11 de junho de 2019
5 de junho de 2019
ENTRE AS PÁGINAS ROMANESCAS DE UM LIVRO E O JORNAL “O OLHANENSE”
A primeira pausa após o almoço
daquela sexta-feira. (1)
- Bom, meus caríssimos amigos
e companheiros destas jornadas seguradoras, tenho a comunicar-vos uma notícia
que ontem chegou a minha casa, que já poderia ser transmitida durante o almoço,
mas custou-me imenso, até parece que se me travou a língua!... – Disse o
Benedito. E manteve-se durante algum silêncio.
Todos ficaram atónitos, tanto
mais que ninguém deduziu que viria a anunciar o nascimento do primeiro filho,
face à idade do casal… Mas esperavam que alguém se pronunciasse, olhando uns
para os outros.
Outros pensaram: aqui há
gato!...
Até que o Benedito continuou:
- A Sónia recebeu um convite
para passar a ser a maestrina de duas bandas filarmónicas algarvias, entre as
quais a Banda Musical de Tavira, onde eu estive algum tempo no serviço
militar… Certamente a nossa vida vai
mudar de Leiria para terras algarvias…
Pensamos nós!...
- Então qual é o problema? –
disse o Rosas. E acrescentou: Primeiro a vossa vida, e depois o grupo
Tertuliano. Paciência!...
- Claro que sim!... opinou
também a Faustina. – É pena que ainda há pouco tempo começámos a integrar esta
tertúlia que está a ser interessantíssima, mas a vida é mesmo assim!...
- Então para que não percamos
mais tempo, vamos continuar com os nossos trabalhinhos – disse o Benedito – e
depois já desenvolvo mais a conversa a meu respeito.
Na segunda pausa após o almoço
desta sexta-feira, já a tornar-se de certo modo agitada, o Benedito tenta
acalmar os companheiros tertulianos:
- Ora bem, na sequência do que
vos transmiti há pouco, só lá para junho é que vou deixar Leiria, até porque
ainda temos de acertar pormenores com o trabalho da Sónia, e a nossa deslocação
para lá. Portanto, até lá ainda podemos fazer muita coisa…
No Algarve, para além da
Sociedade da Banda Musical de Tavira, também foi abordada pela Banda
Filarmónica Moncarachense 1.º de Dezembro e pela Banda Musical Castromarinense.
Disse o Rosas: - Alguém há de
tomar a liderança do grupo para prosseguir com outro tema cultural. Pelo menos,
ficaram as raízes do que tem sido desenvolvido ao longo pouco mais de uma
semana!
- Não vai morrer, não
senhor!... Deixemos lá o amigo Benedito e a Sónia resolverem a sua vida! –
disse o Pedro. – Não esqueçais que as viagens estão de pé!...
Chegou finalmente aquela
quinta-feira, dia 4 de maio do ano da graça de 2017. Bem cedo, ainda não eram nove
horas e já começavam a chegar os primeiros tertulianos à Adega Regional.
Numa breve pausa, a Milu, que
gosta muito de história, avançou com a pergunta:
- Não foi em 4 de agosto de
1578 que se deu a Batalha de Alcácer Quibir?
- Sei que foi em 1578, mas não
me recordo da data completa… Mas porquê? – Resposta e pergunta da Sónia.
- É que me chamou à atenção o
facto de o Benedito ter referido há pouco que… deixa cá ver…o cargo de escrivão
de seguros foi criado por carta régia de D. João III, datada de outubro de
1579. Ora bem… mas a outra… ah! Já sei… disse que a criação do cargo de
corretor de seguros coube a D. Sebastião, por carta régia de fevereiro de 1578.
Logo, seriam seis meses antes de perder a vida naquela maldita batalha!... – Respondeu
a Milu.
- Pois bem, hoje terminamos
definitivamente esta tertúlia sob o tema que viemos a desenvolver – referiu o
Benedito. Já combinei com a Sónia para que a viagem projetada para o Algarve,
de dois dias, com uma pernoita, para celebrar o encerramento desta tertúlia,
ainda que efémera, será no hotel Vila Gale Ampalius, em Vilamoura. Estivemos
indecisos entre este e o Dom Pedro Martins..., escolhemos o primeiro porque
está localizado a poucos metros da Praia da Marina e da Marina de Vila Moura.
Depois, as refeições logo se
verão, uma vez que vamos visitar várias localidades do Algarve. É no dia 27 de
maio, às 7h30 da manhã, sábado, porque o Benedito no dia 25 tem o já agendado
encontro de futebol de Veteranos entre o Sport Clube Leiria e Marrazes e o
Grupo Recreativo Amigos da Paz/Pousos.
- Então vamos juntar-nos no
mesmo local – Jardim Luís de Camões? – perguntou o Licínio.
Depois de algumas trocas de
impressões sobre o Algarve onde, uns há muito tempo que lá não iam, outros que
estiveram lá o ano passado, e outros, como o Benedito e o Marques, estiveram
durante a recruta no CISMI, em Tavira (o Benedito), e a especialidade (o
Marques), chegou finalmente o ansiado dia. Eram oito horas e iniciaram a viagem
a caminho do Algarve, destino Vilamoura, sendo feito algumas paragens pelo
caminho. As máquinas fotográficas foram então substituídas pelos smartphones, pelo que se iam tirando
umas fotos pelas paragens durante o trajeto. Eram aproximadamente 368 Km.
Seguiram pela A1 e quando na IC 10 viram a placa
Algarve/Évora/Coruche/Almeirim, saíram em Almeirim na tentativa de irem comer a
sopa de pedra. A muito custo lá conseguiram uma mesa. Acautelaram-se nas
bebidas…
Uma pequena paragem na área de
serviço de Alcácer do Sal e aí se direcionaram a caminho de Vilamoura. Ao
passarem por Poço de Boliqueime e Fonte de Boliqueime alguns lembraram-se que
Boliqueime é a terra de Cavaco Silva.
Chegados ao hotel, depois do check-in e de tudo arrumado, foi altura
de darem uma voltinha pelas cidades mais próximas… Foram até Portimão, ficando o passeio pela
marina de Vilamoura para a noite.
- Está ali um café – apontou o
Alberto Ferreira. Entraram então no Café Casa Inglesa. O Rosas comprou o jornal
O Olhanense, onde vinha sempre uma
crónica do antigo camarada da Covilhã, do RAL 4, que estava à venda à porta do
Café Nacional.
- Bom, meus amigos!... Está na
hora de jantar, ou vocês não querem jantar?
- Sugeria que fossemos a
Albufeira porque lá há animação à noite – disse o Pedro. Todos concordaram.
Entraram no Café Ameixial. Cá
fora, quatro mexicanos tocavam os seus instrumentos exóticos. Depois, entraram
numa esplanada e ali, ao ar livre, perto dum palco onde atuavam alguns artistas
populares, jantaram. Quase todos preferiram um robalo escalado, exceto a Milu e
o Pedro que optaram por cavala.
Ainda passaram pelo Café
Pastelaria Riviera, tendo recolhido a Vilamoura.
- Amanhã podemos almoçar aqui
no Restaurante do Chino e do Figo!... – disse o Rosas, apontando para o
letreiro “Café Figo e China Lda”, ainda com muita gente.
Tomado o pequeno-almoço no
hotel, quiseram ainda entrar no Café do Chino, e aí decidirem aproveitar o
tempo, visitando outras cidades algarvias. Deram um salto a Lagos, entraram no
Café Taquelim, e a Sónia quis comprar uns bolos vistos no Café Mildoces.
- Bom, agora voltamos para
trás – disse o Rosas. E lá passaram novamente por Portimão, viram a Praia da
Rocha e a direção agora Faro, Olhão e
Tavira.
A próxima viagem para uma
visita turística foi a cidade de Faro, capital do Algarve. Uma pausa no Café
Aliança, para umas minis pois as gargantas já estavam a precisar. A Milu e a
Anabela beberam água natural sem gás, já que as restantes companheiras optaram
por sumos frescos.
O Pedro perguntou onde era o
Café Pastelaria Gardy pois estivera lá, como empregado de mesa, um seu antigo
camarada do Ultramar.
Em Faro não houve grandes
demoras, já que agora estavam na peugada de Olhão, Chegados a Olhão, logo
encontraram onde matar a sede – Café Chaminé. Havia também que descansar as
pernas.
Deram umas voltas pela cidade
e entraram no Café O Pátio onde consumiram algumas bebidas.
Entretanto, o Benedito ouviu
de dois compadres, em voz baixa, mas ali perto da mesa onde se encontrava –
assim se chamavam um ao outro… –, a leitura de um artigo que vinha no jornal O Olhanense e que dizia assim: “O
Lameiro do Chão Verde”. (2)
- Bom, meus amigos, vamos a
Tavira porque eu já lá fico e vocês têm de regressar ainda a Leiria!... – Ordenou
o Benedito.
Todos se ergueram mais rápido,
entraram nos respetivos automóveis e… rumo a Tavira, onde o Marques começou
logo por dizer que gostava de matar saudades, passando na ponte antiga sobre o
Rio Gilão.
- Não te lembras das salinas,
onde nos levavam para os exercícios, que saíamos de lá cheios de lama, e depois
quando chegávamos ao quartel para tomar banho cortavam a água e ficávamos todos
sujos? Tínhamos de nos desenrascar… que era ação psicológica!... – continuou a
insistir o Marques, que agora queria ir ver o CISMI e a Atalaia.
Bom, dirigiram-se ao CISMI –
Centro de Instrução de Sargentos Milicianos de Infantaria (que agora mudou o
nome para Regimento de Infantaria n.º 1), também conhecido como Quartel da
Atalaia. Pediram autorização de passar da porta de armas, acompanhado por um
militar que estava de serviço. Ainda existe a G3 que o militar deixou que nela
pegassem. Bom, o Campo da Atalaia, onde se fazia a instrução militar, esse já
lá não estava, foi aí construída uma urbanização.
Entretanto, recordando algumas
pessoas castiças, que acompanhavam os instruendos do CSM durante a instrução
militar, para vender refrigerantes, a UCAL, chocolates ou bolachas, nos
intervalos (como a Ti Almerinda), o Marques, mais uma vez, recordou e disse:
- Gostaria de vos ler um
artigo do meu ex-camarada da Covilhã, durante o tempo em que esteve aqui. E,
puxando pelo smartphone, pesquisou e
passou a ler: “Boliqueime”.
E foi o regresso a Leiria.
(1) In “O Documento Antigo – Uma Outra Forma e Ver os Seguros”, de João de
Jesus Nunes
(2) “O Lameiro do Chão Verde”, por Goreti Costa, in ‘O Olhanense’, de
15-04-2018.
(In Jornal "O Olhanense", de 01-06-2019)
22 de maio de 2019
A PROTEÇÃO DAS PESSOAS E BENS É ANCESTRAL
Pegando num trabalho de muita
pesquisa apresentado o ano passado, com base na vertente profissional que,
entretanto, desenvolvera durante quatro décadas, e para dissipar algumas
dúvidas sobre a longevidade das preocupações pelo bem-estar das pessoas, e seus
familiares, ao longo dos séculos, mormente aquando de revés nas suas vidas, quero
aproveitar para dele respigar algumas partes bíblicas ou de leis emergentes na
Antiguidade.
Sobre este tema me referi também neste
mesmo espaço, há um ano, sob o título “A Usura e a Igreja”.
Vejamos: No IV milénio a. C. já
os mercadores da Mesopotâmia percorriam longas distâncias com fins comerciais.
Para obviar os riscos das enormes viagens organizavam-se em caravanas, nas
quais se integravam também guias, escoltas, sacerdotes e auxiliares em elevado
número.
Entre os séculos XIII e XII a.
C., Moisés prescreve que a nação de Israel contribua periodicamente com uma
parte do seu produto para os levitas, os estrangeiros, as viúvas e os órfãos.
Os fenícios de Tiro que
construíram o Templo e o Palácio de Jerusalém, no tempo do rei Salomão, entre
970 a 930 a.C., organizaram-se também para fazer face às adversidades ocorridas
no seu trabalho.
Tudo indica que no ano 582 a. C.,
houve um caso equivalente ao estabelecimento de uma pensão vitalícia. De facto,
pode ler-se na Bíblia: “No trigésimo sétimo ano do cativeiro de Joiaquin, rei
de Judá, no vigésimo sétimo dia do décimo segundo mês, Evil-Merodac, rei da
Babilónia, no primeiro ano do seu reinado, fez mercê a Joiaquin, rei de Judá, e
libertou-o. Falou-lhe benevolamente, e deu-lhe um trono mais elevado que os dos
reis que estavam com ele na Babilónia, tirou-lhe as vestes de prisioneiro e,
até ao fim da sua vida, Joiaquin comeu à mesa do rei. O seu sustento foi-lhe
assegurado pelo rei, durante toda a sua vida, dia após dia”.
Certo é que com a queda do
Império Romano do Ocidente, em 476, provoca o desaparecimento das bens
estruturadas instituições públicas romanas de solidariedade social.
O Talmud da Babilónia refere
também uma forma de solidariedade ligada às viagens marítimas nos seguintes
termos: “Os navegadores podem acordar entre si que, se um deles perde o seu
navio, ser-lhe-á construído um outro. Se um deles perde o seu navio por sua
culpa, não há obrigação de lhe dar outro. Se ele o perdeu por ir a uma
distância onde os navios não vão normalmente, não há obrigação de lhe construir
um outro”.
Já no Código de Hamurabi se
dispunha no seu número 48: “Se alguém tiver uma dívida, e se o deus Adad
inundou o terreno, se uma inundação o levou, ou se, por falta de água, a cevada
não cresceu no terreno, não terá que entregar a cevada ao credor: molhará a
tábua (de argila, destruindo as convenções ali escritas) e, portanto, não
entregará os juros devidos por aquele ano”.
Reportando-nos à cobrança de
impostos, vemos como no tempo de Jesus eram vistos os funcionários romanos,
sendo conhecido o caso de Zaqueu que subiu para um sicómoro para ver passar Jesus
e se arrependeu da sua conduta profissional. As leis romanas admitiam o mutum,
mas trataram diferencialmente a questão do juro. Enquanto a lei Genucia (342 a.
C.) o proibia, a lei Duilia Menenia (357 a. C.) mantinha o direito ao juro sem
fixar limitações. Já a Lei da Doze Tábuas (450 a. C.) limitou o juro máximo dos
empréstimos a 12% ao ano. No entanto, houve mesmo épocas em que os
especuladores romanos chegaram a cobrar de juros 48% ao ano. Marcus Julius
Brutus, 84 a 42 a.C., líder político militar romano, um dos assassinos de Júlio
César, foi um dos prestamistas que emprestava a este juro.
Os astrágalos, os dados, assim
como os sorteios e outros meios aleatórios eram também usados para sondar a
vontade de Deus quando havia que tomar uma decisão importante. Exemplos destes
rituais encontram-se nos livros do Antigo Testamento.
No livro de Números, cap. 33, nº 54, está escrito: “E por sortes herdareis a
terra, segundo as vossas famílias; aos muitos multiplicareis a herança, e aos
poucos diminuireis a herança; conforme a sorte sair a alguém, ali a possuirá;
segundo as tribos de vossos pais recebereis as heranças”.
No livro Provérbios, cap. 16, nº 33 refere-se que “a sorte se lança no
regaço, mas o Senhor procede toda a determinação”.
Diga-se de passagem, que estas
práticas tiveram a desaprovação dos teólogos desde Santo Agostinho precisamente
porque tais expedientes “forçavam Deus a opor-se à sorte”.
Nos tempos que correm, para
proteção dos trabalhadores, foi instituído o salário mínimo nacional, mas, por
outro lado, não foi criada legislação para que o salário máximo não suba para
os céus, numa analogia com os juros atrás referidos da especulação romana de
então.
(In "Notícias da Covilhã", de 23-05-2019)
16 de maio de 2019
CINQUENTA E SEIS ANOS DE VIDA AO SERVIÇO DA REGIÃO ALGARVIA
Não é por demais exagerado
continuar a falar na exemplaridade deste quinzenário, batizado de “O Olhanense”, que neste número completa
cinquenta e seis primaveras.
E porquê?
É que, manter o navio a flutuar em águas
tranquilas, a ser capitaneado e a ter obreiros de voluntariado, não é fácil
seguir a rota, algumas vezes contra ventos e marés.
Pode levar por vezes a alguma
impaciência, ao desânimo, ao invés do lenitivo necessário no sentido do
reconhecimento da justiça que merece quem dá do seu sem esperar nada, no desejo
de jamais encontrar alguém a assobiar para o lado.
No entanto, a força de vontade
desses voluntários, dotados daquele espírito de servir uma causa que lhes diz
muito – o seu Clube do coração, a sua Cidade, a sua Região – leva-os a
transcender do esforço que desenvolvem, algumas vezes em prejuízo da família, e
das suas atividades que os sustentam, para a alma que os anima em ver erguida
uma bandeira que tantos ajudaram a manter flutuando envaidecida da sua missão.
Um jornal não se faz sem apoios
variados, que vai do financeiro (publicidade, assinaturas, aquisição de
exemplares nas bancas) aos incentivos de quem nele trabalha, e, como no caso em
apreço, voluntariamente, já que dos poderes públicos pouco, ou nada, se pode
esperar.
Uma participação de colaboradores
com notícias verdadeiras, entrevista a figuras destacadas na região, crónicas e
artigos de opinião, é essencial, diversificados em vários campos, onde a
vertente cultural deverá ter posição destacada, e banindo de vez as famigeradas
fake news, hoje tão em voga,
principalmente nas redes sociais.
Mas, para que tudo isto aconteça
nas páginas de um periódico, até chegar ao domicílio do leitor assinante, ou da
banca ou lugares públicos onde possa ser lido, dá lugar, tantas vezes a muito
trabalho oculto, se bem que outro, na evidência das ações para que o mesmo se
processe, é neste contexto muitas vezes de alguém que, como sói dizer-se, “faz
das tripas coração”.
Alguns periódicos desapareceram
fruto das intempéries do momento que atravessaram, pelo que se deve fazer jus à
homenagem dos Homens que compõem este “navio” que se mantém em movimento.
É que “O Olhanense” não tem só a vertente desportiva mas insere variados
temas interessantíssimos e verte para o panorama cultural a voz da região
algarvia, como seu baluarte informativo e formativo.
O “O Olhanense” emparceira já com os principais jornais regionais do
País.
Os meus parabéns aos prezados
amigos José Isidoro Sousa e Mário Proença, respetivamente, Diretor e Diretor
Adjunto, envolvendo neles todos quantos são verdadeiros obreiros deste
quinzenário.
(In "O Olhanense", de 15-05-2019)
14 de maio de 2019
TODOS AO MOLHO
Depois da vitória de Pirro de
Mário Nogueira, com a bandeira já desfraldada, surge um obstáculo no desenrolar
do jogo, no campo político, pois que a disputa ainda não tinha terminado.
Alguns que rodeavam o clube
dominante, aquele que tem incutido alguma dose de esperança pelos resultados
obtidos, não só a contento dos adeptos mas também de outros expetantes,
juntaram-se aos do clube adversário, num desvario de embriaguez, querendo
também dar azo à sua alegria pela presunção da vitória já no horizonte.
Na minha ingenuidade política,
nunca pensei que apaniguados de dois dos clubes representados naquele estádio –
BE e PCP – aceitassem fazer o jogo da direita, dando as mãos a partidários de outros
dois clubes, também ali presentes: PSD e CDS, para derrotarem o outro clube que
jogava – GOVERNO do PS.
A vitória quase no papo, do
treinador do clube dos PROFESSORES, com a adesão à cumplicidade naquele
orgasmo, naquele êxtase de todos ao molho – onde é que isto já se viu?! –, foi objeto de uma amnésia temporária de que
o jogo tinha o VAR – o tal videoárbitro.
Pois é, lá vão ficar numa
ansiedade, os adeptos lançados todos ao molho, dos quatro clubes referidos, e
nenhum já vai sequer ficar com a bola do jogo.
Já não é a consagração par(a)lamentar
do fanático “professor” Mário Nogueira como real ministro da Educação.
Assinalada a grande penalidade
a favor do clube do GOVERNO do PS, é o volte-face. E aí acontece a vergonha dum
PCP à rasca nas sondagens, o opróbrio do BE na deceção de tantos que o farão
decair, na ignomínia dum PSD, à reacionária Cristas que nem com o joker do
hipócrita Rui Rio conseguirá chegar a bom porto.
Alguns dos espetadores daquele
nevrálgico jogo, disputado no estádio PAR(A)LAMENTAR, quiseram dar entrevistas
aos vários órgãos da comunicação social:
Manuel Carvalho (in Público): - “A interminável farsa da carreira
dos professores. O tema está a dar origem a um lamentável espetáculo que
consiste em querer cativar a docência com bravatas políticas que são puro
ilusionismo. No outono, quando o Governo precisava do seu apoio para aprovar o
OE, o Bloco e o PCP não tiveram a coragem de impor a reivindicação dos
docentes.”
João Miguel Tavares (in Público): - “António Costa está cheiinho de
razão. O grande problema do PSD e do CDS é que António Costa sabe mais de
política a dormir do que Rui Rio e Assunção Cristas. António Costa meteu no
bolso a sua esquerda e a sua direita – basta ver a forma disparatada como todos
os partidos reagiram à cartada do Governo, atropelando-se em péssimas
justificações como se tivessem sido meninos traquinas apanhados com a mão na
caixa de biscoitos. Todo este bouquet de
palermice é de tal forma patético e desconchavado que António Costa e Mário
Centeno devem ter saído na sexta à noite para beber uns copos e brindar à
imbecilidade da oposição”.
Teresa Sousa (in Público): - “Como foi possível, em primeiro lugar,
ao PSD dar um monumental tiro no pé? Como foi possível, em segundo lugar, à
esquerda radical pôr em causa uma eventual continuação da ‘geringonça’ depois
das legislativas? Aparentemente nada disto tem lógica, sobretudo perante uma
reivindicação encabeçada pela figura que vence por longevidade e demagogia o
concurso da irresponsabilidade sindical (e política) nacional – Mário
Nogueira.”
Vicente Jorge Silva (in Público): “Bravo, António Costa! António
Costa sentiu que chegara o momento de soltar o seu grito do Ipiranga, fosse
qual fosse o preço a pagar por isso”.
Anabela Sousa Dantas (in Economia ao Minuto): “Mário Centeno
afirmou esta sexta-feira, em entrevista à SIC, que o diploma em causa para a
contabilização total de serviço dos professores é ‘irresponsável’ e foi feito
escondendo despesa e ‘manhosamente’ atirando para o futuro o tempo a
recuperar”.
Patrícia Martins Carvalho (in Notícias ao Minuto): - “A ‘primavera
quente’ de Costa chega com ‘chantagem’ e ‘eleitoralismo’. Tudo parecia andar
sobre rodas até às próximas eleições legislativas. Pelo caminho ficavam as
Europeias – com poucas críticas entre os partidos da Esquerda – e o PSD de Rui
Rio e o CDS de Assunção Cristas com uma imagem desgastada ainda colada ao
período da troika e com uma capacidade argumentativa incapaz de ‘fazer cair’ a
Geringonça.”
João Pedro Henriques (in dn.pt): - “Costa tira pressão de Marcelo e
protege geringonça. Corda completamente esticada. ‘Não consigo compreender como
partidos que fizeram acordo com o PS para que haja esta solução de governo, que
têm aprovado propostas no âmbito desse acordo, que tiveram o PS a ceder em
posições importantes para acolher as suas propostas, possam hoje pôr em causa a
sustentabilidade desta solução, numa coligação negativa com as forças da direita”,
dizia, quanto ao BE e ao PCP. E quanto ao PSD e CDS acrescentava: “Também não
consigo perceber como partidos da direita, que estão sempre a agitar o fantasma
da suposta bancarrota, possam alegremente aprovar uma medida que significa 800
milhões de euros anuais em despesa permanente”.
Pedro Marques Lopes (in dn.pt): - “Há uma classe profissional que
tem um estatuto especial, uma espécie de casta com direitos superiores ao resto
da maralha. Os professores acham que devem ser a única classe profissional que
não sofreu com a crise que todos atravessamos e pagamos. (…) Que se amanhem,
dirão em voz não muito baixa os professores. E, claro, o que conta é o tempo
decorrido, tenham sido bons ou maus profissionais, já se sabe que esta classe,
a quem compete avaliar, não admite ser avaliada”.
Mas as centrais sindicais CGTP
e UGT vieram, prontamente, pedir tratamento igual para as outras carreiras da
Função Pública que também estiveram congeladas, e a FESAP avisou que são
várias.
Mas os professores esquecem-se que
não são só eles os lesados, olvidam, por exemplo, que não é possível devolver
os empregos aos trabalhadores que os perderam, não é possível voltar a pôr a
funcionar as empresas que faliram por causa da crise, não é possível fazer
regressar os que emigraram. Isto a não ser que os quatro partidos dos apoiantes
do clube dos PROFESSORES, pensem também que os trabalhadores do setor privado
são gente de segunda categoria e que nem vale a pena pensar como lhes pagar os
sacrifícios. A não ser que se ponha em cima da mesa várias hipóteses: acabar
com o Serviço Nacional de Saúde. A escola pública não porque estão lá os
professores, mas abandonar as estradas e as vias férreas, e mandar o subsídio
de desemprego às malvas. Nem era preciso pensar em apoios sociais, podendo-se
promover o fim das forças armadas e de segurança. E, porque não? Vender a Beira
Interior e o Alentejo à China. Talvez já fosse suficiente. Que acham?
(In "Jornal fórum Covilhã", de 14-05-2019)
11 de abril de 2019
FILHOS DA MADRUGADA
Na senda do entusiasmo que temos
vindo a atingir em crescendo com a nossa publicação trimestral, foi solicitado
na última Assembleia Geral deste Núcleo da Covilhã, realizada no dia 9 de
março, que se mantivessem os quatro números anuais d’ O Combatente da Estrela, já que é o elo de ligação com os muitos
Associados radicados por todo o País.
Esta Assembleia Geral viu
aprovado por unanimidade o relatório das atividades do ano 2018 e o plano de
atividades para 2019, salientando-se com muito apreço o trabalho da atual
Direção do Núcleo, pois que o ano de 2018 foi um ano pleno de atividades, onde
sobressaíram as evocações do Centenário do Armistício.
Vem à presença dos leitores este
número, no mês de abril, ano em que se comemoram 45 anos do 25 de Abril, dia em
que quase todos nós, então ainda revestidos da nossa juventude, sentimos o
coração a palpitar de alegria, acordados de um sonho que parecia uma utopia.
Pena é que os ideais do Movimento
dos Capitães viessem ao longo de todos estes anos a ser adulterados e gerado em
muitos de nós dúvidas, indignações e perplexidades sobre atuações em várias
vertentes como, por exemplo, onde pondera a lentidão da justiça, e a sua
aplicação. Muitos se têm aproveitado da democracia para se envolverem no
locupletamento, à descarada, por vezes provindo de figuras das quais nem
pensávamos que por elas passasse tal conduta. Não olhando a meios para atingir
os seus fins, numa onda de populismo como agora é a palavra do momento político.
E foi a Revolução dos Cravos,
ainda que feita de pétalas de virtudes e defeitos, que veio terminar com a
Guerra nas Colónias – a Guerra do Ultramar – para onde muitos de nós por lá
passámos, e, daí, a vivência profunda dos variadíssimos Núcleos da Liga dos Combatentes.
Se muito já se falou, é bom que os
atuais antigos Combatentes, e não só, deixem para os novos, e os vindouros, as
memórias destes tempos, para que odeiem as guerras e se insuflam nos projetos
pela paz.
Aqui reproduzo as primeiras
notícias sobre o início desta Revolução do 25 de Abril, e as figuras que
emergiram como filhos daquela madrugada, que tiveram a coragem de enfrentar o
perigo, naquela altura em que eu tinha 28 anos, recordando essa célebre
quinta-feira de redobradas atenções.
Às quatro e tal da manhã daquele
dia de quinta-feira o Rádio Clube Português (RCP) acaba de transmitir o
primeiro comunicado do Movimento das Forças Armadas (MFA), o que motivou que
não mais conseguisse dormir quem o ouviu, tal como o fotógrafo Alfredo Cunha,
do jornal O Século, que foi quem
obteve as primeiras fotografias deste acontecimento, em Lisboa. Às seis da manhã
de 25 de Abril toca a campainha do jornalista Adelino Gomes, então com 29 anos
e secretário da redação da revista Seara
Nova, pensando que ia ser preso pela PIDE, quando a mulher o informou do
acontecimento. Às três horas e doze minutos, o RCP tinha pouca gente, dois
técnicos de som e Joaquim Furtado, que preparava o noticiário das quatro. Oito
militares entraram na estação. Objetivo: instalar ali o Posto de Comando do
MFA. Só nessa altura Joaquim Furtado tomou conhecimento da existência de um
movimento. Saiu do gabinete e no primeiro momento que encontrou apropriado
perguntou a um dos militares, que lhe disse, de forma muito breve, mas muito
clara, que se tratava de um golpe militar para depor o governo, fazer eleições
livres, libertar os presos políticos, acabar com a PIDE, com a censura e com a
guerra. Deu-lhe em síntese o programa do MFA.
Às quatro e vinte e seis, e não
às quatro como previa o plano militar de operações devido a um atraso na tomada
do Aeroporto de Lisboa, a voz segura de Joaquim Furtado anuncia: “Aqui Posto de
Comando do Movimento das Forças Armadas. As Forças Armadas portuguesas apelam a
todos os habitantes da cidade de Lisboa no sentido de recolherem a suas casas,
nas quais devem conservar-se com a máxima calma. Esperamos sinceramente que a
gravidade da hora que vivemos não seja tristemente assinalada por qualquer
acidente pessoal, para o que apelamos para o bom senso dos comandos das forças
militarizadas no sentido de serem evitados quaisquer confrontos com as Forças
Armadas. Tal confronto, além de desnecessário, só poderá conduzir a sérios
prejuízos individuais que enlutariam e criariam divisões entre os portugueses,
o que há que evitar a todo o custo. Não obstante a expressa preocupação de não
fazer correr a mínima gota de sangue de qualquer português, apelamos para o
espírito cívico e profissional da classe médica, esperando que acorram aos
hospitais, a fim de prestar a sua eventual colaboração, que se deseja,
sinceramente, desnecessária”.
E foi assim que outro filho da
madrugada, o médico João Camilo, interno do Hospital de São José, respondeu ao
apelo do MFA.
Quem também não esqueceu este dia
foi Helena Pato, na altura com 35 anos, dirigente estudantil, dirigente da CDE,
sindicalista e fundadora do Movimento Democrático das Mulheres, porque tinha o
seu marido de então, José Manuel Tengarinha, preso em Caxias. Tinha uma visita
marcada para a cadeia às onze da manhã do dia 25 de Abril, mas cerca das quatro
horas toca-lhe o telefone, e é o jornalista do Diário de Lisboa que lhe comunica que estavam em curso
movimentações militares para derrubar o regime, que iniciavam uma revolução e
uma das primeiras coisas que iriam fazer era libertar o marido e os restantes
presos políticos.
Na primeira conferência de
imprensa de Salgueiro Maia, o jornalista Adelino Gomes disse-lhe: “Não
desconhece que a GNR está muito bem armada, pois não?”, ao que o capitão
responde: “Temos todas as viaturas do Exército do nosso lado”. E há uma voz que
diz. “E temos o povo”. Era o alferes Carlos Beato, que foi presidente da Câmara
de Grândola.
E foi o desenrolar de muitos
outros filhos da madrugada que não cabem neste texto. Ficam as memórias.
(In "O Combatente da Estrela", nº. 114, de março de 2019)
9 de abril de 2019
O 25 DE ABRIL – QUANDO O JORNALISMO SAIU À RUA
No próximo dia 21 inicia-se a
Páscoa para, na mesma semana, encontrarmos uma data marcante nas vidas de todos
nós, mesmo daqueles que não passaram pelos satânicos tempos da ditadura.
Inolvidável para quem sofreu na
pele ou no sacrifício diário de ter de penar para manter um emprego de salários
miseráveis (que se lembrem os da função pública de então), de comer e calar,
suportar as situações de uma neurose ao não se poder expressar livremente.
Dos jornalistas, dos
comentadores, dos cronistas, os seus textos não eram publicados sem a aprovação
dos censores.
Foi quase meio século de um
assassino lápis azul, que obrigava muitos jornalistas a um relato insípido, de
metáforas e eufemismos.
Tudo era proibido, tudo era tabu.
Se havia alguns mais criativos arriscavam-se nas entrelinhas.
Era até ridículo o que não podia
revelar-se. Fake news já existiam
nesse tempo, ainda que muito bem dissimuladas, mormente durante a guerra
colonial. Este neologismo de notícias falsas que hoje é usado para referir
notícias fabricadas, passava por vezes pelo que acontecia, e como aconteciam as
mortes dos combatentes das guerras nas colónias, sempre numa perspetiva de
evitar maiores responsabilidades dos governantes deste país então desgraçado.
E isso não evitou que o primeiro
dia do fim do império surgisse em 15 de março de 1961, em Angola, com bandos
armados da UPA a destruírem fazendas e vilas e a assassinarem dois mil colonos
portugueses. Foi o início de uma tragédia imensa, que abriu caminho para 14
anos de guerra. A Índia já havia caído. E era preciso defender África.
Mas dizer a verdade era assumir
que no país havia descontentamento social, era pôr em causa o regime.
Recordemos um caso curioso, para
fugir à censura, o que relatou o jornal República,
naquela segunda-feira de 18 de março de 1974, aproveitando a derrota do F. C.
Porto na sua deslocação ao Estádio de Alvalade para, de uma forma brilhante,
iludir a censura prévia e comentar a revolta das Caldas da Rainha.
“Sporting 2, Porto, 0. Os muitos nortenhos que no fim de semana
avançaram até Lisboa, sonhando com a vitória, acabaram por retirar, desiludidos
pela derrota. O adversário da capital, mais bem organizado e apetrechado
(sobretudo bem informado de sua estratégia), contando ainda com uma assistência
fiel, fez abortar os intentos dos homens do Norte. Mas, parafraseando o que em
tempos dissera um astuto comandante, ‘perdeu-se uma batalha mas não se perdeu a
guerra…’”.
O que é certo e verdade é que dez
dias depois, em 28 de março de 1974, foi a última “Conversa em Família” de Marcelo Caetano, na RTP.
Mas, felizmente, no dia 24 de abril
de 1974, às 22 horas e 55 minutos, os Emissores Associados de Lisboa
transmitiam a canção “E Depois do Adeus”,
de Paulo de Carvalho, primeiro sinal do Movimento das Forças Armadas (MFA),
confirmando que tudo corria bem e se iniciava, assim, uma nova era com o
derrube do Governo e da ditadura, no dia seguinte, 25 de Abril de 1974.
Como terá sido a transição para a
livre expressão? Como foi fazer jornalismo com liberdade, pela primeira vez? E
poder dar gritos de repugnância pela Censura e Exame Prévio?
O que é certo é que a tiragem de
jornais disparou. Mas, dado o hábito, dizem alguns jornalistas desse tempo,
mormente do República, Diário de Lisboa e Jornal de Notícias, que não foi fácil, nos primeiros tempos,
escrever sem a barreira da censura. Foi um tempo quase de aprendizagem e de
excessos.
Mas já o primeiro texto sem
censura do jornalista Fernando Correia foi escrito na cadeia de Caxias, dias
antes de ser libertado. Tinha sido detido pela PIDE a 18 de abril de 1974. Como
se sabe, os presos de Caxias só poucos dias depois foram libertados. O derrube
do fascismo estava praticamente consumados mas os presos de Caxias, apesar de
já estarem informados do êxito do golpe, permaneciam ainda encarcerados.
O mês de abril de 1974, já lá vão
45 anos, apanhou o alferes miliciano Ribeiro Cardoso longe de casa. Havia sido
mobilizado para Moçambique e colocado em Lourenço Marques. Diz que nessa altura
só escrevia para a família – e quanto a jornais, apenas era visita regular da
delegação do Notícias da Beira.
Porém, de repente, com o ar da liberdade voltou ao ativo, começando de imediato
a ser correspondente anónimo (não assinava, pois, era militar…) do Diário de Lisboa. Realça que era uma
“coisa” estranha mas excitante: escrevia no quartel, à mão e à pressa, e ia a
correr aos CTT, onde numa operadora batia o texto no telex, com ele ao lado a
“traduzir” os seus gatafunhos. Era uma sensação fantástica pressentir que dali
a pouco tempo os seus textos, livres como a gaivota da canção, circulariam por
Lisboa dando conta de uma realidade distante e desconhecida.
E hoje, como vai o jornalismo,
nesta senda de falsas notícias e o pós-verdade, onde os verdadeiros
profissionais desta nobre atividade tantas vezes se sentem defraudados pela
incompreensão dos tribunais? Entre excessos e realidades. Entre o que “hoje é
verdade e amanhã é mentira”.
(In "Jornal fórum Covilhã", de 09-04-2019)
3 de abril de 2019
AS TASCAS
Ainda numa retrospetiva do que a
inspiração me levou a ocupar espaço no meu último livro, que desenvolve a
história da temática seguradora ao longo de diversas tertúlias, em várias
partes do País, mormente na Covilhã, Leiria narra-as na Tasca da Ti Gracinda. (1) Ali o Benedito informa o Rosas ter casado com a maestrina
das bandas dos Pousos e dos Marrazes, com a palestra iniciada no dia 3 de abril
do ano da graça de 2018.
Pois é, das tabernas de outros
tempos, havia cascas de tremoços e amendoins no chão. Copos de três.
Eduardinho. Ginjinha. Capilé. Havia tabernas que o usavam para fazer o famoso
“branco velho” que era uma mistura de vinho branco banal com esse licor ou, em
alternativa, com Eduardinho e que se vendia muito logo pela manhã.
Havia peixe frito. Petingas.
Jaquinzinhos. Raia. Carapaus e chicharro, com ou sem escabeche. Iscas de
fígado, chouriço.
- Sai um traçado, ó puto!
“Tinha onze anos quando, nas
férias comecei a servir copos de dois e copos de três, traçados, jeropigas,
ginjinhas com e sem elas, bagaços, medronhos, gasosas, laranjadas e feijoadas
crispalhadas, mão de vaca com grão, carapaus grelhados, iscas, etc., etc. Eu
sei lá quantas coisas se vendiam na taberna do meu saudoso padrinho Rui de
Turquel no Campo dos Mártires da Pátria em Lisboa”. (2)
São ainda memórias das tabernas
de outros tempos, como conta o Rosas, naquele início da década de 70, bêbados,
loucos e doutores eram todos do contra. E a PIDE, então já DGS, não se metia.
E, neste âmbito, no meu penúltimo
livrinho, reporto-me à malfadada PIDE, por intermédio da FNAT a não deixar o
amigo Rui Pavillon (3) integrar uma lista para
os órgãos dirigentes do Estrela de São Pedro “por fazer parte de um grupo de
indivíduos que, nas últimas eleições para a Presidência da República, fizeram
propaganda a favor do candidato independente General Humberto Delgado”.
E tudo isto se contava nas
tascas.
Já o João Viriato, iniciou a
“Tertúlia de Lisboa”, que coordenou, no dia 30 de abril, há um ano, uma
segunda-feira, na Adega da Tia Matilde, na Rua da Beneficência, em Lisboa, logo
passando para a Casa da Covilhã, na Rua do Benformoso (4) para
acabar, em beleza, com todos os grupos tertulianos, no dia 13 de junho de 2018,
com o encerramento pelo Presidente da Direção, Manuel Vaz Rodrigues.
Pois é, há mais de vinte anos, à
mesa de uma taberna que já não existe, em Coimbra, com o objetivo de proteger
estes símbolos de identidade coimbrã, estudar as histórias das tabernas e
conhecer um pouco mais dos intelectuais que as frequentavam, nasceu a LATA –
Liga dos Amigos das Tabernas Antigas. No livro “In Illo Tempore”, de Trindade
Coelho, o autor fala dos tempos que viveu em Coimbra e da vida na cidade. Fala
também das tabernas. Bom, mas a LATA tem como objetivo de defesa daqueles espaços
como locais de socialização e de encontro ao longo dos séculos.
As tabernas são o lugar das
últimas e mais raras experiências de sociabilidade, exame crítico ou evasão.
Apagados que sejam os sinais de
decadência ou de falta de higiene, quere-se que a taberna mantenha as
caraterísticas portuguesas, a fim de que possa readquirir o espírito e o
prestígio, a poesia, o pensamento, e a graça.
E, depois, até podem vir a
caldeirada, o feijão-frade, a meia-desfeita, as canjas e os caldos verdes, o
rancho, o pé de porco, o salpicão, as iscas, os escabeches, a dobrada, as migas
e as sopas de pedra, as pataniscas de bacalhau e os ovos verdes, tudo regado
com bom vinho.
“A Igreja sempre condenou estes
pontos de encontro, chamando-lhes centros de luxúria e do demónio. E quem não
perdoava às tabernas eram os escritores mais pios que, louvando o vinho,
atacavam esses lugares velados e escuros onde o homem abandonado, oprimido ou
infeliz, tantas e tantas vezes descarregava a sua angústia e as suas misérias e
fraquezas.”
Gil Vicente deixou a maior das
homenagens às tabernas e ao vinho do Porto com o Pranto da Maria Parda. Garcia de Resende, no seu Cancioneiro Geral, recolheu também
curiosos apontamentos. Mas já o romântico Almeida Garrett, nas suas Viagens na Minha Terra, exprime uma
certa repugnância pelas tabernas, onde tomava sempre limonadas, exaltando muito
embora o vinho de Carcavelos ou do Cartaxo. E Junqueiro exclamava, heroico e
musical, que neste país há ótimos bordéis e excelentes vinhos.
Do que fui passando a história
seguradora desde a Antiguidade até aos dias de hoje, foi ainda pelos cafés,
restaurantes, e tascas leirienses, imaginando à porta, o loureiro e o saco de
água para “assustar” as moscas. Lá dentro, os banquinhos de madeira, ou
corridos, as mesas, os mochos, e as pipas ainda de madeira.
E foi nesta senda que,
recordando-me ainda dos tempos de meus tios maternos na Pousadinha, e de meu
sogro na Covilhã, que há dias fui meter conversa com o Carlos Manuel Rente
Calheiros, ainda um jovem de 60 anos, atual proprietário da Taberna do Zé
Ministro, junto à Igreja de São João de Malta, na Covilhã. Está à frente deste
estabelecimento, sobejamente conhecido da cidade laneira e região, numa zona de
grande movimento e central da Covilhã, desde março de 1982.
Porquê, Carlos, chamar-se a Tasca
do Zé Ministro?
E logo a resposta do amável
proprietário: “Esta tasca foi dantes chamada a Tasca do Carrilho, que se lhe
seguiu na aquisição o António Caetano, mais conhecido pelo ‘Bota Cá’. Meu pai,
José Calheiros da Trindade, que anteriormente teve um estabelecimento destes na
Rua do Jardim, a Santa Maria, acabou por adquirir o trespasse desta taberna, no
ano de 1957, por 64 contos. Era uma pipa de massa para a altura. O pessoal que
a frequentava, e trabalhava nas oficinas da Garagem de São João, ao lhes soar
aos ouvidos este preço, afirmaram, “Eh!
Pá! Passaram a tasca do António por 64 contos!... Deve ser algum Ministro!...”
E assim ficou o nome, até aos
dias de hoje – a Tasca do Zé Ministro.
João de Jesus Nunes
(1), (2), (4) In “O Documento Antigo – Uma Outra Forma de Ver os Seguros”.
(3) In “Breve Resenha do Centro de Recreio Popular Estrela
Desportiva de São Pedro”
(In "Notícias da Covilhã", de 04-04-2019)
27 de março de 2019
O SISMO DE PORTUGAL DE 1969 FOI HÁ 50 ANOS
Entre o alfa e o ómega das nossas
vidas sempre houve, e haverá, acontecimentos marcantes. Os da minha geração não
deixarão de recordar o susto por que todos passámos, de norte a sul do país,
naquele dia 28 de fevereiro do ano da graça de 1969.
As zonas mais atingidas foram o
sul de Portugal e região de Lisboa. O sismo atingiu a magnitude de 8,0 na
escala de Richter e viria a ocasionar 13 mortos, na sua maioria por efeitos
cardíacos.
Cada qual tem a sua história para
contar como sentiu este sismo, porquanto quase todos deram conta, quase todos
digo eu.
Encontrava-me a cumprir serviço
militar obrigatório no Regimento de Artilharia Ligeira nº 4, em Leiria, onde
tirara a especialidade e aí acabara por ser colocado após terminar o Curso de
Sargentos Milicianos.
Estava de serviço de Sargento de
Dia, e, como habitualmente, no sorteio das rondas a efetuar durante a noite,
calhavam-me horas altas. Desta vez fui sortudo para o período da meia-noite e
meia às duas e trinta da madrugada.
De regresso ao quartel, vindo da
rua, sozinho, da ronda à zona de aquartelamento de uns obuses obsoletos, a
cerca de um quilómetro do quartel, na antiga estrada que vai para a Marinha
Grande, tentei acordar o colega que me substituía na próxima ronda a fim de lhe
entregar a pistola parabellum. Ao
mesmo tempo descalçava as botas e preparava-me para me meter na cama.
Eram 2 e 40 da madrugada. Num
ápice sinto um ruído estranho como que de uma fortíssima ventania se tratasse,
tudo a abanar e as portas guarda-vento da caserna onde nos encontrávamos
bateram com grande violência umas contra as outras. Num instinto, gritei: É um tremor de terra!... Peguei nas
botas e na arma e fugi, descalço, para fora da caserna. Enquanto descia as
escadas de cimento do antigo convento que era o RAL 4, já alguns soldados e
outros militares, uns meio vestidos, outros com cobertores nas costas, ou até
em cuecas, também faziam o mesmo. Eram pouco mais de meia dúzia os primeiros a
chegar à parada.
Passados os primeiros momentos do
susto, e conversando com o oficial de dia, também assustado, na parada,
voltámos aos aposentos de cada um, mas de imediato o comandante da unidade dava
ordens para que fossem evacuados todos os militares das casernas pois que
poderia haver réplicas do sismo.
Era uma sexta-feira. Os militares
que podiam ir de fim de semana à hora do almoço, foram autorizados a partir de
imediato para as suas terras, logo a seguir ao pequeno almoço, aí pelas 8 horas
da manhã, em vez de vaguearem pela parada.
Mas eu tinha então voltado à
caserna. O colega que me substituía, ainda assarapantado, sentado na cama,
perguntava: Mas o que é que aconteceu?
Fiquei revoltado: “Ó meu basbaque, levanta-te e foge para a
rua como os outros, não vês que há um tremor de terra!?”.
Ainda não havia telemóveis, nem
sequer a existência da Internet. As chamadas telefónicas eram interurbanas, e
nos correios havia muita gente a querer telefonar. O sismo havia provocado
alarme e pânico entre a população, cortes nas telecomunicações e no fornecimento
de energia elétrica.
Lá consegui um contacto
telefónico, tardiamente, para a minha namorada, hoje a minha mulher, através
duma chamada diferida nos CTT, já que ainda pouca gente possuía telefone nas
suas casas. E os telegramas não conseguiam ser expedidos. Tudo era moroso. Os
contactos geralmente faziam-se por carta. Longe dos tempos de hoje. Sosseguei-os
e fiquei mais tranquilo. Só haviam caído umas ameias do castelo de Leiria, que
se encontrava sediado a poucos metros do quartel.
E eu não podia ir de fim de
semana porque, como éramos poucos, no dia seguinte já estava escalado para
acompanhar alguns soldados ao Mosteiro da Batalha, para a guarda de honra ao
túmulo do Soldado Desconhecido, serviço alternado mensalmente entre as duas
unidades militares de Leiria – RAL 4 e RI 7.
Como atrás referi, nessa altura
ainda não existiam as novas tecnologias, nem mesmo algumas que já estão ficando
obsoletas, como o fax. Ainda era o tempo do papel químico e do papel
parafinado, usado para tirar cópias com um duplicador, depois de nele se ter
escrito – o estêncil – com que se escreviam as ordens de serviço, em
substituição das fotocopiadoras, que surgiriam mais tarde. Os telemóveis
estavam a décadas do seu tempo, e nem sequer sabíamos o que era um computador. Existiam
as máquinas de escrever, no tempo da dactilografia, e era exatamente esse
serviço de que me encarregaram de ministrar aos soldados-recrutas que para ali
iam tirar a especialidade de escriturário.
Entre a bruma das memórias
podemos encontrar, ao longo dos tempos, variadíssimos sismos em Portugal, uns
mais graves que outros, desde a Antiguidade até aos anos mais próximos.
Refiro alguns dos principais:
- Sismo de Lisboa, no ano de
1356, com a magnitude de 8,5;
- Sismo de Lisboa, no ano de
1531, com a magnitude de 7,0 – 7,5, tendo ocasionado 30.000 mortos;
- Sismo de Lisboa, no dia 1 de
novembro de 1755, às 9,30, com a magnitude de 8,7 – 9, tendo ocasionado 90.000
mortos;
- Sismo em Benavente e Salvaterra
de Magos, no dia 23 de abril de 1909, às 17,05, na magnitude de 6,3, tendo
ocasionado 42 mortos e 75 feridos.
Depois do sismo de 1969,
felizmente só temos a lamentar o sismo dos Açores de 1980, no dia 1 de janeiro,
às 15,42, na escala de 7,2, tendo ocasionado 73 mortos; e em 31 de julho de
1998, em Arraiolos, às 10,27, na escala de 4,1, sem vítimas mortais.
(In "Notícias da Covilhã", de 28-03-2019)
12 de março de 2019
O UMBIGUISMO
Sendo o mês de março aquele em
que vim ao mundo, e talvez o facto de eu ter nascido já no período da primavera,
me leva a desprezar algum pessimismo deixado das invernias. Ou seja, mais dos
tempos que passaram de muitos egocentrismos. E passa a um otimismo primaveril proveniente
da adição de muitas amizades.
Esta crónica estava mais
direcionada para o período carnavalesco, a época do ano de que menos gosto, mas
acaba por sair já em período quaresmal, pois que nem sempre as vontades podem
ser satisfeitas.
Vejamos o caráter
internacionalista do povo português quando se viu embrenhado em tantas greves,
com os governantes a verem-se gregos,
em vez de terem um problema intricado; alguns estudantes confrontados com o
ranking das escolas, se não compreendiam alguma coisa, preferiram optar por
dizer que “aquilo” é chinês; e já um
agricultor a consultar O Borda d’Água se referia que trabalhava como um mouro, em vez de trabalhar de manhã à noite.
Duma exposição inédita em Nova
Iorque explorando o design moderno da América Latina, em vez de uma invenção
moderna alguém disse que era uma
americanice. Se se é expressivo no falar depressa, logo se lembram de dizer
que fala como um espanhol.
Aquela família que tem uma
vivenda, uma casa de férias e um Mercedes, em vez de viver com luxo, vive à grande e à francesa. Mas aquele
que se vestiu de fato e gravata para uma apresentação, a fim de causar boa
impressão, é apelidado de que é só para
inglês ver.
Nas feiras e mercados, ao
regatear-se um preço, pode ser-se apelidado de que é pior que um cigano. Mas também os há de mãos fechadas, agarrados
ao dinheiro, passando bem no apelido de que é
pior que um judeu. Pior, pior, é quando se vê alguém a divertir demasiado pois
que na mente de alguns logo surge a ideia de que está a gozar que nem um preto.
Já lá vai o tempo, quando se via
alguém com um fato claro vestido, alguns ficavam a murmurar entre si: parece um brasileiro. Uma loura alta e
bonita? Nalguns pensantes, logo a ideia: parece
uma autêntica sueca. Poderá estar na hora dum café, um café curtinho, que
outros preferem chamar-lhe uma italiana.
Nos tempos que correm, já não se
vêm muito os horários a serem cumpridos, ou seja, aquela pontualidade britânica.
Vejamos tão só, por exemplo, um
militar bem fardado, que logo surge um olhar atento a dizer que parece um soldado alemão. E se uma
máquina funciona bem? Resposta na ponta da língua: É como um relógio suíço.
E quando alguma coisa corre mal?
Diz-se que é “à portuguesa”. Se
Fernando Pessa ainda fosse vivo, diria: E
esta, hein!
Tendo em conta que umbiguismo é uma criação da forma
vernácula umbigo, no sentido de dar
demasiada importância para si próprio, egoísta, Pedro Mexia referiu, há uns
anos, que essa “cicatriz abdominal, saliente ou reentrante, no ponto em que o
cordão umbilical se prendia ao indivíduo
durante a sua vida fetal, é a única prova documental dessa ideia fascinante mas
incompreensível de termos vivido meses dentro de alguém. É um elemento anatómico
sem utilidade nenhuma, que só existe como resquício, sejam umbigos bem
cortados, em orifício, ou umbigos saídos”.
Desde que nos anos 40 Álvaro
Cunhal acusou José Régio de escrever para o umbigo que essa tem sido a ofensa
máxima: umbiguista. Mas eu não estou convencido de que a metáfora seja a mais
adequada pois há coisas mais íntimas que o umbigo, que, sendo este uma
cicatriz, a gente em geral não gosta de o mostrar. Pois bem, o umbigo enche-se
de cotão, que é desagradável.
Então, aí está, o umbiguista não
está necessariamente a exibir o seu umbigo, mas a mostrar o lixo acumulado. E
lá tem razão Pedro Mexia em dizer que “o umbiguista é aquele que pretende
mostrar coisas pessoais e acaba a mostrar coisas desagradáveis”.
Bom, na próxima semana, dia 20 de
março, entra a primavera, e já se vão vendo umas rapariguinhas de ventre
elástico mostrando o umbigo, num doce exibicionismo. Mas os demais umbigos,
literais e metafóricos, são um desafio, um desatino, um desaforo.
Um dos meus favoritos escritores
e cronistas, o saudoso Eduardo Prado Coelho, falava há 15 anos sobre “O umbigo
dos sonhos”: “As calças femininas descem vertiginosamente abaixo da cintura,
deixando por vezes entrever uma peça mais íntima de roupa. Se se trata de
figuras de grande elegância, o efeito da beleza é incontestável. Nos casos mais
prudentes, há uma zona do corpo que ora aparece coberta, ora se descobre
ousadamente”.
Sempre pensei que com os rigores
do inverno se fizessem restringir as peças de vestuário, como as camisolas, que
deixam ver o umbigo, mas nos dias que correm, a transgressão é ocultá-lo. O
umbigo venceu o inverno. Mas por que falar do inverno se estamos a entrar na
primavera?
Como referi, este texto era
destinado para a época carnavalesca, que findou há poucos dias, e o tema de todos
os umbigos não se pode descrever. Há o umbigo simples, sem outros atavios,
convicto de que por si só suscitará os olhares, dependendo da beleza da
personagem. É um umbigo sem problemas nem contradições que escapou da neurose,
que evita a psicose, que não tem quaisquer marcas maníaco-depressivas. Há um
segundo tipo de umbigo que se redobra num discreto “piercing”. Aqui, o corpo
entrega-se aos sinais, começa a escrever-se a si próprio. O “piercing” é o
começo de um processo de artificialização. Uma variação do “piercing” é a
tatuagem. Estas correspondem a uma panóplia de motivos, tudo servindo para
criar o que outrora era um motivo de atração e hoje é uma banalidade, que só
ganha algum relevo por contígua ou envolvente do umbigo.
Bem dizia Freud, o umbigo é o
lugar onde deixamos de ver para passarmos para o reverso da visão: inscrição
corporal do inconsciente, ali onde a noite é cada vez mais noite e o dia cada
vez menos dia.
(In "Jornal fórum Covilhã", de 12-03-2019)
28 de fevereiro de 2019
CONSELHO CENTRAL DA GUARDA QUATRO CONFERÊNCIAS CENTENÁRIAS INTEGRAM O CONSELHO DE ZONA DA COVILHÃ
Realizou-se no dia 2 de fevereiro
(sábado), na Covilhã, a Assembleia Geral deste Conselho de Zona, com os
Vicentinos que na mesma participaram a proporcionar um diálogo muito interessante
face aos temas apresentados.
Efetivamente, foram pontos de
discussão e reflexão sobre a atuação que se tem vindo a desenvolver face aos
muitos problemas na temática da Caridade com a assistência ao cada vez maior
número de casos que chegam a todas as Conferências.
Estiveram representadas todas as
Conferências deste Conselho de Zona: Nossa Senhora da Conceição, Santa Maria,
São Pedro, São Martinho e S. José (Penedos Altos), Canhoso, Tortosendo e Santo
André, da Boidobra.
As dificuldades emergem à porta
de muitos necessitados, cada vez mais na sociedade de hoje, na vertente de
inúmeros casos, que outrora não existiam, mas que são provenientes dos novos
tempos, e que para cada caso foram dados exemplos de atuação no âmbito do
espírito da Caridade.
As dificuldades em conseguir
reunir maior número de Vicentinos, muitos deles já com muitos anos nas
Conferências, onde os jovens têm dificuldade em se afirmar, foi também uma
preocupação sentida.
As várias Conferências Vicentinas
do Conselho de Zona da Covilhã desdobram-se na assistência em várias locais,
muitos deles bem distantes do local da sua Conferência. E há os casos de
estudantes universitários, oriundos das antigas Colónias, a estudar na
Universidade da Beira Interior, bem como alguns de pobreza envergonhada.
Surgiu em 2018 a novel
Conferência de Santo André, da Boidobra, cujos órgãos tomaram posse em novembro.
Embora estejam com grande entusiasmo, encontram-se a dar os primeiros passos, o
que é uma esperança para poderem vir a tomar conta duma zona bastante
carenciada.
De salientar que, na Diocese da
Guarda, é no Conselho de Zona da Covilhã que se mantêm ainda em atividade, cada
vez mais envolvidas nas suas variadas tarefas em prol dos muitos necessitados
que chegam com frequência a cada Conferência, as já centenárias Conferências
Vicentinas, a saber:
- Conferência de Santa Maria
Maior, na Covilhã, fundada em 12 de novembro de 1899;
- Conferência de Nossa Senhora da
Conceição, na Covilhã, fundada em 19 de março de 1903;
- Conferência de São Pedro, na
Covilhã, fundada em 29 de junho de 1905;
- Conferência de São Martinho, da
Covilhã, fundada em 19 de fevereiro de 1911.
O Conselho de Zona da Covilhã,
então na altura designado Conselho Particular, foi fundado em 03 de dezembro de
1910. Este Conselho no início ia encontrando dificuldades na coordenação das
Conferências a que a ele estavam ligadas porquanto tinham poucos membros ativos
para tão grande ação. Foi organizado em 25 de fevereiro de 1921, dependendo do
Conselho Central do Porto, pelo que nessa altura o Conselho da Covilhã, por
sugestão do Prelado, reuniu as Conferências da Covilhã numa só, com a
designação de Conferência da Covilhã. E, na Guarda, a Conferência da Guarda.
Mas tal não deu resultado e, assim, a partir de 1923 voltaram a passar a
funcionar separadamente.
A Conferência mais antiga da
Covilhã – Santa Maria Maior, fundada em 1899 – deu origem à criação do Lar de
São José (na altura designado Albergue dos Pobres), fundado em 1900. Dois anos
após a sua abertura, em 10 de junho de 1902, conseguiu esta Conferência a vinda
das Irmãzinhas dos Pobres para cuidar do Albergue. Há muitos anos que partiram.
João de Jesus Nunes
(In "Boletim Português da Sociedade de São Vicente de Paulo, Ano 113, Nº. 2, Fevereiro 2019)
27 de fevereiro de 2019
UM EMPRESÁRIO DE SUCESSO
Tarde de segunda-feira, 21 de
janeiro. No Café do Celso há amenas conversas. Os petiscos, para todos os
gostos, vão-se distribuindo pelas mesas. Conforme os apetites. Ao lado do José
Augusto está uma mesa com um simpático senhor, também com o seu petisco, que, a
pouco e pouco se vai integrando no nosso diálogo.
Diz-nos então que aos onze anos
começou a amassar pão à mão. Os filhos não quiseram continuar os estudos e
preferiram seguir as pisadas do pai, no intuito de ganharem dinheiro por conta
própria. Tinham grande ambição. Também muito dinamismo. Como o pai.
Desconhecíamos aquele senhor,
ainda que sejamos covilhanenses de gema. Mas logo o Celso nos lembra que se
trata do senhor António Dias Santos, ilustre empresário de panificação.
E o entusiasmo do Sr. António em
contar a sua história raia-lhe os olhos. Dá gosto ouvi-lo. Setenta e seis anos
já conta no seu tempo de vida. Natural de S. Vicente da Beira.
Chegou a ter cinco patrões num
mês. Face à sua garra, mudou facilmente de emprego, no âmbito da mesma
atividade – a panificação. Mas também trabalhou de sol a sol, in illo tempore.
Em S. Vicente da Beira acaba por
ficar quase sozinho a trabalhar, aos 15 anos, somente com o patrão e um
aprendiz. Já toma conta da padaria.
Dali vem para a Covilhã,
exatamente no dia em que completa 18 anos de idade. Chega ao Manuel dos vinhos
que se situavam por detrás das antigas instalações da PSP, a S. Silvestre, mas
aqui para trabalhar na construção civil a fim de se preparar a abertura daquela
casa. Foram dois meses.
Conhecedor das suas excelentes
tarefas na panificação, o Sr. António Tavares chama-o para a firma Tavares &
Matias (padaria) durante um ano, então sediada em S. Martinho, perto do
Oriental. Surge-lhe, entretanto, uma formação em S. Pedro de Sintra, a cargo do
Estado. António Dias Santos diz-nos que “vim de lá um homem”.
Mas a sua vontade em fazer mais e
mais, leva-o a empregar-se na padaria de João da Fonseca Mimoso (Marroca), onde
está durante 22 anos, como encarregado de fabrico.
É presidente do Sindicato de
Panificação durante 12 anos, sendo que, no dia 25 de Abril de 1974 está a
negociar um Contrato de Trabalho no então Ministério das Corporações e
Indústria.
Pensa então em trabalhar de conta
própria, seguindo a vida empresarial. Em 1982 adquire a Padaria Abreu. O Sr.
António Dias ao tomar esta decisão é devido ao facto de os filhos terem
chumbado nos estudos e quererem ir estudar à noite para irem trabalhar. O pai faz-lhes
a vontade. O trabalho e estudo deles acaba porque passam a trabalhar com o pai,
na empresa que, entretanto, criam, com muito trabalho e alma, sempre a
progredir.
Nesta altura, possui a Padaria
Dias & Pereira, Lda, no Parque Industrial do Tortosendo, sendo constituída
por cinco sócios, todos familiares (O Sr. Dias, a esposa e os três filhos) e
tem já 40 trabalhadores.
Participam em vários programas
televisivos (TVI, CMTV, SIC e RTP), por via de terem ganho vários prémios,
conforme a comunicação social, incluindo a regional, deu conta.
Ganham os seguintes prémios
nacionais do “Melhor Pão Natural de Portugal”:
- 2017 – 1.º lugar: Regueifa
Tradicional da Beira Baixa;
- 2018 – 1.º lugar: Centeio
Natural Crocante.
Na categoria de “O Melhor
Bolo-Rei de Portugal” ganham em 2018, o 1.º lugar, com o “Bolo Rainha”, Medalha
de Ouro.
Também ganham prémios com “O Bolo
Rei” (normal) e “Bolo-Rei Escangalhado”.
Um empresário de sucesso, como
exemplo para os tempos que correm.
António Dias Santos pensa abrir
uma nova casa na Covilhã.
(In "Notícias da Covilhã", de 28-02-2019)
13 de fevereiro de 2019
CORRUPTOMANIA
Ainda não existe uma definição
para a palavra em título mas o sentido é intuitivo. Pensara em não me referir
mais a este assunto depois de sobre ele me ter debruçado por outras ocasiões
(2014 e 2018). Mas o facto de surgirem no tempo das nossas vidas tantos casos,
um sopro de vontade atira-me para o foco de que somos confrontados no dia a
dia.
A diversidade de casos é uma
peculiaridade dos portugueses. O dos elementos que constituíram aquela
tropa-fandanga de Tancos ainda continua vivo na mente de todos nós. Como tantos
outros. A saga das meias verdades e das ocultações não mais teve fim. O logro
da descoberta das armas entrará para a antologia das operações mais perigosas
do nosso Exército em defesa da soberania nacional deste século. O prestígio
desta secular instituição ficou abalado.
Deambulando por aí fora, foi o
encontro de oportunidades na esperteza dos iluminados pela ambição do
enriquecimento fácil. Na falácia encontrada em favoráveis ocasiões de dar a
volta ao texto. Que isto de solidariedade, obras de misericórdia, sentir o
sofrimento alheio também é ocasião de, ao invés de meter a mão na massa, se
pode fazer com que a massa chegue à mão. E aí tivemos os incêndios, com a
utilização fraudulenta dos fundos para a reconstrução de Pedrógão Grande. Imaginar
que tantas pessoas que estavam a enfrentar a maior tragédia portuguesa de
décadas, tendo motivado um movimento de solidariedade sem precedentes por todo
o país, viram rapidamente transformar o terrível sofrimento na mais repugnante
ganância. É duma revolta imensa.
É indubitável que a partidocracia
destrói a democracia, conforme refere o Presidente da Frente Cívica, Paulo de
Morais. “O principal objetivo dos maiores partidos portugueses é manterem-se na
esfera do poder, partilhar negócios do Estado com os grupos económicos de que
são instrumento e garantir emprego aos muitos milhares de apaniguados, os
militantes partidários e seus familiares”. Os dirigentes partidários distribuem
benesses pelas empresas que financiam e para as quais vão mais tarde trabalhar.
Além de negócios, os partidos garantem a sobrevivência económica dos seus
apoiantes através da distribuição de milhares de empregos. É na administração
central. É nas autarquias. É nas empresas municipais e institutos públicos.
Transformaram-se assim na maior agência de emprego do país. E, depois, é ver nos
canais de televisão comentadores facciosos, a censurar todo o discurso
contraditório.
E temos a Caixa Geral de
Depósitos (CGD), um dos temas da atualidade. Os seus gestores aprovaram, entre
2000 e 2015, financiamentos de centenas de milhões de euros apesar dos riscos
identificados pelos diretores das operações. O diagnóstico foi feito pela
consultora EY na auditoria independente à gestão da CGD. Identificou perdas de
mais de mil milhões de euros para as contas desta instituição, só até 2015. Em
causa estão de facto decisões tomadas contra o parecer técnico da Direção
Global de Risco (DGR) da CGD, reveladas pela auditoria da EY, cuja versão
preliminar foi divulgada pela ex-deputada do Bloco de Esquerda, Joana Amaral
Dias, na CMTV, citada por vários órgãos da comunicação social. Os
financiamentos de elevados montantes destacam-se nas perdas relacionadas com a
Artlant, Quinta do Lago e Birchview, para além de problemas com a concessão de
empréstimos à Investifino, Finpro, sociedade de investimento de Américo Amorim
e Banif, bem como às sociedades de Joe Berardo, entre a Fundação Berardo e a
Metalgest. Neste grupo de grandes devedores, os financiamentos ascenderam a mil
milhões de euros, com perdas de 580 milhões de euros.
Vários crimes já estarão prescritos.
Cada ano de silenciamento contribuiu para que mais atos de gestão danosa também
prescrevessem, ficando de fora da alçada da justiça. De tal forma que este país
mais parece uma república das bananas.
A CGD, banco que tem a confiança
de um número elevado de portugueses, mormente os funcionários públicos, foi
gerida sem qualquer noção de honra. E quem teve nas mãos o seu destino revelou
uma total e indigna ausência de responsabilidade.
Neste estado mórbido, quem e
quantos irão responder civil e criminalmente pela ruína da Caixa Geral de
Depósitos, onde os portugueses tiveram de enterrar cinco mil milhões de euros
dos seus sangrentos impostos?
Ficamos por aqui.
E, para que tudo não seja um mar turbulento, temos a entronizada
Cristina Ferreira, mais parecendo uma Marilyn Monroe, que, iniciada na TVI se
rendeu finalmente ao namoro da SIC, por via dum contrato milionário, cujo nome
já se transformou numa marca, mas ainda longe dum Cristiano Ronaldo. Até o
Presidente da República lhe telefonou, entrando em direto na estreia do seu
programam na SIC, para lhe desejar felicidades, provocando uma onda de
indignação, que a apresentadora não compreendeu por ter visto o gesto como um
“miminho”.(In "Notícias da Covilhã", de 14-02-2019)
12 de fevereiro de 2019
O MUNDO D´HOJE PARECE UM PAGODE
Por vezes falta-nos a inspiração.
Mas o bichinho da escrita perdura. Escrever não é fácil. Como disse o escritor
francês Olivier Rolin, “escrever é fazer com que o tempo que conhecemos não
morra”. Aí está. Então eu continuo a escrever.
Entre o sonho e a realidade vai
uma distância. Só cada um a pode quantificar. Em 17 de outubro do ano transato
foram divulgados os dados a propósito do Dia Internacional para a Erradicação
da Pobreza. Na altura de comparar os países em matéria de pobreza e exclusão
social, Portugal surge em 11º. Lugar. Consta de uma lista de 26 Estados para os
quais estão disponíveis dados relativos a 2017. Ou seja, cerca de um quarto da
população portuguesa (23,3%) está “em risco de pobreza ou exclusão”. Na União
Europeia (UE) a percentagem média de pessoas nessa situação é de 22,5%. Ainda
que a UE, como um todo, e Portugal, em particular, tenham menos pessoas em
risco do que em 2008. Mas, no entanto, há em Portugal 3000 sem-abrigo. Estamos
no século XXI.
Na lamentável prática da
pedofilia, por todo o mundo, não basta pedir desculpa. A divulgação de mais
casos de abuso sexual de menores na Igreja Católica, com a informação de que a
hierarquia encobriu os abusos, surgem os obrigatórios pedidos de desculpa.
Assim aconteceu nas dioceses da Pensilvânia, nos EUA, na qual mais de 300
padres foram acusados de crimes praticados contra mais de um milhar de vítimas,
ou em Washington, que levou à demissão de um arcebispo. E também em Boston, no
Chile, na Irlanda, etc. O Papa Francisco reforçou ainda mais esse pedido de
desculpas. Escreveu uma carta na qual admitiu “vergonha e arrependimento”. E o
mesmo acrescenta que “nunca será suficiente o que se fizer para pedir perdão e
procurar reparar o dano causado”. E o escândalo nunca se aproximara tanto da
hierarquia católica, ao surgir a condenação do cardeal George Pell, condenado
por abusos sexuais na Austrália em 2018, o homem que era o terceiro na
hierarquia da Igreja Católica, responsável pelas finanças da Santa Sé. Foi
afastado do Conselho de Cardeais pelo Papa e neste ano enfrenta outro
julgamento por crimes idênticos.
Estes homens parece não sentirem
qualquer bafejo de revolta dos seus semelhantes e quase que vivem num autêntico
pagode.
Que dizer então, noutra vertente,
onde cabe melhor o pagode, a manifestação na Dinamarca, ocorrida no verão
passado, contra a lei que proíbe o véu islâmico? Centenas de dinamarquesas,
algumas de niqab (lenço muçulmano),
outras de burqa, que as cobria por
completo, juntaram-se em Copenhaga para protestar contra a entrada em vigor da
nova lei que proíbe o uso do véu que cubra o rosto. Acusaram o Governo de
violar o direito de as mulheres vestirem o que quiserem.
Continuando na UE temos a crise
dos três M: May, Macron e Merkel, líderes das três grandes potências da União
Europeia. Estão em apuros. A poucos meses das eleições para o Parlamento
Europeu, florescem populismos e nacionalismos pela Europa, com a primeira-ministra
do Reino Unido, o presidente de França e a chanceler da Alemanha a enfrentarem
crises internas que enfraquecem a sua liderança e, por arrastamento, o processo
de integração da U.E. A primeira tem para resolver o dossiê do Brexit. O
segundo chegou ao poder com intenções de reformas centristas e a sociedade
civil obrigou-o a recuar. A terceira, que durante a crise da Constituição
Europeia e da zona euro foi a líder de ferro que manteve unidos os europeus,
perdeu os alemães ao deixar entrar, de forma desordenada, mais de um milhão de
refugiados no país. Theresa May, de 62 anos, sucedeu a David Cameron após a
vitória do Brexit. Emmanuel Macron tem 41 anos e é o presidente francês mais
jovem de sempre.
O Ocidente está em decadência mas
o declínio da UE não é inevitável. Há 30 anos, a entrada na “Europa”
representava para os portugueses a liberdade, a abertura cultural, a
democracia, a prosperidade. A Europa atual está esquecida das suas antigas
promessas de paz e solidariedade. É uma Europa que parece não saber o que quer
nem para onde vai. Ao ponto a que chegou o pagode. A Europa enfrenta uma crise
migratória alimentada por discursos de ódio. A Europa está rodeada de crises e
passou a ser ela própria a crise.
E, assim, com a crise dos três
pilares que sustentam a UE vamos assistindo ao pagode. O “Brexit” e Trump são
duas faces da mesma moeda. Segundo Vasco Pulido Valente, in Público, “O ‘Brexit’ é o resultado de
uma conspiração de Putin, que envolve, pelo menos, o Facebook e a Cambridge Analytica,
e também uma inexplicável loucura da aristocracia inglesa”.
Num manifesto de 30 patriotas
europeus é referido o seguinte: “Hoje, com urgência, temos de fazer soar o
alarme contra os incendiários de almas e espíritos que, de Paris a Roma,
passando por Barcelona, Budapeste, Dresden, Viena ou Varsóvia, brincam com o
fogo das nossas liberdades”.
Já não vamos falar muito no
triste caso da situação da Venezuela, que corre suas desgraças face ao ditador
Nicolás Maduro. No momento em que concluo este texto, passa no meu computador a
informação do JN online, direto, de que Portugal reconhece e apoia legitimidade
de Guiadó: “Augusto Santos Silva confirmou, esta segunda-feira (04-12-2019),
que Portugal reconhece Guaidó como presidente interino da Venezuela, apelando a
eleições presidenciais.” A Venezuela vive um impasse político que só pode ser
resolvido com uma transição pacífica. Não pode ser confrontação interna nem
intervenção externa. Deve ser com eleições presidenciais. Mas aproveitamos para
uma boa notícia: construção de pontes entre Portugal e o Japão. O Acordo de
Parceria Económica entre a União Europeia e o Japão vai proporcionar um impulso
económico vital tanto à UE como a Portugal.
(In "Jornal fórum Covilhã", de 12-02-2019)



