Segundo as notícias que nos
chegaram, a população portuguesa aumentou para 11,4 milhões de residentes, dos
quais 14% são estrangeiros. Portugal é, contudo, um país mais envelhecido e com
mais imigrantes do que revelam os mais recentes dados do Instituto Nacional de
Estatística. A idade mediana da população residente em Portugal subiu para 45,8
anos.
Chamou-nos a atenção o facto de,
ao tempo do nosso rei D. João III, que faleceu em 11 de junho de 1557, terem morrido
todos os seus nove filhos legítimos, tendo a sucessão recaído no seu neto, D.
Sebastião. Nessa época, o Reino de Portugal teria entre 1 milhão e 1,2 milhões de
habitantes. Durante o reinado de D. João III, a população cresceu
moderadamente, beneficiando de um período relativamente estável e da expansão
económica associada ao comércio ultramarino.
Esse crescimento foi, contudo,
limitado pela elevada mortalidade, por surtos de peste, pelas crises de
abastecimento e pela emigração para os territórios ultramarinos, nomeadamente
para o Brasil, a Índia e diversas praças portuguesas em África e no Oriente.
A esperança média de vida era reduzida,
situando-se entre 30 e 35 anos à nascença, embora aqueles que ultrapassavam a infância
pudessem viver bastante mais tempo.
A grande maioria da população
(mais de 90%) residia em áreas rurais e vivia da agricultura.
As maiores cidades do reino
(estimativas)
Por volta de meados do século XVI:
. Lisboa: entre 90 000 e
120 000 habitantes, sendo uma das maiores cidades da Europa.
. Porto: cerca de 15 000 a 20 000
habitantes.
. Évora: cerca de 12 000 a
18 000 habitantes.
. Coimbra: aproximadamente 10 000
a 15 000 habitantes.
Comparação com a atualidade
. 1557: cerca de 1 milhão de
habitantes.
. Portugal atual: cerca de 10,5
milhões de habitantes.
Isto significa que a população
portuguesa multiplicou-se aproximadamente por dez desde a morte de D. João III,
embora esse crescimento tenha sido muito desigual ao longo dos séculos, com
períodos de forte emigração e de estagnação demográfica.
Mas, curiosamente, fazemos uma
retrospetiva da evolução da população portuguesa desde o reinado de D. Afonso
Henriques até à atualidade, indicando os valores estimados para cada século e
os principais acontecimentos que influenciaram o crescimento demográfico.
A demografia portuguesa anterior
ao século XIX só pode ser conhecida através de estimativas, uma vez que os
primeiros recenseamentos modernos apenas começaram em 1864. Ainda assim, os
estudos de historiadores e demógrafos permitem traçar uma evolução bastante
credível
Evolução da população de
Portugal
Época
População estimada Contexto histórico
Fundação do Reino
(c. 1143)
700 000 – 900 000 Reino essencialmente
agrícola,
ainda em plena Reconquista.
Reinado de D. Dinis
(1279-1325)
900 000 – 1 000 000 Crescimento agrícola, fundação
de numerosas vilas e incentivo
ao povoamento.
Antes da Peste Negra
(1348)
1000 000 – 1 100 000 A população atingia um dos
seus
máximos medievais.
Final do século XIV 700 000 –
800 000 A
peste, as guerras e as fomes
provocaram forte declínio
demográfico.
Reinado de D. Manuel I Cerca de 1000 000 Recuperação económica e
início
da expansão marítima.
Morte de D. João III 1 000 000
– 1 200 000 Lisboa torna-se uma das maiores
cidades europeias graças ao
comércio ultramarino.
União Ibérica (1580) Cerca de 1 100 000 População
relativamente estável.
Restauração (1640) 1 200 000 –
1 300 000
Crescimento lento devido às
guerras e epidemias.
Reinado de D. João V Cerca de
2 000 000
Prosperidade associada ao ouro do
Brasil e melhoria das condições
económicas.
Reinado de D. Maria I
(c. 1790)
2 800 000 – 3 000 000 Forte crescimento
natural.
Primeiro recenseamento
(1864)
Cerca de 4 200 000 Primeiro valor
estatístico rigoroso.
1900
5 423 000 Crescimento contínuo apesar da
emigração.
1950
8 441 000 Recuperação após
as dificuldades
da primeira metade do século XX.
1981
9 833 000 Urbanização
acelerada.
2001
10 356 000 Crescimento
impulsionado também
pela imigração.
2021
10 344 000 Estabilização e
envelhecimento
demográfico.
2025 (estimativa) Cerca de
10 600 000 Crescimento
moderado devido ao
saldo migratório positivo.
Alguns momentos marcantes
Séculos XII e XIII
A Reconquista permitiu a ocupação
de novas terras. Os reis portugueses promoveram a fundação de concelhos,
concederam forais e incentivaram a agricultura.
Século XIV
A Peste Negra matou provavelmente
entre um terço e metade da população portuguesa. Poucos acontecimentos tiveram
um impacto tão profundo na história demográfica do país.
Séculos XV e XVI
A expansão marítima trouxe
riqueza e prestígio, mas também levou muitos portugueses a partir para África,
Ásia e, mais tarde, para o Brasil. Apesar dessa emigração, a população
continuou a crescer lentamente.
Século XVIII
Foi um período de forte
crescimento. O ouro brasileiro impulsionou a economia e a população
aproximou-se dos três milhões de habitantes.
Século XIX
Com o primeiro recenseamento de
1864 passou a ser possível conhecer com rigor a população portuguesa.
Como evoluiu Lisboa?
A cidade de Lisboa é um bom
exemplo do crescimento do país:
. Cerca de 20 000 habitantes
em 1300.
. Entre 50 000 e 60 000
por volta de 1500.
. Entre 90 000 e
120 000 no tempo de D. João III, figurando entre as maiores cidades da
Europa.
. Aproximadamente 190 000 em
1801.
. Mais de 500 000 no início
do século XX.
Uma curiosidade histórica
Quando D. João III faleceu, em
1557, o reino de Portugal tinha cerca de 1,1 milhão de habitantes. Contudo, a Monarquia
Portuguesa governava um império espalhado por quatro continentes, com milhões
de súbditos não europeus em África, na Ásia e na América. Assim, embora
Portugal continental fosse um país relativamente pequeno em população, exercia
influência sobre um dos maiores impérios marítimos da época.
Bibliografia: História de Portugal, coordenada por José Mattoso; estudos demográficos de
A. H. Oliveira Marques.
João de Jesus Nunes
(In “Jornal Fórum Covilhã”, de 02-07-2026)




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