O Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes assinalou, ao longo dos últimos meses, o seu Centenário, culminando as comemorações com a sessão de encerramento realizada no passado dia 31 de maio. Trata-se de uma data de particular significado para todos quantos, ao longo de um século, contribuíram para a afirmação e continuidade de uma instituição que tem sabido honrar a memória dos Combatentes, apoiar os seus associados e servir a comunidade.
Fundado há cem anos, o Núcleo da
Covilhã acompanhou diversas gerações de portugueses que, em diferentes épocas e
circunstâncias, responderam ao chamamento da Pátria. Desde os antigos
Combatentes da Grande Guerra aos que serviram em diversos teatros de operações
ao longo do século XX, passando pelos militares que participaram em missões
internacionais de paz, todos encontraram na Liga dos Combatentes um espaço de
solidariedade, camaradagem e reconhecimento.
Merece especial destaque a
geração dos Combatentes do Ultramar, cuja participação no conflito que marcou
profundamente a sociedade portuguesa durante mais de uma década deixou
memórias, experiências e sacrifícios que importa preservar. Muitos desses
homens encontraram no Núcleo da Covilhã um espaço de convívio, apoio mútuo e
valorização do seu percurso de vida, contribuindo, por sua vez, para o
fortalecimento da instituição e para a transmissão dos valores da camaradagem e
da solidariedade às gerações mais jovens.
As comemorações do Centenário
constituíram uma oportunidade privilegiada para recordar a história do Núcleo,
homenagear os seus dirigentes, colaboradores e associados, bem como aqueles que
ao longo dos anos, dedicaram o seu esforço e disponibilidade à causa dos
Combatentes. Foi igualmente ocasião para evocar os que já partiram, mas cuja
memória permanece viva no património humano e institucional que ajudaram a
construir.
Ao celebrar 100 anos de
existência, o Núcleo da Covilhã reafirmou os valores que orientam a Liga dos
Combatentes desde a sua fundação, a solidariedade, a fraternidade, a defesa da
dignidade dos antigos Combatentes e o culto da memória daqueles que tombaram ao
serviço de Portugal. Estes princípios continuam atuais e constituem um
importante legado para as novas gerações.
O programa comemorativo
desenvolveu-se através de diversas iniciativas de carácter institucional,
cultural e evocativo, envolvendo associados, e diversas entidades civis e
religiosas, autarquias, organizações parceiras e a população em geral. A
elevada participação verificada ao longo das comemorações demonstrou o
prestígio que o Núcleo da Covilhã continua a merecer na sociedade beirã e o
reconhecimento pelo trabalho que desenvolve.
A sessão de encerramento,
realizada em 31 de maio, representou o culminar de um percurso comemorativo
marcado pela dignidade, pelo respeito e pela gratidão. Mais do que recordar o
passado, este momento permitiu projetar o futuro, reforçando o compromisso de
continuar a servir os Combatentes e as suas famílias, preservando
simultaneamente a memória histórica daqueles que contribuíram para a defesa dos
mais elevados interesses nacionais.
O Centenário não constitui apenas
um marco cronológico. É, sobretudo, o testemunho da capacidade de resistência,
adaptação e renovação de uma instituição que soube atravessar diferentes épocas
sem perder a sua identidade nem a sua missão. Cem anos depois, o Núcleo da
Covilhã da Liga dos Combatentes permanece fiel aos seus objetivos fundacionais,
prosseguindo uma ação que alia a memória ao serviço, a tradição à modernidade e
o respeito pelo passado à construção do futuro.
Neste momento de celebração, é
justo expressar uma palavra de reconhecimento a todos os dirigentes,
funcionários, colaboradores, associados e amigos do Núcleo que, ao longo destes
cem anos, contribuíram para a sua afirmação. Graças ao seu empenho, dedicação e
espírito de missão, foi possível chegar a esta data histórica com a certeza de
que a obra realizada honra o passado e inspira confiança no futuro.
De realçar as três intervenções
do Presidente da Direção Central da Liga dos Combatentes, Tenente-General
Joaquim Chito Rodrigues, durante esta sessão de encerramento, fortemente enraizadas
nas preocupações que afetam os antigos Combatentes. Referiu, nomeadamente, o
caso da sede do Núcleo da Covilhã, cujos terrenos foram doados pela edilidade e
posteriormente assumidos pela Câmara Municipal para outras finalidades, bem
como todo o trabalho que tem vindo a ser desenvolvido em defesa dos antigos
Combatentes, cujas causas mereceram a melhor atenção e apoio dos presentes.
Encerradas as comemorações do
Centenário, permanece viva a responsabilidade de continuar a servir os
Combatentes, preservando os valores que estiveram na origem da Liga e
transmitindo às gerações vindouras o exemplo daqueles que, em tempos difíceis,
colocaram o dever, a honra e o serviço de Portugal acima dos seus interesses
pessoais.
Cem anos depois, o Núcleo da
Covilhã da Liga dos Combatentes continua de pé, fiel à sua história e preparado
para enfrentar os desafios do futuro.
No que concerne à sua história, a
obra “Os 100 anos do Núcleo da Covilhã da Liga dos Combatentes – 1926 –
2026”, edição deste Núcleo, por várias razões, não foi ainda possível
proceder à sua apresentação, encontrando-se agora prevista para setembro ou
outubro.
João de Jesus Nunes
(In “O Combatente da Estrela”, n.º
143-JUL/2026)

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