17 de setembro de 2026

AS MULHERES MAIS IMPORTANTES NA VIDA DE JESUS



 

Maria, mãe de Jesus, Maria Madalena, as irmãs Marta e Maria e as poderosas Joana e Susana foram algumas das mulheres mais marcantes do movimento que surgiu há mais de dois mil anos. Muitas vezes esquecidas ou relegadas para segundo plano, começam hoje a ser recuperadas pela investigação histórica.

Joana terá pertencido a um meio social privilegiado. Mulher de elite, casada com Cusa, administrador de Herodes Antipas, governador da Galileia, contrastava com as camponesas pobres que rodeavam Jesus. Mesmo assim, terá abandonado uma vida de privilégios para escutar o profeta de Nazaré.

Sobre o seu primeiro encontro com Jesus pouco se sabe. A historiadora Helen Bond, autora de Women Remembered: Jesus’Female Disciples, admite que Joana poderá ter atravessado o mar da Galileia com outras mulheres da corte para ouvir Jesus. Quando alguém precisava de ajuda ou de cura, a mensagem era simples: “não temos nada a perder”, recorda a teóloga.

É nos Evangelhos que encontramos a confirmação de que Joana foi curada de uma doença e passou a integrar o grupo que acompanhava Jesus. E não estava sozinha. Jesus fazia-se acompanhar não apenas pelos doze apóstolos, mas também com um grupo de mulheres que escolheu como discípulas.

Para o investigador italiano Enzo Bianchi, autor de Jesus e as Mulheres, esta presença feminina representava uma verdadeira revolução para a época. Num mundo profundamente patriarcal, as mulheres ocupavam um lugar secundário na sociedade e na religião. Contudo, junto de Jesus, encontraram um espaço de igualdade e participação.

MARIA, A MÃE DISCÍPULA

Maria foi a primeira discípula de Jesus. Nos Evangelhos surge poucas vezes, mas está presente em momentos decisivos da sua vida.

Um dos episódios mais significativos acontece nas bodas de Caná. Quando o vinho acaba, Maria chama a atenção do filho para a situação. Jesus responde-lhe, mas acaba por transformar a água em vinho – o primeiro milagre relatado no Evangelho de João.

Para a teóloga brasileira Wanda Deifelt, este episódio revela a influência de Maria sobre Jesus. Também o jornalista Andrea Tornielli considera que a intervenção de uma mãe terá sido decisiva para que aquele primeiro milagre acontecesse

Maria não foi, porém, apenas a mãe de Jesus. O seu Magnificat, cântico em que exalta Deus e anuncia a queda dos poderosos e a elevação dos humildes, traduz uma mensagem de justiça e esperança que atravessa o cristianismo.

Apesar da importância que lhe atribuem, os Evangelhos canónicos fornecem poucos dados sobre a sua vida. Os textos apócrifos, escritos posteriormente, acrescentam alguns pormenores, como a sua educação religiosa e a apresentação no Templo ainda criança. Relatam também o casamento com José, homem mais velho, e a aceitação da missão que lhe foi anunciada pelo anjo Gabriel: ser mãe do Filho de Deus.

Num tempo marcado pela violência e pelo domínio romano, Maria terá vivido com a permanente preocupação pela segurança do filho. Os Evangelhos mostram, aliás, que nem sempre compreendeu as opções de Jesus. Numa passagem, quando alguém lhe diz que a sua mãe e os seus irmãos o procuram, Jesus responde: “Eis a minha mãe e os meus irmãos”.

MARIA, “A PRIMEIRA CRISTÔ

Apesar de alguma resistência inicial, Maria acompanhou Jesus e permaneceu ligada à sua missão. Para o padre e professor da Universidade de Coimbra Anselmo Borges, ela foi “a primeira cristã”, aquela que acreditou antes de compreender plenamente.

A teóloga Teresa Messias considera igualmente Maria uma das mulheres mais relevantes da vida de Jesus. Os Evangelhos, observa, mostram sobretudo como Jesus influenciou as mulheres, porém, a influência destas sobre Jesus e sobre a sua comunidade merece também ser reconhecida.

Maria estará presente no momento da crucificação e, segundo alguns teólogos, terá recebido a missão de continuar a divulgar a mensagem do filho.

Mais de dois mil anos depois, a presença destas mulheres continua a suscitar perguntas. Quem foram realmente? Que papel desempenharam na vida de Jesus? E quanto da sua história ficou por contar?

MARIA MADALENA

A APÓSTOLA DOS APÓSTOLOS

Apear de ser a mulher que mais vezes aparece nos Evangelhos, surge apenas nos quatro oficiais: Marcos, Lucas, Mateus e João – pouco se sabe sobre ela. Os poucos factos que conhecemos revelam que Jesus terá curado Maria de “sete demónios”, e que o seu nome indicava a sua origem: Magdala.

A vila piscatória junto ao mar da Galileia existe ainda hoje e é nela que continuam a procurar-se pistas sobre esta mulher.

A especialista conta à Sábado que descobriram provas que se encaixam nas descrições bíblicas como o facto de Maria Madalena ser rica.

O nome de Maria Madalena continua envolto em mistério, mas uma coisa é certa, garantem os teólogos: ela era importante para Jesus. “Maria Madalena é fundamental no cristianismo, pois foi a primeira que fez a experiência avassaladora de fé da ressurreição de Jesus.

A biblista Elizabeth Schader diz que Maria Madalena era uma mulher com recursos, que ajudava o movimento de Jesus financeiramente. “Ela torna-se ainda mais proeminente na crucifixão. Foi a ela que Jesus apareceu pela primeira vez na manhã de Páscoa. Isto sugere que ela era uma seguidora extremamente importante”.

JOANA E SUSANA

AS SEGUIDORAS PODEROSAS

O que leva uma mulher rica a deixar uma vida confortável para se juntar a um grupo de crentes que percorriam a Galileia a pé? Joana e Susana aderiram ao movimento de Jesus, mas pouco se sabe sobre estas mulheres, apenas que eram de elite, o que prova que todas as classes sociais pertenciam ao cristianismo.

E mais: as mulheres ajudavam ao nível financeiro este grupo como sugere o Evangelho de Lucas: “Ele ia de cidade em cidade, de aldeia em aldeia, proclamando e anunciando a a Boa Nova no reino de Deus e os 12 iam com ele, assim como algumas mulheres que tinha sido curadas de espíritos malignos e de doenças”.

“Era um movimento bem organizado e cada um tinha funções definidas, porque era preciso uma logística para se ser nómada e para alimentar aquelas pessoas”.

Seria interessante falar de outras mulheres que seguiram a vida de Jesus, como Maria de Betânia, que ungiu os pés do Senhor, e as duas irmãs de Lázaro, Marta e Maria, que Jesus visitava em sua casa para descansar.

Ficamos por aqui, neste âmbito, da vida de Jesus,

 

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

 

 

(In “O Olhanense”, de 15-09-2026)

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