O Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes, mais conhecido pela sigla PISA, é um estudo internacional
coordenado pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE),
que avalia os conhecimentos e as competências dos alunos.
O PISA tem sido frequentemente referido
nos órgãos de comunicação social, e não só, fruto das preocupações que começam
a afligir o nosso País, por motivos que merecem reflexão.
Contrariamente aos jovens que integravam
aquela massa cinzenta que, segundo o então primeiro-ministro Passos Coelho,
deveria procurar oportunidades de sucesso no estrangeiro, deparamo-nos agora
com outros que não encontram antídoto para prosseguir a sua vida profissional e
social. O desânimo tomou conta de muitos deles e das suas famílias.
O desempenho dos jovens
portugueses no PISA constitui um exemplo elucidativo. Se, em anos anteriores, as
classificações alcançadas nos enchiam de orgulho, hoje deparamo-nos com
dificuldades que exigem reflexão e respostas concretas. O espaço do saber
confronta-se com o negativismo que as redes sociais criam e potenciam. É a superficialidade
a assentar arraiais na incultura.
Estes jovens revelam dificuldades
de concentração e sentem-se menos preparados. Para além de dominarem mal a
Matemática e o Português, desistem facilmente de tarefas um pouco mais exigentes.
Passam horas a mais nas redes
sociais e diante dos ecrãs.
O “Correio da Manhã” informa que “os
jovens portugueses chegam às empresas cada vez com menos palavras, com menos
competências e com menos cultura”. Afinal, a tão apregoada geração mais bem preparada
de sempre parece estar a revelar fragilidades que não podemos ignorar.
Existem, aqui, causas familiares,
educativas e civilizacionais. As famílias nem sempre acompanham devidamente a
aprendizagem dos filhos e dos netos, nem verificam se estes adquiriram os
conhecimentos básicos. Nas escolas, por sua vez, parece ter-se instalado, em
certos casos, uma mentalidade facilitista.
A própria sociedade deixou medrar
a dependência do digital e das redes sociais, sem se preocupar suficientemente
com a incultura que vai tomando conta de tanta gente.
Por que não assumir, então, um verdadeiro
desígnio nacional para Portugal? É necessário elevar as exigências, melhorar o
ensino, incentivar os estudantes a ler jornais e livros e, simultaneamente, disciplinar
o uso de telemóveis e das redes sociais.
Os resultados do Pisa de 2025 voltaram
a colocar a educação no centro do debate. Entre os dados divulgados, merece
atenção o número de alunos portugueses que não alcançam o nível mínimo de
proficiência em determinadas áreas, indispensável a uma participação plena e
eficaz na vida em sociedade.
Surge, assim, a questão da “Cunha
na Sociedade”, tema sobre o qual escrevi um texto, em junho de 2016, na revista
de antigos professores e alunos, “Ecos da APAE”, que ajudei a fundar.
O economista James A. Robinson, laureado
com o Prémio Nobel da Economia em 2024, e o economista português Nuno Palma têm
alertado para os problemas estruturais de Portugal, entre os quais o peso das
relações privilegiadas e das chamadas “cunhas”, que podem comprometer o
desenvolvimento e perpetuar a estagnação.
Um Estado que falha perante os
cidadãos e uma sociedade que continua a viver sob o peso das “cunhas”, eis um
problema que exige coragem para ser enfrentado.
João de Jesus Nunes
(In “O Olhanense”, de 01-11-2026)

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