso. Assim também me referi no Boletim Informativo
n.º 1, online, de dezembro de 2014, da Casa da Covilhã, sob o título
“Ressurgimento”.
“No dia 18 de junho de
1949, na Sessão Solene comemorativa da passagem do 25º. Aniversário foi
inaugurada, festivamente, mais uma Estante da nossa Biblioteca”, referia-se
assim o Boletim da Casa da Covilhã já mencionado.
Deixo aqui um apelo para que
façam mais um esforço no sentido de organizarem a Biblioteca, onde existem
muitos autores Covilhanenses.
Pois bem, queremos continuar a
entrar na porta 150 desta Casa, no âmbito da nossa “Beiranidade” já que ficámos
fartos de saber que o 10 é do Downing Street, lá para outras bandas a transvazar
a Europa.
Parabéns à Casa da Covilhã – a nossa Casa na capital –, e também a todos
os seus obreiros, com realce para esta sua dinâmica Direção.
Obrigado.
(Minha palestra na Casa da Covilhã, no dia 15-02-2020)
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