3 de novembro de 2026

O PISA


 

O Programa Internacional de Avaliação de Estudantes, mais conhecido pela sigla PISA, é um estudo internacional coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE), que avalia os conhecimentos e as competências dos alunos.

O PISA tem sido frequentemente referido nos órgãos de comunicação social, e não só, fruto das preocupações que começam a afligir o nosso País, por motivos que merecem reflexão.

Contrariamente aos jovens que integravam aquela massa cinzenta que, segundo o então primeiro-ministro Passos Coelho, deveria procurar oportunidades de sucesso no estrangeiro, deparamo-nos agora com outros que não encontram antídoto para prosseguir a sua vida profissional e social. O desânimo tomou conta de muitos deles e das suas famílias.

O desempenho dos jovens portugueses no PISA constitui um exemplo elucidativo. Se, em anos anteriores, as classificações alcançadas nos enchiam de orgulho, hoje deparamo-nos com dificuldades que exigem reflexão e respostas concretas. O espaço do saber confronta-se com o negativismo que as redes sociais criam e potenciam. É a superficialidade a assentar arraiais na incultura.

Estes jovens revelam dificuldades de concentração e sentem-se menos preparados. Para além de dominarem mal a Matemática e o Português, desistem facilmente de tarefas um pouco mais exigentes.

Passam horas a mais nas redes sociais e diante dos ecrãs.

O “Correio da Manhã” informa que “os jovens portugueses chegam às empresas cada vez com menos palavras, com menos competências e com menos cultura”. Afinal, a tão apregoada geração mais bem preparada de sempre parece estar a revelar fragilidades que não podemos ignorar.

Existem, aqui, causas familiares, educativas e civilizacionais. As famílias nem sempre acompanham devidamente a aprendizagem dos filhos e dos netos, nem verificam se estes adquiriram os conhecimentos básicos. Nas escolas, por sua vez, parece ter-se instalado, em certos casos, uma mentalidade facilitista.

A própria sociedade deixou medrar a dependência do digital e das redes sociais, sem se preocupar suficientemente com a incultura que vai tomando conta de tanta gente.

Por que não assumir, então, um verdadeiro desígnio nacional para Portugal? É necessário elevar as exigências, melhorar o ensino, incentivar os estudantes a ler jornais e livros e, simultaneamente, disciplinar o uso de telemóveis e das redes sociais.

Os resultados do Pisa de 2025 voltaram a colocar a educação no centro do debate. Entre os dados divulgados, merece atenção o número de alunos portugueses que não alcançam o nível mínimo de proficiência em determinadas áreas, indispensável a uma participação plena e eficaz na vida em sociedade.

Surge, assim, a questão da “Cunha na Sociedade”, tema sobre o qual escrevi um texto, em junho de 2016, na revista de antigos professores e alunos, “Ecos da APAE”, que ajudei a fundar.

O economista James A. Robinson, laureado com o Prémio Nobel da Economia em 2024, e o economista português Nuno Palma têm alertado para os problemas estruturais de Portugal, entre os quais o peso das relações privilegiadas e das chamadas “cunhas”, que podem comprometer o desenvolvimento e perpetuar a estagnação.

Um Estado que falha perante os cidadãos e uma sociedade que continua a viver sob o peso das “cunhas”, eis um problema que exige coragem para ser enfrentado.

João de Jesus Nunes

jjnunes6200@gmail.com

(In “O Olhanense”, de 01-11-2026)