Entre as datas apontadas para assinalar o fim
da Idade Média e o início da Idade Moderna, a que tradicionalmente tem sido
mais referida é a de 29 de maio de 1453, devido ao simbolismo associado ao fim
do Império Romano do Oriente, marcado pela conquista de Constantinopla (atual
Istambul) pelos turcos.
Todavia, a adoção desta data para demarcar as
duas épocas não nos parece a mais adequada para assinalar o início da transição
da Medievalidade para a Modernidade, uma vez que o que restava do velho Império
Romano já tinha perdido grande parte da sua relevância histórica. Por isso, em
vez de escolher qualquer outra data ou acontecimento igualmente apontados para
esse efeito, entendemos que essa demarcação deve situar-se no início dos
Descobrimentos Portugueses, em 1420.
Com efeito, foi este processo histórico que
constituiu o fator decisivo para assinalar, simbolicamente, o início da Idade
Moderna. Segundo este critério, os Descobrimentos assumem um significado ímpar,
por terem desencadeado uma profunda transformação estrutural que marcou o
arranque da nova era.
Na sequência do início da expansão portuguesa
em Marrocos, em 1415, começaram, a partir de 1420, as missões marítimas que
deram origem aos Descobrimentos. Embora inicialmente parecessem modestas,
vieram a revelar-se de enorme alcance histórico. É, por isso, no tempo dos
Descobrimentos que consideramos ter começado uma nova época. Neste sentido,
recorde-se o pensamento do genial cronista português Fernão Lopes, que, já em
1443, afirmava que durante o reinado de D. João I, se iniciara “uma sétima idade,
na qual se levantou outro mundo novo e nova geração de gentes”.
A Idade Moderna começou, assim, a ser
protagonizada por portugueses entre os quais sobressai o Infante D. Henrique,
cuja determinação, visão e espírito de iniciativa contribuíram decisivamente
para o arranque da nova era da História da Humanidade.
Pode, por isso, afirmar-se que os
Descobrimentos constituíram uma verdadeira revolução histórica que marcou,
entre 1420 e 1521, a transição da Idade Média para a Idade Moderna.
A opção por esta revolução, iniciada pelos portugueses
e posteriormente continuada pelos espanhóis, como referência para assinalar a
mudança de épocas, fundamenta-se no facto de ter proporcionado um conhecimento
do mundo até então sem precedentes e desencadeado profundas transformações em
todos os níveis da civilização. Foi esse processo que deu origem a uma primeira
mundialização, precursora da atual globalização.
João e Jesus Nunes
(In “O Olhanense”, de 15-07-2026)

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