23 de abril de 2024

CONTE-NOS A SUA HISTÓRIA JOSÉ LUÍS FERRÃO DO NASCIMENTO


 

Neste primeiro trimestre do ano 2024 vamos falar duma figura conhecida no ramo da indústria têxtil e confeção. Tem 73 anos, casado, e dois filhos.

Em 1966 concluiu na Escola Industrial e Comercial Campos Melo da Covilhã o Curso de Formação Geral do Comércio, tendo recebido o diploma de prémio do melhor aluno. Logo começou a sua atividade profissional como escriturário na empresa Ernesto Cruz, na secção de importação-exportação. Necessitando de ter mais conhecimento de inglês, concluiu em 1967 o curso de inglês do Instituto de Linguaphone de Lisboa. Em 1969 foi admitido na Lanofabril como correspondente-tradutor para o departamento de exportação.

Chegada a altura de cumprir o serviço militar obrigatório, em 11 de janeiro de 1971 apresentou-se no RI 5, em Caldas da Rainha, para a frequência do 1º. Ciclo do Curso de Sargentos Milicianos, e, em 4 de abril do mesmo ano, no CISMI, em Tavira, para o 2º. Ciclo (Transmissões de infantaria). Foi promovido a 1º. Cabo Miliciano em 19 de julho. Mas já antes, em 3 de julho iniciou no BRT Trafaria a especialidade de Analista de Informação de Transmissões. Foi entretanto promovido a Furriel Miliciano graduado em 17 de novembro, data em que embarcou para Angola no navio Vera Cruz onde chegou a 29 de novembro. Antes de partir para Angola ainda fez um estágio no CEM. Iniciou a sua função na SECOP – equipa de escuta nos arredores de Luanda e, passados seis meses, integrou a equipa de análise e informação no QG Cheret Angola. Era um trabalho de extrema responsabilidade que consistia em traduzir as mensagens captadas pelas várias equipes de escuta espalhadas por Angola que chegavam diariamente a Luanda via aérea. Mensagens essas vindas do MPLA, FNLA, UNITA, FLEC e forças armadas do Congo Brazaville-RPC e Congo Kinshaza-RDC. Essas mensagens vinham muitas vezes em Francês e Inglês, outras criptadas. Executavam toda a documentação confidencial e difusão. A meio da comissão teve a infelicidade da morte da sua mãe e não conseguiu arranjar transporte para vir à metrópole ao seu funeral, mas foi apoiado pelo grande amigo Álvaro, covilhanense, residente em Luanda, que todos os dias, naquela semana, se encontrava com ele; e também colegas. Em dezembro de 1973 terminou a sua missão e chegou a Lisboa via aérea a 23 do mesmo mês. Recebeu a Medalha Comemorativa das Campanhas de Angola 1971/2/3 e foi louvado pelo Chefe do Estado Maior/QG/RMA.

Em 1974 regressou à Lanofabril como ajudante de técnico de contas, e em 1976, na firma Paulo de Oliveira, para o Departamento de Exportação-Vendas. Ingressou depois na Carveste, no ano 1983, para o Departamento Comercial/Exportação. No ano seguinte, a convite de Rudolf Schweizer, entrou para a ERES-Fundão, pertencente à R. Schweizer Menswear AG em Wange/AAre Suiça, uma das maiores empresas de confeção europeias. Foi responsável pela importação-exportação e assistência na compra de tecido e acessórios nacionais. Paralelamente, de 1986 a 1989 fez parte da firma Vestebem. Após falência da Eres integrou em 2002 o departamento comercial da firma DressUomo, sendo que em fevereiro de 2004 passou a ser diretor comercial para a firma Tessimax, do grupo Paulo de Oliveira. Aposentou-se em 2011 quase a caminho de meio século de trabalho. Gosta de caminhar, fazer natação, jardinagem, bricolagem, música, cinema, teatro e futebol.

E para terminar a sua vasta carreira do que se pode chamar um Homem às direitas, atualmente é voluntário na Conferência de São Vicente de Paulo de S. Martinho, católico, tendo, em jovem, pertencido à JOC, e é também secretário na Assembleia do Grupo Recreativo Refugiense.

Muito mais haveria a dizer deste amigo e camarada, mas o espaço deste periódico não o permite.

 

 

(In “O Combatente da Estrela”, n.º 134, ABR/2024)


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